Notas iniciais
Aqui está, como prometido, o segundo capítulo ^^
Está um tanto quanto pequeno, mas acho que não vai decepcionálos.
Espero que gostem ^^

Rodrigo não podia ver nada.

Era como se estivesse mergulhado nos sonhos novamente. Numa escuridão tão profunda que não conseguia ver nem seu nariz. Olhou para os lados, procurando Júlia, sem sucesso, e esticou a mão, encontrando a mão da Senhora Eterna. Os dois entrelaçaram os dedos e o bruxo engoliu em seco.

― Alguém está conseguindo ver alguma coisa? ― perguntou o mestiço evidentemente assustado.

Não houve resposta de nenhuma das duas. A única coisa que o respondeu foi um som. Um som de vidro sendo estilhaçado. Um som tão alto que espalhou pela escuridão um vento quente e abafado, que jogou os cabelos do bruxo para trás, fortemente. E então, uma luz. Como no sonho, uma luz longínqua se formou no horizonte. Porém esta se aproximava como um trem em alta velocidade na direção deles.

― O que é aquilo? ― Rodrigo ouviu Guerra perguntar.

E então a luz os alcançou. Só então Rodrigo entendeu que não se tratavam de simples luzes. Eram imagens reais e enormes.

Duas paredes paralelas repletas de rachaduras, como um espelho infinito quebrado. E, em cada pedaço rachado, uma imagem se formava: alguns pedaços mostravam desertos escaldantes que sopravam um vento quente no local; outros pedaços mostravam praias de águas límpidas e areias claras; outros mostravam castelos imponentes e suntuosos; e outros ainda mostravam cidades enormes com prédios altíssimos.

― Que coisa é essa? ― sussurrou o bruxo para si mesmo, apontando uma que mostrava uma enorme e colorida nebulosa.

Guerra engoliu em seco antes de responder:

― Um portal de sombras.

Júlia franziu as sobrancelhas e encarou Guerra curiosa.

― Está dizendo que é o mesmo portal que transportou Atlantis para aquela dimensão? ― perguntou ela.

Guerra assentiu, sem tirar os olhos da nebulosa colorida.

― Mas... ― Guerra balbuciou. Seu rosto banhado pela coloração avermelhada do berço de estrelas. ― Como minha mãe sabia como fazer o portal? ― e fez outra pausa. ― As únicas pessoas que sabiam como fazê-lo eram os bruxos do passado. E alguns outros Senhores Eternos escolhidos a dedo. Nem o Poder sabia como fazê-lo.

Júlia franziu ainda mais as sobrancelhas. Rodrigo a encarou, completamente intrigado e confuso. Foi quando todas as imagens se apagaram. Todas menos uma. E foi para lá que os três caminharam, hesitantes. Mostrava uma rua ao longe, não muito movimentada, com carros passando velozmente. Guerra, muito curiosa, esticou o braço para tocar a imagem, mas, para sua surpresa, ele passou direto, fazendo um chiado agudo. Ela encarou Júlia, que assentiu com um aceno de cabeça, e atravessou inteiramente a imagem. Júlia foi logo em seguida, com Rodrigo bem atrás de si. Logo, se viram piscando rapidamente, pois o sol brilhava a tona no céu, por mais que estivessem protegidos por uma espécie de lona.

― Faz calor aqui na Terra, não é? ― disse Rodrigo já suando, sacudindo a gola de sua camisa.

Guerra esquadrinhou as vestimentas dos três com o olhar, rapidamente, e estalou os dedos. Agora, Rodrigo usava uma bermuda cargo azul-escura, camiseta branca e chinelos pretos. Júlia agora usava um short jeans curto, camiseta preta e sapatilhas também pretas. Guerra usava uma bermuda camuflada, camisa verde-escura e chinelos. Os três se encararam por alguns segundos e riram.

― As vestimentas na Terra são bem estranhas ― Rodrigo deixou escapar, rindo ainda mais.

Guerra assentiu e desviou o olhar para o local que se encontravam. Uma espécie de arena com cobertura de metal. Um local para treinar batalhas?

― Acho que estamos numa arena ― disse ela estreitando os olhos.

Rodrigo esquadrinhou o local, confuso. Júlia fez o mesmo, porém não se demorou muito no local em si. Observou logo dois homens que os encaravam, na entrada da tal arena.

― Podemos pedir informações de onde estamos para aqueles dois homens ali ― disse ela gesticulando na direção deles.

Guerra desviou o olhar para os homens e estreitou os olhos ao encará-los. Os homens, assim que viram Guerra, começaram a gritar e a correr em direção a um prédio próximo da arena. E eu não os culpo por isso. Qualquer um que visse Guerra ficaria, no mínimo, assustado. Alta e corpulenta como um lutador de boxe. Os cabelos castanho-claros presos num rabo de cavalo e os olhos, cor de mel, transmitindo força. A bermuda camuflada e a camiseta que deixava seus braços fortes a mostra só serviam para passar ainda mais medo aos homens.

― Gente doida ― disse Guerra e deu de ombros.

Mas os homens logo voltaram, ainda gritando. Porém, desta vez, trouxeram outros dois homens. Estes vestidos com fardas de policiais locais.

― Autoridades ― disse Guerra indo na direção deles.

― Senhora, o que tá fazendo aí dentro da quadra com essas crianças? ― perguntou um dos policiais.

― Crianças? ― perguntou Júlia ofendida.

― “Tá” fazendo? ― perguntou Rodrigo confuso.

― Primeiramente, quero me desculpar pelo mau jeito com que chegamos ao seu planeta, caro policial ― começou Guerra, educadamente. ― Mas eu gostaria de saber onde exatamente nos encontramos?

Os policiais se entreolharam e escorregaram as mãos até suas armas, instintivamente.

― Senhora, precisamos que se afaste dessa escola, ou seremos obrigados a prendê-la ― disse o outro, quase tremendo.

― Escola? ― perguntou Guerra interessada. ― Vocês têm uma arena na escola? Isso é que é escola!

Os policiais tiraram as armas dos coldres e as apontaram para Guerra, que ergueu as duas mãos, impotente.

― Mas, que agressão é essa, policiais? ― perguntou ela quase ofendida. ― Sou a patrona de vocês, deveriam me reverenciar, não tentar me matar.

Júlia, rapidamente, se aproximou de Guerra e tocou em seu ombro.

― Acho que eles não sabem quem somos, é melhor darmos o fora ― disse Morte num sussurro.

Guerra assentiu e abaixou os braços.

― Ok, eu vou embora ― disse ela tristemente andando para trás, ainda com os policiais apontando suas armas para ela.

Ela seguiu até um muro, que havia nos fundos da escola.

― E como saímos daqui? ― perguntou ela.

― Do mesmo jeito que entraram ― respondeu ele secamente.

Guerra franziu as sobrancelhas e encarou o muro. Aquilo tudo estava errado. Os policiais deviam mesmo reverenciá-la. Ela havia criado as autoridades. Ela havia criado as armas para eles e havia os presenteado com elas. Mas eles nem se quer se lembravam dela. Então descarregou sua raiva no muro, lhe acertando um soco tão forte que todo ele ruiu, com um enorme estrondo. Os policiais deixaram suas armas caírem, boquiabertos com o ato da Senhora Eterna. Guerra, por sua vez, atravessou o muro em ruínas, seguida por Júlia e Rodrigo de perto.

― Agradeço pelo respeito ― disse Guerra amargurada, antes de sumir da visão dos policiais.

Agora, os três se viam caminhando numa outra rua. Ainda menos movimentada. Poucos carros passavam. Uma sirene de ambulância soava ao longe.

― Que idiotas! ― exclamou Guerra com raiva. ― Como puderam não me reconhecer?!

Júlia franziu os lábios.

― Talvez não se lembrem mais de nenhum Senhor Eterno ― disse Júlia dando de ombros, tristemente. ― Eles me chamaram de criança!

Rodrigo encarava as duas sem nada dizer. Também estava assustado.

― Talvez eles não se lembrem de nada ― continuou Guerra sem diminuir o ritmo dos passos. ― Talvez nem existam mais bruxos aqui.

Júlia assentiu, tristemente, e então sentiu algo tremer no bolso. Pulou com o susto e enfiou a mão no bolso, puxando de lá o instrumento dourado que Terra lhe entregara.

Guerra encarava o objeto intrigada. Rodrigo não estava diferente. O objeto literalmente vibrava nas mãos de Júlia, como um celular enlouquecido. Nenhum dos três disse nada até que Júlia abriu o tal instrumento. Era circular e havia um enorme ponteiro vermelho-rubi que rodopiava loucamente entre dois desenhos entalhados em duas extremidades: um retratava uma ave azul-metálica; a outra, uma coruja prateada.

― O que é isso? ― perguntou Rodrigo.

Júlia estava tão confusa que nem conseguiu responder.

― É uma bússola ― respondeu Guerra deixando transparecer a confusão na voz.


Notas finais
E então, gostaram do local onde eles estão? Eu meio que imaginei o Centro do Rio de janeiro... E da bússola? Mandem reviews e eu tento postar mais até domingo ^^