Sob minha pele
30 Capítulo 30
Notas iniciais
John.
Eu não sei que reação eu deveria ter. Isso não é o que eu estava esperando. Não mesmo. Não sei se eu devo ir atrás dela e tentar descobrir o que está errado, ou se eu deveria ficar aqui e deixá-la sozinha com seus pensamentos.
Porém minha curiosidade em saber o que diabos eu fiz de errado sem nem ao menos estar aqui, está me consumindo. Melhor eu ir atrás dela.
Eu realmente nunca tinha passado por isso antes, e sinceramente, isso não me agrada.
— Você já viu que ela não quer falar com você.- Diz Mateo com um sorrisinho superior no rosto. — Por que você não pega o seu amiguinho e volta para casa.
— Isso não é da sua conta. – Eu cuspo para ele tentando buscar forças para não partir para cima dele de novo.
Esse cara sabe como me tirar do sério!
Olhando direito para seu rosto eu vejo que ainda há alguns hematomas de nossa última briga. Isso me dá um grande prazer. Não posso evitar um sorriso de satisfação.
— Deixe ela em paz. – Ele diz se colocando em minha frente como um escudo protetor. — Ela não vai mais a lugar nenhum com você. Ela vai ficar onde é o lugar dela, que é aqui.
— Eu já disse que isso não é da sua maldita conta. – Digo com os dentes cerrados tentando controlar minha fúria cada vez maior. — Por que que você tem que ficar enfiando o nariz onde não te diz respeito? Você não tem uma vida ou algo parecido?
Ele não se cansa de querer falar por ela, e isso me faz querer bater sua cabeça em uma parede. Com força.
— Ela não quer falar com você. Você devia respeitar isso. Ela finalmente se deu conta do merda que você é. — Diz com um sorrisinho convencido.
Ele realmente parece feliz em me dizer isso.
Isso é como um soco em meu estômago.
Ela disse isso a ele? Ela não quer me ver? O que diabos tem de errado aqui?
— Isso quem tem que me dizer é ela.
Não quero envolver esse cara no que não lhe diz respeito.
Eu não vou deixar esse merdinha entre mim e Mel. Se realmente aconteceu alguma coisa eu quero saber o que foi!
Eu vim de longe, encarei uma tempestade, um carro atolado, deixei o meu trabalho para trás e tudo para ficar ao seu lado em um momento de dor. E é assim que ela me recebe. Virando as costas para mim. Acho que eu mereço uma desculpa. Na verdade ela me deve isso.
Dou um passo para frente e em menos de um segundo Mateo se coloca em frente a porta.
Eu juro que eu não queria brigar agora. Eu quero resolver minha situação com a Mel. Seja lá o que for essa situação. Ele toma como uma missão tornar isso o mais difícil possível.
É, eu realmente odeio esse cara. E nesse momento eu acabo de ter a confirmação de que ele faria qualquer coisa para conquistá-la e para ficar com ela. Isso só me faz querer levá-la daqui agora! Nesse exato minuto!
Mas antes de tudo ele está pedindo por uns socos.
E eu terei prazer em atendê-lo.
— Não me faça te tirar aos socos. – Eu o ameaço. E eu não estou para brincadeira.
— Você não serve para ela. – Seus olhos castanhos brilham com uma raiva mal disfarçada. – E finalmente ela parece ter aberto os olhos. – Ele dá uma risadinha de deboche que faz meu sangue ferver.
Eu não o entendo. Ele parece, e age como se fosse muito apaixonado por ela. Eu posso ver o medo em seus olhos. Medo de que ela vá para longe. Se eles se conhecem desde criança como a Mel disse, ele deve ter tido todas as chances do mundo para demonstrar este amor e tentar conquistá-la. Entretanto, ele não fez isso. E agora eu estou aqui e agora ela é minha. E eu não vou desistir dela.
— Ela me ama. – Digo em um tom baixo que parece ter o acertado. – E ela nunca vai amar você. Ela nunca vai sentir nada por você além de amizade, e nós dois sabemos que isso não é por minha causa.
Seu sorriso se desfaz. Minhas palavras parecem tê-lo certado. Bato em seu ombro enquanto saio em disparada até a porta. O som de sua voz me faz parar.
— Ela não vai com você. — Ele diz de costas sem me encarar. — E quando você não estiver mais aqui, ela vai ser minha. — Diz com convicção em sua voz.
Eu quero mostrar o quanto ele está errado.
Mel está de costas para mim, olhando para a parede. Completamente alheia ao clima ruim que estava lá fora. Espero que aquele cara não venha se meter outra vez ou eu não vou me conter. Não vou conseguir segurar minha ira.
Ela tem os braços envoltos no corpo como se estivesse tentando se defender. Franzo meu cenho em confusão. Meu coração bate em desespero no peito.
— Mel. — Eu chamo baixinho.
Meu coração está batendo tão forte que eu tenho medo de que saia pela minha boca. Eu nunca estive tão assustado. Nem quando eu era criança.
— Mel. — Eu chamo novamente. Ela respira fundo. Seus ombros sobem e descem. – O que está acontecendo?
Eu mal reconheço minha voz. Ela soa como a voz de um garotinho com medo de perder aquilo de mais importante que têm. E isso é exatamente o que está acontecendo aqui.
Nós estávamos bem quando eu sai daqui. Nós nos falamos duas vezes por telefone, e ela não me deu nenhum sinal de que havia alguma coisa errada.
Ela está me assustando!
Ela age como se eu não estivesse aqui. E isso está me levando a loucura. Passo minha mão pelos cabelos, ando de um lado para o outro. E ela simplesmente continua a me ignorar.
Isso é desesperador!
— Você mentiu para mim. – Sua voz que quebra o silêncio saí num sussurro. E ao mesmo tempo em que me traz alívio também me traz confusão.
— Eu menti? – Pergunto confuso sem saber o que ela quer dizer. Mas feliz por ela ao menos ter me dirigido a palavra. – Sobre o quê?
— Sobre tudo! – Ela explode jogando os braços para cima. Ela se vira para mim e seus olhos estão vermelhos. Seu rosto molhado pelas lágrimas. Essa imagem me atinge em um lugar que traz uma dor aguda e profunda.
Não gosto de vê-la sofrer. Não gosto de vê-la chorar. Isso acaba comigo.
— Mel. – Eu digo dando um passo para frente sentindo a necessidade de senti-la perto de mim.
Eu quero abraça-la, beijá-la e desfazer esse mal entendido.
Ela faz um sinal para que eu pare. E isso me destrói por dentro. Meu corpo congela, e eu me sinto perdido, sem saber que caminho eu devo tomar para me aproximar dela outra vez.
— Não se aproxime de mim. – Ela diz magoada.
— Mas que droga Mel! – Digo exasperado. Cansado disso. – Você pode ser mais clara? Eu nunca menti para você!
Estou sentindo ela escorrer por meus dedos. E isso eu não posso suportar.
— Você me enganou! – Ela grita apontando o dedo para mim. – Você mentiu. Eu sou uma idiota! Você me enganou muito bem. Eu realmente acreditei que você me amava. Foi divertido para você? – Sua voz magoada esmaga meu coração.
Por que ela acha que eu me divertiria as suas custas?
— Eu amo você Mel! — Digo dizendo a mais pura verdade.
— Não diga isso! – Ela diz furiosa. – Não se atreva! Não se atreva a usar essas palavras comigo outra vez!
— É a verdade caramba! – Digo exasperado. Cansado de ser atacado sem ao menos saber o motivo. – Desde que eu cheguei você só me ataca! Eu estava preocupado com você. Eu vim para ficar do seu lado. Por que você está agindo dessa forma?
Por que ela age como se eu fosse seu inimigo? Ela é uma das pessoas que eu mais amo no mundo. Eu jamais a faria sofrer.
— Você é realmente um ator muito bom. – Ela ri com amargura. – Mas você não me engana mais. Não mesmo seu idiota! Cretino!
— Isso eu não vou admitir. — Digo irritado com suas ofensas. – Eu não mereço ser tratado dessa forma.
Ela está me magoando. De um jeito que nunca ninguém havia feito antes. E eu não gosto da sensação. É sufocante e aterrorizadora.
— Você merece coisa pior que isso. — Suas palavras transpiram raiva.
E isso realmente faz meu coração sangrar.
— Enquanto você estava fora ligaram aqui te procurando. – Ela diz limpando as lágrimas. – Uma mulher. – Franzo meu cenho em confusão. – Ela disse que era sua namorada. – Eu posso sentir a magoa em suas palavras. – Como você me pede em casamento? Como você me faz tantas promessas se você já é comprometido!
Mas que porra é essa?
Eu não tenho compromisso com nenhuma mulher além dessa criatura completamente enlouquecida à minha frente.
— Do que você está falando? – Pergunto incrédulo. – Eu não tenho ninguém além de você.
— Você é um filho da mãe mentiroso. — Ela praticamente grita enquanto cerra os punhos com força.
Por um momento eu acho que ela quer me bater com eles, e eu não me surpreenderia se ela realmente fizesse isso.
— Mel, quando ligaram aqui? — Pergunto tentando entender toda essa confusão que acaba de cair em meu colo, como uma bomba relógio prestes a explodir.
Quem diabos diria algo assim?
E como essa pessoa conseguiu o telefone de onde eu estou hospedado?
Nem eu mesmo tinha ele!
— Ontem seu imbecil. – Seus olhos faíscam. E eu como um idiota completamente apaixonado não posso deixar de notar o quanto ela fica sexy assim. Mesmo ela estando me insultando.
— Para com isso. – Digo em tom de alerta. – Já chega de me insultar. Vamos conversar como adultos. — Tento acalmá-la.
— Você não manda em mim! – Ela diz raivosa como uma leoa. – E se eu quiser ficar aqui o dia inteiro te xingando do que me der na telha eu vou ficar!
Sua raiva é como uma arma engatilhada e está mirada exatamente para mim.
— Assim não da para conversar com você! — Digo irritado, completamente exasperado, e cansado de toda essa confusão sem sentido.
Eu nunca tive que encarar nenhuma mulher furiosa a não ser minha mãe, e eu não sei como agir sobre isso no momento. Eu estou desconcertado.
— Isso é ótimo! Por que eu não quero nunca mais olhar para a sua cara! — Seu rosto tem uma expressão de tristeza. E eu sei que assim como eu, isso não é o que ela quer. Mesmo estando fora de si eu ainda consigo ver em seus olhos a intensidade do que sentimos. Eu vejo a mesma expressão em meu rosto todos os dias.
— Sinto muito, mas você vai ter que olhar! Até nós resolvermos isso. Você está parecendo uma maluca. – Percebo a besteira assim que a palavra saí da minha boca.
Mel me olha com uma fúria assassina. E eu me sinto acuado. Realmente me sinto acuado por essa pequena e meiga mulher.
— Eu sou o quê? — Ela pergunta incrédula. E eu sinto meu sangue gelar. – Você ainda tem coragem de me chamar de maluca?
Pisei na bola!
Eu ainda estou paralisado com os olhos arregalados. Mel vai até a mesa pega um dos pratos e joga em mim.
Joga em mim!
Eu fico tão surpreso com sua reação que eu mal tenho tempo de desviar do prato que passa raspando em meu braço e se espatifa no chão em milhões de cacos. Meus olhos mal se movem do chão até ela quando percebo outro prato voando em minha direção. Levanto meus braços para proteger o meu rosto. O prato em meu braço e se espatifa em minha frente.
— Já chega! – Grito para ela.
Esta confusão não está nos levando a nada. Estamos apenas gritando um com um outro, e eu estou cansado disso.
— Já chega você! – Seu rosto se contorce em agonia. Ela leva as mãos ao rosto, como se tudo fosse de mais para ela.
Meu extinto me diz para ir até ela, mas meu cérebro me avisa que seu o fizer, eu vou acabar levando algo na cabeça.
— Você tem que acreditar em mim quando eu digo que eu não sei quem falou com você no telefone. Eu amo você. Eu quero me casar com você. Pelo amor de deus! Você acha que eu estou brincando?
— Tudo o que você queria era me levar para a cama. E você conseguiu. — Ela me acusa.
E isso é como uma faca sendo enfiada em meu coração. Eu não quero acreditar que ela ache que eu sou esse tipo de homem. Eu não posso acreditar que ela realmente diminua os nossos momentos à isso. A apenas sexo.
— Você acha mesmo isso? – Pergunto magoado, e pela primeira vez me permitindo sentir raiva dela.
Ela pisca seus grandes olhos castanhos para mim. Por um momento ela parece sem palavras ou arrependida.
— Eu te fiz uma pergunta. – Digo baixo tentando controlar meus impulsos.
— É a verdade. – Ela sussurra. – Você me usou.
— Era assim que você se sentia enquanto fazia amor comigo? Usada? – Pergunto ríspido. Ela engole em seco. – Eu nunca usei você! Você vinha até mim por livre e espontânea vontade!
— Eu ia porque eu pensei que você me amava. — Ela se defende.
Eu é que preciso ser defendido aqui!
— Eu amo você droga! – Grito para ela. Não me importo que todos ouçam. Não me importo que todos saibam. Eu amo essa mulher louca e raivosa que desconfia de mim. — O que você quer que eu faça para provar isso?
— Mentira! — Ela diz exasperada. — Por que você não tenta ser sincero apenas uma vez e me diz a verdade. Diz que era ela que estava te procurando.
A temperatura está glacial, e é como se piorasse à cada segundo.
— Quem? – Pergunto exasperado. Cansado dessa palhaçada. Dessa briga sem sentido.
— Aquela biscate loira! — Ela grita.
Biscate loira?
— De quem você está falando? – Pergunto confuso.
— Daquela sua prima metade namorada, seja lá o que vocês são. Vocês dois se merecem. — Ela desdenha cruzando os braços.
— Kate? — Pergunto realmente querendo ouvir um NÃO como resposta. Mas a quem eu quero enganar. Só pode ter sido ela.
Não acredito que ela fez isso. Como diabos ela descobriu onde eu estava?
— Claro que é ela! Porque tem outras? — Seus olhos se arregalam com uma fúria assassina.
— Não seja ridícula. – A advirto. – Ela disse que era ela? Ela disse o nome?
— Nem precisava. Depois daquela mensagem que ela mandou para você eu não precisava de muita coisa para saber que era ela! – Ela da as costas para mim e encosta sua cabeça a parede.
— Que mensagem? – A cada minuto uma novidade nova.
Estou parecendo mais um figurante em minha própria vida.
— A mensagem em que ela dizia que sentia sua falta e que não via a hora de você voltar para vocês terem outra de suas noites divertidas. — Diz ela com a voz desdenhosa. Qualquer um perceberia o ciúme. Isso me anima, e muito. Não está tudo perdido. — Ela fala como uma vagabunda. E deve ser isso que você gosta nela seu cretino.
Sinto meu rosto esquentar de vergonha. Onde inferno ela leu isso? O que aquela doida tem na cabeça? Eu já pedi, implorei, para que ela me deixe em paz.
— Onde você viu essa mensagem?
— No seu celular. – Ela diz baixo e creio eu que meio envergonhada.
Porém isso não tem mais importância. Meu celular está muito longe agora. Jogado em algum lugar.
— Eu não posso controlar o que ela manda para mim Mel. Eu não há vejo tem muito tempo. E sobre o fato de ela dizer que era minha namorada, se de fato for realmente ela, deve ter sido algum tipo de brincadeira. Não sei. – Dou de ombros. – O que mais me magoa é o fato de que depois de tudo o que vivemos, de tudo o que fizemos juntos, depois de todos os planos que fizemos para a nossa vida juntos, você desconfie de mim desse jeito. No primeiro mal entendido. Eu já te dei motivos para você achar que eu não me importo com você? Eu quero me casar com você! Eu não posso apagar o meu passado, porra! Mas eu quero escrever o meu futuro com você. Mas eu não sei mais se daria certo. Você não confia em mim.
Sua desconfiança acaba comigo. Pensei que fossemos feitos um para o outro. Pensei que ela fosse minha metade. Que ela fosse a única pessoa capaz de me completar. Mas suas atitudes me magoam. A primeira mulher com quem eu quero fazer dar certo parece querer me afastar. E mesmo sentindo meu mundo desabando, meu coração sangrando, é o que eu vou fazer. Se ela assim quiser.
Ela continua ali parada me encarando como se não soubesse mais o que dizer. Eu não tenho mais o que dizer também.
Eu sinto uma vontade enorme de ir até ela e beijá-la, assim como eu desejo desde o maldito momento em que eu sai daquele carro. Porém ela não iria querer isso. E mesmo que doa, eu irei respeitar sua decisão.
Se ela quer me odiar, não há nada que eu possa fazer, a não ser continuar a amando.
Dou as costas e me dirijo até a saída do restaurante. Graças a deus eu não dei de cara com aquele imbecil de novo. Ou eu não iria me controlar. Forço a mim mesmo a não tirar conclusões precipitadas. Esse não pode ser o nosso fim.
Não pode!
Mark deve estar em sua cabana. Decido ir para a minha. Eu preciso pensar com clareza. O dia não está saindo como planejado. Minha cabeça ameaça explodir. Ando desanimado em direção à cabana.
Por que diabos Kate diria que é alguma coisa minha. Maldito momento em que me envolvi com aquela maluca. Ela transforma minha vida em um inferno mesmo sem perceber.
Droga!
Tenho que voltar ao carro para busca minha bolsa. Por um momento eu me deixo ter esperança de que talvez ela esteja me esperando para se desculpar e dizer que me ama.
Porém, é claro que ela não está.
Ela não veio atrás de mim!
Abro a porta traseira do carro e retiro minha mochila. Olho mais uma vez para o restaurante. Procurando por ela...
Ela acabou de me dar um fora?
Ela acabou de terminar isso?
Caminho desanimado até meu quarto. É como se o mundo inteiro estivesse em minhas costas. Como se o ar estivesse faltando.
Procuro as chaves dentro da bolsa. Assim que eu a encontro abro a porta e encontro um quarto totalmente arrumado.
Mel deve ter vindo aqui enquanto eu estive fora. Tudo aqui me lembra ela. Tudo aqui tem seu cheiro. Este quarto está cheio de lembranças nossas.
— Droga! — Praguejo baixinho.
Jogo a mochila em um canto do quarto. Levo minhas mãos a cabeça.
Como diabos isso foi acontecer?
Sento-me na cama e tento colocar meus pensamentos em ordem.
Eu não quero perdê-la. Eu não posso perdê-la. Ela já faz parte de mim. Eu a amo tanto. A ideia de nunca mais estar com ela esmaga o meu coração. Uma agonia e um medo me atormentam. Eu me sinto cansado. Destruído. Não gosto de me sentir assim.
Como eu posso fazê-la entender que ela é a única para mim?
Que isso tudo não passou de um mal entendido?
Eu preciso arrumar um jeito de convencê-la. Eu não posso deixar que tudo acabe desse jeito!
Ouça batidas fracas na porta.
Talvez seja Mark. Ele deve ter ouvido tudo e veio perguntar o que aconteceu.
Não estou afim de conversar com ninguém agora. A pessoa que mais quero agora, quer que eu vá para o inferno.
Mark parece não querer desistir.
Suspiro irritado.
Levanto-me e vou em direção a porta em passos firmes.
— Mark, não estou afim de papo agora...
Abro a porta e as palavras ficam presas em minha garganta. Mel está parada em minha frente linda como um anjo. Seu rosto ainda vermelho por conta do choro.], o que esmaga o meu coração. As mãos grudadas uma nas outras. Ela parece meio sem jeito, mas mesmo assim eu espero um insulto, um tapa, mas nada disso vem. Seus grandes olhos parecem enxergar dentro de mim. Uma lágrima escorre por sua bochecha, por seus lábios.
— Eu sinto muito. – Ela sussurra com uma voz tão triste que parte o meu coração.
Alivio me invade. Meu coração parece voltar a vida. Meus olhos se arregalam. E de repente tudo volta ao seu lugar.
— Mel. – Eu digo enquanto a puxo para meus braços. Onde ela vem de bom grado. Seu rosto se encosta em meu peito. Ela soluça baixinho. Eu beijo o topo da sua cabeça.
E eu estou em casa.
— Eu sinto muito John. Eu estava tão confusa. Depois do que aconteceu com meu avô eu apenas não sabia o que fazer. Eu queria tanto que você estivesse aqui, mas você não estava. Eu já estava me sentindo frágil, sozinha, abandonada. E de repente aquela mulher horrível liga e eu não soube como lidar. – Ela diz aos prantos. Ela agarra minha cintura com força. — Era muito mais fácil acreditar no que ela dizia. Parecia o certo. Eu não sei o que fazer.
Ela parece tão angustiada.
Meu deus! Como eu senti falta desse abraço. Desse cheiro. Eu amo tanto essa mulher. O desespero em sua voz me faz querer agarra-la e nunca mais soltá-la. Tudo o que eu quero agora é ela bem perto de mim, e nada mais importa.
— Eu te amo tanto Mel. – Eu digo tentando expressar a enxurrada de sentimentos que me tomam por completo. — Eu posso não ter sido um santo antes, mas agora eu só quero você. Só você. Você precisa acreditar no que eu digo.
Ela está em tudo. Tudo. Em cada coisa que toco. No ar que respiro. Em cada pedaço dentro de mim.
— Eu também te amo. – Ela levanta o rosto para me encarar. – Eu senti tanto a sua falta.
Eu não consigo mais controlar a mim mesmo. Minhas mãos seguram seu rosto enquanto eu colo meus lábios aos seus. Em um beijo doce, apressado, desesperado.
Eu a puxo para dentro do quarto enquanto fecho a porta com um chute. Minhas mãos correm por seu corpo. As mãos dela vão em direção aos botões da minha camisa. Ela os desabotoa facilmente. Suas mãos se encostam ao meu peito e eu sinto meu corpo incendiar, e tudo em mim se arrepiar. Eu quero tirar com minhas mãos, e com meu amor, qualquer angustia que estiver a consumindo.
— Eu senti tanto a sua falta. – Ela diz sem desgrudar seus lábios dos meus. – Eu vou te amar para sempre.
Acho estranho suas palavras, mas ela não me deixa pensar muito no assunto. Seus lábios roçam em meu queixo, em minha barba. Ela suspira baixinho como se a sensação fosse boa demais para suportar. Seus suspiros mexem comigo de um modo inimaginável. Eu não posso imaginar uma vida sem escutá-los.
Minhas mãos vão até os botões do seu vestido desfazendo um por um. Minhas mãos tocam seus ombros, sua pele macia e cheirosa deixam meus sentidos em alerta. Ela tira minha camisa por completo. Minhas mãos seguem até a barra do seu vestido e eu o retiro até ela estar praticamente nua a minha frente.
O seu desespero me deixa com mais vontade ainda de fazer amor com ela como se não houvesse amanhã.
— Eu preciso tanto de você. – Ela sussurra com necessidade se inclinando para me beijar outra vez.
— E eu de você. Você é tudo para mim. – Digo com os lábios colados ao seu ouvido.
Espalmo minhas mãos em suas costas e a direciono até a cama estreita. Eu não consigo desgrudar meus lábios dos dela, minhas mãos do corpo dela. Eu mal posso acreditar que eu fiquei perto de perdê-la.
Eu não imagino minha vida sem ela.
Parece que faz décadas. É como se eu estivesse à semanas em um deserto sem água, e tudo o que eu quero é mergulhar nela.
Não tem muito tempo desde que ficamos juntos pela última vez, porém mesmo assim eu sinto sua falta insanamente. Eu amo seu corpo. Amo seus beijos. Amo o jeito como ela agarra o meu cabelo com força. Amo sua respiração ofegante. Amo o jeito como ela chama meu nome. O jeito como ela se entrega a mim. O jeito como nos entregamos um ao outro. Nunca é apenas sexo com ela. É o paraíso. Ela é minha. E eu sou completamente dela.
Para sempre.
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