Notas iniciais
Bem, antes de tudo, desculpem a demora... É que eu meio que desanimei dessa história ):
Mas, o que importa é que eu voltei... E aqui está o capítulo ^^

Adriana dirigia loucamente pelo Centro, ignorando completamente as câmeras de vigilância, radares e semáforos. Fernanda, que não deixava a menina sozinha por nada, ia no banco de trás, atenta feito uma ave de rapina. Natália, que estava literalmente agarrada á Fernanda, olhava pelas janelas assustada. O que estava acontecendo? Por que corriam dos Senhores Eternos?

― Mamãe, o que são Senhores Eternos? ― perguntava ela quase num sussurro.

A bruxa, por sua vez, não respondia. Tinha o olhar fitado no trânsito. Não podia se distrair. Se isso acontecesse, poderia acabar amassando outro carro, ou pior, poderia ir parar dentro de um ônibus.

Fernanda, ainda com o bracelete dourado no pulso, tinha o olhar correndo por todos os lados, ainda atenta a tudo. Não podia permitir que ninguém se aproximasse de Natália. Ela era sua protegida, afinal de contas. Faria de tudo para protegê-la, até mesmo dar a sua própria vida.

Depois de alguns minutos ainda em alta velocidade, finalmente chegaram em casa. Adriana, depois de fazer os pneus cantarem, estacionou o carro na garagem, a fechando o mais rápido que pôde. As três então entraram na casa rapidamente. A mãe de Natália entrou primeiro, indo direto para o quarto dela, sendo seguida de perto por Fernanda e Natália. A bruxa abriu o guarda-roupa e começou a vasculhar tudo, atirando roupas para trás, que logo em seguida caíam sobre o piso.

― Mô, o que você tá fazendo? ― perguntou o pai de Natália parado na porta. Ele trazia na mão uma raquete elétrica. Provavelmente tinha escutado a barulheira e decidiu investigar.

Fernanda virou-se, pronta para atacar, mas baixou a guarda quando viu de quem se tratava. Natália o encarou ainda assustada, mas ele nem a notou. Adriana, por sua vez, somente o encarou de sobrancelhas franzidas e continuou a revirar o armário.

― Te explico daqui a pouco, querido ― disse ela sem tirar os olhos do guarda-roupa, mas balançando a cabeça levemente.

A maioria das peças de roupa já estava estirada no chão. Eram poucas as que ainda estavam dobradas e organizadas dentro do armário.

Natália, que não entendia nada do que ocorria, ainda olhava para o pai, que estava igualmente confuso e curioso encarando Adriana.

― Achei! ― gritou ela retirando do meio das roupas uma pequena vasilha transparente e de tampa dourada, que tinha uma espécie de pó verde-esmeralda em seu interior. ― Agora vamos lá para fora.

Então bruxa e guardiã se puseram a andar pela casa, indo para fora. Natália e seu pai seguiram as duas e ficaram a observar da porta da frente. As duas começaram a fazer uma espécie de círculo com o pó verde em volta da casa. Quando terminaram de rondá-la, um rugido altíssimo ecoou pelo local, com um bafo quente e malcheiroso.

― Pronto ― bufou Adriana já descabelada com a correria. ― Agora estamos invisíveis. Só precisamos renovar o círculo daqui a três horas.

Marcelo, que era como o pai de Natália se chamava, tinha o olhar fitado na esposa. Estava um tanto apreensivo e confuso. O que significava aquilo tudo?

― Mô ― chamou ele com um gesto de mão. ― Temos que conversar.

Adriana encarou Fernanda, que a lançou um olhar de apoio e colocou a mão em seu ombro, forçando um sorriso e assentindo. Então, todos seguiram para dentro da casa e se reuniram na cozinha.

― Comece a explicar ― disse ele tenso depois de colocar a raquete elétrica sobre a mesa de granito.

Adriana engoliu em seco e pegou as mãos do marido, juntando-as às suas. Natália, que também estava na mesa, olhava para os dois ainda assustada e confusa. Fernanda estava de pé sobre a bancada, preparando um café.

― Querido, essa história é confusa e muito antiga ― começou Adriana e depois respirou fundo. ― Você... ― hesitou. ― Você acredita em bruxos?

Marcelo franziu as sobrancelhas, lançou um olhar para Fernanda, que também estava séria, e depois sorriu.

― Não, isso é só conto de fadas ― disse ele.

― Mas você escreve sobre isso, não é? ― perguntou Adriana ainda séria.

― Bom, sim, mas... ― e franziu as sobrancelhas confuso. ― Está me dizendo que você é uma bruxa?

Adriana assentiu com um leve sorriso. Marcelo arregalou os olhos e engoliu em seco.

― Todo esse tempo eu estava casado com uma bruxa ― disse ele admirado e então sorriu. ― Isso é incrível!

― Pode até ser nas histórias, querido ― continuou Adriana. ― Mas, na vida real, é perigoso. ― E deu outra pausa, respirando fundo. ― Pois bem. Já que passamos da fase da aceitação dos bruxos muito bem, vamos prosseguir. ― E sorriu. ― Agora vamos passar para a parte mais difícil: os Senhores Eternos.

― O que seria isso? ― perguntou Marcelo franzindo as sobrancelhas.

― É, mãe... ― disse Natália, que ainda ouvia a tudo, começando a ficar interessada. ― Explica pra gente quem são eles!

Adriana encarou a filha e sorriu. Santa inocência. Depois voltou a encarar o marido.

― Os Senhores Eternos são os seres mais poderosos que existiram em todos os tempos ― disse ela séria. ― Em uma certa época foram até confundidos com deuses. Mas eles eram mais que isso. ― E fez uma pausa, para umedecer os lábios. ― Eles eram as forças que nos regiam. ― Outra pausa para ver como Marcelo aceitava as palavras e, pelo ver, estava indo bem. ― Cada um tinha uma designação e governava um reino. Por exemplo, a Morte. ― Marcelo arregalou os olhos, maravilhado, tanto quanto Natália. ― Ela reinava sobre os mortos e conduzia os espíritos para seus devidos campos, fossem de punição ou fossem de descanso e prazer eterno. ― Outra pausa para ficar séria. ― Mas aí aconteceu uma reunião no Palácio que existia em Atlantis e tudo mudou... Destino, um desses Senhores Eternos, se apresentou no meio da reunião e comunicou para todos os outros sobre uma possível ameaça que estava para nascer: um bruxo mestiço do dia e da noite.

Marcelo franziu as sobrancelhas, confuso.

― Espera, eu não entendi ― disse ele. ― Como assim, do dia e da noite?

― É que existem vários tipos de bruxos ― explicou Adriana. ― Cada um controla, ou tira energia, de um determinado elemento da natureza. Mas, se o bruxo é um bruxo do dia, isso dá a ele total poder pra tirar, ou controlar, qualquer elemento da natureza. Além de sua magia ficar ainda mais poderosa quando o Sol está suspenso. Exatamente como acontece com um bruxo da noite. Mas é com a Lua. Entendeu?

Marcelo assentiu, ainda maravilhado.

― Enfim ― continuou a bruxa. ― Eu pensava que esse mestiço era eu. Pois meu pai era um bruxo do dia e minha mãe uma bruxa da noite. ― E balançou a cabeça tristemente. ― Mas acho que não. Pelo jeito, o mestiço é a Natália. ― A menina arregalou os olhos. ― E é por esse mesmo motivo que temos que ficar escondidos. Os Senhores Eternos querem ela.

Marcelo ficou boquiaberto.

― Significa que eu sou pai de uma menina que poderá acabar com os seres mais poderosos que já existiram em toda a história da humanidade? ― perguntou ele só respirando no final. Adriana franziu as sobrancelhas e assentiu lentamente. ― Isso dá um ótimo livro!

― Querido, não ― disse Adriana séria. ― Não podemos nos expor. É perigoso, como eu já disse. Temos que continuar em segredo.

O homem assentiu, ainda maravilhado, e se jogou no assento da cadeira. Fernanda, terminando o café, o colocou sobre a mesa e organizou as xícaras. Marcelo estreitou os olhos.

― Mas então... ― disse ele. ― Por que ela está aqui? Também é uma bruxa?

Fernanda sorriu e bebericou o café quente.

― Na verdade, sou uma guardiã ― disse ela ainda sorrindo. ― Os guardiões são... quase humanos, digamos assim. Só que nós temos maiores habilidades que vocês. ― E fez uma pausa. ― Somos designados, ainda pequenos, a proteger um determinado bruxo... Ou éramos, na época que ainda vivíamos em paz. ― E ficou a vagar com o olhar, até retornar com um rosto sério. ― Mas depois daquela reunião, paz não existiu mais... Os Senhores Eternos se dividiram; Atlantis afundou no mar, indo para outra dimensão, e poucos dos guardiões sobraram pra contar a história. ― Outra pausa. Agora disse quase num sussurro: ― Os bruxos que aqui ficaram, foram perseguidos e mortos em fogueiras, desprotegidos. Poucos da nossa raça atlante ainda vivem nesse planeta. Pouquíssimos.

Marcelo ergueu as sobrancelhas e franziu os lábios, num sinal de compaixão.

― Entendo ― disse ele suavemente. ― Por isso esse senso de proteção. ― E tocou no ombro de Fernanda. ― Obrigado por estar nessa com a gente.

A guardiã sorriu.

― É meu trabalho, não agradeça ― respondeu ela ainda sorrindo.

Natália, que ouvira toda a conversa quietinha e atenta a tudo, tinha a cabeça a mil.

― Mas... ― decidiu falar, chamando a atenção de todos os adultos na mesa. ― Se Atlantis afundou e foi pra outra dimensão, como os Senhores Eternos vieram de volta pra cá e estão atrás de mim?

Adriana franziu as sobrancelhas, pensando no assunto.

― O Lucas disse que os Anciões também vieram para cá no passado ― respondeu ela. ― Talvez tenham vindo da mesma forma.

― Quem é Lucas? ― perguntou Marcelo enciumado.

― Um bruxo que encontramos no Centro ― respondeu ela. ― Ele ficou para trás com mais dois outros bruxos, pra distrair os Senhores Eternos que estavam atrás da gente.

Marcelo não se convenceu e ergueu uma das sobrancelhas.

― Ele devia ter uns dezesseis anos ― disse ela sorrindo.

― Dezessete, na verdade ― ouviu-se uma voz na porta da cozinha.

Todos os olhares se voltaram para lá. Lucas, Matheus e Ana estavam parados, de pé, na entrada da cozinha. Apesar das roupas em farrapos, pareciam estar bem, a não ser por alguns arranhões.

― Como...? ― foi somente o que Adriana conseguiu pronunciar, antes que Ana caísse, desacordada, nos braços de Matheus.

Notas finais
E então, gostaram da história? E dos três bruxos aparecendo no final? Mandem reviews e eu tento postar até a sexta da outra semana... Até lá ^^