Sol da meia-noite: Midnight Sun

92 (T-Final-Nessie) Um bebê


A casa dos Black estava cheia.

Crianças correndo, vozes altas misturadas com o cheiro de carne assando na grelha e aquele som inconfundível de felicidade caseira. Fazia tempo que eu não via Billy sorrir daquele jeito — com os olhos, com o corpo inteiro. Era seu aniversário de setenta e três anos, e ele fazia questão de dizer a cada cinco minutos que se sentia com trinta.

— E se a coluna deixar, hoje ainda vou dançar com a Sue! — ele anunciou da cadeira de rodas, arrancando gargalhadas de todos.

Charlie riu com gosto, sentado na varanda com uma cerveja na mão.

— Se você dançar com ela, eu dou vinte doláres! — provocou

— Vinte? Tá barato demais, Swan — Billy rebateu, com aquele brilho travesso nos olhos. — Mas pra você, eu dou o espetáculo de graça.

A roda riu ainda mais. Sue revirou os olhos, mas não conseguiu conter o sorriso.

Jacob estava encostado na parede, braços cruzados e aquela expressão relaxada que ele só usava em momentos assim. Jimmy dormia no colo dele, exausto de tanto brincar com os primos. Quando nossos olhos se encontraram, trocamos um sorriso silencioso.

A ausência de Seth era sentida, claro. Ninguém mencionava, mas todos sabíamos. Ele estava com Clara. Protegendo. Amando. Cumprindo sua missão como lobo… e como homem.

Charlie se aproximou de mim na varanda.

— Você tá bem, querida?

— Tô sim, Charlie — sorri. — Só pensando na vida.

Ele me deu um tapinha no ombro.

— Eu olho pra você e vejo tanto da Bella… o jeito, o brilho no olhar.

Meu peito apertou por dentro, mas mantive o sorriso.

— Ela me ensinou muito.

Ele assentiu e depois se virou para observar Billy discutindo com Embry e Quil sobre quem fazia o melhor churrasco. A cena era tão familiar, tão reconfortante… que por um instante me senti uma garota normal, com uma família barulhenta e um amor tranquilo ao meu lado.

Mais tarde, quando todos já tinham ido embora, o céu começava a escurecer e a brisa fresca da noite balançava as cortinas da janela. Jimmy estava no quarto, entregue ao sono pesado de uma criança feliz. Jacob e eu sentamos na varanda, lado a lado.

— Ele dormiu rápido — Jake comentou, mexendo nos meus dedos.

— Correu o dia inteiro — respondi, com a voz baixa.

Ficamos em silêncio por alguns minutos. Eu o observava de soslaio, o jeito que ele fechava os olhos e respirava fundo, como se ainda absorvesse cada detalhe daquele dia simples.

Então, respirei fundo também.

— Jake?

— Hm?

— Eu preciso te contar uma coisa.

Ele virou o rosto pra mim, atento. Aqueles olhos castanhos, cheios de amor, sempre prontos pra me ouvir.

— Eu... eu fui ao médico semana passada.

Ele franziu levemente a testa.

— Tá tudo bem?

Eu sorri.

— Mais do que bem. Eu tô grávida, Jake.

Os olhos dele se arregalaram por um segundo. O mundo ficou em silêncio.

Depois, aquele sorriso.

Aquele sorriso que parecia iluminar o universo.

— Sério?

— Sério — confirmei, já rindo e com os olhos marejados. — A gente vai ter outro bebê.

Ele me puxou nos braços dele, com tanto cuidado e ao mesmo tempo com tanta emoção que eu senti o coração dele batendo forte contra o meu.

— Obrigado. Por isso. Por tudo. Por esse presente — ele sussurrou no meu ouvido.

— Eu te amo, Jacob.

— E eu amo você. Minha vida inteira.

Ficamos ali, abraçados sob o céu de La Push, ouvindo o som do mar ao longe, com o coração tranquilo… e cheio de esperança de novo.

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Eu estava sentada no tapete da sala com Jimmy no colo, os pezinhos dele brincando com as barrigas dos seus bichinhos de pelúcia favoritos. Ele tinha acordado do cochilo com o cabelo todo bagunçado e uma risada pronta no canto da boca. Era difícil não sorrir só de olhar pra ele.

Jacob saiu da cozinha com uma maçã cortada em pedaços e se sentou ao nosso lado, oferecendo um pedacinho ao pequeno.

— Obrigado, papai! — ele disse, com aquela vozinha arrastada que fazia meu coração derreter.

— De nada, meu baixinho — Jake respondeu, beijando o topo da cabeça dele.

Eu respirei fundo, trocando um olhar rápido com Jacob. Era agora.

— Jimmy… — comecei, ajeitando ele no meu colo — a mamãe e o papai querem te contar uma coisa muito especial.

Ele parou de mastigar por um segundo, curioso, o olhar alternando entre nós dois.

— Cê lembra quando o primo Ethan ganhou uma irmãzinha?

Ele assentiu com a cabeça, já mais interessado.


— Então… a mamãe também vai ganhar um bebê — continuei, sorrindo. — Dentro da barriga da mamãe tem um irmãozinho… ou uma irmãzinha pra você.

Ele olhou imediatamente pra minha barriga, arregalando os olhos como se só agora tivesse notado alguma coisa diferente.

— Um bebê… dentro da barriga?

— Isso mesmo — Jacob confirmou, sorrindo. — Um bebê pequenininho que vai crescer e virar um irmão ou irmã pra você brincar, proteger… e dividir seus brinquedos, né?

Jimmy fez uma cara de dúvida.

— Mas ele vai usar meu dragão?

Eu e Jake rimos juntos, e eu beijei a bochecha dele.

— Só se você deixar — respondi. — Você é o irmão mais velho agora.

Ele pareceu refletir por alguns segundos, depois soltou um suspiro profundo, como se estivesse tomando uma decisão importante.

— Tá bom… mas o dragão dorme comigo.

— Combinado — Jake disse, segurando o riso.

Jimmy então se jogou no meu peito, abraçando a barriga de leve com as mãozinhas pequenas.

— Oi, bebê! Eu sou o Jimmy!

Meu coração se apertou de amor, e eu senti uma lágrima escorrer antes mesmo de perceber.

Jacob me olhou com aquele brilho nos olhos que dizia tudo. A gente já tinha passado por tanta coisa. Agora, ali… com nosso filho deitado sobre mim e falando com o bebê ainda invisível, eu sabia que a paz finalmente tinha encontrado espaço no nosso lar.

Mesmo que por pouco tempo — e mesmo sabendo como a vida sempre surpreendia —, naquele instante, a gente era só felicidade.

E isso bastava.


Meses depois...


O som do monitor preenchia a sala branca com aquele ruído inconfundível do coração do nosso bebê. Rápido, constante. Meu coração batia junto, acelerado de emoção, como se buscasse acompanhar aquele ritmo.


Jacob estava ao meu lado, segurando minha mão com força, mas com um cuidado que só ele tinha. Seus olhos estavam fixos na tela, onde uma imagem borrada começava a tomar forma conforme o gel frio era deslizado sobre minha barriga.

— Aí está… — disse a médica, sorrindo. — O bebê de vocês está crescendo bem. Coração forte, medidas perfeitas.

Meus olhos se encheram de lágrimas, e Jacob apertou minha mão ainda mais.

— Querem saber o sexo?

Eu e Jake trocamos um olhar. A resposta veio sem nem precisar de palavras. Apenas assentimos.

A médica deu um leve zoom na imagem e apontou com o indicador.

— É uma menina.

Por um segundo, o tempo parou. A notícia flutuou no ar antes de nos atingir com força e ternura.

Jacob soltou um riso emocionado, puxando minha mão até os lábios e beijando-a com os olhos marejados.

— Uma menina — ele repetiu, como se dissesse para se convencer. — Nossa filha.

Senti uma onda de calor atravessar meu peito. Uma menina. Irmã do nosso Jimmy. Mais um pedaço de nós no mundo.

— Ela vai ter os olhos do pai — falei baixinho, encostando a cabeça no ombro dele.

— E o sorriso da mãe — ele respondeu com um tom sonhador.

Saímos do consultório horas depois com as fotos em preto e branco nas mãos e um nome já girando nas nossas cabeças, mesmo que ainda não tivéssemos decidido. Jimmy estava em casa com Rachel, e sabíamos que ele daria um jeito de incluir a nova irmã nos seus planos de brincadeiras — e talvez deixasse até o dragão dividir a cama.

Naquela noite, deitada ao lado de Jacob, com a mão sobre minha barriga, fechei os olhos sentindo a vida crescer dentro de mim e o mundo girar mais devagar.

A felicidade estava ali, silenciosa, firme. E agora… com nome e batimentos próprios.

Uma filha.

E a certeza de que o amor… estava só começando de novo.