Notas iniciais
Olá pessoas, tudo bom?
Então, desculpem a demora, mas, como eu já disse numa resposta de review eu estou tendo uns probleminhas na vida pessoal e preciso resolvê-los... Ou seja, demorarei um pouco para postar os capítulos daqui em diante...
Mas, aqui está...
Boa leitura ^^

Júlia despertou de repente, com um incômodo familiar na perna. Piscou várias vezes, retomando a consciência com a rapidez que só uma Senhora Eterna conseguiria. Dormir era uma opção, já que era uma Eterna. E despertar se tornava um processo bem mais rápido, pelo mesmo motivo. Então, ela se sentou na cama bem lentamente, para não acordar o bruxo que ainda dormia ao seu lado, e lançou um olhar para o relógio pendurado na parede. Quatro e vinte e cinco da madrugada. Franziu as sobrancelhas e alisou a perna, passando a massageá-la lentamente. Foi quando sentiu algo sólido e gelado roçar-lhe a perna, voltando a trazer o incômodo familiar.

― A bússola! ― sussurrou para si mesma, a retirando do bolso.

Fitou o objeto dourado, a princípio com um sorriso. Mas este logo se desfez, formando-se em seu lugar sobrancelhas franzidas. Havia na parte de cima da bússola inscrições muito peculiares. Ao olhar bem para aquelas letras, Júlia logo percebeu se tratar de um escrito na linguagem antiga de Atlantis. E nele dizia: “Invenire caelum, simplicites commoue”. Júlia reconheceu as palavras, mas todas juntas não pareciam fazer sentido algum. Estreitou os olhos, tentando fazer uma tradução mais adequada.

Depois de alguns segundos revirando a bússola para cima e para baixo, chegou num consenso. A inscrição dizia que para achar o Céu, era necessário agitar. Mas, agitar o quê? E o carro sacolejou, fazendo Júlia encarar Guerra, que tinha os olhos concentrados na estrada. Decidida, a Morte se levantou devagar, ainda para não acordar o bruxo, e caminhou até a amiga, que lhe lançou um olhar rápido e sorriu, voltando a olhar para a estrada.

― Já acordou? ― perguntou ela ainda sorrindo.

Júlia não a respondeu. Estava intrigada demais para prestar atenção na pergunta de Guerra. Portanto, a única coisa que fez foi estender-lhe a bússola, apontando com o dedo indicador as palavras tão familiares.

― Isso é parte da nossa linguagem antiga, não é? ― perguntou ela veemente, quase desesperada. ― É latim, certo?

Guerra alternava o olhar entre a estrada e as inscrições, mas conseguiu ler tudo. Depois afirmou com a cabeça, voltando o olhar para a estrada.

― Por que raios está escrito agitar? ― perguntou confusa.

― Exatamente! ― disse Júlia se sentando no banco do carona com um longo suspiro derrotado. ― O que sua mãe poderia querer dizer com isso?

Guerra estreitou os olhos e então parou num semáforo vermelho. Àquela hora quase não haviam carros na estrada, o que facilitava o trânsito para eles.

― Já tentou sacudir esse troço? ― perguntou ela encarando a outra Senhora Eterna com as sobrancelhas erguidas.

Júlia suavizou a expressão derrotada e então tentou. Agitou o objeto dourado como se fosse uma bebida sem gás, com vontade. Depois o fitou, constatando que nada de novo acontecera. Era a mesma bússola dourada, com os mesmos desenhos no interior, com o mesmo ponteiro rodando descontroladamente.

― Acho que não é isso ― disse Júlia frustrada. ― Seria fácil demais, não é?

Guerra deu um meio-sorriso, quando o sinal abriu. Sabia perfeitamente que a mãe adorava fazer charadas. Ela, inclusive, havia puxado isso dela.

― Onde estamos? ― as duas ouviram Rodrigo perguntar atrás delas.

Júlia saltou do banco, com os olhos arregalados, mas logo se recuperou. Guerra apenas soltou um risinho e passou a marcha, virando numa esquina.

― Ainda estamos no Centro ― respondeu ela ainda sorrindo.

O bruxo assentiu enquanto Júlia lançava um olhar fuzilador para a outra Senhora Eterna, que nem notara. Foi quando Rodrigo se aproximou da Morte e a abraçou, lhe dando um beijo na testa.

― Dormiu bem? ― perguntou ele numa voz suave.

― Mais ou menos ― respondeu Júlia se soltando de seu abraço e lhe mostrando a bússola. ― Isso aqui não me deixou dormir.

― Por quê? ― perguntou e franziu as sobrancelhas, tomando o objeto nas mãos.

Júlia o encarou tensa e um tanto triste.

― Descobri umas inscrições muito suspeitas na bússola ― e o apontou as tais palavras. O bruxo as analisou, ainda de sobrancelhas franzidas, e depois encarou a esposa, parecendo confuso. ― Eu sei, fala sobre agitar.

O bruxo assentiu, intrigado, e pôs-se a revirar a bússola, de cima para baixo, analisando as inscrições milhares de vezes. Por fim, ele balançou a cabeça, atordoado.

― Isso é estranho ― disse ele. ― Já tentaram sacudir?

Júlia ergueu as sobrancelhas e assentiu lentamente. Rodrigo, por sua vez, suavizou o rosto e algo se iluminou em sua mente.

― Posso tentar? ― perguntou ele ansioso.

Júlia deu de ombros e assentiu, mas com pouca esperança. O bruxo então agitou o objeto dourado, para cima e para baixo, como se fosse um tipo de bebida sem gás. Porém, desta vez, a bússola soltou um tipo de assovio agudo, começando a vibrar violentamente.

― O que foi isso? ― perguntou Guerra ao ouvir o som agudo, mas ainda sem tirar os olhos da estrada.

― Está vibrando mais do que nunca! ― exclamou o bruxo já com a mão tremendo por culpa do objeto.

Júlia olhava para a cena com os olhos arregalados, surpresa e admirada. Rodrigo, que ainda segurava o objeto, não achava nada daquilo maravilhoso. Mas então tudo parou. O assovio cessou, o objeto parou de vibrar e os três se entreolharam rapidamente. Engolindo em seco, o bruxo tocou na divisão da bússola e a puxou para cima, abrindo-a.

A primeira coisa que notou foi a luz. Uma fortíssima luz azul-cobalto, que o bruxo, a princípio, não conseguiu identificar de onde vinha exatamente. Depois, com uma olhada mais detalhada, notou que a luz provinha do pássaro azul entalhado na bússola.

A segunda coisa o bruxo notou com um pequeno arquejo. Era o ponteiro metálico. Agora ele não estava mais rodando descontroladamente. Muito pelo contrário. O ponteiro agora estava parado, apontando para o norte.

― Funcionou! ― gritou o bruxo empolgado, mostrando a bússola para Júlia.

Porém, algo estranho aconteceu naquele momento. Júlia tapou os olhos, incapaz de olhar diretamente para o feixe de luz azul. Guerra, da mesma forma de Júlia, tapou os olhos, soltando o volante, fazendo o veículo cantar pneus, enquanto apertava o freio.

― Feche isso, Rodrigo! ― ordenou Guerra quase gritando.

Rodrigo, mais que rapidamente, fechou o objeto e as encarou, tenso. Já as duas o encararam confusas e atordoadas.

― Por que vocês não podem ver? ― perguntou ele num tom triste.

― Ver o que, exatamente? ― perguntou Guerra parecendo estressada.

O bruxo engoliu em seco e encarou Júlia.

― O pássaro... ― disse ele e desviou o olhar. ― O pássaro azul estava brilhando. ― As duas se entreolharam, incrédulas e confusas. ― E o ponteiro estava apontando para o norte.

― O ponteiro? ― perguntou Júlia de repente interessada.

O bruxo assentiu, ainda sem olhar para as duas. Júlia de repente pareceu empolgada.

― É isso! ― gritou ela.

― É isso o quê? ― perguntou o bruxo confuso, finalmente trocando olhares com as duas Senhoras Eternas.

Guerra deu um meio-sorriso, entendendo rapidamente a situação.

― Só você pode interpretar a bússola ― respondeu ela ainda sorrindo.

― Exatamente! ― concordou Júlia radiante. ― Como você é metade bruxo do dia, isso te dá certa imunidade a luzes fortes como essa! ― e balançou a cabeça, ainda sorrindo. ― A Terra adora mesmo charadas.

Rodrigo sorriu e abraçou a namorada... Ou melhor, a esposa, lhe dando outro beijo na testa. Guerra, por sua vez, sorriu e girou a chave na ignição, ligando o veículo e o tirando do meio da rua.

― Rodrigo ― chamou ela. ―, preciso que você vá me guiando.

O bruxo assentiu, empolgado e, abrindo rapidamente a bússola (tampando-a com as mãos), viu o caminho, apontando-o para Guerra. E assim passaram a maioria da madrugada: Rodrigo guiando a Senhora Eterna.

Até que chegaram a uma longa rua que terminava num prédio de cinco andares. Foi quando a luz da bússola se apagou e o ponteiro voltou a girar descontroladamente.

― Parou ― avisou Rodrigo confuso.

Guerra lhe lançou um olhar rápido e guiou o carro, parando-o na calçada, em frente ao prédio. Depois encarou o bruxo de sobrancelhas franzidas.

― Mas aqui não tem nada ― disse ela achando se tratar de uma piada.

O bruxo, muito ofendido, voltou a fechar e sacudir o objeto, mas desta vez não obteve nenhum resultado espetacular, somente uns barulhinhos metálicos em seu interior. Júlia, que assistia a cena nervosamente, entrelaçou os dedos à frente do corpo e encarou Guerra, pedindo em silêncio para que ela não se estressasse. Foi quando os três ouviram uma voz gravíssima dizer:

― Quem são vocês e por que desejam subir?

A voz ecoava por todo o veículo, fazendo Morte e Rodrigo se entreolharem assustados. Guerra, que não se abalou por nenhum segundo, indicou com a cabeça a porta do carro e logo a abriu. Os dois desceram, ainda nervosos e assustados, sendo seguidos de perto por ela.

― Volto a repetir: quem são vocês e por que desejam subir? ― repetiu a voz grave, que parecia vir do prédio.

Júlia agarrou-se ao braço de Rodrigo, olhando para o alto assustada. Mas, àquela altura, todos já olhavam para o alto. Pois algo descia do prédio, flutuando. Só quando terminou de descer, ficando sob a luz de um poste, é que notaram se tratar de um garoto, que não devia ser muito mais velho que Rodrigo.

Era alto, musculoso e bem afeiçoado. Sua pele era rosada como a de um bebê. Os cabelos eram platinados e os olhos de um azul terrivelmente elétrico. Trajava roupas brancas como a neve, exceto por alguns detalhes prateados como: as bordas da gola da camisa em “V”, que deixava a mostra parte de seu peito trabalhado e uma pinta bem no meio dele; as ombreiras, que tinham a forma da cabeça de bodes; e os sapatos, que tinham pequenas asas metálicas dos dois lados. Assim que o jovem misterioso e de voz potente fitou Rodrigo, arregalou os olhos, intrigado, mas nada disse.

― Trovão? ― perguntou Guerra com um sorriso bobo no rosto. Depois começou a caminhar na direção do garoto, estendendo os braços para abraçá-lo. ― Quanto tempo! ― e o abraçou bem apertado. ― Que saudade de lutar ao teu lado.

― É bom vê-la também, irmã de batalha ― respondeu o jovem, que devia ser Trovão, com sua voz gravíssima, enquanto sorria.

Os dois então se soltaram, mas ainda continuavam a se olhar e a sorrirem. Realmente pareciam amigos de muito tempo. Mas não durou muito tempo, pois Trovão desviou o olhar para Júlia, que engoliu em seco, mas não perdeu a pose imponente. Rodrigo franziu as sobrancelhas, intrigado, quando a Senhora Eterna se soltou dele e cruzou os braços.

― Olá, Morte ― disse ele com um meio-sorriso cínico. ― É bom vê-la também.

Júlia assentiu, forçando um sorriso.

― E quem seria esse? ― Trovão perguntou cruzando os braços, fazendo seus bíceps parecerem ainda maiores.

Júlia umedeceu os lábios, pouco abalada.

― Trovão, esse é Rodrigo, meu marido ― disse ela imponente, para a surpresa de Trovão. ― Amor, esse é o Senhor Eterno do trovão, filho do Céu.

Agora não era só Trovão que estava boquiaberto. O bruxo também arregalara os olhos e estava fitando o Senhor Eterno como se ele fosse uma espécie de enigma. E um enigma dos mais difíceis de desvendar.

Notas finais
E então, gostaram do Trovão? E da bússola finalmente funcionar? Querem me matar porque era só agitar a bússola? Mandem reviews e eu tento postar na segunda ou terça. Nada certo, mas vou tentar...