Sob minha pele
51 Capítulo 51
Mel.
Passei a noite inteira rolando na cama sem conseguir pegar no somo. Incrível como John tem a capacidade de sempre se infiltrar em mim. Em meus pensamentos. É irritante. O resultado de tudo isso? Uma bela de uma noite mal dormida, olheiras pela manhã, um mau humor infernal. Eu fico repassando tudo em minha cabeça. Nossa conversa. O jeito como ele me olhava. O jeito que disse me amar. Eu não deveria deixar essas coisas me atingirem. Na verdade, eu não deveria sentir nada. Depois de tanto tempo ele voltou para bagunçar a minha vida. Eu deveria parar de pensar nele. Porém, ele fica martelando em minha cabeça.
Não sei o que fazer.
E ainda tem o Max.
Não sei quanto tempo ele pretende ficar na cidade. E dependendo das pessoas com as quais ele converse talvez ele fique sabendo que eu tive um filho. E se ele for esperto – o que eu tenho certeza que é, — ele vai saber na hora.
Estranhamente eu tenho medo do que isso possa desencadear nele.
E se ele me odiar?
E se ele me odiar por eu ter escondido isso dele?
Eu não suportaria isso. Não suportaria.
Jogo um pouco de água no rosto e encaro meu rosto mais pálido que o normal no espelho. Talvez eu o veja hoje. Meu coração desanda no mesmo instante em que isso passa pela minha cabeça.
Eu quero vê-lo!
Mas eu também não quero que ele saiba disso.
Ana está sentada a mesa admirando os desenhos de Max. Parando atrás dele eu me abaixo e dou um beijo molhado em sua bochecha. Ele me presenteia com outro.
— O que você está desenhando? – Pergunto admirando o desenho a minha frente.
Max só tem dois anos. Então seus desenhos na maioria das vezes são apenas alguns riscos, porém sua imaginação de criança imagina tantas coisas. Tudo o que eu vejo são alguns borrões verdes e azuis, e uma mancha de café – provavelmente ele que derrubou. Mas para ele é:
— Um pássaro, mamãe. – Diz apontando para o borrão azul.
Sorrio.
— Uau! Mas que pássaro mais lindo! Amei esse desenho! – Digo orgulhosa o levantando em meus braços, então me sento na cadeira e o coloco em meu colo.
— Gosto, mamãe? – Pergunta me olhando com os olhos arregalados. Em expectativa. Como se meu veredito fosse muito importante para ele.
— Eu gostei muito. Você vai me dar ele de presente? – Pergunto acariciando sua bochecha.
— Seu. – Diz pegando o desenho e o entregando a mim.
— Desse jeito eu vou ficar com ciúmes! – Diz Ana fazendo cara de emburrada e cruzando os braços em frente ao peito.
— Por que você não desenha um para a Ana também, meu amor? – Sussurro em seu ouvido.
Ele fica animado quando pedimos para ele fazer desenhos. Ele sorri e diz que sim. Quando se cansa de conversar se desvencilha dos meus braços, pega o papel e os lápis e vai em direção à sala. Eu o sigo com os olhos com um sorriso bobo e orgulhoso no rosto.
Ele está ficando tão esperto. Tão bonito. Às vezes eu nem acredito que ele é meu. Nem acredito que ele já viveu dentro de mim. É difícil ver como o tempo passou tão rápido. Ele não é mais aquele bebezinho que eu carregava em meu colo para todos os lados.
— Ele está cada vez mais esperto. – Diz Ana se sentando a minha frente.
— Está mesmo. – Digo toda boba.
— Eu conversei com a minha irmã essa manhã, e eu vou viajar para lá na sexta-feira.
Ana sempre viaja para casa da sua irmã. No máximo ela fica por lá uns dois dias. A irmã de Ana tem três netos, o que significa que a casa é bem movimentada. Max adora ir para lá. Aqui ele fica muito sozinho, e lá ele tem outras crianças.
— Você vai ficar quantos dias dessa vez? – Pergunto enquanto me sirvo de um pouco de café.
— Não muito. Você sabe que eu não gosto de ficar muito tempo longe da minha casa. – Diz franzindo o nariz. – Acho que uns dois dias. Provavelmente eu vou voltar na segunda. E ela quer ver o Max.
Faço um muxoxo.
— Não gosto de ficar longe dele – Balbucio triste.
— Só por alguns dias Mel. E você sabe como ele adora. Ele se diverte muito. – Diz Ana segurando a minha mão por sobre a mesa. – E você sabe que eu cuido muito bem dele.
Sorrio.
— Disso eu não tenho dúvida.
Não sei o que eu teria feito esses anos todos sem a ajuda e o suporte da Ana. Acho que eu teria desabado. Seguir em frente sem meu avô foi muito difícil, mas ela nunca deixou que eu desistisse.
— Talvez seja bom Max passar alguns dias fora. – Digo pensativa.
Ana encosta-se à cadeira e me olha de um jeito estranho.
— O que você vai fazer a respeito do pai dele? – Pergunta analisando meu rosto.
Suspiro.
— Não sei, eu ainda não sei. – Eu pensei sobre isso a noite toda. – Confesso que vê-lo me deixou muito mais que apenas balançada. Eu estou muito angustiada Ana! Eu não sei o que fazer!
Depois de vê-lo eu fiquei me sentindo muito culpada. Muito mesmo. Nossa! Antes pareceu ser uma decisão tão fácil cuidar do meu filho. Mas ontem quando eu tive que o encarar de novo eu me senti tão mal. Foi como se toda a mágoa que eu senti dele durante todos esses anos não valesse de nada perto daquilo. Perto daquela coisa tão grande que eu escondi.
— Eu tenho medo que ele me odeie. – Confesso encarando a xícara a minha frente.
— Gostaria de saber o que te dizer agora, mas eu realmente não sei qual seria a reação dele. – Diz Ana me olhando com ternura. – Mas eu tenho certeza de que ele iria amar o Max! E ficaria muito feliz por ter tido um filho com você!
— Claro que ele amaria o Max! – Digo sorrindo sentindo lágrimas em meus olhos. – Eu ainda sinto raiva dele Ana! Muita mesmo! Mas depois dele ter vindo aqui e ter tido tudo aquilo foi como se ele tivesse aberto um buraco e enfiado tudo de ruim lá dentro. Eu me lembrei das melhores coisas que aconteceram entre nós dois. E foram muitas! Tudo parece tão insignificante agora. – Choramingo.
Tudo se transformou em uma enorme bola de neve. E essa bola de neve está prestes a me sufocar.
— Você sabe o que deve fazer.
— Sei sim. – Murmuro. – Só não vai ser fácil.
— Nada na vida é Mel. Você mais que ninguém sabe disso.
Engulo em seco.
— Rafael me ligou algumas vezes ontem, e eu não atendi. – Digo de repente. Na verdade, eu nem sei por que estou dizendo isso. Eu só espero que Ana tenha um bom conselho para me dar.
— Ele ligou aqui no restaurante também. – Diz com a sobrancelha arqueada. – Ele estava preocupado por que você não atendia ao celular. Eu disse que era porque você estava ocupada.
— Obrigada. – Digo ainda encarando a xícara. – Eu não estava preparada para conversar com ele ontem. – Me sinto na obrigação de explicar. Não quero que ela pense que eu estava o ignorando. Na verdade, era isso o que eu estava fazendo, mas ela não precisa saber disso.
— Você vai contar para ele que o pai do Max está na cidade? – Questiona Ana.
Levanto meus olhos e a encaro.
— Você acha que eu deveria contar? – Ela arqueia uma sobrancelha como se quisesse dizer: Você me perguntou isso mesmo Mel?— Ele me enviou uma mensagem hoje de manhã me convidando para jantar. – Continuo. — Talvez eu conte para ele hoje à noite. – Digo dando de ombros.
— Vocês deveriam conversar. Afinal, que diabos vocês tem mesmo? Vocês já estão namorando? – Pergunta agitada.
Rio de sua expressão.
Ana não entende como nós podemos estar juntos, sem estarmos juntos. Eu já tentei explicar que nós estamos apenas saindo. Mas ela não entende.
— Não Ana. Não estamos namorando. – Respondo com paciência. – Estamos vendo no que as coisas vão dar.
— Mas vocês estão ficando juntos. – Diz arqueando a sobrancelha. – Eu vi a hora que você chegou na outra noite. Não me diga que vocês estavam assistindo a um filme, porque eu não vou acreditar. Eu posso estar ficando velha, mas não estou ficando boba!
Sinto minhas bochechas arderem. Desvio meus olhos e encaro a janela.
— Eu gosto do Rafael. — Digo baixinho. – Gosto mesmo. Ele me diverti. Ele faz eu me sentir especial. Ele é carinhoso, atencioso. Estar com ele é sempre bom.
— Mas ele não é o John. – Emenda Ana como se estivesse lendo os meus pensamentos.
Desvio meus olhos da janela e a encaro outra vez. Incrível como ela sempre sabe o que se passa por minha cabeça e pelo meu coração.
Na primeira vez em que eu e Rafael ficamos juntos, por mais que eu me esforçasse eu não conseguia parar de compará-lo a John. Afinal, eu nunca havia sentido outras mãos me tocando com tanta intimidade. John havia sido o único, e eu senti a diferença. O jeito diferente ao qual meu corpo reagiu. Rafael foi carinhoso, e o tempo todo se preocupou em me deixar a vontade. E o estranho é que eu ficava me perguntando se eu estava realmente à vontade. Eu queria estar ali. Queria mesmo. Rafael era lindo, e estava me conquistando aos poucos. Mas porque diabos eu estava preocupada com o fato da janela estar aberta e a lua estar iluminando a cama? Me sentindo inibida no momento errado. Quando eu estava com John eu nem ao menos me tocava sobre esses detalhes. No momento em que suas mãos me tocavam, que seus lábios se juntavam aos meus, eu simplesmente me esquecia de tudo. Não existia lua, não existia luz, não existia mundo. Éramos só nós dois. Lembro-me de ter chorado a noite antes de dormir naquela noite. Não pela experiência ter sido ruim, porque não foi, mas sim por medo. Medo de nunca mais me sentir segura nos braços de nenhum outro homem. Medo de viver sempre assombrada por aquele amor do passado. Medo de que ninguém fosse mais suficiente.
— São duas coisas diferentes. – Digo sem muita confiança. Na maioria das vezes quando eu paro para analisar eu não encontro palavras para formular. – Me sinto bem com o Rafael, bem mesmo. Sei que ele me ama. Mas não é o mesmo que eu sentia com o John. Não passa nem perto.
— Por que você não dá uma chance para ele Mel? – Pergunta Ana com doçura. – Ele parecia tão arrependido.
— Eu não consigo esquecer o que ele fez. Não consigo esquecer o jeito como ele foi embora daqui. Quase fugindo de mim, me deixando sozinha quando eu mais precisava dele. Porém pelo outro lado também tem esse amor que eu sinto por ele. E esses dois sentimentos ficam brigando aqui dentro – digo apoiando a mão em meu coração. – E eu não sei qual eu devo ouvir.
— Você deve ouvir aquele que grita mais alto.
Meu amor por ele grita mais alto. Sempre foi assim, e nunca vai mudar. A prova disso é que apesar de tanto tempo ele ainda continua dentro de mim. Intacto. E pareceu ter acordado com força total depois de eu tê-lo visto ontem.
Sorrio.
— Ele está mais lindo que antes, não é? – Digo fitando Ana por sob meus cílios.
Ela abre um sorriso gigante.
— Você que começou a dizer! – Me acusa. — Eu estava tentando segurar a minha língua, mas meu deus! – Diz Ana afobada. – Ele está muito bonito! Se Max crescer e continuar a se parecer tanto com ele, ele vai dar muito trabalho Mel!
Rio disso.
Meu homenzinho nem saiu das fraldas ainda. Ele crescer, e namorar me parece um futuro tão distante.
— Eu estou perdida! – Digo cobrindo meu rosto com as mãos.
— Eu não gostaria de estar na sua pele.
Nem eu gostaria de estar em minha própria pele agora!
[...]
Depois do almoço recebi outro telefonema do Rafael. Disse que queria me ver, e que teria um tempo livre do hospital à noite. Ele tem plantão hoje. Combinei de encontrá-lo na cidade no lugar de sempre para jantarmos juntos.
Passei o dia todo com o coração na boca morrendo de medo que John aparecesse por aqui. E agora estou com o coração na boca com medo de vê-lo na cidade hoje à noite.
E se ele me ver com o Rafael?
Um sorriso maldoso sem abre em meu rosto.
Seria maravilhoso! Assim ele veria que assim como ele tinha suas “amiguinhas”, eu também tenho uma pessoa.
Dou uma última conferida no espelho. Estou usando um vestido azul escuro solto, com um decote comportado. Meu cabelo está solto em ondas suaves um pouco abaixo dos ombros. Maquiagem mais leve impossível. Eu hesito por um momento decidindo se eu deveria tirar a correntinha que está em meu pescoço. Eu a uso há tanto tempo que é como se ela fizesse parte de mim.
Melhor eu deixá-la aqui. Em meu pescoço. Teria que ser um azar muito grande dar de cara com John essa noite. Ou sorte. Insiste em dizer uma voz irritante dentro de mim.
— Onde está meu beijo? – Pergunto assim que noto pelo canto do espelho Max me olhando da porta. – Vem aqui, meu amor. – Eu o chamo.
Ele anda até mim, segurando seu ursinho preferido num braço. A chupeta na boca. Os olhinhos verdes manhosos me olhando. Eu o pego em meu colo e o abraço forte.
— Sair, mamãe? – Pergunta abraçando meu pescoço.
— Vou, mas a mamãe não vai demorar hoje. Vou voltar bem rápido. – Murmuro apoiando minha cabeça em sua cabeleira loira. – Eu te amo, meu ursinho.
Em resposta ele aperta mais os bracinhos envolta do meu pescoço. E nesse minuto eu estou segurando meu mundo inteiro em meus braços.
[...]
Peguei a estrada às sete da noite. O céu já estava escuro. Já estou acostumada a pegar estrada de noite por aqui. Algumas pessoas se assustariam com a escuridão, mas para mim é normal.
Chego ao restaurante e olhando ao redor vejo Rafael acenando para mim.
— Você está linda — Diz quando me aproximo dele. Ele se abaixa e deixa um beijo delicado em meus lábios. Sorrio sem jeito. Ele ainda está usando o uniforme do hospital. – Sente-se. – Diz apontando a cadeira a sua frente.
— Obrigado. – Balbucio.
Ele se senta a minha frente e então se inclina por sobre a mesa e acaricia o meu rosto.
— Já estava sentindo sua falta. Eu tenho estado muito ocupado com o hospital, acabo que não tenho mais tempo para nada. – Diz se explicando.
— Não se preocupe. Eu entendo. Eu também estou meio ocupada.
O jantar transcorre tranquilo. Eu e Rafael conversamos sobre alguns assuntos, e eu de tempos em tempos tento encontrar um jeito de acrescentar a conversa o fato de John estar de volta à cidade.
— Queria que pudéssemos estender a noite, mas o hospital está uma loucura. – Diz apertando minha mão de uma maneira sugestiva.
Me sinto culpada por suspirar aliviada.
Que diabos está acontecendo comigo?
O Garçom nos interrompe para perguntar se vamos pedir sobremesa, e nesse mesmo instante eu percebo dois homens se aproximando a uma mesa não muito longe da minha. Meu coração para. Viro meu rosto antes que ele me veja. Torço baixinho para que o garçom nunca saia daqui. Assim ele não irá me ver.
Não olhe para ele. Não olhe para ele.
Prendo meu olhar num ponto fixo a minha frente. Talvez meu cabelo cubra meu rosto. Talvez ele não me note. Antes que eu possa agarrar o braço do garçom e obrigá-lo a continuar aqui ele gira em seus calcanhares e parte em direção a cozinha.
Droga!
— Tudo bem? – Pergunta Rafael com o cenho franzido.
Eu devo estar dando muita bandeira!
— Tudo! – Digo abrindo meu melhor sorriso. Agarro o copo de água a minha frente e praticamente o entorno em um só gole.
De repente sinto meu corpo inteiro se arrepiar, e meu estômago dar mais de mil cambalhotas. E nesse momento eu sei. Cada pedacinho do meu ser sabe.
Ele me viu!
Obrigo meus olhos a se desviarem da gravata de Rafael, e vejo a duas mesas de distância John me encarando com uma fúria assassina. Engulo em seco. Seus olhos estão presos em nossa mesa. Seus olhos vão de mim até Rafael.
— Mel, tem certeza de que você está bem? – Pergunta Rafael preocupado. – Você está pálida!
— Não se preocupe comigo Rafael, eu estou bem.
— Senti muita a sua falta. – Diz abrindo seu sorriso encantador. Ele ergue seu braço e acaricia minha maçã do rosto. Inclina-se e beija meu rosto com doçura.
Imediatamente meus olhos vão até John e ele parece que vai explodir. Ele olha para nós, e então encara o cardápio e depois nos olha outra vez, e então olha o cardápio. Ele faz o mesmo movimento umas mil vezes. Percebo que o homem que está junto a ele na mesa cochicha algo em seu ouvido. Eu sei quem é esse homem.
Mark!
— Nós podemos sair amanhã. Podemos levar o Max para dar um passeio. Estou com saudade dele também. – Diz Rafael.
— Claro.
Não sei em que momento eu me distrai com Rafael, mas de repente John está ao meu lado na mesa. Ele está parado me encarando. Seus punhos estão cerrados. Não consigo decifrar sua expressão.
— Boa noite. – Diz com uma raiva mal disfarçada. Mark aparece alguns segundos depois e então apoia sua mão em seu ombro e o encara com firmeza.
Engulo em seco.
— Boa noite. – Diz Rafael o encarando com curiosidade. – Você é? – Pergunta. E eu acho que vou ter um treco.
— Sou John. Muito prazer. – Diz estendendo a mão para Rafael. Que depois de alguns segundos o cumprimenta. – Sou amigo da Mel. – O sorriso no seu rosto me dá calafrios. Não sei o que ele pretende.
Ai meu deus!
Ele não está fazendo isso!
Rafael abre um sorriso. E eu gostaria de sair correndo bem agora!
— De onde vocês se conhecem? – Pergunta Rafael me encarando com curiosidade.
John abre um sorriso, e vejo um brilho travesso em seus olhos.
Não se atreva!
— Ah! É uma história ótima! Conte para ele Mel! Ela sempre conta melhor que eu, não é? – Pergunta me olhando com uma raiva mal disfarçada.
Filho da mãe!
Que diabos ele acha que está fazendo? Por que ele acha que tem o direito de vir até aqui? Ah! Eu gostaria de pular em seu pescoço bem agora!
Decido ignorar. Talvez ele entenda o recado e suma daqui.
— Vamos John. Já vão nos servir. – Diz Mark tentando puxar John. Ele parece tão surpreso quanto eu.
— Você é médico? – Pergunta John para Rafael. Deliberadamente ignorando Mark.
— Ah! Sim. Sou médico. – Rafael examina o relógio em seu pulso. E eu fulmino John com os olhos. Ele parece não ligar. — Na verdade, estou em um intervalo. Daqui a pouco precisarei voltar para o hospital.
— Olha John, precisamos voltar para a mesa. – Insisti Mark.
Ele quer levá-lo daqui a todo custo.
Por favor, faça isso!
— Ah! Que isso! Vamos ficar aqui com eles. – Diz John. E eu acho que agora sim eu vou ter um treco. Que diabos está se passando pela cabeça dele? Ele puxa uma cadeira e se senta ao meu lado. – Vocês não se importam, não é? – Arqueia uma sobrancelha como se estivesse nos desafiando a dizer o contrário.
Eu me importo!
— Claro que não. Se sintam a vontade. – Diz Rafael gentilmente. Encolho-me em minha cadeira e rezo baixinho para que aconteça algum tipo de milagre divino.
Mark parece tão constrangido quanto eu.
John me encara com firmeza. Sinto seus dedos acariciando a parte de trás do meu braço e tenho vontade de gritar. Eu o encaro e com toda a certeza ele pode ver o quanto eu estou irritada com sua atitude.
— Nossa! – Diz Mark levando as mãos à cabeça. Todos nós nos viramos para ele. – Eu me esqueci de salvar aqueles arquivos John! Nós precisamos voltar agora! São documentos muito importantes!
John arqueia uma sobrancelha.
— Não esqueceu não. – Retruca.
Ah! Que ótimo!
— Esqueci sim. – Afirma Mark outra vez.
Ele está tentando tirar John daqui. O clima na mesa está estranho. Rafael não é idiota. Ele sabe que tem alguma coisa errada. Eu gostaria de poder me esconder agora.
— Sinto muito, mas temos que ir. – Diz Mark olhando para John.
Ele parece irredutível. Ele encara Mark e então se vira e olha bem dentro dos meus olhos. Sinto meu corpo inteiro reagir a ele. A sua proximidade. Ele suspira. Olha para o meu pescoço e um sorriso se abre em seu rosto.
Claro que ele sabe que pingente é esse!
— Bonito pingente. – Diz com os olhos em meu pescoço.
Então ele se levanta.
Acho que se deu por derrotado.
— Acho que eu tenho trabalho a fazer. – Resmunga de mau humor. – Boa noite.
Mark suspira aliviado, e eu me sinto amolecer sobre a cadeira.
Que diabos acabou de acontecer aqui?
Mantenho meu olhar sobre o guardanapo na mesa, evitando desviar meus olhos até ele.
Que cena mais ridícula!
O que deu nele?
Rafael os encara até eles passarem pela porta de saída. Suspira alto. Me encara atento.
— Bom, agora que eles já se foram, você quer me explicar o que aconteceu aqui?
Ergo meus olhos me sentindo estranhamente culpada.
— Acho melhor conversarmos quando você tiver mais tempo, porque com toda a certeza será uma longa conversa. E você precisa voltar para o hospital, não é?
— Verdade. – Diz ainda analisando meu rosto. Como se ali houvesse a resposta para suas perguntas. – Eu preciso ir agora. Conversamos depois?
— Claro. – Balbucio.
Ele chama o garçom e pede a conta. Depois de termos uma pequena divergência – como sempre, — pois ele quer pagar a conta. Me dou por vencida. Ele já teve muitos problemas por hoje.
Estou com tanta raiva do John agora. O que ele acha que é? Se ele está achando que eu lhe devo algum tipo de explicação ele está muito enganado!
— Vamos até a saída? – Pergunta Rafael segurando minha mão.
— Acho que vou beber mais um suco antes de pegar estrada. – Murmuro.
Ele sorri. Se inclina e beija minha testa com doçura.
— Tudo bem. Me manda uma mensagem antes de dormir? – Pergunta com um sorriso no rosto e eu simplesmente não resisto.
Por que eu não consigo me apaixonar por você?
— Mando sim.
Depois de um beijo rápido, ele se vai, e eu continuo ali em pé, no meio do restaurante, sentindo minha irritação atingir o limite. Espero uns cinco minutos até ter certeza de que Rafael já entrou em seu carro e já partiu para o hospital.
Eu preciso falar com ele!
Agora ele vai me ouvir!
Mas onde diabos ele deve estar hospedado?
Quantos hotéis devem haver por aqui?
Antes que eu dê mais de seis passos, o mesmo garçom que nos atendeu antes me para no meio do caminho.
— Eu tenho uma coisa para a senhorita. – Diz tirando algo de dentro do bolso. Arqueio minha sobrancelha para ele. Ele me entrega um papel amassado. – O senhor que estava naquela mesa pediu para entregar. – Diz apontando com a cabeça para a mesa onde John e Mark estavam.
Sinto meu estômago embrulhar.
— Obrigada. – Agradeço baixinho.
Ando até o lado de fora, e então finalmente desdobro o papel. O colocando perto da luz que vem do poste em frente ao restaurante.
Precisamos conversar.
Estou na pousada que fica em frente à praça. Quarto 13.
Estou te esperando.
Bufo irritada.
Mas que grande filho da mãe convencido ele é. Parece ter a certeza de que eu o procuraria. Gostaria de não lhe dar esse gostinho. Mas eu preciso esfregar algumas coisas em sua cara! Aquele grande idiota! Ele quase me enfiou em um problemão!
Saio na rua com uma fúria assassina. Caminho alguns quarteirões até chegar à praça e vejo a pousada. Sinto meu coração ter um tranco.
Isso não é hora de vacilar!
Eu vou até lá. Vou dizer que não quero que ele me faça fazer papel de boba nunca mais. Vou dizer que eu posso sair com quem eu quiser, e ele não tem nada que se meter nisso, afinal, nós não estamos mais juntos há três anos. Vou lá apenas para dizer isso.
Espero que ele não tente nenhuma gracinha!
Meu estado de espirito não está dos melhores agora!
Entro na pousada e passo direto para as escadas. Olho o papel outra vez. Quarto treze ele disse. Ando no corredor mal iluminado e quando finalmente encontro à porta paro e respiro fundo. Agarro minha bolsa com força ao meu lado. Eu preciso manter minhas mãos ocupadas. Faço minha melhor cara de brava e bato na porta. Ouço alguns passos se aproximando e quando ele finalmente abre a porta eu sinto toda a minha autoconfiança escorrer pelo ralo.
Parece até que ele estava me esperando impaciente.
Eu não deveria ter vindo aqui!
Pensando melhor eu estou sendo neurótica. Mark com toda a certeza deve estar aqui. Não vou ficar sozinha com ele.
— Entra. – Diz me encarando com intensidade.
Penso três vezes antes de dar o primeiro passo. Antes de entrar arrebito meu nariz e passo por ele tentando manter minha pose de durona.
Espero não estar fazendo papel de boba!
— Eu só vim aqui para te deixar bem claro que eu não vou tolerar essas suas brincadeiras idiotas! – Decido dizer tudo de uma vez. Olhando ao meu redor eu vejo que estamos sozinhos, e isso não é nada bom. Quanto mais cedo eu disser tudo o que eu quero. Mais cedo eu irei embora. – O que você está pensando?
Ele está com as costas apoiadas na porta. Uma leve insinuação de que eu não tenho para onde correr. Isso me faz estremecer. Seus braços estão cruzados em frente ao peito, e ele apenas me observa falar.
Irritante John! Muito irritante!
— Não foi nenhuma brincadeira. – Diz de mal humor.
— Não quero saber que diabos foi aquilo! – Digo rispidamente. – Rafael é um cara legal! Ele não merece fazer papel de idiota! O que você é? Uma criança? Aquilo não é coisa que se faça!
— Ele é seu namorado? – Pergunta ignorando meu ataque.
— Não é da sua conta. – Respondo irritada.
— Ah! Com toda a certeza é da minha conta sim Melissa. – Diz cerrando o maxilar.
Ele parece ameaçador me olhando desse jeito. Seguro minha bolsa com força e dou dois passos para trás. Ele parece prestes a me atacar a qualquer momento.
— Não, não é. – Retruco. – Não interessa o que nós somos.
— Por que você não diz de uma vez? – Pergunta levantando a voz. – Eu vi o jeito como ele te olhava! Eu vi como ele te tocou! Agradeça por eu não ter arrancado a porcaria da mão dele!
Reviro os olhos.
— Jura John? Vai fazer ceninha? Me poupe! – Esbravejo. – Você está avisado. Melhor você não me aprontar uma dessas de novo! Eu já disse para você esquecer que eu existo!
Tento passar por ele antes que minha sanidade acabe. Ficar aqui, sozinha, com ele, nesse quarto, está fazendo minha cabeça fervilhar. Ele me entorpece. Tira meu juízo. Não quero fazer nada da qual eu vá me arrepender depois.
Antes que eu chegue à porta John agarra meu braço e me encosta à parede cobrindo meu corpo com o seu.
— O que você está fazendo? – Gaguejo sem reação.
Próximo demais!
Próximo demais!
Alerta vermelho! Alerta azul! Alerta de todas as cores!
— Você gosta dele? – Pergunta com uma raiva mal disfarçada cintilando no fundo dos seus olhos verdes.
Eu pretendia revirar os olhos, mas eu me esqueci de como se faz. Ele está tão próximo que eu acho incrível que eu não tenha me esquecido de como se respira. Porém, minhas pernas se esqueceram de como se fica firme. Elas estão feito gelatina. Seu braço está rodeando minha cintura. Eu sinto seu cheiro. Mantenho meus braços ao lado do corpo.
Não vou tocá-lo.
— Eu não tenho que te responder nada. – Digo baixo mal conseguindo controlar minha voz. – Agora me solta! Eu preciso ir embora!
Ele sorri debochado.
— Você não vai sair daqui até me responder. – Sua mão aperta minha cintura e eu me controlo ao máximo para não ofegar. – Ouviu?
Eu não estou afetada! Não mesmo!
Movida por um extinto de autoproteção eu abro um sorriso sedutor.
— Nós não namoramos. Mas isso não impede que fiquemos juntos de vez em quando. – Digo piscando meus cílios angelicalmente. – É o que você queria ouvir? — Minha resposta parece ter acertado o alvo. Ele dá um tipo de rosnado e encosta seu corpo mais ao meu.
Péssima hora para dar ouvidos ao diabinho em minha cabeça.
John afunda sua cabeça na curvatura do meu pescoço.
Estremeço.
— Você gosta de ficar com ele? – Pergunta arrastando seus lábios pelo meu pescoço. Ai droga!— Você gosta tanto quanto gostava de ficar comigo? – Pergunta contornando meu pescoço com os lábios.
Fecho os olhos e tento reunir o restinho que resta da minha dignidade.
— Eu nem lembro como é ficar com você. – Digo quase engasgando, e qualquer idiota poderia perceber o efeito que ele está fazendo em mim agora. Sua barba pinica em meu pescoço, e a sensação é tão boa. Sinto meu corpo inteiro vibrar.
Sinto seu sorriso antes mesmo de abrir meus olhos. E assim que eu o encaro. Droga! Eu deveria ter ficado de olhos fechados.
— Talvez eu precise te lembrar. – Murmura e então cola seus lábios aos meus.
Nesse momento tudo o que eu vejo estando de olhos fechados é uma imensidão de explosões. Meu coração bate mais rápido que as asas de um beija-flor. Não sei como eu ainda estou de pé. Ai droga! Não deveria ter pensado nessa parte. Não quero pensar em como suas mãos estão me segurando com força. Não quero pensar no quanto eu senti falta dessas mãos. Não quero pensar no quanto senti falta dos seus lábios nos meus. Não quero pensar no quanto senti falta do seu peito forte colado ao meu.
Ah! Que se dane!
Jogo meus braços ao redor do seu pescoço, e ele suspira em contentamento. Minhas mãos vão até seus cabelos – mais curtos agora -, e em resposta ele me ergue até eu passar minhas pernas em volta de sua cintura. Ele me prensa a parede até que não haja nenhum espaço entre nós dois. Me beija com tanta intensidade, e com tanta saudade, que sinto meus lábios doerem.
Não sei a quem eu estava tentando enganar. Eu não resisto a ele. Nunca resisti, e com toda a certeza não irei começar a resistir agora!
— Senti tanto a sua falta. – Murmura entre um beijo e outro. – Eu te amo tanto. E você também me ama se não, não estaria usando isso. – Diz se referindo ao pingente de coração que ele me deu junto com uma pulseira quando me pediu em casamento. Na noite em que eu entreguei meu coração para ele. Por completo.
Aperto mais meus braços ao seu redor. O querendo perto. Muito perto. Muito mais perto.
Eu queria dizer o mesmo. Queria mesmo. Mas eu não estou em condições de abrir a boca agora. Primeiro por que eu nem lembro como se faz isso. Segundo porque eu ainda não estou pronta para dizer que eu ainda o amo.
John caminha comigo ainda em seu colo até a cama de solteiro no canto mais escuro do quarto. Ele me deita ali e eu tento controlar minha respiração. Parece que eu acabei de dar mil voltas em um campo de futebol. Ele mantém seus olhos em mim enquanto desabotoa os botões da camisa um por um. E eu espero. Espero. Até ele a tirar por completo. Se inclina sobre mim outra vez. Tão perto. Passo minhas mãos por seu peito e não posso evitar o suspiro de admiração.
Ele é tão lindo!
John abaixa a cabeça e faz o que ele sabe fazer de melhor em meu pescoço, em meus ombros, em todos os lugares. Eu realmente não me controlo agora. Eu senti tanta saudade dele. É tão bom estar assim tão perto dele outra vez. Arqueio minhas costas e ele encara isso como um convite. Arrasta os lábios desde a base do meu pescoço até minha boca. Suas mãos abaixam a alça do meu vestido. E eu só quero que ele o tire logo. Seguro seu rosto entre minhas mãos e o beijo com força e ele corresponde.
Não me deixe mais!
Arrasto meus lábios por seu pescoço. Vou descendo até chegar ao seu ombro. John aperta sua mão em minha cintura e bem devagar ele vai erguendo meu vestido. Perco meu ar. Arrasto minhas mãos por suas costas. Exalo seu cheiro e ele parece fazer o mesmo comigo.
É como se nunca tivéssemos nos separado. É como se fossemos uma parte um do outro. É como se ainda estivéssemos ligados. E por deus! Eu ainda sinto essa ligação!
John se levanta para desabotoar o botão de sua calça jeans e é ai que eu vejo. Ele tem uma tatuagem. Ele não tinha nenhuma tatuagem antes. Meu nome está escrito em sua costela direita. Arregalo meus olhos. É meu nome ali. Escrito em sua pele. Passo meus dedos pela tatuagem e sinto meus olhos marejarem.
— Você sempre esteve comigo. Não houve um dia em que eu não pensasse em você. Você entende agora o quanto eu te amo? – Ele segura minha mão e a leva até a boca onde beija delicadamente.
Um soluço sai do meu peito. E ele franze a testa quando percebe que eu estou chorando.
Eu sou um monstro!
— Está tudo bem amor. – Diz cobrindo meu corpo com o seu outra vez. – Não se preocupe. Eu estou aqui agora. Eu te amo. Eu vou cuidar de você. – Murmura acariciando meu rosto com amor.
Por que nós deixamos as coisas chegarem a esse ponto?
Por quê?
— Eu sinto muito John. – Digo soluçando. Sentindo meu coração comprimido no peito. – Sinto muito mesmo.
Nós temos um filho. Ele vai me odiar. Eu sei que vai. E eu não vou suportar isso. Eu o amo. Amo demais. Não quero que ele me odeie.
— Não quero que você chore. – Murmura beijando meu rosto molhado. – Eu quero te ver feliz. Nós podemos ser felizes agora. Nós dois. – Diz segurando meu rosto entre suas mãos. – Diz que você quer. Diz que você quer ser a minha mulher. Diz que quer casar comigo. Diz que quer ter uma família comigo. – Diz praticamente implorando e eu me sinto um lixo.
Fecho meus olhos com força e sinto as lágrimas escorrerem pelo meu rosto. Mergulho meu rosto em seu pescoço. Uma dor muito grande me atingi por dentro.
Eu tenho que ir embora daqui!
Desvencilho-me dele e me levanto da cama. Ele me olha sem entender nada. Abotoo alguns botões do meu vestido que desabotoaram. Passo minhas mãos embaixo dos meus olhos tentando me recompor.
— Eu fiz alguma coisa errada? – Pergunta. Sinto o desespero em sua voz.
Eu não consigo nem olhá-lo.
— Eu preciso ir embora. – Murmuro olhando para o chão.
— É por causa daquele cara? – Ele parece tão desamparado. Tão angustiado. Como se estivesse com medo que eu fosse embora.
— Eu sou uma pessoa horrível. – Choramingo cobrindo meu rosto com as mãos.
— Não. – Ele diz vindo até mim e me engolindo em um abraço. Choro com meu rosto colado em seu peito. Soluços altos saem de mim. – Você não é nada disso. Você disse que vocês não namoravam. Eu não deveria ter forçado a barra.
Você não fez nada John!
Eu fiz!
E eu nunca vou me perdoar.
— Eu sinto muito. – Digo me afastando e encarando seu rosto confuso. – Eu preciso ir embora.
— Você não vai sair daqui assim. – Diz pegando sua camisa e a jogando por sobre os ombros. – Eu levo você.
— Não! – Digo um pouco mais alto do que eu pretendia. – Eu preciso ficar sozinha. Por favor, eu preciso pensar. – Imploro.
Pego minha bolsa do chão e antes que ele diga qualquer outra coisa eu saio em disparada pela porta sentindo meu mundo desabar ao meu redor.
O que eu vou fazer?
Por que eu me deixei cegar pela raiva? Ele me ama. Ele sempre me amou, e eu sempre o amei também. Ele não sabe. Mas nós já temos uma família. Nós temos um garotinho lindo e inteligente.
Ele vai me odiar!
Ando pela rua vazia. Abraçando a mim mesma para me proteger do frio. Pareço patética andando sozinha e chorando na rua. Ando os quarteirões até chegar ao meu carro. Abro a porta, me sento, e finalmente depois de me segurar muito deixo o desespero me tomar.
Tudo parece tão insignificante. Todas as brigas. Toda a raiva. Todos os desencontros. Eu fiz algo terrível. Passou tempo demais. Eu não deveria ter escondido.
— Sinto muito John. – Murmuro com a cabeça apoiada ao volante.
Não sei como resolver isso.
O que eu faço vovô? Queria que você pudesse estar aqui. Você saberia o que me dizer.
Nós erramos demais...
Ele errou bastante, mas em comparação à mim.
Meu deus! Eu fiz algo imperdoável!
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