So Far Away
36 Sem tempo.
Notas iniciais
O ar na sala parecia ter sido sugado, o som do Tic Tac do pequeno relógio sobre a mesa de Fury parecia ecoar pelo lugar, como o som de uma bomba relógio. Andressa se sentia estranha ao pensar que o país poderia se destruído por culpa de duas pessoas, que com tudo indicava, não serem mentalmente estável. Clint e Natasha olhavam um para o outro, Marie encarava o chão, ainda tentando entender o porque de Fury a colocar naquela posição e de que o país de origem poderia sofrer um atentado.
Mas ambos eram tomados pela frustração e junto dela a impotência e o medo de falhar.
As palavras de Fury ecoavam na cabeça de cada um deles, os assustando e os fazendo suar frio. Clint abriu a boca para falar, mas nada saiu assim que olhou no olho de Fury.
–Preciso de vocês.-o diretor falou. Mais minutos se estenderam pela sala.-Preciso que os impeçam.
–Diretor... Pode contar conosco, iremos fazer o possível.-Exitante, Natasha falou forçando um meio sorriso. Já havia enfrentado perigos maiores, mas só de pensar na morte de milhares de pessoas inocentes e o país sendo bombardeado por todas outras nações e mais milhares de pessoas inocentes morrendo, a deixava aflita. Os Estados Unidos não era seu país, mas ela o considerava daquela forma, ainda lembrava quando fugia e o pais havia sido o único que conseguiu se abrigar, sabia que era também porque a Shield tinha conhecimento de quem ela era, mas mesmo assim não mudava as coisas, ela iria lutar para não deixar que aquilo acontecesse.
–Sei que farão, foi por isso que os escolhi.-Fury agora respirava um pouco mais aliviado.
–Mas e eu? Como Natasha disse, sou uma recém formada aqui.-Marie ainda estava incomodada com aquela escolha.-E acho que ser apenas treinada por Andressa e Clint não seja o suficiente, eles são ótimos agentes é claro, os melhores, mas...
–Agente, a escolhi por todos esses motivos que você disse, mas também porque sei que você nasceu naquele país e conhece muitas pessoas importantes.
–Me desculpem, mas... Acho que isso não é uma questão tão importante a ser discutida agora, precisamos pensar na missão primeiramente, tenho certeza que Fury a escolheu por esse motivo e por muitos outros.-Clint falou. O arqueiro e a brasileira ainda não estavam tão bem.
–Sim, Barton tem certeza, precisamos focar a atenção em tudo isso.-Natasha falou.
–Esses são os relatórios, essa missão é estritamente confidencial, não confiei a mais ninguém a não ser Hill, os guardas da prisão que os dois fugiram e uma pequena equipe no Brasil. Assim que chegarem lá serão recebidos por eles, mas eles não sabem do alto risco que isso implica. Estou confiando o país a vocês, façam suas malas. O jato já está os esperando.-Fury estava de pé novamente olhando todos, cada um pegou um relatório sobre a mesa e fizeram um gesto com a cabeça se retirando logo em seguida, mas pararam assim que ouviram a voz de Fury.-Até logo agentes.
–Diretor.-falaram em uníssono e terminaram de sair da sala, não disseram nada, ainda estavam com as palavras de Fury na mente "Estou confiando o país a vocês.".
Cada um caminhou até seu dormitório para pegar sua mala. Andressa trocou de roupa rapidamente pegou a pequena mala e foi para a pista, aonde viu o jato pronto para leva-los. Tinha apenas que embarcar, mas primeiro queria falar com Thor, se sentia estranha desde cedo e sentia que apenas a presença dele poderia fazer com que ela ficasse mais tranquila. Mas não havia o encontrado pela base, já havia "chamado" ele por pensamente, mas nada. Quando ouviu pela quarta vez o grito de Hill a chamando, dizendo que ela precisava embarcar para o jato partir e livrar a pista, sabia que ele não iria aparecer, olhou para os lados uma ultima vez na esperança de encontrar ele.
Mas ele não estava lá.
O nervosismo começou a tomar conta dela, mas mesmo assim ela foi em frente, tinha de embarcar, tinha que prender os assassinos, tinha de impedir que aquela tragédia se abatesse contra o pais.
Os passos pesavam dentro dela, as pernas tremiam e um medo estranho começava a toma-la. Ela chamou por ele novamente, mas nada. Agarrou o pingente do cordão que ele havia lhe dado e o chamou novamente, com mais força, como um grito de socorro em sua mente. Fechou os olhos assim que percebeu que ele não iria aparecer, mas se assustou assim que bateu de frente em algo, como um muro de concreto.
–O que aconteceu?-era Thor, ela sabia, quando abriu os olhos viu o rosto do loiro, os olhos azuis a encarando com certa preocupação. O abraçou com força inspirando o cheiro dele.-O que aconteceu?
–Queria falar com você antes de sair em missão.
–Por quê?
–Estou nervosa... Com medo.-ela podia ver que Hill estava impaciente, mas não ligou, precisava falar com Thor, havia ficado longe dele o dia todo e simplesmente precisava daquele contato.
–Medo?
–Sim. Essa missão, sinto que algo ruim pode acontecer. Estou... Thor.-não sabia o que dizer, e nem mesmo conseguia entender o porque daquele medo todo.-Estou em pânico, se algo der errado as consequências podem ser drásticas para o país, não sei se consigo lidar com esse peso nas costas.
–Você vai conseguir, assim como das outras vezes.-sorrindo ele a beijou na testa e sentiu quando ela o abraçou novamente com força. Ele sabia que grande parte do medo que ela sentia era por está novamente voltando oficialmente a missões desde a morte de Rozz. Ela arfou e abriu a boca, mas logo voltou a fechar assim que viu que não sabia o que falar. Sentiu quando os lábios de Thor tocaram os dela, de forma carinhosa e envolvente. Quando os lábios se separaram ela não se sentia mais nervosa e sorria.-Não vai se despedir, humana?-ele perguntou assim que a viu começar a subir a pequena escada do jato.
–Não, mesmo. Sei que você irá para lá.
–Estragou minha surpresa.
–Sendo assim, faça de conta que não tivemos essa conversa.-olhando uma ultima vez para ele, ela riu e finalmente embarcou no jato. Poucos minutos depois o jato decolava em direção ao Brasil, com destino para o Rio de Janeiro.
...
Cada um lia seu relatório com atenção. O jato chegaria ao Rio de Janeiro a tarde e eles precisavam saber o perfil dos assassinos. Andressa lia com atenção máxima, não queria perder nenhum detalhe. Sabia que seria difícil, eles eram geniais. Um casal. O homem era lindo, os olhos cinzas e o cabelo negro como a noite o deixava mais misterioso e assustador. A mulher era bonita, loira e com os olhos azuis parecia uma boneca de luxo com as bochechas rosadas, nem mesmo parecia uma psicopata que esquartejava suas vitimas até a morte junto do namorado. Ver aqueles dois a fazia lembrar de Kevin e Rachel. Respirando fundo, encostou a cabeça na poltrona do jato, se sentia enjoada por todo aquele nervosismo. Deixando o relatório de lado afundou o corpo na poltrona e adormeceu, não tinha a intenção, mas mal sabia ela que algumas horas depois, dormir no jato a ajudaria até a missão acabar.
...
Rio de Janeiro.
O jato havia acabado de aterrissar, Clint acordou a irmã que havia dormido durante quase toda a viagem. A morena acordou se sentindo cansada, mas mesmo assim pegou a mala e desceu do jato aonde viu Clint falar com um homem de terno. Logo depois soube que o homem era um policial que sabia que os dois assassinos estavam no pais e que iria ajuda-los.
–Você está bem?-Clint perguntou assim que chegou ao lado de Andressa no estacionamento do hotel em que iriam se hospedar em Copacabana.
–Am?-Perguntou confusa encarando o irmão, estava com os pensamentos longes, mais precisamente em Thor, pensando em quando ele iria aparecer e se sentindo tola.-Sim, estou bem sim.-sorriu fraca enquanto passava a mão de forma cansada na testa suada. Mas não pelo clima, já que o Rio de Janeiro havia acabado de entrar no inverno a todo vapor, deixando a cidade maravilhosa fria e as praias desertas, mas sim porque ela se sentia nervosa, como se o estomago dela se revirasse querendo colocar tudo que tinha ingerido para fora, mesmo que ela não tivesse comido nada fazia horas.
–Tem certeza?-Clint pressionou, estava começando a ficar nervoso com os pensamentos invadindo a mente dele de que a irmã estava novamente grávida.-Não me parece, você está pálida, está suando frio.
–Estou bem, Clint, é sério, não precisa se preocupar.-forçou mais um sorriso na tentativa de parecer convincente e de que o irmão engolisse a história.-Só estou um pouco nervosa... enjoada.
–Enjoada?
–Sim. Deve ter sido algo que comi no voo, não sei, mas não precisa se preocupar.-começou a caminhar mas parou assim que Clint a segurou pelo pulso.-Clint...
–Você não comeu nada no voo.-falou sério a encarando.-E está enjoada, não acha que pode ser outra coisa?
Ela demorou alguns segundos até perceber o que o irmão estava insinuando e sorriu com a ideia.
–Não, não acho que possa ser outra coisa.-falou tranquila sorrindo.-Pode ficar calmo, você não será titio agora.-debochou do mesmo que não conseguiu conter uma risada, mas mesmo assim não a largou.
–Você disse a mesma coisa daquela vez.-ele não queria fazer ela lembrar da perda do bebê, mas não tinha alternativa.
–Não, eu disse que não seria possível, não que não estava de fato.-agora ela transmitia um sorriso triste, respirou fundo e voltou a olhar para o irmão.-Mas eu não estou, se quiser pode até mesmo me comprar um teste de gravidez como fez da vez anterior.-quando viu que Clint sorria, ela sorriu também.-Tenho tomado cuidado para isso não acontecer.
–Tudo bem.-caminhando ao lado dela até o elevador do estacionamento ele sorriu.-Então quer dizer que eu não serei tio, não agora?
–Cale a boca, Clint.
–Já estava começando a me imaginar como tio.-falou divertido arrancando risadas dela já dentro do elevador.-E pensando bem, eu seria um tio bem gato.
–Sim, tenho certeza disso e falarei com a Mary sobre isso.
–Tudo bem, do jeito que estamos, antes do fim dessa missão acho que já não estaremos mais juntos.-o arqueiro falou com ar despreocupado encarando o próprio reflexo no espelho do elevador, tentando não olhar para a irmã.
–Estão tão mal assim?-perguntou se encostando no elevador. A sensação do elevador em movimento fazia com que ela ficasse tonta. Parecia que o cérebro dela estava solto e balançava de um lado para o outro.-Pensei que depois que eu havia interferido havia ficado tudo bem.
–E ficou durante uma semana, mas logo depois voltamos a nos desentender. Acho que está na hora de terminarmos.
–Acha mesmo? Porque eu não acho.
–Eu não sei, e a única coisa que sei é que não estamos dando certo.
–Sim, só porque ela não faz o que você quer. Acha que se terminarem a relação que tem vai acabar com o sentimento que tem um pelo outro?-encarou com carinho o irmão.-Sabe que não, não é mesmo?
–Eu sei que...
–Ela não tem que fazer o que você quer.-as portas do elevador se abriram e eles caminharam até a recepção aonde Natasha, Marie e o policial os esperavam.-E como já disse, não tem com o que se preocupar, ela foi treinada por nós.
–Bem, ainda bem que chegaram, pensei que tivessem se perdido.-o homem de terno falou um tanto sem graça e até mesmo incomodado por ter de lhe dar com americanos. Achava que tinha competência o suficiente junto a outra equipe para cuidar do assunto, afinal era só prender um casal de loucos que gostava de mutilar as pessoas. Para ele, aquilo era mais que normal, já que no Brasil havia muitos desses loucos.-Uma suite está preparada para nós então por favor, me sigam.-todos seguiram calados o homem até o elevador e assim que o andar desejado chegou eles saíram e caminharam até a suite.
Deixando a mala sobre a mesa que havia na sala da suite, Andressa caminhou até a sacada enquanto observava a movimentação e até mesmo a vista privilegiada que o quarto tinha de frente para a praia, o mar calmo e azul. Depois de pensar um pouco ela acabou se dando conta do que acontecia no país.
–O Brasil está sediando a Copa do Mundo, um dos maiores eventos.-falou com uma estranha sensação a tomando, voltou a caminhar para dentro do quarto aonde viu que todos estavam calados, parecendo pensar e tentar entender a gravidade do que poderia acontecer.
–Sim, o país todo está em festa.-o policial falou animado olhando os agentes calados e pensativos. Americanos, pensou ele dando um sorriso de lado, tão estranhos e superiores.-Estamos recebendo muitos turistas, por isso a diversidade de pessoas circulando com camisas diferentes por toda a cidade. Tudo indica que todos amam o Brasil.
A morena sentiu o pânico maior tomar conta dela ao ouvir as palavras do homem "Estamos recebendo muitos turistas" se misturarem com as de Fury "Um ataque em massa. " "Todo o mundo está assistindo o que acontece no Brasil ".
–Vocês parecem bem tensos, não vejo motivos para isso.-o homem falou novamente se sentando em uma poltrona vazia. Clint riu lutando contra o nervosismo enquanto passava a mão no rosto, começando a sentir o peso da missão sobre os ombros. Iria ser mais difícil do que ele havia pensado.-A segurança brasileira está reforçada e podem ter certeza de que no estádio esses loucos não vão conseguir entrar e mesmo se conseguissem acho que não matariam uma pessoa na frente de todo o mundo e, só para garantir, a segurança para todos os jogadores foi redobrada.-despreocupado o homem cruzou os braços atrás da cabeça respirando fundo, não via a hora de se livrar daquele terno e daquela gravata que começava a incomodar ele. Não queria ter vestido o terno, mas tinham insistido para que ele se vestisse daquela forma e fosse buscar os americanos no aeroporto. Para ele, a calça jeans velha do dia a dia e a blusa preta escrita em letras de forma branca "Divisão De Homicídios" estava de bom tamanho.
–Como é mesmo o seu nome?-Clint perguntou se aproximando do homem lentamente, de forma um tanto ameaçadora.
–Ricardo.-o policial disse apenas afrouxando o nó da gravata com os pensamentos longes, pensando se poderia colocar um outro policial no lugar dele no dia seguinte para que assim ele conseguisse assistir ao final do evento.
–Respeito você, mesmo não sabendo que cargo ocupa.-Não, Clint não respeitava, achava o homem patético desde a primeira vez que o tinha visto, e se perguntava a todo minuto se todos os policiais da cidade eram daquele jeito. Caso a resposta fosse sim, eles teriam mais trabalho pela frente do que pensavam.
–Sou chefe da divisão de homicídios.-a voz grossa do homem soou com aparente orgulho. O ego dele era palpável.
–Não querendo ser rude, mas não me interessa o seu cargo, o que faz ou como faz ou se é competente.-quem falava dessa vez era Andressa. Completamente irritada ela caminhou até ficar de frente ao chefe de homicídios que ainda estava sentado e tinha a face repleta de confusão.-Mas não acha estranho 4 agentes estarem aqui atrás de duas pessoas?
–Na verdade acho desnecessário. Fala a sério, quatro agentes. Não duvido que sejam bons no que fazem, mas quatro agentes de inteligência de outro país virem até aqui por um casal de assassinos é um pouco demais, não acham?-Ricardo falou sorrindo passando a mão sobre os cabelos, os ajeitando para trás.
–Tudo bem, acho que tem certeza policial, Ricardo.-Andressa falava com ironia, enquanto agora caminhava pela suite.-É um grande exagero mandar nós até aqui, quatro de nós, atrás de dois assassinos, já que o Brasil tem uma ótima segurança e está sediando um dos maiores eventos do mundo, mesmo que tenham deixado a desejar a algumas semanas atrás na segurança deixando alguns torcedores invadirem o estádio.
–Aquilo foi um pequeno acidente.-Ricardo rebateu incomodado.
–É claro, um pequeno acidente. Mas acho que se a segurança está tão boa não deveria ter deixado acontecer, não é mesmo?-Ricardo ia falar, mas se viu sem palavras.-E se a segurança está tão boa, como esses assassinos tão fáceis de prender, que você acha que não requer cuidado algum. Como conseguiram entrar no país e passaram pela guarda segura de vocês?-caminhando até a mala dela que estava sobre a mesa da sala, Andressa abriu a mesma e pegou o relatório que havia lido mais cedo, abriu o mesmo e pegou as fotos macabras de dentro do mesmo e caminhou até o homem sentado na poltrona entregando as fotos a ele que viu e ficou paralisado, parecendo chocado.-Ainda acha que isso não requer atenção?
...
Todos estavam calados, os únicos sons vinham do lado de fora, dos carros que passavam nas ruas e das buzinas entusiasmadas dos diversos torcedores. Ricardo Connor sentia que poderia vomitar a qualquer momento, as fotos que acabara de ver era tão chocantes que mesmo depois de cinco anos a frente da divisão de homicídios achando que já havia visto de tudo, o assustava. Entregando as fotos a Andressa novamente, ele olhou para a morena de olhos verdes e pode ver pânico neles.
–Nunca vi nada parecido.-ainda perturbado com as imagens, Ricardo falou se levantando e tirando o paletó do terno e logo depois a gravata. Andressa sorriu com dor, pois ela já havia visto algo parecido na adolescência.-Isso é desumano, parece até mesmo uma... É macabro.
–Sim, são imagens bem fortes.-Natasha falou enquanto tirava as fotos das mãos de Andressa, sabia que a morena não deveria ficar olhando as fotos dos corpos mutilados, como nenhum deles ali, mas principalmente ela.
–Que tipo de pessoas estamos lidando? O que leva uma pessoa cortar a outra em pedacinhos? Que tipo de doente este cara é?-Ricardo praticamente gritava, mas as ultimas palavras soaram como sussurros amedrontados.
–Não temos que saber que tipo de doentes eles são, só precisamos prende-los.-Natasha falou seca enquanto guardava novamente as fotos no relatório da morena.
...
Natasha, Clint e Marie conversavam entre si, tentando cada um montar um plano para seguirem, Andressa se mantinha calada tentando pensar em algo e Ricardo estava na sacada respirando ar fresco tentando tirar as imagens da mente.
–Qual o plano que você pensou?-Clint perguntou fazendo o homem na sacada acordar dos pensamentos.
–Descobri, junto a minha equipe, que esses dois loucos estão na favela da rocinha, que fica atrás do hotel.
–Então você achou que nós poderíamos nos hospedar aqui, subir até o térreo do hotel, pegar a nossa melhor arma e esperar até que eles aparecessem e atirar neles?-Andressa perguntou rindo, mas assim que viu o homem com as mãos dentro dos bolsos da calça com um bico pensativo, parou de sorrir ao perceber que ele havia pensado exatamente aquilo que ela havia dito.-Me diz que você não pensou isso.-pediu o olhando com os olhos arregalados.
–Me desculpa, mas assim que tive a ideia ela não me pareceu tão idiota quanto soou agora.-falou gesticulando com as mãos tentando se defender.
–Tudo bem, Ricardo.-Andressa falou sorrindo enquanto caminhava de um lado para o outro, pensando.-Sua equipe.
–O que tem ela?-Ricardo perguntou desconfortável, começando a pensar que talvez tivesse cometido um erro ao falar que tinha uma equipe o ajudando a rastrear os assassinos.
–Quero todos eles aqui.
–O nosso trabalho era apenas rastrear esses assassinos para vocês e quem sabe ajudar a prender eles, não fomos informados de que deveríamos...
–Mande eles virem até aqui.-quem falou dessa vez foi Natasha, estendendo o celular que o homem havia deixado sobre a pequena mesa de centro depois que se livrou do terno.-E acho melhor dizer que está tudo bem.
Ricardo pegou o aparelho que a ruiva lhe estendia e logo digitou o número de uma das pessoas da equipe, ele falou rápido, apenas o necessário, a ruiva observou. Observou também que quem estava do outro lado da linha era uma mulher. Logo em seguida ligou para outro número, falando rapidamente que precisava da pessoa no hotel que ele estava hospedado.
–Tudo bem, agora que obriguei que a minha equipe vinhe-se aqui, pode me dizer o que vai querer com eles?-Ricardo perguntou nervoso.
–Vou subir a favela, Natasha fique aqui com Ricardo e assim que a equipe dele chegar, você já sabe o que fazer.-Andressa falava com a amiga que apenas assentiu e se sentou no sofá de forma despreocupada.-Clint e Marie você vão subir comigo.-ela falava enquanto verificava se a arma estava carregada.-Se poder me dizer a posição exata que os assassinos estão, vai ser muito melhor, Ricardo. Quem sabe antes mesmo de amanhã nós não já vamos está fora do Brasil e você vai poder respirar aliviado, já que você não está nem um pouco contente com a nossa presença.
–Me desculpem a minha hostilidade.-Ricardo falou sorrindo sem graça, mas logo depois informou aonde o casal estava.
...
–Como sabe aonde fica esse albergue?-Clint perguntou já na rua, caminhando ao lado da irmã e de Marie.
–Conheço o Rio muito bem, grande parte da comunidade pra falar a verdade. Já morei aqui, se lembra?-perguntou olhando o irmão por cima do ombro, Clint assentiu sem graça por esquecer.-O Rio é um lugar fantástico, mas as favelas são um verdadeiro inferno, não pelo o que a maioria das pessoas acham.-ela se referia ao tráfico de drogas, nem mesmo a violência que a mídia do próprio país transmitia.-Digo porque elas são um verdadeiro labirinto.
–Sim, você deveria ao menos ter visitado a favela ao menos uma vez.-Marie falou olhando Clint.-Sei que seria necessário apenas uma vez, já que tem uma ótima memória.
–Infelizmente não temos tempo para isso.-Andressa lamentou, começava a se sentir nervosa com a ideia do irmão na favela.
Nesse momento eles começavam a subir a favela, Andressa percebia como algumas coisas haviam mudado no lugar, até mesmo as pessoas. Continuou caminhando, subindo aos poucos, fingindo não perceber os olhares de traficantes, olheiros, direcionado a ela, Clint e Marie. Mas ela sabia que a melhor forma de não chamar atenção era agir naturalmente.
–Andressa?-a voz lhe soava familiar, mas ela não conseguia lembrar do rosto da pessoa, parou lentamente e olhou para trás sorrindo.-Marie?-Sim, agora ela sabia quem era, sabia exatamente.-O que minhas garotas favoritas fazem aqui?
–Eu nunca fui sua garota, Fábio.-Andressa sorria ao abraçar o amigo.-Como vai os roubos aos bancos?
–Não muito bem, dei um tempo neles.-O homem alto e moreno falou sorrindo encantador desfazendo o abraço de Andressa e logo agarrando Marie a levantando do chão.
–Me coloque no Chão Fábio.-ela falou sorrindo tentando se livrar dos braços fortes do homem.-Você é um idiota.
–Eu sei.-falou ajeitando o cabelo atrás da orelha.
–Mas ele adora ser assim.-Andressa falava sorrindo ao perceber o olhar do homem.-Esse é meu irmão, Clint. Clint, esse é Fábio um amigo.-Andressa apresentou o irmão ao amigo que o cumprimentou formalmente. Clint estava desconfiado, tentando pensar o que ele poderia ter sido de Marie para agarra-la daquela forma.
–Então ele é o famoso Clint?-Fábio perguntou sorrindo abraçando Marie de lado que tentava disfarçadamente se livrar das mãos do homem ao perceber os olhares de Clint, lançados a ela.-Não sabe o quanto sua irmã falava de você, que iria te encontrar e tudo mais.-Clint apenas sorriu de lado e continuou a seguir a irmã.-Mas o que fazem por aqui meninas? Tenho quase certeza que não estão aqui para fazerem uma visita a mim.
–Não, não vinhemos lhe ver.-Marie falou se soltando das mãos do homem e começando a caminhar do lado de Clint, esse que permanecia sério.
–Que pena, adoraria que fosse uma visita. Mas já que não é, me digam, no que posso ajuda-las?
–Homem e mulher, um casal. Provavelmente estão no Rio a quase um mês, hospedados num albergue que fica aqui no morro.-Andressa falava rapidamente na tentativa de fazer o homem se lembrar de qualquer coisa parecida.
–Nada que me... Americanos?
–Sim.-falou um tanto empolgada ao ver o rosto lindo do amigo se contraindo, como se estivesse lembrando de alguma coisa.
–Uma mulher e um homem?-Viu apenas Andressa assentir, olhou rapidamente para Marie mas essa desviou o olhar.-Sim, já os vi, são bem apaixonados aparentemente.
–Isso é ótimo.-a morena falou sorrindo enquanto continuava a subir a favela. Ao longe já podia ver o albergue.
Clint sentia calor, fazia tantos anos desde que ele já havia estado no Rio de janeiro que o arqueiro havia acabado esquecendo de como a cidade era quente. O suor começava a escorrer pelas costas e pelo rosto, ele tinha que admitir que aquela subida era um tanto cansativa, mas não iria parar ali, já havia subido morros maiores, correndo e com um sol tão forte quanto estava no Rio.
Talvez ele não estivesse suando pelo calor, pensou, olhando o lugar atentamente, gravando o caminho percorrido e até mesmo o rosto das pessoas que os encaravam com um misto de medo com fúria. Talvez o suor fosse pelo o peso do país está depositado sobre os ombros dele, de Andressa, Marie e Natasha.
Sim, ele já havia enfrentado coisas piores e as vencido, mas pensar que se eles falhassem em algo o pais ser destruído pelas outras nações era algo assustador.
–Clint.-a voz da irmã o fez acordar dos pensamentos.-Está bem?
–Sim, estava gravando o caminho.-falou a olhando.
–Quero que fique aqui, você e Marie.-ela não se intimidou assim que viu o rosto do irmão e da amiga de desagrado.-Eu e Fábio iremos entrar, fiquem com o celular em mãos, como não pegamos o ponto só iremos ter esse meio de nos comunicar.
–Tudo bem.-Clint falou e observou a irmã começar a caminhar novamente ao lado do homem que ele não havia gostado.
...
–Tenho a pequena impressão de que o seu irmão não gostou de mim.-Fábio falou e riu assim que viu Andressa assentir sorrindo.
–Pequena?
–É, não queria exagerar sabe?
–Sim, entendo. Mas com certeza é por conta de que ele sabe que já existiu algo entre você e a Marie.-ela explicou enquanto entrava junto a ele no albergue.-E sim, a forma que você a abraçou deu para perceber que vocês já tiveram algo.
–Eu te abracei também.
–Sim, com certeza, mas você e Marie e algo perceptível, digo pela história que tiveram, você foi o primeiro homem da vida dela... Digo que da para notar o quanto gostam um do outro, mesmo não existindo mais nada entre vocês, mesmo que seja apenas amizade.
–Entendo o que diz. Sempre irei ama-la, pois ela sempre foi e sempre será importante para mim.
–Que romântico, Fábio. Não sabia que continuava assim.-debochou do amigo que apenas riu.
–Me espere aqui.-Fábio pediu e se afastou da morena e caminhou até dois homens que estavam parados conversando sobre futebol em frente de uma casa, aparentemente. Minutos se passaram e Fábio continuava a conversar com os dois homens. Andressa não estava com paciência, não queria esperar o que fosse, queria apenas acabar logo com aquilo, prender os dois espiões assassinos e ir embora, os levando de onde não deveriam ter fugido. Já sem paciência, viu quando Fábio voltou até ela sorrindo.-O que foi, porque essa cara?
–Quinze minutos conversando? Qual é o seu problema? Eu tenho que encontrar esses dois o mais rápido possível.
–De nada, eu sei que sou um ótimo amigo...
–Cale a boca Fábio, e diz logo o que estava falando com aqueles dois homens!-exigiu e o viu sorrir.
–Ei, fica calma, sei que é algo sério e estava falando com aqueles dois pois eles sabem de tudo o que acontece aqui no morro e me disseram de que os dois estão no albergue, mas...
–Mas...
–Eles não estão aqui por nada, digamos que os seus... Amiguinhos estão investido na favela, no esquema de drogas. 200 quilos de cocaína. Parece que eles conseguiram uma boa grana por aqui. Por isso os grandalhões em frente ao albergue, estão sendo seguranças do casal, oferecendo o que de melhor tem para os dois, o dono do morro adorou os dois. Agi aqui em cima vai ser difícil para você.
–Não tenho outra alternativa.-Ela sabia que essa missão não seria fácil, mas agora as coisas pareciam ficar ainda piores, já que agora ela não teria apenas os dois assassinos para enfrentar, mas sim o tráfico que comandava a favela.
...
Natasha permanecia calada enquanto observava o homem a sua frente, sabia que o brasileiro estava irritado e sem graça por ela está olhando para ele, o avaliando, mas não ligava, achava até mesmo engraçado um policial se sentir tão mal por ser avaliado. As batidas a porta fez com que o homem se assustasse, Natasha se levantou com calma e caminhou até a porta, aonde mais batidas soavam impacientes. Ao abrir a porta, ficou surpresa ao ver os dois jovens, a mulher de cabelos loiros aparentava no máximo ter vinte e cinco anos e o homem parecia ainda mais novo, com 21 anos.
–Entrem.-a voz de Ricardo soou atrás da ruiva que deu espaço para que a mulher e o homem entrassem no quarto.
–Ricardo, o que está acontecendo?-o homem perguntou e Natasha soube no mesmo momento que havia algo errado com ele.
Logo um sorriso brotou nos lábios da ruiva.
...
Andressa permanecia calada, enquanto tentava pensar de forma racional em alguma coisa, para não correr o risco de voltar ao país de origem dentro de um caixão. Pensou que poderia tentar de alguma forma falar com o dono do morro, mas logo se deu conta de que se mencionasse a palavra policia acidentalmente, poderia não sair viva. Respirando fundo, ela se sentia cansada pela viagem que havia sido longa, se sentia frustrada por não ter uma equipe maior, simplesmente não queria colocar a vida do irmão e de Marie em risco, assim com a equipe maior colocaria outros agentes para correr o risco, não eles. Sábia que era egoismo e falta de responsabilidade e ética da parte dela pensar daquela forma, mas simplesmente se tivesse outras pessoas, as colocaria sem duvida para manter a vida dos que amava.
Olhou a sua frente, mas não viu nada além de uma rua vazia e o amigo. Fábio estava calado, também pensava, não sabia o porque de Andressa querer capturar aquele casal de assassinos, aparentemente, sabia apenas que seria difícil para ela, já que os dois estavam trazendo bastante lucro para a favela.
–Fábio...-ela ia pedir ajuda dele, mas assim que olhou nos olhos do amigo, desistiu. Sabia bem que Fábio só tinha aquele país para se refugir, o Brasil era tudo para ele e principalmente o Rio de Janeiro.
–Sei o que quer pedir.-ele começou a falar, suspirando e até mesmo se preparando, mas voltou a se calar quando ela começou a falar.
–Não, não posso lhe pedir isso! Só quero que me diga algumas coisas.-Ele assentiu e ficou a observando, esperando pelas perguntas.-Faz algum tempo que não venho para o Rio, quero saber se... As coisas continuam a mesma.
–Sim, tudo continua uma droga.-exibindo ironia, Fábio falou sorrindo e Andressa o acompanhou. Se as coisas estivesse realmente do jeito que o homem havia dito, Andressa estava bem. Ela conhecia bem a cidade, todos os caminhos que poderiam ajuda-la.
–Não quero envolver você nisso Fábio...
–Poderia tentar falar com...
–Sabemos que não vai funcionar, e ainda pode te prejudicar. Olha, de qualquer forma irei dar um jeito e vou conseguir pegar esses dois e manda-los de volta de onde não deveriam ter saído.
Uma hora se passou desde a pequena conversa com Fábio, Andressa permanecia no mesmo lugar ao lado do homem, os dois fingiam conversar amigavelmente. Ela já havia falado com Marie e Clint sobre todo o plano, era simples e ao mesmo temo arriscado, a unica coisa que deveriam fazer para não se complicarem mais dentro da Favela era fazer com que o casal de assassinos descessem o morro e não subissem mais.
Andressa já estava perdendo as esperanças, mas assim que olhou de relance para a porta do albergue, viu os alvos saindo, ambos conversando animado, enquanto se abraçavam de forma apaixonada. Eles caminhavam lentamente enquanto os dois homens que estavam de "guarda" em frente ao albergue começavam a segui-los. Discretamente ela pegou o telefone e informou a Clint por meio de mensagem que os dois estavam finalmente descendo o morro. Observando a roupa dos dois, ela percebeu que eles iriam a praia. Fábio falava, mas Andressa não ouvia uma só palavra do que ele falava.
–Preciso seguir eles.-a morena falou enquanto começava a caminhar disfarçadamente em direção ao casal e aos "seguranças" que estavam agora alguns metros de distância deles.
–Aquele dois estão armados.-Fábio a alertou tentando a segurar pelo braço, mas ela se soltou rapidamente e riu.
–Eu também.-foi a única coisa que disse e logo começou a caminhar atrás do casal.
Tentando não chamar a atenção, ela caminhava com alguns metros de distância do casal, fingindo falar no celular animadamente, esse que estava numa ligação com Clint. De longe ela já podia ver o irmão e Marie. O coração pulsava de uma forma que a deixava apavorada, sentindo algo ruim se aproximar a cada passo que dava, mas mesmo assim continuou. Enquanto olhava o irmão, nem mesmo viu quando a mulher olhou para trás e percebeu a presença dela, e logo tratou de avisar ao namorado.
Ao perceber que o casal de assassinos estava a menos de dez metros de Clint, ela caminhou mais rápido, como não tinham pensado em algo, ela ia ter de agir o mais rápido, tentava mentalmente planejar algo rápido, mas tudo parecia tão arriscado e uma grande perca de tempo. Agora próxima ao casal, a menos de dois metros, olhou para Marie e Clint. Quando os olhos dos dois se encontraram, ela fez um pequeno aceno com a cabeça numa tentativa de dizer a ele que deveria agir.
Mas ele não agil.
Permaneceu parado, completamente imóvel. Andressa olhou para Marie, viu que a amiga olhava para ela, mas logo se deu conta de que Marie não a olhava, viu que ela olhava a alguns metros de distância dela, para o lado direito aonde o casal estava. Para ela foi tudo rápido demais, o barulho de um disparo tomou todo o ambiente, Andressa se assustou e tropeçou, caindo no chão de forma desajeitada, mas logo tratou de levantar, mas quando olhou para os lados não encontrou mais o casal.
Ouviu ao fundo um grito apavorado chamar por ela, mas não sabia de onde vinha. Sentiu o vento no rosto e ouviu mais uma vez o grito, assustadoramente ele parecia tão próximo.
E estava, quando olhou para frente, encontrou o irmão caído no chão, Marie, desesperada estava ao lado do mesmo que sangrava. O coração deu um salto com a imagem. Correu com desespero e se deixou cair ao lado de Clint, ao lado do braço que havia sido atingido pelo tiro.
–Clint, Clint.-chamou pelo irmão ofegante.
–Estou bem, vocês duas precisam ir atrás dos dois.-o arqueiro falou num gemido, a bala havia ficado alojada no braço do mesmo e o sangue escorria como uma bica.-Vão.
–Não, você está ferido, precisa de um médico.-Andressa falou enquanto tentava rasgar, sem sucesso, um pedaço da blusa do irmão. Parou um segundo e respirou fundo. Notou que as mão tremiam, mas mesmo assim tentou novamente rasgar a blusa do irmão. Conseguiu, e pressionou o pano contra a ferida tentando parar o sangramento, logo o pequeno pano estava pingando o líquido vermelho.
–Clint tem razão, vocês precisam ir, tem que prender aqueles dois. Eu ajudo ele-Andressa não sabia como, mas Fábio estava ao lado dela.-Vão.-gritou tentando fazer com que ela acordasse dos pensamentos.
–Vão.-Dessa vez Clint que falou.
Ela observou o irmão rapidamente, mas logo assentiu e se pois a correr, logo atrás vinha Marie. Não sabia quanto tempo havia perdido tentado parar o sangramento de Clint, por isso correu o mais rápido que pode, foi quando viu que no final do morro o casal correndo. Tomou folego e continuou a correr, iria pega-los e acabar com eles. A figura dos dois sumiu assim que eles viraram o final da rua.
Quando ela conseguiram virar a rua, os dois estavam distantes, mas mesmo assim ela continuaram, correndo entre as pessoas, se desvincilhando pedindo licença.
–Não vamos conseguir alcança-los.-Andressa falou ofegante, mas mesmo assim não parou de correr.
A imagem da mulher ao fundo ia se afastando junto do homem, mas logo ficou mais próxima. A mulher agora estava caída no chão, sendo puxada pelo homem que olhava com pânico para Andressa e Marie. Ela riu, ofegante e completamente cansada, sentindo os pulmões arderem pela falta de oxigênio, mas mesmo assim riu assim que se deu conta de que eles haviam perdido tempo demais.
A mulher continuava caída no chão, segurando o tornozelo com o rosto imerso na dor, o homem a olhava com espanto. O suor escorria pela testa dele, fazendo a pele bronzeada brilhar com pânico.
–Vá.-a mulher gritou.-E termine o que temos que fazer.
–Que romântico.-Andressa debochou, ela não corria mais, caminhava lentamente enquanto recuperava o folego.
–Vá.-a mulher gritou mais uma vez de forma dramática. E assim o homem fez, soltou a mão dela e correu, Andressa respirou fundo mais uma vez e começou a correr atrás dele. Dessa vez Marie ficou para trás, junto da mulher.
Correndo mais rápido, se aproximou mais do homem, pensou em tentar um tiro, mas logo desistiu, havia muitas pessoas na rua e ela não podia arriscar a vida de inocentes, a única coisa que ela poderia fazer era correr o mais rápido que podia. Não sabia o quanto havia corrido, mas ao ver a praia e o calçadão, se deu conta de que estava em Copacabana e já havia passado do hotel em que estavam hospedados. O homem atravessou a rua em frente ao carros, os obrigando a parar. Andressa correu atrás dele, e notou que estava mais próxima, foi quando com o impulso se jogou contra o mesmo, fazendo os dois irem ao chão, mas ela não parou, se pôs sobre ele e acertou o belo rosto do homem com um soco e logo outro. As pessoas se aglomeravam em volta deles.
Ele logo conseguiu inverter as posições, ficando sobre ela, quase lhe acertando o rosto com um soco. Segurando uma das mãos dele, Andressa segurou o cabelo do homem, o puxando para trás, com força. Quando conseguiu mover as pernas, chutou a barriga do mesmo, que caiu para o lado, mas que logo se levantou e voltou a correr, sem perder tempo ela também se levantou e correu atrás dele o mais rápido que conseguiu.
O barulho de sirenes ecoava por todo o lugar, e Andressa sábia bem que o som agudo e irritante não era de alguma ambulância ou de bombeiros a procura de apagar algum incêndio, mas sim da policia. Por um segundo ela pensou em desistir da missão, pois sabia muito bem que se a policia conseguisse pega-la, provavelmente ela não sairia do pais com vida. Foi por isso que correu mais, usando todo o folego. Logo a frente via o "alvo" o homem corria assustado, olhando para trás para ter a noção de distância que tinha, tanto de Andressa, quanto do carro de policia que estava ao lado da mulher e ao mesmo tempo avançava ficando no meio de espaço que havia entre os dois.
Andressa se desviou mais para o lado ao perceber que estava na mira de um policial que estava na viatura, olhou para o homem a sua frente e viu que ele atravessava a rua, correndo em frente aos carros com desespero. Ela não sabia para aonde ele ia, apenas o seguiu. Atravessou a rua correndo e viu a viatura ficar alguns segundos para trás, por não conseguir passar com o carro na contra-mão. Mais a frente Andressa avistou o homem, percebeu que ele não corria como antes, "Ele está cansando" pensou deixando um pequeno sorriso aparecer nos lábios, mas que logo sumiu assim que ela avistou uma pequena praça com uma pequena barraca aonde vendia água e outros tipos de bebidas, mas o que fez com que o sorriso nos lábios dela desaparece-se não era a praça, mas sim uma placa a qual fez o coração dela apertar.
A Placa era "Metrô"
Andressa sabia que se o homem conseguisse entrar dentro do local, teria pouquíssimas chances de conseguir pega-lo e prende-lo, mas mesmo assim não desistiu, continuou a correr e começou a sentir o cansaço a atingir, já não tinha quase folego, as pernas doíam e a garganta ficava mais seca a cada segundo que passava.
O som das sirenes preencheu mais uma vez os ouvidos dela, ela olhou rapidamente para trás e percebeu que a viatura se aproximava novamente, mesmo na contra mão. A viatura se aproximava mais a cada segundo, enquanto Andressa tentava correr mais rápido ainda, mas sabia que seria inútil. As pernas não atendiam mais as vontades dela, perdiam a força a cada vez que tocavam o chão, ela sabia que iria cair e que era apenas uma questão de minutos, ou até mesmo de segundos. Quando olhou para a frente novamente, levou um pequeno susto ao perceber o quanto o homem estava próximo dela.
Então ela fez a única coisa que conseguiu pensar no momento.
Com a ultima força que lhe restava, se jogou, não tentou se defender, deixou os braços estendidos para conseguir agarrar o homem. Numa fração de segundos ela apenas viu vultos, o corpo vou para frente como numa batida de carro e logo atingiu o chão com toda velocidade, o ombro encontrou o chão e ela pensou se pudesse ter o deslocado, mas foi apenas por um segundo, em seguida as costas bateram com força em algo que ela não sabia o que era, apena gritou com a dor aguda que lhe subiu pelas costas e ficou estendida no chão durante alguns segundos, enxergando apenas borrões e respirando fundo esperando a dor diminuir.
Ainda zonza pelo tombo, viu o borrão do homem se levantar e caminhar mancando até ela, ela levou alguns segundos para entender que ele estava fugindo, e não indo até ela. Se segurando com dificuldade numa das catracas que havia batido com as costas, Andressa forçou os olhos e viu o homem mancar até o primeiro lance de escadas rolantes.
Ela tinha que ir atrás dele!
Viu quando um homem colocou um cartão e logo quando a catraca liberou, correu rapidamente e passou no lugar dele. Ignorou os xingamentos do homem que havia ficado para trás, assim como o olhar das pessoas direcionados a ela e correu até o primeiro lance de escadas rolantes, não esperou. Não esperou que as escadas se recarregassem de leva-la até o outro lance, ela mesma desceu, correndo, pedindo licença e empurrando as pessoas que estavam a sua frente. A esse momento ela não conseguia ver o homem, mas sabia que ele estava na plataforma a espera de um metrô. Tinha apenas que ser rápida para chegar até ele antes do metrô. Tinha apenas mais um lance de escada até chegar a plataforma subterrânea, quando colocou os pés na plataforma viu o metrô chegar, observou com os olhos atentos a plataforma a procura do homem, dos cabelos negros como a noite e os olhos cinzas, mas não encontrou nada, caminhou apressada até uma das portas do metrô e esperou que alguns passageiros desembarcassem na outra plataforma.
Quando as portas do lado dela voltou a se abrir, Andressa ficou em dúvida se deveria ou não entrar, mas assim que viu que a plataforma estava ficando vazia embarcou no vagão bem a tempo de a porta se fechar e não a deixar do lado de fora.
Dentro do Metrô, se encostou na barra e respirou fundo, ainda estava cansada e as costas começava a doer, talvez a adrenalina estivesse passando, pensou. Só tinha alguns minutos para que o metrô parasse na próxima parada. Ela respirou fundo e agradeceu a Deus mentalmente por os vagões serem ligados uns aos outros, sem ter portas em cada um deles, possibilitando que caminhassem de um vagão para outro enquanto o metro estava em movimento, e foi isso que ela fez, observou aonde ela estava, no primeiro vagão, e começou a caminhar para os outros, observando as pessoas, os rostos cansados exaustos até.
Uma voz soou no auto-falando, informando de que a próxima estação estava próxima, a morena apertou o passo, mas continuou a avaliar as pessoas a sua volta com atenção, mas elas não se pareciam em nada com o homem. Encontra-lo seria fácil, ela não tinha a menor dúvida, mas caso o metro parasse o perderia de vista e isso não iria ser bom. Foi quando ela o avistou, imprensado contra a porta, a cinco vagos a frente dela. Quando o olhar dos dois se cruzaram, Andressa correu. As pessoas em todo o metrô começaram a olhar para ela, como se ela fosse alguma louca, mas ela nem ao menos percebeu. A dor nas costas começava a sumir, a adrenalina começava a tomar conta do corpo dela novamente. O homem havia voltado a correr, mas ela agora estava a menos de três metros próxima dele. Andressa não conseguia entender o porque do homem ainda está correndo, já que eles estavam em um ambiente fechado e não havia saída a não ser quando o trem parasse.
Mas assim que ela viu dois vagos a frente, uma onda de pânico a tomou. A dois vagões a frente ficava a sala do maquinista.
Ela pode ver o terrível acidente. O metrô descarrilhando, centenas de pessoas feridas, crianças chorando pelos país mortos. As manchetes tomando os jornais, dias oficias de luto.
–Droga.-Foi a única coisa que disse. Ela sábia que não podia deixar aquele homem chegar na sala. Se forçou mais a correr e viu a distância diminuir entre os dois, ficando a menos de dois metros. Ela não tinha mais o que fazer. Correu o mais rápido que pode, pulou sobre um assento vazio e se atirou em cima do homem.
Os dois foram direto para o chão. As costas de Andressa atingiu em cheio a barra e ela gritou de dor. O homem permanecia no chão se contorcendo de dor. A testa do mesmo escorria sangue como uma bica, Andressa pode vê o corte, que não era grande, mas mesmo assim sangrava muito. Negando a dor ela se levantou e olhou a volta, as pessoas a encarava com estranheza. Olhou para fora e pode ver que o trem estava chegando a estação.
–Do que está rindo?-perguntou enquanto levantava o homem que ria descontroladamente.
–Não pode me parar.
–É mesmo?-Terminou de levantar o homem e riu para ele sarcástica.-Já parei.
–Não parou.-o golpe foi rápido. O chute atingiu Andressa na barriga, a fazendo cair no chão no mesmo instante. Ela caiu mas segurou as pernas do mesmo o levando ao chão. O metro havia parado e ela se levantou rapidamente, puxando o homem para fora rapidamente antes que as portas se fechassem. O levantou novamente o puxando pelos fios castanhos, e antes de o trem partir para a próxima estação deu com o rosto dele no meio de transporte, fazendo dessa vez o nariz do mesmo quebrar.
Algumas pessoas gritavam por ajuda, outras incentivavam a briga. Mas antes de Andressa poder imobilizar o homem, sentiu as mãos a segurando, a imobilizando.
–Me soltem.-gritava se debatendo, para se livrar das mãos que a seguravam.-Ele é perigoso esse homem tem que ser preso.
–Perigosa é você gracinha.-a voz vinha de um dos seguranças do local que a segurava.
O assassino sorria com um brilho tão intenso e assustador no olhar, que causava arrepios em Andressa. O homem deu as costas para eles e sumiu na multidão correndo, como um louco.
Andressa se debateu, mas sabia que não ia conseguir se livrar dos dois homens que a segurava se não os machucasse. Não tinha outra alternativa a não ser acerta-los, e foi isso o que ela fez, acertou cada um deles os deixando caídos no chão.
Saiu em disparada atrás do homem, correndo contra a multidão, mas assim que chegou do lado de fora da estação se deu conta de que ele havia fugido em meio a multidão.
–Não acredito.-falou cansada a frustração tomando conta dela.
Os gritos ecoaram atrás dela, ela viu que eram alguns homens altos vestidos de preto.
Seguranças. "Preciso sair daqui." Ela pensava começando a entrar em pânico. Simplesmente não conseguia mais pensar com tanta clareza.
Pode vê que eles corriam em direção a ela. E a única coisa que podia fazer no momento era se enfiar em meio a multidão que saia da estação, se deixou ser levada até não poder ver mais nenhum segurança.
A Alguns metros viu diversas barracas. Algumas com roupas outras com óculos, relógios, sapatos. Se aproximou das mesmas e perguntou a dona da barraca se ela tinha um número. Usou a simpatia dizendo que era para presente e quando a mulher deu as costas, pegou uma blusa cor de rosa e um óculos e fugiu sem ser notada.
Se enfiou num pequeno beco e trocou a blusa de manga preta pela blusa cor de rosa, soltou o cabelo que estava preso em um coque e os deixou caídos sobre os ombros. Por ultimo colocou os óculos e saiu do beco. Sabia que se algum dos seguranças a olhassem com atenção a reconheceriam e foi por isso que ela caminhou para longe do metro se juntando mais a multidão caótica da cidade desconhecida.
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