Sobrevivência
3 Dias 4 e 5
Notas iniciais
Noite e dia 4
Resolvi escrever essa noite já que as aranhas já estão mortas e assando nas fogueiras dos porcos, que por sinal são boas para assar várias coisas como sementes, pássaros, carne de coelho e outras coisas.
Os porcos me deram um mapa da região para caso eu quisesse explorar em busca de recursos para a minha Máquina de Alquimia. Para construí-la serão necessários quatro tábuas de madeira, dois tijolos de pedra e o pior: sei pepitas de ouro. Se você ainda não entendeu como serão usados estes materiais eu vou explicar, mas se entendeu pule esta parte.
As tábuas são para a estrutura, os tijolos de pedra serão colocados um no interior para apoiar a estrutura de ouro e o outro descascado e colado na estrutura de madeira apenas para enfeitar, por fim vem o ouro que será depositado dentro da máquina e servirá como combustível para a transmutação. Se você não sabe o que é transmutação, não leia essa parte, mas se você está lendo isso quer dizer que você já leu a explicação... Não importa.
Ainda é noite e vou sair por aí coletando recursos e explorando o local, com a ajuda de uma tocha é claro. A primeira coisa a fazer é pegar madeira, o que é um pequeno problema já que os porcos usaram muita madeira para fazer a vila e tudo que há nela. Falando nisso, eu me lembro de ter ouvido histórias de que um monstro disfarçado de árvore ataca os lenhadores solitários quando vão devastar as florestas, mas é pura imaginação de quem não tem o que fazer, eu espero...
Aqui estou em uma floresta, tenho que tomar cuidado para não incinerá-la com a minha tocha, me lembro de quando estava no mundo “normal” que vi uma floresta pegando fogo, não foi legal. Já posso riscar a madeira da minha lista. Agora tenho que achar pedra.
Acho que sou burro ou desatento porque do lado da vila tinham várias pedras espalhadas pelo chão e alguns rochedos á céu aberto, o que é estranho. Agora estou longe pra caramba da vila, e ainda nenhuma pedra. Algumas horas depois achei um punhado de tocas de coelho, era a hora perfeita para testar uma armadilha que tinha feito durante a noite das aranhas, era para capturar aranhas, mas como ficou meio pequeno decidi usar para capturar coelhos. Se não funcionar acho que vou pela ignorância de tentar tacar uma lança que os porcos me deram para combater as aranhas.
A armadilha funciona melhor do que eu pensava e aqui estou eu com um banquete de três coelhos garantido. Enquanto capturava os coelhos encontrei alguns rochedos com várias pedras e, melhor ainda, OURO! Encontrei oito pepitas durante a mineração dos rochedos. Posso finalmente voltar pra casa e para aquele bando de porcos (sem ofensas).
Cheguei à vila e vou começar o meu trabalho que será um pouco demorado, então quando eu voltar a escrever provavelmente já serão oito da manhã. Se vocês soubessem como é trabalhoso construir essas geringonças, cara...
Minha previsão foi quase exata, já é de manhã, mas são sete horas. Meu/nosso progresso foi mais rápido graças ao meu amigo Jeca, que me ajudou pra caramba na construção da estrutura de madeira, já que é o melhor construtor da vila.
Acho que tá prestando, mas não tenho nada pra testar. Agora que estou pensando no porquê da construção dessa máquina, já que não vou usá-la ainda, mas não importa agora.
Como eu acho que disse no começo do livro, e se não disse vou dizer agora (não lembro porque já faz quatro dias), Minha barba cresce muito rápido, e só agora fui perceber o quanto ela estava horrorosa e bagunçada. Eu vi quando fui beber água no riacho próximo à vila e agora preciso desesperadamente de alguma lâmina para tirá-la. Não seria a da lança porque ela é muito grossa e pouco afiada, embora eu a tivesse afiado um pouco. Resolvi usar uma lâmina que fiz com o metal que achei nos rochedos e derreti na fogueira da vila.
Acho que me esqueci de falar que eu construí a máquina de ciência aqui na vila também, eu estou esquecendo algumas coisas recentes. Agora que estou pensando, eu sou mesmo um idiota, ao invés de eu ter que ficar falando que eu esqueço as coisas, eu poderia simplesmente ler o meu livro.
Meu próximo objetivo será construir uma máquina que receba as ondas sonoras da voz de seres humanos e as decodifique para a voz normal.
De acordo com o manual serão necessários: um galho, uma engrenagem e quatro... QUE DROGA É ESSA?! Aqui fala que serão necessários quatro COMBUSTÍVEIS DE PESADELO!
EU EXIJO UMA EXPLICAÇÃO, MANUAL INÚTIL!!! AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHH
Acho que já me recuperei do surto. Eu vou perguntar para os porcos o que é isso.
Após ter uma grande conversa com o ancião da vila, eu aprendi que o combustível de pesadelo era algo encontrado dentro de túmulos ou caixões que ficavam um pouco afastados do local. O velho porco me disse que eu só deveria procurar este recurso em caso de extrema necessidade, e eu acho que ficar preso em uma ilha desconhecida (por mim) é um tanto que desesperador. Então eu resolvi que faria isso no dia seguinte, mas o que eu não farei é desistir, mesmo que seja a única coisa que eu faça na vida.
Acho que agora vou dormir um pouco, ou melhor, vou dormir muito.
Dia 5
Bom dia a todos, essa foi a primeira vez que dormi desde que cheguei aqui, e como é bom dormir quando você tem sono.
Voltando ao meu dilema do combustível de pesadelo, eu acho que terei que busca-lo agora no cemitério dos porcos. Acho que consigo encontrar um galho durante a caminhada.
Cheguei ao cemitério, esse lugar me dá calafrios. Eu achei um arbusto seco no caminho e agora só faltam as engrenagens e os trecos do pesadelo.
Vou cavar este túmulo tranquilamente e vazar o mais rápido possível. Que interessante, o meu nome está escrito nessa pedra, o que será que tem embaixo dela? Não custa nada olhar né?
Essa pedra foi realmente útil, embaixo dela tinha uma engrenagem e dois combustíveis de pesadelo. Tudo bem que os combustíveis só são encontrados em túmulos, mas não importa, porque agora só faltam mais dois.
Já peguei tudo, também encontrei uma coisa estranha escrita em um caixão, estava escrito “leite, ovos e bacon”, ou eu não sei ler ou os porcos daqui têm nomes bem diferentes.
Beleza, ainda são seis horas da tarde, uma boa hora para um lanchinho, estou muito ansioso para comer os coelhos que cacei ontem. Como sou convidado dos porcos, é meu dever dividir, mas é claro que vou esconder um para comer quando ninguém estiver olhando.
NUNCA COMI TANTO NA VIDA! Eu pensei que aqueles seis coelhos não iam ser suficientes para todos os porcos, mas como comemoração da fartura de comida que eu pegara, eles assaram algumas carnes de aranha que tinham matado na noite que eu tinha dormido. O resultado foi de que eu não resisti e acabei comendo mais do que precisava, mas isso não foi ruim, porque todas as noites as aranhas nos atacam e sempre tem comida.
Como todos devem saber, o “lanchinho” da tarde acabou virando o jantar, e durou cerca de três horas. Ou seja, agora já são nove horas e as aranhas já vão atacar. Volto a escrever de amanhã ou de madrugada. Até.
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