Solare e Luana
13 O sumiço
Notas iniciais
O dia anterior havia sido uma confusão. Hoje parecia que o Louis havia esquecido a discussão que tivemos, seria mesmo? Só saberei perguntando, mas eu não estou nem com a mínima coragem de olhar nos olhos dele. Tentei colocar minha cabeça no lugar e começar outro dia. Realmente, eu não queria sair da cama, e o frio me fazia querer dormir mais e mais, e aquela chuvinha de manhã então... Infelizmente, Solare acabou com os meus planos me puxando para fora da cama e eu acabei caindo no chão.
– Você realmente não tem o mínimo de responsabilidade... — Ela disse, botando a mão na cintura e me olhando.
– Pelo menos sou mais legal que você... — Eu me defendi, levantando.
Nós parecíamos o Leonardo e o Rafael das Tartarugas Ninjas, não? No caso eu seria o Rafael, já que ele é muito mais legal que o Leonardo... Mas, acredito que eu seria, realmente, o Michelangelo... Logo depois, fomos treinar, e descobri que eu teria que treinar toda hora, pois minha pontaria é horrível.
Logo depois de treinarmos um pouco, fomos almoçar. Depois do almoço, chamaram todos nós para uma reunião.
– Esta é Amanda. Ela que deu a ideia de nos instalarmos nesta torre, e foi ela quem salvou Solare da morte. Além de ser muito poderosa.
– Ela é como uma Madoka da vida real? — Eu perguntei.
– Eu não posso destruir o mundo... — Amanda respondeu, sorrindo.
Aquela garota parecia ser legal, mas não fui muito com a cara dela. Ela dormiria num quarto na frente do nosso, o que me deixou mais estranha é que ela pediu para ter um quarto só para e ela e que fica-se perto do nosso... Isso me deu uma sensação ruim. Fizeram perguntas sobre ela, nada de mais. Ela tinha longos cabelos negros como a noite e olhos verdes de esperança, como a Solare disse para mim. E realmente, ela tinha um olhar tristonho, como se tivesse algo faltando, como um quebra-cabeça... Seus olhos eram sem brilho.
Louis, como sempre, a paquerou. Mas, Louis pareciam esmo apaixonado por ela, parecia que ela o completava. Nossa, nem pareço eu mesma... Vou parar com todo esse ritmo meloso porque eu já estou tendo diabetes com isso, eca.
Fomos dormir um pouco mais cedo, pois o dia seguinte teria muito treino. Solare escondeu bem o cajado, pois tinha medo dele sumir. Acho que ela tem o mesmo pensamento que eu, mesmo com Amanda tendo salvado a vida dela. Fomos dormir calmamente, não foi u dia lá tão cansativo, mas eu estava com sono.
– Cadê o cajado? — Disse Solare no dia seguinte, remexendo nas coisas e quase gritando. — Espero que não seja mais uma de suas brincadeirinhas Luana, se não eu te mato!
– Eu não fiz nada! Que mania é essa de sempre me acusarem das coisas? "A internet caiu, é culpa da Luana." "Meu cabelo ficou vermelho, é culpa da Luana." "O mundo explodiu, é culpa da Luana." Eu hein! Isso dá raiva...
Solare ficou me olhando séria (cara de abestalhada olhando para o céu) e depois desceu para avisar para a diretora, que era quem "comandava" aquele lugar também. Por coincidência, a Amanda também havia sumido, estranho, não? Tenho quase certeza que foi ela que roubou o cajado, só preciso de provas...
Fui correndo para o nosso quarto, e fui procurando qualquer coisa que fosse evidência para incriminar alguém. Até que encontrei uma fita parecida com a fita que Amanda usou na reunião, estranho, não? Parecia que minha hipótese estava certa. Então, peguei a fita e procurei a Solare.
– Solare! Solare! — Gritei a procura dela.
– O que foi, Luana? — Dalila apareceu do nada, me perguntando.
– Eu encontrei uma prova que foi a Amanda que pegou o cajado! — Respondi, mostrando a fita de cabelo para ela.
– Luana... Isso não é uma prova muito concreta...
– Como assim não é? Com certeza, é da Amanda!
– O problema, Luana, é que, uma fita não representa nada. Até a Solare disse que a Amanda foi lá no quarto para dar algumas informações à ela de como era a torre... Amanda deve ter saído do quarto e não deve ter notado que a fita caíra de seu cabelo...
Agora eu parecia uma louca. Joguei a fita no chão, com raiva. Saí correndo até o quarto e tentei achar outra prova, porém, não achei nenhuma... Fui, frustrada, treinar um pouco. Quando acabei o treinamento, vi uma multidão amontoada do lado de fora da torre. Era Amanda. Ela estava toda suja e machucada...
– O quê aconteceu, Amanda?! — A diretora perguntou se aproximando dela.
– De madrugada quando todos estavam dormindo, ouvi gritos, quando fui ver o que era, fui sequestrada e me obrigaram a falar onde as herdeiras do poder do Sol e da Lua destinadas a acabar com as Trevas estavam, eu não falei nada, eles começaram a me bater e só pararam quando me fingi de morta e deixei o meu corpo frio. Eles me jogaram num mar com água corrente, por isso só apareci agora. Eles sabem que vocês estão instaladas por aqui, eles só não veem que é aqui pois temos um campo de força que, além de nos proteger contra o mal, deixa a torre invisível...
– Incrível o que você fez, Amanda, todos nós agradecemos... Agora, vamos cuidar de seus ferimentos... — A diretora fala, com pena.
– Esperem... Encontrei isto no meio do caminho... — Dissse Amanda, mostrando o cajado. — Parece que alguém rompeu o campo de força e pegou o cajado...
– Estávamos procurando por ele agora! Obrigada, Amanda! — Solare exclama, pegando o cajado.
– Enfim, vamos ter que "consertar" o campo de força... Venha comigo, Amanda. — A diretora suspirou.
Bem, parece que eu estava errada... Amanda é realmente uma boa pessoa, e eu tenho que aceitar. Mas, alguma coisa dentro de mim ainda diz que ela não é uma pessoa boa, e, bom... Eu não posso ignorar isso. Amanda pode parecer uma pessoa boa, mas ser má, como também pode parecer uma pessoa má ao meu ver e ser uma pessoa boa querendo apenas se aproximar de mim e da Solare, querendo apenas ser nossa amiga. Agora estou me sentindo mal por ter acusado ela.
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