Sol da meia-noite: Midnight Sun

93 (T-Final-Nessie) Quatro anos


Quatro anos.

É estranho pensar em como tudo passou tão rápido. Em como a vida nos moldou, nos transformou e, ainda assim, manteve firme o que era essencial: o amor, a família, a força que construímos juntos.

Hoje, meu pequeno Jimmy completava sete anos. E ainda que não fosse mais aquele bebê que corria pelado pela casa com um cobertor amarrado nas costas, ele continuava sendo o nosso mundo — o brilho nos olhos do Jacob e meu sol particular.

A festa estava acontecendo no quintal da nossa casa em La Push, cercada por árvores altas e uma leve brisa salgada vinda do mar. Os balões azuis e dourados dançavam ao vento, enfeitados com super-heróis — o tema que Jimmy escolhera esse ano. Havia uma mesa enorme com cupcakes, brigadeiros, cachorros-quentes e o bolo, claro, com três andares e um bonequinho do Jimmy em cima, vestindo uma capa vermelha.

Sarah, nossa pequena de três anos, corria entre as pernas da matilha vestida de princesa — ou guerreira, dependendo da hora do dia. Hoje, era princesa. A saia rodada quase fazia ela tropeçar, mas o sorriso no rosto compensava qualquer tropeço.

— Ei! — ela gritou, puxando o vestido da Leah. — Você viu o Jimmy? Ele tem que cortar o bolo comigo!

Leah riu, pegando Sarah no colo. — Calma, pirralhinha, ele tá lá com o avô Charlie. Aposto que tá mostrando os brinquedos novos.

Charlie estava ali, sorridente como sempre. Nunca soube da verdade. Para ele, Bella havia morrido anos atrás. E ver minha filha, minha vida, correr pelos pés dele… era uma benção e uma dor silenciosa. Mas ele estava feliz. E isso bastava.

Renee e Phil estavam encantados com a decoração. Mamãe, como sempre, se emocionou com tudo, até com os talheres personalizados. Sue e Billy estavam sentados sob a sombra de uma árvore, conversando com Sam e Embry, enquanto Jared tentava — sem sucesso — montar um castelo de caixas com as crianças.

E Jacob… Ah, Jake estava com o sorriso mais largo do mundo. Ajeitando o cabelo rebelde do Jimmy, bagunçando ainda mais, enquanto o guiava até a mesa do bolo.

— Hora dos parabéns! — ele gritou, com a voz grave e cheia de entusiasmo.

Todo mundo se aproximou. Jimmy se colocou na frente do bolo, com Sarah ao lado, segurando a mãozinha dele. Jacob ficou atrás dos dois, me puxando pela cintura para ficarmos todos juntos.

— Prontos? — Perguntei.

— UM, DOIS, TRÊS…

— PARABÉNS PRA VOCÊ…

A música ecoou pelo jardim. Palmas, risadas, flashes de celular. Jimmy cantava junto, alto, mesmo sendo o aniversariante. Sarah batia palmas de forma descompassada, mas o brilho nos olhos dela era de pura admiração pelo irmão.

— … é pique! É pique! É pique, é pique, é pique!

O momento perfeito.

Jimmy soprou as velas. Eu fiz um pedido silencioso. Jake beijou minha testa.

Mas então...

Algo mudou no ar.

Quase imperceptível, mas eu senti primeiro nos olhos atentos da matilha. Jared parou de rir. Sam ergueu o rosto devagar. Leah franziu o cenho.

Quil respirou fundo. — Vocês sentiram isso?

Jacob soltou meu corpo com gentileza, caminhando até a borda do jardim, os ombros tensos.

— Um cheiro de lobo… — ele disse, a voz baixa. — Familiar.

Meu coração deu um pulo.

Sam se levantou num impulso, os olhos vidrados na mata que cercava a casa.

Jimmy ainda ria com Sarah, inocente, sem perceber que o mundo, naquele instante, segurava a respiração.

E então tudo ficou em silêncio.

— Quem está aqui? — Murmurei, mas ninguém respondeu.

Apenas o vento…

E aquele cheiro.

Perfeito, vamos continuar com esse reencontro emocionante, com Renesmee narrando cada detalhe, misturando tensão, surpresa e emoção ao ver sua filha depois de tanto tempo — não mais uma menina, mas uma mulher. Aqui está a continuação:

O tempo parou.

Todos olhavam para o mesmo ponto: a borda da mata, onde as samambaias se agitavam com um leve farfalhar.

Então ele surgiu. Alto, magro, o rosto mais sério do que me lembrava. O cabelo um pouco mais longo, preso de forma desleixada. Estava vestido de maneira impecável, com calças escuras, camisa branca dobrada até os cotovelos e um colete preto ajustado ao corpo. Parecia... um Cullen.

— Seth? — a voz de Leah cortou o silêncio, embargada.

Ela correu na direção dele, os olhos marejados, e o abraçou com força. Ele riu, surpreso, envolvido pelos braços da irmã que não via há anos.

— Você tá vestido… — ela se afastou um pouco e o olhou dos pés à cabeça — como um Cullen! Isso é um crime fashion, sabiam?

Todos riram. Alívio e curiosidade dançavam nos rostos ao redor. Jacob se aproximou, parando a poucos passos de Seth, os braços cruzados.

— Faz tempo, irmão.

Seth assentiu. — Tempo demais.

Meu coração batia acelerado. Eu me aproximei, ainda processando tudo, sentindo a tensão crescer em meu peito.

Se Seth estava ali… então…

— Onde ela está? — perguntei, a voz fraca, quase um sussurro.

Ele olhou para mim com um sorriso contido, e seus olhos brilharam de emoção.

— Eu trouxe uma convidada surpresa.

E foi então… que ela surgiu.

A vegetação se abriu com delicadeza, como se o próprio bosque soubesse que estava prestes a revelar algo sagrado. E lá estava ela.

Uma mulher.

Alta, elegante, vestida com um casaco longo cor de vinho, justo na cintura. Usava botas de couro e um vestido cinza que se movia como seda ao vento. A pele era pálida, perfeita, o rosto maduro e sereno, com olhos âmbar profundos como os de Bella. Os cabelos… longos, ruivos e levemente ondulados, soltos sobre os ombros, reluziam ao sol da tarde.

Meu peito apertou. Meu mundo girou.

— Clara… — sussurrei.

Ela caminhava com leveza, quase como se dançasse, os olhos presos aos meus. E, por um momento, tudo ao redor desapareceu. O som da festa, as crianças, as conversas… só restava ela. Minha filha.

Mas não a minha menina.

Não aquela que corria pelo quintal com um vestido florido e gritava por Seth.

Agora… era uma mulher. E cada passo dela me dizia isso.

Ela parou diante de mim. Sorriu. Aquele mesmo sorriso de quando era pequena… mas agora, com algo a mais. Algo forte, confiante, maduro.

— Oi, mamãe.

Não consegui responder.

Meus olhos encheram de lágrimas e meus braços se abriram por instinto. Ela caiu neles, e eu a abracei como se estivesse há uma vida esperando por aquele momento. Talvez estivesse.

Senti seu perfume, toquei seus cabelos, senti seu coração — e percebi que o dela batia mais devagar… como o de Bella. Como o de Edward.

Ela havia mudado.

Mas ainda era minha.

Jacob chegou ao nosso lado, e ela se virou para ele com um sorriso tímido.

— Oi, pai.

Ele hesitou por um segundo, como se também estivesse tentando encontrar a menina nos olhos da mulher à sua frente. Mas então a puxou para um abraço forte e protetor, do jeito que só Jake sabia dar.

— Você cresceu. — ele murmurou.

Clara riu. — Bastante.

Sarah correu até ela, se escondendo atrás de mim, tímida. Jimmy, de olhos arregalados, observava a cena com curiosidade.

— Essa é… minha irmã? — ele perguntou.

Clara se abaixou e abriu os braços para ele.

— Se você quiser que eu seja, sou sim.

Jimmy correu e pulou no colo dela. E quando Clara o levantou no ar com facilidade, os dois riram juntos.

Ali, naquele instante, tudo pareceu certo de novo. Como se um pedaço do quebra-cabeça finalmente tivesse voltado ao lugar.

Mas, no fundo, eu sabia…

Ela não voltou a mesma.

Ela tinha histórias.

Caminhos.

Segredos.

E eu estava pronta para ouvi-los.

Mas, por ora, só a queria aqui. Comigo.

Com todos nós.

A festa seguiu em meio a risos, abraços e perguntas sem fim. Jimmy corria entre os convidados com Sarah atrás dele, rindo alto. Jacob estava rodeado por Quil, Embry e Jared, enquanto Sue preparava mais bolo na cozinha com a ajuda de Leah e Emily. Tudo parecia um sonho tranquilo... quase.

Mas o ar ficou tenso quando Charlie se aproximou.

Ele caminhava devagar, observando Clara com atenção. Ela tentava parecer natural, conversando com Embry sobre algum lugar que visitou na Suíça, mas seus olhos pousavam em mim com inquietação.


Charlie parou ao lado dela. Estava com uma cerveja na mão, o olhar carregado de uma estranha nostalgia.

— Você me lembra alguém… — ele disse, estudando os traços dela. — É estranho, mas… tem algo no seu jeito. Esses olhos… esse sorriso.

Clara congelou. O riso morreu em seus lábios.

Seth, percebendo, se adiantou com naturalidade e colocou o braço ao redor dela.

— Charlie, essa é a Clara… minha namorada. — disse, com um sorriso largo.

— Ah, namorada? — Charlie levantou as sobrancelhas, surpreso. — Mas você é tão jovem… bom, parece jovem, quero dizer. — ele riu, coçando a cabeça. — Mas agora entendo por que sumiu esses anos todos, moleque.

Clara sorriu de lado, mas havia tristeza nos olhos. Não era só pelo disfarce — era por não poder dizer a verdade. Não poder chamá-lo de avô. Não poder contar que aquela semelhança que Charlie notava... era o reflexo de Bella, sua filha.

— Com licença… — Clara murmurou, e caminhou rapidamente para longe, atravessando a varanda em direção à trilha dos fundos.

Eu quis ir atrás, mas sabia que ela precisava de um momento. E eu também.

A festa seguiu. Os parabéns aconteceram com alegria, Jimmy apagando as velas com Sarah batendo palmas ao lado, a matilha entoando um “uivo” coletivo no final que fez todos rirem. Mas meu coração estava com Clara.

Mais tarde, quando os convidados já haviam ido embora, a casa silenciosa e iluminada apenas pelas luzes suaves do quintal, encontrei Clara sentada no balanço da varanda dos fundos. Jacob estava recostado na coluna, com os braços cruzados, olhando para ela com ternura.


Ao me ver, ele piscou.

— Acho que agora é a vez das mulheres. — Disse, e se afastou.

Me aproximei devagar. Clara ainda estava com o vestido da festa, mas descalça agora, os pés balançando levemente.

— Posso? — Perguntei.

Ela assentiu, e sentei ao lado.

Por alguns segundos, apenas o rangido do balanço nos acompanhou.

— Você cresceu tanto… — murmurei, sem conseguir esconder a emoção.

Ela me olhou com um sorriso suave.

— Quatro anos pra mim é muito tempo, mamãe.

— Eu sei. E doeu. — Respirei fundo. — Eu queria ter te protegido… de tudo.

— Mas você me ensinou a voar. E quando a gente voa… às vezes precisa ir longe. — Ela respondeu, olhando para o céu.

Ficamos em silêncio mais um tempo.

Foi quando Jacob voltou com dois copos de chocolate quente. Deixou-os na mesinha lateral e olhou para Clara de cima a baixo, com um sorriso divertido.

— Acho que agora é você quem vai pegar a mãe no colo, hein? Tá maior que ela!

Eu revirei os olhos. Clara riu alto.

— É, talvez esteja mesmo. — Disse, se levantando e vindo até mim com os braços estendidos. — Vem, mãe. Minha vez de te proteger.

Ela me abraçou com força e me levantou do chão com facilidade, girando levemente. Eu ri contra o pescoço dela, sentindo o perfume que já não era mais infantil, mas ainda assim familiar.

— Tá bom, tá bom! — Protestei entre risos. — Me coloca no chão, menina!

— Desculpa. — Ela disse rindo, mas os olhos brilhavam com emoção.

Quando ela me soltou, seus olhos estavam úmidos.

— Eu queria ter contado tudo ao vovô… — murmurou. — Queria tanto dizer que sou neta dele.

— Eu sei. E um dia… talvez isso seja possível. Mas por enquanto… o amor vai ter que viver escondido um pouco mais. — Acariciei seu rosto. — Mas ele ainda está aqui. Em cada gesto. Em cada sorriso.

Clara assentiu.

— E isso me basta.

Nos sentamos novamente no balanço, os dedos entrelaçados, observando o céu salpicado de estrelas. E, pela primeira vez em muito tempo… senti que meu coração estava inteiro.