Soft Heart
12 Capítulo X
Notas iniciais
Beth observou a grande pilha de pedras mais uma vez, depositando uma cruz improvisada com alguns gravetos no alto dela. Ela tinha encontrado uma fotografia antiga do pai e posicionou o porta-retratos ali.
Várias outras pessoas importantes estavam ali também e ela sentiu uma saudade enorme do tempo em que todos estavam vivos, mesmo de Jimmy. Ela definitivamente não havia sido apaixonada por ele, mas Beth pensou que jamais encontraria outro garoto depois que aquela doença se espalhou. Ele era atencioso e seu pai gostava dele, entretanto, beijá-lo não despertava nenhum tipo de reação especial em Beth.
Perder pessoas agora era algo corriqueiro, mas ela sabia que por mais que tentasse seguir em frente, parte dela havia partido junto em cada uma das vezes.
Já havia voltado atrás sobre sua promessa de não chorar mais; era algo que ela fazia muito mais do que de costume nos últimos meses. Estava tão cansada...
Ela só queria que seu pai estivesse ali, ele saberia o que dizer. Era quase como se ela pudesse vê-lo, sentado ao seu lado com a bíblia na mão e um dos braços entorno dos seus ombros. "O plano de Deus é perfeito, minha menina", ele diria e, então, pediria para que ela cantasse uma das canções do coral da igreja que ele tanto gostava.
Mas aquilo não aconteceria. Ele sequer estava ali sob aquela pilha de pedras. Seu corpo foi abandonado ao relento na prisão. Se ela soubesse... se ela sequer cogitasse... Ele partiu seu um adeus e aquilo era doloroso demais. Justo ela, que sempre odiou dizer adeus, via-se arrependia por não tê-lo feito.
Aquele lugar era um cemitério. Sua mãe, Shawn, Otis, Sophia, Patrícia, Jimmy, Dale e agora seu pai. No começo pensava que tudo o que o grupo de Rick havia trazido consigo era morte, mas agora podia ver que o mundo se resumia simplesmente a isso.
Cansada até mesmo para chorar, Beth sentou-se no chão, entre a lápide improvisada de seu pai e sua mãe. Ela abraçou os joelhos e orou, pedindo para que, de onde quer que eles estivessem, cuidassem dela.
Ela não queria pensar sobre a noite anterior, mas Daryl não saía de seus pensamentos. Inconscientemente levou a mão aos seus lábios, como se ainda pudesse sentir o calor e o gosto. Ironicamente, a pessoa mais quebrada e escura que ela conhecia havia se tornado sua luz no fim do túnel.
Sentia-se horrível apenas por pensar na forma como tudo havia acabado. Ela não queria lembrar daquele homem sujo que havia lhe atacado, mas quando fechou os olhos e sentiu as mãos de Daryl aproximando-se de seu íntimo fora como se tudo voltasse à tona. O pavor que sentiu naquele dia foi como um balde água fria. Quando abriu os olhos novamente e pode ver que no local daquele homem estava Daryl, tudo o que pode fazer foi chorar.
Daryl estava observando Beth por um longo tempo antes de finalmente resolver se aproximar. Ela estava sentada no chão, as lágrimas correndo em seu rosto incontrolavelmente, as mãos apertando o peito como se aquilo pudesse aplacar a dor que sentia. Ele conhecia aquela expressão, tinha visto diversas vezes durante as noites em que passaram juntos após a queda da prisão. Ela sempre fazia aquilo quando pensava que Daryl não podia vê-la.
Havia pesado sua decisão por centenas de vezes antes de parar ali, mas Maggie tinha razão; tinha sido um inferno perdê-la, como se toda e qualquer esperança estivesse escapado como água entre seus dedos. Agora ela estava ali e ele precisava parar de agir como se não se importasse, porque sim, ele tinha toda a certeza do mundo que se importava com ela.
O medo ainda estava lá. Daryl estava cansado de perder pessoas e podia ver que ela também. Ele não queria que Beth fosse apenas mais uma lembrança como todos os outros que partiram antes dela. Ela era o único fio de esperança que mantinha o arqueiro de pé, não aceitaria perde-la de novo, não aceitaria não tê-la de novo.
Marchando a passos largos ele torceu para que Beth não estivesse com raiva dele. A expressão de seu rosto naquela noite ainda estava fixa em sua mente. Era como se ele pudesse vê-la se quebrar em diversos pedaços, bem ali, na sua frente.
— Ei — ele resmungou sem jeito, pegando uma pedra e depositando sobre a lápide improvisada.
— Oi — ela respondeu enquanto tentava disfarçar as lágrimas, limpando-as com as mãos.
Ele pigarreou, tentando arranjar algo para dizer a ela, mas acabou sentando-se ao seu lado, quieto como sempre.
— Achei que você fosse gostar — Daryl disse finalmente, chamando a atenção de Beth que olhou curiosamente para o objeto que ele lhe estendia.
— É muito gentil de sua parte — Beth respondeu, mas não havia muita emoção em sua face quando ela finalmente pegou o toca-fitas.
— Droga, Beth! — Daryl respondeu irritado e finalmente Beth esboçou algum tipo de reação. — Eu sei que eu fui a porra de um idiota na noite passada, mas isso é quem eu sou. Um caipira de merda sem jeito pra nada! Mas, droga! Eu não quero perder você! Era isso que você queria? Que eu fizesse a merda de uma declaração? Eu me importo com você, me importo mais com você do que comigo e isso é um inferno de coisa que nunca me aconteceu.
Beth simplesmente não soube como reagir naquela situação, mas uma crise de risos aguda lhe atingiu. Ele nunca havia dito uma frase tão grande e aquilo realmente fora algo inesperado e surpreendente. Um Daryl carrancudo e irritado bufou, chutando uma pedrinha para longe.
— Que bom que te divirto — ele resmungou ajeitando a besta nas costas.
— Me beije, Daryl — ela pediu e ele a encarou sem entender. — Por favor.
Daryl acabaria por fazer aquilo de qualquer forma. Já havia tomado sua decisão antes de voltar para a fazenda dos Greene. Não deixaria Beth escapar novamente, havia se tornado dependente dela de um jeito que não podia explicar, mas não queria mais perder tempo pensando.
Em um impulso impensado, lançou-se em direção a Beth, fazendo com que os dois acabassem deitados na grama. A boca dele procurou desesperadamente pela dela, sugando seus lábios vorazmente. Beth gemeu abaixo de si, segurando suas costas com força, como se temesse que ele se afastasse. Mal sabia ela que esse era um perigo nulo.
— Seja minha garota, Beth — Daryl separou seus lábios e rosnou ao pé do ouvido da garota. Ele sentiu que se não fizesse algo a respeito, tudo voltaria a ser como antes assim que os dois levantassem.
— Você está me pedindo em namoro? — ela sorriu, segurando o rosto de Daryl para que ele a encarasse.
Ele não se importava com a droga do nome que Beth queria dar aquilo, somente queria exatamente o que havia dito: que ela fosse sua.
— Sim, Daryl — ela murmurou antes de beijá-lo novamente.
Dessa vez Beth manteve seus olhos bem abertos quando as mãos de Daryl desceram por seu quadril, fazendo com que ela arqueasse o corpo em direção a ele. Ela desejava com todas as forças que ele não parasse daquela vez.
Por um momento Beth não entendeu o porquê de os lábios de Daryl se afastarem dos seus, mas acompanhou ansiosamente o movimento de sua mão direita que lentamente desceu a alça do vestido que ela usava, deixando seu sutiã à mostra. Os lábios dele trilharam um caminho perigoso entre o maxilar dela e vão entre seus seios. Um gemido vergonhoso escapou dos lábios da loira.
O dia estava claro e o sol estava a pino, qualquer um poderia flagrá-los ali, o que fez com que Beth se remexesse nervosamente.
— Daryl... — ela sussurrou bobamente. — Não aqui...
Daryl recuperou um fio de coerência quando Beth chamou por seu nome, mas simplesmente não queria parar.
— Alguém pode nos ver — ela insistiu.
— Dane-se — ele desdenhou, infiltrando sua mão sob o sutiã rendado que ela usava.
Aquilo era a perdição para ele. Havia a desejado noite após noite, mesmo que inconscientemente, agora nada poderia impedi-lo de tomá-la para si.
— Mas Daryl, eu nunca… — ela balbuciou e Daryl parou bruscamente, levantando o rosto para olhá-la.
Era claro que Beth era virgem. Hershel sempre a cercava por todos os lados, mesmo depois do apocalipse quando ela arrumou um namoradinho na prisão. Ele não entendia muito sobre garotas, mas conhecia o suficiente para saber que a primeira vez era algo especial e até doloroso. Ele nunca havia se importado com aquilo, afinal, sua primeira transa fora com quatorze anos. Merle pagou uma prostituta para ele. Presente de aniversário, havia dito.
Daryl não queria assustá-la como havia feito na noite anterior, agora que estavam juntos poderiam ter outras oportunidades. Juntos, a palavra brincou em sua mente, fazendo Daryl sorrir.
— O que é tão engraçado? — Beth perguntou em um tom irritadiço.
Daryl apenas riu um pouco mais, negando com a cabeça para lhe indicar que não era nada. Aos poucos suas respirações foram normalizando, o coração tomando seu ritmo normal.
Ele levantou-se de cima dela e agora que podia pensar com mais clareza, realmente não era uma boa ideia estarem tão expostos, ao ar livre. Daryl percebeu que não gostava nenhum pouco da ideia de outro homem do grupo contemplando o corpo de Beth.
Ela continuou deitada por mais um momento. A íris azul-piscina grudada na sua, os cabelos dourados espalhados pela grama de um jeito engraçado e sexy. Era a primeira vez que ele a via de vestido e cabelos soltos.
— Vem cá — ele estendeu a mão na direção da loira, ajudando-a para que levantasse.
O tornozelo dela já parecia melhor, mas Daryl acreditava que ainda estava longe de ser curado.
— Nós devemos contar aos outros? — Beth perguntou. Os olhos faiscavam de curiosidade.
— Ninguém tem nada a ver com a minha vida.
— Eles são nossa família, Daryl.
Ele ponderou por um momento, sabendo que ela estava certa, então apenas acenou em positivo com a cabeça.
— Vamos deixar que eles descubram sozinhos — ela emendou ao puxar a mão dele para sua, entrelaçando seus dedos no exato momento em que Rick aproximava-se dali.
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