A densa névoa atrapalhava a visão das dracars no meio do oceano. A névoa era um alívio para os vikings que enfrentaram um mar agitado pela noite. Ondas assustadoras atingiram grande parte das dracars. Centenas delas atravessavam o mar bravio em direção à terra natal dos vikings. Sasuke enfim terminou a guerra contra os doze reinos, depois de seis anos estava retornando para Hafnarfjörðu. Era motivo de alegria para todos ali.

Os vikings cantavam e celebravam o retorno para casa. Estavam felizes e ansiosos para reencontrar a família, amigos e suas velhas casas. Outros iam conhecer filhos que deixaram na barriga de suas mulheres e agora já eram crianças crescidas.

Foram seis anos lutando nos campos de batalha contra os doze reinos, seis anos de vitórias e muito sangue derramado por ambos os lados. Algumas batalhas eram vencidas de imediato, outras precisavam de mais esforços e especialmente estratégias.

Os reinos inimigos tremiam quando ouviam que o urso negro estava vindo, era como o dia do juízo final que pegava o mais valente e protegido dos reinos, não importava o seu poder, o rei, ao final da batalha, estaria ajoelhado implorando misericórdia ao urso negro.

— Não suporto essas viagens de barco. — Konan reclamou, — sempre fico enjoada. Preciso de terra firme!

Sasuke estava sentado próximo da proa da Dracar. Estava com a capa do urso negro atrás da sua cabeça que servia como um travesseiro, aproveitava para tirar um cochilo. Um bom e merecido cochilo.

A fisionomia do viking tinha mudado, seus ombros largos e robustos compunham seus braços musculosos, seus cabelos negros estavam um pouco maior, e isso incomodava um pouco. A mão estava calejada de tanto manusear a espada nas batalhas, essa era a sua fiel escudeira.

— Estamos chegando, não irá demorar.

Sasuke tinha lutado para proteger Aicélius, tornou-se um rei venerado naquele reino e em outros que conquistou em sua longa jornada e assim a fama do temível urso foi espalhada por todos os reinos. Fábulas eram contadas sobre o urso, diziam os reinos, pelos quais sua fúria passou, que ele era um homem sem coração e que teria negociado a sua alma com o mal em troca de vitórias. Outros o consideravam um demônio que foi aprisionado na terra e buscava por vingança.

— Engraçado, meu elemento é a água, eu não deveria ficar assim enjoada. — ela sentou-se ao lado dele, Konan durante esses anos tornou-se uma grande amiga do viking. Esteve ao lado de Sasuke em algumas batalhas e principalmente naquelas que ele perdia a cabeça. Era a amiga que o aconselhava nos piores momentos e o ajudou a superar um pouco de sua tristeza. — De Hafnarfjörðu para Akureyri são quantos dias a cavalo?

— Uns três, talvez. Eu nunca fui, meu avô lhe informará melhor. — Konan tinha pedido para ir de volta com Sasuke especialmente para conhecer Akureyri, queria conhecer a sua provável terra natal e descobrir algo sobre sua família. Ela estava acompanhada do alquimista Kakashi, seu marido que apoiou a bruxa em sua busca pela família.

Kakashi tinha vindo de uma terra distante, chamada de Terra do Arroz. Era um homem inteligente ou maluco, Sasuke achava ele maluco por suas invenções estranhas e entre elas um pozinho negro que quando entrava em contato com o fogo explodia. Quando chegou à Aicèuslis o destino fez que ele se encontrasse com a bruxa que regia o reino e foi amor à primeira vista, mas ela custou a acreditar no amor do homem de idioma estranho. No entanto, com o tempo deixou o seu coração de gelo amolecer.

— Quando eu chegar lá, possivelmente conhecerei alguém da família dela. Quer que eu fale algo?

Sasuke suspirou profundamente e ergueu sua cabeça. Não sentia aquela dor de antes, conformou-se com a morte de sua amada, mas sabia que depois dela não haveria mais nenhuma. O amor tinha morrido e virado cinzas, literalmente.

— Se chegar na terra dos bruxos falando que Sakura amou um viking será chamada de louca e já basta o seu marido. — infelizmente o seu amor por Sakura ficaria entre eles, Sasuke sabia que os bruxos nunca iriam aceitar a história da herdeira do clã tendo um envolvimento amoroso com um viking.

Konan estreitou os olhos e xingou-o, Sasuke já estava acostumado com as pancadas que a bruxa lhe dava. Para ele todas bruxas deviam ser agressivas, lembrou que Sakura vivia batendo-o por nenhum motivo.

— Diga que a conheceu e ela era uma mulher formidável, uma bruxa incrível. — ele disse um pouco saudosista e aparentando uma voz embargada. Ele pausou por um instante e logo continuou a falar: — Sakura tinha duas irmãs, a caçula de nome Ino irá lhe ajudar, Sakura falava que ela era excepcional. Muito habilidosa, mesmo com sua pouca idade.

— Procurarei por ela. Preciso saber de minhas origens. — ela deitou-se no chão da dracar, estava péssima. — Mas no momento só quero terra firme.

Se havia alguém naquela dracar ansioso para chegar em casa, esse era Obito. Seis anos longe de sua aldeia, seis anos lutando ao lado do sobrinho ou melhor, do urso negro.

— Enfim paz! — Obito comentou alegre. Ele não tinha a jovialidade de antes, estava chegando próximo dos quarenta anos, agradeceu a Odin e a todos os deuses pelo fim das batalhas e o sentimento de guerra do sobrinho. — Dormirei um sono dos deuses quando encontrar a minha cama. — ele falou para Kakashi.

— Todo homem merece um descanso. — Obito concordou com ele, realmente aquele homem de terras estranhas era um sábio. — Acha que o urso negro parou, parou de vez sua ambição por guerras? — Kakashi questionou-o.

Obito abaixou um pouco a cabeça, aquela pergunta era difícil de responder, seu sobrinho não era mais o mesmo e parecia que o desejo por batalhas era o que o mantinha vivo. — Acredito que não, infelizmente não. — disse pesaroso. Sabia da culpa que carregava, salvou a vida dele, mas por consequência fez dele um sanguinário. Em alguns momentos quando Sasuke parecia perder a razão, ele pensou em contar a verdade para ele, mas tinha medo de sua reação. O viking acovardou-se e preferiu esperar que os deuses lhe dissessem o que deveria fazer.

— O amor é umas das melhores sensações que um homem pode sentir, penso que seja a melhor, porém o seu fim é dramático, é como perder uma parte de si, a outra leva embora e quem amava não é mais o mesmo. — Kakashi proferiu, Obito concordou com a cabeça, era o que Sasuke sentia e ele sentia o peso disso.

°•○●

Akureyri

Durante os seis anos, o clã dos bruxos não passou por um período de longa paz. Os Nottikins sempre planejavam alguma invasão, Sakura e os conselheiros não entendiam o que aquelas criaturas demoníacas queriam. O clã não vivia mais o seu tempo áureo graças as batalhas que devastaram a vila, então não tinha lógica os Nottikins tentarem invadir o clã.

Havia uma teoria que eles estavam querendo alguma coisa ou apenas tentando disfarçar algo, o que teria mais lógica. Só que eles não sabiam o quê.

Hashirama estava desconfiado com a hipótese dos Nottikins saberem algo sobre o dragão no vulcão, mas como eles nunca iam para o lado norte do vulcão, ele não acreditava nisso com certeza. Eles nunca obtiveram sucesso em suas curtas batalhas, as batalhas relâmpagos, como os bruxos batizaram.

Contudo, não era apenas os Nottikins que tiravam a harmonia da vila; os tremores aumentaram, especialmente no último ano. Vários abalados atingiam quase que diariamente Akureyri, esse era um problema que fazia a cabeça de Sakura latejar de tanta dor, ela não tinha como deter a força da natureza ou prever os tremores.

A bruxa assumiu o lugar de seu pai no clã que ainda estava cego, era um momento conturbado e a jovem bruxa mal tinha um momento para si, ser líder e mãe era algo que a deixava consumida. Sobretudo pela responsabilidade do clã, ela assumiu no seu pior momento e sem mencionar o emocional da bruxa.

Naquela madrugada, Sakura acordou com o tremor que atingia a vila novamente. A bruxa amaldiçoou tudo o que encontrou pela frente, nem durante a madrugada tinha paz. Nas ruas de Akureyri, os aldeãos corriam de suas casas assustados, dessa vez parecia que o mundo iria acabar. Algumas casas de alvenaria caiam, gritos de desespero eram ouvidos.

Era algo intenso chacoalhando a terra.

Sakura saiu do quarto e pegou um castiçal para iluminar o caminho.

— Senhora!

— Mei, vá olhar as crianças. — ela encontrou a babá dos filhos dela. — Se for preciso tire-os do castelo. — ela falou e correu para fora do lugar.

Tudo que ela conseguia ver eram as tochas iluminando a escuridão. Não era o primeiro tremor dessa magnitude, no entanto por ser tarde da noite causou pânico nos bruxos.

— Preciso que mandem uma equipe para o cume do vulcão, imediatamente! — ela ordenou. — Os bruxos que possuírem cães de caça por favor, vão até os escombros da casa e averiguem se tem alguém em baixo.

— Esse foi forte. — Kabuto apareceu.

— Tem algo fora de controle, no último mês tivemos dezoito tremores e sendo quatro deles tão intensos quanto esse. — ela falou. — Os deuses não dizem nada?

— Não, não consigo ver nada. É a força da natureza, quem que pode controlar senão os deuses?

Sakura olhava inconformada para o seu clã, aquilo só poderia ser uma espécie de castigo dos deuses.

— Sakura! — Kabuto chamou-lhe a atenção. Ela olhou-o e o oráculo apontou para um dos quartos do castelo. — Incêndio!

No castelo, duas crianças gritavam aflitas de dentro do quarto, um fogaréu estava tomando conta do quarto dos gêmeos.

— Mamãe, Mamãe! — Satsuki e Sarada gritavam, os dois estavam encurralados numa parte pequena do quarto atrás da cama. Os dois não sabiam ao certo como o incêndio começou. O menino tentava proteger a irmã que estava chorando e segurando a sua mão.

Os dois tinham cinco anos, os gêmeos bivitelinos eram diferentes um do outro, o que os assimilava era a cor dos olhos e o cabelo negro, herdaram os traços do pai, outra característica forte neles era o comportamento. Satsuki, mesmo com a pouca idade, era um caçador, já que costumava caçar lebres pelo pequeno bosque. Ele era esperto e amoroso como o pai.

Sarada era diferente, ela era um pouco tímida, quieta e não gostava muito de demonstrar os sentimentos e muito menos dor. De pequena ela se interessou pelas poções que Rin fazia, mas como não sabia ler e nem escrever, apenas jogava tudo que vinha pela frente dentro do caldeirão, era uma garotinha trelosa.

— Mei, Mei! — eles avistaram a babá de cabelos ruivos. Ela estava assustada, não podia entrar no quarto, as chamas estavam altas.

— Não podem morrer! — ela disse e tentou procurar alguma coisa para apagar o fogo.

— O fogo está chegando. — o menino falou.

Sarada olhava para as flamas e seus olhos brilhavam, era como se algo a chamasse. A pequena levantou-se e esticou o braço, a ponta do dedo encostou na chama.

— Sarada! — o irmão gritou. Eles estavam ficando sem espaço e principalmente o menino que não estava conseguindo respirar direito. As mãos dele brilharam e um feixe azul de luz apareceu, ele ergueu as mãos para cima e viu que uma parte do teto foi congelada. A mão dele doía tanto que causou câimbras horríveis no garoto.

— Elas não me atingem. — a garota disse assombrada.

Sakura subiu as escadas correndo desesperada e Kabuto vinha atrás dela.

— Satsuki, Sarada! — ela chegou na porta do quarto das crianças.

— Mamãe! — ela ouviu a voz de Sarada.

— Está quente, está quente. — era a voz do menino que tossia devido a fumaça.

Sakura não pensou muito no que fazer de imediato.

— Vatn! — água saia da mão da bruxa e ia inundando o quarto combatendo as chamas. A fumaça branca tomou conta do quarto deles, e os dois correram em direção a mãe que como uma ursa abraçou-os fortemente. — Meus ursinhos. — ela conferiu os dois para ter a certeza que não estavam machucados. Os olhos da bruxa marejaram só de pensar que algo poderia acontecer com eles. — Está tudo bem, mamãe está com vocês. — voltou a abraça-los, as crianças estavam inquietas. Sakura olhou para o teto do quarto e viu um gelo em forma de estalactite. — O gelo, quem fez? — ela perguntou abismada, já que seria impossível para uma criança fazer água sólida no desenvolvimento do poder. Geralmente os bruxos desenvolviam o poder com água.

— O Satsuki. — Sarada respondeu e Sakura olhou surpresa para o pequeno. Aquela peça de gelo seria impossível para a idade dele.

Sakura olhou em volta do quarto, sabia que quando colocou as crianças para dormirem ela apagou as tochas do quarto, não tinha como ter um incêndio ali, exceto… de repente tudo se fez claro para ela, Sarada era do elemento fogo e seu poder tinha se desenvolvido.

Uma viking no meio dos bruxos.

°•○●

Quando os primeiros raios de sol iluminaram, a vila estava um pouco mais calma.

A histeria da noite passada fora deixada de lado e como era quase que um ritual no clã, era hora de remover os escombros e construir o que foi destruído.

Sakura sempre incentivava os moradores construírem as novas moradias com gelo, alguns relutavam e diziam que não queriam morar em algo de gelo, entre outras reclamações. As casas feitas de gelo resistiram ao tremor ao contrário das feitas de madeira.

Por sorte, ninguém morreu e de prejuizo, só danos materiais.

Sakura estava no trono e ouvia os relatos dos aldeões, mas sua mente estava longe dali.

Seus filhos ainda dormiam depois da noite agitada.

Sarada despertou seu elemento, a bruxa sentiu uma pontada no coração.

Seis anos longe dele, no início ela sabia que ele estava lutando, porém toda vez que questionava Kabuto ele dizia o mesmo, está lutando. Ela sabia que ele iria buscá-la, mas depois de dois anos sua esperança foi fraquejando, não fazia sentido Sasuke estar envolvido em batalhas quando ele sabia que tinha filhos e ela o esperava.

A bruxa, sempre que podia, encurralava o oráculo na parede, não conseguia acreditar porque ele não ia até ela. Mas as respostas vagas de Kabuto a frustraram. Então ela começou a pensar que ele a tinha abandonado. Era sua única explicação, o viking deixou de amá-la e eis que um drama começou no coração da bruxa com pensamentos perturbadores sobre Sasuke.

Em alguns momentos, ela teve vontade de ir atrás do viking com as crianças, podia muito bem se teletransportar para onde ele estaria e buscar respostas dele, mas eis que um velho sentimento surgiu no interior da bruxa: O orgulho.

Sakura era orgulhosa e arredia, sempre foi assim na sua vida. Quando conheceu Sasuke esse sentimento foi deixado de lado, porém não esquecido. Sasuke costumava dizer que o seu caráter soberbo sempre atrapalhava e principalmente no amor, onde o orgulho deveria ser esvaído. Esse sentimento ao qual ela não sabia lidar e como uma pessoa orgulhosa, sua vaidade não permitiu que ela fosse até ele.

Em sua mente, Sasuke era quem deveria vir até ela. Ele quem causou tudo, ele sabia dela e deles, ele que viesse.

Uma péssima decisão.

— Irei mandar alguém para consertar sua casa, não se preocupe. — ela falou para um ancião.

— Grato!

Sakura espreguiçou-se quando o homem foi embora, era o último da manhã. Ser líder era entediante para ela que preferia a ação.

Ela suspirou pesarosa e encostou a cabeça no trono.

— Os ânimos da vila estão alterados. — Kabuto comentou. O oráculo, devido os acontecimentos dos últimos anos, estreitou laços com Sakura, era o seu confidente e sempre ouvia sobre o urso que não voltava. — Comeu alguma coisa?

— Ainda não. A minha bruxinha é uma viking. — ela falou baixinho. — Eu sempre fui curiosa para saber qual deles seria gelo ou fogo, ou pelo o incidente dos olhos, todos eram vikings. E se fosse escolher um, apostava que por Satsuki ser tão parecido com o Sasuke seria ele. Minha menina e eu não posso ajuda-la e muito menos… se o papai descobrir. — ela colocou a mão na testa. — Não contando com a aflição que eu tenho quando eles estão coçando os olhos.

— Os olhos não ficaram mais vermelhos? — ela negou. — Algo não foge da minha cabeça desde ontem. — Sakura deu atenção para ele. — A babá, ela pegou água? Uma bruxa do elemento da água.

— Ela explicou que estava nervosa. Mei é uma mulher sensível demais, é justificável, quando o Satsuki caiu da árvore ela passou mal e tudo mais.

— Uma bruxa da água. Claro.

— O que insinua? — ela perguntou interessada.

— Nada, as vezes eu penso demais, conspiro demais.

— E vê de menos. — respondeu sarcástica.

— Que ácida você.

— Me desculpe, eu estou preocupada com tudo. Como vou manter Sarada aqui?

— O pai… soube que o viking retornou para sua terra natal.

Sakura o olhou de sobressalto. — Cessou as lutas? — Kabuto confirmou. Sakura mordeu os lábios. — Ele virá nos buscar agora? — uma alegria tomou conta dela. — Ele vem? — ela até levantou-se da cadeira em um pulo.

Kabuto sabia que o fim do tormento da bruxa em relação ao seu amado estava próximo, a mensagem que tinha dos deuses era que logo iria ser consumado. Não teria por que procrastinar, mas Sakura, no momento, tinha perguntado se ele viria e ele só tinha uma resposta a dizer: — Não, ele não vem. — Kabuto disse, foi um outro golpe para Sakura, a certeza que seu urso a tinha abandonado.

— Quem não virá? — a voz de Hashirama ecoou na ambiente.

— Eer... Os bruxos que foram para Hleuoufen ainda não chegaram. — Sakura disfarçou.

— Sai foi de novo?

— Como sempre, ele foi. Ama a natureza de lá e tudo mais. — seu pai estava cego, então não podia ver as lágrimas descendo dos olhos da filha.

Ela olhava inconformada com o oráculo, mordeu os lábios e respirou profundamente para não chorar. Seu orgulho não iria permitir que ela chorasse por ele uma outra vez. Habitava em si a esperança de quando ele voltasse para terra dele, ele viria. Só que errou, nutriu falsas esperanças.

Tinha que controlar as emoções, não podia permitir que elas tomassem conta dela. Era a cena da bruxa que era conhecida pelo o seu coração gelado, agora tinha um partido.

Que maldição!

Ela sabia que não tinha nascido para essa futilidade que as pessoas chamam de amor, não mesmo. Era uma guerreira, umas das melhores e que não se deixava controlar por emoções. Acreditava que guerreiros não amavam, talvez o urso negro percebeu isso e deixou aquela utopia chamada amor de lado.

Ela não queria admitir para si mesma, mesmo com seu coração doendo tanto e tendo que segurar aquelas lágrimas que insistiam em sair de seus olhos. Maldição! Essa era a verdadeira maldição dos deuses.

— Onde estava durante o tremor? — ela perguntou-o tentando negar a voz embargada. Era difícil. Kabuto segurou a mão dela.

Era uma cena melancólica de uma bruxa sufocada de amor.

— No meu quarto.

— A natureza está em fúria. — Kabuto comentou.

— Não, esses tremores não são esporádicos ou mero fruto do acaso. — ele caminhou até o trono e sentou-se. — Ontem e nos outros dias, eu senti uma presença de uma magia que nunca senti antes, nos outros dias era algo fraco, despontando. No entanto ontem, a magia ganhou uma proporção forte e por isso o tremor foi tão intenso.

— De onde está vindo essa magia então? — Sakura perguntou, sorte que seu pai não poderia ver sua face de tristeza e amargura.

— Está vindo do castelo. Tem um ser poderoso aqui dentro e com magias distintas. Magia pura. — disse com uma certeza férrea, o rosto dele parecia amedrontado, ele sabia que seres de magia pura eram seres poderosos e que por onde passavam, traziam desolação.

— Irei alertar a todos. —a bruxa disse por fim.

°•○●

Inojin estava se esbaldando tomando banho no rio de águas cristalinas e correntes tranquilas. Esse era um dos motivos da felicidade e o principal era por estar perto da mãe.

Não era apenas ele que estava feliz, Ino transbordava felicidade.

Sai usava a desculpa de todos os anos ir á excursão aos campos de Hleuoufen para burlar a magia de Hashirama e poder visitar Ino.

Mesmo com Sakura no controle, o ancião não desfez o feitiço que mantinha sua filha presa naquele lugar. Ninguém sabia quando aquele feitiço iria acabar ao certo, só Hashirama tinha a resposta certa.

Ino estava ensinando o pequenino a nadar. Essa era a melhor época do ano para ela.

Já tinha se acostumado com a solidão da floresta. Nesses anos, a bruxa amadureceu bastante, em nada lembrava aquela garotinha que sofria de amores e agia sem consciência.

Tornou-se uma bruxa forte, sua irmã fez questão de trazer para ela pergaminhos proibidos para que ela pudesse estudá-los e conforme o pedido da irmã ela o fez.

— Os dois braços Inojin, não se esqueça de bater as pernas.

— Sim mamãe. — o garoto saiu misturado, como Sai sempre dizia. A cor pálida do pai e os cabelos loiros da mãe. Era inteligente e sempre acompanhava o pai, adorava ir nas viagens com ele. Mesmo pequenininho era bastante atencioso com tudo ao seu redor, perguntava sobre todas as coisas.

Sai estava ás margens do rio, estava um pouco cansado de nadar. Inojin parecia um peixinho e não se cansava. Sai aproveitou e pegou um pergaminho em branco e um velho grafite e começou a desenhar a paisagem. O lugar era lindo, mesmo naquela densa floresta assombrada, que já não o assustava. Os raios solares entravam pela penúria das árvores, era um cenário curioso. A escuridão e as trevas se encontravam por ali. As flores de astromélias lisianthus, envoltas por ruscus e tango davam um toque divino ao lugar.

— Ele não cansa. — Ino apareceu ao lado dele. — Quando crescer já vejo que não irá sair da água.

— Nunca vi criança tão animada com água como ele. — ele comentou enquanto desenhava concentradamente.

— Será que esse tremor causou muito estrago? — ela perguntou e pegou uma toalha para enxugar o cabelo e o corpo.

— Espero que não. Sei que lá em casa não foi atingido, é de gelo. Não sei se o vulcão está próximo de uma erupção.

— Não, isso é magia. A magia despertou o dragão, dragões. — ela disse. Ela tinha contado toda história para Sai sobre o segredo do vulcão e do clã.

— Mais de um? — ela assentiu. Sai temeu. — Isso é muito perigoso Ino, quando eles estiverem livres, que desolações não irão trazer ao nosso clã e ao mundo?

— Eu sei, mas ainda estão presos e esperando o detentor da magia soltá-los. Não quero pensar nisso. — ela disse.

Durante esse tempo, Ino compreendeu seus sentimentos por Sai, ela gostava dele e esse sentimento era verdadeiro, porém não poderia fazer ninguém amá-la, mesmo tendo o poder para fazer o bruxo venerá-la. Aprendeu a lição.

Sai por outro lado, acostumou-se com ela. Viu a evolução da garota apaixonada em uma mulher madura, Ino tornou-se admirável e um belo exemplo de mãe. Sem contar que ela virou uma bela mulher, bastante atraente. Porém ele continha qualquer expressão de sentimentos, ambos faziam isso.

— Mamãe, olha um peixe, posso ficar com ele?

Os pais sorriram.

— Pode ficar sim, mas lembre-se de alimentá-lo. — o garoto vibrou e a felicidade foi tão grande que deixou o peixe cair de volta ao rio. E lá se foi ele procurá-lo.

— Rin me contou que agora você é um homem de cozinha.

— Depois do mingau assassino, eu resolvi aprender um pouco. — brincou. — Inojin não reclama.

— Excelente, você irá preparar a janta. — ela disse animada, no entanto logo foi abatida com uma tristeza, sabia que essa era a última noite com seu filho ali, teria que esperar até o próximo ano para vê-lo. Cada ano uma surpresa, ele estava diferente, era triste para ela não poder acompanhar o crescimento dele. Sai percebeu o seu semblante triste e acolheu-a para si.

— Eu e Sakura não iremos desistir de tirá-la daqui. Quem sabe no próximo ano não esteja conosco?

Aquelas palavras a confortaram de alguma maneira. — É tudo o que eu mais quero.

°•○●

Sarada estava deitada na cama e olhava para suas mãos. A pequena estava assustada, de suas mãos tinham saído fogo. Satsuki olhava curioso para ela e intrigado.

Mesmo com a pouca idade ele sabia que o clã dos bruxos era da água e a sua irmã tinha fogo, e colocou fogo no quarto.

— Deveria dizer a mamãe. — ele sugeriu e ela negou. Eles estavam no quarto de Sakura, dormiram na cama da mãe.

— E se ela me achar estranha? Você viu o que eu fiz? — ela disse ainda confusa com tudo aquilo.

— Você queimou a minha cama! — o garoto disse chateado. — Quando eu sempre digo que você é estranha.

— Para!

— Você tem que dizer a mamãe.

— Olá meus queridos. — Mei apareceu no quarto com algumas frutas para os garotos. — O que a Sarada tem que dizer para a mamãe?

Os dois trocaram curtos olhares.

Mei cuidava deles desde pequenos, então sabia quando eles estavam aprontando alguma coisa. — Sabem que não adianta esconder nada de mim, não confiam na tia Mei? — ela colocou alguns morangos e maçãs em cima da cama. — O que aconteceu?

Satsuki cutucou Sarada fazendo a irmã falar alguma coisa.

— O fogo de ontem á noite. — ela estava com a cabeça abaixada e envergonhada.

— O incêndio. — ela deu uma mordida na maçã. — Prossiga.

— Saiu das minhas mãos. — falou com a ingenuidade de uma criança. Mei deixou a maçã cair.

— Você liberou o elemento? Satsuki e você? — ela perguntou surpresa. — Liberou o seu elemento?

— Eu não queimei o quarto não, foi só a Sarada. — apontou acusando a irmã. — Saiu gelo das minhas mãos. Você sabe por que saiu fogo da dela?

Mei deu um sorrisinho malicioso.

— Claro que sim!

Sarada ficou curiosa e se aproximou da babá. — Por quê?

— O pai de vocês, ele possui esse dom.

Os dois olharam-se boquiabertos. — Nosso pai?! — perguntaram em uníssono. Mei concordou com a cabeça.

— Sim. O papai de vocês.

— Você conhece o nosso pai? Mamãe disse que ele está lutando e em breve irá nos buscar. — Sarada questionou.

— Você sabe onde ele está? — o garoto perguntou contente e surpreso. — Sabe Mei?

— Querem conhecer o pai de vocês?

Os dois falaram que sim em uma explosão de alegria.

— Pode nos levar até o papai? — Sarada perguntou.

— Irei levá-los para o seu papai agora! — os dois abraçaram a babá que ficou parada olhando-os com perversidade. Enfim tinha chegado o dia da sua missão ser completada.


Hafnarfjörðu

A vila dos vikings estava em festa, dois dias de celebração desde a chegada de Sasuke e os outros vikings.

A bebedeira ali estava liberada, então não ver um dos vikings que passou seis anos longe embriagado era algo raro. Músicas eram tocadas e muitos carneiros e bois assados.

Em seis anos, a vila dos vikings prosperou como nunca, nem parecia a mesma vila de pescadores de antes. O porto era um dos mais movimentados da terra do gelo, virou parada oficial de reis e de exércitos amigos.

Uma vila produtiva e desenvolvida, orgulho dos vikings.

Naruto tinha acabado de chegar no porto da vila e junto dele estavam seu tio e Tsunade. Naruto queria rever o velho amigo que agora carregava uma fama aterrorizante.

Tsunade ficou maravilhada com a vila e com a vivacidade daquele local. A bruxa foi acolhida pelo clã do ar e caiu nas graças do primogênito, Jiraiya desenvolveu uma paixão pela bruxa de seios fartos, porém com a mudança dos anos, não só Ino aprendeu com seus erros, Tsunade soube que deveria mudar, teria que aprender a se amar, um amor-próprio não fazia mal. Ela esqueceu o seu ex-marido, reconheceu enfim as maldades que ele fez e o quanto foi dura com a sua irmã. Se arrependimento matasse, ela já estaria morta. Ela agora era uma mulher que se amava e Jiraiya amava isso nela e raramente ele conseguia tirar uma “casquinha” dela.

— Vikings sabem como dar festas. — Naruto falou para Sasuke e os dois se cumprimentaram com um abraço fervoroso (esse da parte de Naruto) — E até o urso negro se diverte. Como isso é possível?

Os quatro caminham pelo píer do porto, Naruto admirava o local. Quanto progresso!

— Continua o mesmo, Naruto. Sejam bem-vindos. Jiraiya e… — ele olhou para a mulher loira.

— Tsunade. — ela apresentou-se brevemente.

— Tsunade é do clã dos bruxos. — Naruto acrescentou.

— Fui banida. — falou amargamente. Sasuke não expressou nada.

— Meu avô ficará contente de vê-los e tem uma pessoa que ficará feliz em falar com a senhora Tsunade. Ela é uma bruxa em busca de sua família e talvez você possa ajudá-la.

— Se eu souber de qualquer coisa sim. — eles seguiram pelas vielas da vila, Naruto impressionado com a mudança do clã, sempre perguntava bastante interessado.

— O que a prata e o ouro não fazem.

— Se calar a boca poderá levar uma porção generosa para casa. — Sasuke disse. Naruto riu, então era verdade o que ouviu falar, o viking realmente tinha mudado, passou a ser um homem frio.

No salão do castelo, sim os vikings agora tinham um castelo de rochas escuras no centro da vila, ele tinha duas torres de vigilância altas, a todo momento um viking ficava de segurança guardando a vila. Dali também saíam as decisões vitais para o clã, Shisui decidia com Madara, mesmo com o ancião não querendo ser envolvido. Algumas celebrações importantes ocorriam ali, no grande salão.

Os quatro entraram no salão, os presentes pararam a dança.

— Não precisam parar. — Sasuke disse, ali era o único lugar do mundo que ele não aceitava ser chamado de rei. No fundo ainda tinha a modéstia do velho Sasuke. — Aceita um copo de vinho, Naruto?

— Sempre. — os dois se afastaram do meio multidão.

— Quer ir numa viagem comigo? Conquistar novas terras?

— Pensei que iria parar por algum tempo. — ele deu um gole no vinho quente.

— Eu também pensava. — Madara chegou perto deles. — Não há necessidade de ir procurar novas guerras.

— Descobrir novas terras. — ele reiterou.

— Já temos muitas terras Sasuke. — Madara não estava feliz com a atitude do neto, sabia que esse ciclo vicioso de Sasuke não teria fim, era um suicídio.

— Eu não posso ir agora em buscas de novas terras. Eu me casei e tive um filho. Eu tenho uma família agora e quero ficar junto deles.

— Com a oráculo? — Sasuke perguntou.

— Sim. Mesmo contra todos eu me casei com ela. Me casei com a Hinata, mas pagamos um preço por isso, ela perdeu o dom de suas visões. — ele disse e por um instante abaixou a cabeça, mas logo ergueu. — Tivemos um bebê, o Boruto. Quatro anos. — ele disse sorridente.

— Parabéns! — Sasuke congratulou. Por alguns segundos o vikings ficou abalado. Naruto tinha algo que ele nunca teria, uma família, o que tanto desejou. A amargura tomou conta de si, um sentimento antigo de tristeza voltou. Ele deu um gole seco no vinho. — Se quiser ir, minha dracar tem espaço. Pegarei mais vinho.

Ele saiu vagando pela festa, era um conquistador, no entanto era sozinho. Um triste final para um homem.

Caminhou em direção ao barril de cerva. Precisava de algo forte para dormir essa noite e pensar na próxima viagem o mais breve possível.

— Quanto tempo Sasuke. — uma bela mulher morena aproximou-se dele.

— Bastante. — ele estava de olho na caneca de cerva. Ele olhava a dança acontecendo, todos estavam se divertindo.

— Poderíamos reviver os velhos tempos, não acha? — ela deslizou a mão pelo o peitoral dele. — Passar as madrugadas acordados novamente, o que me diz? — disse sugestiva.

— Não estou interessado. — ele retirou a mão dela do peito dele e sorveu um gole da bebida.

— Como não está? Você gostava. Adorava pelo que me lembro.

— Eu disse que não estou interessado — sua voz saiu fria e intimidante e ele saiu da presença da mulher.

Akureyri

Sentimentos eram algo complicado para Sakura.

Ela estava destruída, mas fingia bem na frente do clã. O único sentimento que ela abraçava no momento era pelos os filhos, esse ela nem sabia como explicar, era tão dócil e divino, o amor de mãe não precisava ser conquistado. Veio junto com os gêmeos.

No entanto, tinha aquele sentimento doloroso, aquele viking tinha partido seu coração.

Mesmo não querendo pensar nisso, era inevitável.

Ela enxugou as lágrimas antes de entrar no quarto dela. Tinha terminado as tarefas de cuidar de um clã, agora seria a mamãe Sakura.

— Ursinhos? — ela entrou no quarto. — Que estranho.

Eles não estavam ali. Sakura seguiu pelo castelo, seus meninos adoravam brincar, possivelmente estavam em um outro lugar.

— Rin? — ela bateu na porta na sala das poções.

— Pode entrar. — a bruxa estava mexendo algo em um caldeirão. — Precisa de algo?

— Sarada está por aqui?

— Não.

— Hm. — ela coçou a bochecha.

Rin tirou o avental. — Terminei. Se quiser eu posso te ajudar a procurá-los. — disse gentilmente.

— Devem estar brincando com a Mei no jardim. — Ela disse, Rin a acompanhou. — Eu ordenei um estado de alerta, papai disse que tem alguém no castelo com uma magia pura e não sei as intenções de quem possui essa magia. Estou preocupada com isso.

Rin abriu a boca. — Wow! Isso é raro. Eu nem sabia que esses seres existiam. Lendas, sempre ouvi.

— Eu também. — as duas entraram no jardim branco. — Ursinhos? Ursinhos? — ela chamou-os, nenhum sinal. — Rin, vá no quarto da Mei. — Sakura falou expressando preocupação.

A bruxa caminhou até a cozinha, quartos, torres e sala do trono, as crianças brincavam por ali de esconde-esconde. Nada.

Rin chegou correndo e um pouco cansada. — Não achei a Mei.

— Eles não saem do castelo sem a minha autorização. Para aonde foram as minhas crianças?

°•○●

A guarda do castelo foi avisada, duas horas depois e nada de algum sinal das crianças e muito menos de Mei.

Sakura andava pelo o meio do salão dando voltas.

Kabuto estava com a sua bola de cristal e Rin ao lado dele. — Eu não estou vendo nada.

— Porque o oráculo sou eu.

Sakura roia as unhas, não queria pensar na possibilidade de algo ter acontecido com seus filhos. Ela já não conseguia raciocinar bem, o sentimento de mãe tinha tomado conta e não a ajudava a ser racional.

Hashirama acompanhava em silêncio a situação.

— Eles estão com a Mei. — Kabuto disse assim que viu uma imagem projetada na bola. Sakura correu para segurar a bola, mas não via mais nada.

— O que é isso? — Rin perguntou-se segurando uma cadeira. A terra tinha começado a tremer novamente e dessa vez era algo violento.

— Um novo tremor. — Kabuto disse segurando-se a sua bola. — Não pode quebrar.

— Meus filhos, onde estão?

— Senhora! — um soldado entrou. — Os Nottikins, os Nottikins!

— Nottikins? Onde estão? — a bruxa perguntou cética. Aquele dia não poderia piorar.

— Estão no vulcão, indo em direção ao vulcão.

Hashirama levantou-se com uma expressão horrorizada no rosto. — Não pode ser!

Sakura correu juntos de alguns soldados para o lado de fora do castelo. Os aldeões estavam todos na rua olhando em direção ao vulcão.

— Me diga Sakura, o que está acontecendo? — Hashirama questionou.

— Preparem as varinhas. — a bruxa falou ordenando a todos ali.

As varinhas foram apontadas para cima e raios azuis de gelo saíram, porém uma bola de fogo apareceu no ar. Os bruxos não conseguiram mais usar a varinha. Tinha algo impedindo o ataque.

— O que é aquilo? — Rin perguntou assombrada. — São dragões? — ela apontou para cima.

— Não pode ser, eles descobriram. — Hashirama falou.

— Kabuto e meus filhos? — Sakura perguntou furiosa.

— Estão com os Nottikins. — uma nuvem de fumaça preta foi vista no céu próximo ao cume do vulcão. Os bruxos corriam amedrontados com medo de uma erupção do vulcão. — Seus filhos despertaram os dragões Sakura. — Kabuto disse. A bruxa ficou sem palavras.

— Impossível! — Hashirama exclamou. — Dragões só podem ser acordados com magia pura. A não ser…

— Vejo desolações no mundo que conhecemos, vejo catástrofes e mortes. O mundo que conhecemos não será mais o mesmo, vai ser extinguido. — Kabuto soltou a bola de cristal que estourou no chão. —Sakura!

A nuvem preta de fumaça desapareceu no ar, assim como o tremor de terra que parou. Tudo voltou ao normal.

— Nosso exército não tem forças para enfrentar os Nottikins, muito menos com dragões. É o fim do nosso mundo. — Hashirama proferiu. Ele estava certo, os bruxos tinham perdido muitos de seus bruxos guerreiros e sem contar os que estavam em excursão. Não seriam loucos de entrar em um conflito com os perigosos Nottikins, seria carnificina para o lado do clã.

— Eu sei quem tem forças para destruir os Nottikins. — Sakura puxou a varinha dela, se fosse pelo clã, ela aceitaria ir nessa luta sozinha, porém seus filhos estavam com aquelas criaturas demoníacas, e ela levou em consideração a fraqueza do exército dos bruxos. Seus filhos estavam em perigo. Mesmo furiosa com Sasuke, ela não podia arriscar a vida de suas preciosas crianças. — Hverfa.

— Para onde ela foi? Ela conjurou um feitiço de transporte. — Hashirama questionou. — Como Sakura pode sumir e deixar o seu clã no meio de uma tempestade dessa? — ele falou furioso.

— Sakura foi buscar ajuda. É a nossa última esperança. — Kabuto pronunciou. Rin segurava o braço do oráculo assustada e sem compreender nada. — A profecia do fogo e o gelo foi cumprida pelos os deuses.

°•○●

Hafnarfjörðu

Os vikings embriagados cantavam no meio do salão.

Há coisas que eu vou acontecer

Mas aconteceu

Tem alguma coisa que você fez?

Então faça isso agora, a vida é tão curta

E se você tiver um desejo em seu coração, meu amigo

Então, deseje agora porque você não pode voltar novamente

Era uma melodia triste e era tocada por um instrumento de sopro. Preferido dos vikings.

Naruto conversava com Obito sobre as viagens e aventuras que encontraram lutando contra os reis dos reinos longínquos. Uma parte de si queria ir nas aventuras, mas a outra era contida pelo o desejo de estar com sua família. Era o certo a se fazer.

Konan conversava com Tsunade, mas suas esperanças de saber de algo de sua família não foram nutridas pela bruxa, ela realmente não conhecia alguém com uma história parecida com a da bruxa. E além do mais, Konan só tinha imagens de um lago e flores roxas no campo, que Tsunade julgou ser o campo de Hleuoufen, era possível que os pais dela fizessem essas excursões. No entanto a bruxa não desistiu, iria para Akureyri ao amanhecer.

Sasuke estava ao lado de Madara, ele alisava os pelos de Floki que cochilava. Teve inveja do seu fiel escudeiro, o mesmo não conseguia dormir por nada. Sua mente era perturbada por imagens de guerras e barulhos, era difícil para ele dormir.

Madara tentava convencer o neto de qualquer jeito para ele ficar e nessa persuasão, até Mikoto entrou. A velha Viking tinha se conformado com a perda de seu filho, custou a entender que tudo foi tramado por Itachi, preferia acreditar que tudo foi obra da bruxa com que Sasuke teve um caso. Um coração de mãe não queria pensar no pior dos seus filhos.

Já tinha perdido um, tinha perdido o marido e não queria perder o único filho que restou.

— Você é teimoso como um urso. — ela reclamou. — Já tem o seu nome reconhecido, por que ir adiante?

— É o que eu sou.

— Tudo isso culpa daquela bruxa. Você não era assim Sasuke, era meigo, divertido.

— Falava que isso era a minha fraqueza. — ele a respondeu friamente. — Eu já estou decidido e nada me fará ficar.

— Não tem nenhum sentimento pela sua mãe? — ela ajoelhou-se perto dele. — Pelos os deuses.

— Eles não existem. — Mikoto levantou a mão para bater nele, mas ele interceptou no ar, seu olhar gélido e desalmado para a sua mãe que deu um passo para trás. Aquele não era o seu filho.

— Não ouse dizer isso dos deuses, sabe que eles existem. Não blasfeme por causa daquela mulher, era da compreensão de todos que um romance entre os dois era amaldiçoado. Sabia que isso iria acontecer. — ela proferiu demonstrando indignação. — Eu lavo minhas mãos por Sasuke, esse não é o meu filho.

Madara concordou.

— Não há nada que posso fazer. — ele tocou no ombro do neto. — Eu apenas quero o seu bem. — disse um pouco sentimental. — Mas irei respeitar sua decisão. Cada um de nós sabemos o que é o melhor.

— Obrigado, meu avô.

A festa continuava e não tinha hora para acabar. As danças das jovens e crianças animavam aquele lugar. O banquete parecia nunca acabar, alguns tinham comido tanto que caíram passando mal.

Sasuke fez um sinal com a mão e a música cessou, todos pararam e olharam para o viking que estava vestindo sua capa preta, ele tinha algo a falar. E os vikings ali sabiam o que era, uma nova jornada.

— Desculpe atrapalhar a celebração de todos vocês.

Obito suspirou triste, Sasuke não tinha jeito. Uma outra jornada, era loucura.

Shisui estava com duas belas mulheres ao lado e saiu de fininho com as duas, sabia que o anúncio do urso negro era uma outra batalha e dessa vez ele teria que ir.

— Eu… — ele parou quando uma luz azul apareceu no meio do salão e uma mulher apareceu.

Todos olharam para o centro.

Sakura jogou o seu cabelo para trás e limpou os ombros.


A bruxa olhou para os lados, viu que todos ali, sem nenhuma exceção, a encaravam. Ela não deu a mínima e deu alguns passos para a frente, bem diante de um viking boquiaberto e assombrado.

— Sakura! — ele exclamou.

— Desculpa atrapalhar a festa. — falou séria. — Urso negro.

Notas finais
Que bonito em! Que cena mais linda Será que eu estou atrapalhando a festinha do ursinho negro ai? Espero que tenham gostado, qualquer dúvida é só perguntar que eu respondo! Beijos e até!