Sobre amor, tartarugas e novas chances
1 Capítulo I
Elas estavam deitadas no colchão de Jane que estava na sala de estar porque seu irmão estúpido tinha preferido flertar com uma garota em vez de ajudá-la a movê-lo para o quarto dela. Bem... Agora ela e Maura estavam lá, tomando vinho e batendo papo, sobre coisas importantes, coisas não tão importantes assim. Elas tinham um cobertor sobre elas, era uma noite fria. Já era tarde, mas mesmo assim Jane podia ouvir um murmúrio vindo de fora, denunciando que a cidade não estava completamente adormecida.
A mente da morena estava divagando... Sobre o caso, sobre como Riley havia mentido para eles. Agora Frankie tinha um coração partido e ela um colchão no chão. Frankie, estúpido! Ela pensou que ele seria mais inteligente do que isso. Ela estava tão concentrada em seus pensamentos que ela tinha perdido as últimas palavras de Maura.
'Jane?'
'Sinto muito, o quê?'
'Eu estive pensando... Sobre o que você disse do seu sonho de casamento...'
'E aí? Eu já te disse, Maura. Sim para os cachorros-quentes, e não, definitivamente NÃO para o vestido de noiva.' Ela brincou.
'Não é isso.' Maura virou-se em seu lado para encarar Jane.
'O que é, então?'
'Na verdade, não é sobre o casamento.'
'O que é, então?' Ela perguntou de novo, impaciente.
'Bem, eu ... Bem. Não fique brava comigo. '
'Maura.' Ela alertou-a com irritação na voz.
'É que eu não consigo imaginar você como uma mulher casada.'
'Espera, o quê? Por que, Maura?' Agora foi a vez de Jane rolar para um lado.
'Porque sim... Eu nunca vi você apaixonada. Quer dizer, além de Casey.'
'Eu não entendi.'
'Quando você estava saindo com alguns homens, você não se importava com seu relacionamento, ou com eles, de qualquer maneira.'
Jane arqueou uma sobrancelha, deixando Maura terminar sua análise.
'Agora, com Casey. Bem, você não parecia ser você mesma quando você estava com ele. Você disse que estava apaixonada, mas não parecia como se estivesse. Você queria ele e não queria ao mesmo tempo.'
'É muito complexo?' Era meio que uma pergunta.
'Pode ser. Eu só queria saber... Como você agiria quando estivesse realmente apaixonada.'
'Como seria para mim, você quer dizer?'
'Sim.'
'Bem... É tarde demais para isso.' O teto estava girando. A coisa é que ela não queria falar sobre isso agora. Estar deitada ao lado de Maura com o adicional desse assunto era algo muito perturbador. Entretanto, os olhos questionadores da médica não parariam de estudá-la enquanto a ela não ouvisse uma resposta que a deixasse satisfeita, então...
'Ok. Você está certa, quando eu estava com ele eu não me sentia como eu mesma. Isso foi um grande problema. Eu acho que... Quando eu tiver a pessoa certa, vou me sentir como eu. Eu gosto do meu espaço, como você sabe... E seria bom ter alguém para falar sobre as coisas no final do dia, sentindo-se confortável em apenas estar lá, sabe?'
Maura balançou a cabeça que sim.
'E... Eu gostaria de falar sobre o trabalho, às vezes, porque você sabe como ele pode ser estressante. Mas não o tempo todo, é claro. E... eu gostaria de fazer coisas juntos... como correr, cozinhar ou, eu não sei...'
'Parece com você, sim.'
Jane sorriu para ela.
'O que mais?'
'Estar em silêncio sem ficar desconfortável.'
'Hum.'
'Bem... Se eu estivesse apaixonada por alguém...' Ela suspirou. 'Eu faria qualquer coisa para fazer essa pessoa feliz.'
Essa pessoa. Nem ela, nem ele. Essa pessoa.
'Como o que?'
'Eu não sei, Maur...'
Maura deu uma risadinha.
'Se você estivesse apaixonada por mim, o que você faria?' Maura teve medo de receber algum tipo de rejeição ou pelo menos um sorriso sarcástico dela, mas em vez disso Jane riu e colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha da médica, e agora elas estavam deitadas frente a frente, perto o suficiente para invadir o espaço pessoal uma da outra.
'Maura, se estivéssemos apaixonadas, se você fosse minha, então eu te daria o mundo inteiro se você me pedisse.' Os olhos de Jane estavam mais escuros do que o habitual e olhando para eles Maura descobriu um novo universo lá. Tão intenso, vívido, forte... No entanto, ainda tão suave quando Jane segurava seu olhar. Ela piscou os olhos rapidamente com medo de perder a si mesma dentro eles e nunca mais encontrar seu caminho para fora novamente.
'Hm... Então... Se eu estivesse apaixonada por você isso me colocaria em uma posição onde eu poderia te pedir qualquer coisa?' Ela murmurou, seus olhos estudando o rosto de Jane à procura de algum tipo de sinal. Mas no fundo ela já sabia a verdade.
'Sim'.
'Bem... Então... Eu posso ter um beijo agora?' Por favor, não me rejeite, por favor não se afaste de mim.
Jane refletiu por um momento. Teria ela ouvido direito? Mas conforme Maura continuava olhando para ela e os segundos passavam lentamente, deixando a situação um tanto quanto desconfortável, ela percebeu o jogo que Maura estava fazendo. Por uma fração de segundo Jane se amaldiçoou por todas as vezes que ela tinha se repreendido ao imaginar como seria beijar Maura, tê-la em seus braços, pensando que isso era inadequado demais para se pensar uma vez que elas eram só amigas e nada mais do que isso. Por muito tempo Jane tinha se culpado por ter esse tipo de sentimento por ela. Ela nunca disse a ninguém, ela não podia. Em primeiro lugar, porque era difícil de admitir para si mesma. Em segundo lugar, as chances de Maura estar afim dela eram quase zero, e Jane tinha uma lista para continuar. Sua família, seus amigos, seu trabalho... Iria ser muito complicado. Mas por mais que ela negasse, ela tinha pensado em estar com ela, havia sempre uma fagulha de esperança em seu peito de que aquilo que sentia por Maura era recíproco, senão, ela não tentaria se convencer o contrário. Você só pode negar algo que já existe. Assim, quando Maura pediu um beijo, todos aqueles pensamentos inundaram sua mente ao mesmo tempo. Beije-a. Abrace-a. A proteja. Ame-a. Cuide dela. Diga que você a ama.
No entanto, como sempre, Jane hesitou.
Agora, Maura era quem estava lhe perguntando um monte de 'e se'. Não só pensando, mas de fato verbalizando isso. E se eu estiver apaixonada por você? E se eu te beijar? E se, e se, e se...?
E com um alguns 'e se' vieram juntos alguns 'então'.
E se ela só estiver supondo? Apenas imaginando, não levando realmente a sério? Bem, mas e se ela realmente estiver interessada em saber como se seria, caso tivesse uma chance? Então, Jane pensou, se o que você está realmente dizendo é que está apaixonada por mim, eu mereço ouvir. Não em uma brincadeira. Preciso ouvir alto e claro. Claro como a luz do dia.
Hora de se desfazer de todas suas dúvidas, Rizzoli.
'Você está falando sério, Maura?'
'Sim.' Ela murmurou, engolindo em seco.
'Como é que eu não soube isso antes? 'Jane estava sentada no colchão agora e Maura estava sentindo pânico se instalar dentro de seu coração. Ela também se sentou.
'Eu te dei todas as dicas.' Era a melhor resposta que ela conseguiu oferecer, e saiu um tanto na defensiva.
'E eu descartei todas elas.' Jane suspirou. Quando ela viu o olhar magoado de Maura, ela acrescentou: 'Não! Não desse modo. Eu pensei que não poderia ser. Quero dizer... Você nunca disse nada.'
'Primeiro eu imaginei que minhas habilidades não fossem tão boas quanto eu pensava. Você sabe como eu posso ser quando se trata de habilidades sociais. Então você começou a namorar Casey, e eu pensei que você só... Bem, eu pensei que eu tinha interpretado os fatos de forma incorreta, que eu tinha confundido as coisas. Você sabe que eu nunca tinha tido uma melhor amiga antes, portanto, mal posso dizer quando estamos cruzando a linha de amizade ou não... Mas então você terminou com ele, e foi um alívio para mim. Parece egoísta, eu sei, mas eu não entendi, ainda não entendo, como o seu relacionamento com ele funcionava. Então imaginei, na época, que a principal razão pela qual você terminou com ele foi que, bem, não era realmente um homem que você estava procurando para se estabelecer.'
'Eu conheço você há um ano agora, Maura. Você nunca me disse nada sobre encontros com mulheres. Você sempre saía com homens.'
'Jane, eu ...'
'Eu estava completamente alheia a isso.'
'Estava? Realmente, Jane?
'Ok, não tão alheia assim, mas eu pensei que... Droga, Maura.' Ela passou a mão pelo cabelo, frustrada.
'Jane, me desculpe, eu não deveria colocar as coisas dessa maneira, é só que...'
'Maura,' Jane segurou sua nuca e olhou para ela seriamente, elas já haviam perdido tempo de mais. 'pára de falar e só me beija.'
Sem perder um segundo ela inclinou-se para frente e lentamente, quase torturante, beijou os lábios de Maura.
Maura segurou na nuca da morena e a trouxe para mais perto, deslizando sua língua na boca de Jane. O beijo se intensificou e antes que a detetive notasse, ela estava sobre Maura, pressionando seu corpo contra o dela, saboreando sua boca na dela, aproveitando o calor, o sabor de um bom vinho ainda duradouro.
Quando se afastaram do beijo, ambas estavam sem fôlego, elas não disseram uma palavra e nem mexeram por um minuto inteiro. Jane pensou por um breve segundo que talvez, se ela tivesse entendido tudo errado, ela tinha acabado de estragar sua amizade com Maura. Amizade, minha bunda! E ela riu alto por isso. Ridículo, Rizzoli. A maneira como Maura estava olhando para ela agora, ou passando as mãos para cima e para baixo em suas costas e, em seguida, entrelaçando os dedos pelo cabelo, ou até mesmo a maneira que sua perna estava roçando contra a dela... De jeito nenhum que isso pode ser uma amizade. Elas eram mais do que isso, agora estava mais claro do que nunca.
Naquele momento Jane se permitiu olhar para Maura, realmente olhar para ela, como ela sempre quis. Sem limites. Sem culpa. Apenas com amor e em admiração ao quão linda ela era. O jeito que seus olhos brilhavam, pequenos pontinhos verde escuro contrastando em seus olhos verde-claro, o jeito que suas sardas se espalhavam pelo peito, ficando menos e menos visíveis até desaparecer completamente antes de alcançar seu doce rosto. E agora que ela estava perto, ela via que a cor das sardas combinavam com a cor do cabelo. Ela amou o detalhe.
Ela devia estar com um olhar bobo em seu rosto porque, de repente, Maura começou a rir.
'O Quê?' Ela perguntou, a voz mais rouca do que o habitual.
'Eu pensei que você fosse me rejeitar.'
'Eu? Te rejeitar? Quer dizer, você, Maura?'
'Sim. Bem...'
'Quem, por Cristo, faria isso?'
'Muita gente tem feito.'
'Eles são completos idiotas. Sorte a minha.' Ela deu uma risadinha e beijou carinhosamente os lábios de Maura, acariciando seu cabelo.
'Jane?' Maura chamou e fixou seu olhar com o da morena.
A mulher sentiu Maura deslizar os dedos pelo seu rosto, as pontas indo parar nos seus lábios. Ela plantou levemente um beijo neles. 'Sim, Maur?'
'Se você for minha, eu jamais pedirei pelo mundo.'
Fale com o autor