Soft Heart

11 Capítulo Especial de Natal


Notas iniciais
Eu sei, eu sei. Não é natal ainda, mas poderia ser. Estou tão contente com todo o amor que vocês estão me enviando que resolvi adiantar a postagem, até porque a pessoa que sofre de ansiedade aqui já tinha terminado o capítulo na quinta-feira passada. SE VOCÊS GOSTAREM, vou continuar com os especiais, faço um pro Ano Novo, pra Páscoa, quando me der na telha. MAAAAS, só se vocês curtirem. Me deixem saber. A história base dela vai ser sempre a mesma e a postagem deles nunca vai interferir no segmento da história normal, ok? Nos vemos lá embaixo. ♥

— UNIVERSO ALTERNATIVO —



Beth acordou incrivelmente animada naquela manhã. Era véspera de natal e em sua parede brilhavam dezenas de pequenas luzes, imitando o formato de uma grande estrela. Ela reuniu todas as forças para criar coragem de levantar-se da cama e sair debaixo das cobertas, mas preferiu ignorar todo o conforto e saltar dela em um pulo.

Ela encarou a singela caixa sobre o criado-mudo e mediu mais algumas vezes se deveria mesmo entregar aquilo a ele. Suas bochechas ruborizaram apenas pela imagem que se formou em sua mente.

Trocando seu pijama por uma roupa casual, Beth rumou para o banheiro e escovou seus dentes, jogando um pouco de água no rosto. Calçando suas pantufas ela desceu para a cozinha, encontrando seus pais no local.

— Bom dia, Beth — seu pai a cumprimentou com um beijo na testa em um abraço. Ele estava se parecendo muito com o Papai Noel para o seu gosto. Uma roupa vermelha faria um trabalho incrível em sua aparência, mas ela preferiu não comentar.

— Seu tio Rick e seus primos virão para ceia — a mãe da garota anunciou ao juntar-se a eles na mesa.

— E Michonne também? — Beth questionou ansiosa.

— Claro que sim, desde quanto aqueles dois conseguem se desgrudar? — Maggie zombou ao entrar na cozinha acompanhada de seu noivo Glenn.

A Greene mais nova sorriu para o cunhado que simplesmente acenou. Era incrível como as coisas aconteceram entre os dois. Em um momento, Maggie era um espírito indomável, jurando que seria solteira até que se tornasse uma veterinária bem sucedida; em outro, um entregador de pizza coreano tinha virado o centro de seu universo. Beth adorava o cunhado, ele era calmo e amável, o contraponto perfeito para a inquietude da irmã.

A única coisa que a entristecia naquele momento era a ausência de Shawn, mas Beth entendia a importância dos estudos do irmão e apenas torcia para que ele estivesse presente ao menos para o Ano Novo.

Terminando de comer suas panquecas, Beth levantou-se da mesa, calçando suas botas e pegando seu casaco grosso que estava no cabideiro ao lado da porta.

— Aonde pensa que vai, mocinha? — Hershel gritou da cozinha.

— Vou ver os cavalos — ela respondeu prontamente.

— Os cavalos ou o cavaleiro? — Glenn sorriu ao cutucar Maggie, e Beth agradeceu a Deus por seu pai não ter dado atenção a ele.

Batendo a porta atrás de si, Beth marchou pela neve em direção ao estábulo. Seu rosto ardia pelo frio e ela tinha certeza de que suas bochechas estariam vermelhas e queimadas mesmo sem ter que olhar-se no espelho.

Ela deu duas batidinhas na parede velha de madeira antes de finalmente entrar no estábulo. Daryl estava lá, alto e forte como sempre. Beth pode jurar que por um pequeno momento as costas dele enrijeceram.

— Ei, loira — ele cumprimentou, ainda sem virar-se para ela.

— Como você sabia que era eu? — a garota sorriu largamente antes de sentar-se em um monte de feno.

— Quem mais bate na parede de um estábulo antes de entrar? Não é como se você estivesse invadindo a casa de alguém — o homem resmungou enquanto continuava a escovar o pelo escuro da égua.

— Você me pegou — ela sorriu ainda mais, mesmo que ele não pudesse de fato lhe ver.

Daryl Dixon não era uma pessoa de muitas palavras, nem mesmo um homem fácil de conviver, porém, para Beth, aquele caipira tinha um significado especial. Ele trabalhava na fazenda desde que ela se entendia por gente, sempre estando presente por ali. Não era de longe alguém notável, mas ela sabia que debaixo de toda aquela carranca batia um enorme coração.

Não, ela não sabia; ela tinha certeza. Certeza o suficiente pela forma com que Daryl preocupou-se com ela no dia em que Beth caiu do cavalo e desmaiou. Aquele dia aparecia em pequenos flashs em sua memória, intercalando cenas em que via o rosto dele torcido em uma careta estranha de preocupação e a voz rouca dele chamando por seu pai, pedindo ajuda.

Ela havia acordado no hospital com uma tremenda dor de cabeça e com a perna direita engessada. No criado mudo ao lado da cama do hospital havia algumas flores do campo que não combinavam entre si dentro de um copo e um bilhete escrito "vê se melhora logo, loira. D.D", em uma caligrafia torta.

Desde aquele dia, Daryl havia passado de ninguém para alguém estupidamente-importante para ela. Na verdade, era muito mais do que isso. Beth nutria uma paixão boba e platônica por aquele homem.

— Você sabe que horas são? — ele perguntou, finalmente virando seus olhos incrivelmente azuis para ela.

— Nove e quinze — ela respondeu após olhar em seu relógio. — Por que?

— Muito cedo para ficar aqui ao meu redor me importunando.

— Eu sei que você me quer aqui, senhor Dixon.

— Você não sabe de nada, baixinha — ele rosnou.

— O que eu sei é que você fez com que Maggie saísse daqui em menos de dois minutos quando você queria que ela o deixasse em paz. No fundo, acho que você é apaixonado por mim — Beth respondeu risonha, antes de lhe dar a língua e rumar para fora dali.

Daryl permaneceu um minuto inteiro parado encarando a porta, certificando-se de que Beth realmente já havia ido embora. Aquela garota não sabia o quanto estava certa.

Ele trabalhava na fazenda desde os dezesseis anos, quando seu irmão mais velho fora preso e as contas começaram a aparecer uma em cima da outra. Hershel havia sido paciente com sua rebeldia, ensinando a ele tudo que Daryl sabia sobre cavalos. Tinha visto Beth nascer e crescer naquele lugar, o que tornava tudo ainda mais estupidamente difícil.

Sempre fora encantado com aquela menina alegre, seu total oposto. Amorosa e falante, a Greene tinha o cercado por todos os lados com sua inocência e seus olhos grandes e azuis. Ele não sabia dizer ao certo quando foi que deixou de vê-la como criança e passou a enxergá-la mulher, só conseguia pensar que aquilo havia simplesmente acontecido.

Beth tinha literalmente menos da metade de sua idade, Hershel o mataria apenas por sonhar com as coisas que se passavam pela mente do Dixon. Além do mais, Beth jamais o veria como um homem. Ela sempre esteve ao seu redor com sua doçura infantil, mas ele sabia que Beth era gentil e falante com qualquer criatura viva daquela fazenda.

Quando acabou percebendo isso, o tratamento dele em relação a Beth passou a mudar terrivelmente. Ele gostaria de ter as palavras certas para lidar com ela, mas tudo o que ele sabia fazer era ser um completo caipira mal educado e ríspido. O fato era que a Greene o deixava tão sem jeito que Daryl não sabia como reagir ao certo. Fora criado abaixo de surras constantes e palavrões, então tudo o que sabia sobre modos vinha dali.

Daryl sabia que um dia Beth se cansaria de suas grosserias e se afastaria, e ele simplesmente não sabia se estava preparado para lidar com aquilo.

— Você já o convidou, pai? — Beth perguntou ao acaso, ajudando sua mãe a distribuir os pratos sobre a mesa.

— Sim, Beth. Nos últimos vinte e sete anos, para ser mais exato — Hershel respondeu à filha com um sorriso, depositando os copos na pia.

— Eu não entendo a sua insistência, Beth. Daryl nunca gostou desse tipo de reuniões de família — a mãe de Beth disse mansamente.

— Eu não gosto de pensar que alguém tenha que passar o Natal sozinho — a Greene mais jovem emendou envergonhada.

— Talvez esse ano seja diferente, sempre temos a possibilidade de um milagre de Natal — Maggie sorriu para irmã, entrando na cozinha com algumas sacolas de supermercado.

— É, é — Beth concordou prontamente.

Maggie era rápida e esperta, já vinha há tempos desconfiando do amor platônico da irmã, mas era muito boa em guardar segredos. Beth já tinha confidenciado seus sentimentos à ela anteriormente quando fora confrontada pela mais velha e desde então Maggie tem sido compreensiva com a situação. No começo ela acreditava que o que Beth sentia era uma paixão passageira, mas quando os anos foram passando, acabou percebendo que era um sentimento mais forte que a prendia ao cuidador de cavalos.

A Greene mais velha preferiu não contar nada ao pai, Maggie sabia como Hershel era super protetor com a caçula, apesar de Beth ter dezenove anos e não ser mais nenhuma criança.

A buzina de carro interrompeu os pensamentos da garota e conversas animadas logo preencheram o ar. Beth correu para a varanda para receber seu tio Rick e a noiva Michonne. Sua prima Judith pulou do carro animada e Carl logo auxiliou a garotinha. Do veículo que estacionou atrás, sua tia Carol acenou alegremente, seguida por Sophia.

Beth adorava ter a casa cheia, mas de todos os convidados sua preferida era a pequena Judith. A mãe da menina havia morrido no parto e a loira tinha passado alguns meses cuidando da bebê na casa do tio até que as coisas normalizarem para Rick.

— Ei, Carl — Beth cumprimentou o adolescente. — Você precisa parar de crescer, já está enorme!

— Quando é que você vai começar a crescer, heim? — ele brincou enquanto entregava a irmãzinha nos braços da Greene.

Judith se remexeu impaciente apertando as bochechas de Beth.

Dinda Beeeeth! — ela gritou em seu vocabulário atrapalhado. Com apenas três anos ela já era muito esperta.

Logo as pessoas começaram a se acomodar na grande casa e Beth decidiu que era hora de começar a se arrumar.

Subindo a escada dois degraus de cada vez, ela abriu seu roupeiro e encarou as roupas pela primeira vez desanimada. Como se pudesse ler seus pensamentos, alguém bateu à porta.

— Entre — ela respondeu enquanto sentava-se na beira da cama.

— Eu pensei que estivesse precisando da minha ajuda — Maggie disse ao entrar no quarto com sua maleta de apetrechos e depositar uma grande caixa branca na cama de Beth. — É pra você.

Beth ergueu curiosamente a tampa e encontrou um vestido preto cuidadosamente disposto ali. Ele não possuía nenhum tipo de detalhes, mas parecia muito mais adulto do que as roupas que a garota costumava usar. Ele era de mangas curtas, contudo, contrariando o frio do lado de fora, o aquecedor fazia um bom trabalho, tornando toda a casa mais quente e confortável.

— Você não precisava, Maggie.

— Sim, eu precisava. Se você quer que ele te note como mulher, precisa se vestir como uma.

— Mags… Você sabe que isso é bobagem. Daryl não vai vir. Ele nunca vem — Beth respondeu tristonha, tirando o vestido da caixa e colocando na frente de seu corpo.

— Você precisa parar com esse chororô. Se você continuar com isso, nunca vai conseguir o que quer. A Beth que eu conheço sempre foi a pessoa mais esperançosa da família. Deixe de ser boba, entra logo nesse vestido e solte o cabelo, tenho um horário pra você na minha agenda.

Beth sabia que estava encrencada, Maggie não a deixaria sair dali antes que estivesse maquiada e com um belo penteado. Já havia passado por isso algumas vezes e era praticamente impossível domar o furacão Maggie.

Mais de uma hora se passou sem que a loira pudesse se levantar daquela cadeira ou mesmo se olhar no espelho. A menor não era apegada a tantos detalhes, gostava mesmo era da praticidade de seu rabo de cavalo e o par de botas de couro que seu pai tinha lhe dado de presente há alguns anos.

Quando finalmente levantou seu corpo dormente e pode abrir os olhos, Beth ficou admirada com o reflexo que lhe encarava de volta no espelho. Maggie havia feito alguns cachos em seu cabelo loiro e mesmo que a maquiagem fosse leve e delicada, pela primeira vez ela sentiu-se mulher.

Sem palavras para agradecer a irmã, tudo que ela pode fazer fora lhe presentear com um abraço apertado.

— Minha vez! — Maggie anunciou antes de soltar-se de Beth. — Volto já!

Beth sentou-se novamente na cama e pegou a pequena caixa vermelha de cima de seu criado mudo. Ela esperava de coração que Daryl gostasse do presente. Era a primeira vez que a Greene havia comprado algo para ele, então, simplesmente não sabia que tipo de reação deveria esperar.

Em questão de trinta minutos Maggie reapareceu, usando um vestido vermelho incrível. Maggie ficaria bem em qualquer coisa, para falar a verdade. Com seus olhos verdes e cabelos escuros, ela ficaria linda mesmo que estivesse vestindo um saco de batatas.

— Vamos lá? — a morena estendeu a mão para Beth.

Daryl segurou a maçaneta da porta e logo soltou. Era no mínimo a quinta vez que o homem repetia aquele gesto. O pequeno embrulho cutucava em seu bolso. Há algumas horas encontrava-se preso naquele dilema.

Talvez apenas naquele dia o Dixon pudesse deixar de ser tão teimoso. Era Natal, e Beth era muito importante para que mais um ano se passasse sem que ela soubesse.

Daryl tinha escutado ao acaso uma conversa entre os pais da garota. Hershel pensava em mandá-la para Atlanta com Maggie para que Beth começasse a faculdade. O tempo estava passando e cada vez mais a loira escapava entre seus dedos mesmo sem pertencer a ele.

Agarrando-se à sua própria teimosia, Daryl finalmente abriu a porta de sua casa e caminhou em direção à varanda iluminada dos Greene.

— Me desculpe, Beth, mas eu acho que ele não vem. Vamos deitar — ele ouviu Maggie dizer quando chegou à casa dela.

— Sim, eu sei. Eu já vou — Beth soou muito mais desanimada do que o habitual e aquilo fez com que a coragem do Dixon finalmente o empurrasse em direção à porta.

Ele sabia que todos os outros dormiam, mas precisava falar com Beth. Daryl não se perdoaria por fazê-la sofrer. Depois de bater duas vezes na porta, se perguntou se realmente era uma boa ideia.

— Daryl?! — Beth atendeu a porta parecendo perplexa. — Pensei que não fosse vir.

— Mas eu vim, não é? — ele respondeu rapidamente, amaldiçoando-se por ter sido novamente tão ríspido. — Posso entrar? — ele emendou em um tom mais baixo.

Beth acenou e lhe cedeu passagem, acompanhando-o até a sala. Os olhos da garota pareciam úmidos e a maquiagem levemente manchada.

— Você estava chorando? — Daryl perguntou, sentindo-se culpado.

— Não, eu só… — ela limpou a garganta, tentando impedir mais lágrimas de descerem por seu rosto.

Daryl tinha visto Beth chorar em raríssimas ocasiões. Geralmente a menina disfarçava os olhos molhados e forçava um sorriso nos lábios, exatamente como fazia naquele momento.

— Tenho algo para você — Beth continuou, puxando uma caixinha vermelha que repousava sobre a mesa de centro e entregando para ele. — Abra — ela insistiu quando viu que Daryl parecia sem jeito.

— Um relógio? — ele arqueou a sobrancelha, retirando o objeto dourado do embrulho.

— É, é. Em todos esses anos percebi que você gosta muito de horas — ela riu. — É hora de parar de me importunar, hora de ir pra casa, muito cedo para estar tão animada... — Beth fez uma péssima imitação da voz dele.

Ele coçou a cabeça desconcertado, um riso anasalado escapando sem permissão.

— Eu… bem… — Daryl gaguejou nervosamente. — Toma — ele tirou o pacote do bolso e esticou o embrulho amassado em direção a Beth.

Ela franziu a testa e esboçou aquela reação curiosa que Daryl tanto gostava enquanto desfazia o laço e retirava o colar dali.

Os olhos azuis da garota brilharam sobre a fraca luz da lareira enquanto ela encarava o delicado cavalo prateado pendurado em uma gargantilha de fita cor-de-rosa.

— Não precisava ter gastado seu dinheiro comigo, Daryl — ela respondeu baixinho com um sorriso que mal cabia em seu rosto.

Daryl não pode evitar de sorrir também, evitando respondê-la com algum comentário irônico.

— Pode colocá-lo em mim?

— Eu não acho que vá combinar com o seu vestido fino.

— Eu não me importo.

Beth virou-se de costas para Daryl, erguendo seus cachos loiros e deixando a pele alva da nuca à mostra.

Se ela fizesse a menor ideia de quanto Daryl a desejava naquele momento…

— Você está… diferente — ele murmurou enquanto unia as pontas da fita e finalizava o laço, prendendo-o ao redor do pescoço de Beth.

O Dixon percebeu que era muito mais fácil dizer as coisas à ela quando não precisava encarar seu rosto.

— Em que sentido? — ela respondeu, tentando virar-se.

— Não! — ele disparou, segurando os ombros miúdos da menina e mantendo-a de costas. — É mais fácil assim.

Beth sentiu seu corpo todo ferver com o simples toque das mãos de Daryl. Ele estava agindo de uma forma diferente do habitual naquela noite, parecia mais… pessoal. Ela só não queria que aquilo acabasse, então manteve-se o mais quieta que pôde.

— Tudo bem — a voz da garota falhou de um jeito estranho.

— Bonita, Beth. Você está bonita — Daryl sussurrou atrás dela e Beth se perguntou se aquilo era mesmo real. — Eu quero fazer uma coisa, Beth, e se você não quiser, não me deixe continuar...

A voz do homem ia morrendo aos poucos, como se lhe custasse muito expor aquelas palavras. O corpo de Beth tremia e seus ouvidos zuniam em antecipação.

Aos poucos, o frio que sentia em sua nuca fora substituído por lábios quentes que lhe tocavam ali. Sua barba por fazer causava arrepios e as mãos de Daryl desceram lentamente pelos ombros de Beth, pousando em sua cintura. O toque era tão suave em sua pele que a loira jamais poderia imaginar que eram mesmo as mãos de Daryl que lhe acariciavam.

O coração de Beth batia tão rápido que seu peito doía. Suas pernas pareciam leves como plumas e, por Deus, ela não queria que ele parasse.

— Daryl, por favor, não pare — ela pediu, não em tom erótico e, sim, porque sentia que poderia até mesmo morrer no momento em que ele parasse.

Lentamente, Beth virou-se de frente para ele, ansiando por tocá-lo também. Ela tinha medo de que as outras pessoas da casa acordassem e os flagrasse naquele momento, mas nem mesmo isso a fez parar. Os olhos azul-marinho de Daryl queimavam nos seus em uma intensidade que ela jamais havia visto. Pondo-se nas pontas dos pés, Beth finalmente terminou com o espaço que os separava, unindo seus lábios aos dele.

Um gemido rouco escapou dos lábios do Dixon e ele finalmente se rendeu à ela. As mãos pequenas da Greene infiltraram-se com vontade em seus cabelos, ao passo que Daryl segurava o quadril dela, trazendo-a para perto. Se ele não se controlasse, acabaria por tomá-la ali mesmo, naquele tapete.

Quando os dedos de Beth avançaram trêmulos para os botões de sua camisa, um breve lampejo de consciência fez com que ele a parasse.

— Beth — ele chamou, mas ela não o respondeu. — Beth, não aqui.

Ela pareceu acordar de um transe profundo, quando finalmente fitou-o.

— Na sua casa — ela miou. A voz dela parecia embargada com algo que Daryl definiu como excitação.

Daryl acenou brevemente com a cabeça. Se parasse com aquilo, mesmo que por um minuto, sabia que sua coragem sumiria. O clima lá fora era frio e a neve cobria o chão em uma camada fina, então ele não pensou duas vezes antes de tirar sua jaqueta e envolvê-la sobre o corpo de Beth.

Nenhum dos dois disse sequer uma palavra enquanto caminhavam em direção à casa do Dixon que ficava a menos de cem metros da casa principal.

Daryl sabia o que aquilo tudo significava. Sim, aquilo significava uma noite de sexo com Beth Greene. Era mesmo isso que ela queria? O desejo queimava em seu próprio corpo e ele sabia que Beth havia reagido do mesmo jeito à suas carícias, mas ela era especial para ele, não queria que tudo se resumisse àquilo.

As mãos dele suavam quando finalmente tocou a maçaneta. Não era como se Daryl nunca tivesse transado antes, mas agora era diferente, era Beth, a garota que esteve em todas as suas fantasias nos últimos anos.

Beth estava agitada e ansiosa quando tomou a mão de Daryl e deixou que ele a conduzisse até o quarto. As luzes estavam apagadas e ela sequer se importou com fato de não estar vendo nada.

A cortina do quarto do Dixon estava aberta e o recinto era suavemente iluminado pelas luzes quentes que decoravam a casa dos Greene. O silêncio reinava entre os dois e ela sentiu que simplesmente não tinha ideia do que faria em seguida.

Daryl não queria que Beth estivesse assustada ou nervosa, então, aproximou-se dela e com o maior cuidado que tinha ergueu o rosto da garota fazendo com que ela encarasse seus olhos antes que ele avançasse sobre seus lábios.

Ela tinha um gosto terrivelmente doce e seu beijo era inexperiente, porém intenso. Daryl esteve naquela fazenda por praticamente toda a vida daquela garota, o suficiente para saber que ela não teve nada além de um namorado adolescente, vigiado pelos olhos de águia de Hershel.

Devagar Daryl a conduziu para cama, deitando-se sobre ela. Os olhos de Beth estavam fechados e seu quadril se elevava instintivamente em direção ao dele. Ele escorregou o casaco que ela usava pra fora dos braços dela, mas não entendia muito de vestidos, muito menos havia prestando atenção em onde o zíper daquele se encontrava, então apenas deslizou as mãos para a barra dele, levantando-o aos poucos. Beth abriu seus olhos e o encarou profundamente. Os olhos dela refletiam desejo, o puro reflexo dos seus.

Finalmente a pele de Beth estava totalmente exposta para ele. Uma lingerie branca e rendada cobria muito mal os seios pequenos da garota.

— Você tem certeza? — Daryl questionou ao inclinar-se sobre o corpo dela.

— Por favor — ela resmungou manhosamente, envolvendo suas pernas em torno do quadril de Daryl.

Todo o corpo de Beth queimava, fervia e implorava por aquilo. Era a primeira vez que estava tão exposta para alguém, mas ela o amava. Sim, amava, por mais que tentasse se convencer do contrário.

Quando as mãos do homem tocaram seus seios sobre a renda do sutiã, ela sentiu que a consciência poderia deixar seu corpo a qualquer momento. Sua mente estava nublada, extasiada com a sensação dos primeiros toques masculinos que seu corpo recebia.

Ela arqueou as costas para que Daryl pudesse ter acesso ao fecho do seu sutiã que logo fora arremessado em algum canto do quarto. Seu corpo reagia a cada respiração descompassada que vinha dele. Daryl a desejava e aquilo era o suficiente para deixá-la nas nuvens.

Os lábios dele atacaram um de seus seios, sugando-o com voracidade e um gemido manhoso e arrastado saiu da boca de Beth sem permissão.

— Daryl, por favor — ela implorou, inclinando o corpo em direção a ele, ansiando por mais contato.

Ela levou as mãos às botões da camisa dele e dessa vez ele permitiu que ela continuasse. Suas mãos trêmulas demoraram a terminar, mas ela sentia como se precisasse aproveitar cada segundo. Beth suspirou quando finalmente viu o peito desnudo de Daryl. Todo o trabalho pesado que ele fazia era refletido nos músculos bem distribuídos e não exagerados.

Ela não pôde resistir a vontade de tocá-lo e sentiu-se incrível quando ele fechou os olhos, aproveitando o seu toque.

Beth fechou os olhos timidamente quando ele levantou-se para se livrar das botas e do restante da roupa que utilizava. Ela sentiu as mãos dele percorrendo sua canela, desfazendo as tiras que prendiam sua sandália.

Finalmente tudo o que restou da roupa de Beth fora sua calcinha, que segundos depois já havia sido escorregada para fora de suas pernas.

Seu coração batia tão rápido que ecoava em seus ouvidos, respirar parecia uma tarefa terrivelmente difícil. Por uma fração de segundo ela pode ouvir a voz de Maggie em sua cabeça. “Só vai doer se você estiver nervosa. Você vai precisar relaxar, se não estiver pronta, vai ser horrível. Esteja pronta”. Quando ouviu aquilo pela primeira vez, Beth tinha apenas dezesseis e havia feito uma careta para a irmã, desprezando o conselho. Aquilo nunca parecera tão útil para ela.

Quando o calor do íntimo dele tocou o seu, ela concentrou-se na sua respiração, deixando que ele deslizasse lentamente em seu interior. A primeira pontada de dor cutucou seu ventre, fazendo com que seu corpo se retesasse e ela reagiu mordendo o ombro de Daryl, tentando evitar um gemido.

— Você é… — Daryl murmurou arrastadamente, enterrando o rosto nos cabelos dela.

— Sim, Daryl… Eu nunca… — ela resmungou chorosa, não queria estragar tudo. — Não pare, tudo bem. Não está doendo — Beth sussurrou timidamente quando finalmente acostumou-se àquela situação.

Realmente estava pronta, sempre esteve pronta para Daryl. O que Maggie disse enfim tornou-se verdade quando ele começou a mover-se com cuidado. Era incrível estar tão conectada a ele.

Daryl lembrava-se a cada segundo que precisava ir devagar. Beth era virgem, é claro. Mas seu desejo queimava com tanta intensidade que era praticamente impossível se controlar. Quando os primeiros gemidos de Beth finalmente atingiram seus ouvidos foi surreal.

Aos poucos ele fora aumentando o ritmo dos movimentos, o quadril dela se chocava contra o dele e Daryl sabia que ela finalmente estava se rendendo àquilo. O rosto dela estava enterrado em seu ombro, vez ou outra mordendo-o ali. Beth era sua perdição.

— Daryl… — ela murmurou de olhos fechados, sua boca muito próxima ao ouvido dele.

Ele sentia o íntimo dela contraindo-se ao seu redor, sabia que ela havia chegado ao ápice. Tudo fora tão rápido, tão intenso que ele apenas pode continuar investindo contra o corpo dela. Não demorou até que finalmente se rendesse ao clímax também.

Daryl repousou seu corpo esgotado sobre o dela, enterrando seu rosto da curva do pescoço da garota. Ela tinha um cheiro de baunilha e flores do campo que agora era ainda mais intenso em seu corpo suado.

A mão dela subiu pela costas desnudas do Dixon, causando-o um arrepio, antes de finalmente pousar em seu cabelo, acariciando-o.

— Eu te amo, Daryl — ela sussurrou sob a respiração ainda ofegante.

Ele levantou o rosto para vê-la. Os cabelos dourados estavam espalhados pelo travesseiro, o brilho do suor em seu rosto, seus lábios avermelhados e convidativos. Então, sem poder dizer em palavras o que sentia, ele simplesmente beijou-a. Calma, suave e profundamente. Daryl não precisava respondê-la. O que Beth significava para ele ia muito além daquela frase.

Notas finais
Gostaram da surpresa? *-* ♥