Sol da meia-noite: Midnight Sun
79 ( T- Final- Nessie) Desconfianças( Parte2)
Entrei no quarto, tentando ignorar o peso estranho no peito. Fechei a porta e fui direto para o banheiro, querendo me livrar daquela sensação. Tirei a roupa devagar, deixando as peças caírem no chão, e entrei debaixo do chuveiro.
A água quente escorria pelo meu corpo, mas minha mente continuava presa à cena que eu havia visto. Jacob e Maggie... Eu sabia que não fazia sentido desconfiar dele. Jacob jamais seria infiel, não só por causa do imprinting, mas porque eu conhecia o homem que ele era. Ele me amava com uma intensidade que eu sentia a cada olhar, a cada gesto.
Ainda assim, aquele toque... aquele momento...
Meus pensamentos foram interrompidos ao sentir braços fortes envolvendo minha cintura por trás. O calor familiar do corpo de Jacob pressionado contra o meu me fez abrir os olhos.
— Acabei de chegar e preciso de um banho — ele murmurou perto do meu ouvido, sua voz rouca carregada de um carinho que só ele conseguia transmitir.
Sorri, deixando escapar um suspiro enquanto apoiava as mãos sobre as dele. — Acho que além de um banho precisa descansar depois de um dia cheio de trabalho.
— Descansar? — ele riu baixinho, pressionando um beijo na curva do meu pescoço. — Você me conhece, Ness, tudo o que preciso está bem aqui diante de mim.
Virei levemente o rosto para olhá-lo, e nossos olhos se encontraram. Jacob tinha aquele jeito de olhar que fazia o mundo ao nosso redor desaparecer.
— Jake, eu... — comecei, mas ele me interrompeu, colocando um dedo sob meu queixo para me virar completamente para ele.
— Ei, o que foi? — ele perguntou, franzindo levemente a testa. — Você tá tensa.
— Só... coisas da faculdade, eu acho — menti, tentando afastar a lembrança de Maggie. Não queria trazer aquilo para o momento que estávamos compartilhando.
Ele me estudou por um momento, claramente não acreditando totalmente, mas decidiu não pressionar. Em vez disso, inclinou-se e encostou a testa na minha, enquanto suas mãos subiam devagar pelas minhas costas.
— Você estuda demais — ele disse suavemente. — E se preocupa demais.
— Alguém precisa manter essa casa em ordem — brinquei, tentando aliviar o clima.
— Essa casa só funciona porque você tá aqui — respondeu ele, sua voz cheia de verdade. — E eu também.
Meu coração se apertou com o peso de suas palavras, e senti as lágrimas se acumularem, mas não deixei que caíssem.
— Jake... — murmurei, passando os braços ao redor de seu pescoço. — Eu te amo tanto.
Ele sorriu, aquele sorriso que sempre conseguia me desarmar, e inclinou-se para me beijar, um beijo lento e cheio de carinho.
— Eu também te amo, Ness. Mais do que você imagina.
Deixei meu corpo relaxar contra o dele, sentindo o calor de Jacob e a água do chuveiro que continuava a nos envolver. Por um momento, deixei os pensamentos ruins irem embora, me permitindo focar apenas nele, no homem que era meu porto seguro, meu amor, minha vida.
Os lábios de Jake buscaram os meus em um beijo e as mãos dele acariciava meus seios, eu suspirei com os lábios presos entre os dele enquanto era empurrada contra a parede do banheiro. As mãos dele deslizaram até meu bumbum me puxando para seu colo, prendi as pernas em volta de sua cintura e gemi ao senti-lo dentro de mim.
— Jake! Eu gemi o sentindo entrar e sair de uma forma prazerosa de dentro de mim.
Estávamos deitados na cama, os lençóis bagunçados ao nosso redor. Jacob tinha um braço ao redor da minha cintura, sua mão deslizando distraidamente pelas minhas costas, enquanto eu apoiava a cabeça em seu peito, ouvindo o ritmo constante de seu coração. A sensação de conforto me ajudava a afastar os pensamentos ruins, mesmo que fosse temporário.
— Seattle foi produtiva hoje — Jacob começou, quebrando o silêncio. Sua voz era baixa e tranquila, ressoando contra mim. — Entregamos três pedidos de carros customizados, incluindo aquele Mustang que o cara queria com o interior todo vermelho. Quase tive que negociar um rim para encontrar os bancos certos.
Sorri, imaginando-o lidando com as demandas exageradas dos clientes. — Aposto que ficou incrível. Você sempre supera as expectativas.
— Só faço o que amo. Não é trabalho quando você gosta do que faz.
— Então por que você sempre chega exausto? — brinquei, inclinando o rosto para olhá-lo.
Ele riu, um som grave que fez meu coração se aquecer. — Porque além de chefe, sou motorista, técnico e terapeuta de cliente. Isso cansa.
Dei uma risada suave e estiquei a mão para traçar os contornos de sua mandíbula. — Bem, seu dia foi cheio, mas sabe o que me deixou com mais dor de cabeça?
— O que?
Suspirei e deitei de volta contra o peito dele. — Mais um falso positivo no teste de hoje.
Jacob ficou em silêncio por um segundo antes de soltar uma gargalhada curta. — Você tá tentando me dizer que eu vou ser pai de novo e não tem coragem?
Eu o acertei de leve no peito, rindo também. — Para com isso, Jake! Não é engraçado.
— Claro que é — ele disse, beijando o topo da minha cabeça. — Ness, relaxa. Esses testes têm vontade própria. Não é como se eles fossem mais confiáveis que um lobo farejando.
Balancei a cabeça, rindo apesar de mim mesma. Era exatamente o tipo de comentário que ele faria para me fazer rir. — Você tem o talento de transformar qualquer coisa num momento engraçado.
— Faz parte do meu charme.
Por um instante, o quarto ficou em silêncio, apenas nossos risos ecoando. Decidi ignorar a cena que havia visto mais cedo. Não queria estragar o momento que estávamos compartilhando. Jacob era meu porto seguro, e eu confiava nele.
— Sabe o que a gente devia fazer no sábado? — ele perguntou, depois de um tempo.
— O que?
— Decorar a casa para o Natal. Clara vai amar. E Jimmy... bom, ele provavelmente vai querer comer os enfeites, mas vai ser divertido.
Ri novamente, imaginando o pequeno Jimmy tentando pegar as luzes piscantes. — Parece uma ótima ideia. Acho que precisamos de um pouco de espírito natalino aqui.
— Então é um plano — ele disse, apertando-me mais contra ele. — Vai ser o melhor Natal que já tivemos.
— Contanto que estejamos juntos, vai ser.
E era verdade. Por mais que dúvidas e preocupações viessem à minha mente, sabia que nada no mundo podia substituir o amor e a vida que havíamos construído.
Acordei e, ao esticar a mão, percebi que o espaço ao meu lado estava vazio. Jacob não estava na cama. Ainda sonolenta, sentei-me, puxando o lençol para me cobrir. A chuva batia suavemente contra a janela, um som constante e reconfortante, tão típico de La Push. Levantei-me, enrolando o tecido ao meu redor, e fui até a janela. O céu estava cinza, pesado, como se refletisse meus pensamentos.
Caminhei pela casa, meus pés descalços fazendo pouco barulho no chão de madeira. O silêncio era interrompido apenas pelo som da chuva lá fora. Fui até o quarto das crianças. Clara estava aninhada em suas cobertas, o rosto tranquilo, como se estivesse sonhando. No quarto ao lado, Jimmy dormia em sua posição favorita: de barriga para cima, os braços esticados para cima como um pequeno super-herói em repouso.
Não quis acordá-los. Eram momentos como esses que me faziam sorrir, vendo o quanto eles pareciam seguros e felizes em nossa casa. Mas algo me inquietava. Voltei para a sala, olhando ao redor, procurando qualquer sinal de Jacob. Sua caminhonete não estava estacionada, e ele não havia deixado nenhum bilhete.
— Para onde será que ele foi? — sussurrei para mim mesma, franzindo a testa.
Jacob não era de sair sem avisar. Isso não era comum. Puxei o lençol mais apertado ao meu redor, sentindo um calafrio, mas não sabia dizer se era por causa da chuva ou de algo mais profundo.
Minha mente tentou racionalizar. Talvez ele tivesse saído para comprar algo ou resolver um problema no trabalho. Ainda assim, algo não parecia certo. Tentei afastar as dúvidas, mas elas pairavam como as nuvens lá fora, prontas para desabar.
Decidi preparar um café enquanto esperava. O silêncio da casa parecia mais pesado do que nunca.
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