So Far Away
37 Tem gente na porta.
Notas iniciais
Ela estava em um táxi, voltando para o hotel. Começava a sentir dores por todo o corpo. Dores que a faziam ver estrelas.
As costas eram as mais prejudicadas e toda vez que o motorista freava o carro ela dava um pequeno gemido pelo contato das costas no banco do veículo. Procurou pelo celular no bolso da calça e discou o número do irmão. Estava preocupada com Clint, as imagens dele no chão sangrando, com o braço atingido, preenchiam a mente dela.
O telefone chamou inúmeras vezes, mas não foi atendido.
O coração dela começou a acelerar, o medo de que algo ruim pudesse ter acontecido ao irmão a apavorava.
–Pare o carro.-falou com o motorista que a olhou assustado.-Pare o carro!-pediu novamente nervosa. Tinha de ir atrás de Clint, tinha que saber o que havia acontecido com ele. Vasculhou o bolso da calça e encontrou dinheiro, entregou ao taxista e desceu do veículo com um pulo. A favela já havia ficado para trás. Mas em poucos minutos ela conseguiria chegar ao local.
Quando chegou na favela começou a subir. As lembranças voltavam até a mente dela. Caminhava em passos largos e apressados, olhando todos o lugares, todas as pessoas. Pegou o celular e tentou falar com o irmão novamente, mas ninguém atendeu. Repetiu novamente o processo, mas só caia na caixa de mensagem.
Voltou a guardar o celular no bolso e viu dois homens a olhando, logo em seguida viu um deles usar um rádio, para informar outra pessoa sobre algo que ela sábia que era ela. Ela apenas fingiu não ver e continuou a subir. Ao passar aonde Clint e Marie estavam mais cedo,pode ver sangue no chão. A sensação de medo a tomou novamente, nada parecia fazer sentido naquele momento.
A verdade era que, desde que ela havia chegado ao Brasil, as coisas não pareciam fazer sentido. Agora ela entendia o porque do medo antes de partir em missão.
Desejava em silêncio que tudo aquilo não passasse de um pesadelo e de que ela acordasse em casa junto de Thor.
Mas ela sabia que aquilo era real, assim como a dor que sentia, e que muita coisa dependia dela e dos outros e que, principalmente, não podia simplesmente desistir.
Voltou a pegar o celular e discou o número de Natasha.
Primeiro toque e nada. Segundo toque e a ruiva ainda não havia atendido, até que no terceiro toque a voz da ruiva soou.
–Natasha... Natasha.-Andressa falou desesperada.
–Andressa, aonde está? Estamos tentando falar com você faz mais de uma hora.-a ruiva falava do outro lado. Andressa sabia que a amiga estava preocupada.
–Escute Natasha, preciso saber se você sabe alguma noticia sobre o Clint. Ele foi atingido pelo...
–Sim, Clint está bem, está aqui no hotel, junto daquele seu amigo. Marie também está aqui, chegou com a assassina...
–A, graças a Deus.-falou aliviada, saber que Clint estava bem a deixava mais do que feliz.-Escuta, provavelmente demorarei para chegar ao hotel alguns minutos, mas logo estarei ai, avise aos outros e não consegui pegar o desgraçado do assassino.-falou frustrada, se aqueles malditos segurado não tivessem a segurado, provavelmente o assassino já estaria preso, sendo deportado novamente para os Estados Unidos, de onde não iriam sair mais da cadeia.
–Como isso aconteceu?-Natasha perguntou nervosa, sabia que algo deveria ter acontecido para que Andressa não conseguisse capturar o assassino, mas era frustrante e assustador até saber que um possível terrorista estava solto.
–Quando eu chegar conversamos, eu já estou indo.-Andressa falou rapidamente e desligou o celular. Enquanto voltava a descer percebeu dois homens a olhando, não eram os mesmos que ela havia visto, mas notou preso na bermuda de um deles um rádio igual o do homem anterior. Caminhando em passos lentos e exitantes, Andressa olhou para os homens e viu que eles começavam a subir o morro, em direção a ela.
O Olhar do homem era matador e ela soube naquele momento que tinha de fugir.
Foi nesse mesmo instante que o rádio soou a voz de outro homem, aparentemente. Ela não conseguiu ouvir muita coisa, mas soube que era sobre ela.
O dia começava a anoitecer, as últimos raios de sol iam embora aos poucos, deixando a noite transparecer. Quando o cano da arma brilhou com o pouco brilho do sol, Andressa não exitou.
Correu.
Ela não pensou, apenas fez.
A bala percorreu o ar com velocidade e acertou o chão, esfarelando o cimento. Andressa nem mesmo percebeu, ouviu o som de mais disparos atrás dela, e foi por isso que se enfiou num dos primeiros becos que viu. Algumas pessoas estavam em frente de suas casas, crianças pequenas brincavam entre um beco e outro.
A morena olhou em volta em pânico tentando lembrar dos caminhos, mas nada voltava a mente dela, nada parecia fazer sentido. A favela que ela havia visitado a anos atrás parecia ter sumido, ter sido completamente dificuldade.
–Droga.-falou assim que sentiu o braço ralar na parede de cimento. Ela entrou logo em outro beco, nesse estava vazio, ela parou durante alguns segundos para respirar, mas logo depois voltou a correr ao ouvir as vozes próximas.
Foi quando lembrou.
As "ruas", becos, finalmente começavam a fazer sentido para ela. Andressa deixou um pequeno sorriso de alívio e felicidade escapar dos lábios. Olhou rapidamente para trás e viu os mesmos homens atrás dela, correndo como leões atrás da refeição. Ela entrou em mais um beco, logo depois em outro e mais um em seguida, até que as vozes sumiram. Já cansada, ela sabia que não iria aguentar por mais tempo, se apoiou na parede de um beco e respirou fundo. Tinha a sensação de que não iria conseguir correr mais, as dores que ela estava sentido começavam agora a ficarem insuportáveis. O braço que ela havia ralado da parede de concreto sangrava pouco e ardia. Respirar havia se tornado uma tortura, ela sentia a dor rasgante, tentou respirar de vagar mas a vista estava começando a embaçar e a cabeça girar aos poucos.
–Não... Não posso.-sussurrava para ela mesma na tentativa de se manter acordada pois sabia que se desmaiasse no meio daquele beco, não escaparia mais. Segundos se passaram e o ar se tonou mais complicado de ser exalado. Ela sentia como se alguém estivesse chacoalhando a cabeça dela sem parar e o enjoou voltou novamente.-Não.-sussurrou pegando o celular no bolso. Iria tentar ligar para Natasha, precisava sair daquele lugar, precisava da ajuda da rua. Tentou usar o aparelho, mas nem mesmo conseguiu desbloquear a tela. As mãos começaram a perder as forças, assim como as pernas.
Andressa soube que ia desmaiar assim que o celular caiu no chão e os joelhos dobraram a fazendo cair de joelhos.
As vozes dos homens se aproximavam novamente, o som dos passos ficava próximo a cada segundo. Naquele momento ela soube que era o fim.
Logo tudo se tornou negro.
...
Eram pequenos flash. A dor aguda. Ela não conseguia entender o que estava acontecendo, sentia o corpo sendo arrastado pelo chão, uma voz fininha de criança e outras de uma mulher e de homem, ambas nervosas.
Andressa não conseguia ver muita coisa. Quando desmaiou, caiu de costas para o chão. Agora ela contemplava o céu que começava a anoitecer, mas logo tudo se tornou negro novamente, em seguida viu o rosto de um homem negro a encarando com medo nos olhos, logo tudo voltou a se tornar negro. Quando voltou do pequeno desmaio ela viu o rosto de uma mulher morena a encarando com pânico nos olhos, assim como o homem anterior, logo tudo se tornou novamente negro. Quando recobrou a consciência viu uma menina a encarando, mas percebeu que a pequena menina ria. Andressa tentou se levantar mas foi impedida pela mesma mulher que havia visto. Ela pode percebeu que a mulher estava aterrorizada e que o medo dela era quase palpável.
–Por favor, não se mova, não diga nada.-a mulher falou aterrorizada olhando para algum ponto que Andressa não pode ver.-Eles estão vindo.
A morena tentou falar, mas não teve tempo, apenas sentiu algo como pano, um cobertor, cair sobre ela e logo depois escutou o som de uma caixa se fechando. Tentando controlar a respiração, ela olhou para os lados, mas não viu nada a não ser escuridão. O medo de morrer foi a tomando até que ela gritou e se debateu, mas nada acontecia, o pano parecia cobri-la mais a cada instante a sufocando.
–Me tirem daqui.-pediu sem ar, tentando sair do lugar aonde estava.
...
Quando estava quase perdendo os sentidos novamente, ela respirou com força e o ar entrou nos pulmões dela.
Agora ela era puxada de dentro de uma espécie de baú por desconhecidos. Andressa olhou no canto do, aparente, quarto a mesma menina que havia visto minutos antes, só que agora ela não ria, parecia assustada com toda a situação a sua volta enquanto abraçava uma boneca de pano velha.
–Não podíamos ter deixado ela lá fora, iam mata-la.-a mulher falava com o homem negro. Andressa olhou em volta sem entender o que estava acontecendo.-Ela estava fugindo deles e você sabe o porque.
–Sei, mas se o dono descobre que nós estamos protegendo a mulher que acabou com o lucro dele aqui, eles vão nos matar e a nossa filha.-O homem falava enquanto colocava Andressa deitada em uma cama.
Andressa observou calada e ainda sonolenta as pessoas se locomoverem, o homem caminhou até a menina a pegando no colo e logo se retirando do quarto. A mulher caminhou pelo quarto reunindo algumas coisas que a Andressa concluiu que eram para limpar algum ferimento. Andressa não se lembrava de está ferida.
–Você acordou.-a mulher falou se aproximando dela.-Ainda deve está um pouco tonta, ou até mesmo sonolenta. Quando você caiu no chão, lá fora, bateu com força a cabeça. Sou enfermeira e vou te dar um remédio.
Andressa não prestou mais atenção, a ideia de que ainda estava dentro da favela a amedrontava, não por estar no lugar, mas sim que o tráfico estava atrás dela, a caçando.
Andressa simplesmente sábia naquele momento deveria sair daquele lugar o mais rápido possível.
Se levantou rapidamente, mas logo voltou a se sentar quando perdeu o equilíbrio. Se sentia tonta e o corpo todo estava dolorido.
–Preciso ir embora, preciso sair daqui.-balbuciou olhando pelo quarto.
–Por quê não descansa um pouco. Deite-se e durma um pouco, você parece está bem cansada.-a mulher falou a olhando. Andressa se pôs de pé novamente, o rosto cheio de confusão encarava a mulher, se perguntando porque ela a estava a ajudando, assim como o homem que estava do lado de fora do quarto.-Fique calma, não iremos lhe machucar.-a mulher falou assim que percebeu o olhar de Andressa para ela.
–Por quê?
–Por quê? Eu não sei, acho que por apenas não querer ver uma inocente morrer pelas mãos desses bandidos.
–Como sabe que sou uma inocente? E por quê está colocando aquelas pessoas que estão do lado de fora em risco?
–Não sei que é inocente, apenas imaginei. Quanto ao fato de colocar a vida daquelas pessoas que estão lá fora em risco... Agora está tudo bem?
–Como sabe?-Andressa questionou, mas a mulher não respondeu. Apenas caminhou até ela e a fez se sentar na cama e limpou rapidamente o ferimento que ela tinha no ombro.-Obrigada.-a morena pediu assim que a mulher terminou.
–Não há de que. Me chamo Luíza, sou enfermeira.-Luíza estendeu a mão para Andressa que logo a apertou gentilmente.
A morena acabou se dando conta de que Luíza e o marido só poderiam querer ajudar, mesmo não ganhando nada em troca e ainda por cima pondo a vida deles em risco, mas principalmente a da pequena menina que estava do lado de fora. Andressa ainda lembrava perfeitamente do pequeno rostinho que a encarava a minutos atrás sorrindo com curiosidade para saber o que estava acontecendo.
–Andressa.-respondeu depois de alguns segundo pensando.-Desculpe.
–Está tudo bem.
–Preciso de mais uma ajuda sua, Luíza.-A morena falou sem cerimônia alguma.-Preciso que me ajude a fugir a ir embora daqui, não posso continuar mais aqui, não posso deixar que sua família corra riscos por minha conta.
–Sim, tudo bem, podemos pensar em algo.
–Não, já tenho uma ideia, preciso apenas de uma roupa, se poder me emprestar já ficaria muito mais do que agradecida.
...
Sozinha caminhando pela a favela deserta, ela pode ver que a noite já havia caído trazendo consigo um ar frio, mas ainda assim agradável. Os becos estavam desertos, sem sinal algum de olheiros ou traficantes e ela agradeceu mentalmente por isso. Pensou na família que havia a acolhido e a ajudado, queria saber se iam ficar bem se nada de ruim iria acontece-los, mas logo se deu conta de que primeiro deveria sair daquele maldito lugar para poder se preocupar com a vida dos outros depois.
Por achar que ainda era perigoso demais ir para a "rua" aberta, ela decidiu se enfiar mais em becos, escalou uma parede e subiu num telhado, se sentia perdida, sem saber para aonde ir, mas logo continuou, caminhando pelos telhados com cuidado para não ser notada, já que uma casa ficava tão próxima da outra. Sem mesmo querer podia ver dentro da casas das pessoas pelas janelas, todos aparentemente tranquilos. Andressa se perguntava se as pessoas não tinham medo, mas logo ela se deu conta de que os moradores das favelas/comunidades, já haviam se acostumado com aquela triste realidade.
Como mais cedo já havia proporcionado uma corrida por aqueles becos e corredores, ela agia com cautela naquele momento, até porque dificilmente encontraria uma outra família que a ajudaria, mesmo que por pouco tempo.
–Está quieto demais.-caminhando lentamente, olhou ao redor, não conseguia ver muita coisa. Os becos eram mal iluminados e a pouca e precária iluminação não chegava tanto nos telhados, mas isso foi bastante, numa fração de segundo ela pode ver a luz vermelha, pequena, como um laser, quase imperceptível, na calça preta. Andressa notou que a luz tremia a media em que ela se movia, tentando acompanha-la.
"Estou na mira de uma arma."-ela pensou, tentando não demonstrar o nervosismo. Havia alguém a observando, mas desde quando? Desde quando ela havia deixado a casa? Ou será que desde que ela havia subido nos telhados?
Pensou em voltar até a casa da família que havia a ajudado, mas pensou que talvez eles ainda estivessem bem, já que não havia ouvido nenhuma movimentação diferente.
O som do tiro a assustou, ela tateou a perna no escuro com desespero tentando encontrar sangue, mas tudo o que encontrou foi a calça jeans preta. Ainda confusa com os acontecimentos, ela correu no escuro a própria sorte, não sentia dor em nenhuma parte do corpo, não sentia o liquido quente e viscoso escorrer por qualquer parte do corpo. Mas ela também sabia que as vezes por conta da adrenalina que o corpo liberava, ficavam incapazes de sentir qualquer coisa. A única coisa que ela fazia era correr e pular sobre os telhados.
Agora ela ouvia vozes, gritos. Eram ordens, ordens para acerta-la, para mata-la. Mas ela estava decidida que não iria morrer ali, naquele lugar.
Não havia mais para aonde fugir, ela tinha que descer para a rua, não teve tempo para pensar no que iria fazer caso chegasse no final da rua e a encontrasse fechada por bandidos. Mas não foi necessário, estava tudo normal, a rua estava livre.
Ela viu no no começo da rua um táxi parado, correu em direção a ele acenando com desespero para o motorista. Quando Andressa conseguiu chegar até o táxi, se jogou dentro do mesmo com desespero, ficando ajoelhada no chão do veículo.
–Dirige.-falou sem ar, nem mesmo viu o olhar mau humorado que o motorista lhe lançava.
–Para aonde?
–Para qualquer lugar, só saia daqui.-quando viu os mesmos homens armados, que havia visto assim que havia voltado para a favela atrás de Clint, ela prendeu a respiração, eles se aproximavam lentamente do carro, armados, ambos com uma pistola. O carro começou a se mover lentamente.-Não tem como ir mais rápido?
–Não podemos andar muito rápido por aqui, o crime.-o homem explicou, olhando pelo retrovisor a mulher ajoelhada no chão do carro, observando com cuidado o lado de fora do carro.-Nem mesmo queria vim para esse lado, mas como me ofereceram bastante dinheiro, não tive como recusar.
–Tudo bem.-falou ainda tensa. O carro logo começou a ganhar distância, deixando a favela para trás. Andressa respirou fundo e se sentou no banco do táxi.
Ainda teria cinco minutos até chegar ao hotel, mas pelo menos agora ela sabia que estava fora de perigo
Por enquanto.
...
Do lado de fora do hotel, ainda dentro do táxi, ela pagava o taxista com o pouco dinheiro que lhe havia restado, era muito mais do que o homem havia cobrado, mas Andressa simplesmente não se importou, se não fosse por aquele táxi, naquele momento, provavelmente estaria morta ainda dentro daquela favela. Entregou o dinheiro ao homem e saiu do carro com um pulo. Ouviu as vozes do homem tentando alerta-la de que faltava lhe entregar o troco, mas ela apenas sorriu e entrou no hotel, se sentia feliz e tranquila.
Foi quando passou por um espelho. Levou um susto com a própria aparência, se sentia completamente cansada, todo o corpo doía, a blusa rosa que havia roubado mais cedo estava com uma mancha de sangue por conta do ralado. Quando chegasse ao quarto aonde os outros estavam tomaria um bom e demorado banho.
Mas assim que viu a imagem refletida de dois homens que havia visto na favela entrando no hotel, se deu conta de que o banho ia ter de esperar e de que o pesadelo ainda não havia chegado ao fim.
Se escondeu rapidamente e pegou o celular, viu a porta a sua frente indicar a escada ela entro no lugar e desbloqueou o celular, viu que havia algumas ligações não atendidas, algumas de Clint e Natasha. logo discou o número do irmão e quando o primeiro toque tocou, Clint atendeu. Andressa sentiu alívio assim que ouviu a voz do irmão do outro lado da linha, mas simplesmente não poderia falar aquilo agora.
–Andressa, aonde você está?-o tom de voz do arqueiro era rude mais ao mesmo tempo preocupado.
–Clint, preciso que você e os outros saiam agora do hotel.-Andressa falou, olhando pela porta entre-aberta, observando a recepção, os homens conversando com um homem que Andressa achava que era o gerente.-Agora.
–O quê? O que está acontecendo?
–Só preciso que saia, Clint.-um silêncio tenso tomou a linha. Andressa observava ainda vidrada os homens do lado de fora. Observou quando o homem que ela achava que era o gerente pegar o telefone e discar um número.-O telefone do quarto vai tocar, não atenda.
–Mas como você...-Clint se calou assim que o telefone do quarto começou a tocar e preencher todo o quarto.-Não atendam.-Falou assim que viu que Natasha ia atender.-O que está acontecendo, Andressa.
–Só preciso que confie em mim. Pegue os outros, agora, e vá direto para o elevador, desça até o estacionamento e me espere lá. Lá eu contarei tudo.
–Tudo bem.-o arqueiro falou depois de alguns segundos de silêncio.
–Mas assim que sair, Clint, deixe o telefone fora do gancho, e traga as nossas malas, temos que sair desse hotel.
–Tudo bem.-ainda sem entender o porque daquilo tudo, Clint desligou o celular falou com Natasha e Marie, assim como Fábio, e em menos de cinco minutos estavam todos no elevador, em direção ao estacionamento.
...
Andressa permanecia olhando pela porta da escada, observava o gerente tentar diversas vezes ligar, provavelmente, para o quarto aonde Clint e os outros estava e desligar o telefone, explicando para os homens que estavam do outro lado do balcão, de que o telefone estava ocupado.
Ela pode ver que um dos homens havia caminhado para o elevador, sentiu o coração acelerar. Havia dois elevadores, mas não fazia a miníma ideia de qual, Clint e os outros estavam. De onde ela estava escondida, podia ver apenas um e o homem não havia parado em frente a ele. Ela pedia mentalmente para que o irmão estivesse naquele.
Dois minutos se passaram. A morena levou um pequeno susto assim que sentiu o celular vibrar.
–Clint.-falou ainda observando a recepção, mas assim que viu um dos homens caminhar em direção a porta das escadas, ela correu rapidamente e começou a descer as escadas com pressa.
–Já estamos no...
–Sim. Agora reviste os policiais e jogue os celulares que achar no lixo. Já estou a caminho.
–O que...
–Faça o que eu pedi, Clint.-pediu e voltou a desligar o celular, não sábia o quanto havia descido, já tinha descido um lance de escada, mas quanto talvez faltaria para ela conseguir chegar no estacionamento?
Ela pode ouvir o som da porta da escada bater, e passos lentos e desconfiados descerem pela escada. Ela pensou em correr, mas sábia que assim só chamaria a atenção, pensou também em tentar ver o homem e lhe dar um tiro, mas o barulho do disparo era alto demais e chamaria a atenção de todos, não apenas dos homens que ela havia visto na recepção, mas como de curiosos e policiais.
Na tentativa de fazer menos barulho, ela retirou as botas com cuidado e desceu as escadas correndo, chegando na porta para o estacionamento rapidamente. Quando ela ainda calçava as botas um som estridente começou a soar de dentro do bolso da calça dela.
Era o celular.
Ela nunca havia se dado conta de como o aparelho tocava alto até aquele momento. Ela tentou abafar o som, mas parecia apenas que havia ficado mais alto. Assim que ouviu o som de passos rápidos na escada ela, ela soube que não tinha mais nada a fazer a não ser correr.
Abriu a porta com um único puxão. A lufada de ar quente a atingiu em cheio, o cheiro de gasolina misturado com outros tipos de combustíveis a deixou enjoada no mesmo instante, mas mesmo assim ela não parou, começou a caminhar normalmente e pegou o celular no bolso da calça e atendeu o mesmo, que ainda continuava a tocar.
–Já fiz o que...
–Aonde você está?-Ela não deixou Clint terminar de falar, até porque não tinham tempo, agora um tiro ou uma fuga era questão de minutos ou pouquíssimos segundos.
–Ao lado do carro...
–Entra no carro e sai do hotel.
–O quê?-Clint não conseguia entender o porque de todo aquele nervosismo, a irmã estava estranha desde que havia ligado para ele a alguns minutos atrás.-Andressa...
–Eu não posso explicar agora, Clint. Só me escute por favor. Vá você, Marie, Ricardo e a outra policial da equipe dele.
–Tudo bem.-Clint respondeu depois de alguns minutos.
O estacionamento era grande, Andressa não sábia para aonde ir, ela apenas sentia que estava sendo seguida, mesmo de longe. No fim do estacionamento, próxima a saída ela pode ver Clint, entrando dentro do carro, e logo o motor ganhou vida e o carro sair do lugar.
Logo atrás, com o carro ainda parado, Natasha e Fábio observavam o carro que Clint estava se distanciar rapidamente.
–Entrem no carro, mas naturalmente.-Andressa falou rapidamente e entrou no carro, Fábio se acomodou ao lado dela e o outro policial sentou no banco da frente enquanto Natasha estava no banco do motorista começando a dirigir o carro.
–Andressa, aonde você estava, estávamos todos preocupados com você?-Fábio perguntou olhando a morena que não ouviu a pergunta dele, ela apenas observava o estacionamento, via um dos homens caminhando em direção do carro em que ela e os outros estavam. Percebeu que ele fazia um sinal com a mão para que parasse o carro.
–Não para, reduz até chegar nele, mas logo acelere.-Andressa falou atenta. Natasha olhou para ela rapidamente, confusa mas fez o que ela pediu, mas assim que o carro passou ao lado do homem ela acelerou, o deixando para trás, xingando e falando em um comunicador.-Se protejam.-Andressa gritou assim que viu o homem que ficava para trás tirar do cinto da calça uma arma que estava escondida.
Os disparos atingiram algumas colunas do estacionamento e o carro. Natasha acelerou mais, saindo do hotel a toda velocidade, o carro que Clint e os outros estavam estava estacionado do lado de fora, mas logo começou a segui-los.
...
–Para onde vamos?-Natasha perguntou, não desgrudou o olhar da estrada, apenas continuou dirigindo, agora em velocidade média.-E quem eram aqueles?
–Não sei, não temos para aonde ir, não enquanto não tivemos certeza de que não estamos sendo seguidos.-A morena explicou olhando pelas janelas do carro com atenção, para ter certeza de que ninguém os seguia.-E aqueles eram traficantes, ou seja lá o que for, mas foram contratados para acabar com a gente, isso eu tenho certeza.
–A gasolina do carro está acabando.-Natasha falou.
–Vou ligar para Clint. Assim paramos no próximo posto que aparecer.-pegando o celular dentro do bolso da calça, ela discou rapidamente o número do irmão e em poucos segundos ouviu a voz dele soar do outro lado da linha.-Clint, vamos para no próximo posto, o nosso carro está ficando sem gasolina.
...
No posto Andressa explicava aos amigos o que havia acontecido, desde a perseguição na praia, a fuga do metrô, e o acolhimento da família seguido da fuga da favela, explicou também porque aqueles homens estavam atrás dela, e não deles.
–Tenho certeza de que o chefe da favela quer minha cabeça numa bandeja por acabar com o maior esquema de tráfico de drogas dos últimos tempos.-Andressa debochou, ela simplesmente não ligava, só pensava agora em como aqueles homens poderiam está atrás dela no hotel, como eles poderiam saber.-Enquanto eu estive fora, vocês conseguiram algo? Alguma localização para onde aquele louco pode ter fugido?
–Nada até agora, Marie tentou arrancar algo da namorada dele, mas ela se recusa a falar.-Natasha falou observando o posto de estrada vazio, os carros na pistas passavam de um lado para o outro.-Mas... Aquele garoto, o policial da equipe do Ricardo, tem algo de errado com ele, percebi assim que ele chegou no apartamento.
–O que acha que pode ser?-Dessa vez Clint que perguntou, observava o grupo de policiais do outro lado conversando, enquanto a mulher que havia sido presa por Andressa e Marie mais cedo, estava o banco de trás de um dos carros algemada, com o olhar vago.
–Ele sabe de alguma coisa, ou... Participa de alguma coisa.-Natasha falava observando o homem do outro lado do posto.-Não confio nele, desde que o vi.
–Então acha que foi ele quem avisou de nós no hotel?-Clint perguntou a ruiva que apenas confirmou com a cabeça, ainda olhando o homem, observando como ele se movia, como ele estava tenso.
Andressa não falava nada, apenas observava e pensava em tudo o que estava acontecendo, estavam lidando com um policial corrupto e ela precisava ter cuidado, não podia simplesmente prender o homem, tinha a sensação de que tinha que saber o que ele sabia, e de que tudo o que ela poderia descobrir, ajudaria para encontrar o assassino e descobrir qual era o plano dele.
–Acho que temos que rodar pela estrada durante mais alguns minutos até termos certeza de que não estamos sendo seguidos, até termos certeza de que estamos seguros.-Clint falou novamente e todos concordaram, logo estava novamente na estrada.
...
–Acho estranho como aqueles homens me encontraram no hotel. Simplesmente não havia como, eu fugi sem deixar rastros da favela.-Andressa falava fingindo conversar com Fábio.-Simplesmente não havia como, não me viram sair da favela, ninguém. E nem mesmo o motorista de táxi que peguei poderia ter dito a ele, já que ele foi embora para o lado oposto. E Assim que entrei no hotel, segundos depois eles chegaram. O que fizeram com os celulares dos policiais?
–Os deixamos no hotel.-Fábio falou pensando na cena, ainda podia ver os quatro aparelhos sobre a mesa de centro que havia no quarto.-No quarto sobre a...
–Mesinha de cabeceira.-o jovem policial completou, Andressa pode ver os lábios dele contorcidos em um sorriso sombrio e ao mesmo tempo vitorioso.
–Aparentemente só ficaram três celulares lá, não é mesmo, policial?-Andressa falou olhando o homem que estava sentado no banco do carona, na frente dela.
–Está insinuando alguma coisa, agente?-o homem agora olhava para a morena sobre o ombro, Andressa notou a voz dele perder o tom alegre e deixar um tom preocupado transparecer.-Acho que deveria ter mais cuidado ao falar com um policial no país dele, já que aqui você não é nada.
–Está nervoso policial?-o tom de ironia na voz da morena era palpável, ela estava adorando aquele joguinho.
–Não mesmo, agente. Mas quero apenas o devido respeito, já que eu sou um autoridade maior do que você aqui, agente.
–A única coisa que você é aqui é um falso. Agora me dê a droga do celular agora.
–O que está...
–Não finja que não está com o celular.-irritada a morena pegou a pistola que e apontou na testa do homem que engoliu em seco assim que sentiu o cano frio da arma.-Eu o quero agora!
–Não estou com celular nenhum!
–O celular.
–Já disse que não estou com a porra do celular.
–Se não me entregar o celular, eu vou atirar.-Andressa encarava o belo homem, ainda jovem, mais ainda assim belo, os olhos dos dois se encararam durante segundo tensos, mas que parecia ter sido minutos. Andressa sábia o que ela pensava, era óbvio e estava quase escrito na testa dele.-Acho que seu plano de tentar fugir não vai funcionar, até porque se você tentar forçar uma acidente, tudo sem querer é claro.-ironizou ainda o olhando pelo retrovisor.-Você também saíra ferido.
–Não estava pensando...-Ele tentou, mas se calou assim que viu que não conseguiria mentir para ela. Não com convicção suficiente.
–Vamos ser honestos aqui está bem? Sei bem o que você está pensando nesse exato momento em pegar a arma que tem escondida dentro da sua mochila, atirar em Natasha, fazendo assim que percamos o controle do carro e depois se jogar do carro ainda em movimento com seu celular e fugir quase ileso. Mas por quanto tempo?-Agora o jovem policial a observava, vendo sentido lógica nas palavras que a Andressa falava.-Por quanto tempo será que vão te deixar vivo? Será que eles vão querer um... Qualquer, viciado em drogas trabalhando para eles?
–Não sou viciado.-Irritado o homem se virou no banco e a encarou. Os dois ficaram face a face.
–Não? Está entrando agora mesmo em uma clise de abstinência por falta da cocaína. Acha mesmo que eu não sei que dentro dessa sua mochila não tem essa droga...literalmente?
Natasha e Fábio permaneciam calados, observando como Andressa desenrolava toda aquela história, estavam um tanto... admirados como ela havia conseguido deixar o homem aonde ela queria.
–Não, você não sabe de nada.-O homem falou ficando furioso.-Você chegou aqui ontem, não sabe nada de mim, acha mesmo que sabe alguma coisa?
–Não traí os meus amigos de serviço.
–Você não sabe nada da minha vida.
–Podemos falar por... Estatísticas, probabilidades, ou lógica, você decide.
–Cale a porra da sua boca.
–Acho que não, falta ainda você me entregar seu celular e a arma que está escondida.
–Não vou lhe entregar nada!-Os olhos do mesmo estavam arregalados, pareciam assustados e alucinados ao mesmo tempo. Andressa sábia bem que ele estava no meio de uma crise. Tanto pela a agressividade como por outros fatores e ela tinha que fazer algo logo para conseguir o que queria.
–Aonde estávamos?
–No...
–Paramos em até aonde você acha que eles lhe deixaram ir?-o carro clima no carro estava abafado, mesmo com o ar condicionado ligado.-Você está louco, viciado, se meteu nesta história porque não conseguiu e continua sem conseguir controlar seu vício em drogas. E assim que recebeu a proposta de que se fizesse isso, se os ajudassem com o tráfico nas favelas e um pouco fora delas, pela troca da sua divida você não pensou duas vezes, não foi isso?-como o homem não falou nada, a morena voltou a falar, agora tranquila, ao se dar conta de que havia o atingido em cheio.-Topou porque não tinha dinheiro o suficiente para pagar as contas e se não as pagassem eles o matariam.
–Eles disseram que iam acabar comigo e com a minha família.-o homem falou quase num sussurro.
–Mas, Fernando, eles irão te matar de qualquer forma.-a voz da morena soou baixa e melancólica.-Você sabe muito mais do que deve. Você tem que saber que essas pessoas que estão recebendo pela droga, não passam de cruéis assassinos.
–Mas... o quê?-o homem agora estava confuso, pensava que o casal que fornecia drogas para a favela eram apenas de outro pais, químicos em busca apenas de mais dinheiro, mas aparentemente ele estava errado.
–Prometo lhe contar tudo, para você e todos os outros, mas antes preciso que me dê o seu celular.-Olhando o belo jovem policial, Andressa via a confusão que estava dentro dele, quanto pelo tempo que não usava drogas, quando pelo o fato de que havia quebrado o juramento que havia feito no dia da formatura deles na policia.
...
Eles estavam todos agora em outro hotel. Depois de darem voltas pela cidade para despistar qualquer pessoa que pudesse estar atrás deles, finalmente haviam conseguido se hospedar com um nome falso, para não deixar qualquer rastro. Andressa havia desativado o GPS do celular de Fernando, o jovem policial que havia se envolvido com o tráfico. Ela não havia jogado o celular fora, era o único meio de contato que poderiam vir a ter com o assassino que estava lá do lado de fora, pronto para por o plano de matar milhares de pessoas em um estadio de futebol em prática.
A suite era grande, possuía um pequeno escritório, aonde ela, Clint, Natasha, Fernando e Ricardo estavam. Fernando contava tudo o que sábia, e até mesmo os prováveis lugares aonde o homem poderia está. Nas sala de jantar que havia no lugar, estavam Marie, Fábio, Stella, a policial que trabalhava junto a Ricardo, e a assassina que havia torcido o pé ao tentar fugir junto com o namorado. Marie fazia perguntas para a mesma que apenas se mantinha em silêncio sem responder.
Minutos depois Andressa saiu do pequeno escritório, deixando os outros, se sentou cansada no sofá e respirou fundo, não queria, mas os olhos se fecharam sozinhos. Acordou com os outros falando, olhou para o celular que estava sobre a mesa e percebeu que não havia dormido nem mesmo cinco minutos. Os deixando na sala ela caminhou até o quarto e trancou a porta, se despiu e entrou no banheiro que havia no quarto. A água fria a fez tremer, o corpo voltava a doer de forma intensa por conta dos baques que havia levado mais cedo. Quando saiu do Banho ainda enrolada, ela se vestiu rapidamente e voltou até a sala aonde os outros tentavam pensar em algo para poder por em prática e prender o assassino no dia seguinte.
–Eu tentei, fiz perguntas de todos os tipos mas ela não quis responder. Ela não vai falar.-Marie falou sobre a mulher que estava presa na sala de jantar.
–Mas se colocássemos ela para falar com ele?-Andressa sugeriu.
–Como?-Marie perguntou confusa, não sabiam como poderia fazer aquilo e ao mesmo tempo não revelar aonde eles estavam refugiados.
–Estou com o celular de Fernando e aqui ele possui o número do assassino.-Andressa informou e todos aparentemente ficaram paralisados em silêncio olhando para ela.
–Andressa.-Clint começou a falar, o rosto do arqueiro tinha uma aparente desespero.-Por que não se livrou desse celular? Sabe que pode ser rastreado com facilidade.
–Sim, eu sei Clint, mas é o nosso único ponto, aparente, de acesso com esse assassino. Já que a assassina dentro do quarto não diz aonde o amor da vida dela está e Fernando já disse tudo o que sabe.-Andressa falava olhando o irmão, observou ele ficar em silêncio durante alguns segundos e depois voltar a falar, só que desta vez a voz não tinha mais aquele tom desesperado.
–Ele está mentindo, Andressa. Fernando está mentindo.-Clint falou olhando nos olhos da irmã. Não acreditava que o homem preso no pequeno escritório do quarto de hotel, não sábia mais nada.-O cara mentiu para a própria equipe, enganou todos.
–Inclusive você.-Andressa falou e viu quando o mesmo se calou. Os olhos verdes do arqueiro estavam espantados.-Quando ainda estávamos no hotel pedi para que recolhesse todos os celulares.
–Ele nos entregou o celular dele, pensei...
–Exato, Clint, você pensou que ele havia sido honesto, assim como Ricardo e Stella haviam pensado, não pode os culpar. E tenho certeza de que ele disse tudo o que sabia, já que está no meio de uma crise de abstinência. Ele simplesmente não consegue pensar em nenhuma mentira concreta, não consegue formar nada.
–É nisso que se baseia?-Clint perguntou. Andressa podia ver o quanto o irmão estava frustrado, sabia que ele não acreditava e ela também sinceramente ainda duvidava se aquilo era verdade, pois sabia que toda aquela história de crise poderia ser mentira, que Fernando poderia esta fingindo aquilo de uma forma realista demais, que a fazia duvidar do que pensar. Mas no momento era a única coisa que ela tinha e sentia que devia se agarrar aquilo.-Tudo bem, vamos fazer o que você quer.
–Eu não quero fazer nada, Clint, estou apenas pensando com lógica. Ele tinha cocaína na mochila, tinha uma arma e parece que está alucinado pela falta da droga.-um silêncio tomou conta da sala, a morena não sabia o porque o irmão estava sendo tão hostil.-Estou tentando fazer isso dar certo, tentando ao máximo acabar logo com isso, Clint.
–Eu sei...
–Não, não sabe.-ela ia falar mais, queria sentia as palavras engasgadas na garganta, mas se calou, o lugar e o momento não eram o melhor para discutir assuntos familiares.-Quais os lugares que Fernando falou, Natasha?
–Am... Foram três lugares, e todos próximos ao estádio.
–Só preciso apenas de um agora.-Natasha informou os três endereços para Andressa que logo tratou de ir atrás dos mesmos, mas antes de sair foi impedida por Clint.
–Eu vou com você.-o arqueiro falou, pegando a arma e a ajeitando na calça.
–Não, não vai. Você tomou um tiro mais cedo, precisa descansar, e como já disse só vou observar.-Andressa falou já na porta olhando o irmão.
–Você não disse.-Clint falou dando um pequeno sorriso.
–Não, não disse, mas é isso que vou fazer enquanto não tivemos mais informações. Pode ficar tranquilo.-falou e saiu do quarto.
...
Sozinha, ela observava o prédio, um dos três apartamentos que Fernando havia informado para ela, ele também havia informado que o apartamento ficava no ultimo andar, que era a cobertura, a melhor, e mesmo sem ela está lá encima, tudo indicava de que a vista para o estádio era uma das melhores. Um show e tanto.
–Deve ter um ego bem grande.-murmurou sozinha. Atravessando a rua, ela olhou a sua volta, para ter certeza de que não estava sendo observada por ninguém. Ao se certificar que não havia ninguém, ela finalmente pediu para que o porteiro abrisse o portão. Na portaria ela encontrou novamente o homem idoso que havia acerto o portão. Os olhos de Andressa fitaram o relógio atrás do homem, os ponteiros marcavam 01:30 da manhã e ela se surpreendeu pois ainda pensava não passar das 23:00 da noite.
–Olá.-sorriu para o senhor que sorriu também para ela.-Me desculpe, já está tarde demais.
–Sim, é estranho uma moça como a senhora aparecer a uma hora dessas, não tem medo de andar na rua a essa hora?
–Desculpe, mas recebi um telefonema de um amigo e ele me pediu para vim até o apartamento dele. Ele é novo na cidade, na verdade no país.-forçou um sorriso e voltou a falar.-Está se acostumando como as coisas funcionam aqui. O fuso horário ainda o está... o Deixando confuso, morávamos juntos lá no Estados Unidos, mas nos separamos faz pouco tempo.
–Sinto muito.-o senhor falou.
–Não sinta, tudo indica que voltaremos. Aparentemente ele se mudou porque sente a minha falta, imagina só, se mudar para um pais desconhecido apenas por mim, não é romântico?
–Sim, é muito.
–Acho realmente que deveríamos tentar novamente, nós nos amávamos tanto. E lá no outro país nós eramos tão felizes. Quando ele me ligou hoje á meia hora atrás, eu não acreditei realmente que ele havia se mudado para o Brasil por mim.-Fingindo emoção e empolgação ao mesmo tempo, ela segurou uma das mãos do senhor, que estava realmente tocado com toda a história.-Eu o amo tanto e sei que ele me ama.
–Sim, deve ama-la mesmo.
–Só o que quero é vê-lo agora, matar toda a saudade.Faz muitos meses que não nos vemos, e... Nossa, ele fez essa mudança toda sem me contar nada. Essa surpresa maravilhosa que ele me proporcionou, só queria poder fazer o mesmo por ele, mesmo que... Vim até aqui não seja grande coisa, com ele me ligando ainda.
–Claro que é grande coisa. É o senhor Grissom que está no oitavo andar, não é mesmo?-o homem perguntou, Andressa apenas assentiu sorrindo. Não era o homem que ela procurava, mas ela já sabia o que devia fazer.-Ele se mudou faz apenas duas semanas.
–Meu Deus, é ele mesmo, o senhor deixaria eu subir?
–Sim, claro, mas antes tenho que te anunciar no interfone.
–Aaaa, é uma pena, queria tanto fazer uma surpresa para ele. É claro que ele espera que seja eu, quem mais seria, ele me ligou a apenas alguns minutos atrás, mais ainda assim acho que se ele me visse na porta dele sem aviso do interfone seria uma surpresa, pequena é claro, mais ainda assim uma surpresa.
–Não sei se posso fazer isso, é norma, quase que obrigatório que interfonemos para o apartamento dos inquilinos para saber se a pessoa pode ou não subir.-o homem falava observando a mulher a sua frente. Andressa apenas assentiu com tristeza e se calou, queria falar, mas se continuasse a insistir o homem iria perceber algo estranho, mas por outro lado se o homem interfonasse para o desconhecido no apartamento do oitavo andar e dissesse que não esperava ninguém seria o fim do plano dela. Mas ela preferiu optar por não forçar mais, se caso acontecesse de o homem falar que não conhecia ninguém, ela ia ter de arranjar outra forma de conseguir subir.-Espero que a senhora não se incomode, só estou cumprindo com as ordens que me foram dadas.
–Não, o senhor está certíssimo, imagina só se é uma pessoa ruim, um ladrão por exemplo.-caminhando ao lado do homem ela deu um sorriso triste.-Tentando roubar os moradores.-ela não era uma ladra, era apenas uma assassina e agente secreta da inteligência americana, em busca de um assassino terrorista que queria explodir o maior e mais conceituado estádio do mundo. Talvez o mais conhecido.
–Vai ser rápido, desculpa estregar sua surpresa.-o senhor falou novamente e Andressa forçou mais um pequeno sorriso desanimado.
...
O velho observava a jovem mulher, depois que ele havia informado que tinha que avisar que deveria interfonar para a casa do estrangeiro que havia se mudado fazia poucas semanas, ela havia ficado triste, o belo sorriso havia sumido do rosto dela. Com a mão no telefone ele exitou em interfonar para o homem, talvez ela quisesse apenas fazer uma pequena surpresa, a história de que o estrangeiro havia se mudado por conta dela era emocionante, ele pensou na vida, nas loucuras que já havia feitos, claro que nada se comparava de sair do país para ir atrás do amor da vida dele, mais ainda assim havia sido loucuras belas. Colocando o gancho novamente no telefone ele olhou a mulher que ainda parecia triste.
–Minha jovem, pode subir.
–Como?-Andressa fingiu confusão.
–Pode subir, a história que você acabou de me contar é muito bela e emocionante. E é sim uma grande surpresa o que a senhora está fazendo.-o homem explicou sorrindo.
–Muito obrigada, senhor?
–Antonio, me chamo, Antonio.
–Muito obrigada, senhor Antonio, o senhor não sabe o bem que está me fazendo, está salvando o mundo.-Andressa sorria, se sentia aliviada. Abraçou o senhor com carinho e logo caminhou até o elevador.
–Espero que a senhora seja muito feliz.
–Obrigada.-Andressa respondeu bem a tempo, em seguida a porta do elevador se fechou e ela respirou aliviada.
Todos amam ouvir sobre uma bela história de amor.
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O Elevador subia para o oitavo andar. Ela sabia que o andar que ela procurava era o último, mas para despistar que o porteiro percebesse que a história que ela havia contado não passava de uma mentira, ela tinha que descer no oitavo e subir de escadas, para que o elevador não continuasse em movimento.
Ao chegar no andar, caminhou até a escada rapidamente. Tinha muito o que subir, mas esse era o menor dos problemas no momento.
Ela subia correndo, já estava no 10° andar, corria o mais rápido que podia, já que nas escadas existiam câmeras, e não queria ser pega por nenhuma delas.
Pensou no senhor na portaria, sentia um tanto de culpa por ter inventado toda aquela história, por ter olhado nos olhos bondosos daquele senhor e mentir tão descaradamente, mas como ela havia falado, ele estava salvando o mundo, ou melhor, o estádio e logo em seguida o mundo, já que as coisas que implicavam em tudo aquilo eram bem mais complexa.
No 15° andar o cansaço já começava a aparecer, as pernas doíam, pareciam que tinham pesos presos a ela, ela parou durante alguns segundo, o bastante para recuperar o folego, mas longe das câmeras. Provavelmente o senhor imaginava que ela estaria agora tendo uma linda noite de amor com o novo inquilino desconhecido, tanto para ele, quanto para ela. Voltando a subir ela viu que chegava no 16° andar, e que faltava apenas mais 4, já que o prédio possuía vinte andares, e que o 20° era o ultimo e possuía apenas um apartamento.
...
Quando rompeu a porta do 20° andar, estava cansada, suada e com dores, as pernas pareciam mais pesadas do que antes, respirando fundo tentando recuperar o fôlego e correu para baixo da câmera que ficava posicionada para a porta do apartamento e a escada, diferente das outras que ficavam direcionadas para a porta do apartamento e para o elevador. Com movimentos rápidos ela conseguiu posicionar a câmera apenas para o elevador, sem ser vista.
A grande porta de madeira, estava trancada, Andressa se perguntava se o apartamento tinha algum alarme e, principalmente, havia alguém dentro. Não havia como saber, de qualquer forma se o assassino estivesse dentro daquele apartamento seria melhor, já que ele que iria abrir a porta.
Ela bateu a porta e esperou.
Ninguém respondeu.
Tocou a campainha.
Mas ninguém abriu a porta.
Foi quando ela percebeu que teria que abrir a porta, com a arma em punhos e o dedo no gatilho ela pensou melhor, talvez não fosse uma boa ideia abrir a porta daquela forma. Procurou em volta dela, mas não encontrou nada, foi quando viu viu, perto de um carpete um pedaço de arame, pegou o mesmo rapidamente e o dobrou na tentativa de deixar o fio fino um pouco mais resistente. Depois tentou abrir a fechadura, mas foi em vão. O arame era fraco demais e ficava entortando.
Foi preciso mais duas voltas, até que conseguiu que o arame ficasse mais firme. Ela voltou a tentar não conseguia.
–Mas que droga.-falou sozinha.
Foi quando ouviu, um som de algo se movendo, se aproximando. Olhou em volta, mas não viu nada, não havia ninguém ali. Foi quando ela olhou para o elevador, o pequeno mostrador indicava que o mesmo estava em movimento e já estava no 15° andar.
–Sério?-se perguntou com indignação.-Mas que droga.-sussurrou voltado a se virar para a fechadura, na tentativa mais uma vez falha, de abrir a fechadura.-Vamos lá.-ainda tentando, viu quando o mostrador exibia o número 17, indicando que em alguns segundos as portas do elevador iam se abrir e alguém sairia de lá.-Droga.-praguejou assim que o arame caiu no chão.
Recolhendo o arame do chão, voltou a tentar abrir a porta, mas via a chance se esgotar, assim que o mostrador do elevador exibia o número 19. Olhou envolta ainda tentando abrir a porta, a única saída que tinha era voltar para a escada e descer para o andar de baixo, para ter certeza de que não iria ser descoberta.
Foi quando ela ouviu.
Foi um Clik.
E aquele Clik anunciou que a porta havia sido destrancada.
Os olhos verdes de Andressa fitaram uma ultima vez o mostrador que denunciava o número 20. O som das portas se abrindo eram como o som mais alto do mundo para ela, com um ultimo reflexo, ela abriu a porta e entrou no apartamento e trancou a porta bem a tempo, antes de as portas de abrirem por completo.
...
O elevador havia parado, o porteiro saiu lentamente, olhando na direção exata da câmera de segurança que estranhamente, estava virada para o elevador, e não para a porta e para a escada, como era de costume. Lentamente ele observou o pequeno ambiente, tudo aparentemente estava no lugar, menos a câmera de segurança.
Ainda confuso de como a câmera poderia ter sido trocada de lugar, ele voltou a mesma para a sua posição de costume.
Com a câmera direcionada para o lugar certo, ele caminhou até a porta, aonde tocou campainha e esperou, mas não obteve resposta. levando a mão até a maçaneta tentou abrir a porta, mas também não conseguiu, pois a porta estava trancada. Coçando a cabeça com confusão, ele foi até a porta da escada, abriu a mesma e olhou pelo ambiente, mas não havia ninguém ali também.
Saindo da escada novamente, ele observou novamente a grande e luxuosa porta. Forçou novamente a maçaneta, mas a porta nem ao menos se moveu. Provavelmente um dos filhos adolescentes de algum inquilino que havia mexido na câmera. Mas quem poderia está acordado a aquela hora da madrugada? A não ser o casal do oitavo andar. O velho senhor sorriu ao pensar no que eles poderiam está fazendo, já que a resposta era tão óbvia.
–Não há ninguém no apartamento.-O homem falou e voltou a entrar no elevador.
Era o que ele pensava.
...
Do outro lado da porta, Andressa ainda se mantinha em silencio, a respiração estava curta e ofegante. Quando ouviu o som das portas do elevador se fecharem e levar junto consigo o porteiro ela respirou aliviada.
Ainda um tanto ofegante, ela começou a caminhar pelo apartamento com a arma em punhos, não tinha certeza de que o enorme comodo, que ocupava todo um andar, estava realmente vazio. Entrou em três quartos, mas todos estavam vazios, com mobília, mas pareciam intocáveis.
Foi no 4°, quarto que ela viu. Roupas espalhadas pelo chão e a cama desarrumada.
–Eles estiveram aqui.-falou sozinha enquanto caminhava pelo comodo.
O vento que a atingiu foi como um chamado. Ela olhou pelo quarto e viu a sacada. As portas estavam abertas e as cortinas de ceda brancas balançavam pela leve e refrescante brisa. Caminhando até sacada, ela percebeu que nem mesmo era necessário por o pé na sacada para poder ver.
Há 500 metros de distância, estava lá, com as luzes em verde e amarelo piscando.
O Estádio.
...
Depois de vasculhar todo o quarto, e não encontrar nada, ela descia agora as escadas, iria até o oitavo andar e quando chegasse lá, desceria o resto de elevador. No 10° andar ela pegou o celular que estava no bolso da calça. Discou o número de Clint, e no primeiro toque o arqueiro atendeu.
–Clint.-Falou cansada.
–Andressa.-o arqueiro respondeu um tanto apreensivo.
–Ele não está no apartamento, não no primeiro, mas...
–Você disse que não ia subir.-Clint falava nervoso.
–Por favor, Clint. Eu tive que subir.
–Não...
–Apenas me escute.-ela falou e ouviu o irmão se calar do outro lado da linha.-O assassino não está aqui, mas encontrei... melhor, vi algo que...
–O que viu?
–Pelo quarto havia roupas espalhadas a vista que o apartamento é perfeita. Ainda não fui nos outros, mas essa.- Clint permanecia calado do outro lado da linha, pensando em algo.
–Está achando que ele vai assistir a explosão, ao invés de fugir do país?-Clint perguntou mas tudo o que ele ouviu foi silencio.-Ele deve ser doente.
–Ele é doente, Clint. Ele mata as pessoas e as corta em pedaços apenas por prazer, mas... Olha, ainda preciso ver os próximos apartamentos. Te ligo assim que sair do segundo.-antes de que o arqueiro pudesse falar algo, ela desligou e entrou no elevador, já que havia chegado no oitavo andar.
...
Quando o elevador chegou até a portaria ela se perguntou o que iria dizer para o senhor que havia acreditado na falsa história de amor que ela havia contado. Ao sair do elevador, avistou o homem.
–Senhor, Antonio.-falou, a voz dela saiu chorosa e ela mesma quase riu da falsa interpretação.-Muito obrigada, mas acho que nossa história de amor não irá continuar. Eu amo...-se calou ao tentar lembrar o nome do homem que morava no oitavo andar.-Grissom.-tampando a boca com a mão ela abafou um riso.-Mas acho que... Ele... Não me ama mais.
–Mais o que aconteceu, minha jovem...
–Me desculpe senhor, Antonio, mas preciso ir.-falou assim que fitou o relógio na parede. Os ponteiros marcavam 02:20 da manhã.-Obrigada por tudo.
–Mas você não pode sair sozinha na rua a essa hora e dessa forma, você está muito nervosa.-o homem falava, mas já era tarde. Andressa acabava de atravessar a rua.
...
Já passava das cinco quando ela terminou de ver os três apartamentos e dois hotéis quartos de hotéis que Clint havia conseguido que Fernando falasse. Mas nenhum deles se comparava ao primeiro apartamento que ela havia visto, nada se comparava a vista, a grandiosidade daquela vista. No carro ela pensou em ligar para o irmão, mas decidiu por não fazer. Estava próxima do hotel que eles haviam se hospedado com o nome falso.
Ao entrar no quarto, encontrou os outros.
–Conseguiu algo?-Natasha perguntou assim que ela se sentou no sofá.
–Nada, e vocês? Conseguiram pensar em alguma coisa? Em como poderíamos prende-lo?-a morena questionou, mas quando não teve resposta soube que a respostas para todas aquelas perguntas era não.-Nada?-perguntou novamente.-Nem mesmo tentaram tirar alguma informação da louca?
–Tivemos várias ideias, mas todas tinham algo que... Não funcionava.-Clint falou, o arqueiro estava do lado da janela e no horizonte o sol começava a nascer.
–Por que não me contam?
Depois de ouvir tudo que eles haviam pensado, a morena tentou de alguma forma pensar em algo, juntando tudo o que havia escutado, mas ainda assim havia furos.
...
Eles permaneciam no hotel, todos em silêncio, já se passava das seis da manhã e eles ainda não tinham nada. Foi quando Andressa pensou em algo.
–O celular.-falou enquanto caminhava até aonde havia guardado o celular. Pegou o aparelho que estava desligado e sem a bateria sobre a mesa do quarto de hotel.
–O celular só vai revelar aonde nós estamos.-Marie falou.
–Sim, mas é aonde a noiva, namorada ou seja lá o que eles são, está.-Precisamos falar com ele.-ao ver que ninguém respondeu nada, Andressa observou o celular, mas assim que o sentiu vibrar na mão, se assustou.
A chamada era restrita, mas mesmo assim ela atendeu.
–Alô.
–Pensei que não iam ligar o celular.-a voz do outro lado soou intensa.
Andressa apenas riu.
...
O celular estava no viva voz, Andressa estava encostada ao lado da janela, de braços cruzados, assim como os outros ouviam tudo.
–Você não passam de... Lixos na vida de Fury. Sabe, eu já fui um de você, provavelmente Fury não disse nada não é mesmo?-Andressa olhou para Clint, que nem mesmo se moveu, nem parecia ser surpreender ao saber que o assassino que estavam atrás, um dia já haviam estado no lugar deles, recebendo ordens de Fury.-Vou considerar esse silencio como um sim. O que quero que entendam que, o fim de vocês vai ser igual ao meu, vocês devem pensar que sou louco.
–Você é.-Andressa falou, mas a gargalhada do outro lado da linha preencheu a sala.-Você picota as pessoas.
–Manipulação, isso realmente faz a diferença. Acha mesmo que mato as pessoas pelo simples prazer? Por que gosto de me sentir no controle? Fury realmente sabem fazer vocês comerem na mão dele.
–Não estamos aqui...
–Não, não estamos aqui para ver o quanto vocês são manipuláveis.
–Qual o seu plano?-Andressa perguntou, estava sem paciência e ainda pensava se Clint sabia se aquele assassino já havia sido um deles.-O que você quer.
–Acho bem quem você é, é aquela que correu por mim pela cidade, que quebrou o meu nariz, não é mesmo?
–Exato, e assim que eu te encontrar, vou fazer muito mais do que quebrar apenas o seu nariz.-a voz dela soou ameaçadora.
–Gosto de você.
–Desculpe, mas não posso falar o mesmo.
–Eu gostaria de te ter por perto, eu realmente faria você se calar. Mas infelizmente isso não vai poder acontecer. Quero que você esteja no estádio que irá acontecer o ultimo jogo do evento mundial. Quando estiver faltando dois minutos para o fim do jogo, quero que esteja posicionada na fileira 40 A.
–Acha mesmo que eu vou?-Andressa perguntou sorrindo com sarcasmo.
–Acho. E você vai está lá.
–Qual o seu plano?
–Explodir o estádio.
–Você vai matar milhares de pessoas.
–Por uma causa nobre.
–Nobre? O que você entende disso?
–Só a quero lá.
–E se eu for, o que vai acontecer?
–Você vai morrer na explosão, assim com todas as pessoas que vão está lá.
–Tudo bem.-A morena falou, despreocupada. -Eu vou está lá.
–Mas, sobre a bomba que está no estádio. Ela só é desarmada de duas maneiras.-ouve uma pausa, todos eles ouviam atentamente.-Uma é com a senha e a outra é se eu quiser. Tenho um dispositivo em minhas mãos e posso desativa-la, mas se algum de vocês tentares desarma-la, eu a explodo. Tenho uma câmera focada diretamente nela. Pode ficar tranquila que eu darei um jeito de falar com você. Uma ultima coisa... Se despeça de seus amigos, Andressa.
O celular mostrava que a ligação havia sido encerrada, Andressa estava agora sentada no sofá calada.
–Você mentiu quando disse que ia para o estádio não é?-Marie perguntou sentando ao lado da morena.
–Não exatamente.-Andressa respondeu sorrindo, tinha um plano em mente e gostava de como ele acabava.
–Como não exatamente?-Clint perguntou, ele a encarava com curiosidade.
–Acabei de pensar no plano e... Acho que pode funcionar.-ainda sorrindo, ela voltou a desligar o celular e o jogou pela janela, já não precisava mais do aparelho, se virando para eles começou a falar o plano que iria salva-los.
...
Andressa se olhava uma ultima vez no espelho, depois de passar horas repassando o plano, de como iriam agir com os amigos, ela estava pronta. O longo cabelo estava preso em rabo de cavalo. Completamente vestida de preto, ela colocou o ponto no ouvido, e ajeitou a arma no suporte. Enquanto caminhava até a porta, ela pedia em silencio que o plano funcionasse. Viu que Clint e Fábio a esperavam para partirem.
...
Já se passava das cinco da tarde, o evento já acontecia, o estádio estava cheio de milhares de pessoas. O homem assistia a tudo que acontecia, havia invadido o sistema de segurança do local e com isso tinha acesso a todas as câmeras, agora era apenas esperar que ela chegasse e tudo acabasse.
Nem mesmo percebeu o que os monitores denunciavam as suas costas.
...
Ela estava lá, ele podia ver, ou ao menos se parecia com ela. O assassino observava a imagem da mulher no local que ele havia informado. O longos cabelos estavam soltos sobre os ombros e ela vestia uma calça preta e uma blusa que tinha estampada a bandeira do Brasil. Ele pegou o telefone e discou o número dela. Viu pelo monitor quando ela atendeu o mesmo.
–É uma pena realmente que você tenha que morrer.-o homem falava, os olhos atentos observavam os monitores exibindo imagens de todo o estádio. Logo atrás dele, havia mais monitores e eles exibiam imagens da portaria do prédio. Aonde uma mulher trajando preto, entrava acompanhada de dois homens.
–Acha mesmo?-a voz era a mesma que ele havia escutado no telefone horas mais cedo, só que com um pouco de interferência.
–Sim, acho. -ele falava. Olhou para o lado aonde um dos monitores aparecia a imagem da bomba, faltava tão pouco para que ela explodisse.
–Então porque me mandou até aqui?-Andressa perguntou.
O homem ria, pensando o quanto ela havia sido... Tola.
–Não brinquei quando disse que era para você morrer.
–Diga.-Andressa começou a falar. Ele não se opôs, gostava do som da voz dela.-Como se sente com tantas vidas dependendo de você?
–E muito bom, é como se uma sensação de poder estivesse em suas veias.
–É claro que deve ser.
No monitor ele a observava, a imagem estava um pouco prejudicada pelo zoom que ele havia colocado, deixando assim a imagem um pouco sem foco. Se virando na cadeira ele observou a tela do monitor que transmitia imagens da portaria. Tudo estava em perfeita ordem, estava tudo saindo como ele havia pensado e programado.
–Posso lhe contar uma coisa?-O homem perguntou sorrindo.
–É claro, creio eu que não tenho mais nada a perder.-Andressa respondeu sorrindo.
–Tenho uma vista privilegiada para o estádio, quando tudo isso virar destroços eu vou está assistindo.
–Tenho certeza de que está assistindo, mas quanto aos destroço já não concordo.
–Como?-o silencio tomou conta da linha, até que ela voltou a falar.
–Tem gente na porta, hora de atender.
Confuso ele se calou, observava a imagem da câmera, a mulher já não falava nada, permanecia calada, estranhamente olhando na direção exata da câmera. Foi quando ele percebeu de que não era ela.
"Tem gente na porta"
As palavras soaram na cabeça dele, olhando o monitor da portaria, ele viu que estava tudo certo, mas ao trocar de câmera e colocar na que apontava para a porta do apartamento dele, ele riu a porta do apartamento aberta. Quando olhou para a porta do quarto pode vê-la, apontando uma arma na direção dele.
–Como se sente sendo tão... Tolo?-A voz dela soou doce e irônica ao mesmo tempo.-Acha mesmo uma pena eu não está lá naquele estádio?
–Não mais.-O homem falou voltando a atenção para os monitores que exibiam as imagens do estádio.
–Está tudo sobre controle, Marie.-Andressa falou através do ponto.
–O que acha de mandar um recado para o nosso amigo aqui.-Clint falou, caminhando até o homem que estava com as mão para cima.
No monitor, Marie se livrava da peruca que usava e sorria, mandando tchau para a câmera.
...
Sentado na cadeira com as mãos algemadas assim como os pés, o homem observava Andressa com o olhar hipnotizado.
–Você é mais esperta do que pude imaginar.-o homem falou sorrindo.
–Pode ter certeza.
–Mas...
–Como consegui te capturar?
–Sim.
–Na verdade foi bem simples. Sabe que até mesmo antes de você ligar eu não tinha um plano? Mas assim que você falou que me queria no estádio, isso explodiu na minha cabeça. Você me deu as cartas, me entregou o jogo, pecou nos detalhes, ou na falta deles. Só que tudo estava tão óbvio, sabia que você voltaria para esse apartamento.-Andressa explicava sentada na mesa, aonde os monitores já haviam sido desligados.
–Por quê?
–Por quê? Isso é óbvio. Seu ego. Você queria ver sua obra, queria poder ver o estádio explodir, estava de camarote, vamos dizer assim e vamos dizer que eu estive aqui horas antes, quando você não estava, claro. E olhei todos os cantos deste apartamento e acabei encontrando algumas identidades falsas que você provavelmente usaria para fugir do país.
–Você é realmente esperta.
–Obrigada.-a morena falou saindo do quarto, aonde um grupo de policiais estavam. Viu no meio deles Ricardo que sorriu e caminhou até ela.
–Não eram tão arrogantes quanto achei que fosse.-o homem falou.
–Obrigada, Ricardo.-Andressa respondeu sorrindo .
–De nada.-sorrindo ele observou ela sair do apartamento e entrar no elevador.
Na portaria, encontrou o porteiro que havia enganado mais cedo, pediu desculpas a ele e explicou brevemente o motivo para ter dito tudo aquilo. O homem não se importou, apenas sorriu e agradeceu a morena. Clint e Fábio esperavam por ela do lado de fora.
–Você mandou muito bem.-Clint falou e Fábio concordou.
–Obrigada meninos, mas devo confessar que sem a ajuda de todos vocês não conseguiria.
...
Mais tarde, naquele mesmo dia. Ela arrumava a mala, partiria na madrugada para Nova York junto aos outros. Mas assim que sentiu que estava sendo observada, parou de arrumar a mala e sorriu.
–Pensei que não fosse aparecer.-ela se virou e pode ver os lindos olhos azuis a observando.-Deus.
–Disse que viria.-Thor sorriu e caminhou até ela, a segurando e lhe beijando a boca.-Fiquei sabendo que você salvou milhares de vida.
–Sim, não foi uma tarefa fácil, mais conseguimos.-ela ria, enquanto abria os botões da camisa que ele vestia.-Senti sua falta, deus.
–Também senti a sua, humana.
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