Sob minha pele
29 Capítulo 29
Notas iniciais
John.
É difícil pegar no sono quando mil coisas se passam por sua cabeça. Eu costumava perder o sono com frequência na época da faculdade. Eu me preocupava com minhas notas, e se de fato estavam boas. Eu perdia o sono com o simples fato de que eu poderia ser retido. E meus pais não olhariam isso com bons olhos.
Eu sempre fui um cara que procurava diversão na vida. Por um bom tempo eu realmente não levava as coisas a sério. Diversão, mulheres, festas, bebida, era tudo no que eu pensava. Minha mãe vivia me dizendo que eu devia “pendurar as chuteiras”, digamos assim. Porém, quando se tem vinte anos e é solteiro, e as mulheres te acham atraente, e bom, além de tudo ainda se é rico, você não pensa em muitas outras coisas. Sem preocupações. Eu sabia que um dia eu teria que assumir os negócios da familia. Então antes de assumir qualquer coisa séria, tudo o que eu queria era curtir.
Isso é uma das coisas que mais admiro na Mel. Ela tem apenas dezenove anos, e já é muito responsável. Sabe o que quer, inteligente. Duvido que ela já tenha tido o tipo de aventuras que eu tive. Bom, eu sou seu primeiro e único homem, e isso me deixa ridiculamente orgulhoso. Ela seria o tipo de filha que meu pai adoraria ter tido, e pensando bem, ela é bem parecida com a Kelly, minha irmã.
Minha irmã sempre foi muito estudiosa e eu sempre fui muito protetor a seu respeito. Afinal, eu não queria que nenhum cara fizesse com a minha irmã, o que eu fazia com a irmã de outros caras. Esse foi um dos motivos para eu evitar sair com garotas mais novas. Algumas amigas da minha irmã costumavam ir para minha casa com a missão de entrar em meu quarto. Eu achava isso tudo muito irritante. Por esse motivo foi um alivio quando em meu aniversário de vinte anos eu ganhei meu apartamento.
Privacidade! Era tudo o que queria!
Por um bom tempo meu pai pegou no meu pé, na época eu achava que ele queria me controlar, porém hoje eu vejo que ele queria o melhor para mim. Fico feliz que além de tudo ele confie em mim o bastante para confiar os negócios da família em minhas mãos, enquanto ele tira suas merecidas férias. Mesmo ele achando que eu não sei que isso tudo não passa de um teste.
Me casar com Mel, irá dar inicio à um ciclo de mudanças na minha vida. Mudanças boas.
Deixarei o antigo John para trás, e irei me dedicar, irei dedicar cada dia da minha vida à fazê-la feliz. Por que Mel estando feliz, eu também estarei.
Eu consigo me imaginar fazendo coisas que nunca haviam passado por minha cabeça antes. Eu vejo uma família, filhos, tudo o que temos direito. É um sentimento bom, e muito bem vindo.
Mal posso esperar para apresentá-la.
Estou no banheiro tentando controlar meu nervosismo. Escovo meus dentes encarando o rosto no espelho à minha frente. Meus olhos brilham em expectativa. Eu sinto insanamente a falta dela. Eu tentei ligar outra vez hoje de manhã, mas como já é de costume ela não me atendeu. Isso já está me deixando com a pulga atrás da orelha.
Agora vejo que nossa relação não iria adiante se nós dois dependessemos de um telefone para nos falar.
Ela nunca atende o dela!
Ela deve estar cuidando do seu avô. E isso tranquiliza um pouco minha inquietação. Mel, é muito carinhosa com quem ela ama. Isso eu posso afirmar. Ela já me demonstrou seu carinho de várias, e diversas vezes.
Mesmo fazendo sentido, eu não consigo afastar a inquietação que se instalou em meu peito. A sensação de que tem alguma coisa errada.
Ouço a porta se abrir. Mark deve ter voltado com o nosso café.
— John! – Ele grita
— Já vou, estou escovando os dente!
Cuspo a pasta na pia e enxaguo a boca com água. Saio do banheiro e encontro Mark deitado de barriga para cima em minha cama.
— Fique à vontade. – Digo ironicamente.
Acho que ele inora completamente a regra de jamais se deitar na cama de outro cara!
Ele se apoia nos braços enquanto se ergue da cama.
— Qual é cara! – Ele faz uma careta enquanto vira o rosto para o outro lado. – Coloca uma roupa!
Reviro os olhos.
— Para de besteira eu estou de toalha. – Resmungo me encaminhando até a mala para procurar uma roupa. – E você está no meu quarto, então se não quer ver, sinta-se à vontade.
— Essa toalha não cobre muita coisa. – Ele reclama. – Perdi até a fome.
Jogo um travesseiro nele.
— E aí, conseguiu falar com os caras? — Pergunto ignorando seus resmungos.
Mark tinha ido se encontrar com os investidores para explicar que precisávamos voltar para Costa, por uma questão de emergência.
— Eles disseram que tudo bem. Os próximos passos do encerramento podem ser feitos por telefone.
— Ainda bem. – Digo enquanto fecho o zíper da calça. – Isso está muito estranho. Mel, não me ligou ainda, e nem atendeu minhas ligações. — Digo preocupado.
— Ela deve estar com muita coisa na cabeça. — Diz Mark se erguendo. — Pensa. Já que o avô dela está indisposto de um certo modo, ela deve estar tomando conta de tudo.
Não gosto disso. Às vezes eu penso que ela é muito nova para tanta responsabilidade. Porém eu não toco no assunto. Eu já a conheço muito bem, e sei como ela pode ser explosiva às vezes. Melhor não arriscar.
— Estranhamente você deve ter razão. – Eu murmuro enquanto tiro uma camisa de botões e manga cumpridas verde de dentro da mala. – Mas, eu não posso evitar me preocupar. Esse não é o jeito dela. É como se ela estivesse me ignorando.
Tento descartar esta hipótese, mas está tão não minha cara que é impossivel não enxergar.
— Parece que o jogo virou. – Diz Mark rindo.
— Não é hora para piadas. – resmungo irritado.
— Não é piada. É apenas uma observação. Você sempre ignorou os telefonemas das mulheres, agora uma está ignorando você.
— Guarde suas observações para você. — Resmungo como uma criança birrenta.
Está preocupação está me transformando em um completo imbecil.
— Não está mais aqui quem falou. – Mark faz um sinal de rendição e eu me sinto um merda.
— Desculpe. Eu estou preocupado e inquieto.
— De Boa. – Ele se levanta em um pulo. – Bom, — ele esfrega uma mão na outra – agora que a princesa está devidamente vestida, vamos comer! Estou morrendo de fome. Eu passei naquela padaria em frente ao hotel e peguei algumas coisas. Não sei você vai gostar, mas de qualquer jeito eu não me importo mesmo.
Mostro o dedo do meio para ele.
Mark cai na gargalhada.
[...]
Depois de nos sentarmos e tomarmos café eu finalmente estava arrumando minhas coisas para voltar para perto da mulher que amo. Olhando ao redor do quarto eu vejo que minha mãe tinha razão. Eu sou muito bagunceiro. As coisas estão espalhadas pelo quarto, o que me faz levar uma eternidade para arrumar tudo dentro bolsa.
Quando finalmente tudo está nos conformes, eu e Mark descemos para encerrar a conta no hotel. A recepcionista loira, e de olhos azuis pisca seus olhos para mim.
Talvez a algumas semanas eu teria lhe dado trela. Eu teria até mesmo pedido o seu telefone. Porém, agora apenas uma mulher ocupa todos e qualquer pensamento que ronde minha cabeça. E eu estou voltando para ela agora. E eu mal posso esperar para estar em seus braços novamente.
— Volte sempre. – Ela diz sorrindo com os lábios rosa brilhando com algum tipo de brilho.
Aceno com a cabeça.
— Pode deixar docinho. – Diz Mark piscando para ela.
Depois de pegarmos estrada o tempo parece se fechar. Nuvens nubladas pairam por sobre nossas cabeças.
— Isso não é bom. – Murmuro.
— Por quê? — Pergunta Mark ainda meio grogue. Ele acabou de despertar de um cochilo.
— Vai chover. As estradas são de terra. Vai ter lama para todo lado. – Digo sem tirar os olhos da direção.
— Mas ainda é tão cedo. – Mark checa a hora em seu relógio de pulso. – São apenas nove e meia.
— Não sabia que tinha hora para chover. – Murmuro zombando ironicamente dele e do seu raciocínio lento.
— Que engraçadão. – Ele desdenha.
O tempo está ficando mais escuro. E uma chuva não necessariamente forte já está caindo. A estrada molhada é difícil de dirigir. O que me tranquiliza é que já estou perto, talvez apenas a uma hora de distância.
Enquanto eu tento não correr muito a chuva parece piorar. A água cai com força no teto do carro, e eu posso ouvir os trovões ao longe.
— Ótimo dia para resolver viajar. – Diz Mark passando um pano no para-brisa do carro, melhorando minha visão.
— Logo essa chuva passa. – Murmuro desejando que isso realmente aconteça.
Passo em minha cabeça alguns prováveis motivos para Mel não ter atendido nenhuma de minhas ligações. Tudo bem que seu avô precisa de sua atenção. Mas eu não mereço nenhum: Oi John, eu estou bem! Obrigado por se preocupar!
Isso é frustrante. Nunca passei por nada parecido antes, e eu não consigo eviatr pensar no assunto. Isto está martelando em minha cabeça desde ontem. Eu quero saber como ela está. Eu me preocupo com ela. Ela devia saber disso. Ela não está lá sozinha. Tem a Ana, e a Julia também. Eu sei que elas estão ajudando.
Então porque diabos ela não teria cinco minutos para ligar para mim?
De repente uma ideia se passa por minha cabeça. Aquele imbecil poderia se aproveitar da situação. Ele poderia se aproveitar para consolar Mel. Isso me deixa furioso. Eu dei espaço para aquele merdinha se aproximar da minha mulher.
De repente o carro afunda. Como se tivesse caído em algum lugar, ou... Atolado! Droga!
— Só pode ser brincadeira. – Diz Mark, provavelmete pensando o mesmo que eu.
Tiro meu cinto de segurança e abro a porta. Assim que coloco meu corpo para fora do carro instantaneamente já estou ensopado. A chuva está realmente forte. Mark me acompanha também saindo do carro.
— O quê aconteceu? — Ele pergunta com os braços a cima da cabeça tentando se proteger da chuva.
Eu realmente espero que ele perceba que isso não vai adiantar de nada.
— O carro atolou. – Digo apontando para a roda completamente afundada em lama.
— O quê nós vamos fazer?
Estamos no meio do nada.
— Isso é óbvio. – Diga para ele. – Nós vamos ter que empurrar.
— Que beleza!
— É isso, ou ficar aqui. – Digo para ele com uma sobrancelha arqueada. – Acho que já sabemos a resposta.
A estrada está deserta o que prova que não foi uma decisão muito sábia. Nós não deveriamos ter pego estrada, porém nenhuma outra pessoa está correndo contra o tempo para chegar aonde se deseja. Eu estou contando os minutos. E uma chuva não iria me impedir.
— Vamos lá. Eu empurro? – Ele pergunta com cara de desgosto.
Não precisa ser um gênio para ver que ele não está com vontade de se sujar todo de lama. Então eu vou dar uma de bom samaritano.
Ele me deve essa!
— Você dá a partida e eu empurro.
Mark se posiciona atrás do volante enquanto eu me posiciono na traseira do carro.
— Dá a partida! – Grito.
Assim que ouço o som do motor eu começo a empurrar o carro. Com toda a força possível. Ele parece se mover um pouco. O que significa que o buraco não é tão fundo, porém a lama prende o pneu ali. Faço força jogando o peso do meu corpo contra o carro, me apoiando em meu joelho. De repente ouço um barulho de algo se chocando a água num SPLASH!
Meu celular!
Droga!
Mark acelera e o carro se move para frente finalmente saindo do buraco. Abaixo-me para examinar os estragos e meu celular está completamente molhado. Destruído.
— Vamos cara! – Diz Mark vindo atrás de mim.
— Meu celular caiu na lama. – Digo sem conseguir abrir muito os olhos por conta do fluxo de água.
— Já era? — Ele pergunta.
— Sim. – Droga! Eu tenho muitos números importantes nesse celular. – Era tudo o que eu precisava.
— Tira o chip por causa dos contatos. Os contatos da empresa são importantes.
— Os contatos estavam salvos no aparelhp. — Digo fazendo uma careta. Dou de ombros. -Depois eu compro outro. E eu posso pegar os contatos com a Lilian quando eu voltar para Nova Iorque.
Arremesso o celular longe.
Voltando para o carro vejo que eu estou completamente imundo por causa da lama.
— Você parece um porco. – Diz Mark achando graça.
— Não encha a minha paciência. – Digo com uma carranca para ele. — Não foi você que teve que fazer o trabalho braçal!
— Nós podemos parar naquela lanchonete para nos trocar. – Sugere Mark.
— Vamos fazer isso. — Concordo.
Depois de umas meia hora pelo caminho de lama avistamos a lanchonete que paramos para pedir informação na primeira vez que viemos aqui.
Estacionando o carro na vaga, eu e Mark saltamos do carro.
A porta de entrada faz um som estridente assim que passamos por ela, como se para avisar que havia clientes.
— Olha vocês de novo! – Diz o senhor simpático de cabelos brancos cobertos por um boné de pescaria sentado atrás do balcão.
— Olá Pedro! – o cumprimento.
Nós já havíamos trocado algumas banalidades na primeira vez.
Mark faz o mesmo fazendo um sinal de continência se referindo ao fato de Pedro ter sido do exército na sua juventude.
Sim, nós conversamos muito na primeira vez que estivemos aqui. Aliás, foi ele mesmo que nos indicou o restaurante do avô da Mel. Eu deveria agradecer por isso.
— Vejo que a chuva foi um problema para vocês certo? – Ele pergunta com sua sobrancelha que parece mais um pedaço de algodão arqueada.
— O carro atolou. E alguém tinha que empurrar. – Dou de ombros.
— E ele foi o sortudo.- Diz Mark zombando.
— Acho que vocês precisam de um bom banho quente. – Ele diz enquanto se levanta. – Você principalmente. – Diz apontando seu dedo magro para mim.
— Acho que sim. – Concordo.
— Venham. – Ele dá a volta pelo balcão entrando em uma porta praticamente escondida. – Vocês podem usar esse aqui.
— Não queremos incomodar. – Digo me sentindo grato pela gentileza.
— Não incomodam. Eu sei bem como essas estradas são imprevisíveis em dias de chuva. Eu não tive ninguém para me ajudar quando eu estava indo para a casa dos pais da minha falecida Joanna. Eu estava indo pedir a mão dela em casamento. Era um dia de chuva como esse. Meu carro atolou, e eu fui obrigado a me ajoelhar todo sujo de lama enquanto pedia sua mão. Minha sogra jamais me perdoou por ter estragado seu tapete. — Pedro faz uma careta. — Ela deveria ter me agradecido. Aquele tapete era horrível.
Ele ri, e eu e Mark o seguimos rindo.
— Aqui. – Ele diz acendendo a luz e nos apresentando o minúsculo banheiro. – Vocês vão ter que se revezar. Tem apenas um chuveiro.
— John pode ir primeiro. Ele precisa mais. – Diz Mark fazendo uma careta.
Sabe aqueles momentos em que você sente vontade de socar alguém? Eu estou em um momento como esse. Já perdi a conta de quantas vezes passei por momentos assim ao lado de Mark. Da última vez foi quando ele praticamente devorou Mel com os olhos quando voltamos da cabana em um dia de chuva, mas sobre esse assunto ele já foi avisado.
Na próxima vez em que ele colocar os olhos em minha mulher daquele jeito, ele vai ganhar um belo de um olho roxo!
Franzo minhas sobrancelhas para ele.
Depois de voltar ao carro para buscar minha bolsa, me tranco no banheiro. Não vou ter a menor vontade de usar essa roupa novamente. Elas estão fedendo a terra suja. Abro o chuveiro e deixo a água me lavar. A sensação de limpeza é maravilhosa. A água está morna, do jeito que eu gosto. Por um momento eu sou transportado até a noite em que eu e Mel tomamos banho juntos. Minhas mãos ensaboando suas curvas. Sua cabeça apoiada em meu ombro, suas pernas envoltas em minha cintura, me segurando com tanta força enquanto ela se entregava a mim. Esses momentos com ela estão gravados em minha mente, e em meu coração. E eu mal posso esperar por todos que ainda estão por vir.
Desligo o chuveiro me seco rapidamente, visto-me rápido.
— Demorou. – Diz Mark com uma toalha jogada sobre o ombro.
Eu o ignoro. E ele ri.
Enquanto espero Mark tomar banho, sento-me em uma das mesas do lado de fora.
— Alguma coisa para forrar o estômago? – Pergunta Pedro muito gentil.
Ele me lembra muito meu avô. Talvez esse seja o motivo de eu gostar tanto dele.
— Acho que um misto quente e um café preto, por favor. – Peço.
— Pra já.- Ele diz se voltando para a entrada da cozinha.
Mark não demora a se juntar à mim.
— Me sinto novinho em folha. – Diz Mark esticando as pernas embaixo da mesa.
— Eu também.
— E então o que vai fazer? O avô da Mel pelo o que parece não está bem de saúde. — Começa ele puxando assunto.
Olho para ele sem entender aonde ele quer chegar com esse papo.
— Fala de uma vez. – Odeio que deem rodeios.
— Eu quero dizer que ela pode repensar sobre ir embora com você. — Diz encarando o menu.
Uma sensação não muito boa se apodera de mim. A sensação de perda ainda é desconhecida, mas dolorosa. Isso não é algo em que eu queira pensar. Nós já conversamos tantas vezes sobre esse assunto. Eu tenho certeza de que é isso o que ela quer.
— Ela não faria isso. Ele tem a Ana aqui e a Julia também. Elas podem ajudar, elas já trabalham lá. Já está tudo planejado. Ela tem que viver sua própria vida. — Resmungo. — Eu estou vendendo meu apartamento em Nova Iorque. Pedi para cuidarem disso para mim. — Digo tudo de uma vez.
Eu já estou planejando tudo para ela. Eu já até andei pesquisando sobre universidades perto de onde eu moro. Eu quero que ela realize seus sonhos. E eu posso proporcionar isso para ela. Mal posso esperar para ver o sorriso em seu rosto quando eu der a noticia.
Com toda a certeza irá derreter meu coração. Assim como em todas às vezes!
— Por que você vai vender? — Pergunta Mark incrédulo.
— Por que o apartamento não é a cara da Mel. Eu sei que ela gostaria de morar em uma casa, e uma casa eu acho que seja mais ideal para uma familía, e sinceramente, eu não me sentiria confortável em fazer uma vida com ela ali. – Dou de ombros não querendo entrar no assunto. Já que a pessoa que está a minha frente não tem papas na língua.
E ele sabe o porquê.
— Não quer levar ela no matadouro? – Mark arqueia uma sobrancelha.
Ele sabe como deixar uma pessoa desconfortável.
— Claro, que eu não usaria essa palavra, mas é por esse motivo também. Eu quero um lugar novo, para que ela faça o que ela quiser. Eu quero que tudo tenha a cara dela.
Não quero levá-la para onde já passaram tantas. Isso mostra o quanto ela é única para mim.
— Meu deus, quem é você? – Pergunta Mark incrédulo.
Eu tenho que rir com isso.
— Não fale nada para ela. É uma surpresa. — Digo com um sorriso idiota nos lábios.
Logo Pedro voltou com o meu pedido e logo depois anotou o de Mark, comemos nossos pedidos em silêncio.
Eu faço em minha mente as reações que minha surpresa provocariam em Mel. Seu sorriso contagiante, faz meu coração se esquentar. Eu amo fazê-la sorrir. Amo as reações que ela tem à mim, tanto as provocativas, quanto as carinhosas e mais ardentes. Não tenho dúvidas do quanto eu serei feliz ao seu lado, e eu quero que ela se sinta do mesmo jeito ao meu. Tudo o que eu mais quero é protegê-la. Quero ela segura ao meu lado. Bem perto de mim.
Eu só a quero perto de mim, e longe daquele imbecil ao qual ela chama de amigo.
Depois de me despedir de Pedro eu e Mark voltamos a nossa viagem. Meu coração bate acelerado a medida que estou cada vez mais perto de Mel. Eu sinto muita a falta dela. Faço a curva da estrada para entrar na pequeno vilarejo de Costa. O restaurante fica bem no final da rua. Assim que avisto o restaurante um sorriso enorme se abre em meu rosto. Parece ter chovido aqui também. Porém, o tempo já está aberto de novo. Estaciono o carro na entrada e desço do carro.
— Eu vou levar minhas malas para a minha cabana. — Diz Mark se dirigindo ao porta malas.
— Depois eu pego as minhas. — Digo apressado.
Não quero perder tempo.
Meu coração se parte só em imaginar o quanto ela está triste pelo o que aconteceu com seu avô. Ela está precisando de mim, e eu quero ser o único a consola-la.
Eu preciso vê-la.
Rápido.
Agora!
Entrando pela porta vejo que está tudo quieto. Ainda não é horário de almoço. Meus olhos procuram por Mel e param em uma cena que faz meu sorriso murchar e meu coração sangrar.
Mel está abraçada a Mateo. Seus braços a envolvem com força. Sua mão espalmada na base de suas costas, seu rosto enfiado no meio dos seus cabelos, sentindo seu cheiro. Acho que eu jamais havia sentido tamanho ódio em toda minha vida.
É óbvio que esse imbecil está se aproveitando da situação! Eu sai a menos de dois dias e ele já veio fazer ronda dando em cima da minha mulher.
Porra!
— Mel. – Minha voz sai baixa, mas claramente irritada. Meus pulsos estão cerrados.
Minha vontade é de ir até eles e arrancar ela dali, e depois com toda a certeza ela escutaria poucas e boas.
Se ela assumiu um compromisso comigo eu espero pelo menos que ela respeite isso. E eu já deixei bem claro que eu não suporto esse cara.
Me magoa que isso não importe para ela. Me magoa mais ainda que ela não enxergue que ele usa isso para me atingir. Isto está bem claro. Nada poderia estar mais óbvio que o deboche estampado em sua cara.
Eu queria socá-lo agora!
Ela levanta o rosto devagar até seus olhos se prenderem em mim. Eles estão com uma intensidade raivosa, mas isso não tem minha atenção agora. Eu quero saber porque esse cara está com as mãos grudadas em minha mulher, porra!
Meus olhos o fuzilam e ele parece não ligar.
Eu ainda estou aqui parado encarando aquela cena a minha frente, e para o meu desespero Mel ainda não se jogou em meus braços.
O que diabos está acontecendo aqui?
— Por que não atendeu minhas ligações? — Pergunto magoado. E sinceramente eu não sei mais o que eu deveria dizer.
Ela não tem tempo para me atender ou ligar para mim, mas parece ter tempo de ficar abraçada com esse imbecil!
Ela não responde ela apenas me encara com os olhos faiscando.
Então ela se vira e me dá as costas. O que me deixa de boca aberta, e desconcertado.
— Mel! – Eu chamo completamente em pânico.
Mas ela parece não me ouvir, ou simplesmente não quer ouvir.
Meu peito se acelera e um medo invade meu coração.
O que houve de errado?
Ela está fazendo de novo. Revertendo a situação.
Eu que deveria estar irritado aqui!
Ela me deve algumas explicações!
Fale com o autor