Sol da meia-noite: Midnight Sun

87 T- Final- Nessie - Momentos antes de partir


A casa estava mergulhada num silêncio incomum.

Apenas o som leve da respiração de Clara preenchia o quarto enquanto ela dormia, enrolada nos cobertores com os cachos espalhados pelo travesseiro. A claridade suave da lua filtrava-se pela janela, banhando seu rosto com uma luz prateada. Eu a observava em silêncio, sentada na poltrona ao lado da cama, como fazia quando ela era pequena demais para dormir sozinha.

Ao meu lado, Jacob estava de pé, os braços cruzados sobre o peito largo, os olhos fixos nela com aquele olhar protetor que ele sempre teve.

— Parece um anjo — ele murmurou, com um meio sorriso cansado.

— Parece mesmo… — sussurrei, apertando meus dedos no tecido da manta que repousava sobre minhas pernas.

Meu peito ainda doía. Como se um peso imenso estivesse cravado entre as costelas. Eu sabia que ela precisava ir. Que precisava entender aquela parte dela que eu nunca poderia oferecer. Mas saber não tornava mais fácil aceitar.

— Acha que ela vai ficar bem? — Perguntei, virando o rosto na direção dele.

Jacob soltou um suspiro e se agachou ao meu lado, colocando uma mão quente sobre meu joelho.

— Eu acho que ela foi criada por uma mulher corajosa. Forte. E cheia de amor. Ela tem tudo o que precisa pra encontrar o caminho… e pra voltar também.

Fechei os olhos por um momento, lutando contra a lágrima que teimava em escapar.

— E se ela não voltar, Jake?

— Ela vai voltar, Ness. — Ele me puxou suavemente pela mão, me fazendo levantar da poltrona. Seus braços me envolveram com força. — Você é o lar dela. Isso nunca muda.

Eu me aninhei contra o peito dele, escutando o som firme de seu coração. Ficamos assim por longos minutos, apenas existindo ali. Nós dois... tentando não desabar.

Jacob afastou-se um pouco e pegou minha mão, entrelaçando os dedos nos meus.

— Vem. Vamos pro nosso quarto.

Assenti em silêncio. Mas antes de sair, me inclinei sobre a cama e beijei a testa de Clara.

— Boa noite, minha menina. Seja onde for, leva meu amor com você.

Ela se remexeu um pouquinho, os lábios se curvando num sorriso leve.

De mãos dadas com Jacob, saí do quarto. Ele fechou a porta devagar, e seguimos até o nosso.

Quando paramos diante da cama, ele se virou para mim. Seus olhos diziam tudo o que não precisávamos falar em voz alta.

— Eu tô aqui — ele disse, baixinho. — Sempre estarei.

Aproximei-me e o beijei. Lenta e profundamente. Não era um beijo de paixão urgente. Era um beijo de certeza. De entrega. De consolo.

— Eu sei, Jake. — Sussurrei contra seus lábios. — E eu sou grata por isso todos os dias, eu te amo.

Ele sorriu, as mãos dele subiram por meus braços até encontrarem as alças da minha camisola deslizando o fio fino de cetim por meus ombros e seus lábios buscaram novamente pelos meus em um beijo cheio de desejo, passei as mãos por sua nuca e senti meu corpo sendo erguido e colocando sobre nossa cama — Meu lugar favorito é aqui — Ele sussurrou antes de entrar dentro de mim.

— Ah...Jake...Eu gemi o sentindo entre minhas paredes, rápido, forte, intenso.

— Minha gostosa...ele rosnou acelerando seus movimentos, minhas pernas envolveram a cintura ele e minhas unhas cravaram em suas costas me entregando ao prazer que ele me proporcionava, eu precisava daquilo, precisava ser dele e esquecer da dor da perda nem que fosse por alguns minutos.

— Sua...sussurrei contendo meu gemido para não acordar das crianças e senti se derramar dentro de mim.

Jacob me olhou nos olhos ainda dentro de mim e acariciei seu rosto suado, ele deitou ao meu lado com o calor dele envolvendo o meu corpo como um casulo.

Naquela noite, antes do dia que levaria minha filha para longe, eu adormeci nos braços do meu lobo. Onde, mesmo em pedaços, ainda havia amor suficiente para me manter inteira.

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Perfeito! Vamos continuar com a narrativa do ponto de vista da Renesmee, explorando esse momento delicado de transição, mas também destacando o carinho da família e os laços que continuam sendo cultivados — mesmo em meio à incerteza.

Os dias passaram com uma suavidade quase enganosa. Clara havia pedido três dias para ficar conosco antes da viagem, e embora seu pedido tenha me emocionado profundamente, uma parte de mim não conseguia deixar de observar cada gesto, cada olhar, como se precisasse guardar tudo em um baú de memórias.

Ela não foi ver Bella e Edward nesse tempo.

Talvez porque soubesse que, para mim, esse gesto significava muito.

E Jacob... bem, ele também estava quieto demais.

Naquela manhã, eu o encontrei sentado na varanda dos fundos, com os cotovelos apoiados nos joelhos e os olhos perdidos no horizonte. O cheiro de terra úmida e madeira invadia o ar, misturado com o perfume suave das flores do jardim. Me aproximei devagar e sentei ao lado dele.

— Jake? — Chamei com suavidade.

— Hm?

— Você tá distante. — Toquei sua mão. — O que tá passando aí dentro?

Ele olhou para mim, os olhos castanhos sérios demais.

— Seth não se transformou nos últimos dois dias. E isso não é normal. Algo tá errado.

Meu estômago se revirou.

— Você acha que ele sabe de alguma coisa?

— Eu sei que sabe. — Jake passou a mão pelos cabelos curtos, frustrado. — Ele tá evitando a matilha. E se ele não quer que a gente saiba, é porque envolve Clara. E isso me preocupa.

— O imprinting?

— Ele nunca faria nada pra magoá-la. Mas... pode estar protegendo alguém. Ou algo. — Jake apertou minha mão. — Eu prometo que vou descobrir, Nessie. Mas agora, eu só quero aproveitar esses dias com ela. Com a nossa família.

Assenti em silêncio.

E foi exatamente isso que fizemos naquele dia.

Jacob passou a manhã arrumando uma cesta de piquenique, com frutas, sucos e até marshmallows, que Clara insistiu em trazer "só se a gente for fazer fogueira no fim do dia". Jimmy correu pela casa usando uma capa feita com um pano de prato azul e gritando “Super Jimmy ao resgate!”, enquanto Clara ria tanto que mal conseguia respirar.

— Ei, herói! — Clara chamou, ajoelhando-se para ficar na altura dele. — Você vai me proteger dos dragões?


Jimmy parou em frente a ela com toda a seriedade de seus dois aninhos, ajeitou a capa nos ombros e disse:

— Eu dou soco nos dragão! — e fez um punho desajeitado, batendo no ar.

— Isso mesmo, meu amor! — eu disse, rindo, abraçando os dois. — Meu guerreirinho.

Jacob apareceu logo depois, com a cesta de piquenique e um cobertor pendurado no ombro.

— Tá tudo pronto. E o Super Jimmy vai na minha garupa? — perguntou, abaixando-se.

— Sim! — Jimmy correu e pulou nas costas dele, aos risos.

Passamos o dia no bosque atrás de casa. Clara subiu em árvores com Jacob, ajudou Jimmy a colher flores para mim e se deitou no meu colo enquanto contava histórias inventadas de fadas que podiam voar até a lua.

À tarde, enquanto o sol começava a baixar e o céu tingia-se de dourado, fizemos uma pequena fogueira.

Clara pegou um marshmallow, enfiou num graveto e virou-se para mim:

— Mamãe... se eu prometer que volto... você promete que não vai chorar?

Engoli em seco e acariciei seus cabelos.

— Eu não prometo não chorar... mas prometo que vou esperar você. Todos os dias.

Ela me abraçou forte, e Jacob nos envolveu com os braços.

— E eu prometo — ele disse, beijando o topo da cabeça dela — que, onde quer que você esteja, se precisar de mim, vou correr até você.

Jimmy, em sua inocência, gritou:

— Eu vou também!

E nós rimos, juntos, como uma família. Porque éramos uma.

Mesmo que as próximas horas nos separassem por um tempo, aquela noite... ela foi só nossa.



Clara ajeitava os pequenos sapatinhos de Jimmy dentro da mala dela. Ele estava dormindo no bercinho, abraçado ao seu bichinho de pelúcia, e mesmo assim ela fazia questão de organizar tudo como se ele também fosse embarcar.

— Mamãe? — Disse, com um sorrisinho leve — Posso levar a blusa vermelha do papai? Ela é tão confortável...

— Claro, querida — respondi, forçando um sorriso. — Ele vai gostar disso.

Mas meu peito estava apertado.

Jacob saiu há minutos, e tudo dentro de mim dizia que ele estava indo atrás de Seth. E que não seria uma conversa tranquila.

Beijei o topo da cabeça de Clara e disse:

— Cuide do seu irmão, tá bem? Mamãe já volta.

Ela me olhou com olhos grandes, preocupados.

— Ele tá bem?

— Ele só precisa de respostas. E às vezes... os lobos têm uma maneira intensa de consegui-las.

Ela assentiu devagar, sentando ao lado do bercinho. Meu coração apertou com a imagem.

Corri pela trilha, deixando a casa para trás. A brisa trouxe o cheiro das matilhas reunidas antes que eu visse qualquer coisa. E então, entre as árvores, a clareira surgiu como uma pintura viva e tensa.

Os lobos em círculo.

Jacob. Seth.


Movendo-se, um em frente ao outro. O ar vibrava de tensão.

Meus olhos se arregalaram.

Eles estavam prestes a lutar.

E ali, entre rosnados e olhares silenciados, entre irmãos de sangue e instinto... a verdade estava prestes a vir à tona.