EDWARD

Bella ainda dormia quando deixei a biblioteca, depois de tanto tempo, essa era a coisa mais difícil que estava fazendo. Havíamos acabado de ter algumas horas de paz. Mas eu precisava pensar, e perto dela eu não pensava em nada.
Recebi um e-mail, estive me afastando disso por dias, mas Felix me empurrou para um penhasco. Se quer confiar nela, comece a ouvir o que sabem sobre ela. Mas eu não queria ouvir ninguém, eu queria ouvir dela. Meu informante avisou sobre um rastreamento, de alguma forma antes de tudo acontecer Bella havia dado uma carta alerta a eles. Então eles sabiam que ela estava comigo. Isso é, ela mentiu sobre nunca ter tocado nesse assunto com eles antes.
E agora eles estavam atrás de um dossiê pessoal feito por ela. Era a única forma de me encontrarem. Precisei sair de casa depois disso, eu não queria acreditar que ela ainda possuía essas informações muito menos que ela havia compartilhado isso com alguém. Com a polícia na pior das hipóteses.
Felix tentou me parar quando disse que iria até sua antiga casa, mas eu não podia pensar como um covarde agora. Se ela sabia o que estava fazendo, se ela estava vivendo uma farsa como a maioria dos tiras que conheci... eu não queria pensar sobre isso.
Me condenei quando me apaixonei por ela. Esse era o preço que eu iria pagar agora.

BELLA

Edward não comentou nada sobre o quarto secreto na biblioteca, também não fiz menção do assunto depois de quatro dias. Ele estava mais afastado, na verdade ele estava a maior parte do tempo com Rosalie, ela se sentia confortável me mostrando isso. Jasper foi a uma viagem de dois dias então me restava Felix, porém ele estava ocupado demais resolvendo os problemas de Edward para me dar atenção. Meus dias estavam resumidos em sinuca e biblioteca, voltando à estaca zero.
Edward entrou em meu quarto, pensei em pegar a toalha para me cobrir, mas ele não veria nada do que já não tinha visto. Peguei minha camiseta e passei pela cabeça me virando para ele.
–Podia bater na porta. -Avisei. Seus olhos estavam brilhando e tentei não alimentar minha mente com isso.
Não sou o tipo de mulher que cora. Eu tento estar no mesmo nível.
–Desculpe?
–Desculpado. O que quer? Não arrumou ninguém para se comunicar comigo? Deve estar sendo difícil.
–E está. -Se encostou na parede.-Você sabe que está.
–O que quer?
–Preciso que me diga tudo sobre Alice Brandon.
–Alice? Por quê?
–Mapeei todas as pessoas que você conhece, Alice esteve com Phill duas noites atrás.
Senti meu estômago se revirar.
–Ela não...
–Não sabemos, preciso que me dê informações sobre ela, todas que tiver.
–Edward...
–Não é só por você, Bella. Apenas me informe que eu cuido do resto.
Alice? Eu a conheço uma vida toda. Ela não tinha nada a ver com isso e era a única certeza que eu tinha.
–E se ela não estiver com ele?
–Vou dar um jeito de tirá-la de perto.
–E se ela estiver?
–Você não vai gostar muito de saber. -Falou abrindo a porta me dando passagem.
James e agora minha melhor amiga. Depois seria quem? Meus pais? Charlotte? Fechei os olhos engolindo a bile e o acompanhei até seu quarto. Eu não chorei, porque eu disse que não choraria mais, mas sempre que olhava para a frente eu não via minha vida.
Era estranho não ter uma perspectiva de futuro, por nenhum ângulo. Edward se sentou na cama a meu lado me mostrando as fotos de Alice e Phill, minha melhor amiga era uma romântica incorrigível, eu contaria com isso para explicar aquelas fotos.
–Eu a conheço a minha vida toda. -Comentei.
–Isso não impede de alguém te virar as costas. -Edward estava em uma busca de dados.
Eu conhecia cada informação dele.
–Cynthia. -Falei apontando para a foto do colegial.
–Gêmeas?
Assenti.
–Elas são carne e unha. Alice conta tudo para ela. -Peguei seu computador.
–O que vai fazer?
O encarei.
–Cynthia tem uma conta em um site de relacionamentos.
–E? –Me encarou.
–Como a irmã dela, ela também não tem filtro. Eu sei como achá-la por aqui. Podemos conversar com ela, ou melhor, você pode.
Edward me observou entrar no site e lá estava o cadastro, o encarei por alguns segundos antes dele tomá-lo de mim e preencher tudo com informações falsas.
–Ela vai te pedir uma foto. -Avisei.
–Não posso. Eu não vou dar tempo de ela pedir.
Dei de ombros e a página inicial nos deu as boas-vindas. Como eu disse, não era difícil achá-la e ela estava online, antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Edward a chamou. Nos arrastamos em uma longa conversa sobre o tempo e me vi impaciente, até ela mudar seu status para uma carinha triste. Edward sorriu.
–Insensível.
–Que foi? -Me encarou.
–Vamos ao que interessa.
Edward: triste?
Cynthia: sim.
Revirei os olhos imaginando Cynthia fazendo bico, como se ele estivesse a seu lado afagando seu cabelo.
Edward: o que houve?
Cynthia: irmãos.
O encarei. Depois uma tarde toda, tínhamos que ter algo em mãos.
Edward: brigaram?
Cynthia: não é nada. Coisa de garotas.
Edward: tenho todo tempo do mundo.
Cynthia: você é real? As pessoas não se interessam pelo que eu falo.
Drama, eu sentia falta disso.
Edward: só sou bom com as mulheres.
Cynthia: você é gay?
A risada escapou antes mesmo que eu pudesse pensar em privá-las.
–Eu sou gay, Isabella? -Me encarou se aproximando.
–Eu apenas ri. -Me contive.
–Pensei que teria de refazer suas marcas.
Bufei voltando minha atenção a tela iluminada.
Edward: não sou gay, apenas entendo bem de mulheres.
Claro que entende.
Cynthia: bom, tenho uma irmã gêmea. Há pouco tempo perdemos uma amiga, na verdade ela foi sequestrada no dia do seu casamento, vai parecer meio Hollywoodiano, mas é verdade. Minha irmã se afastou um pouco, então recebeu uma ligação umas semanas atrás e era ela. Bella está fazendo muita falta, agora não sabemos se ela está viva ou morta porque o noivo dela foi assassinado. Ninguém sabe de nada.
Senti as lágrimas em meus olhos. Edward não me encarou.
Edward: eu sei o que é sentir falta de alguém, eu senti falta de uma pessoa durante três anos.
Cynthia: sua namorada?
Edward: um pouco mais do que isso. Talvez a minha vida toda.
Cynthia: wow.
Edward continuou a digitar sem me encarar. Ele estava falando de mim, ali do lado dele.
Edward: mas é por isso que está triste com a sua irmã?
Cynthia: ela ficou bem sensível com tudo isso. Então conheceu um homem gentil no supermercado e eles estão saindo faz uns dois dias. Ela só fala dele, que ele é cavalheiro e diz que as coisas vão ficar bem. Ela está se afastando de mim, sabe?
Edward: você não gosta do novo namorado dela?
Cynthia: não é isso, eu fico feliz por ela estar conhecendo alguém. Mas ela tinha planos e está deixando para trás porque acha que talvez não deva segui-los.
Edward: um plano grande?
Cynthia: escola de teatro em Londres. Eu estou torcendo para ela ser chamada, podemos ir juntas para lá. Ela pode arrumar um cara legal com um sotaque perfeito.
Sorri aliviada.
Edward: mas se eles se conhecem a muito tempo, é difícil desgrudar.
Cynthia: dois dias não é uma grande coisa. Ela supera.
Edward: então eles mal se conhecem?
Cynthia: é isso. Ela só está sensível.
O encarei.
–Hora de dar tchau. -Sussurrou.
Encarei a foto de Cynthia por mais alguns segundos até a conversa ser concluída. Alice precisava ficar longe de Phill o mais rápido possível.
–O que vamos fazer?
–Mandá-la pra Londres. –Fechou o computador.
–Está falando sério?
Assentiu, deixei as lágrimas virem e o abracei em um ato involuntário.
–Obrigada.
Edward abriu um sorriso de canto e isso fez meu coração bater mais forte. Eu sabia que Alice não ia se recusar ir para Londres. Nem por mim, eu esperava por isso, profundamente.
Conseguimos. A sensação de conseguir tirar Alice e Cynthia do país me fez respirar um pouco melhor. E pela primeira vez agradeci a Caius por ser um idiota pegajoso e estar sempre com Charlotte, ele a amava pelo menos, então ela estava fora de perigo por agora.
–Certo, a policia está protegendo seus pais, Phill não vai chegar perto deles. Seus alvos mais fáceis foram embora sem dar justificativa e o restante de seus conhecidos parecem fracos demais para uma aproximação. -Felix falou. -Deveríamos estar tranquilos quanto a isso, mas eu não estou.
–Por quê? -Jasper perguntou.
–Phill não tem mais para onde atirar. Então não podemos definir seu próximo passo.
Edward estava na ponta da mesa, seus pensamentos longes.
–Ele vai me atacar. -Falou segundos depois. -Não sei como, mas serei eu agora.
–Temos algum plano? -Peter perguntou.
–Coloquei dois rastreadores ao sul, não acho que ele vá se aproximar. Ninguém sabe que essa casa existe, nem que estamos aqui. Odeio ficar às cegas. –Segurou a cabeça.
–Vamos tirar Rose e Bella daqui. -Emmett falou pela primeira vez. Ele era o que gostava de apenas observar e era três vezes o meu tamanho.
–Nem pensar. Eu não saio daqui, qual parte do: Eu estou nessa! Ainda não entenderam?
–A parte que você morre. -Respondeu apoiando as mãos na mesa. -Isso não é uma série de TV, Bella. Edward está a mantendo aqui com medo que você morra dessa vez, mas ele sabe que estando aqui a possibilidade é ainda maior.
–Eu sinto muito ser o cadáver que vão enterrar, mas eu não vou sair.
–Você...
–Inútil, Emmett. –Edward o parou. – Eu resolvo isso.
–Nem comece. -O encarei.
–Se ela ficar, eu também fico. -Rose o segurou pela gola da camisa. -Só você pode me proteger, você prometeu.
Virei os olhos e a maioria presente queria um buraco no chão para se enfiar, era melhor do que ouvir a voz anasalada de Rose. Edward prometeu que me contaria os próximos passos do plano, por enquanto só tínhamos que esperar. Era a única opção depois dele confiar em mim para isso.

******
Mais uma vez Edward estava silencioso, quando ele ficava assim parecia que apenas uma pessoa podia controlá-lo: Rose. Isso fazia um amargo se instalar em minha boca, porque no fim ela tinha toda razão por ser o que era e pela certeza que ela dava. Independente do que aconteça, sendo certo ou não eu ter uma vida ali, seria sempre por proteção.

Me arrastei para uma tarde em que eu sentia falta de casa, de sentar em minha cama e pensar apenas no que fazer no fim de semana, ou apenas não fazer nada. O medo havia passado, e estávamos indo muito bem. Agora voltamos a estaca zero onde tudo parecia errado, até minhas escolhas.
Eu não queria pensar nos meus pais, nem na minha família ou outra coisa que pudesse me levar ao desespero porque ele estava a um passo de emergir e não seria produtivo escancarar meu medo assim. Então eu chorei sozinha, por muito tempo. Mesmo assim não parecia o suficiente, porque estava doendo mais do que eu imaginei possível.
Já era tarde quando ouvi o falatório no primeiro andar, continuei sentada no chão da suíte de Edward abraçada as minhas pernas esperando o sono retornar, então a porta se abriu e levantei a cabeça para encará-la.
–Quem é você? -Perguntei depois de alguns segundos. O moreno na porta apenas me encarava com um sorriso divertido.
–Posso entrar? –Perguntou.
–Não acho que seria uma boa ideia. -Soltei minhas pernas me levantando.
Ele sorriu.
–Sou amigo. -Estendeu a mão. -Jacob. -Duas covinhas se formaram em suas bochechas.
–Bella. -Falei sem me aproximar. Mas Jacob não entendeu que eu queria ficar sozinha, então ele entrou no quarto deixando a porta bem aberta.
–Vim conhecê-la já que não estava com o grupo lá em baixo.
Dei de ombros.
–Péssimo dia? -Perguntou.
–Um dia pior.
–Deve ser horrível essa situação.
–O que você sabe sobre ela? -Me sentei na cama. Jacob se aproximou mais até se sentar na poltrona a minha frente abrindo meu livro e consequentemente o desmarcando.
–Tem um verme atrás de você, mas você não é a ponta da pirâmide porque ele quer a cabeça de Edward. Também temos uma parte podre da polícia e tudo mais. -Sorriu. –Sem me esquecer que a maioria dos caras aqui acha que você tem algum plano arquitetado para nos entregar. Você é uma boa isca, ou uma boa manipuladora.
Eu não acreditava que a maioria daqueles homens achava mesmo que eu esperava Edward me sequestrar novamente.
–Edward te contou?
–Sou um bom rastreador.
–Rastreador?
Ele sorriu mais largo.
–Edward não me disse nada sobre não tocar nesse assunto, mas nos últimos anos eu estive sempre por perto.
O encarei.
–Edward te pagou para me seguir?
Assentiu brincando com a capa do livro.
–Sou bom nisso, e você não é uma aventureira. Então estava sempre na biblioteca, ou em casa. Poucas vezes no parque ou no shopping. Sempre com um grupo de garotas, no primeiro ano era bem desconfiada até voltar a rotina normal. Já não me cansava tanto ir atrás de você.
–Edward!
–Eu sinto muito, mas era para o seu bem.
–Ah claro. -Bufei. –Eu acabo de escutar que vocês não confiam em mim. Por que ele pagaria alguém para me proteger?
–Porque mesmo não confiando em você, ele também não confia nas pessoas que te usaria para chegar até ele. Mulher em geral são armas nucleares quando estão vingativas. Talvez ele tenha visto assim.
Talvez ele devesse me explicar isso melhor. Respirei fundo.
–Nos esbarramos algumas vezes. -Comentou.
–Onde? -Perguntei interessada.
–No café no centro da cidade e duas vezes no posto de gasolina. Você me passou a bomba uma vez, parecia um pouco atrasada e chegou a comentar isso.
–Não tenho uma memória muito boa.
–Você derramou café em mim.
Eu ri. Disso eu me lembrava.
–Seu cabelo era mais longo naquela época, mas... Ah meu Deus, era você?
–Sim e aquele café estava pelando. Mas perdoei você depois que voltou e pagou meu café. -Sorriu. -Edward tinha razão.
–Sobre o que?
–Você é uma boa pessoa, nunca tive a oportunidade de dizer isso porque o trabalho vem em primeiro lugar. Mas sempre quis dizer um Oi sem parecer perseguidor.
–Essa é a sua oportunidade. -Falei.
Jacob limpou a garganta e fez uma cena idiota de preparação antes de levantar a cabeça e dizer com um sorriso encantador.
–Olá, Bella.
–Você me conhece? -Brinquei.
–Droga! Vamos de novo.
Sorri.
–Olá.
–Olá.
–Prazer, Jacob. -Estendeu a mão.
–Isabella. -Apertei sua mão. -Mas pode me chamar de Bella.
–Bella. -Repetiu. -Só queria dizer que você é uma pessoa encantadora.
–Obrigada.
–E é a melhor da casa em um jogo de sinuca.
A risada explodiu.
–Eu tenho que ser boa em alguma coisa.
–Podemos ver se isso é verídico. –Se levantou.
–Agora?
Assentiu.
–Eu vim para ajudar na sua proteção.
–Isso parece meio perseguidor. -Me levantei.
–É o que faço, perseguir pessoas.
–Certo. Acho que não vou me apegar muito a esse pensamento. Podemos apenas fingir que estamos em um trabalho coletivo. -Incentivei.
–Gostei. Menos perseguidor. -Fez uma careta.
A porta se abriu e Edward nos encarou, era como se tivesse achado o que tanto estava procurando. Jacob mantinha seu sorriso radiante, agora tinha as mãos dentro do casaco de couro.
–Atrapalho? –Edward me encarava.
Eu não sabia se ele estava falando comigo, ele não fala comigo a dias; eu não me importava agora.
–Estamos indo jogar sinuca.
–Jogar? -Edward me encarou. Jacob passou por ele afirmando sua dúvida e o segui.
–Aonde vai?
–Você ouviu. Vou jogar com meu perseguidor. -O encarei.
–Precisamos conversar.
–Alguns belos dias sem nem ouvir sua voz direcionada a mim, agora quer conversar?
Jacob estava parado no fim do corredor me esperando.
–Dá um tempo Edward, não sou uma propriedade sua.
–Você não sabe o que diz.
–Estou tirando os seus diretos agora. Se me der licença. -Me virei para longe dele, ao mesmo tempo queria voltar e socá-lo.
Teríamos uma longa fase bipolar de Edward, eu estava me preparando para isso. Acho que desde sempre.

Notas finais
Agora com o PV do Edward dá para entender pq ele nao confiava na Bella cem por cento. Ele colocou espioes dentro da corporaçao onde ela trabalhou... mas nem todos que o ajudando, estao do lado dele... Por isso as divergencia... quando será que ele irá descobrir? Ate a proxima.