Sob minha pele

19 Capítulo 19


Notas iniciais
Só para deixar um gostinho de quero mais! :)

Mel.

Não sei por quanto tempo ficamos fazendo amor embaixo do chuveiro. O tempo era a última coisa em que vinha em minha cabeça. É difícil pensar em qualquer outra coisa no mesmo momento em que John estava tão perto de mim. Em todos os sentidos, de todos os jeitos possíveis. Suas mãos passeavam pelo meu corpo. Sua boca nunca desgrudava da minha, minhas mãos vagueavam por seus músculos por sua pele.

Depois do nosso banho John me enrolou em uma toalha.

Procuro por meu vestido para poder me trocar, mas John me olha com as sobrancelhas franzidas.

— O quê está fazendo? – Pergunta enquanto enrola uma pequena toalha branca em volta da cintura. Eu tento desesperadamente olhar para qualquer outra coisa no quarto. Mas meus olhos parecem ter vida própria, eles vão para seu corpo. Suas coxas, seus braços. John tem pernas fortes, ele deve malhar, seu abdômen é liso perco o ar ao notar os pequenos pelos clarinhos em seu peito. Olhando de longe parece até que não existe nenhum, porém eu passei muito tempo olhando de perto.

— Eu vou me trocar. – Digo confusa enquanto tento fazer a toalha cobrir o máximo possível do meu corpo.

John está secando o cabelo molhado com a toalha enquanto me fita com os olhos sérios. Minha boca seca. A imagem dele apenas de toalha é demais para mim, e ainda mais sabendo que ele não tem nada por baixo. Mesmo já tendo aproveitado muito dele.

Viro-me e continuo a procura de minha calcinha e do meu vestido.

— Não perca seu tempo procurando sua roupa. Você sabe muito bem que eu vou tira-la de novo. – Ele diz. Meus olhos se arregalam em sua direção. Ele está com um sorrisinho malicioso despontando em seu rosto.

Ele vem até mim em passos lentos seus braços me envolvem, fecho os olhos com força.

Eu estou em casa!

— Você não vai me deixar aqui sozinho, não é? – Suas mãos vão até meus cabelos molhados. Meus olhos estão fixados em seu peito. Ele levanta meu rosto com os dedos. – O que foi? – Eu me sinto uma idiota por estar me sentindo tímida agora. Depois de tudo o que nós já fizemos juntos. John conhece mais sobre mim do que qualquer outra pessoa. – Tímida comigo Mel? – Ele sorri. Seu sorriso é a coisa mais linda do mundo.

— Desculpa. Eu não consigo evitar. – Digo. Posso sentir minhas bochechas queimarem.

— Você é a coisa mais fofa do mundo!

Fofa? Sério?

Nunca gostei que me chamassem, ou me achassem fofa. Isso me parece um “elogio” que se faz a um cachorrinho. Como quando você vê um daqueles cachorros de madames dentro de uma bolsa e pensa: Que fofo!

— Não gosto que me chamem de fofa. – Digo num muxoxo.

— Eu só quis dizer que você é linda. – Ele se inclina e beija meu nariz. Ele me abraça forte apoio minha cabeça em seu peito.

— É tão especial o que nós temos juntos. Quando nós fazemos amor, porque é isso o que nós fizemos agora – Ele enfatiza isso para mim enquanto me perco em sua imensidão verde. – Eu não quero que você tenha vergonha disso, ou de mim. Eu amo você. Amo cada pedacinho de você, e eu sou o homem mais sortudo do mundo por ter esse privilégio. – Ele diz com um sorriso bobo que faz meu coração se encher de emoções até a pouco tempo desconhecidas.

Ele tem razão. É mais que especial. É incrível, é maravilhoso, é de outro mundo. É como se nós completássemos um ao outro. Como se eu sempre estivesse a sua procura, e ele a minha. Como se um precisasse do outro para existir.

— Eu sou uma bobona, não é? – Passo meus braços por seu pescoço enquanto me inclino para beijar seus lábios, ficando na ponta dos pés. Suas mãos vão até a base da minha coluna me puxando de encontro a ele. É difícil respirar.

— Eu não posso ficar a noite toda. – Meus lábios roçam os seus enquanto eu falo. John contorna o lábio inferior com a língua e algo se esquenta dentro de mim.

— Eu não vou mentir. Eu queria poder dormir com você, a noite toda, agarradinho de conchinha. – Seus lábios vão até meu ouvido. Ele morde o lóbulo da minha orelha. Estremeço. Seus braços me seguram com mais força. Cravo minhas unhas em seu braço. Posso sentir meu corpo todo arrepiado. – Mas, já que você tem que ir embora, eu quero aproveitar muito bem antes. – Sua voz está rouca, e revela suas intenções.

Seus lábios descem pelo meu pescoço, e eu acho que se ele não estivesse me segurando com tanta força eu teria desabado no chão. Seus lábios vão até meu ombro, com beijos delicados que fazem minha pele formigar.

— Você é tão cheirosa. – Ele diz arfando. – Seu cheiro é tão bom. – Seus dedos se prendem na parte de cima da minha toalha. Seus olhos se prendem ao meu novamente como se ele estivesse pedindo a minha permissão. Beijo seus lábios em um sinal de permissão, porque eu não posso negar nada a ele, porque negando a ele eu estaria negando a mim mesma também. Seus dedos puxam minha toalha para baixo. Tento não pensar muito na luz acesa do quarto, nos olhos de John que me devoram sem o menor pudor, tento não pensar muito no fato de eu estar completamente nua em sua frente.

— Apaga a luz. — Eu peço baixinho. Não estou preparada. Eu ainda não me sinto confortável com seu olhar sobre o meu corpo, sobre mim.

Ele beija minha testa e então vai até o interruptor e apaga as luzes. O quarto fica banhado pela escuridão. Eu não consigo enxerga-lo direito. Vejo uma sombra andando em minha frente. Meu coração tem um descompasso. John acende um abajur que está em cima do criado mudo, ao lado da cama. Uma luz fraca se faz presente o suficiente para eu poder enxergá-lo muito bem.

— Melhor? – Ele pergunta me abraçando novamente. Seu peito se encosta ao meu e a sensação é inexplicável. Suas mãos vão para o meu pescoço enquanto ele puxa meu rosto ao encontro do seu. Estou grudada nele. Ele está grudado em mim. E nada poderia ser mais perfeito. – Eu quero que você se sinta confortável comigo. – Ele diz num sussurro.

— Eu me sinto. Como eu nunca me senti antes. – Digo quase sem conseguir pronunciar as palavras. A energia que emana dele me afeta de um jeito completamente avassalador.

O jeito que ele se move sobre mim, o jeito como suas mãos tocam o meu corpo, com tanto carinho, com cuidado, como se eu fosse preciosa demais. O jeito como ele sussurra meu nome em um momento tão intimo, o jeito como seus lábios me beijam em todos os lugares. Tudo isso quase me faz perder o ar. Eu nunca vou me esquecer de nada disso. Eu nunca poderia ter a mesma sensação com outra pessoa. John é tudo o que eu quero.

Eu espero ser tudo o que você quer também John.

Eu quero ser tudo o que ele precisa.

Minhas mãos agarram seus cabelos com força enquanto seu corpo me aperta em sua cama.

[...]

Nossos corpos estão entrelaçados na cama estreita. Não que eu esteja reclamando. A cama ser estreita só faz tudo ser muito, mas muito melhor.

Minha cabeça está apoiada em seu peito. Meus dedos fazem círculos em seu peito. John suspira baixinho como se a sensação de minhas mãos o tocando fosse simplesmente divina.

— É tão bom ficar assim com você. – Diz apertando mais os braços ao meu redor.

Eu não poderia imaginar um lugar mais perfeito.

Estou sonolenta. Os braços dele me acalmam. O som da sua respiração é como música para os meus ouvidos. Seus dedos fazem minha pele formigar, o contato do seu corpo junto ao meu é divino.

Eu estou no céu!

— Eu já disse o quanto eu amo o seu cabelo? – Ele diz de repente me fazendo soltar risinhos. – Eu já disse o quanto eu amo seus olhos? – Ele está se virando para ficar de frente a mim. – Eu já disse o quanto seu sorriso me deixa bobo? – Ele sorri. Ele beija minha bochecha. – Eu já disse o quanto eu amo você?

Nesses momentos com ele faz tudo valer a pena.

Tudo.

— Por que está dizendo isso agora? – Pergunto rindo me sentindo boba por estar tão feliz.

Ele encosta seu rosto ao meu. Seus olhos estão bem perto dos meus.

— Você me ama como eu amo você? – Sua voz não passa de um sussurro.

Franzo minha sobrancelha. Essa pergunta me deixa inquieta.

Claro que eu amo!

— Eu amo você. – Digo para ele. Seus olhos brilham como se essa fosse exatamente a resposta que ele estava esperando. – Você dúvida disso, dúvida do que eu sinto por você? – Ele passa suas mãos pelo meu rosto. – Você duvida do meu amor?

Isso meio que me magoa.

Ele acha que eu estaria agora, aqui, com ele, se eu não o amasse de verdade?

— Eu não duvido que você me ame Mel. Eu só quero saber se você me ama com a mesma intensidade que eu amo você. – Sua voz está rouca. Ele engole em seco. – Eu não estou me expressando direito. É sobre isso que eu queria falar com você, mas eu estou colocando o carro na frente dos bois. – Ele se senta de repente. Passa as mãos pelo cabelo. Ele está inquieto.

Eu sei que ele quer me dizer alguma coisa!

Por que eu acho que estou perdendo alguma coisa aqui? Há um minuto estava tudo bem.

Sento-me puxando os lençóis para me cobrir. Passo minhas mãos pelos meus cabelos tentando ajeita-los. Eles estão completamente bagunçados, emaranhados, de tanto que as mãos de John passearam por eles.

Sinto meus olhos arderem. Ele está me assustando com todo esse mistério. Vou até ele e o abraço por trás. Ele fecha os olhos. Mantenho meus braços ao seu redor. Beijo seus ombros. Ele suspira. Sinto seus braços se arrepiarem ao meu toque.

— Ás vezes é difícil administrar o que eu sinto por você. Como isso ficou tão forte de repente? – Essa a mesma pergunta a qual eu me faço. – Eu sou tão dependente de você. – Ele diz num fio de voz. – Quando nós estamos juntos eu não consigo pensar em mais nada. Eu não quero mais te soltar eu quero que você fique para sempre do meu lado. Você entende isso?

É claro que eu entendo. É o que eu sinto também. Eu quero fazer parte de todos os segundo, minutos de sua vida. Eu quero ser aquela mulher que vai estar sempre ao seu lado. Uma companheira.

Ele me puxa pelos braços até eu estar montada em seu colo. Ficamos abraçados por minutos, por horas. Eu não tenho noção de tempo perto dele. Na verdade, eu gostaria que o tempo parasse. Só para nós dois.

— O que deixou você assim? – Pergunto enquanto seu rosto vai ao encontro do meu.

— Algumas coisas no trabalho. – Ele coça a cabeça. – Eu vou ter que passar uns dois dias em Madri, para resolver essas pendencias.

Seus olhos examinam minha reação.

Dois dias em Madri? Eu vou ficar dois dias sem vê-lo? Mas isso seria um tempo em que nós poderíamos ficar juntos. E se ele tiver que ir embora de lá?

Claro que ele não faria isso. Não sem se despedir.

— Amor – ele diz baixinho percebendo minha insegurança, meu medo de perdê-lo. – São só dois dias.

Ele entrelaça seus dedos aos meus. Ele leva minhas mãos aos lábios.

Nós vamos dar um jeito.

De repente a realidade me atinge como um soco. Cada dia está mais perto. Logo ele não vai mais estar aqui. Logo ele irá para longe, e logo ele irá se esquecer de mim.

Eu não vou passar de uma lembrança!

Isso é doloroso demais!

— Agora são apenas dois dias – digo num fio de voz, como se algo estivesse me matando por dentro — mas e quando você tiver que ir embora de verdade – eu já não tenho mais controle sobre minhas emoções. Minha voz sai arrastada. Sinto minhas lágrimas inundarem meu rosto. Ele encosta seu rosto ao meu. E eu choro. Choro porque eu não me imagino mais sem ele. Eu não me imagino mais fazendo tudo o que eu tinha planejado para mim antes de conhecê-lo, porque tudo o que eu quero para o meu futuro agora inclui ele. Um soluço forte vem do meu peito e ele me abraça forte.

— Por favor, não. – Ele diz como se fosse doloroso demais. – Por favor, não chore. – Ele limpa minhas lágrimas, deixa beijos demorados em cada um dos meus olhos. – Eu amo tanto você. Você acha que eu não penso nisso? Você mudou tudo. Tudo. Eu não enxergo um futuro para mim, eu enxergo um futuro para nós dois. Juntos. – Ele acaricia meus cabelos. – Eu preciso que você confie em mim. – Seus olhos me suplicam.

— Eu confio em você. – Digo para ele entre soluços.

— E isso é tudo o que eu preciso ouvir. – Deito minha cabeça em seu ombro. – Você pode me ligar enquanto eu estiver lá. Nós podemos matar a saudade pelo telefone. – Ele diz para mim enquanto acaricia minhas costas nuas. – Eu sei que não é suficiente, mas eu juro que vou tentar fazer tudo o mais rápido possível. Para eu poder voltar para você.

Será que vai ser isso que ele vai me sugerir quando ele voltar para Nova Iorque? Que nós conversemos por telefone? Quanto tempo isso duraria? Quanto tempo até ele cansar? Isso só faz meu coração se apertar mais. O aperto com mais força.

Por favor, não me deixe.

— Quando você tem que ir? – Minha voz está baixa, fraca.

Ele suspira alto.

— Amanhã à tarde. Mark vai comigo. – Ele diz desanimado. – Não pense que eu estou gostando disso. Esse é um tempo que eu poderia passar com você, mas eu sinto muito amor, é meu trabalho. – Ele se desculpa.

— Eu estou fazendo tudo ser mais difícil não é? – Digo cabisbaixa.

Eu mal posso pensar no quanto vai ser pior quando for real. Quando ele realmente me dizer adeus.

— É difícil para nós dois. Mas, como eu já disse, nós vamos dar um jeito. Nós precisamos, porque eu não sei mais viver sem você. – Seus lábios se grudam aos meus. John me beija com força, com desejo com paixão. Quando o ar nos falta nos separamos. – Tem mais uma coisa. Você viu os dois homens com quem eu estava conversando essa noite?

Aceno afirmando.

— Eles são engenheiros. Eles estavam aqui porque depois de alguns testes eles chagaram a conclusão de que o terreno não está adequado para construção. – Meu coração para. Meu corpo inteiro treme. – Nós vamos embora na próxima quinta.

Ele vai embora? Ele vai embora?

O momento do qual eu tinha tanto medo está se aproximando. Ele vai embora. O que eu vou fazer sem ele? Eu não posso mais ficar sem ele. Eu não consigo.

Agarro-me a ele como se ele fosse desaparecer. Meu corpo inteiro treme enquanto eu choro descontroladamente.

— Por favor, não me deixe. – Eu suplico para ele entre soluços. A expressão de John é de partir o coração. Seus olhos estão vermelhos. Ele enterra sua cabeça na curvatura do meu pescoço.

— Eu amo tanto você. – Ele diz com os lábios colados ao meu pescoço.

— Por favor. O que eu vou fazer sem você? – Minhas lágrimas molham suas costas. Estamos os dois agarrados. Agarrados a isso o que temos juntos. Ao nosso amor.

— Isso está me consumindo durante o dia todo. Eu não penso em outra coisa. Eu não quero ficar sem você. Não quero. Eu não posso. Você é tudo para mim. Você é minha vida agora Mel. Minha felicidade está ao seu lado e a sua ao meu. – Ele diz com a voz embargada. – Eu não me arrependo de nada ouviu? De nada o que nós vivemos juntos, cada minuto, me fez te amar mais ainda. Eu nunca vou poder amar outra mulher como eu te amo porque eu quero só você. Só você. Mas você entende que eu não posso ficar aqui?

Ele não pode. Ele não pode ficar. Ele vai me deixar. Eu nunca mais vou vê-lo.

Por favor, John não me deixe.

— Eu amo tanto você, tanto. – Meu coração está despedaçado. Eu não encontro o meu ar. Meus olhos estão embaçados por conta das lágrimas. Meu coração está partido. John vai levar um pedaço dele quando ele se for. E ele tem esse direito. Porque é dele. Eu o entreguei a ele. Ele encosta seus lábios aos meus. Suas lágrimas se misturam as minhas. – Você está se despedindo de mim? – Pergunto com o coração na boca. Eu estou à beira de um abismo, o abismo que vai ser minha vida sem John.

— Como eu poderia? – Sua voz está embargada por conta do choro. – Como eu poderia me despedir de você? – Ele pergunta enquanto deposita um beijo em meu queixo. – Eu acabei de dizer que não posso mais viver sem você. Agora eu te pergunto. Você pode viver sem mim?

— Não. – Digo soluçando. – Eu não posso. Não mais. Eu ... – as palavras estão presas em minha garganta nunca foi tão difícil falar – eu não posso ficar sem você.

Não posso. Não me resta nada mais sem ele.

Nada!

Ele coloca uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha. Ele pega outra mecha e o leva até o nariz, onde expira. Expira o meu cheiro. Eu estou hipnotizada. Seus olhos me fitam com determinação. Ele pega meu rosto em suas mãos. Seus polegares escovam minhas sobrancelhas.

Como eu vou conseguir viver sem seu carinho? Sem seus beijos? Sem seu toque? Como eu vou conseguir viver sem você John?

— Mel – sua voz é grave e está me chamando. Seus olhos estão com uma intensidade tão forte que eu não consigo desviar os meus. – Eu quero que você venha comigo. – Meus olhos se arregalam. Meu coração dispara. Minhas mãos cobrem as suas e eu as aperto com força.

Ele está mesmo dizendo isso?

— Eu quero que você venha comigo para Nova Iorque.

Nós vamos dar um jeito.

Notas finais
Eu sou muito boazinha. :)