Sob minha pele
28 Capítulo 28
Notas iniciais
John.
Parte do meu trabalho é supervisionar tudo o que os outros fazem. Segundo meu pai, eu tenho que ser atento a tudo, e mostrar pulso firme, ele dizia que era muito amigo dos funcionários, e que isso não poderia funcionar quando eu assumisse a empresa daqui a um ano. Eu sempre tento fazer tudo direito para não desaponta-lo. Meu pai confia muito em mim, e eu me sinto muito orgulhoso por isso.
Meu pai fundou a empresa quando tinha apenas vinte e um anos. Na época ele não tinha dinheiro, não tinha casa, ele tinha apenas minha mãe e um grande sonho na bagagem.
Aos dezenove anos antes de se tornar o homem influente que é agora, ele conheceu minha mãe, e segundo ele foi amor à primeira vista. Eu realmente achava tudo isso uma besteira. Eu já havia conhecido muitas mulheres em meus vinte e cinco anos, mulheres por quem me senti atraído, por quem tive mais do que um simples interesse, mulheres a quem eu não queria nada mais do que apenas uma noite. Eu não acreditava no amor, meus únicos dois relacionamentos sérios não foram baseados nisso.
Foram baseados em necessidades, e em que elas poderiam me proporcionar. Mas não amor. Nunca amor.
Com a Alice era uma questão de ter alguém para dar uns amassos quando os trabalhos da faculdade ameaçassem torrar meu cérebro. E para ser sincero era conveniente para nós dois. Noites entediantes de estudos acabavam sempre de um jeito bem mais agradável.
Bem, ela não reclamava, ela fazia outras coisas... E eu gosto de pensar que ela estava me agradecendo com palavras incoerentes enquanto jogava a cabeça para trás, em uma noite escura de quarta-feira, depois de estudar por mais de quatro horas, sem pausa. E eu de um certo modo precisava agradecer também.
Com a Kate não era bem um relacionamento. Não era o que eu queria, porém não incomodava tanto, era um jeito da minha mãe me deixar em paz, e um jeito de ter alguém sempre a minha disposição. Minha mãe estava naquela fase de preocupação com as mesmas broncas, como:
— O que você pensa que está fazendo da sua vida? — Em lágrimas.
Eu nunca suportei vê-la chorar, e ainda mais por mim...
Ela não entendia o quanto era chato, estudar, e estudar. Eu nunca precisei trabalhar para pagar minha faculdade, não reclamo por isso. Muitos dos meus colegas tinham que ralar e muito para se formar. Mas além de manter a cabeça nos estudos eu precisava mais que tudo me distrair, me livrar um pouco de toda aquela pressão. E eu conseguia fazer isso com Mark. Em lugares diferentes todas às noites. Mulheres diferentes, acordando em camas diferentes e às vezes com rostos diferentes em minha própria cama. Minha mãe começou a achar que se eu tivesse alguém do meu lado essa fase passaria. Mas qual é! Eu tinha dezoito anos! Eu queria me divertir! Ela não entendeu isso. No final, quem ela arranja para ficar pendurada em meu pescoço? Uma maluca cabeça de vento!
Meu namoro com Kate foi marcado por inconveniências. Na maior parte do tempo eu não tinha saco para olhar para a sua cara, e nem a minima vontade de ouvir sua voz. Ela não era o tipo de garota que me atraia. Nunca gostei de garotas fúteis e mimadas, mas claro que ela já havia percebido isso, então ela arranjava um jeito de me fazer olhar para ela. Tipo, tirando a roupa. Porém, o engraçado é que as lembranças mais felizes que eu tenho do tempo em que estávamos juntos eram quando ela viajava com sua mãe, e eu podia ficar finalmente sozinho. Isso já era um claro sinal de que nós dois não daríamos certo. Ela por outro lado parecia completamente cega à esses sinais, e completamente cega a minha infidelidade. Claro que eu me sentia um merda. Mas ela tinha sua parcela de culpa.
Ela não largava do meu pé!
Depois que eu finalmente consegui terminar com ela – o que não foi uma coisa fácil, não por eu ser apaixonado por ela, mas sim por ela inventar milhares de desculpas diferentes, que me faziam recuar no último segundo, bem na porta da liberdade. — Eu jurei a mim mesmo que eu não cairia em uma dessas de novo. Eu ficaria bem melhor sozinho, encontros convenientes iriam vir. Sempre vinham. Mulheres que não queriam envolvimentos além de uma noite não faltavam.
Minha fase cafajeste acabou uns três anos depois de terminarmos. Depois do nosso relacionamento completamente esquisito, eu fiquei, bem, vamos ver se encontro uma palavra... Traumatizado! Sim, essa é a palavra.
Continuei tendo meus encontros, porque afinal, sou ser humano e tenho minhas necessidades. Eu e Mark costumávamos sair em quase todas às noites depois do trabalho, para nos divertirmos e espairecer. Conheci mulheres interessantes, e inteligentes, maduras o suficiente para saber que tudo não passaria de um encontro de bar. Nunca encontrei nenhuma que fizesse meu coração bater forte, nunca encontrei nenhuma que me cativasse, sem truques, sem insinuações.
Quando recebi a notificação de uma viagem para a Espanha, eu fui, viajei, sem nenhuma expectativa de algo diferente ao qual eu já estava acostumado. Porém, todas as minhas crenças, todas as minhas regras foram por água abaixo assim que coloquei meus olhos na pequena garota de olhos grandes e escuros. Ela parecia um anjo, e seus cabelos eram incrivelmente escuros. Fiquei hipnotizado, sem reação, embasbacado, inundado por sensações estranhas e muito aterrorizantes.
Ela foi a primeira coisa que notei assim que coloquei meus pés naquele restaurante. Chega a ser cômico, mas eu posso jurar que tinha alguma coisa me puxando até ela naquela noite. Eu não quis achar que era alguma coisa grande, porém a sensação de sentir meu coração bater tão forte como se estivesse esmurrando o meu peito não me passou despercebida, e eu estaria mentindo se eu dissesse que aquilo não me incomodou, afinal, o que estava acontecendo, porra!? Ela era apenas uma menina, uma garota, incrivelmente linda, e meiga, e encantadora, e eu nem havia falado com ela ainda!
O que eu era?
A porra de um adolescente?
Pela primeira vez em minha vida, em meus vinte e cinco anos, eu tive medo de abrir a boca e não saber o que dizer. Tive medo de falar besteira. E para minha infelicidade foi exatamente isso o que aconteceu.
Graças ao idiota do meu melhor amigo!
Eu nunca tinha me sentido daquele jeito antes, eu não conseguia desviar meus olhos dela, eu só conseguia ficar ali parado, olhando para ela como se fosse uma estátua, sem reação enquanto ela ficava completamente irritada e linda ao mesmo tempo.
Foi como uma lufada de ar, como uma briza no rosto depois de um calor infernal. Seus olhos foram em direção aos meus e eu achei que tinha saído de órbita, eu havia saído de mim.
Nunca. Jamais alguém havia me encantado tanto sem nem ao menos abrir a boca. E eu devo ressaltar. Que boca... Seus lábios são finos, não muito carnudos, mas são rosados e pareciam me chamar, e por deus! Eu queria vê-los pronunciar meu nome.
Me senti um idiota por estar fantasiando com aquela garota sem nem ao menos saber seu nome, me senti um idiota mais ainda quando percebi o quanto ela era jovem. Eu nunca havia ficado com ninguém com menos de vinte e três, garotas da sua idade nunca haviam chamado a minha atenção! Puta que pariu! Mulher nenhuma nunca havia chamado minha atenção do jeito que aquele anjo estava fazendo!
Seu jeito atrevido me conquistou de primeira, era como algo que eu nunca tinha visto antes. E eu não conseguia evitar sorrir feito um babaca, enquanto assistia suas faces enrubescerem. Era novo e avassalador. Era bonita, não de um jeito superficial como o qual eu estava acostumado a ver, mas sim de um jeito simples, que me cativou completamente.
O jeito como ela arrebitava o nariz quando queria me desafiar, ou como ela franzia as sobrancelhas quando queria insinuar que eu era um idiota, ou até no jeito como seus lábios se erguiam com um sorriso atrevido antes de soltar um insulto que estava na ponta da sua língua. Isso me divertia, e isso me fez querer conhecê-la melhor, além de aumentar a vontade que existia em mim de irritá-la, e desafiá-la, apenas para vê-la fazer as feições que estavam fazendo meu coração ter descompassos no peito.
Eu estava curioso, e completamente embasbacado.
Quando pela primeira vez ela me deu um de seus sorrisos sinceros, eu senti meu mundo parar de girar, naquele momento eu soube que ela seria especial para mim. Naquele momento eu soube o que meu pai quis dizer com “amor à primeira vista”, mesmo não querendo admitir para mim mesmo, afinal, eu não poderia estar apaixonado. Não poderia! Eu nem ao menos a conhecia. Mas todos os extintos do meu corpo gritavam para que eu fosse até ela e mudasse isso. Eu sabia que ela não seria como as outras, e assim como ela havia despertado coisas novas, eu teria que despertar em mim uma nova abordagem. Eu não queria assustá-la, eu quis que ela confiasse em mim, eu quis que ela sentisse por mim o mesmo que eu estava sentindo por ela.
Eu sabia que ela havia gostado de mim também, eu podia sentir a nossa conexão, a nossa troca de olhares. Era como uma promessa de tudo o que estava por vir, de que nós marcaríamos um ao outro do jeito mais profundo possível. Eu podia sentir a sua pulsação acelerar ao mesmo ritmo da minha.
Não demorei para perceber que eu estava mesmo me apaixonando por ela, em todos os sentidos da palavra. Aquilo me assustou, mas também foi maravilhoso, porque ela também estava se apaixonando por mim. E assim como isso era novo para mim, também era para ela.
A ideia de errado passou pela minha cabeça.
O que eu deveria fazer?
Eu deveria virar para o lado e fingir que não estava atraído?
Deveria fingir que ela não estava em meus sonhos? Droga! Ela era a garota dos sonhos de qualquer um!
Ela era jovem, linda, mas ainda assim jovem. Seria errado eu me envolver. Eu sabia muito bem que eu não ficaria muito tempo. Para mim nunca foi difícil ter um tipo de envolvimento rápido. Por alguns dias apenas, esse não seria o primeiro. Porém, alguma coisa dentro de mim me dizia que eu não poderia fazer isso com ela. Não com essa garota. Não com aquele anjo, e nem eu queria. Apenas o pensamento de nunca mais vê-la quebrava meu coração.
Ela conseguiu fazer coisas comigo que nenhuma outra mulher havia conseguido. Ela fez meu corpo inteiro se arrepiar com apenas um toque. Quando suas mãos se entrelaçam as minhas a sensação é mágica. Pode até ser uma coisa simples, banal, mas por apenas ser com ela, por apenas ser as mãos dela, significa tudo para mim.
Ela é meu tudo!
Eu tentei resistir, realmente tentei. Quando eu não estava trabalhando, eu ficava trancado em meu quarto com medo de esbarrar com ela, e de não conseguir me segurar. Mas, é claro que eu acabei falhando.
No dia em que eu a encontrei sozinha na garagem, eu queria conversar com ela. Entender melhor o que estava acontecendo. Entretanto, no momento em que ouvi sua risada contagiante eu senti algo se esquentar dentro de mim, e aquela parte que havia se esquentado, nunca mais voltaria a esfriar outra vez. E eu soube que ela já estava sendo especial. No momento em que minhas mãos tocaram seu rosto, que meus lábios tocaram os seus lábios pela primeira vez, eu soube o quanto ela seria importante, o quanto ela me marcaria. Depois que nossos corpos se uniram pela primeira vez, depois que senti o cheiro da sua pele, depois que senti seu corpo tremer embaixo do meu, tão próximo, eu soube que eu não poderia mais viver sem ela, e eu soube que eu não podia deixá-la para trás.
Era ela! A minha metade. E só ali eu percebi o porquê de eu nunca ter me apaixonado por outra mulher em toda minha vida. Era porque era ela, tinha que ser ela, a mulher com que passarei o resto da minha vida.
Como eu poderia deixar metade de mim para trás?
Eu a amo tanto, e em tão pouco tempo, que eu mal posso imaginar no quanto eu irei amá-la amanhã, e depois, e depois...
— Você está com aquela cara de idiota de novo! – Diz Mark com uma sobrancelha arqueada sentado do outro lado da sala enquanto examina uma pilha de papéis.
Eu devo estar mesmo!
Eu não sei ficar de outro jeito quando meus pensamentos voam até Mel. Até onde tudo começou.
— Vai se ferrar! – Digo achando graça.
Mark adora me provocar. Mel se tornou meu ponto fraco e ele sabe disso. E eu também sei que ele também está surpreso com tudo o que está se desenrolando em sua frente. Minha história com ela. Eu nunca tive nada parecido.
— Você conseguiu falar com ela?
Eu consegui falar com ela hoje de manhã, mas eu já voltei a ligar umas três vezes e nenhuma das vezes ela me atendeu, e isso já está começando a me perturbar.
— Não. – Automaticamente meus olhos vão na direção do celular em cima da mesa na esperança dela ter me ligado.
— Talvez ela esteja ocupada. — Ele dá de ombros. — Você sabe que ela não para quieta o dia inteiro.
Isso é óbvio, ela está sempre ocupada. Essa é uma das razões para eu querer levá-la comigo o mais rápido possível. Eu quero cuidar dela. Tratá-la como ela merece. Eu posso e vou tratá-la como ela merece.
— Depois eu tento de novo. – Murmuro não muito contente.
Isso é o que me deixa inquieto.
Eu já falei com ela hoje, mas alguma coisa dentro de mim tem a necessidade de ouvi-la a todo instante. Eu nunca senti essa necessidade de contato antes. É só com ela.
Ah, Mel.
— Você acha que resolvemos isso tudo até as nove? – Pergunta Mark entediado.
Não posso culpá-lo. Eu estou entediado. Eu adoro o meu trabalho, mas a parte burocrática é um saco.
— Eu espero que sim. Estamos nisso o dia inteiro. Preciso de um banho e de uma boa noite de sono. – Digo enquanto esfrego meus olhos.
Meus olhos estão cansados, e isso está acontecendo com frequência nos últimos meses. Esse é o resultado de leituras intermináveis, preciso procurar um médico, talvez eu precise de óculos.
Eu não consegui pregar os olhos na noite passada. Sempre que eu fechava os olhos ela vinha em minha mente.
Eu já sinto sua falta.
Quero dormir com meus braços enlaçando sua cintura, quero dormir sentindo suas costas bem grudadas ao meu peito. E eu nunca quis isso antes. Quero apenas com ela.
— Nós ainda não compramos as passagem de volta. Eu espero sinceramente conseguir passagens sem conexões. Eu quero um voo direto. Não vejo a hora de dormir em minha própria cama. – Diz Mark suspirando.
Agora Mark está encostado em sua cadeira com as mãos entrelaçadas atrás de sua cabeça. Nessa posição a cadeira parece estranhamente pequena demais para ele.
Estamos em um tipo de escritório improvisado, que foi arranjado pelos investidores.
— Eu havia me esquecido disso. Eu tenho que providenciar minha passagem, e a da Mel também. — Digo distraído mirando o celular à minha frente.
Um sorriso se abre em meu rosto com o pensamento de tê-la ao meu lado todos os dias da minha vida.
Mark dá um assobio alto.
— Quer dizer que é sério mesmo? Você vai leva-la para Nova Iorque?
Franzo minhas sobrancelhas para ele, e como sempre ele parece não ligar. Eu sei que parece surreal, e que muitas pessoas vão ficar surpresas com a notícia do meu casamento, mas eu realmente estou apaixonado.
— Claro que sim. Eu já te disse. Eu vou me casar com ela.
E eu mal posso esperar por isso. Eu nunca achei que eu fosse me sentir tão empolgado em dar meu nome a uma mulher.
— Você não acha que é precipitado? – Ele pergunta cautelosamente. – Não que eu tenha algo contra ela. Ela é linda, e uma boa menina, e está caidinha por você – isso abre um sorriso convencido em meu rosto – e você por ela bonitão. – Ele me lança uma piscadela.
— Você não entende. Eu não posso ir sem ela. Eu achei que isso nunca iria acontecer, e antes que você diga alguma coisa, eu nunca achei que essas palavras sairiam da minha boca. Bom, pelo menos não com sinceridade – Mark ri, com certeza se lembrando de nossas aventuras noturnas -, mas eu a amo. Eu amo ela de verdade. E eu não quero passar o resto da minha vida sabendo que a deixei aqui, e que nunca mais vou vê-la de novo. Ela é minha! Eu não vou deixá-la aqui sozinha. Eu cuido do que é meu!
Meus pensamentos vão até o cara que vive a rondando. Eu não suporto vê-lo perto dela. Eu vejo como ele a olha. Seus olhos sempre param mais do que o necessário em seus lábios, e eu sei que ele quer beijá-los. E isso só por cima do meu cadáver. Eu sei que ele quer tê-la em seus braços, e isso faz todo o meu controle escorrer pelo ralo. Eu sinto um ódio imenso apenas de imaginar o que se passa em sua cabeça quando ele coloca os olhos nela.
— É meu amigo, acho que você foi laçado. – Sorrio. Isso foi realmente o que aconteceu. — Você já falou com seus pais sobre isso?
— Eu comentei com a minha irmã. E eu não preciso falar disso com eles, eu sou adulto, sei o que faço. E eu tenho certeza de que eles vão amá-la. Mel é assim, ela encanta a todos.
— Bobão. – Diz Mark balançando a cabeça em negação como se não estivesse acreditando no que eu estou falando.
— Você vai ter que arrumar outro cara para te acompanhar nas noites de bebedeira meu amigo, porque de agora em diante todas as minhas noites eu quero passar com a Mel. – Digo me inclinando para trás. — E eu não poderia estar em melhor companhia.
— Não vai ser difícil. – Mark ri. – Agora falando sério. Você já conversou com o avô dela sobre isso? Sobre essa decisão de vocês dois? — Ele encara seus dedos. — Por que você sabe, vai ser uma mudança e tanto para ela.
Eu sei que vai. Mas eu vou fazer o possível e o impossível para que ela se sinta bem, e em casa quando estiver comigo, porque assim como ela é meu lar, eu sei que também sou o dela.
— Não. — Respondo a pergunta de Mark. — Eu quis falar, mas ela disse que queria fazer isso ela mesma. E eu respeitei. Acho que é um momento dela, ela precisa, e eu vou apoia-la.
— Você parece mesmo feliz. – Diz Mark examinando meu rosto com uma expressão pensativa.
— E eu estou. – Digo sinceramente feliz.
— O que você vai fazer com a maluca da Kate? — Pergunta Mark contendo o riso.
— Nem me lembre dela. – Digo me sentindo desconfortável. — Nós já terminamos a anos, mas ela continua no meu pé. Ela vai ter que entender. Eu vou me casar!
— Vocês terminaram a anos, mas tiveram recaídas. – Mark faz uma cara de malícia. E eu sei do que ele está falando. Não tenho orgulho disso. Mas o que um cara que mora sozinho poderia fazer? Ela simplesmente aparecia na minha porta, se oferecendo...
Faço uma careta para ele.
— O que você queria que eu fizesse? Ela é maluca, mas é bonita e eu não sou de ferro. – Me defendo da melhor maneira possível.
— Eu te entendo amigo, você sabe que sim. – Diz Mark com sorrisinho.
— Se eu pudesse voltar atrás eu teria batido a porta na cara dela todas às vezes em que ela foi me procurar. – E agora eu estou sendo realmente sincero. Algumas horas de prazer não valem o inferno que ela me fez passar.
— Pelo menos você pulou fora a tempo.
— Como assim? – Pergunto confuso.
Mark arqueia uma sobrancelha.
— Nós dois sabemos que ela seria capaz de qualquer coisa para te prender.
— Não duvido. – Murmuro.
— Ela poderia, sei lá – ele dá de ombros – ter engravidado.
Sinto minha espinha gelar. Meus olhos se arregalam.
— Não fale isso nem brincando. Um vínculo pela vida inteira com aquela doida? Eu prefiro a morte. – Digo ainda meio assustado.
Mark gargalha.
— Como vocês ficaram juntos por tanto tempo? – Pergunta Mark incrédulo.
— Ela tem lá suas qualidades. – Dou de ombros sem querer me aprofundar no assunto.
— De boca fechada, e debaixo dos lençóis, certo? – Diz Mark com um sorriso brincalhão no rosto.
— Eu não disse isso. – Digo desviando meus olhos e voltando aos papéis à minha frente.
— Nem precisa. Sua cara já diz tudo.
Nada do que fazíamos juntos chega aos pés do que eu sinto quando estou com a Mel. Incrível como tudo é novo para ela, e eu fico mais do que feliz em lhe ensinar.
Mark levanta de sua cadeira e vai em direção à janela.
— Já está escurecendo. – Ele comenta.
Olho no relógio e já passam das sete e meia. Estranho Mel não ter retornado minha ligação.
— Você contou para a Mel, sobre a Kate?
— Eu comentei. – Digo ainda olhando fixamente para o celular, quase o obrigando a tocar. – Ela não precisa saber dos detalhes. Ela sabe que tive outras pessoas antes dela.
— E se você fosse fazer uma lista não iria acabar nunca mais. – Faço uma careta para ele, mas meus olhos se voltam para o meu celular. — Por que você não liga logo. – Diz Mark revirando os olhos.
— É isso o que vou fazer.
Pego meu celular e levanto-me saindo da sala para ter um pouco mais de privacidade. Procuro na lista de contatos seu nome, e assim que eu disco sua foto aparece sorrindo para mim. Fico na expectativa enquanto o telefone toca, e toca, e toca... Caindo na caixa postal.
— Droga. – Praguejo baixinho.
Tento novamente.
— Por favor, amor, atenda. – Eu suplico.
Acaba caindo na caixa postal mais uma vez.
Eu deveria tê-la trazido comigo.
Passo meu dedo pela foto, contornando seu rosto, e sentindo meu coração doer de tanta saudade.
Eu estou a três horas de distância dela, eu a vi há um dia, como pode passar pela minha cabeça que eu poderia ficar sem vê-la pelo resto da minha vida?
Volto para a sala frustrado. Mark está sentado à mesa enquanto mexe em seu computador.
— Eu achei voos para quarta-feira. Pode ser?- Ele pergunta sem tirar os olhos da tela à sua frente.
— Pode. – Digo distraído.
Ela disse que falaria com seu avô hoje.
Talvez seja por isso que eu estou tão nervoso, e inquieto!
Entretanto, eu sinto como se alguma coisa estivesse errada. Mel, não perderia a chance de falar comigo. Eu sei que ela sente a minha falta do mesmo jeito que sinto a dela.
— Não conseguiu falar com ela de novo?
— Não.
— Liga no restaurante. — Sugere Mark.
— Não tenho o número. – Digo emburrado encarando a foto da garota linda e sorridente à minha frente.
— Eu tenho. – Olho surpreso para ele. – O quê? — Ele pergunta espantado. – A Julia me deu.
— Me passa o número. – Digo apressado.
Mark me passa o número e eu ando de um lado para o outro na sala, impaciente enquanto espero na linha.
— Alô. – Diz uma voz já conhecida.
Ana!
Solto a respiração aliviado.
— Ana, é o John. – Digo contente por finalmente conseguir falar com alguém que está perto dela.
— John, oi, que surpresa.
— Eu estava tentando falar com a Mel, mas ela não atende o celular. Está tudo bem aí? — Pergunto preocupado.
— As coisas podiam estar melhores. – Diz Ana meio triste e isso me deixa atento.
— Aconteceu alguma coisa? — Pergunto preocupado. Meus pensamentos me levam a Mel.
— José passou mal hoje de manhã. Mel o encontrou caído no escritório. – Diz Ana com a voz baixa.
— Ele está bem? – Pergunto preocupado.
O avô de Mel é um homem bom, gosto dele. E eu sei o quanto ela sofreria se algo acontecesse a ele.
— Ele já foi medicado, e está tudo bem. – Diz Ana para o meu alívio.
— Graças a deus. E a Mel? Como ela está? – Posso imaginar que ela esteja sofrendo. E isso faz meu coração sangrar. Eu não estou por perto para lhe dizer que vai ficar tudo bem.
— A coitadinha ficou bem abalada. O avô é muito importante para ela.
— Onde ela está? — Pergunto tentando controlar os meus batimentos cardíacos que estão descontrolados agora. Eu preciso saber se ela está bem.
— Ela está no quarto com o José.
Isso explica ela não ter atendido o telefone.
— Tudo bem Ana. Você pode pedir para ela me ligar?
— Claro John, não se preocupe.
— Obrigada. – Digo sinceramente. – Este número ficou gravado aí?
— Sim, temos bina.
— Então, qualquer coisa você pode me ligar. A qualquer momento. E por favor, não esqueça de pedir para Mel me ligar. — Eu a lembro mais um vez.
— Pode deixar.
— Boa noite Ana. – Digo fitando a escuridão da rua.
— Boa noite John.
Assim que encerro a ligação recebo pela primeira vez o verdadeiro impacto da notícia.
— O quê aconteceu? – Pergunta Mark. Seus olhos não se desgrudam de mim.
— O avô da Mel passou mal. Ela o encontrou caído no escritório. – Murmuro.
— E ele está bem? – Pergunta Mark também preocupado.
— Sim, ele está.
— Ainda bem. – Ele parece aliviado.
— Eu tenho que voltar. – Digo ignorando o olhar incrédulo de Mark. – Eu não posso deixar a Mel sozinha. Ela precisa de mim.
O pensamento de que ela pode estar sofrendo parte o meu coração. E eu sinto a necessidade de abraçá-la, e de estar com ela.
— Você não quer sair hoje, né?
Já está tarde. As ruas já estão escuras. Seria burrice pegar estrada.
— A gente pode voltar amanhã cedo. – Continua Mark.
— Pode ser. Vamos voltar para o hotel. Eu quero esperar a Mel me ligar.
— Beleza. — Diz Mark se levantando e pegando seu casaco. – E eu já reservei as passagens. Três passagens.
— Obrigado.- Murmuro.
[...]
Deitado em minha cama no hotel encarando meu celular, esperando sua ligação, esperando ouvir sua voz para me acalmar, os minutos nunca passaram tão devagar. E eu só consigo pensar no quanto eu estou ansioso. No quanto eu preciso ouvi-la dizer que está tudo bem com ela. Eu nunca tive esse tipo de preocupação com nenhuma outra mulher que não fosse minha mãe ou minha irmã. Essa é uma prova do quanto Mel é importante para mim. É a prova de que eu tomei a decisão certa.
Tento a sorte novamente. O telefone toca, toca, toca, umas cinco vezes e ninguém atende.
Será que ela deixou o celular no quarto? Ou será que ela esqueceu em algum outro lugar da casa?
Droga! Eu apenas queria ouvir sua voz.
Amanhã.
Amanhã eu vou vê-la de novo.
— Boa noite meu anjo. – Murmuro na escuridão do quarto, desejando profundamente que ela possa me ouvir, ou que pelo menos que isso a conforte, já que por enquanto eu não posso.
Fecho os olhos, e entrando no mundo dos sonhos, seus olhos incrivelmente castanhos e grandes são a primeira coisa que eu vejo...
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