Notas iniciais
Então... Eu sei que devia ter postado ontem, mas aí as idéias começaram a invadir a minha cabeça e esse acabou sendo o maior capítulo que eu já escrevi!
Estou muito feliz com isso!!!! o/
Outra coisa, não deixem de ler as notas finais, ok?
Enfim, aqui está...
Boa leitura ^^

― Por que a surpresa? ― perguntou Trovão recuperando a pose de durão.

Rodrigo deu um meio-sorriso gentil.

― Se você é filho do Céu, talvez possa nos ajudar ― respondeu o bruxo ainda com gentileza.

O Senhor Eterno, porém, franziu as sobrancelhas, confuso. O que aquele garoto queria dizer com aquilo?

― Ajudar em quê? ― perguntou ele secamente, voltando a cruzar os braços.

― Então, Trovão ― começou a dizer Guerra sorrindo. Depois gesticulou: ― Eu, Morte e o mestiço fomos enviados pela Terra para achar seu pai, a Água e o verdadeiro mestiço da profecia.

Rodrigo franziu as sobrancelhas e desviou o olhar. Realmente odiava ser chamado de mestiço. Tudo bem, a Guerra não falava da mesma forma nojenta que o Poder, mas ainda assim era estranho. Como se ele fosse algo errado. Algo que não deveria ter acontecido.

Trovão, contudo, nem se abalou com a palavra. Apenas encarou Guerra confuso.

― Então vocês acham que eu sei onde meu pai está? ― perguntou ele quase num tom ofendido. ― Se eu soubesse, podem acreditar, eu já o teria resgatado. E, se isso tivesse acontecido, não seria eu que estaria os recebendo. Seria ele em pessoa. ― E fez uma pausa, franzindo os lábios tristemente. Aquele era realmente um ponto delicado para Trovão. ― Eu não o vejo desde Atlantis sumiu do mapa... Desde que o Poder o aprisionou no céu. ― E cerrou os punhos violentamente.

Guerra colocou a mão sobre seu ombro, procurando consolá-lo. Ele a encarou e deu um sorriso triste, afrouxando o punho. Mas então respirou fundo e se recompôs, voltando a ser o Trovão durão de sempre.

― Enfim, eu não posso ajudá-los ― disse finalmente, para a tristeza de Rodrigo, que ainda ouvia toda a conversa. ― Mas acho que algum dos meus irmãos pode. ― E deu um sorriso sincero.

Rodrigo e Júlia se entreolharam e sorriram. Finalmente resolveriam esse caso. Então o Senhor Eterno os guiou até o prédio de onde desceu. A porta da frente era de puro ferro e parecia bem pesada. Porém, Trovão a abriu com a maior facilidade. Depois que todos passaram, ele a fechou novamente e bateu as mãos uma na outra, para limpar a poeira. Agora eles se encontravam num amplo salão iluminado. Este estava abarrotado de painéis, telas de computador e portas em algumas extremidades. Também havia animais bem interessantes, operando aqueles painéis. A maioria deles eram bodes. E alguns ainda soltavam um “Béééé” de vez em quando. Sem falar que todos eles usavam jalecos encardidos.

Rodrigo franziu as sobrancelhas, confuso com aquela cena, e encarou Júlia, que sorria como se estivesse no meio do seu jardim de rosas brancas.

― É aqui que eu fico quando não estou trabalhando com a Tempestade ― disse Trovão sorrindo, como se fosse um galã de novela. ― Operamos quase todas as chuvas daqui, quando minha irmã está com preguiça.

Guerra deu um risinho e encarou o Senhor Eterno.

― Mas não é aqui que vamos achar meus irmãos ― e fez um sinal com a mão. ― Me sigam!

Os guiou para uma das inúmeras portas, de onde saía um dos bodes. Este era ainda mais perturbador, pois além do jaleco encardido, também usava óculos redondos e com lentes azuis, além de estar encarando Rodrigo com seus olhos tortos.

― Senhor Gomes ― chamou Trovão assim que o viu atravessar a porta. ― Já não falei para o senhor evitar essa sala? Vou ter que ter uma conversinha com você depois.

O bode o encarou com seus olhos tortos e soltou um alto “Bééééééé”. Trovão sorriu e atravessou a tal porta.

― Boca suja ― murmurou ele ainda sorrindo.

Agora se viam numa sala que quase não continha nada. Apenas um elevador grande e metálico na parede do fundo. O Senhor Eterno, depois de encarar cada um e dar um sorriso, entrou neste e esperou que todos fizessem o mesmo. Então apertou o botão do último andar. O costumeiro frio na barriga indicava que já haviam começado a subir.

― E então, o que tem feito nesses tempos? ― perguntou Trovão, puxando assunto com Guerra.

― Nada demais ― disse ela dando de ombros. ― Só tentando acabar com a tirania do Poder. ― E encarou Morte. ― Sem ofensas.

Júlia sorriu e assentiu. Trovão também soltou um risinho e desviou o olhar para as portas, ainda sorrindo. Rodrigo era o único ali que se sentia excluído. Três Senhores Eternos, eternamente mais velhos que ele, eternamente mais poderosos que ele, dentro do mesmo elevador. Ele se sentia extremamente inferior. Morte, porém, segurou sua mão e sorriu. O bruxo forçou um sorriso e as portas do elevador se abriram, com um estalido. Agora se encontravam no terraço do prédio. Lá, havia apenas algumas gárgulas com cabeças de bode, algumas antenas e um grande para-raios.

― Por que essa coisa com bodes? ― perguntou Rodrigo em voz baixa, para Júlia.

― É que antigamente, como Guerra já disse, os Senhores Eternos eram representados por animais ― respondeu ela quase sussurrando. ― O animal do Trovão era o bode, assim como o meu era o corvo.

― Mas, por que um bode? ― insistiu Rodrigo.

― Vai ver ele era apegado com esses animais ― respondeu ela. ― Eu não entendo muito dessa parte da nossa história. Pra falar a verdade, nem sei o porquê do meu animal ser o corvo. Eu nem gosto tanto assim deles!

Rodrigo sorriu e desviou o olhar para Trovão e Guerra, que olhavam para o grande para-raios no centro do terraço.

― Ótimas notícias! ― gritou Guerra empolgada para Júlia e Rodrigo. ― Vamos de raio!

Júlia forçou um sorriso falso e encarou o bruxo, que fez o mesmo. Trovão, porém, deu um meio-sorriso vitorioso e ergueu as mãos para o alto. No mesmo instante, nuvens negras e pesadas tamparam o céu estralado.

― Quem vai primeiro? ― perguntou ele esfregando as mãos amimado, fazendo faíscas brancas soltarem delas.

― Eu! ― disse Guerra quase pulando de animação, dando um passo à frente.

― Ótimo ― disse Trovão e pôs as mãos sobre os ombros de Guerra, pronunciando: ― Sit tecum in caelum radiorum!

Num milésimo de segundo, um raio brilhante e prateado caiu sobre Guerra, fazendo-a desaparecer logo em seguida, deixando apenas uma fumaça e um chiado. Trovão então esfregou as mãos novamente e bateu palmas na direção oposta a eles. Foi assim que Rodrigo finalmente entendeu como os estrondos dos trovões eram feitos.

― Vão juntos? ― perguntou ele virando-se para eles.

Júlia assentiu e deu um passo à frente, puxando Rodrigo.

― Dois raios ― disse Trovão sorrindo e balançando a cabeça. ― Isso vai ser legal ― e pronunciou: ― Sit tecum in caelum radiorum!

O mesmo se repetiu. Mas, desta vez, dois raios caíram sobre eles. E logo estavam viajando de raio. Rodrigo sentiu, primeiramente, como se seu corpo estivesse se dividindo em milhões de pedacinhos, porém, de forma natural. Não sentiu dor, nem medo, e nem agonia. Apenas foi dividido e estava, naquele instante, sendo transportado para o céu. Lá, seus pedacinhos se reagruparam, formando o velho Rodrigo de sempre.

― Uau! ― foi só o que o bruxo conseguiu dizer, apalpando o próprio corpo admirado.

― Legal, não é? ― perguntou Trovão se materializando ao seu lado, colocando logo um sorriso superior no rosto e erguendo uma das sobrancelhas.

O bruxo não respondeu. Apenas cruzou os braços e desviou o olhar para frente, analisando o local onde se encontravam. Sem resistência alguma, Rodrigo ficou completamente admirado. E não era para menos. O solo do local era completamente acinzentando e parecia macio ao toque e um tanto esfumaçado. Era como se todo o chão estivesse coberto por algodão doce. O bruxo notou também certos pontos enegrecidos, à distância, dançando no algodão. No alto, somente as estrelas e uma lindíssima Lua cheia. Rodrigo, de repente, se sentiu mais poderoso. Como se nada no mundo pudesse detê-lo. O bruxo começava a ser afetado pelo ar refrescante do local, sem nem perceber.

― Está vendo aqueles pontos? ― perguntou Guerra se aproximando do bruxo, tocando em seu ombro e apontando para os pontos enegrecidos que Rodrigo notara antes. O bruxo assentiu sorrindo e virou-se para lá. ― São orcas de nuvem.

Rodrigo franziu as sobrancelhas e encarou Guerra, que tinha um enorme sorriso no rosto, como se estivesse no céu... Espera.

― Orcas tipo baleias? ― perguntou o bruxo confuso.

Guerra assentiu, ainda sorrindo. Rodrigo ergueu as sobrancelhas, agora ainda mais admirado. Júlia sorriu e desviou o olhar para os animais ao longe, que nadavam por entre as nuvens úmidas, mostrando as caudas que mais pareciam serem feitas de penas.

― São criaturas maravilhosas ― continuou Guerra e lançou um olhar para Trovão, corando logo em seguida.

Algo dizia ao bruxo que aqueles dois tinham muitas histórias para contar. E ainda, ao parecer, algumas delas deviam ser bem comprometedoras.

Porém, quebrando completamente o clima, Trovão pigarreou, já corado também.

― Vamos entrar? ― perguntou ele com a voz fina.

Rodrigo franziu as sobrancelhas e encarou Trovão. Ele, por sua vez, apontou para trás. Rodrigo virou-se e logo ficou boquiaberto. Lá, um enorme edifício se erguia sobre o chão de algodão doce, feito de pedras enormes, brancas e brilhantes. O bruxo só então percebeu que pisava sobre uma pequena rocha plana, que era o primeiro degrau da enorme escadaria de entrada.

― Uau! ― exclamou ele novamente.

― Eu sei ― disse Trovão imponentemente, colocando as mãos para trás e um sorriso vitorioso no rosto. ― É magnífico.

E então se pôs a subir as escadas. Rodrigo cerrou os punhos, furioso. O que aquele Senhor Eterno tinha contra ele?

― Acalme-se, amor ― sussurrou Júlia suavemente. ― Trovão é metido assim mesmo.

O bruxo assentiu e respirou fundo, começando a subir a escadaria, bem atrás de Guerra e acompanhado de perto por Júlia.

Se Rodrigo soubesse um pouco da cultura da Terra, saberia perfeitamente que aquele prédio alto e um tanto triangular, se assemelhava muito às pirâmides dos antigos maias. Porém, Rodrigo nunca ouvira falar neles. Nem mesmo nas aulas de história, que ele tanto odiava.

Quando terminaram de subir, chegaram a um alto arco de ouro. Assim que o atravessaram, se viram piscando por conta das luzes de um amplo salão iluminado por grandiosos e luxuosos lustres. Tapetes e cortinas coloridas dos mais finos tipos de tecido estavam espalhados aqui e ali. Música alta também se espalhava por todo o lugar. E pessoas vestidas com roupas realmente estranhas estavam dançando no centro. Assim que escutou a música, Rodrigo começou a se mexer, invadido pela batida.

― Quem está cantando? ― perguntou o bruxo.

― Minha irmã ― respondeu Trovão desdenhoso começando a adentrar no meio daquelas pessoas quase com nojo.

Rodrigo e Júlia se entreolharam e seguiram o Senhor Eterno, acompanhados de perto por Guerra, que não conseguia parar de mexer o pescoço, invadida pela música também.

Não demoraram muito para chegar ao palco, onde estava a portadora da voz. Sua pele era de um moreno claro e suave. Os olhos, fitados nos instrumentistas, eram de um incrível azul-escuro. Os cílios, grandes e negros, estavam cobertos por pequenos pontos brilhantes. Os lábios, carnudos, estavam cobertos por um batom rosa. Os cabelos, ondulados, eram naturalmente loiros, mas havia algumas manchas rosa em alguns lugares. Estava usando um vestido de bailarina curto e completamente rosa, exceto por algumas pedras brilhantes. Nos seios, trazia dois pompons de algodão, também rosa. E, ainda, sob a saia do vestido, uma calça legging com estampa de onça, também rosa. Nos pés, porém, usava sandálias de salto alto transparentes.

A mulher, assim que bateu os olhos em Júlia, deu o maior sorriso possível e estendeu as mãos para o alto, fazendo faíscas estourarem no palco, arrancando arquejos e palmas de todas as pessoas presentes, inclusive de Rodrigo. Depois, ela colocou o microfone no suporte e desceu do palco, quando outra música se iniciou.

― Morte! ― gritou ela e correu na direção da Senhora Eterna com os braços estendidos para abraçá-la.

― Quanto tempo! ― gritou Júlia de volta abraçando a mulher vestida exageradamente a apertado forte.

Elas logo se soltaram e começaram a gargalhar alto. Trovão as encarava de braços cruzados e cara fechada. Guerra dava um sorriso amarelo e alternava o olhar entre as duas e Trovão, sem saber o que fazer.

― Você pintou o cabelo! ― disse a mulher com as sobrancelhas erguidas depois de um falso arquejo. ― Ficou lindo! ― e sorriu. ― Bem melhor que aquele ruivinho sem graça.

Júlia riu e Rodrigo arregalou os olhos. Júlia já havia sido ruiva?!

― É, eu pintei ― disse Júlia alisando os cabelos, ainda sorrindo. ― E você está usando gotículas nos cílios! Que fofo.

A mulher piscou várias vezes, fazendo Rodrigo perceber que Júlia tinha razão. Os pontos brilhantes que Rodrigo vira antes não passavam de pequenas e brilhantes gotículas de água, espalhadas por seus cílios.

― Guerra! ― disse a mulher finalmente a notando e a abraçando.

― É bom te ver também ― disse a Senhora Eterna a abraçando com cuidado, como se tivesse medo de quebrá-la.

As duas se soltaram e riram, bem mais baixo. Foi nesse momento que Trovão se aproximou da irmã, a segurando pelo braço violentamente.

― Nuvem, o que eu falei sobre baladas no castelo? ― perguntou ele.

― Trovão, você está me machucando ― disse a tal Nuvem se libertando do aperto do irmão. ― E depois, eu não posso resistir. Adoro música!

― Ok, vamos para o escritório ― disse ele secamente, saindo do meio da multidão e indo para o fundo do salão, onde havia várias portas douradas.

O Senhor Eterno abriu uma alta e dupla, entrando logo em seguida, sendo seguido por Nuvem e logo pelos outros. Guerra, que foi a última a entrar, fechou as portas, com um grande estrondo metálico. Agora se encontravam numa sala enorme e sem ruído algum. Nem parecia que estava acontecendo uma balada do lado de fora.

― Não consigo resistir? ― perguntou Trovão cruzando os braços, desaprovador.

― Eu disse que não podia ― corrigiu Nuvem com um sorriso sarcástico. ― Qual é, maninho. Você sabe que eu não consigo viver sem música. Principalmente se forem as músicas da Terra.

― É, mas papai não gostava que você fizesse essas coisas no castelo, lembra? ― perguntou o Senhor Eterno.

E nesse momento Rodrigo se desligou da discussão e começou a esquadrinhar o local com os olhos. Era uma sala realmente longa. Havia mesas enormes de madeira espalhadas por todos os cantos. Pousadas sobre elas, estavam protótipos de vários tipos de aviões, todos feitos de madeira, pintados com cores vivas e envernizados. Nas paredes estavam pregados plantas e esquemas de aviões de todos os tipos, até de papel. No alto, em vez de um teto qualquer, estava nada mais nada menos que o céu estrelado e noturno. Com um privilegiadíssima vista da Lua cheia, que se erguia sobre eles como uma guardiã noturna.

― Incrível ― sussurrou o bruxo admirado.

― Então, ok! ― gritou Nuvem cruzando os braços e desviando o olhar. Foi quando notou Rodrigo.

Assim que seus olhos o encontraram, Nuvem deixou os braços caírem e sua expressão mudou. Arregalou os olhos, surpresa, e ficou boquiaberta.

― Quem é esse? ― perguntou ela lentamente, fazendo Rodrigo acordar de seus devaneios e a encarar assustado.

Júlia sorriu.

― Esse, Nuvem, é Rodrigo, meu esposo ― disse ela suavemente, o apresentando.

A mulher engoliu em seco e estendeu a mão num cumprimento.

― Você se parece muito com alguém que eu conheço ― disse ela atordoada, o cumprimentando. ― Só não me lembro com quem.

― É mesmo? ― perguntou Rodrigo admirado. ― Obrigado, eu acho.

Nuvem assentiu.

― Eu sou Nuvem ― disse ela e sorriu. ― A Senhora Eterna da Nuvem, para ser mais exata.

― É um prazer conhecê-la ― disse Rodrigo sorrindo amistosamente. ― E você canta muito bem.

Nuvem deu um sorriso infantil e agradeceu com um aceno de cabeça.

― Mas então ― continuou ela colocando os punhos fechados sobre os quadris. ― Por que estão aqui?

― Bem, viemos tentar encontrar seu pai ― respondeu Júlia delicadamente. Nuvem pareceu não se abalar, então ela continuou: ― Você tem alguma pista do onde ele possa estar?

Nuvem colocou a mão no queixo, parecendo pensar profundamente. Mas, naquele momento, Rodrigo já não prestava mais atenção. Sentia algo vibrar em seu bolso. O bruxo franziu as sobrancelhas e enfiou a mão lá dentro, retirando de lá o objeto dourado. Arregalou os olhos, assustado, assim que o fitou. A bússola estava com ele! Havia se esquecido disso. Então, sem pensar duas vezes, o bruxo abriu o objeto, liberando a fortíssima luz azul por toda a sala. Agora, todos estavam com os olhos tampados, enquanto Rodrigo fitava o pássaro azul brilhar e o ponteiro rodar, mas de forma bem lenta, tornando possível vê-lo.

― Que luz é essa? ― perguntou Trovão arrogante. ― Pare já com isso!

O bruxo voltou a fechá-la e encarou Júlia confuso.

― O que você viu? ― perguntou ela.

― O ponteiro está rodando de novo ― respondeu o bruxo confuso. ― Mas dessa vez está mais devagar.

Júlia franziu as sobrancelhas e encarou Guerra, que fez o mesmo. O bruxo virou o olhar para Trovão e Nuvem, que o encaravam com expectativa. Depois desviou o olhar e esquadrinhou novamente a sala. Só quando viu sobre os desenhos na parede a inscrição “Caelum”, é que sua mente se iluminou com a verdade.

― Já sei! ― gritou ele.

― O que? ― perguntou Trovão.

― Já sei como reerguer seu pai! ― respondeu animado. ― O quão apegado ele era com essa sala?

― Muito ― respondeu Nuvem com um sorriso infantil. ― Na verdade, essa sala era dele. Adorava fazer seus protótipos aqui.

― Então, é aqui mesmo ― disse Rodrigo sorrindo vitorioso.

― Como pode ter certeza? ― perguntou Trovão cruzando os braços.

Rodrigo deu um meio-sorriso. Era sua oportunidade de mostrar para aquele Senhor Eterno o seu potencial.

― Quando eu reergui a Terra, me levaram para um local a qual ela era muito apegada ― disse ele vitorioso. ― Lá, eu só tive que dizer umas coisas e ela simplesmente se reergueu. Provavelmente deve ser assim com seu pai também. ― E fez uma pausa, enquanto Trovão franzia as sobrancelhas. E gesticulou: ― Aqui estamos, no local a qual ele era muito apegado. Então, eu só preciso mandá-lo despertar.

Trovão não pareceu muito convencido. Porém, Nuvem deu pulinhos de alegria, batendo palmas.

― Então, o que estamos esperando? ― disse ela animada. ― Chame-o!

O bruxo assentiu e caminhou até o centro da sala. Depois encarou os Senhores Eternos com um sorriso e disse em voz alta:

― Céu, levante-se!

E então aconteceu.

No mesmo instante, os aviões, que antes estavam pousados sobre a mesa, começaram a decolar, voando pela sala e fazendo rasantes realmente incríveis. Agora, toda a sala havia sido invadida por suas cores vivas e brilhantes. Eram como se fossem pequenos fazedores de arco-íris, todos ao mesmo tempo decolando e formando cortinas coloridas de luz.

― Era exatamente assim quando entrávamos na sala dele ― sussurrou Nuvem deixando uma lágrima quente escorrer por seu rosto.

E então a noite se transformou.

A Lua, que antes pairava sobre eles, fora rapidamente substituída pelo dourado e brilhante Sol, que tomou todo o céu. Foi nesse momento que os gritos começaram a se ouvir. Eram metálicos e um tanto robóticos, mas ao mesmo tempo lembravam muito os rugidos de alguns felinos. E estes eram tão altos eu todos os presentes tiveram de tampar os ouvidos. Mas os ruídos não demoraram muito. E, assim que os sons se foram, um único filete de luz solar, fortíssimo, se concentrou bem próximo a Rodrigo, que ficou boquiaberto com a energia poderosíssima que esse emanava.

― O que é aquilo? ― perguntou Trovão para si mesmo, já sem se importar em ter a pose de durão, se permitindo deixar uma lágrima escorrer pelo rosto.

E então algo grande começou a descer por aquele filete, aumentando ainda mais a energia que emanava dele. Descia bem lentamente, como uma pena solta ao vento. Rodrigo também fora tocado pela emoção e, sem perceber, já começara a chorar.

O algo que descia pelo filete de luz logo alcançou o piso, fazendo Rodrigo se sentir extremamente inapropriado, só então notando que ainda usava seu pijama. Com um estalo de dedos escondido, mudou suas roupas para um traje formal de bruxo. Júlia, que também notou estar usando apenas camisola, balançou a cabeça e logo estava usando seus usuais trajes pretos. Trovão e Nuvem, ainda emocionados, se ajoelharam, reverenciando o homem que desceu do filete de luz solar. Guerra e Morte os imitaram. E por último, Rodrigo também o fez, mas não deixou de colocar a cabeça para cima. Precisava ver todo o reerguer do Céu, sem perder nada. Logo, o filete de luz despareceu, deixando apenas um homem de pé, no centro da sala.

Este era tão alto quanto Terra. Tinha cabelos curtos e brancos como a neve. A barba por fazer era da mesma cor. Seu tom de pele era tão claro quanto o de Trovão. O corpo era musculoso, oculto sob o terno completamente branco, a não ser pela gravata e pelos sapatos, ambos pretos e com salpicos dourados e brilhantes. Mas então ele abriu os olhos, fazendo Rodrigo arquejar. E não era para menos. Seus olhos tinham cores completamente diferentes. Um deles era dourado. Não castanho-claro ou mel, era realmente dourado. Já o outro era de um suavíssimo tom de branco, que destacava bastante sua pupila.

― Levantem-se, pequenos ― disse o homem. Sua voz era ainda mais grave do que a de Trovão, porém era mais nítida.

Obedecendo a ele, todos se colocaram de pé. Rodrigo fazia um enorme esforço para deixar de olhar para os olhos duplamente coloridos do homem, mas era realmente difícil.

― Fico contente em vê-los, Senhores Eternos ― disse o homem virando-se para eles, falando formalmente. ― E fico contente em vê-lo também, Rodrigo.

O bruxo ergueu as sobrancelhas e arregalou os olhos, surpreso. Como ele sabia seu nome? E como seus olhos podiam ser tão perturbadores?

Então o homem riu. Uma risada sinistramente grave, que ecoou por toda a sala, como um trovão longínquo e assustador.

― Eu sou o Céu, Rodrigo ― disse o homem sorrindo gentilmente. ― Nada acontece debaixo de mim que eu não saiba.

O bruxo assentiu e sorriu, admirado.

― Mas nós não temos muito tempo para conversar agora ― continuou ele, agora num tom urgente, encarando uma a um na sala. ― Temos que apanhar a criança antes do Poder, ou tudo isso terá sido em vão.

Todos na sala assentiram, imponentemente.

― E então Rodrigo ― disse o Céu voltando a sorrir e a encará-lo. ― Pronto para salvar o mestiço de verdade?

Notas finais
E então, gostaram do Céu? E da Nuvem? E do Trovão? Mande reviews e eu tento postar até segunda...
Mas antes de dizer "Até lá", eu quero compartilhar um link... É esse aqui: "http://www.youtube.com/watch?v=gtLNmdZTf_g"
Nele vocês irão encontrar um vídeo que mostra claramente o som que vem dos céus que eu descrevi. Ele foi ouvido pelo mundo todo!!!! *OOOOOOOOOOOO*
Mas enfim... Até a próxima ^^