So Far Away

31 O amor nos cura.


Deitados na cama ele observava o céu, pela porta da janela se por. O tom alaranjado, junto de purpura preenchia o céu aos poucos, a pouca luz invadia o quarto até a cama, iluminando a pele descoberta das costas da morena. Abraçando mais ela, Thor acariciou-lhe as costas, subindo e descendo as mãos suavemente, vendo os pelos do braço dela eriçados.

A respiração calma, agora, de ambos era o único som ouvido se misturando com o tráfego e alguns pássaros que passavam cantando, como se o dia fosse um dos mais belos, como se soubessem o que eles sentiam um pelo outro.

–Preciso ir para Asgard.-anunciou e sentiu quando o corpo dela ficou tenso.-Por pouco tempo.

–Tudo bem, não é porque você se envolveu com uma humana que tem de ficar sempre na terra.-manhosa, passou a mão sobre o peito nu dele até ficar sentada da cama.

–Bem, poderia perguntar se isso é ciumes ou se é saudades...

–Saudades? Mas você ainda está aqui!-fazendo um bico, setou nas pernas dele de frente para ele.-Ciume? Acho que não, deus.

–É, está sofrendo de saudades antecipada.-segurou a cintura dela, levantando mais o corpo para beija-la.-Ciumes do meu povo. Mas tudo bem, gosto disso.

–Convencido.-enlaçando os braços sobre o pescoço dele sorriu e viu os olhos dele brilharem.-Amo seu olhos.

–E, eu amo você, Andressa.- a voz dele era baixa e rouca. Ela sorriu, ao sentir os olhos se encherem de lágrimas e aquele sentimento a transbordando dentro do peito, se sentiu comovida e o abraçou. Como uma criança abraça a mãe, ou o ursinho de pelúcia favorito, com todo amor. Espalmando as mãos sobre o peito dele novamente o fitou.

–Podemos fazer amor de novo?-viu quando um sorriso se abriu nos lábios dele. Ele nem se deu ao trabalho de responder, apenas inverteu as posição a deixando novamente com as costas grudada na cama. Sem falar nada já estavam buscando um pelo outro, com os corpos suados e trêmulos.

...

Acordou sozinha agarrada ao travesseiro, mais lembrava ainda da voz de Thor na cabeça, dizendo que voltaria logo. Se levantou nua e caminhou até o banheiro, tomou um banho frio e saiu do mesmo enrolada no roupão. Desceu as escadas lentamente ouvindo as vozes de Carolina, Jason, Marie e Clint vinda da cozinha. Entrou na mesma e viu os olhares sobre ela, sabia que não demoraria muito tempo para que alguém falasse algo, por isso se manteve calada enquanto enchia uma xícara com café.

–Nossa, como você dorme em, Andressa.

Ela riu, não conseguiu prender o riso, Jason tinha esse poder as vezes de arrancar sorrisos dela, virou para eles ainda sorrindo e sentou ao lado de Clint, na ultima cadeira vaga.

–Ainda está o seu nariz de palhaço, Jason?-perguntou bebendo um longo gole e deixando um suspiro de satisfação escapar.

–Está guardado.-aceitou a torrada que Carolina o oferecia, mas teve a pequena impressão de que a ruiva só havia feito aquilo para cala-lo.

–Você dormiu bastante.-Marie falou dando um gole no suco dela e Andressa assim como os outros riram.

–Dormi, dormi bastante mesmo, estou bem relaxada agora.-afirmou pegando uma torrada e passando requeijão, dando um leve sorriso.

–Ouvi dizer que isso tem a ver com um certo deus Asgardiano.-dessa vez quem falou foi Carolina, a ruiva sorria como uma criança que havia descobrido o segredo mais secreto do mundo.-Isso seria verdade?

–Pode se dizer que sim.-dando uma pequena mordida na torrada, Andressa deu de ombros e mastigou com suavidade e calma, embora estivesse morta de fome.

–Pode se dizer que sim? Só isso que vai nos dizer?

–O que quer que eu diga?-deu outra mordida calma na torrada dando um pequeno sorriso para ambos.

–Tudo bem.-levantando do colo de Jason, ela correu até a geladeira e pegou uma fruta para comer.

–Deve está morrendo de fome, não é mesmo, Andressa? Já que dormiu tanto.-Jason disse malicioso e viu o olhar matador de Andressa.

–Eu realmente espero que você se lembre da vez que te ameacei.-fez uma pausa olhando para o mesmo que sorria, deu mais uma mordida na torrada e mastigou lentamente.-Mas, caso não lembre, eu posso questão de refrescar sua memória, Jason.

–Eu me lembro bem, a forma delicada que me ameaçou, tinha algo a ver com matar-nos em apenas 40 segundos com a faca. Bem delicada.-ironizou rindo.

–Era isso mesmo, vejo que tem uma boa memória Jason.-bateu palmas como uma criança animada em tom de deboche para Jason.-Por isso você merece um premio.-pegou um biscoito doce e tacou para o homem que agarrou fazendo cara de confusão.-Isso mesmo menino, coma. Você é um garoto muito esperto.-de pé ao lado do homem, lhe esfregou a careca, fazendo os outros darem altas gargalhadas.

–Não achei graça disso.-Jason disse sério olhando Carolina que se segurava no armário, para não desabar no chão depois de tanto rir.-Nossa, mas que engraçado pessoal.-falou na tentativa de cessar os risos, mas não foi capaz, sem alternativa, fez a unica coisa que cabível, riu junto deles até ver Andressa sumir da cozinha com Bob atrás.

...

Já na base, a morena prendia o longo cabelo em um rabo de cavalo com firmeza, iria fazer os testes que Fury pedira, para constatar se ela ainda servia para algo. Não, ele não havia dito com essas palavras, não seria educado, nem um pouso, pensava enquanto fazia alguns alongamentos. Tinha uma pilha de exames para passar e ficava cansada só de pensar. Terminando de alongar foi até a esteira na sala, havia um médico sentado em uma cadeira simples de ferro com uma plaqueta na mão. Colocou a mascara de oxigênio que lhe era oferecida e começou a caminhar quando a esteira foi ligada.

Minutos depois ela corria, percebendo que o alongamento não havia adiantado muita coisa, sentia a batata da perna arde pela dor que se tornava insuportável ao passar de cada segundo interminável. As câmeras estavam espalhadas por toda a sala, e ela sabia que Fury, assim como os outros a observavam. Nada mais justo, pensou terminando enfim a série.

Cansada e com o suor escorrendo por todo corpo, pegou a garrafa com gentileza nas mãos do médico que lhe oferecia. Sabendo que aquilo não era nem o começo, ela se preparou. Duas horas depois já havia feito abdominais, entre outros diversos exercícios. Quando conseguiu uma pausa tratou de ir ao banheiro, lá trancou a porta e se deixou cair no chão, sentia o ombro afetado pelo tiro doer insuportavelmente, massageou o lugar mordendo os próprios lábios para não gritar. Levantou usando o pouco de força que restara a ela e caminhou até a pia, molhou o rosto o pescoço e os braços na tentativa de se livrar o máximo que podia do suor.

Por ultimo uma seção com o psiquiatra, bem rápida com perguntas que não mostrou nem um trauma do acidente. Andressa sabia que fora mais fácil porque o psiquiatra não a conhecia. Quando saiu da ultima sala, completamente exausta, caminhou em passos lentos pelos corredores, com as mãos dentro do grande casaco da Shield, parou de frente a um setor com portas de vidro, lá dentro viu Clint e Natasha treinando novos agentes. Os dois estavam envolvidos numa luta corpo a corpo e parecia que o irmão não estava levando a melhor, deixou um sorriso escapar e voltou a caminhar pelos corredores em direção aos dormitórios.

–Ai está ela.-ela sabia quem era, nem mesmo se deu ao trabalho de olhar para trás, apenas continuou andando.

–China.

–Não sinto mais falta deste apelido.-já ao lado dela ele riu.-E ai, como foi os testes?

–Ótimos, ainda estou em forma.-disse simples dando de ombros sentindo o ombro doer.

–Duvido muito.-descrente zombou dela que apenas deu uma gargalhada.-Deve está...-as palavras foram cortadas assim que sentiu o braço de Andressa preso na garganta dele, numa chave.-Está me enforcando.-desesperado, se debatia tentando soltar as mãos da agente que apenas ria com tudo aquilo.

–A vamos lá, china. É apenas uma chave de braço simples.-irônica, afrouxou o braço e observou alguns agentes os observando.-Admita que eu estou ótima.

–Tudo bem, você ainda está em forma.-depois de ponderar falou, se equilibrando para não cair respirou fundo, recuperando o folego.

–Já sabia disso.-convencida, voltou a se encaminhar novamente rindo para o dormitório.

Ao chegar, tomou um banho rápido e se vestiu com o uniforme, logo em seguida tomou dois remédios para dor, se encaminhou até o refeitório aonde encontrou Roz. Ele estava sentado sozinho em uma mesa mexendo no inseparável celular. Se serviu com qualquer coisa e sentou ao lado dele, que a olhou sorrindo.

–O que foi?-desconfiada começou a comer e se sentir um pouco aliviada ao constatar que a dor passava aos poucos.

–Nada.-voltando a encarar o celular fez um bico.

–É sua namorada?-perguntou olhando em volta, observando alguns agentes fingindo engolir a comida enquanto falavam da volta inesperada dela.

–Sim, é ela mesma.-dando um sorriso bobo digitou algo no celular e logo voltou a guarda-lo no bolso.

–Você a ama não é mesmo?-encarando os pequenos olhos do homem viu ele assentir com mais um sorriso bobo.-Ela te ama também, Roz, é um bom homem.

–Obrigado, isso significa muito.-disse sincero.

–Por quê?

–O quê?

–Por que significa muito?

–Vindo de você significa muito, você é uma das melhores pessoas que já conheci na vida, Agente Andressa.-com a cabeça baixa falou sentindo as palmas da mãos suarem, assim como o suor que lhe escorria pelas costas.-Você já superou tanta coisa, é uma das melhores agentes da base, e para mim a melhor.

–Obrigado, Roz. Mas não acho que...

–É tudo isso? é claro que é.-agora encarava os olhos de Andressa.-Não sei muita coisa sobre você, e o que sei não posso afirmar se é verdadeiro, mas pelo que me parece você teve um começo de vida tão triste e doloroso e conseguiu superar tudo, até acontecer algo que a marcou novamente, aquele fato com o... Stark.-depois do acontecido, Roz era incapaz de ver o moreno como antes, havia ressentimento nele, assim como em todos.-Mas superou isso também, vem matando seus fantasmas do passado e começando um novo recomeço, mesmo que ainda dolorido.

Ela não disse nada, não precisou, também não iria porque se tentasse choraria, e ela não queria, não queria chorar por coisas que já haviam passado. Sim, haviam causado dor, mas estava tudo lá trás, ela estava agora recomeçando, com todos eles, com Thor, buscando um pouco de... Paz, inocência que lhe fora roubada ainda na juventude.

–Quer me fazer chorar, China?-passou as mãos sobre o rosto com força apertando os olhos e logo olhando para ele que sorria.-E, me chame de Andressa, Roz. Sabe que eu odeio ser chamada de Agente.

–De forma alguma Agente... Andressa.-concertando o que iria dizer ele mexeu nos cabelos extremamente lisos os jogando para trás.-Mas quero que saiba que eu a admiro, muito mesmo. Sempre dando a volta por cima, forte e... Pode se dizer que divertida.

–Pode se dizer?-indignada espalmou uma das mão na mesa e se ajeitou na cadeira.-Vou dizer o que penso de você.-viu os olhos de se arregalarem com o susto e se conteve para não rir.-Você tem sentidos aguçados, é péssimo em lutas corpo a corpo, meio atrapalhado, as vezes com pouca confiança em si mesmo.

–Só vai falar os pontos negativos? Vamos ficar aqui o dia todo.

–Não é nada disso, okay, acho que comecei errado. Bem, o que eu quero dizer é... Mas que inferno! Qual é a dificuldade de falar o que pensa?-Roz tampou a boca ao ver o olhar matador dela em direção a ele que ria sem controle.-Tá legal, vamos lá.-tamborilou os dedos na mesa em busca de algo.-Você é realmente tudo isso que eu acabei de falar, com certeza.-viu o sorriso dos lábios do homem desaparecer na mesma hora.-Mas não é apenas isso, você é um ótimo agente, e melhor ainda companheiro. Não sei muito da sua vida, mas parece que carrega algo triste dentro de você.

–Todos nós carregamos.

–O que foi que te deixou assim?-segurando na mão do homem o encarou.

–Minha família, ninguém acreditava em mim, me diminuíam e por isso me tornei um agente da Shield.

–E hoje eles tem orgulho?

–Não sei mais deles, sai de casa quando completei dezoito anos, cai no mundo e quando percebi já estava aqui.

–Conheceu sua namorada e agora é feliz?

–Sim, muito, ela é tudo para mim.

–Isso é bom. O amor nos cura.-E ela mais que ninguém sabia disso, Thor a estava curando, mesmo que aos poucos, fechando as feridas abertas e deixando apenas as cicatrizes. Era difícil amar novamente, uma vez que já fora tão magoada, mas estava disposta a fazer-lo novamente, tinha total certeza de que com o loiro seria diferente.

–Sim, nos cura.-concordou com ela dando um pequeno sorriso.-Ei, o que você está comendo ai em?

...

Asgard (1 Dia Depois)

O céu estava negro, mais ainda assim ele não possuía sono, mesmo depois da batalha que enfrentara, talvez aquilo só tivesse servido para deixa-lo mais alerta. Caminhando pelo quarto, se livrou da roupa e se banhou, se livrando do suor e da poeira que tomava parte do corpo, ainda sorria ao lembrar como as coisas haviam sido fáceis, depois de destruir aquele gigante tudo acabara, e nem mesmo parecia ter acontecido, se não fosse pelo fato dos mortos. Mas os pensamentos dele mudaram, foram de encontro a terra, de encontro a Andressa e de como ele gostaria de está perto dela, de como queria o corpo dela.

...

Já deitado na cama imaginava como as coisas seriam, o futuro o preocupava, doía até mesmo ser pensado, ele prometera que mudaria as coisas, prometera a sim mesmo e a todos que achava que não poderia ser possível. Aquilo não iria acontecer. Distraído, ouviu ao longe a voz de Sif. Pediu que ela entrasse.

–Thor.

–Sim, Lady Sif.-respondeu levantando o olhar para ela.

–O jantar já está a mesa.

–Não estou com fome.

–Precisa se alimentar, Thor. Ainda mais pela batalha difícil que tivemos hoje.-se aproximou até ficar do lado da cama do deus que gargalhou dom puro deboche.

–Batalha difícil?

–Chame como quiser, só estou dizendo que precisa se alimentar.-irritada começou a se retirar do quarto até que parou no mesmo instante e virou para ele novamente, observando os olhos azuis dele distante enquanto olhava a janela a fora, o céu negro e o reino de Asgard.-Como ela é?

Ele não precisou perguntar para saber de quem ela falava.

–Ela é linda.-O sorriso bobo que se abriu nos lábios de Thor fez com que o coração de Sif, batesse com tamanha força que doía.-Tão forte e sensível ao mesmo tempo. Você gostaria dela.

–Gostaria?

–Sim, ela é forte assim como você, adora um desafio. E me faz feliz.

–É claro que faz, vejo nos seus olhos, você a ama.

–Amo.-foi a única coisa que falou, ouviu os passos de Sif se tornarem cada vez mais distante até não escuta-los mais, voltou a atenção ao céu, contemplando o mesmo.

...

Terra — Base Aérea da SHIELD 08:45 da Manhã

Ela caminhava em direção a sala de Fury, com pesar. Havia ido bem nos testes, mais ainda sim uma pontada de preocupação a atingia em cheio, com passos rápidos chegou finalmente até a sala do homem, já trajava seu uniforme, e ficou pensando se não tivesse passado nos testes físicos ou até mesmo não fosse mais aceita ali na base, o quão doloroso seria tirar o uniforme e nunca mais vesti-lo. Entrou depois de se identificar, caminhou em silêncio até ficar de frente para a mesa do homem, atrás dele as longas cortinas que haviam na sala havia sido aberta, as paredes de vidro estavam descobertas deixando a vista do lado de fora a amostra. Os gramados bem tratados e a longa estrada que se estendia a metros de chão. Se desprendeu dos pensamentos assim que ouviu Fury deu ordem para que ela se sentasse.

–Se não se importar, Diretor, prefiro permanecer de pé.-O baque de não ser aceita seria mais fácil, pensou, ou mais difícil, de qualquer forma poderia sair o mais rápido possível sem se sentir humilhada. Se sentia enjoada com aquela situação, o estomago instável ameaçava a qualquer momento por para fora a xícara de café que ela tomara como café da manhã.

–Como quiser.-ele em momento algum levantou os olhos do relatório que estava por sobre a mesa, avaliava tudo com muita atenção pela quarta vez naquele dia. Depois de avaliar o relatório mais uma vez ele finalmente o fechou em silêncio e finalmente olhou para a mulher à sua frente.-Seus testes foram muito bons, agente.

–Obrigada, diretor.-com os braços cruzados atrás das costas, manteve a pose e os olhos no dele.

–Muito bom mesmo.-voltando a abrir o relatório, colocou na página de exercícios físicos.-Sua série foi impressionante.

–Faço o melhor que posso, diretor.

–Sei que faz.-empurrou o relatório sobre a mesma como um teste, avaliando os olhos dela que em momento algum desgrudou do dele.-Seja bem vinda novamente.

–Obrigado, diretor.-foi inundada pela emoção, mas manteve-se em sua pose.

–Pode se retirar agora.-falou, seco, pegando outro relatório da pilha que tinha sobre sua mesa, mas não pode deixar de olhar ainda quando ela se retirava da sala, com os saltos batendo contra o piso negro da sala dele, causando ecos por toda a sala. Exatamente como um dia ela havia entrado ali, cheia de força, disposta a tudo. Com um pequeno sorriso, voltou a olhar o relatório sobre a mesa.

...

Algum lugar de New York.

Dormir havia ser tornado uma tarefa difícil, sempre que o fazia acordava ou sendo estuprada ou espancada por Kevin. Rachel estava preocupada com o príncipe dela, mais mas preocupada ainda com o bebê que carregava junto com ela. Ele já descobrira sobre a gravidez, não havia ficado nada contente, havia sido ao contrário, tinha a espancado tanto que ela não conseguia abrir os olhos todo durante alguns dias. Para ela as surras não importavam, não doíam tanto quanto as palavras, as malditas palavras dele, de como ele a odiava e de que odiava aquela criança dentro dela.

As coisas que ele falava que falaria com o bebê a assustava, deixava o coração moído. Ele dizia que estupraria o bebê sempre. Aquilo havia se tornado um pesadelo desde que ele descobrira que Andressa estava viva. As surras haviam aumentado, assim como as ameaças de morte. Ela agora vivia como um bicho em um cativeiro, amarrada num canto de um lugar qualquer do apartamento que ele alugara. Sentia uma terrível fome pelo fato de ele só dar a ela restos, a garganta seca e os lábios rachados eram causados pela falta de água.

Rachel havia se engando tremendamente quando pensara que poderia recomeçar. Agarrada com a barriga, cantava para o bebê, cantava dizendo que nada poderia machuca-lo e que ela o protegeria sempre, de tudo.

...

2 Dias Depois. (Apartamento de Andressa)

Depois de chegar cansada e finalmente tomar o tão sonhado banho, ela se enrolou no roupão e desceu a procura de algo para comer. Se serviu apenas de uma maçã e voltou até a sala, aonde sentou no divã, sentindo a brisa fresca sobre o corpo.

Antes mesmo de pensar em alguma coisa se deixou ir para o mundo dos sonhos

Ela corria pela casa, se arrastando pela escada depois de tropeçar e cair pelos degraus, o desespero que a tomou foi tanto que ela não conseguiu reagir até o ver caminhando em direção a ela, o corpo perdera todo controle, mas ela se forçou a levantar, quando se deu conta já corria escada acima e entrava no quarto trancando a porta.

Se encostou sobre a mesma com o coração aos saltos, a respiração ofegante e se deixou escorregar para o chão, não conseguia levantar, as pernas estavam bambas e as mãos tremiam pela adrenalina que fugia aos poucos do corpo. Engatinhado pelo chão andou até a poltrona que havia no quarto, empurrou com dificuldade a mesma para frente da porta e logo depois correu até a janela para tranca-la e empurrar a pequena pratilheira. Sentando no canto do quarto agarrou o urso de pelúcia enquanto chorava se perguntando se um dia aquilo acabaria.

De repente a atmosfera mudou, ela ainda estava no quarto dela, sabia disso, mas se viu apenas uma menina com treze anos, suja ainda de sangue quando sua inocência fora arrancada a força. Como uma boneca violada. Os passos que se aproximavam a assustava tanto que a única coisa que conseguia fazer era tampar os ouvidos e cantar, cantar a música que Clint cantava para ela, quando as malditas mãos a encontraram ela gritou, gritou com todo ar que tinha nos pulmões, mas nada adiantou continuou presa no maldito pesadelo.

–NÃO, NÃO.-se debatia de forma desesperada.-VOCÊ MORREU, EU TE MATEI, EU TE MANTEI.-repetia em desespero, a garganta parecia tampada pelo pânico que tomava conta do corpo dela. Em meio a escuridão ela pode ver os olhos azuis, aqueles que ela um dia amou, mas que agora odiava. Olhos azuis cheio de brilho perverso.

–Não, Andressa, você não me matou.-a voz, não era dele. Andressa sabia e foi isso que a desesperou, a voz era de Kevin e não a do pai de Clint.

–ME SOLTA, NÃO TOQUE EM MIM.-gritou mais uma vez.

–Andressa, Andressa, acorde, está tudo bem, acorde Andressa.-Thor pedia enquanto a via gritar e de debater no pesadelo violento.-Andressa, estou aqui, acorde agora.-a agarrou num abraço prendendo os braços dela contra o peito dele.-Sou eu, Thor, acorde.

–EU O MATEI, O MATEI, VOCÊ NÃO ESTÁ VIVO.-ofegante acordou com um impulso, tentando se afastar de Thor ainda gritava.-ME SOLTE, NÃO TOQUE EM MIM.

–Tá tudo bem, shiii, sou eu, Thor.-falou ainda agarrado a ela, sentindo as lágrimas escorrer do rosto dela sobre o peito dele.

–Thor.-confusa, olhou em volta, estava de volta ao apartamento, levantou a cabeça olhando o deus que tinha uma expressão triste no rosto.-Thor.-aliviada o abraçou com força, enterrando o rosto sobre o peito dele, sentindo o coração dele acelerado e o barulho da própria respiração descompassada.-Era o Kevin, o Kevin estava no meu sonho, eu o matei, o matei.

–Ele não pode mais lhe machucar.-beijou o topo da cabeça dela e apenas a sentiu assentir com o rosto ainda enfiado no peito dele.

...

No prédio em frente ao dela, a figura de cabelos negros e olhos azuis sorria observando tudo pela janela, usando o binóculos conseguia ver tudo o que acontecia no apartamento de Andressa. Ela ainda achava que havia o matado, patético, dando uma gargalhada doentia ele observou por mais alguns segundos, até o deus Asgardiano a tirar da sala e a levar para o quarto. Do apartamento dele não era possível ver o quarto dela, mas também não era preciso, ver a sala já estava de bom tamanho. O microfone que ele havia instalado sem que ninguém soubesse estava funcionando muito bem e ele escutara quando ela havia dito o nome dele, o nome dele, ela o chamava, queria que ele a amasse, queria que ela a tomasse. Ele já podia sentir o membro ganhar vida, olhou para Rachel que dormia no chão enrolada no edredom e caminhou até a mulher. Até que ele conseguisse Andressa, Rachel deveria bastar, tirou a calça da mesma e abaixou as próprias, entrou dentro dela com desespero e a ouviu gritar acordando desesperada. Tampou a boca da mulher e continuou a estuprando com força, como um animal sem controle.

–Logo estaremos juntos minha querida, Andressa. Você eu e a nossa querida, Annabely.