Notas iniciais
Queria agradecer as belas recomendações da Ametista e da Kesly, muito obrigada!

Mei era uma Nottikin talentosa, era uma guerreira que sempre ia na primeira linha de batalha. Amava o que fazia e era fiel aos seus soberanos. Anos atrás ela foi chamada para uma missão de extremo sigilo. De início não ficou satisfeita, teria que se infiltrar no clã dos bruxos e viver uma vida pacata, era tedioso demais e piorou quando soube que seria babá de duas crianças.

Não foi nada fácil, para a mulher despretensiosa em relação a maternidade. Satsuki e Sarada foram uma prova de fogo, mas aos poucos ela demonstrou um bom serviço e ganhou a confiança de Sakura e dos bruxinhos perturbadores.

Sua missão no final foi simples, assim que os dois despertassem os poderes, deveriam ser pegos e levados. E ela a cumpriu.

Estava na floresta proibida, longe do clã dos bruxos. Os gêmeos estavam cansados e sempre perguntavam sem parar para onde estavam indo e onde estaria o papai. Mei estava irritada, mas tinha que fingir doçura com eles, afinal, ela seria responsável pelos dois, já que eles confiavam na tia Mei.

— Estamos chegando? — Sarada perguntou. — O papai está esperando por nós?

— Está. Ele mal espera para ver vocês dois. — ela falou. Alguns galhos da árvore começaram a se mover, tinha alguém vindo ali.

— Te achei. — Chojõru apareceu. — Veio para longe.

— Foi aqui que nós marcamos. Você que está esquecido.

As duas crianças olharam para o homem curiosas. — Quem é ele? — Satsuki perguntou.

— Amigo do papai. Não é? — ela forçou o Nottikin responder.

O Nottikin sorriu e assentiu. — Amigão. Você viu? Os dragões? Mal acreditei, mas você viu? — falou empolgado.

— Vi. — ela disse sem dar muita importância. — Temos que ir logo para o lugar.

— Não iremos demorar. Ele está ansioso para conhecer os dois que conseguiram despertar os dragões.

— O que ele fará com eles? — ela perguntou, os dois estavam andando a frente e totalmente alheios ao que se passava.

— Eu não sei. Não tenho a mínima ideia de como vão pegar os poderes dele. — respondeu. — Talvez vão sugar a magia e depois matá-los.

— Hm. Só assim eles ficarão quietinhos.

— Você é a pior babá que existe. — ele disse humorado.

Hafnarfjörðu

O barulho dos instrumentos musicais tinha cessado, o barril de cerveja derramava no chão, já que quem estava se servindo olhava para o centro do salão.

O olhar de todos estava fixado para a mulher de cabelos rosas. A bruxa.

De todo o salão, não havia um olhar mais perplexo e desnorteado que o do urso negro.

E não havia um olhar tão furioso quanto o da bruxa para ele.

Obito ficou em silêncio e abaixou sua cabeça sentindo o peso da culpa diante de si, a única coisa que conseguia pensar no momento era no futuro castigo de Sasuke para com ele, seu sobrinho não iria perdoá-lo. Shisui tinha a mesma certeza, sentiu-se encurralado, participou daquela mentira. Queria correr para o mais longe dali, porém suas pernas fraquejaram.

Nunca o nome de Odin foi tão invocado por aqueles dois antes.

— Sa...Sakura. — ele disse um pouco gago. — Sakura! — ele mal podia acreditar naquela visão, olhou para a taça de vinho e pensou que bebeu um pouco além da conta, mas não, todos estavam vendo o mesmo que ele.

— Quem mais seria? — ela respondeu rude.

Sasuke deu um passo a frente, deixou a taça de vinho cair no chão.

Aproximou-se dela, sem sombra de dúvidas era ela. Os olhos expressivos, as maçãs do rosto vermelhas e os lábios de mel definidos.

Para surpresa da bruxa que estava enraivecida e sisuda, ele abraçou-a com toda sua força, o abraço que desejou dar por anos, aquele abraço apertado cheio de sentimentos aflorados para o urso. Sakura ficou imóvel e sem reação diante dele, sentia o coração dele e parecia que iria explodir.

Era um abraço de carinho e um abraço de saudade.

O mundo parou para ele ali.

Acariciou o cabelo da amada, queria falar algo, mas suas palavras tinham sumido de sua boca, naquele momento elas se fizeram desnecessárias. Por ele ficaria horas abraçado com ela ali, no entanto Sakura desprendeu-se dele.

— Minha bruxa. — seus olhos não negavam o quanto ele estava emocionado. Durante sua jornada ele tinha se tornado um cético, decidia o seu destino, mas naquela ocasião, ele pediu para Odin ou Thor que se aquilo fosse um sonho, que por favor não o despertasse. — Você voltou Sakura, minha bruxa voltou para mim. — ele falou emocionado, pela primeira vez em anos um sentimento intenso como aquele lhe tomou. — Você voltou para mim!

— Não. — ela respondeu em seco.

Foi uma surpresa para ele.

— Não me venha com toda esta cena, não me venha com esse falso abraço carregado de emoções deturpadas. — ela falou alto e zangada. — Você me abandonou. Esqueceu de mim como se eu um fosse nada. Não me venha com seus falsos abraços. — repetiu uma outra vez.

— Do que está falando? Pelos céus, do que está falando Sakura?

— Sakura! — uma voz feminina ecoou no salão, a bruxa virou-se e viu a irmã. — O que faz aqui?

— Eu que deveria lhe fazer essa pergunta Tsunade. — disse surpresa ao reencontrar a irmã, Tsunade parecia estar ótima e de boa aparência.

— Não mude de assunto. — Sasuke entrou no meio da conversa das duas, pegou a mão de Sakura, mas ela soltou, estava arisca. — Me diga o que está acontecendo?

— Não me venha com insinuações. — ela deu de ombros para ele. Sasuke estava confuso, perdido sem entender ao que ela se referia.

Sua amada tinha voltado, mas algo estava estranho.

— Eu não tenho a mínima ideia do que está falando. — disse por fim, não queria brigar com ela depois de reencontrá-la depois de tantos anos, aliás ele gostaria de perguntar tantas coisas que mal sabia por onde começar. Queria saber como aquilo foi possível, afinal falaram para ele que ela tinha morrido.

— Eu posso explicar. — Obito apareceu no meio do salão. Deu um gole forte no vinho e jogou a taça no chão. — Eu posso e irei explicar o que aconteceu.

Sasuke olhou-o desconcertado, do que o seu tio sabia.

Todos ali estavam se perguntando do que estava acontecendo e especialmente Tsunade, que estava sem compreender bulhufas do que se passava naquele local.

— Que Odin me ajude. — proferiu e ergueu a cabeça fitando o sobrinho em um ato de coragem. — Quando Itachi invadiu a vila e toda aquela desgraça que se abateu sobre nós foi consumada, você estava tão ferido que pensei que iria perdê-lo. — ele pausou, sua coragem estava aos pouco indo embora. Ele resolveu prosseguir. — Depois de alguns dias de sofrimento, você acordou e chamou pela bruxa.

Os dois escutavam atentamente.

— Então, o oráculo veio até mim e me disse que se você fosse atrás dela, você… — Obito teve uma curta hesitação. — Disse que você iria morrer no meio do caminho, não teria chances. Naquela situação eu não sabia o que fazer e com a melhor das intenções, com medo de perder o meu sobrinho, já que meu pai estava ruim, com medo de perder minha família. — ele deu uma grande ênfase. — Eu escolhi mentir para você.

— Mentir para mim? — Sasuke questionou.

— Sim, com medo de te perder, eu preferi dizer que ela estava morta.

Sakura arregalou os olhos verdes espantada.

Sasuke custou um tempo para absorver aquilo, sua mente não queria acreditar.

— Me desculpe.

— Como pode ter feito isso? — ele esbravejou, causando susto nos ademais que estavam por perto. — Como pode ter feito isso? — ele andou em direção ao tio.

Estava furioso, seus olhos expressavam ódio.

Segurou seu tio pelo pescoço. — Como foi capaz de me esconder isso por tanto tempo?

— Não só ele, eu também sabia. — Shisui apareceu tentando defender Obito que já estava vermelho. — Foi pelo bem da nossa vila, foi pelo seu bem, se não fosse o seu tio, agora você estaria morto. — disse em um surto de coragem. — Não a veria novamente.

— Ele está certo. Solte o seu tio. — Madara apareceu. — Não entendi bem o que aconteceu e por que o oráculo pediu isso, mas foi para o seu bem, eu mesmo teria feito algo semelhante.

Sasuke soltou o tio. Obito nunca ficou tão feliz em poder respirar novamente.

— Vocês dois tem muitas coisas para resolverem. A festa está terminada. — anunciou para os presentes.

Sasuke estava transtornado e Sakura perplexa diante da mentira revelada.

A multidão foi saindo aos poucos deixando o salão vazio, poucos estavam ali no local.

— Pode me explicar o que está acontecendo? — Tsunade perguntou para Jiraiya e Naruto. — O que a minha irmã tem haver com esse viking?

— Acho que daqui a pouco vai ser esclarecido. — Naruto disse paciente. — Que bela confusão, não tio?

— Mulheres sempre causando dores de cabeça. — Naruto concordou, mas Tsunade deu- lhe um tapa.

Mikoto estava atônita encarando Sakura, parecia que o seu pesadelo não tinha fim, a bruxa tinha voltado das trevas, assim pensou revoltada em revê-la.

— Agora creio eu, que podem desfazer os laços confusos desta história. — Madara falou, enfim tinha conseguido colocar ordem no lugar.

Sakura estava abalada com a informação nova, mas tudo em sua mente se fez claro, se Sasuke soubesse dela claro que teria ido atrás dela, sua face brava amoleceu. Percebeu que estava emotiva, com as mãos abanou os olhos tentando impedir a lágrima que já dava sinais. Não percebeu, mas estava sob um atento olhar do viking que não conseguia parar de contempla-la.

— Peço perdão pelo que fiz meu sobrinho. — disse com certa dificuldade. — Eu quis o seu bem, eu quis você vivo.

Sasuke recusou a responder e andou até Sakura.

— Eu não tive culpa, — ele deu um sorriso, uma mistura de incredulidade com nervosismo. — Eu não acredito que você está aqui, em minha frente, viva, Sakura se eu soubesse que você estava viva, eu iria de imediato tomá-la para mim. Acha mesmo que eu iria ficar anos, seis longos anos sem te ver? Não.

— Eu sei. — ela disse, já não conseguindo disfarçar as lágrimas.

Sasuke não se conteve e abraçou-a outra vez, desta vez foi retribuído com um abraço sincero da bruxa. Seu favo de mel, o doce de sua vida aguada tinha retornado para ele.

— Também mentiram para você? — ele perguntou-a enquanto acariciava os longos cabelos dela. — Por isso que não veio me ver? Mentiram para você também?

Sakura ficou em silêncio e abaixou a cabeça encostando-se no peitoral dele.

Sasuke tinha a certeza que o seu coração iria pular para fora a qualquer momento, estava com ela e dessa vez era real, ela estava ali nos seus braços, a sua bruxa tinha voltado e ele não podia esperar para levá-la para casa, a casa deles.

— Não. — ela respondeu. — Eles não falaram que você tinha morrido.

Sakura afastou-se um pouco dele.

Aquilo seria difícil de explicar. — Eu ouvi falar do urso negro, um bárbaro desalmado que enfrentava reinos e os levavam a ruína.

— Ouviu falar de mim? — perguntou surpreso.

— Era impossível não ouvir. — disse. — Ouvi falar de você e toda a desolação que o Urso negro causava por onde passava.

— Por que não veio até mim?

— Perguntei ao meu oráculo quando você iria me ver, quando iria me buscar, mas ele disse que você não viria. — disse ressentida.

— Mentira! Se eu soubesse que estava viva eu iria até você. Me diga, por que não veio até mim? — perguntou ansioso pela resposta, porém ela custava a vir. — Sakura…?

— Eu esperei você vim me buscar. — ela falou com uma voz embargada, abaixou sua cabeça acanhada. Era a primeira vez que fazia isso na vida.

Sasuke repetiu a mesma frase que iria até ela, porém como um lampejo em sua mente, o viking conseguiu entender o que ela quis dizer.

Sua bruxa não tinha mudado em nada.

— Não veio até mim por orgulho? — perguntou desacreditado e esperando que a resposta dela fosse outra, não iria suportar a soberba dela. — Não veio até mim por isso? Seu orgulho não permitiu?

— Pensei que estava priorizando as lutas. — ela respondeu, suas lágrimas desciam pelo o rosto discretamente.

— Eu nunca faria isso. Eu fui lutar para tentar amenizar a dor que eu senti por ter perdido você, fui lutar para poder te esquecer, porque a minha vida era só em pensar em você, o dia inteiro. Eu te amava tanto que desejei estar morto no seu lugar Sakura, você acha mesmo que eu não iria atrás de você? Depois de tudo que te demonstrei, acha mesmo? — expôs bravo. — Acha mesmo?

Era a primeira vez que ele falava duro com ela.

— Não foi só você que sofreu.

— E ainda assim não veio? Por Odin Sakura, como pode ter feito isso? Eu te amei mais que a mim mesmo. — sua voz fraquejou. — Eu sofri tanto por você. A dor de te perder foi surreal, eu amaldiçoei os deuses por sua morte.

Sakura sabia que não havia resposta para o que ela fez, entendia que o seu orgulho era vil e foi o culpado, não tinha como escapar.

— O que veio fazer aqui então? O seu orgulho lhe permitiu você vir aqui? — era visível o tom de decepção em seu rosto, mas nada era comparado com a dor em seu coração. Permitiu-se não chorar ali, não derramar suas lágrimas de decepção, quem diria que esse seria o sentimento ao ver sua amada novamente.

— Meus dois filhos, meus dois filhos foram raptados. — falou, as lágrimas que caiam do seu rosto.

Aquilo não tinha como ser pior para o Uchiha, foi como uma flechada em seu coração. O que milhões de homens não conseguiram, Sakura iria conseguir com apenas palavras.

— Casou com o seu noivo? — ele disse frio e irônico. — Era noiva. Voltou e casou com ele, nada mais justo. — deu um riso de descaso. — Foi para isso que veio, pedir ajuda para encontrar seus filhos? — falou sombrio.

A única ali contente era Mikoto, que colocou a mão na boca para esconder o sorriso de satisfação em seu rosto.

Sakura ficou indignada com a insinuação dele, porém não se abateu.

— Tive dois filhos. Um menino e uma menina. — disse para todos escutarem. Isso soou como uma martelada no ouvido do Uchiha. Seu sonho tinha virado um pesadelo. Ele deu as costas a mulher e foi andando rumo a saída. — O menino tem o elemento do gelo, é um garoto habilidoso e ama caçar. Algumas vezes me aparece com lebres em casa. Por outro lado, a garota não herdou o meu elemento e sim o do pai, quase queimou o quarto dela com chamas essa noite.

Sasuke parou no caminho.

— Ela é esperta e nisso puxou a mãe. No entanto eu não tenho a mínima ideia de como ajudá-la em seu elemento. Eu não sou uma viking e esse não é o meu poder.

Sasuke virou na direção da bruxa, desconcertado.

— O que disse?

— O que ouviu. — ela respondeu séria. — Ah, são gêmeos. Meus ursinhos. — falou como se fosse um trunfo.

— Você estava grávida?

— Engravidou uma bruxa? — Mikoto disse escandalizada. — Odin!

— Parabéns, vovó. — Sakura respondeu sarcástica.

— Meus filhos? — ele chegou até ela. — Dois filhos? — ele questionou-a boquiaberto com o que ela tinha acabado de contar. — Me escondeu dois filhos? Sakura…

A bruxa preferiu não falar nada.

Sasuke passou a mão no queixo desapontado, sem palavras.

— Os Nottikins os sequestraram algumas horas atrás.

Cada palavra que ela falava, Sasuke tentava assimilar bem, era como um choque, ou um alimento grosso difícil de ser digerido.

— Filhos? Nossos filhos. Sua bruxa, — ele disse de maneira insultuosa, queria estar bravo, mas não conseguia, só decepcionado. — Sua bruxa, sua bruxa sem coração!

— Não é hora de me xingar, nossos filhos estão em perigo. Meu clã foi atacado, eles despertaram os dragões ali existente.

— Dragões? — Naruto entrou no meio da conversa. — Os dragões que meus ancestrais confiaram a vocês? — ele disse atônito e a bruxa concordou. — Esses dragões só poderiam ser acordados com magia pura e isso é impossível nos dias de hoje.

— Isso não passa de lenda. — falou Madara.

— Não é lenda. — Sakura tomou a palavra. — Eu vi dragões, ainda pequenos voando sobre o vulcão do meu clã e sumirem. Eles levaram meus filhos com eles.

Jiraiya trocou um breve olhar com Naruto, ele conhecia a história dos dragões e de tudo sobre a magia pura.

— Madara, você é descendente direto do Indra, não é? — Jiraiya o questionou.

— Sim, mas ele era apenas um guerreiro extraordinário, nada dessas coisas que inventam sobre ele.

— Não, ele era poderoso, magia pura e por isso os Nottikins conseguiram acordar os dragões, na verdade, — ele coçou o queixo. — As crianças acordaram.

— Do que está falando? Meus filhos não acordaram os dragões. — ela disse aparentando nervosismo.

— Sim, eles acordaram os dragões e eu não sei o que pode vir pela frente, poderá ser o fim dos clãs se não fizermos nada. — disse sombrio.

Sasuke apenas escutava tudo, estava perplexo, não por supostamente seus filhos terem algum tipo de magia rara, mas sim por ter filhos e como Sakura pode ter escondido isso dele. O urso estava frustrado, mas além de tudo, triste. Sentimentos que ele jurou não ter mais, voltaram causando tristeza no urso negro que parecia abatido naquela situação.

— Dragões não existem. — Madara falou.

— Existem, confiamos ao clã dos bruxos os dois últimos ovos dos dragões. — Naruto falou para o ancião. — Eu irei te explicar toda a história Madara.

— Eu vi com os meus próprios olhos. — Sakura disse.

— Precisamos fazer algo logo, temos que achar os Nottikins e pegar os dragões.

— Pegar os meus filhos. — Sakura interpelou.

— Sasuke! — Naruto chamou a atenção dele, despertando-o, já que o viking parecia estar em outro lugar.

— Temos que encontrar os Nottikins imediatamente. Eles irão causar uma guerra sem limites e será o nosso fim, temos que lutar.

— Shisui e Obito, reúnam o exército.

Akureyri

Inojin estava olhando o céu naquela noite, gostava de ver as estrelas brilhando, pareciam até mágicas. Estava ali distraído enxergando o céu quando viu dois seres estranhos voarem baixo, nunca tinha visto animais como aqueles.

Saiu desesperado para casa da mãe, onde Sai já aprontava as roupas para partirem para casa.

— Mamãe, papai! — gritava.

— O que houve? — Ino perguntou assustada.

— Dois bichos, animais estranhos voaram por cima daqui. Eles tinham asas e uma cauda enorme.

Sai olhou para Ino sem entender muita coisa, por outro lado, a bruxa sabia do que se tratava, os dragões. Sentia a oscilação de magia que vinha, era uma magia tão pura que ela não esperava por menos.

— Precisa retornar a Aku… — antes que ela terminasse a sua frase, Rin apareceu no meio da casa.

— Sai, precisa retornar para Akureyri. Dragões foram acordados, Nottikins invadiram e sequestraram os filhos da Sakura e tudo está de pernas para o ar.

Sai estava perplexo com a informação, eram muitas para absorver de imediato.

— Precisamos de alguém para dar suporte. Logo!

— Certo. — ele virou para Ino. — É melhor o Inojin ficar aqui, é seguro.

Ino concordou. — Sim. Não posso fazer nada na atual situação que estou.

— Vamos Sai, não temos tempo.

O bruxo deu um beijo rápido de despedida no filho e se teletransportou para Akureyri.

Por ali o tumulto e o medo tinham sido instaurados. Sai observou que haviam bruxos construindo muralhas de gelo e fazendo algo como uma redoma na cidade. Tinham que protegê-la. O clima de horror estava presente em níveis jamais vistos.

— Cadê Sakura? — Sai perguntou.

— Ela sumiu atrás dos filhos.

Os dois foram até o castelo onde Hashirama estava sentado no batente da frente. Como ele se odiava por estar cego, não podia fazer nada e isso lhe abatia. Sabia que o pior estava por vir, os dragões foram despertados.

— Hashirama!

— Sai. — reconheceu a voz dele. —Temos que fazer algo, Sakura se foi. Ela acha que vai conseguir vencer os Nottkins com dragões, está enganada. É o fim do nosso clã. — expressou pessimista.

Sai olhou para os lados, é realmente dali não poderia sair algo de bom. O clã estava arruinado naquele momento.

— Precisamos de ajuda. — ele falou. — Hashirama, liberte Ino.

— Não.

— Liberte-a, ela é uma bruxa habilidosa e experiente em magia oculta, será útil, já que Sakura não está aqui.

O bruxo abaixou a cabeça parecendo ponderar sobre o que estava acontecendo. Não tinha nada a perder. Toda ajuda ali era bem-vinda, ele reconhecia que sua filha era habilidosa e naquele momento de desolação, alguém experiente em magia oculta seria a melhor solução.

— Tudo bem! — disse por vencido. — Não há o que salvar, tudo se foi. — ele conjurou algum feitiço.

— Rin, vá buscar a Ino e o Inojin. Temos que montar um plano e um modo de nos defender.

— Assuma o lugar de Sakura, seja o líder enquanto ela não estiver por aqui.

Sai concordou.

°•○●

Kabuto tinha ido procurar uma nova bola de cristal, tinha que entrar em contato com o Orochimaru.

O clima não era dos melhores, ele estava preocupado com Sakura e os filhos dela. Toda sua profecia estava acontecendo, era chegado a hora.

Ele abriu um velho baú empoeirado e pegou uma bola. Tirou a poeira soprando e em seguida colocou na mesa.

— Orochimaru. — ele chamou-o. Repetiu, mas sem sucesso. Quando pensou em desistir o oráculo apareceu.

— Sim.

— Sakura está ai?

— Sim, está com o urso.

— Foi vê-la?

— Claro que não. Sasuke soube de toda a verdade, deve estar furioso e principalmente com o oráculo. Melhor evitá-lo por agora.

Kabuto compreendeu. — Alguma visão? Não consigo ver nada do futuro, está tão incerto para mim.

— Vejo uma guerra, ah, eles têm que ir logo.

— Viu as crianças? — perguntou preocupado.

Orochimaru suspirou pesaroso.

— Eu não consigo vê-los.

Hafnarfjörðu

O clã estava movimentado naquela noite, a notícia sobre os Nottikins possuírem dragões e estarem prontos para iniciar uma guerra logo foi espalhada pelos quatros ventos. Os guerreiros se preparavam para mais uma batalha, desta vez não era para o ego do Urso negro e sim pelo o bem do mundo que eles conheciam. Crianças e jovens estavam reunidos no centro da vila, onde os anciões contavam as histórias sobre os dragões e o temor que eles traziam.

Tsunade estava ao lado de Konan, a bruxa contou tudo sobre o relacionamento da irmã com o viking, Tsunade mal acreditou, Sakura era certa demais para aquilo e fria demais. Nunca achou que a irmã seria capaz de amar. Ela não julgou o relacionamento dos dois, pensou que era uma bela história romântica, já que ambos enfrentaram a fúria dos deuses.

Sasuke andava em silêncio e ao lado dele estava Sakura, os dois seguiam para a casa do urso. Sasuke ia para casa se preparar para a guerra que iria travar com os Nottikins. Precisava pegar alguns mantimentos e sua espada que estava por lá.

Ele escolheu não falar nenhuma palavra com Sakura, estava magoado. A capa do urso negro não conseguia esconder o urso afável que sempre foi, cheio de carinho para com sua bruxa. Pelo visto ela continuava a mesma, fria e insensível.

As lembranças abateram Sakura quando ela viu a velha casa, estava igual a como ela se lembrava. As trepadeiras cobrindo as paredes e outras espécies de plantas. Seu coração apertou um pouco. Sasuke abriu a porta de casa, ó o quanto estava triste, dor que só se assimilava a de quando perdeu a bruxa, mas lá estava ela viva e tripudiando dele, como sempre.

Floki estava dormindo próximo da lareira, no momento em que Sasuke abriu a porta, o cão acordou e correu para encontrar o seu dono e deu de cara com a velha dona.

O cachorro não se enganou, correu para cima de Sakura latindo e balançando o rabo.

— Floki! — Sakura tentou abraçá-lo, mas foi impossível com tamanha alegria do cachorro que começou a correr por toda a casa, parecia um filhote. — Como está grandão! — ela ficou emocionada.

Sasuke olhou a cena, já tinha imaginado ela tantas vezes, contudo preferiu não dar importância. Subiu a escada rumo ao seu quarto.

Sakura terminou de fazer o cafuné na cabeça do cão animado. Notou que Sasuke subiu e foi em direção a ele, precisava falar com ele e tentar resolver aquela situação.

Ao chegar no quarto, encontrou Sasuke sentado na borda da cama e polindo sua espada. Viu que os olhos do viking estavam marejados, mas ele tratou de disfarçar bem.

Teve a surpresa de ver que o quarto não mudou, estava do jeito que ela tinha deixado há seis anos.

— Quis conservar as lembranças? — ela falou, Sasuke deu uma olhada de lado e continuou a fazer sua tarefa. — Seu oráculo mentiu para você, meu oráculo fez o mesmo.

— Meu oráculo disse que você estava morta e o seu que eu estava vivo. Podia ter vindo a mim em qualquer momento com os meus filhos.

Ela não tinha como argumentar, sabia que era culpada.

— Eu sofri por você Sakura. — era o seu desabafo sincero.

— Não apenas você. — ela sentou-se ao lado dele.

— Sofri por uma bruxa sem coração. É o que eu mereço por ter amado você mais que a mim mesmo. Uma bruxa orgulhosa, é isso o que você é. — ele voltou a polir a espada.

— Não nego. Meu clã estava uma bagunça, fomos invadidos e quando eu cheguei lá, enfrentamos os Nottikins, então mais tarde eu descobri que estava grávida. Eu ia voltar para cá, mas meu pai tomou a minha varinha, a gestação dos dois me tirou as forças, fiquei tão debilitada, quase morri no parto, eles me consumiram. — ela pausou, Sasuke apenas escutava. — Agora eu sei o motivo, carregava dois seres de magia pura e isso me custa a crer.

— Eu poderia ter te ajudado. Seja com o seu clã ou em sua gravidez. — ele disse tristonho. — Mas você e o seu orgulho.

— Eu sei que sou orgulhosa, me perdoe.

— É fácil vir com desculpas Sakura, só que você me magoou profundamente e eu ainda não estou pronto para te perdoar, eu estou ferido. — ele se pôs de pé, guardou a espada na bainha. — Como eles se chamam?

— Satsuke e Sarada. Quis combinar com o seu nome. — falou um pouco emocionada ao lembrar de seus filhotes, não queria que eles conhecessem o pai desta maneira.

— Hm. — ele resmungou e saiu do quarto.

°•○●

Naruto olhava o cavalo estranhamente, nunca tinha visto aquele animal na vida. Achou curioso.

— Vá, suba nele. — Konan ofereceu, o loiro olhou bem pensativo.

— Eu prefiro os Ainevis, são mais seguros. — disse por final.

— Cavalos são maravilhosos e ótimos instrumentos de guerra. — Konan falou tentando defender o belo garanhão preto.

— Um dia, talvez.

O exército estava agrupado no centro da vila, eram tantos homens e mulheres preparados para a guerra que a vista não alcançava o final deles.

Obito estava ao lado de Madara, esse estava surpreso com as recentes notícias. O clã Uzumaki tinha feito de tudo para proteger o segredo, e isso implicou em até fazer do lendário Indra ser apenas um guerreiro excepcional. Por dentro dos acontecimentos, o ancião sabia da responsabilidade de buscar essas crianças. Eles eram poderosos demais para pouca idade.

Contudo, ficou feliz por Sasuke ser pai, mesmo o momento sendo tão delicado. Sorriu em pensar que era bisavô.

Tsunade estava ao lado de Jiraiya, depois de uma longa briga, a bruxa disse que o homem não mandava nela e iria sim para a guerra, era a sua chance de mostrar que era útil e não iria desperdiçar e além do mais, iria ajudar os filhos da irmã, era a chance de se redimir, já que quase matou a outra irmã.

Sasuke apareceu com a capa negra e montado em Aoda, seu fiel escudeiro. O belo garanhão negro, presente de Konan.

— Shisui, já fez a trajetória? — ele perguntou.

— Estamos traçando os últimos ataques deles, mas nada concreto, não sabemos onde eles se escondem. — ele pausou. — Sasuke, me des… — foi cortado.

— Shisui. — Sasuke repreendeu-o. — Não importa onde eles se escondem, iremos achá-los.

— Vamos encontrar aqueles malditos. — Naruto falou, ele já estava montado no seu Ainivi e voando.

— Não era você que não queria ir à luta? — Sasuke perguntou irônico.

— Preciso de um mundo para criar o meu filho. Irei por ele e a propósito, parabéns papai. — ele tocou nas costas do amigo. — Já está até leve. — brincou.

— Impressão.

— Sei, nada como a mulher voltando e botando ordem. — comentou sorrindo.

O urso preferiu não falar nada, partiu para inspecionar as tropas, com certeza ao longo do caminho iriam ganhar mais aliados e seu exército iria triplicar. Por ser tão em cima da hora, não poderia convocar os outros exércitos dos doze reinos. Seria uma baita ajuda.

— Está tudo pronto, temos que ir. — ele falou.

— Iremos até o clã da Terra, eles têm o poder de sentir tudo o que se move por ela e será fácil localizar os Nottikins. — Shisui mostrou sua estratégia.

— Os Sabakus são bons nisso. Quantos dias de percurso?

— Um dia e uma noite.

— Excelente. Todos já sabem do que se trata, não é necessário discurso, quanto menos tempo perdemos, será melhor. Vamos.

Os homens que estavam ao redor de Sasuke abriram espaço para a mulher passar, Sakura aproximou-se do viking.

— Vai sem mim? — perguntou séria, ela vestia a capa de urso branco que Sasuke tinha lhe dado anos atrás. Sua postura era autoritária e severa.

— Estamos indo para uma guerra. — ele falou de cima de seu cavalo.

— Eu sou uma guerreira, esqueceu? E além do mais, são os meus filhos que estão lá.

— Nossos. — ele corrigiu-a e ela deu de ombros, foi inevitável ele lembrar-se da imagem da bruxa assim que ela chegou prisioneira na casa dele, toda aquela pose orgulhosa, sempre cheia de si.

Ela deu um passo até próximo do cavalo.

— Frysta. — ela criou uma escada de gelo e foi subindo até ficar numa posição para montar no cavalo, na frente de Sasuke.

— Agora podemos ir. — ordenou, seus olhos estavam fixos a frente. Ela continuava daquele jeito.

— Quem é essa? — um guerreiro de Aicéulis perguntou para Shisui, ainda não conhecia Sakura.

— Essa é a ursa branca. — ele respondeu olhando para Sasuke e ela.

— E ela é poderosa? — questionou outra vez curioso.

— Sim, muito poderosa. Ela é a única que pode domar o urso negro. Motivo para temer, não é? — falou risonho.

Sasuke ficou sem reação, sua visão agora era as costas de Sakura e seus longos cabelos rosados trançados e revelando um pouco do seu pescoço alvo. O tempo fez bem, mesmo com toda decepção com Sakura, não podia negar que ela estava mais linda que antes, uma verdadeira mulher madura. Ele sentiu o cheiro do cabelo dela. Esticou o braço para pegar as rédeas do cavalo, ficando com o seu peitoral colado com ela.

Já tinha imaginado isso centenas de vezes, galopar com Sakura pelos lugares mais bonito que esteve. E ali estava ela, tão viva quanto antes na sua frente.

Estava triste com a atitude dela, não conseguia entender como aquela criatura era tão orgulhosa. Se pudesse a estrangulava ali, mas não negava que estava feliz ao vê-la de volta, mesmo com todos os pesares, mesmo ele querendo abraçá-la e beijá-la incondicionalmente, sabia que Sakura era difícil, mas desta vez, ele não iria facilitar para ela. Aquele coração de gelo teria que ser derretido de uma vez por todas.

— Vamos! — ele ordenou para a tropa atrás levantando a sua espada. Os outros vikings ergueram as espadas e gritaram bramidos de vitória.

— Vamos achar os nossos filhos Sasuke, — ela disse esperançosa, não parava de pensar neles e em como estariam. Mal via a hora de poder abraçá-los apertadamente e claro, realizar o desejo deles de conhecer o pai. — E você pare de gritar no meu ouvido. — reclamou com ele.

O cavalo relinchou como se estivesse sacaneando o dono. Sasuke negou com a cabeça, lá estava ela uma outra vez ocupando o seu espaço.

— Depois que buscarmos as crianças, teremos uma longa conversa, — murmurou. — Sua abelhuda.

O exército vinha atrás de Aoda, os cavalos de batalha e seus donos, centenas, montando seus cavalos, juntando forças para enfrentar a guerra anunciada.

Notas finais
Bem, eu só pude imaginar um reencontro dessa forma. O Sasuke está magoado com ela e no próximo capítulo veremos isso. Ele vai querer saber mais como são os filhos e tudo mais, ele tá louco com isso, mas tem que salvar os Babies primeiros. Hj, a fanfic está na reta final. Temos uns 4 capítulo pela frente. Obrigada por tudo, espero que tenham gostado:) Dúvidas, só me perguntar.