Notas iniciais
Demorou, mas tá aqui... Penúltimo capítulo, pessoal!
Boa leitura ^^

Júlia olhou para o pai furiosamente.

― OLHA O QUE VOCÊ FEZ! ― gritou a plenos pulmões, evidentemente cansada da tirania e da soberba do pai. ― Por que você sempre tem que ser tão estúpido?!

Poder a encarou abismado. Nunca tinha visto esse lado furioso da filha. Era como um enorme vulcão entrando em erupção: impossível de controlar. E então ele viu o lado que tanto estava machucado, o lado que ela sempre tentou esconder. A Senhora Eterna logo começou a chorar. E os soluços, violentos, não ficaram de fora. Foi quando Misericórdia se aproximou da filha e lhe afagou os cabelos, quando Morte abraçou o corpo inerte de Rodrigo.

― Poder, o que você fez? ― perguntou Guerra, surgindo do meio da multidão, com os olhos arregalados.

Poder apenas a encarou e franziu as sobrancelhas. Ela era sua inimiga, não a devia satisfações do que fazia ou deixava de fazer.

― Filha, o que foi?! ― perguntou Misericórdia desesperadamente.

Poder voltou o olhar para as duas, quando se deu conta do que realmente acontecia. Morte ofegava violentamente, como se algo estivesse bloqueando sua respiração. Os olhos, arregalados, estavam tomados por um medo indescritível. Misericórdia segurava sua mão e não parava de repetir:

― Filha, o que foi?!

O Senhor Eterno, também tomado por medo, pensou em correr na direção da filha, mas receava que Misericórdia o afastasse com um empurrão.

― Morte, o que está acontecendo?! ― perguntou ele deparado com aquela terrível situação. ― Misericórdia, o que ela tem?

Guerra se aproximou e tocou o peito de Júlia. Seus batimentos e sua respiração estavam fracos. E a Senhora Eterna já sabia o que aquilo significava.

― Ela está morrendo ― sussurrou e afagou os cabelos negros e sedosos de Júlia, quando ela deu um sorriso e deixou uma lágrima cair.

― Isso é impossível! ― gritou Poder incrédulo. ― Ela é a Senhora Eterna da Morte, não pode morrer!

Guerra o encarou seriamente.

― Sim, ela é uma Senhora Eterna, o que a qualifica como imortal... ― nesse momento, todos que participavam da guerra estavam fitando, quase sem piscar, a cena. ― Mas tudo isso se torna nada quando ela está unida a um mortal em matrimônio.

Poder arregalou os olhos e encarou o mestiço inerte. Depois voltou o olhar para a filha, quando Misericórdia ergueu sua mão esquerda, com a aliança bem à mostra.

― Júlia... ― ele sussurrou desesperado, balançando a cabeça.

― Filha, por que não me contou? ― perguntou Misericórdia docemente. ― Eu não sei o que fazer. ― E deixou lágrimas rolarem, involuntariamente.

― Não... ― sussurrou Júlia com dificuldade. ― Não... precisa fazer nada, mamãe. ― E afagou o rosto da Senhora Eterna com carinho.

Misericórdia, como toda mãe faria, desandou a chorar. Em seguida pegou a mão da filha e a beijou levemente. Foi nesse momento que seus olhos se fecharam.

― Morte... ― sussurrou Poder deixando uma lágrima insistente cair. Preocupava-se mais com a família do que com qualquer outra coisa.

Misericórdia pousou a mão da filha suavemente sobre seu peito e, secando as lágrimas, se levantou. Depois encarou Poder furiosamente.

― Está satisfeito? ― perguntou ela. ― Conseguiu o que queria? Nossa filha está morta agora... Teve sua vitória? Você está bem com tudo isso que você criou?

Poder a encarou, recebendo todas aquelas palavras como espadas que transpassavam seu coração, antes de pedra. Misericórdia, por sua vez, balançou a cabeça, incrédula.

― Quantas vezes eu lhe avisei que algo assim poderia acontecer? ― Misericórdia continuou. ― Quantas vezes, Poder? ― e fez uma pausa. ― Mas mesmo assim você insistiu em continuar com esse... esse erro... Pois aí está o resultado da sua falta de sabedoria e da sua própria soberba. Espero que engula isso e sofra para o resto da sua vida infinita.

Poder engoliu em seco e desviou o olhar para a multidão que o encarava. Destino e Vida, na primeira fileira, se entreolharam, tristonhos. Não esperavam que aquilo terminasse daquele jeito. Principalmente Vida, que já havia desejado a morte da irmã.

― Vida ― chamou Poder com a voz fraca. ― Pode trazer sua irmã de volta?

Vida encarou Destino e depois o pai, balançando a cabeça negativamente.

― Não posso trazer de volta uma morte causada por matrimônio ― respondeu triste e pausadamente. ― Instabilizaria a balança do Equilíbrio.

Poder encarou Destino, só então notando que algo brilhava em sua bainha. Era uma adaga. Uma arma forjada de ouro e diamante, dois elementos fatais para Senhores Eternos. Foi quando teve uma idéia terrível, porém cheia de soluções.

― Destino ― chamou ele. ― Posso ver sua arma?

O outro Senhor Eterno engoliu em seco e começou a caminhar lentamente em direção ao seu superior. Então desembainhou sua arma e lhe entregou-a.

― Obrigado ― disse Poder com os olhos marejados. Então pousou a mão docemente sobre o ombro de Destino. ― Quero que saiba que, por mais que eu nunca tenha lhe dito isso, você foi um dos meus maiores parceiros. ― E fez uma pausa, encabulado por nunca ter dito algo assim para alguém. ― Esteve comigo fazendo as maiores bobagens que um Senhor Eterno poderia fazer e ainda me apoiou... Muito obrigado, amigo.

Destino, sem entender o motivo daquilo tudo, deu um meio-sorriso envergonhado. O mesmo sorriso que dava quando seu pai lhe elogiava, há muito tempo. O Originário então se virou para Misericórdia, que tinha as sobrancelhas franzidas, tão confusa quanto qualquer outro na multidão.

― Já você, Misericórdia, minha amada ― disse ele já com as lágrimas caindo pelo rosto. ― Lhe agradeço por ter tentado me mostrar a verdade e a luz da razão, mesmo quando eu não quis escutar. ― E fez outra pausa. ― Te agradeço também por ter me dado as maiores jóias da minha vida: a Morte e a Vida... Obrigado, amor. ― E então se virou para a multidão. ― Que essa guerra acabe aqui, comigo. Que ela se vá juntamente com o meu corpo.

Misericórdia arregalou os olhos enquanto Poder chamava Natália para perto de Júlia e lhe entregava a adaga.

― Acho que já sabe o que fazer, não é? ― perguntou ele e então secou as lágrimas.

A menina assentiu. Então o Senhor Eterno se ajoelhou e se sentou ao lado da Morte, enquanto Misericórdia se aproximava dos dois incrédula.

― O que vai fazer, Poder? ― perguntou ela com grande tristeza e dor, se sentando ao lado do marido. ― Não faça outra burrice, por favor.

Poder sorriu e lhe afagou o rosto docemente.

― Eu não vou fazer burrice ― assegurou Poder. ― Eu vou consertar tudo.

Misericórdia permitiu que uma lágrima rolasse por seu rosto e disse, simplesmente:

― Eu te amo.

Poder deu um sorriso triste e então acenou para Natália, que pôs a adaga entre os dedos de Júlia, a segurando bem. Em seguida, com um movimento rápido, acertou a parte cortante bem no peito de Poder, que arquejou dolorosamente enquanto um enorme brilho dourado passava pela adaga e se depositava por todo o corpo da Morte.

Notas finais
E então, gostaram da morte? E do capítulo em si... Não deixem de mandar reviews e eu posto o último assim que alguém comentar... Até lá ^^