Sob minha pele

32 Capítulo 32


Notas iniciais
Olá! :) Sinto muito pela demora, mas eu ando meio ocupada, então eu não tenho certeza se eu irei postar outro capítulo antes do ano novo! Vamos torcer para eu ter inspiração e escrever bem rápido kkkkkkk. Sem mais demoras. Vamos ao capítulo. Aproveitem! E não se esqueçam de me dar um Oi nos comentários. Não vai arrancar pedaço. :(

John.

Tudo aconteceu tão rápido. Nós brigamos, fizemos as pazes e brigamos de novo. Minha cabeça está a mil e ainda não caiu a ficha do que realmente aconteceu. E o que realmente aconteceu é que nós não vamos fazer as pazes. Nunca mais!

O que ela queria?

Que eu fosse embora e que ela ficasse aqui? Claro que não.

Como eu ficaria?

Eu não conseguiria ficar em paz sabendo que ele estaria tão perto dela e eu tão longe. Que ele iria poder vê-la a qualquer hora enquanto eu teria que me contentar com seus telefonemas.

Eu entendo o seu lado. Pelo amor de deus! Eu realmente entendo, mas ela também precisa entender o meu. Eu sou homem eu sei o que aquele imbecil espera. E isso me tira do sério.

Talvez tenha sido o melhor. Ela fez sua escolha. E não fui eu. Eu vou voltar para a minha casa e esquecer que tudo isso aconteceu, talvez demore um pouco, mas isso vai ficar para trás. Eu sei que vai.

Eu preciso esquecer!

O tempo ainda está nublado, porém a estrada parece ter melhorado um pouco.

Eu não quero pensar, eu não quero fraquejar. Mas seu rosto ainda está muito nítido em minha cabeça. Sua expressão triste e magoada vão me assombrar para o resto da vida.

— Você vai me dizer o que aconteceu? – Pergunta Mark pela milésima vez.

— Eu não quero falar sobre isso. Não agora. — Digo apertando meus dedos com força no volante.

— Bom, acho bom você querer falar sim. Você me fez fazer tudo as pressas para voltar para cá, ai está tudo lindo e maravilhoso e do nada estamos nós dois de novo na estrada, sem nem ao menos saber se vamos conseguir a droga de uma passagem em cima da hora! – Ele diz energético.

Eu sei que ele tem razão. Ele merece uma explicação, um motivo, mas até eu estou tentando formá-lo em minha cabeça ainda. É como um quebra cabeça, dificil demais de montar.

— Acabou. – Digo sentindo um nó na garganta.

— Acabou? – Pergunta Mark incrédulo. – Desse jeito? Vocês não estavam tão apaixonados? Você não disse que ela era a mulher da sua vida? Vai desistir desse jeito? — Ele parece chocado.

Eu não vou ser feito de idiota, e por mais que eu a ame isso eu não vou aceitar. Eu deixei bem claro o que eu esperava dela. Se existia alguma possibilidade de eu estar sonhando alto de mais, no minimo ela deveria ter me puxado para baixo, me feito acordar, e não me insentivar cada vez mais para cima. A queda de lá foi muito mais dolorosa. E eu não sei se um dia eu irei me recuperar.

— Não fui eu quem desistiu – enfatizo para ele – ela não quis. Ela preferiu ficar aqui.

— Ela disse isso? – Pergunta Mark com a sobrancelha arqueada. — Achei que ela estava contente.

Eu também achei.

— Não teria como dar certo com ela aqui e eu lá. – Digo nervoso já sentindo o auto controle fugir por entre meus dedos. – Eu quero ela perto de mim.

— Acho que você não está encarando bem a situação. Pelo o que eu entendi nós estamos voltando para Nova Iorque e a Mel não está conosco. Então ela não vai estar perto de você.

Essa frase faz meu coração sangrar. Como eu vou viver sem ela?

Eu preciso descobrir.

Eu não vou vê-la mais. A sensação é sufocante. Eu gostaria de poder arrancar meu coração e jogá-lo na estrada. Parar de sentir. Congelar qualquer coisa que me lembre dela, e de como ela me fez de idiota.

— Eu não quero mais falar disso. Ela já tomou a decisão e eu aceitei. Acabou! – Grito dando um soco no volante.

— Tudo bem. – Diz Mark se rendendo. – Porém, se quiser conversar.

Eu não quero falar com ninguém. Eu só quero arranjar um jeito de sumir com essa sensação de desespero, de dor, de perda.

Como em tão poucas semanas ela conseguiu se infiltrar tanto em mim? Em meu coração? Em meu pensamento?

Imagens e gritos de nossa briga vêm em minha mente. Ela estava tão nervosa, tão irritada. Eu a magoei, porém ela também me magoou. Nós magoamos um ao outro.

Não era o jeito que eu queria que tudo terminasse. Na verdade, eu não queria que nada tivesse terminado. Eu nunca imaginei que tudo terminaria.

Eu criei expectativas altas de mais, nem sei de onde sairam. O que diabos estava acontecendo comigo? Para alguém que estava sempre no comando, me parece uma coisa bem ridicula agora.

[...]

Após duas horas de viagem finalmente chegamos à cidade. Primeiro teremos que devolver o carro. Ele é alugado, depois tentaremos a sorte no aeroporto. Sorte que a concessionária fica a uma quadra do aeroporto. Espero conseguir uma passagem para no máximo duas horas. Não quero ficar nem mais um minuto aqui.

Quero esquecer tudo isso.

Eu estou me afogando em tanta raiva, em tanto ódio, eu não acredito que ela fez isso. Fecho os olhos com forças ao lembrar o tanto de vezes que eu fui um compleo babaca, ligando para imobiliarias, buscando universidades, procurando formas de fazê-la se sentir em casa. Formas de fazê-la feliz. E é assim que ela me agradece.

Você é um idiota John!

Ao estacionar o carro encosto minha cabeça ao volante. Eu preciso de um remédio, de qualquer coisa para fazer essa dor de cabeça infernal sumir.

Será que existe um remédio para apagar memórias?

Seu sorriso me vem a cabeça, seu olhar, sua risada, seu rosto relaxado enquanto dorme deitada sobre mim, seu jeito de dizer meu nome enquanto fazíamos amor, tudo isso me vêm como um baque. Como grandes golpes dolorosos demais para suportar. Como um caminhão em alta velocidade batendo com toda força em mim, tirando o ar dos meus pulmões.

— Quer que eu cuide disso? — Pergunta Mark com a mão em meu ombro.

— Quero. – Digo num sussurro mal humorado. Irritado. Magoado. Desesperado. Sem rumo.

Nada parece fazer sentido agora. Minha vida não faz sentido agora, é como se no segundo que meus olhos cairam sobre ela, qualquer outra coisa antes daquele momento não fosse importante. É como se ela estivesse em todas as minhas lembranças. Como se não existisse nada antes dela, e como se não fosse existir nada depois.

De repente é dificil me lembrar de qualquer outra fase da minha vida que não fosse esses últimos dias.

— Eu preciso de um celular novo. – Digo enquanto desço do carro querendo manter minha cabeça ocupada, para que não haja espaço para ela, e nem para as recordações que insistem em me inundar. – Enquanto você resolve a papelada eu vou até a loja de eletrônicos do aeroporto. Você me encontra lá?

— Claro. Vai tranquilo.

Eu posso sentir a preocupação de Mark, mas eu realmente não estou pronto para falar disso agora.

Abro a porta traseira do carro retiro minha mochila e minha mala, Mark pode se virar com as suas.

Desde que eu me tornei responsável e digamos mais ativo nos negócios da família eu tenho viajado muito, e uma das coisas que eu aprendi é que o pouco é sempre bom. Muito mais pratico durante as viagens. Porém desta vez eu sinto como se eu estivesse indo embora com uma bagagem pesada demais para carregar. Sinto como se eu estivesse deixando uma parte muito importante de mim para trás.

Não era o que eu esperava de uma viagem de trabalho. Elas sempre foram cansativas, entretanto muito produtivas. Eu gosto do meu trabalho, gosto do que eu faço, e eu sou bom nisso. A última coisa que passava pela minha cabeça seria que eu acabaria me apaixonando. Que eu acabaria conhecendo a mulher da minha vida, a mulher que iria me mudar para sempre, mas que também iria partir o meu coração de um jeito que ele nunca foi partido antes.

Se alguém me dissesse isso antes de eu pegar o avião naquele dia, eu com toda a certeza riria na cara da pessoa.

Eu não era de me apaixonar.

O amor ele pode te dar muitas coisas, mas quando ele resolve tirar, ele devasta tudo o que encotra pelo caminho, até não sobrar mais nada.

Nenhuma mulher nunca se aproximou tanto como ela. Nunca me entreguei tanto à alguém. E eu nunca quis também. Sempre houveram as mulheres que queriam me dominar, que tinham a fantasia de brincar de casinha e que nessa brincadeira eu seria o marido perfeito. Porém essa ideia sempre me pareceu absurda. Eu nunca tive vontade de me envolver com nenhuma mulher a longo prazo, muito menos de casar.

Porém quando eu percebi que eu não poderia mais viver sem ela, que eu não poderia mais passar um dia sem o seu sorriso, sem os seus beijos, eu percebi que ela tinha que ser minha. Para sempre. E eu quis me casar com ela. Eu quis tudo com ela.

Agora eu preciso me acostumar a viver sem ela.

Preciso voltar a ser quem eu sempre fui, antes dela.

Entro em uma na loja sem querer passar muito tempo ali.

Procuro na vitrine por um modelo igual ao antigo. Uma das atendentes vêm até mim. Explico para ela qual dos aparelhos eu gostaria.

— Posso ajudar em mais alguma coisa? – Ela pergunta solícita enquanto finaliza a compra.

— Não. Obrigada.

Saio da loja e dou de cara com Mark.

— Foi rápido. — Diz ele surpreso.

Não entendo ao que ele se refere.

— Eu peguei o mesmo modelo. – Digo sem saber se é a exatamente isso que ele se refere.

— Eu consegui às passagens. Embarcamos daqui a uma hora. — Ele diz erguendo as passagens em sua mão direita.

Eu deveria me sentir aliviado, mas não. Na verdade eu sinto um mal estar. Eu sinto um buraco se abrir em meu peito.

— Tudo bem.

— Vamos nos sentar. Algo me diz que essa uma hora vai demorar muito a passar. – Diz Mark de espreguiçando. – Eu ainda estou todo quebrado de tanto viajar de carro. Será que tem algum lugar confortável para tirar uma soneca por aqui? – Pergunta ele como se eu tivesse a resposta para isso.

— Por mim tanto faz. – Respondo de mal gosto.

[...]

Estamos sentados à mais de quarenta minutos aguardando a chamada dos portões. Estou sentado de mal jeito, muito desconfortável, encarando o teto muito branco e claro do aeroporto. Pessoas vão e vem apressadas, com celulares no ouvido, vozes altas, saltos batendo no chão, crianças chorando. Um caos, como é sempre comum nesses tipos de lugares. Todos com seus próprios problemas, com suas próprias vidas, e eu, como não sou diferente de ninguém fico revivendo meu martírio a cada segundo, me torturando.

Será que ela está sofrendo do mesmo jeito que eu?

Talvez ela tenha se arrependido. Talvez se eu voltasse nós pudéssemos resolver tudo. Rio com amargura. As palavras ainda pesam em mim. Depois de ditas não há como voltar atrás. Eu disse coisas das quais eu não me orgulho. Eu nunca iria a magoar de propósito, mas naquela hora, naquele instante, eu apenas queria que ela se sentisse exatamente como eu estava me sentindo. Destruído. Sentindo a felicidade sendo arrancada dos meus dedos, pela mesma pessoa que havia me entregado.

Eu fiz planos. Planos para nós dois. E para ela pareceu ser tão fácil destruí-los como se não fossem nada, como se não significassem nada.

Ela nem ao menos tentou. Ela nem ao menos chegou a contar ao seu avô que queria vir comigo. Eu tenho certeza que ele entenderia. A escolha foi dela. Ele foi apenas uma desculpa.

— Vamos cara! – Diz Mark ficando de pé.

Olho confuso para ele.

— Já estão chamando nosso voo. – Ele explica.

Então é isso. Chegou a hora. Eu vou mesmo embora.

Todos os extintos do meu corpo gritam, e imploram para que eu corra até ela, para que eu me ajoelhe aos seus pés se for preciso, para que eu grite que eu a amo e que eu não posso viver sem ela, porém meu orgulho ferido me empurra até aquele portão, até aquele avião.

Ela disse que nunca mais queria me ver, espero que ela tenha dito aquilo com sinceridade, porque isto está prestes a acontecer.

Ela não vai me perdoar pelo o que eu disse. E nem eu irei perdoá-la por me enganar.

— Nós podemos voltar. – Diz Mark me encarando com expectativa. – Não tem problema por mim. – Ele dá de ombros.- Se você disser que quer voltar, eu te dou todo meu apoio. A decisão é sua.

Eu já tomei minha decisão e ela também já tomou a dela. E não vou ser eu quem irá voltar atrás.

— Vamos embora de uma vez. – Murmuro agarrando minhas bagagens.

Temos algumas horas de voo pela frente, se dermos sorte quatro horas, o voo é direto então eu espero estar logo em casa. Eu só quero poder colocar minha cabeça no travesseiro e tentar colocar minhas ideias em ordem.

Depois de passar pelos portões de embarque uma comissária de voo nos acompanha até o avião.

— Você quer ficar na janela? – Pergunta Mark comunicativo de mais para o meu gosto. – Você sabe que eu não gosto muito de voar, e principalmente quando eu tenho que ficar encarando as nuvem e todas aquela altura. — Diz Mark sem jeito coçando a cabeça.

— Não tem problema. – Digo sem vontade nenhuma de estender o assunto.

Eu sei que eu devo estar meio rabugento. Não consigo evitar.

Mark se senta na poltrona e eu vou para o meu lado.

— Bom, agora eu quero capotar e acordar apenas quando estiver em solo americano! – Diz Mark arrumando um travesseiro atrás do pescoço.

[...]

O voo está calmo, está tudo escuro, Mark está roncando ao meu lado enquanto eu não consigo pegar no sono. Eu não posso fechar meus olhos sem que a imagem de Mel me venha a cabeça, me assombrando como um fantasma.

Olhando pela janela eu consigo reviver cada detalhe de nossos momentos juntos. O jeito como seu cabelo caia sobre suas costas quando ela inclinava a cabeça para trás, quando sua boca se abria em um “O” perfeito. Quando seus suspiros preenchiam o quarto escuro. Quando ela se entregou a mim pela primeira vez.

Eu lembro que ela estava nervosa, e no quanto eu fiquei surpreso por ela bater em minha porta. A noite foi perfeita. Foi a melhor noite de toda a minha vida, porque ela estava comigo, em meus braços, e eu não poderia estar mais feliz.

A quem eu estou querendo enganar?

Parece até que eu estou em uma droga de montanha russa que está me levando para o inferno, e eu sei que não vou conseguir escapar de lá.

Fecho meus olhos com força enquanto massageio minhas têmporas.

Eu não devia ter me envolvido tanto. Eu deveria ter sido mais forte e me afastado. Afinal, estava na cara que isso não iria dar certo. Eu soube desde a primeira vez que ela seria diferente, especial para mim e isso deveria ter me feito correr para as colinas. Eu nunca deveria ter ido atrás dela depois daquela festa. Eu nunca deveria tê-la beijado, eu teria evitado toda essa droga de sofrimento. Essa droga de sufocamento que ameaça destruir meu coração, meu espírito, todo e qualquer pedaço meu que possa sentir alguma coisa. A cada minuto eu fico mais longe dela, e eu não aguento isso.

Eu abriria mão de todos os momentos ao seu lado? Apenas para fazer essa dor passar?

Eu me faço a mesma pergunta um milhão de vezes e a resposta sempre é a mesma.

Claro que eu nunca abriria mão de nenhum dos meus momentos com ela. Mesmo estando destruído agora, as lembranças vão me seguir para sempre.

O seu sorriso, o rosto amassado depois de dormir, o jeito preguiçoso de se espreguiçar, o jeito como ela se aninhava em mim depois de fazermos amor, o jeito como ela corria e me abraçava no final do dia, o jeito como seus olhos brilhavam para mim como se eu fosse a pessoa mais importante do mundo para ela. Porém é óbvio que não é assim.

Droga!

Será que minha vida vai ser assim de agora em diante?

Lembrar o tempo todo dela?

Eu estou separado dela não tem nem cinco horas! Cinco porcarias de horas! Como diabos eu vou viver o resto da minha vida?

— Mel. – Murmuro como um tremendo babaca.

Tento dormir pelo resto do voo, porém tudo o que eu consigo são alguns cochilos, e uma tremenda de uma dor de cabeça.

Com toda essa confusão eu nem ao menos avisei meu pai de que eu estava voltando para casa, de que eu estava praticamente abandonando os negócios. Eu jurei a mim mesmo que eu nunca mais deixaria meu pai na mão, mas a Mel acaba comigo. Ela tira a minha razão, ela tira o chão sob os meus pés.

Eu preciso manter a minha cabeça fria, eu preciso terminar esse negócio bem, eu não posso falhar com o meu pai.

[...]

Quando finalmente pousamos em Nova Iorque a cidade já está escura, porém muito bem iluminada, pessoas de um lado para o outro, parecem sempre muito ocupados, o barulho ensurdecedor dos carros e buzinas, não lembra em nada o lugar onde eu estava. A calmaria parece ter ficado para trás, literalmente, minha vida de agora em diante vai estar sempre em turbulência.

— E aí a gente divide um táxi? – Pergunta Mark trocando a mochila de ombro.

Eu e Mark moramos a um quarteirão de distância um do outro então é muito mais conveniente, porque eu ainda não sei como vamos conseguir parar um táxi, quanto mais dois.

— Nós dividimos. – Digo para ele que concorda.

Ficamos uns dez minutos fazendo sinal para tudo o que é tipo de táxi que passa em nossa frente, porém como já é de praxe parece até que somos invisíveis. Este foi um dos motivos para eu ter comprado um carro. Tudo bem que o transito é infernal, mas é bem melhor que esperar duas horas pela boa vontade de um taxista.

Depois do que parece uma eternidade nós seguimos para casa. A cidade está agitada como eu me lembro, me pego pensando no quanto Mel iria amar tudo isso, e em quantas vezes eu já havia imaginado sua reação ao ver um mundo totalmente diferente do seu. E é claro que isso não vai acontecer mais. Nunca mais. E isso me deprime. Me deprime demais.

Quando o táxi para em frente ao meu prédio eu sinto um alivio enorme.

— Então, você quer que eu suba com você? — Pergunta Mark hesitante.

Franzo minhas sobrancelhas para ele.

— Que papo estranho é esse cara? – Digo tentando tirar sarro da situação.

Eu sei muito bem porque ele quer subir. Por que ele é um bom amigo, e ele quer me dar uma força, porque ele sabe que meu coração ficou em uma cidadezinha na Espanha.

— Estou falando sério cara. Você é meu irmão – ele diz com um sorrisinho de canto de boca. – Se você quiser a gente sobe toma uma cerveja, conversa um pouco, colocas as mágoas para fora.

— Obrigado pela consideração, mas nós acabamos de fazer uma viagem cansativa, e eu estou um caco. – Digo espremendo meu cérebro para arrumar uma desculpa que não me faça parecer um fraco. Que não me faça desabar em sua frente. – Eu só quero dormir.

— Tudo bem. Conversamos amanhã então? Amanhã cedo eu bato aqui. – Ele pisca para mim.

— Nem tão cedo. Eu quero dormir até tarde.

Depois de me despedir entro no prédio e encontro Natan o porteiro.

— Senhor Ackes. – Ele me cumprimenta. – Bom ter o senhor de volta.

Eu e Natan conversamos muito. Sempre nos demos muito bem. Ele deve ter a idade do meu pai. Ele é um cara muito sábio. Sempre com ótimos conselhos.

— É bom estar de volta Natan. – Digo muito mais desanimado do que eu pretendia.

Natan parece estranhar, mas ele não pergunta nada. O que eu realmente agradeço.

— Bom, boa noite Natan. – Digo me dirigindo ao elevador.

— Boa noite senhor Ackes. – Ele diz e eu faço uma careta para ele. Eu odeio que me chamem pelo meu sobrenome. Isso faz eu me sentir mais velho do que eu realmente sou. Ele apenas sorri em resposta a minha carranca.

O elevador sobe rápido. Eu moro no vigésimo andar. Quando as portas do elevador se abrem eu saio arrastando a minha mala. Procuro pelas chaves em meu bolso. Demoro mais do que o de costume para abrir a porta, e percebo que o motivo é a minha própria hesitação.

Esse não foi o jeito que eu havia imaginado voltar. Não assim.

Sozinho.

Abro a porta e dou de cara com meu apartamento grande demais, e silencioso demais. Perguntou-me se ele sempre foi assim e apenas eu que não havia percebido.

Minha vida era o trabalho e festas com Mark. Vazia. Mas de repente ela estava completa, feliz. Sem ela eu volto ao vazio, porém o vazio parece muito pior agora. Quase insuportável.

Sento-me no sofá e coloco minha cabeça entre minhas mãos.

Como diabos a minha vida deu essa reviravolta?

Eu fico tempo demais desse jeito, sem ao menos me dar conta de que eu estou chorando, inconsolável, chorando, por ter perdido a coisa mais importante do mundo. Por ter perdido a minha metade. Por ter perdido a única mulher que eu amei em toda a minha vida.

Como eu vou me acostumar a viver sem ela agora?

Dentro da minha mochila eu retiro o álbum de fotografias. Sua foto é uma das primeiras que aparece.

O sol batendo em seu rosto, os olhos meio fechados por conta da luz forte, os cabelos sendo jogados para trás com o vento, o sorriso que me encantou desde o primeiro momento. Meu coração se aperta. Um soluço forte sai do meu peito quando eu me dou conta de que nunca mais vou ver esse sorriso de perto.

Meu deus eu a amo tanto!

Como eu vou esquecê-la?

Acaricio seu rosto. Beijo sua foto e a encosto em meu peito. Encosto minha cabeça no encosto do sofá e tento me enxergar de agora em diante, porque afinal, este é o primeiro dia da minha vida sem ela.

Notas finais
Quanta sofrência! :( Quem quer consolar o John? Kkkkkk