Soft Heart

10 Capítulo IX


Notas iniciais
Eu disse que postaria um capítulo maior para compensar, e sou uma moça de palavra! Heuehajyeuja Não sei se vocês vão me amar ou me odiar, mas espero de coração que seja a primeira opção. ❤ Preparem seus coraçõezinhos, vai rolar um capítulo especial de natal em Universo Alternativo. É um presente por vocês serem tão amáveis comigo. Não esqueci de responder os comentários, viu? Mas estou postando pelo celular no trabalho, então, assim que chegar em casa respondo todos. Boa leitura! ❤

— Eu acho que gosto dele — Beth confidenciou, sentando-se na terra e encarando os olhos da irmã.

— Como? — Maggie devolveu curiosa, sentando-se no chão ao lado de Beth.

— O que?

— Daryl é um cara atraente — a mais velha respondeu.

— Não dessa forma — a loira ruborizou. — Bem, sim e não. Eu não sei. Não só por isso. Ela faz com que eu me sinta… bem.

— Oh.

— Não me venha com “oh” — Beth resmungou.

— É só que… Bem, eu não esperava ver minha irmãzinha apaixonada por um cara tão mais velho. Quer dizer, as garotas da faculdade gostavam disso, mas era muito mais pelo lado excitante da coisa.

Beth sentiu suas bochechas ferverem. Ela nunca havia conversado sobre essas coisas com Maggie. Bem, nem com Maggie ou qualquer outra pessoa na verdade. Ela gostava de Daryl, mas pensar nesse tipo de coisa a deixava terrivelmente constrangida. Maggie, pelo contrário, parecia totalmente à vontade com o assunto.

— Caras dessa idade não esperam só beijinhos e andar de mãos dadas. Eles querem sexo.

— Chega! Chega, Maggie — Beth choramingou. — Eu realmente não quero falar sobre isso.

— E por que não?

— Porque isso não quer dizer nada, Maggie. Estar ou não estar apaixonada pelo Daryl não muda nada. Não muda o fato dele me ver como uma garotinha fraca, como a irmãzinha chata que precisa ser carregada como um peso para todos os lados! Não é como se eu fosse me declarar ou algo assim. Não é como se fôssemos nos casar e ter um bebê!

Maggie observou atônita enquanto Beth esbravejava. Era claro que ela não tinha a menor consciência de seu corpo de mulher, ou mesmo do quanto havia amadurecido. Beth sequer fazia ideia de quanto o Dixon se preocupava com ela e realmente tinha certeza de que ele não a via como uma irmã. Ela não sabia o quanto o arqueiro tinha sofrido quando Beth quase fora abusada, mas Maggie sentiu que seria intrometido demais da sua parte dizer isso a ela.

Portanto, quando Beth levantou-se tropegamente, Maggie permaneceu imóvel, observando-a se afastar.

Daryl continuou parado por longos minutos escorado no estábulo. Ele ainda estava tentando digerir o que tinha ouvido. Beth Greene havia dito com todas as letras para Maggie que estava apaixonada por ele, e agora ele se sentia um maldito idiota por simplesmente não saber o que fazer quanto a isso.

Ele não era o tipo de cara que costumava corresponder às expectativas das garotas. Na verdade, as mulheres com quem esteve nunca esperaram nada dele além de drogas, cigarros, bebidas ou sexo. Ele tinha plena consciência de que nada disso estava na lista de desejos de Beth, sequer sabia se isso significava algo.

A cada maldito dia ao lado daquela menina ele sentia-se mais e mais atraído por ela e agora que sabia que Beth gostava dele, mesmo que ele não merecesse, ele sentia uma estranha obrigação de tomar alguma providência sobre aquilo.

Contudo, o que ele faria? Diria a ela que ouviu sua conversa com Maggie? Não era como se ele fosse pedi-la em namoro. Tudo aquilo estava fora de cogitação. Sua cabeça parecia a ponto de explodir, seu coração pulava freneticamente em seu peito. Era como se cada segundo pensando sobre aquilo estivesse o deixando maluco.

Irritado com tudo aquilo, Daryl enfiou a mão no bolso da calça, pescando mais um cigarro e acendendo-o com seu isqueiro. O arqueiro nunca havia estado em uma situação como aquela. Sempre fora um homem instintivo, agindo por impulso, sem se importar com as consequências. Merle costumava o chamar de mole, mas Daryl sabia que nunca teve muito jeito com sentimentos. Beth era importante. Ele não queria fazê-la sofrer ou mesmo decepcioná-la.

Incomoda com a quantidade de tempo que estava gastando com toda aquela baboseira, jogou o cigarro no chão e o esmagou com a bota, apagando as cinzas.

A noite já estava totalmente escura e Daryl simplesmente não havia pregado o olho. Ninguém estava de ronda e uma mesa velha bloqueava a porta. Algumas latas presas em uma linha cruzavam a varanda e aquilo era mais do que suficiente para a segurança de um local tão afastado da cidade. Apesar de tudo, aquele era o fato que menos atrapalhava o sono do caipira.

O som dos soluços de Beth ecoava em seus ouvidos. Isso havia se tornado corriqueiro, mas não menos incômodo, desde aquela noite em Shirewilt. Ele não sabia dizer se ela estava acordada ou tendo pesadelos, só que aquilo o deixava desesperado por fazer com que ela parasse.

Muito tempo depois aquilo cessou, mas ainda não era dia. Daryl pode ouvir os passos, mesmo que a pessoa estivesse bastante empenhada em não denunciar sua chegada. Quando uma Beth sonolenta apareceu em seu campo de visão com seus olhos azuis lacrimejantes e uma camisola cor-de-rosa abarrotada, ele sentiu uma vontade quase sobrenatural de protegê-la.

Ela simplesmente sentou-se ao lado dele e pousou sua cabeça sobre os joelhos. Ele não sabia se ela estava totalmente acordada, ou mesmo consciente do que estava fazendo. A forma como os joelhos dela estavam dobrados deixava muito da pele alva das coxas dela aparente, fazendo com que seus instintos masculinos se agitassem em seu interior. Daryl tentou com todas as suas forças não dar atenção aquilo, lembrando que definitivamente não era o tipo de reação que Beth esperaria dele.

Tomando um fôlego de coragem, ele esticou seu braço sobre os ombros miúdos da garota, puxando-a para perto. Ele sentiu a respiração dela parar e continuar apressadamente em seguida quando ela aconchegou o rosto em seu peito. Ele sentia-se terrivelmente exposto com ela tão perto de seu coração que batia em um ritmo vergonhosamente rápido.

— Estou tão cansada, Daryl — ela choramingou.

— Durma — ele murmurou, sentindo-se estúpido por não ter nada melhor para dizer.

Ela afastou o rosto de seu peito e o encarou de um jeito tão profundo que talvez ela pudesse enxergar cada imperfeição de sua alma. Daryl a observou por um longo tempo antes que se desse conta de que seus rostos estavam mais próximos a cada instante. Antes que pudesse esboçar qualquer reação coerente, os lábios da Greene colaram-se fortemente aos seus.

Com um gemido de rendição, Daryl segurou firme na cintura de Beth, puxando-a para seu colo, de frente para si. Todas as vezes em que havia tentado fugir daquilo pareciam não importar. Beth tinha um gosto doce como o inferno e a forma como ela inclinava todo o corpo em direção a ele estava o deixando louco.

As mãos de Daryl escorregaram instintivamente para a pele macia das pernas da garota e ele não soube dizer o quanto daquilo era real. Mesmo que antes não soubesse, agora tinha certeza de que estar com Beth daquela forma era tudo o que ele mais ansiava.

O urgente roçar de lábios transformou-se em um beijo profundo e suave quando finalmente a língua de Beth tocou a dele. Ele não queria estragar tudo. Não queria que justo ela o visse como o cara bruto que ele definitivamente era. Não ela.

Da forma mais suave que sua excitação permitia, Daryl ergueu-se aos poucos depositando-a no chão, subindo sobre seu corpo pequeno. Suas mãos ansiavam para tocá-la, deslizando para o local entre suas pernas. Então tudo aconteceu rápido demais.

O corpo de Beth endureceu prontamente e os olhos azuis irromperam em lágrimas grossas.

— Droga, Beth — Daryl rosnou, mas não era com ela que estava irritado, e sim, consigo mesmo.

— Eu sinto muito — ela chorou.

Ele não soube o que dizer, então apenas jogou-se ao lado dela e puxou-a para seus braços, de forma que ela não pudesse ver seu rosto. Era óbvio que Beth reagiria assim. Depois de ser quase violada era natural que ela estivesse apavorada com qualquer tipo de contato tão íntimo. Ele quis chutar-se por ter sido tão imbecil a ponto de avançar sobre ela daquela forma.

— Eu estou com medo — ela sussurrou contra seu peito.

— Isso não vai acontecer de novo, Beth.

A garota desvencilhou-se dele e desajeitadamente se pôs de pé, encarando-o.

— Não vai acontecer de novo? — Beth resmungou baixinho, seu rosto formando uma expressão esquisita.

Daryl permaneceu estático quando a garota virou as costas para ele e saiu, esbarrando parcialmente em Maggie que adentrava a sala.

Não vai acontecer de novo, Beth. As palavras de Daryl continuavam a ecoar em sua cabeça, cutucando seu peito de uma forma dolorosa. Ela sabia que era mentira. Sabia que ele se escondia naquela fachada de durão e coração de gelo, mas Daryl também estava interessado nela. Talvez não da mesma forma, porém seu corpo havia reagido ao dela, disso Beth tinha certeza.

Ela não queria acreditar que podia estar enganada sobre ele o tempo todo. Se não tivesse sido tão fraca, talvez tivesse sua primeira noite com Daryl.

Talvez, talvez, talvez. Droga. Ela tinha demorado tanto tempo para voltar a quebrar a barreira que ele havia colocado em torno de si e agora simplesmente tinha arruinado tudo.

— Eu não vi nada — Maggie disparou rapidamente, levantando as mãos como se estivesse rendendo-se.

— Hm — Daryl bufou fingindo desinteresse. — Eu só estava preocupada com Beth. Vi que ela não estava no quarto, então imaginei que ela estivesse aqui.

O arqueiro definitivamente não queria ouvir as desculpas de Maggie, tudo o que conseguia pensar era em como havia feito uma merda enorme.

— Ok, eu vi — Maggie emendou quando o Dixon lhe deu as costas. — Ela gosta de você, Daryl. Espero que não seja um idiota com ela.

Daryl virou-se apenas quando teve certeza de que a Greene mais velha havia deixado a sala. Seus ombros pareciam pesados e duros, e ele tinha certeza de que nada tinha a ver com seu cansaço físico.

O dia já estava claro quando a casa começou a ficar movimentada. Daryl arrastou-se até a cozinha, dando de cara com Carol mexendo em algumas panelas.

— Você não vai acreditar, as galinhas ainda estão pondo ovos — ela disse sem se virar para o caipira.

— Elas comem qualquer coisa que der a elas, mas acho que elas sobreviveram bem com as verduras da horta — Maggie juntou-se a eles e Daryl não teve coragem de encará-la.

Aos poucos todos estavam acomodados na mesa, comendo as panquecas que Carol havia feito. Daryl engoliu a refeição sem sequer sentir o gosto, notando a ausência de Beth.

Carol lhe lançou um olhar questionador, mas ele não estava com a menor vontade de responder perguntas.

— Daryl — Rick chamou antes que ele se retirasse. — Nós vamos às propriedades vizinhas procurar por material para reforçar a cerca.

Ele apenas acenou com a cabeça, entendendo o comunicado de Rick como um convite.

O trajeto de picape espremido entre Eugene e Abraham não fora necessariamente o melhor passeio de Daryl e ele apenas torcia para que aquilo acabasse logo.

Maggie indicava os caminhos para Rick e eles logo chegaram à fazenda mais próxima.

O local em si não tinha nada de muito interessante, era totalmente igual à qualquer outra fazenda da Geórgia, seguindo o padrão de casa de madeira, celeiro, estábulo e plantação de alguns tipos de verdura que agora cresciam desordenadamente.

— Podemos aproveitar as cercas de arame farpado e a madeira do celeiro — Abraham chamou a atenção do grupo.

— Não sei se conseguiremos levar tudo em uma única viagem — Rick constatou.

— E talvez não precisemos — Maggie gritou mais a frente, abrindo as portas do celeiro e revelando uma robusta picape vermelha.

— Como você… — Abraham começou espantado.

— Sabia? — Maggie interrompeu. — Eles eram nossos vizinhos mais próximos — ela concluiu nostalgicamente.

— Abraham, Eugene, quero que me ajudem com as cercas — o xerife instruiu — Maggie, Daryl, quero que procurem por algo útil dentro da casa.

Após alguns acenos breves, cada um seguiu por seu caminho.

A porta da frente estava destrancada, o que não era de fato uma supresa para nenhum dos dois. Não como se as pessoas se preocupassem com isso quando o mundo foi para o buraco. A sala era muito parecida com a dos Greene, com exceção dos retratos espalhados aqui ou ali. Daryl reconheceu Maggie em uma das fotografias, abraçada à algumas garotas desconhecidas para ele.

Seguindo em direção aos quartos, entrou na primeira porta aberta que encontrou. Parecia um quarto de menina a julgar pela roupa de cama cor-de-rosa e os pôsteres de garotos espalhados pelas paredes.

Havia um toca-fitas jogado displicentemente sobre um dos criados mudos e Daryl prontamente lembrou-se de Beth.

— Eu acho que ela vai gostar — Maggie chamou a atenção dele às suas costas.

— O que? — ele tentou disfarçar, mexendo em uma das gavetas.

— Você não precisa fingir o tempo todo. Nenhum de vocês.

— Você não sabe de nada, garota — Daryl respondeu enquanto a encarava.

— Não, Daryl. Você que não sabe de nada. Eu vi como você ficou quando aquilo aconteceu em Shirewilt. Eu vi a forma como você reagiu quando perdeu a Beth e achou que não a veria mais. Eu vi, Daryl. Eu vi você chorar pelos cantos quando achava que ninguém estava olhando. Eu vi o ciúmes que você tem do Noah. Se isso não é gostar de alguém, então Glenn e eu não deveríamos ter nos casado.

Daryl continuou encarando Maggie sem conseguir sequer articular uma boa resposta. Ele sabia que ela estava estupidamente certa.

— Você não sabe se vai estar vivo amanhã. Nem eu. Nem a Beth. Se eu fosse você, pararia de perder tempo. Beth é uma garota doce e amorosa e eu não vou deixar que você a machuque. Portanto, se você não vai fazê-la feliz, por favor, não a iluda.

Maggie deixou-o sozinho no quarto e Daryl sentiu-se pressionado com tudo aquilo. Ter Beth em seus braços fora a melhor coisa da sua vida e ter quase a perdido por duas vezes fora sem sombra de dúvidas a pior. Ele não queria mais ter que fugir daquilo, do calor e da paz que só ela lhe transmitia no meio daquele mundo de merda.

Tendo tomado sua decisão, Daryl esticou sua mão até o toca-fitas e colocou-o em seu bolso.

Notas finais
Ansiosas para o especial? Beijão! ❤