BELLA

Passamos uma semana em paz, eu não sabia se isso me deixava feliz ou desconfiada porque Edward não parecia preocupado com as coisas. Com nada na verdade, também não questionei porque entraríamos no assunto Heidi, ela parecia mais importante do que Phill no momento.

–No que está pensando? -Perguntou afagando meu cabelo.

–Em nada.-Menti.

Seus dedos se fecharam em meu cabelo e ele me virou gentilmente a ele. Isso não funcionava, eu não ia falar.

–Pare de mentir para mim.

–Não estou mentindo. Estou apenas em silencio comigo mesma.

–Preocupada?

–Talvez um pouco... com meus pais.-O que não era mentira.

–Eles estão bem. Em segurança, então não é algo que você deva se preocupar.

Respirei fundo me encolhendo em seu colo.

–Isso vai ser um inferno.-Murmurei.

–Você é esperta, vai saber sair dessa.

–Passamos o primeiro mês, eles acham que estou morta dessa vez.

–Não. Não acham.

–Conheceu minha irmã? -Perguntei com um sorriso.

Edward parecia confuso.

–Irma?

–Sim.-Me ajeitei em seu colo, tentei fechar dos botões da sua camisa que eu estava usando, mas ele segurou minhas mãos me impedindo disso.-Isabel, ela raramente aparece, mas acho que deve ter pelo menos aparecido duas vezes desde que sumi. Ela é mais parecida com meus pais, ela parece mais filha do que eu nesse quesito eu-não-me-importo-com-a-vida. Mas tem um grande coração.

–Aventureira?

–Sim, teve três casamentos em países diferentes. Totalmente sem filtro, eu sei que ela deve ser surtada.

–Podemos saber se ela está por aqui.

–Para que?

–Segurança. Ela sua família.-Beijou minha testa.

–Ela é mais esperta do que eu.

–Isso não muda as coisas. Mas me conte mais, me conte sobre você, seus casos...-Sorriu contra meu cabelo.

Sorri e era hora de contar sobre mim.

A manhã se arrastou, Edward não queria deixar a cama, queria conversar e me provocar mesmo sabendo que não passaríamos disso pelas minhas condições naturais no momento.

Nunca me senti tão bem em toda a minha vida, eu precisava dele todos os dias, de forma normal sem polícia, bandidos e medo nos perseguindo. Eu fiz o almoço, enquanto ele me seguia de um lado a outro na cozinha mexendo em tudo o que eu colocava no lugar. Às vezes me roubava um beijo ou me dava leves mordidas no ombro, isso me tirava a concentração a maior parte do tempo. Ele se afastou apenas uma vez, um pouco antes de servirmos. Algo havia mudado, mesmo ele tentando não mostrar isso e eu questionaria isso uma hora.

Limpamos a cozinha quando terminamos, Edward apagou as luzes na casa deixando apenas um abajur ligado antes de ligar a TV escolhendo um filme bobo para passar o tempo. Me sentei a seu lado esticando as pernas em seu colo e sentindo seus dedos traçando círculos por elas. Esperava que ele me dissesse algo, mas ele não ia dizer, apenas usaria a falsa máscara de estar tudo bem e aguentei até metade do filme para questiona-lo.

–O que aconteceu? -Encarei a TV.

–Nada.

–Não menti para mim. Quem era mais cedo?

Ouvi seu suspirar frustrado.

–Ninguém.

Puxei minhas pernas.

–Vamos lá, sem mentiras lembra?

Seus olhos brilharam no escuro.

–Era do complexo.

–Quem?

–Felix.

–Duas mentiras agora, Edward.

–Bella...

–Não vai doer apenas dizer a verdade. Se você está fazendo isso eu não preciso de muito. Foi Heidi, não é? Ela está o esperando? -Uma raiva se apossou de mim. Eu estava muito irritada e não conseguia esconder isso.

–Sim, era ela.

–Viu, não doeu.-Cuspi.

Edward ficou em silencio por um tempo antes de desligar a TV e se afastar. Continuei no meu lugar me aconchegando no sofá mesmo, Heidi era um ponto forte. Ele não ia machuca-la, de nenhuma forma.

Não me lembro de ter pego no sono, acordei sentindo o peso de Edward em minhas costas, seus lábios em minha nuca. Queria afastar a parte que estava me fazendo odiá-lo, porem a parte que gostava de sofrer era bem maior. Nesse meio tempo eu decidi que não iria mais questiona-lo sobre os seus sentimentos. Era até inútil.

–Me desculpe.

Afundei meu rosto na almofada e deixei o sono me puxar de novo.

–Eu não queria aborrece-la.

–Você a ama.-Disparei.-Eu sei disso, não vou dizer que entendo, mas sei que deve ser difícil.

–Bella...

–Se negar será pior, Edward.-Levantei a cabeça para minha voz sair.

Ele não negou, porque sabia que isso ficaria repetitivo. Mas ele gostava dela, eu sabia disso, todos sabiam disso.

–Eu te amo.

–Eu sei. Algumas coisas são mais fortes do que a gente.

Ficamos em silencio por um longo tempo, cheguei a pensar que ele estava dormindo até sentir seu corpo deixar o meu e me levantar me jogando em seu ombro.

–Me solta, Edward.

–Na minha cama.-Sua mão alisou meu traseiro levemente.

Senti seu perfume subir assim que nos chocamos contra o colchão. Edward entrelaçou nossas pernas e passou o braço por minha cintura afundando o nariz em meu cabelo. Sua respiração me fazia arrepiar e aproveitei cada segundo, eu sabia que sentiria falta disso muito em breve.

Meu sono não demorou a voltar, acho que estava cansada psicologicamente porque meu corpo estava bem até então. Edward estava comigo, mas era como se não estivesse. Tive um pesadelo, alguém me perseguia na volta da academia e de repente me via perdida em um beco escuro.

Podia escutar o triturar de botas atrás de mim, até que cai em uma poça d’água e senti – real demais – uma bala sendo posta em meu rosto. Saltei na cama sentindo uma pressão contra minha bochecha, minha camisa estava colando em meu corpo e o suor desceu por minha testa. Me senti doente, demorei alguns segundos para ver que estava sozinha no quarto escuro.

Pelas frestas da cortina era possível saber que já era de manhã. Me arrastei da cama sentindo o chão frio em meus pês e segui para o banheiro de Edward, meu rosto estava péssimo e meu cabelo não estava em seus melhores dias. Tentei voltar a realidade me obrigando a entender que havia sido apenas um sonho.

Edward estava na sala, murmurando ao celular, apenas fiquei quieta na saída do corredor tentando ouvir. Era ridículo isso, mas algo me dizia para não ir até o fim. Eu sabia com quem ele estava falando.

–Eu vou voltar, não se preocupe. Você vai estar bem e segura... ninguém vai tocar em você. Eu sei o que estou fazendo, não precisa se preocupar. Eu vou cuidar de você.

Heidi.

–Eu só preciso de mais algum tempo, eu vou voltar quando as coisas estiverem seguras. Eu prometo.

Pensei em voltar para o quarto, mas Edward se virou antes que eu pudesse dar um passo. Ele fingiu ver algo no celular e desligou abrindo um meio sorriso para mim. Nunca consegui fingir que nada estava acontecendo. Então eu estava seguindo para uma péssima atuação.

–Você acordou.

–Como você mesmo vê.

–Está com fome.

Neguei. Edward me encarou desconfiado por um longo tempo, cruzei os braços e sustentei seu olhar até ele falar.

–Eu vou precisar voltar.

–Por que?

–Felix precisa de mim.

Assenti engolindo a bile.

–Eu também vou.

–Bella...

–Vou pegar minhas coisas.

O ouvi me seguir, mas não parei. Estava no quarto puxando minha mala quando ele entrou. Eu amo você cara, mas não posso fingir que nada está acontecendo. Eu não sei de mais nada, é como se os tiros fossem entrar por todos os lados.

–Você não precisa vir. Serei rápido.

–Eu insisto.

–Por que isso agora? -Seu tom soou frio.

–Porque sim.

Segurei as lagrimas a maior parte do tempo, Edward me esperou na sala portando apenas seu celular e as chaves do carro sem esconder que estava visivelmente irritado. Eu estando indo, seria destruí seu momento com sua ex futura esposa. Indo, eu estaria fazendo apenas uma coisa: salvando meu pescoço. Eu não podia entrega-lo, primeiro; eu não confiava na polícia. Segundo; eu o amava demais para fazer isso.

Voltar para o complexo pareceu bem mais rápido. Edward esperou que eu deixasse o carro, o que não demorei a fazer. Eu senti falta dali, e isso era estranho. Ouvimos o falatório da cozinha, assim que passamos pelas portas duplas pares de olhos nos encarava. Heidi descia a escada lateral e correu em nossa direção se jogando em Edward o fazendo dar dois passos para trás, era como se minha mente já tivesse me preparado para o que viria desde que deixamos o apartamento. Ela o beijou, não foi um beijo de desespero, foi um beijo de saudades, ela esperava por isso, não havia nada que pudesse impedi-la, ela sabia que poderia fazer isso livremente.

Ele não a afastou, pelo menos nos cinco segundos o que é muito. Suspirei encarando todos os olhares interrogativos, Rose estava encolhida no mesmo lugar de sempre ao lado de Emmett. Ela estava com raiva, mas não parecia algo pessoal, era por mim, vi isso em seu olhar.

–Você voltou.-Heidi afagou seu rosto.-Precisamos conversar. Você precisa me ouvir, certo?

Edward assentiu. Eu queria vomitar.

–Eles estão atrás de mim, tem alguém dando informações.-Murmurou.-Precisamos tira-los daqui.

Edward encarou Felix.

–Eles estavam no perímetro, mas não se aproximaram. Conseguimos despista-los.

–DROGA! -Edward praguejou.-Dobre a segurança.

Jack se aproximou de mim, sem que eu pudesse perceber. Eu odiava todos aqueles olhares, por Deus isso era humilhante demais para ser digerido.

–Quero os detalhes de tudo.

Me afastei quando fez menção de segurar minha mão. Jack pegou minha mala e segui para a escada vendo Rose se levantar e nos seguir. Estava tentando não cair, mas eu ia cair uma hora.

–Obrigada Jack.

–Quer conversar?

Rose passou a frente.

–Eu posso fazer isso.-Rose avisou fechando a porta sem dar chance para ele dizer alguma coisa.

Nada mais importava.

–Eu sinto muito.-Sussurrou contra a porta.

–Eu sabia e você sabia. Ele voltou por ela.

Rose se sentou a meu lado na cama, ela estava sem sua habitual maquiagem e roupa colada. O cabelo estava preso em um rabo de cavalo em camadas e ela parecia cansada.

–Ela é mais perigosa do que eu pensava.-Falou.

–É inútil tentar dialogar sobre isso.

–O pai dela é ex policial, um corrupto.

A encarei.

–Emmett a questionou e ela provavelmente já contou isso a Edward. Ela é uma ótima atriz. Ele vai mata-lo, estará tocando em sua preciosa.

Rose encarava o chão.

–Eu a ouvi em duas ligações estranhas, eu contei a Emmett. Ele disse que ia ficar de olho nela, até essa manhã. Ela ligou para o Edward, ela sabia que havia sido pega e ele vai protegê-la.

–Emmett trabalha para ele, Edward não pode...

–Pode.-Me encarou.-Se ela for tão boa atriz como foi nos últimos dois dias e meio, Emmett será jogado para fora em dois tempos.

–Não.-Choraminguei.

–Depois será eu, ou qualquer outro que se opor.

–Você está exagerando.

–Eu só estou desconfiando de todos. Ninguém nunca achou esse lugar Bella, até ela aparecer. É só juntar as coisas, pai ex policial corrupto, Phill ex policial corrupto, ela achar esse lugar. Eu não consigo apenas acreditar que isso é uma jogada suja de Phill, ela só foi mais fácil de ser jogada aqui.

–Está dizendo que ela é uma espiã?

–Sim, é isso que eu estou querendo dizer. Mas tem algo muito errado no meio disso, porque se ela ainda o ama e se ela tem alguma ligação com os de fora. A cabeça a prêmio agora é a sua.

Faz sentindo.

–Eu não sei o que fazer.-Admiti.

–Eu já falei o que fazer. Eu confio em Edward, ao mesmo tempo tenho medo dele. Então não jogue em nenhum lado, jogue no seu. Eles conseguiram contato com Aro, jogue com eles. Edward irá até o complexo de Phill, ele provavelmente irá coloca-la fora, não deixe.

–Quando?

–Amanha. Eles vão estar em reunião em...-Encarou o relógio.-Meia hora. Emmett me avisou.

Me senti cansada.

–Obrigada.

–Já falamos sobre agradecimentos.-Abriu um meio sorriso.-Te vejo depois.-Se levantou. –Vai dar tudo certo.

Acabou a trégua, Edward.

EDWARD

–Aro recebeu uma ligação essa manha, Phill recuou de seu complexo central. Alguém contou.

Droga!

–Aro está recebendo informações nossas. Ainda não consegui localizar e nem filtrar mais nenhuma informação. Mas tudo indica que ela está com eles de alguma maneira. Vocês precisam se dividir.

Bella não esteve perto de nenhum aparelho telefônico enquanto esteve comigo. Não podia ser ela. Ela nunca passaria informações. Porcaria! Quem está do meu lado?

–Preciso de mais informações, preciso que me avise de cada decisão que eles tomarem. Me indique um lugar seguro para Heidi.

–Sim chefe. Retornarei em breve.

Pegos. Havíamos sido pegos e Phill estaria sumindo novamente. Eu queria acorda-la e implorar de uma vez por todas que me contasse os planos da polícia. Se ela iria realmente me entregar no fim disso, que trataríamos de igual para a igual. Que se sentisse alguma coisa por Jasper ou qualquer outro, que me permitisse tira-los de lá antes. Se era por mim, seria justo sermos apenas nós dois no fim disso tudo. Mas uma parte de mim não me permitia nada quando ela estava por perto. Preferia esperar. Porque não queria acreditar que ela teria alguma coragem, que ela esteve me esperando todos esses anos para me entregar. Ela não faria isso.

O resto da semana passou oscilando, até as ligações tornarem frequentes. Teríamos que adiantar o plano antes que Phill desaparecesse e um contato seria incerto depois disso. Não contei mais nada a ela. Era hora de voltar para casa e tudo indicava que estávamos próximos do fim. O nosso.

Notas finais
Bom, algumas pessoas entenderam errado entao eu vou deixar mais claro. Nao estou mandando ninguem implorar para a fic continuar. Eu nao faço vontades de leitor para exigir que leitores façam a minha. Apesar de nos ultimos anos os ritmos de fic da saga terem decaido, a muitas fics otimas no nyah ainda. Entao digo e repito: NINGUEM É OBRIGADO A NADA! Porem, nao escrevo pra fantasma, nao podem exigir algo que nem metade cumpri com sua parte. Pfv, interpretaçao sempre. Obg aos que entenderam.