Sombras No Espelho: Parte 2 - A Criança
6 Demônios De Areia
Notas iniciais
Antes da hora, mas tá aqui! o/
Tem feitiço nesse capítulo! Eeeeeeeeee!
E esse feitiço é na famosa linguagem antiga de Atlantis...
Quer saber mais? Só ler ^^
Boa leitura ^^
O Sol já estava se pondo quando os três Senhores Eternos viraram numa esquina bem movimentada.
― Afinal de contas, onde está essa criança, pai? ― perguntou Vida cansada de tanto andar. ― Já estamos andando há horas e o senhor não fala nada!
Poder lançou um olhar doce para a filha, coisa que não fazia com qualquer um. Mas seu rosto trazia uma expressão um tanto estranha. Parecia até preocupação.
― O que foi? ― perguntou Vida franzindo as sobrancelhas, estranhando aquela junção de expressões.
Poder apenas balançou a cabeça negativamente e voltou novamente o olhar para frente. As pessoas ao redor, que reclamavam por eles estarem ali parados no meio do caminho, davam a volta por eles e saíam pisando duro.
― Meu senhor sabe onde está a criança, não sabe? ― perguntou Destino com a voz fraca. Tinha medo da resposta.
Poder o encarou severamente. Destino cambaleou um pouco para trás com a incidência do olhar.
― É lógico que sei onde ela está! ― disse ele em voz alta, quase gritando. ― Está bem naquele prédio. ― E apontou com o cedro para um edifício corporativo.
― E o que meu senhor está esperando? ― perguntou Destino um tanto confuso. ― Por que não atinge o prédio e o desaba de uma vez?
Poder balançou a cabeça negativamente.
― Não posso ― e encarou Destino com um olhar fuzilador. Lembrava-se de que o dissera certa vez que podia fazer qualquer coisa. Mas, naquele momento, não estava cumprindo sua palavra. ― A criança tem uma espécie de bloqueio que a protege ― e voltou o olhar novamente para edifício. ― Como um campo de força que afasta tudo de ruim de perto dela. Um campo de força tão repulsivo que nem eu conseguiria penetrá-lo.
Destino engoliu em seco e assentiu. Vida, por sua vez, franziu as sobrancelhas e voltou o olhar para o edifício também.
― O senhor acha que esse campo de força vem da própria criança? ― perguntou ela e depois o encarou. ― Ou será que vem de outrem?
― Eu não sei ― disse Poder balançando a cabeça e estreitando os olhos.
Destino, que se sentia totalmente deslocado, cruzou os braços e bufou. De repente sentiu um cutucão na cintura. Com um salto assustado, ele se virou para trás, mas nenhuma das pessoas pareciam ter feito aquilo. Muito pelo contrário, tinham tomado susto junto com o Senhor Eterno.
― Mas que... ― ele não completou a frase, surpreso.
Poder, notando que as pessoas ao seu redor começaram a falar mais alto, franziu as sobrancelhas e encarou o outro Senhor Eterno, que ainda estava atordoado.
― O que foi, Destino?
Porém, ele não respondeu. Trazia uma expressão ultrajante no rosto.
― Quem foi o insolente? ― perguntou ele furioso encarando todas aquelas pessoas.
Poder ergueu as sobrancelhas, fingindo surpresa. Vida, por sua vez, o encarou assustada. Por que ele estava gritando daquele jeito?
― Destino, o que aconteceu? ― perguntou ela preocupada, se aproximando dele e tocando seu braço.
Ele a encarou e engoliu em seco. A raiva passara. Aqueles profundos olhos azuis desfaziam tudo o que ele conhecia, inclusive a raiva. Por que nunca a notara antes?
Piscando rapidamente e recuperando o ar, Destino balançou a cabeça e franziu novamente as sobrancelhas, voltando a olhar para as pessoas que passavam.
― Alguém me cutucou ― sussurrou ele para que Poder não escutasse.
Porém, o outro Senhor Eterno deu um risinho e se aproximou dos outros dois.
― E por que acha que foi um desses humanos? ― perguntou ele endurecendo o rosto.
Destino franziu as sobrancelhas, confuso e encarou Poder, que voltou a sorrir. E então, com um movimento rápido, Destino estendeu a mão direita para frente e agarrou algo invisível no ar. Num milésimo de segundo depois, estava segurando um cajado vermelho escarlate. Na ponta, uma ampulheta estava entalhada. Em seu centro, areias douradas e infinitas caíam de um lado para outro.
― E o que pode ter sido, meu senhor? ― perguntou Destino seriamente.
Naquele momento, a esquina se esvaziara. Nenhuma pessoa era vista na rua. Destino sabia o que aquilo significava: estava invisível para os humanos tanto quanto eles estavam para ele. Proeza inventada pela Sombra. A mesma Sombra que escondia os rostos dos Senhores Eterno dos guardiões.
― Um bruxo do ar, talvez ― Poder respondeu simplesmente dando de ombros. ― Visto que consegue ficar invisível.
Destino o encarou.
― Bruxos, aqui na Terra? ― perguntou ele cético. ― Sabe que isso é impossível, não é?
― Tem certeza? ― perguntou Poder erguendo as sobrancelhas.
Destino reconsiderou a idéia, franzindo as sobrancelhas confuso.
― Por que acha que estamos aqui na Terra, Destino? ― perguntou ele e cruzou os braços. Destino deu de ombros e balançou a cabeça. ― Não estamos atrás da criança? ― Destino assentiu, tentando acompanhar o raciocínio. ― E essa criança não é descendente da noite e do dia? ― O outro Senhor Eterno assentiu novamente. Vida apenas os encarava assustada. ― E você acha que isso aconteceu há quanto tempo? ― e fez uma pausa. ― É mais recente do que pensa, Destino. Os bruxos ainda estão aqui, na Terra. Espalhados pelos quatro cantos dessa miséria de planeta. E é por isso que estamos aqui. Para acabar com essa festinha. ― Outra pausa. ― E então, você está comigo?
Destino encarou Vida, que ainda tinha um olhar assustado. Depois voltou a encarar Poder, que agora descruzara os braços.
― Estou com o senhor para sempre, sabe disso ― respondeu ele.
Poder sorriu.
― Melhor.
Destino voltou a estreitar os olhos.
― Mas e o bruxo do ar abusado? ― perguntou.
― Esquece ele, resolvemos isso depois ― respondeu Poder sorrindo. ― O importante agora é pegar a... ― E ele parou, arregalando os olhos de repente.
― O que foi, pai? ― perguntou Vida olhando em volta.
― Eles estão perto de nós ― disse Poder entre dentes, endurecendo o rosto. ― O bruxo, sua irmã, e a filha maldita da Terra.
Destino deu um meio-sorriso.
― Se o senhor me permitir, posso atrasá-los ― disse ele.
Poder franziu as sobrancelhas e só então seu rosto se iluminou.
― Permitido ― disse Poder sorrindo.
Destino se afastou dos outros dois Senhores Eternos e bateu com o cajado no chão, fazendo um trovão explodir pela cidade inteira. E então, fechou os olhos, entoando na linguagem antiga de Atlantis:
― Constitutas potestates mihi invocare daemones harenae.
Naquele exato momento, um vento fortíssimo varreu as ruas. Os céus se escureceram de vez, com nuvens negras. E uma rajada de areia dourada foi levada pelo vento, saindo do cajado escarlate do Destino.
Tudo isso durou cerca de dez minutos, quando enfim parou, do mesmo jeito que começara: de repente. Os ventos cessaram, os céus se iluminaram e as areias douradas se reuniram em silhuetas de animais gigantes com chifres.
Destino então abriu os olhos cinzentos e fitou suas criaturas, que rosnavam, mas mantinham um alinhamento preciso.
― Minhas criaturas ― disse ele e deu um sorriso. ― Há quanto tempo não os invoco, não é?
Os seres bufaram em resposta.
Vida, que encarava a tudo aquilo deslumbrada, deixou um sorriso se formar no rosto. Poder, assim como ela, também sorria com a cena.
― Eu preciso de um favor de vocês ― continuou Destino. ― Preciso que acabem com um bruxo que anda com duas Senhoras Eternas pelas redondezas. ― E os monstros bufaram novamente. ― Podem fazer isso para mim? ― E todos eles assentiram. ― Então... vão!
E todas aquelas criaturas avançaram juntas para a esquina, em alta velocidade. Destino, ainda sorrindo, jogou o cajado para o alto, o fazendo desaparecer. Naquele momento, todas as pessoas ao redor deles voltaram ao foco. Estavam visíveis novamente.
― E agora, vamos atrás da criança? ― perguntou ele encarando Poder um tanto entusiasmado.
O outro Senhor Eterno assentiu e se virou para o edifício.
― Mas primeiro, precisamos descobrir de onde vem esse campo de força e destruir sua fonte ― terminou Poder estreitando os olhos. ― Por isso, vamos entrar no prédio.
Notas finais
Mandem reviews e eu tento postar mais até quinta ^^
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