Notas iniciais
Olha quem tá aqui de novo! o/
Pois é... Capítulo novo, cheio de coisa boa e MUITO suspense! Espero que gostem ^^

Poder, que se encontrava sentado entre Destino e Vida no andar de baixo da barca, tinha os cotovelos apoiados na cadeira e os dedos cruzados à frente do rosto, como se estivesse esperando por algo.

― Milorde, acho que Céu está no andar de cima ― disse Destino encarando o Senhor Eterno preocupado. ― Não devemos ir até ele?

Poder nem se mexeu. Continuou a fitar o vazio, como se ainda esperasse.

― Pai, Destino tem razão ― disse Vida de sobrancelhas franzidas. ― Por que não pegamos logo ele e o abrigamos a dizer onde a criança está?

Poder somente franziu as sobrancelhas, sem nem mesmo desviar o olhar.

― Seria ariscado demais ― disse ele num tom quase inaudível. ― Céu é um dos Elementais, e por isso é um dos mais poderosos dentre nós. ― E fez uma pausa. ― Se fôssemos atrás dele, temo que acabasse por matá-los.

― Nos matar? ― perguntou Destino cético.

Foi então que Poder o encarou, com uma seriedade de assustar até o mais corajoso soldado de Roma.

― Você ainda se lembra de quantos metros tem um Elemental, Destino? ― perguntou ele. O outro Senhor Eterno apenas estreitou os olhos, analisando a pergunta. ― Se não se lembra, refrescarei sua memória. ― E fez uma pausa para franzir os lábios. ― Os Elementais devem ter uns três metros de altura, cada um. Com apenas um soco, seria capaz até de arrancar sua cabeça fora.

Destino deu um sorriso sádico.

― Então está me dizendo que está com medo dele?

O olhar fuzilador que Poder lançou sobre Destino foi o suficiente para responder. Vida apenas fez uma careta, sabia exatamente o que viria a seguir. Porém, para surpresa dela, seu pai apenas respirou fundo e se acalmou.

― Só não quero ver minha filha ferida no meio disso tudo ― disse Poder quase com tristeza. ― Além do mais, acho que Céu está tramando alguma coisa lá em cima ― E estreitou os olhos. ― Não consigo sentir a presença daquele mestiço nojento com ele. Parece até que sumiu do mapa.

Destino arregalou os olhos e arquejou.

― O que foi? ― perguntou Vida preocupada.

― Agora tudo faz sentido ― disse Destino com um meio-sorriso. ― Assim que Céu despertou, parei de sentir a presença de seus filhos nas nuvens. Acho que ele está acobertando o mestiço lá em cima. E está nos guiando para o lado contrário, aposto.

Poder ficou vermelho como um tomate, tomado por uma fúria indescritível.

― Papai, por favor, se acalme ― disse Vida assustada.

E foi quando a barca oscilou para um dos lados com violência.

As pessoas, que estavam sentadas à volta dos Senhores Eternos, começaram a olhar para todos os lados, desesperadas.

― O que foi isso? ― perguntou Destino de sobrancelhas franzidas.

Poder, já mais calmo, porém intrigado, olhou para a traseira da barca e logo compreendeu o que acontecia ali.

― Céu nos trouxe para uma armadilha ― disse ele.

― Como assim?! ― perguntou Vida quase desesperada.

― Ele nos trouxe para o despertar da Água ― disse Poder encarando a filha.

Destino franziu as sobrancelhas e olhou para a parte traseira da barca, confirmando o que Poder havia acabado de dizer.

― E o que fazemos? ― perguntou ele.

― Vamos ficar abaixados aqui até que tudo isso acabe ― respondeu Poder. ― Não posso arriscar em enfrentar a Água. ― E fez uma pausa para sorrir. ― Afinal, foi ela quem eu joguei mais fundo.

A barca oscilou outra vez, obrigando-os a segurarem nas cadeiras. Mas os acontecimentos seguintes foram tão rápidos que Poder não ficou nem dez minutos abaixado em sua cadeira. Logo pôde ouvir nas escadas a voz de Água gritando e a de Céu a advertindo. E logo os dois sumiram num iate, navegando na baía de Guanabara.

― Então, é isso? ― perguntou Destino se levantando com um ar cético no rosto. ― Até quando vamos nos esconder dos Elementais?

― Eu já lhe expliquei o porquê de não podermos enfrentá-los, Destino ― respondeu Poder com desdém enquanto tinha os olhos fixos no iate que se afastava. ― Mas isso é apenas por ora. Logo, logo estaremos numa guerra, meu amigo.

Destino revirou os olhos, incrédulo. Vida sorriu com o ato do Senhor Eterno e fitou a traseira da barca. Foi quando notou um filete arroxeado e bruxuleante no ar.

― Pai, o que é aquilo? ― perguntou Vida ao notar que os Senhores Eternos olhavam para a mesma coisa.

Porém, antes mesmo que Poder pudesse responder, a linha arroxeada se expandiu, como um véu que é estendido pela força do vento. E desse lençol saíram pelo menos doze sombras. Doze sombras que logo tomaram silhuetas e cores humanas. Ou será que devo dizer, silhuetas e cores de Senhores Eternos? Porque era isso o que as doze sombras havia se tornado. E Poder reconheceu todas elas. Mas apenas uma lhe deixou intrigado. Uma mulher alta e esbelta. A pele quase tão branca quanto cera. Os cabelos, longos, ondulados e escuros como breu estavam pousados sobre os ombros. Os olhos escuros e analisadores, delineados por um escuro tom de azul, estavam fitados no Senhor Eterno. Usava um vestido de pele de onça-negra que deixava parte de sua coxa à mostra. Além de longas e negras botas de couro.

― Olá, Poder ― disse a mulher, com um forte sotaque francês.

― Sombra? ― perguntou Poder confuso. ― O que faz na Terra? E por que trouxe outros onze Senhores Eternos com você?

A Senhora Eterna da sombra apenas deu um meio-sorriso.

― Gostou da minha surpresa? ― perguntou ela. Poder apenas franziu as sobrancelhas. ― Esses são apenas alguns dos que estão ao seu lado nessa guerra.

― Mas, Sombra... ― Poder parecia atordoado. ― Você não quis me ajudar quando precisei do portal, por quê está fazendo isso agora?

Sombra tomou um ar sério.

― Terra está formando outro exército ― respondeu ela. ― E estes não quiseram participar do complô contra você. Então eu os reuni e os estou trazendo para cá. ― E fez uma pausa para sorrir. ― Todos iremos lutar com você.

― Mas, por quê? ― insistiu Poder.

― Porque não queremos outro líder ― respondeu Sombra simplesmente. ― Não queremos que as Leis Eternas sejam modificadas ou que um mestiço fique em seu lugar no trono.

Poder sorriu com a notícia. Tinha acabado de arrumar um exército para lutar contra o mestiço. E faria isso.

― Então ― disse ele. ―, que a guerra comece!


Longe dali:

Parecia mais um dia calmo no Museu Nacional na Quinta da Boa Vista. Mas algo extraordinário estava para acontecer ali.

Bem em frente à enorme edificação, outro fio bruxuleante, porém dourado, se fez perceber. E, exatamente como havia acontecido ao outro, ele se expandiu, mostrando um portal largo de onde várias sombras começaram a sair. Quem ia à frente? Lógico que a poderosa e incomparável Terra. Ela parou entre duas plantas altas e espichadas e respirou fundo. Um caminho de terra seguia reto, onde podia se ver uma estátua de alguém que morou na enorme casa atrás deles. Mais longe, no horizonte, alguns prédios e uma comunidade se erguiam.

Não se lembrava daquele planeta. Os humanos haviam o modificado, e muito. Então, a Senhora Eterna se virou para trás, observando as estátuas que se erguiam sobre o prédio. Aquela havia sido a melhor época de sua vida. A época em que eram considerados deuses. Quando eram cultuados em templos e recebiam orações de fiéis todas as noites. Terra se permitiu fechar os olhos e se lembrar daquela maravilhosa época.

― Estão quase todos aqui, majestade ― disse Larissa ao lado da Senhora Eterna, a acordando de seus devaneios.

Terra a encarou por um segundo e então sorriu.

― Ótimo ― disse ela. ― Misericórdia já saiu do portal?

― Estou bem aqui ― ouviu-se a voz mais pura e doce que a história do mundo já registrou. ― Não precisam mais procurar por mim.

Terra virou o olhar e encontrou a Senhora Eterna ao seu outro lado. Os cabelos longos, ondulados e ruivos, estavam presos num coque trabalhado. Os olhos, perigosamente verdes, estavam encolhidos por conta do sorriso puro e largo. Usava uma armadura prateada que continha nuances multicoloridas que deixaria qualquer estilista com inveja. As ombreiras, com forma de cabeças de pombo, estavam tão polidas que qualquer mortal ficaria cego se olhasse por mais de um minuto.

― Está pronta? ― perguntou Terra.

Misericórdia assentiu sorrindo.

― Então, vamos começar ― Terra disse e começou a caminhar pela estrada de terra, sendo seguida pelos outros Senhores Eternos e bruxos.

Logo atravessaram todo o jardim da casa, começando a descer as escadas e a entrar na grande estrada que daria no portão.

Por onde passavam, os humanos franziam as sobrancelhas, arquejavam ou ficavam boquiabertos.

― Que grupo será esse? ― se perguntavam.

― Eu realmente não sei, mas adorei as fantasias ― outros respondiam.

Mal sabiam eles que estavam vendo o que ninguém em seu tempo jamais viu. Eles estavam vendo Senhores Eternos, usando armaduras e armados com suas ferramentas mais poderosas. Algo assim não se repete diariamente. Nem de meio em meio século. Era algo realmente único e esplendoroso.


Notas finais
E então, gostaram da Sombra? E da Terra e da Misericórdia se levantando? Mandem reviews e até a próxima ^^