Sombras No Espelho: Parte 2 - A Criança
10 Mestiços e Senhores Eternos
Notas iniciais
Bem, é isso... Adiantei esse capítulo para hoje e aqui está...
Boa leitura
Poder, Vida e Destino se encaminhavam para o prédio de onde fluía a energia do mestiço. Porém, uma mudança energética fez Poder parar e franzir as sobrancelhas.
― Eles estão se movendo ― disse ele ainda com as sobrancelhas franzidas. ― E estão com outros três... mestiços.
Os três Senhores Eternos se entreolharam. Poder estava confuso. Destino dava um meio-sorriso. E vida encarava os dois intrigada.
― Por que sorri, Destino? ― perguntou Poder quase ferozmente.
O Senhor Eterno levantou as mãos, impotente.
― Só acho que meu senhor não pensa muito bem na Terra ― disse Destino. Poder soltou fumaça pelas narinas, de tanta fúria. Destino, por sua vez, tentou se explicar: ― Eu quis dizer... Você mesmo me disse que os bruxos ainda existiam aqui na Terra. E que era lógico que tinham se multiplicado e se reproduzido com outras espécies, visto que estavam livres de nossas mãos. Por que a surpresa agora?
Poder pareceu analisar a situação e acabou por assentir, mas não antes de lançar um olhar fuzilador para Destino, que fez todo seu corpo ficar ereto, tenso.
― E então, o que estamos esperando? ― perguntou Vida impaciente. ― Vamos atrás deles! Antes que comecem a se mover novamente e se tornem invisíveis ao nosso radar!
Poder lançou um olhar curioso para a filha e sorriu. Ele a ensinara muito bem. Se tornaria uma ótima líder quando Poder resolvesse abdicar ao trono.
― Vamos ― concordou o Senhor Eterno ainda orgulhoso.
Então os três se puseram a andar na direção de um estacionamento, de onde um carro e os três mestiços saíam. Poder só então notou que as auras de todos aqueles mestiços juntos confundiam seu radar de Senhor Eterno. Era exatamente isso o que ele temia. Com as auras embaralhadas, era mais difícil saber qual deles era a criança da profecia.
― Eles são a nossa cara ― disse Destino boquiaberto.
Poder, acordando de seus devaneios, franziu as sobrancelhas e fitou os mestiços à sua frente. Destino tinha razão. O jovem moreno que ia ao meio era a sua cara quando mais novo.
― Sósias ― sussurrou Vida também admirada.
Os três bruxos se aproximaram dos Senhores Eternos sorrindo.
― Enfim nos conhecemos ― disse Lucas, no meio dos outros dois.
― Eu preferia não tê-los conhecido ― respondeu Poder rudemente. ― Porque assim eu pouparia meu tempo e já estaria com a criança em mãos.
― Que grosseria ― respondeu Lucas com um meio-sorriso debochado. ― Só queríamos conversar com nossos maravilhosos sósias.
― Não queremos conversar, obrigado ― respondeu Poder secamente. ― Queremos acabar logo com isso. ― E ergueu seu cetro com um sorriso maligno.
Porém, Lucas foi mais rápido e lhe lançou uma rajada de fogo e vento, que envolveu completamente o cetro do poderoso Senhor Eterno. Este rugiu e largou seu objeto de poder rapidamente, que caiu no chão com um grande ruído metálico.
― Como ousa?! ― Poder gritou e ergueu o pé.
Porém, Matheus estendeu as mãos e a própria terra arrancou-lhe os sapatos dos pés. Poder os encarou, completamente ultrajado. Já os mestiços sorriam com a cena. Vida estava boquiaberta e fitava o pai.
― Destino, chame-os ― ordenou Poder furioso, entre dentes.
O outro Senhor Eterno estava completamente abismado com tamanha era a rapidez dos mestiços. Porém, se recuperando em seguida, pegou algo invisível no ar, que logo se tornou sólido. Era o seu cajado escarlate. Sem delongas, ele o acertou no chão com força, fazendo um trovão ribombar por toda a cidade. Pronunciando logo em seguida:
― Constitutas potestates mihi invocare daemones harenae.
No mesmo instante, um vento fortíssimo e congelante varreu as areias douradas para fora do cajado, formando as potestades douradas, servos do Destino. Mais conhecidos como os demônios de areia.
― Peguem-nos ― ordenou Destino sem se alterar, imponente.
Os mestiços arregalaram os olhos e então começaram a se preparar para a onda de choque entre eles e os demônios. Esta se deu bem lentamente, porém com força suficiente para explodir as janelas à volta deles.
Os demônios, com garras, dentes e chifres afiados, partiram para cima dos três jovens, que revidaram usando a magia mais pesada que tinham: Lucas usava do fogo e do vento para tentar desmanchá-los, ou transformá-los em estátuas de vidro. Matheus utilizava da própria terra e da água para embalsamá-los em potes enormes e espessos de argila. E Ana utilizava de raios elétricos e água para tentar eletrocutá-los. Os três se saíam bem, mas os demônios estavam em maior número, por isso não conseguiram vencer todos eles. Ana teve a camisa e o sobre tudo rasgado pelas garras de um morcego, que logo foi esmagado por uma enorme pedra, enviada por Matheus. Porém, no momento em que se distraiu, um leão o acertou na cabeça, fazendo-o cair no chão. Lucas, que analisou a situação cuidadosamente, porém ligeiro, rodou no mesmo lugar, formando uma espécie de vórtice de fogo, que continuou a girar em volta dele mesmo depois de parado. Fazendo assim, todos os demônios se afastarem dele. Então caminhou rapidamente até os dois amigos, constatando que estavam bem, porém tinham arranhões.
― Cara, isso é incrível! ― exclamou Matheus ao ver o vórtice de fogo ainda girando violentamente em volta deles.
― Pode até ser, mas não sei até que horas vou conseguir manter ― respondeu Lucas olhando à volta deles preocupado. Depois encarou os dois amigos. ― Prontos?
Eles assentiram e Lucas estendeu as mãos para os lados, explodindo o vórtice em milhões de fagulhas douradas, que, de encontro à pele dos demônios, se incendiou completamente. Agora só restavam cinco deles de pé. Com um gesto de olhar de Lucas, estes se desfizeram, como areia levada pelo vento, voltando para o cajado.
― Covardes ― disse Destino enojado olhando para as areias douradas que dançavam em seu cajado.
Poder, notando que os mestiços tinham acabado por derrotar os servos do Destino, revirou os olhos e decidiu agir. Portanto, deu um passo à frente e assoprou lentamente. Do ar soprado, começaram a crescer filamentos negros e esfumaçados que chiavam e se espalhavam, como nuvens negras. Estes mesmos filamentos começaram a se dividir em vários outros, tomando forma. A silhueta era humana. Porém, os longos dedos que terminavam em garras pontudas, os bicos negros que brotavam da face e os olhos vermelhos como sangue não eram nada humanos. Só quando toda essa transição terminou é que os mestiços entenderam do que se tratavam: servos do Terror.
― Agora sim ― sorriu Poder vitorioso quando notou as expressões dos bruxos.
Estes não sabiam o que fazer, portanto, continuaram com os mesmos ataques. Mas estes já não adiantavam mais. Os servos do Terror eram muito mais difíceis de matar, por serem feitos exclusivamente de fumaça negra.
― O que fazemos? ― perguntou Ana assustada.
― Tentem não ser acertados pelas garras ― sugeriu Lucas desviando de um deles, mas tendo sua camisa rasgada.
Os mestiços e os seres de fumaça travaram uma batalha terrível. Vários arranhões foram sentidos nas peles dos mestiços, enquanto nenhum dano foi causado aos seres, que soltavam gritos agonizantes a todo o momento, desnorteando e assim arranhando os mestiços.
― Vamos morrer ― disse Matheus apavorado depois que um dos seres lhe arranhou a testa. ― Precisamos fugir daqui.
E foi o que fizeram. Lucas, que era o único com habilidades sobre o ar, os envolveu com um vento fortíssimo e os tornou invisíveis.
― Sucesso ― sussurrou Poder com um meio-sorriso maligno.
Depois, o Senhor Eterno estalou os dedos e os seres de fumaça se desfizeram, sendo levados pelo ar. Destino, que tinha se afastado no meio da confusão, trazia em suas mãos os sapatos de seu senhor.
― Aqui, meu senhor ― disse ele os entregando.
Poder lhe lançou um olhar fuzilador e pegou os sapatos de sua mão com somente um movimento rápido. Os calçou e depois pegou seu cetro, que já havia esfriado.
― Eles eram os bruxos mais estranhos que eu já conheci ― disse Vida ainda aterrada.
Poder a encarou de sobrancelhas franzidas.
― Estranhos? ― perguntou ele confuso. ― O que quis dizer com isso?
Vida abriu a boca para responder, mas algo estranho aconteceu nos céus. Primeiro, o sol nasceu, tornando-o límpido, azul-claro, sem nenhum sinal de nuvem. Depois um ruído altíssimo se espalhou por todos os quatro cantos da Terra. Um ruído metálico, misturado a gritos graves e agonizantes. Este era tão alto que as janelas por toda a cidade sacolejavam, quase estourando de vez.
― Da noite para o dia? ― perguntou Vida de olhos arregalados. ― Ruídos nos céus? Sabem o que quer dizer?
Poder estreitou os olhos e fitou os céus, que ainda emitia os ruídos altos.
― O Céu está despertando ― sussurrou Destino apavorado.
Fale com o autor