Notas iniciais
Bem... Demorou (e muito), mas aqui está!! o/
Esse capítulo está grandinho... O maior dessa temporada até agora...
Sim, tem luta. Sim, tem mistério no final. Sim, tem mistério no início.
Para saber mais, só lendo *O*
Boa leitura ^^

As duas Senhoras Eternas e o bruxo ainda encaravam a bússola. Os desenhos nela inscritos eram-lhe bastante familiares. Sabiam, bem dentro de suas mentes, que eles se referiam a algo, mas se esqueceram a quê.

Guerra estreitou os olhos na direção do pássaro desconhecido e azul-metálico.

― Esse pássaro me é bem familiar ― disse ela e depois levou a mão até o queixo.

― Também me é bem familiar ― concordou Júlia e, num átimo, arregalou os olhos. ― É isso!

― É isso o quê? ― perguntou Guerra se assustando.

― Lembra-se da época que ainda tínhamos como símbolos os animais? ― perguntou a Morte com empolgação.

― Lembro ― disse Guerra voltando a franzir as sobrancelhas. ― Mas nenhum de nós tinha como símbolo um pássaro azul.

Uma luz se iluminou na cabeça de Rodrigo.

― A árvore genealógica ― sussurrou ele, retendo as atenções para si.

― O que disse? ― perguntou Guerra interessada.

Rodrigo a encarou com intensidade. Ele se lembrava perfeitamente daquele pássaro azul. O vira com Roberto, quando estudavam a árvore genealógica dos Senhores Eternos. Quando descobriu que Júlia era filha do Poder e da Misericórdia.

― Eu vi esse pássaro num livro, uma vez ― disse ele misteriosamente. ― Estava nas primeiras páginas... Esse pássaro... Ele é o animal do Céu.

O rosto de Guerra se iluminou.

― É, ele tem razão ― disse ela com um meio-sorriso se formando. ― Assim como o camelo dourado é o símbolo da minha mãe e o salmão rosado o símbolo da Água!

Rodrigo e Júlia franziram as sobrancelhas, voltando a encarar a bússola, que ainda tinha o ponteiro rodando descontroladamente.

― Mas o outro animal não é um salmão rosado ― disse Rodrigo dando um risinho decepcionado. ― É uma coruja branca. Eu não sei de quem é este.

Guerra e Morte se entreolharam.

― Terra disse que devíamos achar os outros Elementais e o mestiço aqui, lembram? ― disse Morte sabiamente. ― A coruja só pode ser o símbolo dele. ― E sacudiu a cabeça levemente.

― Tem razão ― concordou Rodrigo assentindo.

Guerra estreitou os olhos e assentiu. Mas todos tiveram que arregalá-los logo em seguida, pois um grito foi ouvido. Um grito excruciante. Como se estivessem torturando alguém e os gritos dessa pessoa ecoassem por todas as ruas do Centro do Rio.

Guerra, sem delongas, estendeu os braços para os lados e, num piscar de olhos, estava segurando uma clava dourada na mão direita e um escudo da mesma cor, com um javali escarlate entalhado nele, na mão esquerda. O escudo estalou como se algo metálico o tivesse atingido e então placas douradas começaram a se desprender dele, prendendo-se ao braço da Senhora Eterna. Logo, uma armadura dourada a estava envolvendo. Rodrigo notou que era a mesma armadura que ela usava quando estava lutando contra os servos do Poder. As mesmas ombreiras com formas de cabeça de dragão. Ele engoliu em seco, mas teve sua atenção retida por Júlia.

Ela, por sua vez, bateu com força o pé no chão e estendeu a mão direita para frente, como se segurasse algo invisível. Naquele instante, uma fumaça completamente negra subiu do solo e a envolveu, formando uma longa capa negra com capuz. Outra porção da fumaça se ergueu em sua mão estendida, formando uma longa foice de cabo negro e lâmina dourada, entalhada com dizeres na linguagem antiga de Atlantis. Rodrigo a encarou abismado, mas logo se recompôs e estalou os dedos. Agora, estava usando seu sobre tudo negro de bruxo.

― O que foi isso? ― perguntou ele olhando em redor.

― Aposto que foi um deles ― disse Guerra com um meio-sorriso divertido enquanto rodava a clava na mão direita agilmente.

Outro grito ecoou pela rua. Guerra virou o olhar para a esquina. Sabia que aquele som vinha de lá. Deu outro meio-sorriso e parou a clava.

― Quem são eles? ― perguntou Rodrigo assustado.

Então, antes mesmo que alguém pudesse respondê-lo, eles surgiram. Um grupo espantoso deles. Enormes seres feitos de pura areia dourada. Alguns tinham a forma de gorilas com presas enormes; outros tinham a forma de enormes morcegos sedentos; outros ainda tinham a forma de gigantescos leões. Porém, não havia um sequer que fosse menor do que dois andares, não tivesse os olhos vermelhos fitados nos três e não tivesse um par de chifres na cabeça. Uns lisos e grandes e outros enrolados, como de bodes.

Rodrigo, assim que bateu os olhos nos monstros, engoliu em seco.

― Demônios de areia ― disse Guerra com um meio-sorriso. ― Servos do nosso amiguinho Destino. O que prova que ele está aqui na Terra.

Rodrigo olhou para aqueles olhos vermelhos totalmente aterrado. Porém, algo curioso aconteceu. Todos eles pararam suas marchas. Todos eles estavam parados e os encarando. Apenas esperando um movimento brusco para atacar. E foi o que Guerra fez. Ergueu sua clava e a lançou na direção de um dos morcegos gigantes, acertando em cheio a cara dele, que se desfez em areia dourada. Isso foi o suficiente para incitar aos demônios a avançar na direção dos três. Com um movimento rápido, a clava voltara para a mão de Guerra e ela avançou, acertando (e desfazendo) dezenas deles em questão de segundos. Morte deu um meio-sorriso e ergueu sua foice, a acertando em um dos gorilas, que urrou e caiu no chão desacordado, se desfazendo logo em seguida.

― Colheita fácil ― disse ela se divertindo e acertando um leão.

Rodrigo arregalou os olhos e só então notou que um dos gorilas avançava em sua direção. O bruxo ergueu a mão esquerda para o alto, retirando energia do Sol, e estendeu a direita na direção do demônio, lançando nele uma rajada de raios elétricos. Logo, o gorila era só mais uma porção de areia dourada sobre o chão. O bruxo sorriu e continuou fazendo isso com outros dos demônios. Guerra, por sua vez, rodava a clava e lançava para o alto três deles de uma só vez. E, quando estes estavam prestes a cair novamente, ela os acertava de novo, os desfazendo. Depois ela sorria e repetia o mesmo processo. Morte, ainda usava de sua foice para ceifar a vida dos demônios, que se desfaziam depressa sobre o julgo da arma afiada. Porém, um deles se atreveu a pular sobre a Senhora eterna, com garras e dentes a postos.

― Júlia! ― gritou Rodrigo impotente, ocupado com três deles, ainda usando a energia dos raios solares para transformá-los em raios elétricos.

Morte, sem tempo de reagir, foi atingida em cheio pelo enorme morcego e sumiu sob o grande animal.

― JÚLIA! ― gritou Rodrigo a plenos pulmões, desesperado, desfazendo de vez os três demônios com quem lutava.

O morcego que a esmagara olhou para o bruxo e deu uma espécie de sorriso diabólico. Porém não durou por muito tempo. Uma fumaça negra se ergueu do chão novamente, ao lado do morcego, e formou uma silhueta humana, coberta por uma longa capa esfumaçada e segurando uma foice. A Senhora Eterna tinha ódio no olhar e o morcego, assim que notou sua presença, pôde notar isso, pois alçou vôo para longe dali. Mas não antes de ser acertado pela foice da Morte e se desfazer em areia dourada.

Rodrigo correu na direção de Júlia e abriu os braços para abraçá-la, mas ela se afastou dele, deslizando, pois não era possível ver o movimento de seus pés.

― Não pode me tocar nesta forma ― disse ela e deu um meio-sorriso triste. ― Você literalmente morreria.

O bruxo arregalou os olhos e assentiu tristemente.

― Mas é bom vê-la viva ― disse ele e sorriu.

Ela, por sua vez, ergueu a foice e acertou outro leão, que tentava pular por cima dela.

― Eu não morro, bebê ― disse ela abrindo um sorriso. ― Mas você é um fofo por ficar preocupado.

O bruxo corou e usou a energia solar para fazer outros raios elétricos e acertar um morcego que avançava em sua direção.

― Mas ainda não acabou ― concordou Júlia e ergueu a foice, a acertando na garganta de um gorila.

O bruxo assentiu e avançou na direção de um morcego. Este deu outro grito excruciante e abriu as garras, prontas para pegar Rodrigo. Mas ele foi mais rápido, usando da energia solar para formar uma enorme marreta em sua mão, a qual ele usou para esmagar o demônio completamente. Com um sorriso, o bruxo desfez a marreta e lançou outro raio num leão.

Guerra, ali próxima, ainda usava de sua clava. Mas agora, ela a acertara no chão, rachando a calçada de cimento de ponta a ponta. Naquele mesmo instante, homens altíssimos se levantaram do local. Todos usando capacetes com forma de cabeça de dragão. Rodrigo, assim que os viu, lembrou quando conheceu um deles.

― Guerreiros das sombras ― sussurrou para si e um arrepio percorreu seu corpo.

Porém, estes não estavam do lado de Destino. Muito pelo contrário. Lutavam bravamente com espadas reluzentes contras os demônios, os desfazendo quase tão rápido quanto Guerra. Logo, o exército inimigo era só poeira dourada espalhada pelos ventos. Assim que terminaram com eles, os guerreiros voltaram de onde saíram: das rachaduras da calçada. Mas não antes de dizerem em coro:

― Viva à Guerra!

A Senhora Eterna sorriu enquanto a calçada voltava ao normal e as rachaduras se fechavam. Rodrigo estava um tanto quanto petrificado pela recente visita dos guerreiros. Morte, por sua vez, bateu com o pé novamente no chão e seus trajes cariocas voltaram a ela. Guerra e Rodrigo fizeram o mesmo logo em seguida.

― Isso foi demais! ― disse Guerra sorrindo empolgada.

Júlia já não parecia tão empolgada. Na verdade, parecia mergulhada em devaneios profundos.

― O que houve, amor? ― perguntou Rodrigo preocupado.

Ela, acordando de seus devaneios, encarou a Guerra.

― Se o Destino está aqui, isso quer dizer que ele era uma das sombras naquele espelho ― disse ela enfim. ― E, se ele era uma delas... Aposto que outras duas eram o meu pai e a minha irmã.

Guerra assentiu, mas logo franziu as sobrancelhas, curiosa.

― Mas, eram quatro sombras ― disse Rodrigo também entendendo onde Júlia queria chegar.

― Exatamente ― concordou ela misteriosamente. Depois deu uma pausa, trocando olhares com Guerra e Rodrigo. ― Quem era a quarta sombra?

Notas finais
E então, gostaram da batalha? E da Morte "morrendo"? E eles descobrirem sobre a quarta sombra no espelho?
Mandem reviews e eu tento postar até domingo ^^