Noite 6

Estou aqui de novo, narrando a minha sexta noite. Já estou aqui há quase uma semana, mas parece até um mês.

Estranhamente as aranhas não nos atacaram hoje, talvez porque elas ficaram com medo da chacina de ontem, até agora tô fedendo aranha. Além disso, esses aracnídeos possuem algo muito pitoresco em seus olhos, porque elas só têm dois olhos. Não me espantei tanto com esse absurdo por um motivo: porcos falam e tudo é possível.

Agora acho que vou dar uma olhada na minha próxima máquina a ser construída. Deixe-me ver aqui o que será. Fácil, de acordo com o catálogo eu vou ter que usar duas tábuas de madeira e duas pepitas de ouro para fazer o meu termômetro, que vai me ajudar a saber a temperatura daqui.

Foi mais fácil do que eu pensei, já que eu já tinha o ouro e tinham muitas árvores por aqui. Ecológico que sou, sempre replanto as árvores que derrubo, já pensou se fica que nem a cidade que eu moro, ou morava...

Resolvi pular algumas invenções do catálogo para ver qual era melhor, e acho que um para-raios será bem útil para nós, e os materiais são bem simples de serem encontrados (eu acho). Preciso só de três pepitas de ouro e um bloco de pedra.

Tá mais difícil do que eu esperava, já andei cinco quilômetros e nada. Só que agora eu estou avistando um treco estranho, parece um cajado com um olho em cima, vou dar uma olhada aqui. Acho que tem um bicho vindo em minha direção, ele prece pequeno, mas é rápido! Não vai dar tempo de encontrar a minha lança na mochila! Ele vai me matar! Ele, ele, ele é um baú?

Todo esse espanto pra nada, o bichinho é de boa comigo e se ofereceu pra guardar meus itens na sua boca, que mais parece um baú, e agora ele me segue.

Amanheceu agora, acho melhor eu escrever o título do capítulo agora.

Dia 6

Legal, tá a mesma porcaria só que agora com um “Dia 6” no começo da página.

Eu e o meu baú de estimação, que o nome é Chester (do inglês “chest”, que é baú), ele é bem legal, pena que não fala.

Acho que estou vendo um bicho estranho ali na frente, ele é grande e parece um búfalo.

CARAMBA! Um cara apareceu saindo de uma bomba de fumaça e tá parado na minha frente agora, estou escrevendo isso o mais rápido o possível antes dele sumir de novo. Ele falou:

-Acho que isso será útil para você.

Eu disse:

-QUEM É VOCÊ? VOLTA AQUI!

Ele sumiu na fumaça de novo. Eu reconheci aquela voz, foi a voz do cara que me disse: “Então, parceiro. Você não parece muito bem. É melhor achar algo pra comer antes de anoitecer.”

Mas o que ele quis dizer com “Acho que isso será útil para você”? Olhei para o chão e vi, no lugar onde ele estava, um livro cuja a capa dizia: “Monstros e animais de Lonley Island”.

Então esse era o nome da ilha né. Em inglês isso quer dizer “ilha solitária”, mas acho que querem dizer “ilha da solidão”. O importante é que quem nomeou essa ilha está errado, já que é quase impossível ficar sozinho aqui.

O livro parecia um catálogo dos animais daqui, de acordo com a ilustração, aquele bicho que parece um búfalo se chama beefalo. Diz também que quando eles estão com a parte traseira avermelhada eles estão no cio, ou seja, é melhor ficar longe.

Eles pareciam normais olhando daqui, já que aparentemente eles não estavam no cio. Eu fui chegando perto deles, mais perto, mais perto, mais... Droga, pisei em um cocô de beefalo. Melhor eu voltar para a aldeia, Acho que no caminho encontro os materiais para o para-raios.

Eu estava certo, até já construí a máquina e estudei um pouco o livro. Eu descobri que o nome do meu baú realmente é Chester, e acho que esta ilha fica perto de um país que fala em inglês, já que todos os nomes do livro estão em inglês.

Já achei os materiais para a minha máquina e agora estou voltando, mas acho que fui pelo caminho errado, porque fui parar em um cemitério. Esse lugar me faz triste, por causa de uma pessoa da minha família que sempre ia ao cemitério, até que ela passou a “morar” lá... Não sei porque estou escrevendo isso, porque me sinto muito mal em pensar nisso. Acho que estou avistando algo branco à minha frente, mas parece flutuar sobre o chão! Será um fantasma? Não. Isso não existe. Mas agora me lembro da minha prima Abgail, que faleceu. Sua irmã, Wendy, sempre dizia ver o fantasma da Abgail, mas eu nunca acreditei nela. Mas o fantasma era exatamente igual ao que Wendy descrevia, pois havia uma flor em sua cabeça! Eu devo estar imaginando coisas, só pode ser isso.

Eu não resisti e arrisquei:

-Abigail! É você?

Eu sabia que não seria respondido, quando, de repente, levei o maior susto da minha vida:

-Wilson! Eu não acredito que você também está nessa ilha horrível! Que bom saber que agora tenho a sua companhia!

Eu, ao invés de sair correndo do fantasma e gritar feito um louco, eu sorri e fui em direção à minha prima Abigail e disse:

-Eu nunca imaginei que a Wendy estaria certa sobre, você! Mas mesmo não acreditando, sempre quis que fosse verdade.

-Que bom que posso te ver de novo primo! Estou aqui à aproximadamente seis dias. Mas pelo menos sei que agora não me sentirei mais tão sozinha.

Seis dias? Então ela tinha vindo parar aqui no mesmo dia que eu, mas como ela veio aqui? Não demorei muito para ser respondido por ela:

-Você deve estar se perguntando com vim parar aqui não é? Foi assim: Era meia noite e eu estava no cemitério, acordada, então, eu ouvi uma risada maligna vindo do seu laboratório e fui ver o que era. Quando cheguei lá, vi apenas uma máquina enorme, que, do nada, criou um buraco no chão e me sugou para cá. Só lembrando que o buraco ficava debaixo da sua cama, que não estava lá também.

Eu não podia acreditar que a minha própria máquina tinha me levado a esse lugar. Nem perguntei de quem era a risada, porque já sabia, mas havia algo de estranho na voz daquele homem, eu sabia quem ele era, mas não lembrava. Mas enfim chamei Abgail para vir comigo ao vilarejo dos porcos. Ela aceitou o convite, mas disse que eu teria que dizer a eles que ela não representava perigo nenhum a eles.

Chegando lá, eu falei da minha aventura aos porcos, e também contei sobre a minha prima, e como eles eram meus amigos, e diziam que quanto mais gente (ou não exatamente gente) melhor.

A noite caiu e eu vou dormir. Continuo a escrever amanhã, ou talvez à noite. Boa noite Abgail, boa noite porcos e boa noite Chester.

Notas finais
Lembrem-se de avaliar a minha história, dizendo o que gostaram e o que não gostaram. Agradeço a todos por lerem a história.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.