Sob a Máfia
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Notas iniciais
BELLA
Ouvi os gritos de Heidi minutos antes de Edward aparecer, ele segurava as chaves do carro, deu uma breve olhada em todos antes de se virar a mim.
–Jacob e Emmett, quero que cuidem da guarda. Peter, fique a um quilometro qualquer coisa me avise. Felix, olhe elas.
Rose estava escondida em um canto do sofá. Eu queria saber se ela ia embora por conta própria ou esperaria ser mandada. Edward acenou com a cabeça me mandando acompanhá-lo. Assim que passamos da cozinha, eu parei.
–Você não precisa vir.
–Mas eu vou.
–Vai apenas me deixar?
–Não. -Segurou a porta para mim.
–Você sabe...
–Bella. -Me encarou. -Suas opções são me deixar segui-la ou amarrá-la naquele quarto.
Apertei a alça da mochila e o segui, estávamos em um carro menor dessa vez. Deixei minha mochila no banco de trás e me acomodei na frente no banco do passageiro. Edward fez uma manobra e deixamos a garagem.
–Ela não gostou muito de você estar vindo. -Comentei camuflando minha raiva. -Heidi. -Falei.
–Você quer mesmo falar dela? –Ajeitou o espelho sem me encarar.
–Por que não? Algum problema? Eu já sei o bastante para não parecer estranho.
–Você sabe o que Rose te contou, não dá para saber por fontes.
–Ela foi bem convincente. E mesmo que não tivesse sido, eu não tenho nada a ver com isso. É sua vida privada e eu não faço parte dela.
Me afundei no banco e respirei fundo, vendo a paisagem mudar até estarmos na estrada. Edward fez ligações à maior parte da viagem, às vezes não falava nada apenas ouvia. Eu me senti bem um terço do tempo, até eu ver que as coisas não estavam realmente como minha mente imaginava e me coloquei no lugar de Rose dessa vez.
Uma hora depois estávamos entrando em um estacionamento subterrâneo, Edward parou em uma vaga e destravou as portas para que eu saísse. Antes de me acompanhar ele puxou minha mochila no banco de trás, segurou minha mão e me arrastou para o elevador com ele. Eu não fazia a mínima ideia de onde estava. Nosso andar era o 25° e pareceu uma eternidade até lá, tudo ainda estava silencioso quando enfim as portas se abriram e seguimos para o fim do corredor.
Edward tirou as chaves do bolso e abriu a porta do apartamento.
Enorme, era uma bela definição. Fiquei encarando tudo por um longo tempo, ele passou por mim deixando minha mochila no sofá e trancando a porta. Era um apartamento amplo, e iluminado, quadros caros nas paredes e algumas fotos na estante. Me virei para encará-lo.
–Onde estamos?
–Na minha casa. –Se afastou.
Dei outra olhada pelos metros quadrados.
–Sua casa?
–Minha casa, onde tenho uma vida normal. Onde sou apenas Edward Antony Cullen. Ou apenas Antony Cullen.
Suspirei.
–Isso é provisório? Por que... lá não é seguro para ela.
Edward bufou.
–Ela você quer dizer, Heidi?
–Sim. –Quem mais séria?
–Você acha que vou trazê-la para cá?
O encarei.
–Por que não?
–Porque eu trouxe minha mulher para cá. E nós brigamos a maior parte do tempo porque ela é uma maldita teimosa. E mesmo eu não sabendo o que realmente se passa na cabeça dela, eu estou me arriscando por isso.
Engoli em seco.
–Ela nunca entende que quero o bem dela.
–Talvez porque você não mostra isso a ela. Porque ela também está confusa. –Admiti.
Edward se aproximou segurando meus ombros e me aproximando dele, senti seus lábios passando em meu cabelo até chegar a minha bochecha e deixar um beijo inocente nela. Involuntariamente minhas mãos estavam em torno de sua cintura o puxando para mais perto. Se aproveitar da oportunidade, era o que eu estava fazendo.
–Eu sei que está confusa, mas não havia outra forma de trazê-la se não assim.
–Me prendendo? Me acusando de coisas que não fiz?
–Eu queria fazê-la sentir a dor que eu estava sentindo. Estou em uma corda bamba, posso estar abrindo mão de muitas coisas.
–Você conseguiu, me senti bem humilhada. -Soltei meus braços de sua cintura, mas ele não me soltou.
–Podemos conversar agora?
Segurei sua camisa me afastando.
–Acho que podemos.
–Quer tomar um banho? E depois comer alguma coisa, então podemos conversar.
Assenti.
Edward me levou até o quarto, era enorme e tinha seu perfume pela casa toda. A enorme cama de casal parecia ocupar todo o quarto, eu gostei das paredes azul marinho, era delicado e calmo. Meu corpo queria se jogar na cama e não sair nem tão cedo. Edward deixou minha mochila sobre a cama e saiu, a abri sem desfazê-la pegando um short e uma camiseta, abri algumas portas até encontrar o banheiro. Eu precisava disso.
Quando voltei a sala, Edward terminava uma ligação. Sua atenção estava em mim agora e ele sorriu. Ele sorriu para mim como sorriu um dia.
–O que quer comer? –Perguntou.
–Qualquer coisa.
Se afastou indo em direção a cozinha, encarou a geladeira por um tempo até tirar uma massa pronta e seguir para o micro-ondas dando seu tempo. Me sentei no balcão e esperei, eu não tinha pressa. Não agora que estava tudo calmo, em meio a tanta histeria eu estava gostando da pré-paz. Ele me deixou sozinha seguindo para o quarto, estava com um conjunto de moletom cinza quando voltou. Sua atenção estava em meu jantar, mas ele só estava se dando tempo.
–Aqui está. -Deslizou o prato para mim.
–Obrigada.
–Eu preciso fazer uma ligação. Vou estar no quarto caso eu não volte em alguns minutos.
De repente eu não estava mais com fome, então levei mais tempo que o normal para comer. Levei o prato a pia e o lavei, ajeitei algumas coisas fora do lugar e depois de muito tempo eu segui para o quarto. Edward estava sentado na beirada da cama segurando a cabeça e sua respiração era pesada, ele percebeu minha presença, mas só se pronunciou depois de uns cinco minutos. Seus olhos me encontraram.
–Acabei. -Avisei. -Estou pronta para ouvi-lo.
Edward se afundou mais na cama até encostar na cabeceira. Bateu no espaço ao lado esperando que eu me aproximasse e mesmo achando uma péssima ideia, eu o fiz. Me sentei a seu lado.
–Por onde quer que eu comece? –Perguntou.
–Agora? Por Heidi.
Ele sorriu.
–O que foi?
–Eu gosto disso.
–Disso o que?
–Do seu ciúme. Ele prova que você gosta de mim apesar de tudo.
Dei de ombros.
–Então?
–Certo, Heidi e eu fomos casados por um tempo.
–Quanto tempo?
–Cinco anos. -O encarei. -Mas eu a conhecia desde sempre e ela era tudo o que eu tinha de normal. Ela esteve comigo quando meu pai morreu, éramos crianças e ela estava lá. Eu não me importava com nada quando sabia que a tinha, mas me sentia péssimo por não conseguir dizer a herança que herdei. Isso, toda essa vida, sempre me via a perdendo porque eu não acreditava que seria possível ela querer correr riscos. Eu não seria capaz de deixá-la correr riscos. Mas uma hora eu precisei contar.
–Por quê?
–Eu não podia ver seus pais. Ela queria saber o porquê, e eu sempre me esquivava até que um dia ela me pediu ajuda. O pai dela estava sendo expulso da corporação por fazer parte de um esquema de policiais, ela queria minha ajuda e eu não poderia ajudá-lo. Então eu contei tudo e ela aguentou por um longo tempo até dizer que não dava mais, eu implorei tanto que foi humilhante, mas ela não ficou...
–O pai dela é um ex policial?
Assentiu.
–Edward, onde está o pai dela? -Minha voz saiu tremula.
–Eu não sei, ela não me disse.
Fiquei em silêncio por um tempo.
–O que foi? –Perguntou.
–Eu não confio nela e isso não se trata de ciúmes.
–Heidi nunca seria capaz de fazer alguma coisa. –Rebateu.
–Por que não? O que você explica sobre ela aparecer do nada depois de anos?
–Phill a atacou, ela fugiu deles. Ela apenas sabia onde me encontrar, falamos sobre ataques surpresa, ele não usaria ninguém para te atingir, ele simplesmente usou alguém para me atingir. Falamos sobre isso.
Fazia sentindo, mas não mudava nada para mim.
–Phill está trabalhando com policiais...
–Não seja absurda, Bella.
–Me desculpe se ela foi o amor da sua vida e a visão que você tem dela é de uma moça inocente. Eu não tenho essa visão e sou livre para tirar minhas conclusões, eu não confio nela e agora não posso confiar em você. -Me levantei da cama.
–Espera. -Sua voz era uma ordem, mas eu não parei. -Eu mandei esperar. –Me segurou.
–Solta o meu braço. Agora Edward!
Seus olhos estavam fechados e sua respiração estava tentando se acalmar.
–Eu não quero brigar droga! Podemos conversar pelo menos uma vez sem brigar?
–Do que vai adiantar? -O choro veio, magoa era o que eu mais sentia. -Você não leva nada do que eu digo a sério, Edward. Tem algum maldito problema para você nunca levar o que eu digo a sério. Você nem se quer levou em consideração o que eu disse. Ela chegou do nada, o pai dela é ex policial, ela te deixou porque era arriscado. Mas já parou para pensar se arriscado era para você ou para a família dela? Droga, Edward.-Puxei meu braço.
–Eu vou ver isso. -Segurou meu rosto.
–Você não vai. -O afastei. -Você não vai porque não acredita. Ou não prefere acreditar. Então eu acho que posso pedir uma última coisa.-Senti minhas pernas tremerem.-Apenas me diga, o que você ainda quer comigo?
Suas mãos passavam nervosamente em seu cabelo. Não minta, apenas isso.
.-Eu quero você, de todas as maneiras possíveis. -Seus dedos prenderam meu cabelo.
–Então prova.
Edward me puxou para ele assaltando minha boca, eu queria isso. Mesmo que não acreditasse que seria algo meu, mas eu queria alguma coisa dele. Fazer a sensação de perda me deixar pelo menos uma vez. Eu sentia cada parte do meu corpo despertar e saltar para fora. Seus dentes passaram em meu pescoço antes de mordê-lo, era algo que Edward gostava de fazer, me morder. Grunhi.
–Eu não quero fazer isso aqui. -Beijou meu queixo. -Eu quero fazer direito.
O encarei, seus olhos escuros. Edward segurou minha mão e nos guiou para o quarto onde estivemos a minutos, meu coração estava batendo rápido e isso me assustava, não era uma primeira vez. Eu já estive com ele antes, tentei dizer isso a mim mesmo. Assim que passamos pela porta, Edward me pegou tornando tudo mais clichê, ele parecia feliz e isso me confundia, confundia minha confiança. Todo meu pensamento estava em Heidi, em o quanto era ela mais importante que eu agora. Mesmo Edward negando isso, falar dela o tornava estranho.
Seu corpo pesou levemente sobre o meu e seus dedos brincaram com a barra da minha camiseta enquanto espalhava beijos por meu pescoço. Eu não queria algo lento e romântico, porque existia a parte descontrolada de mim que estava procurando liberdade desde a nossa última vez. Essa parte estava a um passo de dar um oi e ele saberia disso.
–Não vá fugir depois. -Sussurrou em meu ouvido.
Não disse nada e isso fez com ele voltasse a ser o Edward que se irrita por não obter resposta. Seu beijo foi duro e suas mãos pesavam enquanto me livrava de minhas roupas, e todo meu corpo esquentou quando seus olhos me estudaram por uma fração de segundos.
–Vai ficar me encarando? -Minha voz soou trêmula.
–Você sabe que não. -Respondeu me prendendo contra ele.
Meu corpo estremeceu quando seus lábios começaram a me estudar, era uma sensação de estar em todos os lugares ao mesmo tempo, enquanto suas mãos me acalmavam. Amar Edward estava me deixando fora de si, me privando da ciência da minha vida porque ele poderia fazer qualquer coisa comigo ali, eu não ia me importar porque estava com ele.
–Edward... -Segurei seu cabelo com força. Seus olhos me encaravam. -Por favor.
–Eu gosto disso.
–O... que?
–Dominação, como faz agora.
Respirei fundo sentindo uma leve pressão em meu estômago, seus beijos subiram lentamente até encontrar minha boca. Eu podia senti-lo, ele estava pronto para mim. Seus olhos se abriram quando enlacei sua cintura e com apenas um movimento ele veio para mim. Podia sentir o sorriso se formar em meus lábios sobre os seus, ele saberia o quanto eu o quis durante todo esse tempo.
Eu queria que ele me amasse, como um dia quase esquecido.
Seus dedos escovavam meu cabelo lentamente enquanto permanecia parado dentro de mim. Eu queria xingá-lo agora e perguntar porque a inércia, mas seus olhos estavam tão profundos que nenhuma palavra sairia. Segurei seus ombros com força e o puxei para mim suplicando silenciosamente contra seus lábios. Foi o que bastou para um lento movimento começar e eu sufoquei.
Edward me mantinha presa em suas mãos contra minha cabeça, isso me causava certo conforto, de que eu não sairia dali por nada.
Meu corpo todo vibrava enquanto o acompanhava, minhas mãos deslizando em suas costas procurando apoio para histeria dentro de mim. Era muita coisa acumulada que eu pensei ter posto para fora, eu não coloquei nem um terço do que imaginava, porque isso só era possível com amor. E Edward estava fazendo amor comigo, o ápice do clichê admitir isso a mim mesma, mas era a mera realidade. Eu não poderia me enganar assim, ele estava me amando.
–Abra os olhos para mim. -Pediu levantando a cabeça de meu pescoço. Contei mentalmente até dez contra a minha vontade para deixá-lo aberto expulsando as lágrimas. Edward estava indo tão lento que meu corpo começou a protestar.
–Edward...
–Eu amo quando diz o meu nome. -Beijou minha bochecha. -Agora olhe para mim, eu preciso que olhe para mim.
–Deus...
–Ele está feliz por nós. -Sorriu.
Puxei seu cabelo e abri meus olhos, minha visão estava ficando embaçada enquanto sentia tudo dentro de mim mudar de lugar e a cada movimento era uma sensação ainda não explicada pelo homem.
–Agora.... Mexa-se. -Mandei arrastada.
–Eu senti sua falta, desse jeito. -Se mexeu e me obriguei a manter meus olhos abertos. -Todos os dias.
Assenti sem saber se devia fazer isso, eu não tinha controle.
–E acho que Deus ainda gosta de mim... -Puxou lentamente para trás. -Por ter me trago você...
–Edward... -Supliquei.
–Então eu devo cuidar do meu presente divino. -Puxou meu lábio inferior. -Para todo sempre. E sabemos que somos nossa própria destruição, você e eu.
Minha respiração estava pesada, então voltamos a dança sincronizada. Edward não tinha pressa e ele queria me manter sob a mesma base que ele. Mas eu precisava de mais, nem que por um segundo e quando ele veio senti minha alma escorrendo do meu corpo e meu grito sendo abafado por ele. Eu não saberia explicar se me perguntassem o que estava acontecendo comigo. Eu nunca poderia explicar porque aquilo era novo para mim. Edward estava em todos os lugares e eu poderia senti-lo. E ele me manteve sob ele até depois do fim.
–Eu amo você. -Sussurrou contra meu pescoço.
Seus dedos passeavam em meu cabelo.
–Só preciso de um tempo, e então estarei alerta. -Murmurou.
–Eu estarei aqui.
******
Acordei com o barulho da chuva, o trovão rasgando o céu. Edward estava dormindo de costas a meu lado, abri um sorriso ao ver enormes marcas vermelhas o marcando. Fechei os olhos e nossa noite veio à tona, eu só não queria acordar. Me levantei pegando sua camisa no chão e passando pela cabeça segui para o banheiro. Me encarei no espelho, uma aparência boa, digna de um boa noite. Fiz uma rápida higiene antes de voltar ao quarto, Edward estava tendo um pouco de pressa ao se levantar e apenas observei da porta escondendo um sorriso. Ele pareceu respirar depois que me encontrou.
–Vai algum lugar? -Perguntei.
Seus olhos me avaliaram.
–Primeiro, você está linda com minha camisa. Segundo, você me assustou.
Sorri.
–Eu ainda estou aqui. -Me virei para ir de volta a sala e ouvi seus passos atrás de mim.
Edward passou a frente, encarei seu corpo por um segundo antes de voltar meu olhar a seu rosto.
–O que vai querer?
O encarei.
–Café da manhã. Eu não estou incluso, eu acho.
Eu ri. Pela primeira vez eu ri com Edward.
–Isso é uma pena, acho que posso ficar com torradas e suco de laranja.
–Boa pedida.
–Bom, agora que já acordou eu acho que posso tomar um banho sem te causar um ataque do coração. -Descruzei os braços. -Volto em breve. Precisamos conversar, não é?
Assentiu.
–Bella. -Chamou quando passei para o corredor. O encarei. -Eu amo você. Não espero ouvir isso de volta, mas eu quero que saiba que é a única que pode acabar comigo.
Senti as borboletas em meu estômago alçar voo. Acho que estamos quites então.
Edward me esperava na cozinha, seus olhos estavam felizes quando me viu e isso fazia estruturas se construir dentro da minha barriga. Eu poderia passar o resto da minha vida apenas o observando, não me considero uma pessoa romântica que sonha o tempo todo com o mocinho, mas Edward muda isso um pouco, eu gosto de pensar que amo os vilões.
–Estava tentando a ir buscá-la.
–Adoraria isso. -Me apoiei no balcão depositando um beijo em sua testa.
–Estou me sentindo um idiota perto de você. -Falou me encarando. -Acho que posso saltar desse prédio só de emoção.
Sorri.
–Está exagerando.
–Não. -Me passou uma xícara. -Foram longos anos apenas vendo da margem quem estava no meio do oceano.
O encarei por alguns segundos.
–Eu tenho medo, de tudo que ainda vem pela frente.
–Me deixe no controle e confie em mim.
Sorri.
–Eu não gosto de apenas assistir. Isso não é mais para mim.
Edward apertou a ponta do nariz.
–Isso é perigoso, não é uma brincadeira.
–Eu vivi o suficiente para saber disso. -Encontrei seu olhar. -Você não tem escolhas quanto a isso. As coisas mudaram e não vou abrir mão da minha sanidade de novo.
Edward não disse mais nada depois disso, mesmo me sentindo bem-estando com ele eu gostaria que ele soubesse que eu não voltaria atrás por causa disso. Se ele tinha um plano para tirar Phill do caminho, se minha cabeça estava a prêmio junto à dele, era justo eu estar nessa também. Não ia abrir mão disso. A chuva cessou, Edward me puxou para o seu colo no sofá e afagou meu cabelo, ficamos em silêncio pelo que pareceu uma eternidade antes dele começar a falar.
–Eu falei com Felix.
–Sobre?
–O que você disse... Sobre, Heidi.
Suspirei.
–Isso está sendo difícil para você?
–Bella.
–Está. -Respondi a mim mesma.
–Eu não quero falar disso com você, mas sei que você não vai querer que eu esconda também. Então sendo um assunto chato ou não, eu vou falar porque não quero te enganar e nem esconder mais nada.
O encarei.
–Vai me contar o plano?
Algo em seu olhar me mostrava o quanto isso estava sendo difícil.
–Tenho dois.
–Dois?
Assentiu.
–Jack disse que seguiu dois homens de Phill, seu complexo fica ao sul. Se ele estiver sem a polícia como sua escolta, vai ser fácil entrar lá e pegá-lo. Phill não deixa de ser um amador, digamos que de tudo que ele entende é apenas do contrabando. Nós entendemos de tudo, principalmente segurança.
–Então no caso vocês vão entrar lá e arrastá-lo? Simples assim?
–Simples não é. Vamos contar com baixas.
–Edward...
–Nada do que já não passamos antes. Se ele se juntou a outra máfia, é provável que eles venham atrás de nós. Fora isso, as coisas podem ir certo.
–Não tem como as coisas irem certo com baixas, Edward. Eu mal consigo imaginar você... Felix, meu Deus, Jasper. Ou qualquer um deles mortos. Isso é arriscado.
–Por isso a quero longe disso.
–Não. Eu não vou sair dessa, ainda mais agora. Não sou mais uma garota despreparada.
–Isso soa suicida.
–Que seja. Eu não vou saber viver se essas malditas baixas acontecerem.
–Elas sempre acontecem. Tenha isso em mente.
Senti um nó no estômago.
–Vamos tentar mantê-lo sozinho. Phill não é tão esperto, ele está enxergando um passo à frente, sem prestar atenção no que realmente está fazendo e seus homens não estão preparados.
Eu odeio isso tudo, era uma carga de adrenalina arriscada. Apenas isso.
–O segundo plano é sair dessa vivo e ter minha vida de volta.
–Como?
–Eles não sabem quem eu sou, Bella.
–Como não?
Edward passou a mão no cabelo.
–Meus homens sempre agiram por mim, e quem me viu, nunca mais vai me ver de novo. Eles sabem apenas o meu nome. E se jogarem no Google, vão achar diversos Edward. No começo isso me assustou, eu pensei que me colocariam uma bala na cabeça assim que deixasse o complexo, Felix fazia minha escolta. Era da empresa para casa, de casa para o complexo sempre que possível. Eu parei de ver as pessoas como inimigas, parei de pensar que a polícia poderia estar me seguindo a cada passo. Eles não sabem quem eu sou, é meio que uma vida dupla. Confesso que morri de medo de você me entregar, de me descrever ou me associar a primeira coisa que viesse a frente. Eu não me importo de me acharem, Bella. Eu me preocupo com as pessoas que estão comigo, com Jasper principalmente.
–Você gosta muito dele, não é?
–Eu amo meu irmão. Eu não quero deixar isso para ele, e ele sabe disso. Essa não foi uma vida que escolhi. Fui colocado nela, e ele veio da mesma maneira, mas ele tem opção, eu não tive nenhuma.
Processei as informações por um tempo.
–Quem é você aqui fora?
–Edward Mansen, filho de Carlilse Mansen, e herdeiro de uma das melhores empresas de tecnologia do país. Solteiro, sem filhos e antissocial. O típico chefe idiota, é como dizem as pequenas notas das revistas. -Sorriu. -Ninguém questiona meu sumiço da empresa, sempre digo que gosto de trabalhar em casa.
–E como herdou a máfia? -Perguntei.
–Isso era uma vida suja do meu avô, ele passou ao meu pai. No começo ele se negou a isso, como eu um dia. Ele estudava administração e abriu a empresa, só que depois que meu avô morreu seus homens vieram atrás de um novo líder e ele foi entendendo como funcionava. Ele viu o quanto tudo isso dava dinheiro, muito dinheiro. Ele conseguiu na máfia o que não conseguiu em um ano na empresa. Você tem homens que se matam para te proteger, e fontes que te enriquecem. O que o ser humano mais quer na vida de maneira fácil? Dinheiro.
–Por que não acabou com isso então?
–Porque não é tão simples assim e eu tinha um pensamento que já havia perdido tudo desde que assumi o controle. Primeiro meu pai, Heidi, Dimitri e você. Isso não me trouxe nada de bom, mas se eu simplesmente deixar, outra máfia pode tomá-la então vai ser um caos.
–Por quê?
–Guerra interna, você não pode confiar em ninguém tendo essa vida. Por isso sempre preferi o anonimato eu não quero viver para isso, para sempre.
Me afastei um pouco apenas para encará-lo.
–Eu investiguei muito sobre você, e conheci pessoas que tem medo de você. Pessoas que tem estórias sobre você... tem medo de morrer.
–Não confie em toda carinha de dor.
–Você matou pessoas...
–Eu vou pagar por isso um dia, e acredite eu não gostei de nada do que fiz. Mas você não vê razão quando tudo o que tem te movendo é ação.
–Por que os matou?
Bufou um sorriso.
–Não foram muitos. Como eu disse não podemos confiar em ninguém e eu confiei em pessoas erradas. E quando você cobra isso, não vem um histórico pessoal sobre ela. Você apenas cobra a dívida porque se deixar passar, eles te afundam.
–Matar é a saída?
–Matar é a escolha e vou pagar por isso. Independente, tirar a vida de outra pessoa não justifica. Mas essa ética é abafada, por todos nós.
Respirei fundo.
–Você ia me matar aquela vez? Quando me prendeu de novo?
–Não. Só queria assustá-la, não matei ninguém desde quando te deixei ir da primeira vez. Você levou a porcaria do meu coração frio junto com você.
Me encolhi.
–Está me odiando por revelar o que já fiz?
Neguei.
–Você está se afastando. -Afagou meu cabelo. -E isso está me machucando.
–Estou apenas pensando. Não é sobre você.
–Eu sei que é e entendo. Seus amigos matam pessoas como eu e eles te ensinaram isso.
–Edward...
–Tudo bem. -Abriu um meio sorriso.
Me aproximei sentando em seu colo e enlaçando seu pescoço.
–Me desculpe, é só estranho, mas isso não muda o fato de que o que fez foi errado e de que te amo mesmo com tudo isso. Eu vou estar aqui quando você se libertar disso tudo, essa não é sua vida.
Beijou meu ombro.
–Eu queria uma maneira de me livrar disso, mas eu não consigo.
–Porque você me ama, mesmo sendo um idiota bipolar.
–Sim, mesmo sendo esse idiota bipolar. -Sorri.
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