So Far Away
32 O Passado Retorna.
Notas iniciais
Acordou ainda confusa, lembrava ainda do pesadelo da noite passada, de Thor a acordando e do sofrimento estampado no rosto dele.
Ela sentia um desconforto a deixar inquieta, algo ruim que crescia a cada minuto dentro do peito dela, se remexeu inquieta na cama e sentiu os braços de Thor a segurar, virou sem fazer muito esforço ficando de frente a ele e o viu dormir. Não pode deixar de sorrir, acariciou o rosto do mesmo e logo depois deu um pequeno beijo nele que abriu os olhos no mesmo instante.
Ela suspirou ao ver aqueles olhos dele, azuis brilhantes como um diamante lapidado que a davam segurança.
–Bom dia.-Thor disse com a voz rouca a fazendo rir.
–Tão humano.-dando mais um sorriso o beijou mais uma vez, dessa vez lento aproveitando os lábios dele.
–Por dizer bom dia?-perguntou se sentando assim que a viu fazer o mesmo.-Na verdade eu ia perguntar se você estava bem, mas teve uma vez que você disse que estava sufocada então decidi não fazer.
Ela riu, ainda lembrava com toda a clareza quando ele havia feito a pergunta, fora na primeira noite em que fizeram amor, como ele estava preocupado com ela depois da festa da Shield ser invadida pelos agente de Francesca.
–Ei, eu estava sobre estresse, tinha acabado de quase ver meu companheiro morrer.-se referiu a Rozz.-Tá bem, desculpa.
–Não precisa de desculpar.
–Okay, tudo bem. Gosto quando se preocupa comigo.
–Aé, gosta?-a agarrou por trás fazendo cócegas nela.
–GOSTO, GOSTO.-afirmou aos risos enquanto se retorcia na cama até ele parar.
–Então como você está?-agora a expressão do rosto dele estava séria enquanto encarava os olhos dela.
–É a respeito do sonho não é mesmo?-ele assentiu enquanto ela apoiava os cotovelos sobre a cama.-Eu não sei, fazia muito tempo que eu não tinha esses pesadelos sabe, principalmente com Kevin, é confuso, ele dizia que eu não havia conseguido matar ele e...-bufou se sentindo frustrada.-E estranhamente eu sinto como se isso fosse verdade, como se... Ele ainda estivesse vivo.-voltou a se sentar na cama olhando a janela a fora, viu ao longe um avião passar voando e desaparecer nas nuvens.-Eu não quero ficar pensando nisso. Aquele sonho foi tão nojento, começou quando eu ainda estava na minha casa, quando eu ainda era pequena, vi o pai de Clint e corri para o meu quarto, mas logo depois tudo se transformou e logo o Kevin estava lá, na minha frente.
–Por que não conversa com Catherine a respeito disso, tenho certeza que ela irá ficar feliz em poder se concentrar em algo.
–Não, a cabeça dela deve está cheia demais com o bebê,os malditos exames que a estão obrigando fazer e com os próprios pacientes que ainda atende.-passou as mãos nos cabelos despenteados e levantou da cama, reparou na imagem refletida no espelho que havia no quarto, viu olheiras e o rosto cansado, mas reparou também que ainda estava vestida.
–Olha, acho que isso a distrairia um pouco dos problemas. Ela gosta de você e gosta de te ajudar.-Thor disse se sentado na cama enquanto se acomodava mais na mesma.
–Pode ser que sim.-ainda confusa por está vestida, olhou para Thor, a forma largada que ele estava deitado na cama, a forma convidativa dele.-Tentarei falar com ela, acho que vou na casa dela e de Bruce ainda essa semana, quero ver também Annabely.-ela o viu assentir com aquele charme que ela adorava. Charme Asgardiano, decidiu sorrindo.
–Do que está rindo?-sério perguntou enquanto a via se aproximar em passos lentos da cama.
–Seu charme Asgardiano.-respondeu simples dando de ombros e caminhando em direção ao chuveiro.
–Charme Asgardiano?-com a testa franzida e as sobrancelhas erguidas, se levantou a segurando pela cintura, colando o peito musculoso sobre as costas dela, que riu.
–Isso mesmo, charme Asgardiano.-decidida continuou a caminhar para o banheiro com ele a segurando pela cintura.
–Tudo bem, o que acha de um pouco de charme Asgardiano?
–Acho ótimo.-fechando a porta do banheiro com os pés, ele deu um sorriso enquanto ouvia o baque surdo, já enroscados um no outro.
...
Já na base ela treinava agentes, observava o desenvolvimento de cada um anotando tudo na ficha dos agentes, Fury observava toda a cena longe de todos, sem ser notado.
Pelos corredores, Loki andava distraído. Clint e Natasha se preparavam para saírem em mais uma missão e Hill e Steve também. Carolina e Jason haviam acabado de chegar. Tony e Bruce se mantinham no laboratório, e Thor mais uma vez havia voltado para Asgard.
–Agente Andressa.-uma agente da base chegou até a ela que escrevia no relatório de um agente de forma atenta.
–Sim, James.-respondeu olhando rapidamente o homem mas logo voltando a atenção para o relatório, escrevendo as observações que deveria ser melhorada.
–O diretor Fury a espera na sala dele.
–Obrigada, James.-ainda distraída continuou a anotar as observações, minutos depois já caminhava para sobre os corredores.
Caminhando distraída, nem mesmo notou quando ele se aproximou. Loki a observava com atenção, imaginando como Thor poderia está louco por uma humana, a ponto de achar que ela era o amor da vida dele. Tão patético. Como ele poderia se tornar um dia o rei de Asgard? Deuses não são fracos e Thor não passava disso, de um fraco apaixonado por uma humana com sangue nas mãos.
–Deveria chama-la de cunhada?-ela parou, ele observou, os longos cabelos presos em um rabo de cavalo e o lindo corpo, como se moldava com perfeição no uniforme da shield. Virando e ficando de frente para ele, Andressa revirou os olhos cruzando os braços.-É assim que os humanos...
–É, é assim mesmo, mas você não é um humano.-dando um passo a frente ela observou a face pálida de Loki, os olhos verdes sem brilho. Infelizes.
–Graças a Odin que não sou um...
–Humano fraco? Que cede aos desejos da carne?-deu mais um passo na direção do homem, que enfiou as mãos dentro do casaco negro que usava. Não era preciso dizer que ele estava achando aquilo tudo muito engraçado. Andressa sabia, como via nos olhos dele.
–Exatamente.-dessa vez ele que deu um passo na direção dela.
–Sabe que...-dando um sorriso fez negativo com a cabeça.-Que vejo em seus olhos que gostaria de ser um humano fraco?
–Aé?
–É, olhe só para você, toda essa superioridade, arrogância, ganancia, frieza.
–Isso é de minha natureza.
–É claro que é, mas não digo apenas pela sua pele, digo como finge ser. Isso só deixa a prova da sua infelicidade, dos sentimentos não correspondidos, do desprezo que acha que recebeu quando criança. Mimado.-ela estava o atacando aos poucos, e não se importava, até mesmo gostava. Por Clint, por Loki ter usado o irmão para o plano idiota de controlar os humanos.
–O que é isso?-intrigado com a palavra, pareceu pensar mentalmente.-Está querendo dizer que...
–Você não passa de um... deus mimado, que não teve o que queria, e por isso resolveu comandar os humanos fracos.-rindo encarou os olhos de Loki, até o sorriso sumir dos lábios.-Você tem medo.
–Não sou o único aqui.-segurando as mãos atrás das costas começou a andar em volta dela.-Tem medo de não dar certo com Thor.-atrás dela sussurrou no ouvido dela a fazendo estremecer pelo frio que saia dele.-Mas cá entre nós, isso é uma verdade. É realmente patético pensarem que vocês podem um dia ficar juntos.-voltando a rodeá-la, ele sabia que ela pensava, viu quando os olhos dela se fecharam com força.-ele é um deus, e você...-falou com desdem, a voz tinha um tom de pura ironia tão irritante que até mesmo o incomodava.-Você não passa de uma humana com sangue nas mãos. Matou pessoas.
–Você também.
–Por uma causa nobre, só estava tentando mostrar para eles que a liberdade é uma grande mentira. E quanto aos medos.-parou diante dela novamente a encarando.-Você é tão... Patética, impotente e... fraca. Seus pontos fracos são tão... fáceis de se notar. Tem mais medo do que coragem.-quando ela deu as costas para ele, Loki a segurou pelo braço a puxando de frente a ele.-Você tem medo de mim, Andressa?
–Medo? De você?-um sorriso de deboche surgiu nos lábios dela, os olhos brilharam com pura diversão pela pergunta que lhe fora feita.-Já passei por coisas piores, Loki, você não é nada comparado a elas, não é nada comparado aos abusos, as surras, as discriminações e perdas que tive. Como pode achar que é maior que isso?
–Abusos?-confuso, não soltou o braço dela quando ela tentou se livrar das mãos dele.-Que tipo...
–Isso não é da sua conta.-soltou o braços das mãos dele com violência.-Cunhado.-dando de costas, começou a caminhar até a sala de Fury o mais rápido que conseguiu, deixando Loki perdido nos próprios pensamentos.
...
Já no jato, ela pensava na pequena "conversa" que tivera com Loki. Encostou a cabeça e fechou os olhos tentando relaxar, iria sair em missão junto com Roz, atrás de um contrabandista de armas na Rússia, Fury havia dito que mandaria Natasha se ela já não tivesse saído em uma missão com Clint, pois Natasha conhecia o pais melhor que todos, mas como ela não estava mais na base optou por Andressa e Rozz. Depois de minutos tentando se livrar das coisas que Loki havia lhe plantado na mente, abriu os olhos encarando Rozz que comia quieto alguns salgadinhos enquanto lia com atenção, aparentemente, um relatório.
–O cara é bom.-pegou mais dos biscoitos e os comeu nem se importando dos farelos caindo no uniforme.
–Talvez.-pegando o outro relatório ela se pois a ler. No mesmo dizia que o homem era um grande contrabandeador de armas e que era bastante perigoso, tendo assim muitos contatos com terroristas.
–Vai ser difícil pegar ele.
–Um pouco, com certeza, talvez pelo fato de pegarmos o caso apenas agora, já que Natasha estava estudando ele faz um mês, mas vai dar tudo certo, se Fury nos mandou é porque confia em nós para isso.-folheou mais uma pagina e ergueu a foto do homem, era bonito, não podia negar, os olhos castanhos claros, a pele clara, a barba por fazer. Ela o avaliou e percebeu que ele não tinha mais de 35 anos.
–Se ele nos mandou?-Rozz olhou para ela que apenas assentiu com a cabeça, sem tirar atenção do relatório.-Você quis dizer você, não nós.
–Eu disse nós e não eu.-irredutível o olhou.-Como já disse, você é um ótimo agente.
–E você...
–Vai mesmo continuar com isso? Se não parar de se diminuir eu lhe taco desse jato.
–Não pode abrir a porta.-riu de lado enquanto voltava a ler o relatório que tinha em mãos.
–Quer apostar quanto?-assim que o ouviu engolir em seco, ela riu vitoriosa voltando a atenção para o relatório.
...
RÚSSIA- Sochi 10:30 da Manhã.
A cidade estava em clima de festa devido aos jogos de inverno que acontecia, pessoas corriam de um lado para o outro, crianças de divertiam aos montes nas calçadas úmidas pela chuva fina que despencava pelo céu. Andressa e Rozz estavam dentro de um Taxi indo para um hotel qualquer, e ao observar a janela do lado respingada pelas gotas de água deu um sorriso bobo involuntário ao lembrar de Thor, de como ele quase não a deixou sair do banheiro e muito menos da cama para ir a base. Ela sabia que provavelmente ele estaria em Asgard agora, lutando pelo o povo que ele tanto amava. Os pensamentos mudaram para Loki, os olhos verdes frios do homem, das palavras dele "Ele é um deus, e você... Você não passa de uma humana com sangue nas mãos. Matou pessoas."
E ele tinha razão, ela era apenas uma humana, com sangue nas mãos, que matara o pai do irmão para romper a própria dor, não passava de uma egoísta repugnante, e... Patética, como Loki havia dito.
Mas... O que ela estava pensando? Se perguntou confusa fechando os olhos com força. Não tivera escolha quanto ao pai de Clint, se ela não o tivesse feito quem estaria morta agora seria ela. Mas não era apenas o sangue de pai do irmão que tinha nas mãos, era sangue também de pessoas desconhecidas, talvez até inocentes, de pessoas que tinham famílias.
Agora realmente não era hora de pensar naquilo, não, não era mesmo. Ela decidiu pondo os óculos e descendo do carro assim que o taxista parou, em frente ao hotel luxuoso.
–Pensei que fossemos ficar nu hotel qualquer.-confusa, olhou com atenção o enorme hotel.
–Também, mas meia hora atrás quando você dormia no carro, recebi uma mensagem de Fury para nos hospedarmos aqui.-procurando a mensagem que havia recebido, pegou a mala e colocou no ombro.
–Eu não estava dormindo, estava apenas de olhos fechados, pensando.-pensamentos desagradáveis, afinal.
–Tudo bem, também pretendo dormir um pouco antes de entrarmos em ação.
–Entrarmos em ação?
–Antes de começarmos a agir.-explicou caminhando junto dela que já entrava no saguão do lindo hotel.
Tão luxuoso, deixando um suspiro escapar, ela sorriu e deu graças a Deus por ter trocado a roupa colante da Shield pelo vestido preto social e o belo sobretudo bege com botões enormes. Se sentia uma dama cheia de frescuras da sociedade. O saguão era grande, com algumas poltronas espalhadas para dar mais comodidade para os hóspedes, ou até mesmo alguma pessoa que esperasse outra que estivesse hospedada ali, sem precisar subir. Os tons bege e marfim, assim como tabaco, transmitiam paz e um ar elegante.
Com os saltos batendo sobre o piso fino, ela caminhou com aparente calma até o balcão, minutos depois já pegava a chave e caminhava junto de Rozz para o elevador.
–Meus pés estão me matando com esses saltos, são menores do que o real tamanho do meu pé.-tirando os saltos sem cerimonias, ela os entregou para o homem. Ele a observou tirar o sobretudo e soltar os cabelos do coque elegante.-Bem melhor.-pegando os saltos novamente esperaram até que finalmente chegaram ao andar 17°.
–É um ótimo quarto.-já dentro do comodo, Andressa observou o mesmo, a sala receptiva, as poltronas espalhadas pela mesma e logo atrás da porta fechada, que Rozz fez questão de abrir havia o quarto, com uma cama imensa repleta de travesseiros.-Ainda não entendi o porque de Fury nos mandar para esse hotel.
–O contrabandista de armas está hospedado aqui. Mas precisamente a doze andares de nós, na suite presidencial.-tacando a mala num dos sofás ele correu para a cama e se tacou na mesma.
–O que você está fazendo?
–Vou dormir um pouco.-já agarrado com os travesseiros da cama, o homem apenas fechou os olhos, minutos depois Andressa o acordava aos gritos.-Você dormiu no carro, porque não posso dormir um pouco.
–Tudo bem, Roz, volte a dormir.-revirando os olhos, voltou para a sala receptiva fechando a porta do quarto, procurou por uma roupa na mala e se trocou. Pegou o notebook e foi pesquisar sobre a cidade e também mais sobre o homem, acabou descobrindo que ele era louco por jogos de inverno.
–Por isso que está aqui, não é, espertinho?-observando atentamente a tela, ela riu, estava na hora de dar uma voltinha na cidade.
...
Caminhando pela cidade, observava o lugar, as pequenas lojas, as poucas pessoas caminhando na rua, talvez fosse o frio.-pensou se agarrando mais ao casaco negro que havia pegado de Rozz, havia deixado o agente dormindo, ele parecia cansado realmente.
Estudar a cidade era essencial, saber pelo menos alguns pontos de acessos que levava a outros. O lugar não era em nada parecido com a Turquia, a começar pelo clima, e a Rússia não tinha tantos becos, bastante ruas, mas nada de tantos becos como havia na Turquia. Ouviu o celular tocar interrompendo a musica que ouvia, atendeu o mesmo pelo fone e sorriu assim que ouviu a voz de Rozz, dizendo que ela havia levado o casaco dele.
–Você queria que eu saísse com o meu sobretudo bege sem graça que não esquenta? Vejo que já acordou de sua soneca, e quanto ao frio que está sentindo, se enrole em um edredom.-sugeriu enquanto continuava a andar calmamente.
–Já que eu não tenho alternativa, terei de usar o edredom mesmo.-ela riu ao ouvir as movimentação dele pelo quarto.-Quando irá voltar, temos que por o plano em prática, não é mesmo?
–Não demorarei muito, só mais uns vinte minutos, não me afastei muito do hotel.-explicou sorrindo, observando o outro lado da rua.
Nem mesmo percebeu, que olhos azuis tão conhecidos a encaravam como águias famintas.
Caminhando distraída, viu um menino sentado na calçada com seu skate de lado. Caminhou na direção do mesmo parando diante dele.
–Ei, garoto.-o menino a olhou distraído, mas assim que viu a morena sorriu. Adolescentes e seus hormônios. Ela pensou sorrindo.-Por quanto você me venderia esse skate?-observou o objeto, já muito gasto, assim como as rodas e a calça do menino que ia pelo mesmo caminho, com alguns rasgos.
–150 rubros.-sem exitar se levantou segurando o skate como se fosse o seu bem maior.
–Sério? 150? daria para você comprar três skate com esse dinheiro todo.-encarando o menino, observou os cabelos ruivos e as sardas na cara, os olhos cinzas brilhando olhando para ela encantado.-Te ofereço 90 rubros.
–Isso não compra nem a roda do meu Skate.-dando de ombros apoiou o skate no chão.
–Compra e você sabe, não banque o espertinho comigo garoto, eu sou uma boa negociadora.-com um olhar petulante viu o menino a olhar de cima a baixo.
–E gostosa.-observou o corpo dela pelo casaco aberto.-Muito.
–Quantos anos tem, em pirralho?-fechando o casaco perguntou indignada, a adolescência era uma coisa muito confusa. Alguns adolescentes era assim, sem vergonha, rebeldes outros se isolavam de tudo, nem mesmo falavam.-Minha ultima oferta e 100 rubros, pega ou larga?-viu ele ponderar durante alguns segundos, apenas a tempo de ver o dinheiro na mão dela.
–Tá bom, eu pego.-entregando o skate para ela, pegou logo em seguida o dinheiro que ela lhe oferecia.
"-é serio que comprou um skate velho por 100 rubros?-" ouviu a voz de Rozz e acabou se dando conta de que não havia finalizado a ligação.-"você por acaso sabe andar de skate?"
–Difícil não deve ser.-colocando o objeto no chão, posicionou o primeiro pé e com o outro empurrou, fazendo com que o skate andasse e ela se desequilibra-se por um momento. Mas logo repetiu o processo, com mais firmeza e agilidade, segundos depois já andava pela calçada desviando das pessoas e sorrindo ao ouvir xingamentos em Russo lançados a ela.
Observava a rua com rapidez, os olhos encararam por poucos segundos a figura do outro lado da rua, com um sobressalto, ela parou o skate quase caindo e voltou a olhar para o lugar, mas agora estava vazio, a pessoa havia sumido.
Respirando fundo fechou os olhos se apoiando em um táxi estacionado, quando voltou a abrir o mesmo e olhar para o outro lado da rua não havia nada. Varreu a mesma toda com o olhar, até que chegou no fim e viu novamente a figura, aqueles olhos azuis e os cabelos negros eram irreconhecíveis.
–Kevin.-o nome soou nos lábios dela com pavor. Ele sorriu, o mesmo sorriso doentio que ela já havia presenciado vezes demais. Quando ele se pois a correr ela fez o mesmo, pegou o skate e atravessou a rua correndo passando em frente aos carros, que freavam aos solavancos para não atropelar ela..
Correndo aonde havia visto o homem, dobrou a esquina e colocou o skate no chão, pegou impulso enquanto berrava em russo para as pessoas saírem da frente, viu no final da outra esquina ele. Sorrindo, para ela e logo sumir. Ela não parou apesar do panico, continuo em frente, quando ia virar a esquina bateu de frente em algo.
–Porra.-jogada no chão, xingou tentando se levantar, mas caindo novamente.
–Eu não te conheço?-a pergunta foi feita com insegurança, quando ela levantou o rosto para ver quem era, teve uma pequena lembrança da pessoa.
–Christian.-o homem que decidira não matar estava ali, filho de um dos conselheiros, milionário. Não havia mudado nem um pouco.
–Andressa, não é mesmo?-estendendo a mão para ela a ajudou a levantar.-Bastante tempo que não lhe vejo.
–Preferia que esse tempo se prolongasse.-olhando sobre os ombros do homem tentou avistar Kevin, mas não encontrou nada e nem ninguém que levantasse alguma suspeita. Secando as mãos molhadas pelo chão úmido, no jeans preto que usava, olhou para o homem loiro a sua frente.
–Uma de suas missões?
–Não é da sua conta.
–Tudo bem. Só queria...
–Você naquela vez disse que era um ferrado, que se ergueu sozinho, cresceu nos becos...
–Grande parte da minha infância, até eu ser encaminhado para um lar de adoção e ser adotado.
–É claro.-distraída ainda olhando por cima do ombro dele, falou. O barulho de algo que se quebrara chamou a atenção de todos na rua, o Skate velho que acabara de comprar havia sido esmagado por um carro.-Mas que inferno! Acabei de comprar aquela velharia por 100 rubros.-observou o skate quebrado no chão, nostálgica.
–Gosta....
–Tenho que ir. Foi péssimo encontrar com você, Christian.-dando um meio sorriso virou as costas e voltou a caminhar pela calçada. Ao ouvir a voz do homem atrás dela revirou os olhos, ele perguntava o porque de toda aquela raiva.-Você fez de tudo para me ferrar naquele dia, lembra? Os cartões que podiam ser rastreados e melhor ainda, a porra do celular que você deixou ligado.
–Pensei que você fosse me matar, que estava apenas... sei lá, esperando por mais dinheiro.-explicou caminhando junto dela.
–A cale a boca, Christian.-irritada apertou o casaco de Rozz contra o corpo, sentia muito frio, já que havia caído na calçada molhada.
–Ainda continua a ter pesadelos?-havia preocupação na voz dele. Desde anos atrás ele era grato a Andressa por não ter matado ele, e se preocupava com ela, ainda lembrava do pesadelo que ela tivera na unica vez em que estiveram juntos, até aquele momento.
–Com toda certeza, sonho com a sua cara feia todo o tempo.-sarcástica, caminhou mais rápido, só mais uma esquina e ela chegaria ao hotel aonde trocaria aqueles malditos jeans molhado e se sentaria em frente a lareira.
Christian apenas riu. Não havia nada de feio nele, os cabelos loiros eram o mesmo, a mesma cor, o mesmo comprimento, os olhos cinzas estavam mais escuros, intensos e a pele mais clara pelo clima.
–É claro, nada mais justo.-sorrindo ao lado dela os dois caminharam até o hotel, lá a morena descobriu que eles estavam hospedados no mesmo local, ele no andar abaixo do dela. Ela soltou dois andares antes, sabia que se fizesse assim Christian não descobriria o quarto e não ficaria em risco. Quando enfim chegou no quarto encontrou Rozz em frente ao computador, enrolado no edredom, bebendo uma xícara de café bem quente enquanto observava os códigos na tela com atenção.
–China.-tirando o casaco, tacou sobre o homem enquanto caminhava até o quarto do hotel e se livrava do jeans molhado.-Obrigado pelo casaco.
–Não há de que. E ai, se divertiu bastante andando de skate, bancando a menininha rebelde?
–A, você nem imagina o quanto.-dando uma risadinha, ela sentou em outra cadeira livre e pegou o próprio notebook.
–Acabei de receber o convite de que hoje teremos uma festa para ir.-Rozz falou contente, animado até demais para Andressa. Ela bem lembrava ainda da ultima festa em que foram sozinhos, ele quase transara com a suspeita. E lembrava ainda mais de uma Francesca, irritadíssima invadindo uma festa da Shield e quase matando o homem.-A festa é em comemoração aos 40 anos do hotel. Vinhemos num dia de sorte.
–Disso eu não tenho a menor dúvida.
–E sabe mais?-ela não se deu o trabalho de perguntar, apenas ergueu uma sobrancelha demonstrando interesse.-Nosso sujeito vai está presente nela.-com um sorriso vitorioso voltou a olhar para o computador a deixando pensar.
–Essa vai ser uma ótima festa.
Horas depois que já haviam programado todo o plano, Andressa se arrumava com um vestido longo com uma abertura mais que sex na coxa, calçou os saltos e retocou uma ultima vez a maquiagem.
–Nossa, você está muito bonita.-Rozz disse enquanto enfiava as mãos no bolso da calça de smoking que vestia.
–Você também não está mal.-ainda rindo, ela se sentou com cuidado para não amassar o vestido enquanto colocava os brincos de diamante falsos, assim como a pequena e delicada pulseira. -E devo dizer que acho que a mulher que roubei o vestido não vai comparecer na festa.-sorrindo triunfante caminhou até a porta.-Vamos lá china, vamos pegar esse cara para voltarmos logo para casa.
....
Já no salão de festas eles bebiam socialmente, Andressa tinha um Martine com gelo nas mãos e Rozz com champanhe.
–Estamos com as bebidas erradas.-ele informou.-Um cara como eu não bebe champanhe.
–E nem uma mulher como eu, se quer beber outra coisa, pegue, não espera que eu troque meu matine com você, não é mesmo?-olhando pelo salão despreocupada, viu quando Rozz enfim trocou o Champanhe e pediu um Matine no bar.
–Pensei apenas que...
–Porque sou mulher tenho que beber champanhe.
–É porque todas as outras...
–Estão bebendo?-observou as outras mulheres, todas elas com taças com o liquido borbulhante dentro, fazendo pose com seus parceiros, conversando com desconhecidos e conhecidos sobre ações do mercado.-Não sou igual a elas.-mais um gole na bebida e sorriu simpática para o agente. Ele também sorriu e sabia que ela falava verdade, não era nada parecida com aquelas mulheres frescas. Rozz gostava do jeito dela, mesmo as vezes sendo durona demais, mas gostava era engraçada e tornava sempre as coisas mais fáceis para ele, se não fosse por ela, ele não estaria vivo.
–Sei que é diferente, só apenas pensei que fosse entrar no clima da festa.
–A querido Rozz, estou no clima da festa, acredite. E de que modo posso chamar mais atenção do que bebe algo diferente de todas as outras? Isso já faz parte do plano, ele irá notar que sou diferente, só que achará que é um diferente bom.-Sorriu para ele. E segundos depois caminhava pelo bar.
...
Encostada em uma linda pilastra de gesso e pitada de dourado, ela ria sedutoramente para os homens, já perdera a conta de quantos homens havia dispensado.
–Olha só que bela surpresa. Você está muito bela, Andressa.- a voz soou atrás dela, ela já sabia quem era e nem mesmo se deu o trabalho de virar.-Belo vestido.
–Cale a boca, Christian.-irritada, disse fazendo o sorriso sedutor sumir, dando lugar a um bico de ódio.-Se essa festa não fosse para quem está no hotel, eu diria que está me perseguindo, e diria também que se não parar, eu vou quebrar as suas pernas.-agora sorria com a ideia, a cena passando na mente.
–Você é realmente encantadora... assustadora também.-replicou ele sorrindo se pondo ao lado dela.
–Faz parte do charme, sabe? É uma pacote.-explicou fazendo um pequeno brinde com ele, trocou o copo vazio dela pelo dele que estava cheio.-Obrigado pela bebida, é um cavalheiro sem sombras de dúvida.
"-Quem era o cara?"-Roz perguntou do outro lado da festa pelo comunicador que usavam.
–Ninguém especial.-terminando mais uma dose da bebia ela colocou o copo numa bandeja assim que um garçom passou. Continuou a caminhar pela festa, observando as pessoas, até agora o "alvo" não havia chegado.-Tem certeza de que o cara vai vim?
"-Certeza não tenho, mas vamos raciocinar logicamente. Uma grande festa dada pelo hotel, muito luxuoso, mulheres lindas, muitos empresários para fechar negócios, não vejo razões para ele não comparecer ao evento."-andando em direção a ela passou direto como se não se conhecessem, embora haviam chegado juntos e estavam no mesmo quarto.
–É, faz realmente sentido, China. Ponto para você.-sorrindo discretamente parou perto de uma sacada, observando o lugar, como estava cheio. Sentiu uma mão lhe segurar pela cintura, virou lentamente e viu mais uma vez Christian.-Se não me soltar vou lhe socar a cara aqui mesmo.-ameaçou trincando os dentes, estava de saco cheio do homem.
–Não duvido nem um pouco de que vá.-explicou ficando de frente a ela.-Mas devo dizer que vai querer dançar essa musica comigo.-quando a viu abrir a boca voltou a falar.-Tenho que lhe contar o porque de está neste hotel.-desconfiada andou junto dele até a pista aonde havia muitos casais dançando de forma sensual, juntos um ao outro.
–Nem pense em grudar desta forma em mim. Lembre-se, o soco ainda está de pé.-advertiu levantando a mão do homem até está quase no ombro.
–Não é assim que se dança.-tentou abaixar a mão até a cintura dela, mas riu assim que ela a levantou novamente.-Que mulher mais difícil!-fez um bico de desagrado e logo sorriu.
–É assim que eu danço!-firme segurou na mão dele e deixou que ele a levasse, mantendo uma distancia que ela acho segura entre os dois, jurava que se o homem tentasse mais alguma coisa o socaria ali mesmo.-Tenho compromisso com uma pessoa, mas devo dizer que mesmo se não tivesse você não teria nenhuma chance comigo, não me leve a mal Christian, você não faz o meu tipo.-sentiu ele encolher os ombros com tensão e se perguntou se ele nunca havia levado um fora.
–É realmente isso que me chama a atenção em você...
–Okay, será que dá para você falar o que está fazendo aqui?-impaciente olhou no fundo dos olhos cinzas dele que apenas riu com aquilo tudo, se divertindo até. Tinha que admitir, Andressa era uma mulher adorável.
–Tudo bem.-falou finalmente.-A Shield me mandou aqui.
–Para o que?
–Ajuda-la.-disse simples a rodando e logo a puxando para perto novamente assim que a musica chegou ao refrão, num ritmo envolvente.
–Ajudar? Sério? Corta essa, Christian! Não faz sentido.-com atitude se afastou dele deixando um espaço entre os dois, mas mesmo assim continuou a dançar.
–Acho que faz sim, já que eu conheço o seu suspeito.
–É, talvez faça um pouquinho.-sorrindo discreta rodopiou em volta dele.
–Devo dizer que seu alvo está entrando agora.-a puxando para perto novamente, falou rente ao ouvido dela que procurava o mesmo inquieta.-Disfarce, ele é um homem muito observador.
Baixando os olhos ela deixou um sorriso sem humor escapar, Christian a estava ensinando a fazer o serviço dela. Talvez não estivesse tão em forma como dissera a Rozz, já que não era capaz de disfarçar.
–Lhe apresentarei a ele, e meu serviço acabará. E logo depois você vai entrar em ação, não fará muitos esforços, você é linda.-deixou a mãos sobre a nuca dela observando os olhos verdes, tão profundos.
–Obrigado, Christian, mas isso não muda e nem mudara as coisas entre nós.
–Uma pena-sincero soltou a nuca dela e posicionou uma mão estrategicamente na cintura dela enquanto a outra enfiou dentro do bolso da calça impecavelmente passada e cara.-Vamos lá, querida.
–Não me chame assim!-com vontade de tirar as mãos dele do corpo, respirou fundo, forçando o mais belo dos sorrisos, fingindo gargalhar de algo que Christian dissera.
"-O que é isso?"-Rozz do canto do salão observava toda a cena.
–Pode ficar tranquilo, china, isso faz parte do plano, depois disso tudo voltará a ocorrer como planejamos.-falava ainda fingindo conversar com Christian.-Você é mesmo adorável.-parando em frente ao alvo, fingiu não se dar conta enquanto batia sobre o peito de Christian, com força, mas não demonstrando.
–Você também é muito adorável.-forçando a voz pelo tapa que levara no peito ele riu, da forma mais natural que podia, ou que conseguiu no momento. Ele a viu sorrir, mas dessa vez viu que era um sorriso sincero pelo fato de espanca-lo disfarçadamente.-Jake.-animado, Christian olhou para o homem sorrindo logo dando um pequeno abraço nele, dando leves tapas nas costas do homem.-Pensei que não iria comparecer a festa.
–Pensei por um bom tempo no meu quarto, até que achei que não haveria problemas em descer um pouco do meu quarto, para essa lindíssima festa.-observou Andressa e deu um sorriso sedutor.
–E por que haveria problemas?-usando um tom de voz sensual até mesmo desconhecido por ela, Andressa estendeu a mão para o homem que não exitou em nenhum segundo em aperta-la.-Andressa.
–Jake Gordks.-mantendo a mão na dela fixou os olhos castanhos no dela.-Prazer em conhece-la.
–Digo o mesmo, senhor...
–A não, por favor, nada se senhor, não tenho nem mesmo quarenta anos.-sorrindo ainda, ancarou ela que assentiu.
–Tudo bem, desculpe-me, Jake.-voltou a apoiar a mão no ombro de Christian que sorria amigavelmente para o homem que não desviava e nem mesmo tentava, desviar os olhos de Andressa.
–Bem, vejo que adoraram um ao outro.-com a voz em um tom agradável, o loiro falou olhando os dois, como trocavam olhares e como Andressa atuava bem. Ela era encantadora.-Se me dão licença.-deixando os dois sozinhos, se encaminhou em direção da saída do salão, mas não iria embora agora.
...
–Você é uma mulher adorável, Andressa. Como conheceu Christian?-a segurando pela cintura começou a caminhar a levando junto, pegando uma taça com champanhe para ela.
–A não, obrigado, mas eu prefiro algo mais forte, como... isso.-pegou o Whisky sobre a bandeja que o garçom servia.
–Olha só, cheia de surpresas. Nos fomos apresentados a minutos mas você é realmente encantadora.-ainda segurando a taça deu um gole sem alternativa. Ela era cheia de segredos, ele podia ver. E se achava que o enganava, estava completamente errada. Mas a noite ainda tinha algumas surpresas para eles. Pensou dando um sorriso charmoso.
–Obrigado. E respondendo a sua pergunta. Vamos dizer que "salvei" a vida de Christian uma vez, vamos dizer assim.-mais um gole na bebida, observando com atenção os olhos desconfiados de Jake.
–Ora, mais veja que sorte a dele. Além de linda é uma heroína.
–Não vamos rotular.-dando um pequeno sorriso, caminhou junto dele assim que ele começou a sair com ela pelo salão.-Para onde vamos?
–Para onde quer ir?-acabar logo com aquilo seria bem mais fácil, nada de perder tempo, a levaria para onde quisesse, transaria com ela e depois a mataria, nem mesmo querendo saber de onde ela era. Esse era o plano dele.
–Acho que para o meu quarto. O que acha?-caminharam até o elevador do sagão e esperaram até que o mesmo chegasse. Algumas pessoas conversavam em todas as partes, risadas histéricas causadas pela bebida ecoavam pelo local, mulheres sendo carregadas dizendo que não precisava da ajuda de ninguém passavam uma hora ou outra, sendo carregadas pelos seus companheiros, amantes e até mesmo acompanhantes.
Andressa sentiu o coração dar um sobressalto quando entrou no elevador, tirou os brincos grandes disfarçadamente, assim como o cordão que usava, sabia que quando chegasse no quarto as coisas seriam totalmente diferentes do que ele planejara, não saria chaces dele tocar no corpo dela com outras intenções. Quando enfim o elevador parou no andar, ela esperou que ele saíssem e saiu, caminharam em silencio, trocando olhares e pequenos sorrisos. Os únicos sons ouvidos eram dos saltos dela contra o piso.
Pararam diante da porta.
–Abre?-entregando a chave nas mãos dele, o viu assentir colocando a chave na fechadura. Disfarçadamente, ela tirou os saltos. Estava nervosa, Rozz não falava nada pelo ponto de comunicação e ela não havia visto o agente no salão. Assim que acabasse com aquilo, iria atrás do amigo.
Jake entrou no quarto e ficou segurando a porta para ela, Andressa entrou quieta e largou os saltos no chão, ouviu a porta ser trancada atrás de si e respirou fundo, sentiu apenas as costas bater contra a parede quando o homem a empurrou, quando viu que ele preparava um soco, abaixou no mesmo segundo ouvindo o som da mão do mesmo contra a parede. Quando viu que ele poderia a chutar, agarrou as pernas do mesmo com força o empurrando para trás, o fazendo cair, no chão esperou que ele se recuperasse, se pois sobre ele, mas ele foi mais rápido, e conseguiu se levantar indo para cima dela, que se arrastou pelo chão fugindo do homem.
–Pelo visto não vamos transar.-Jake disse ofegante enquanto sorria, tentou segurar Andressa se debruçando sobre ela mas recuou tonto depois de receber um chute no rosto. Com o pequeno espaço de tempo, Andressa se levantou e se desviou do homem que já ia novamente para cima dela, num golpe rápido, ela o segurou por trás, prendendo os dois braços dele, enquanto o deixava sem ar. Ele tentou arranhar os braços dela, mas não conseguiu, as mãos estavam sem forças e a consciência ia ficando mais distante a cada segundo. Fez um ultimo esforço para trás batendo com as costas dela com força na parede e sentiu os braços da morena se afrouxarem em volta do pescoço dele.
Andressa respirou fundo pela falta de ar, a dor vinda dos pulmões e a sensação sufocante. Com os olhos embaçados viu apenas a sombra borrada do homem e logo sentiu os braços presos, no mesmo golpe que ela executara a alguns segundos atrás no contrabandeante, ele a arrastou com violência, batendo com o rosto dela, pelo bar do quarto, quebrando as prateleiras finas de vidro, a golpeando com socos fortes na cabeça a fazendo cair de joelhos no chão.
Se defendendo do golpe dele, a morena segurou o punho dele com apenas uma mão e o acertou com o cotovelo, o fazendo cambalear para trás, virou o copo com rapidez e o segurou pela gravata que usava, enrolou a mão do homem com força e batei com força a cabeça do mesmo numa pequena pilastra entre as prateleiras destruídas do bar.
A luta continuou, cada vez mais acirrada, Andressa distribuía vários socos contra o homem que tentava ao máximo se manter de pé, consciente e com força. Num golpe rápido, Andressa o jogou sobre a mesa que havia trabalhado mais cedo junto com Roz, as pernas da mesma quebrou como o objeto mais frágil assim que o corpo do homem foi lançado sobre ela com violência. Ele se levantou, sacudindo a cabeça rapidamente para afastar a pequena tontura e partiu para cima dela, tentando acerta-la, enquanto a mesma se defendia. Num golpe rápido, ele segurou o cabelo dela e bateu mais uma vez a cabeça dela sobre a parece de concreto, a fazendo ver estrelas. Ela sabia que demoraria alguns segundos para ela recuperar a visão embaçada, e cada segundo era decisivo no momento.
Aonde estaria Rozz? Se perguntou se livrando das mãos do homem assim que as sentiu sobre o pescoço. Iria ter de lutar as cegas. Os socos foram todos acertados no maxilar e no abdomen do homem, se lançando em cima dele, sentiu os dois caindo sobre a porta que os levava para o quarto, aonde ficava a cama, a porta se abriu levando os dois para o chão, Andressa levantou no mesmo instante, mas Jake permaneceu deitado no chão, gemendo de dor, e atordoado. Num piscar de olhos a porta do quarto fora arrombada e segundos depois Christian e Roz entravam no quarto, parecendo desesperados, ela viu quando o loiro deu um ultimo soco em Jake, antes do homem cair em sono profundo.
–Por que não chegaram antes?-segurando a cabeça que ainda rodava, ela conseguiu falar finalmente, empurrou Rozz assim que ele lhe ofereceu ajuda.-E aonde você se enfiou?
–Meu ponto comunicador parou de pegar.-Explicou caminhando junto dela que ia para a sala e assim que avistou tal se jogou sobre o mesmo.
–E você Christian, o que ainda faz aqui? Já não fez demais para todos nós?
–Salvei sua vida.
–A, tenho certeza de que não salvou, e se alguém salvou a vida de alguém aqui, esse alguém foi eu mesma.-ainda ofegante, voltou a se levantar enquanto caminhava pelo quarto em busca da mala, pegou a mesma e voltou até a pequena sala.
–Aonde vai?-Rozz perguntou exasperado. Sabia que ela devia passar por pequenos exames, e ela parecia não está bem.
–Embora. Logo a equipe vai chegar aqui e levar esse infeliz para a base lá em NY.-explicou impaciente caminhando até a porta abaixando com cuidado e pegando os saltos.
–Precisa ser examinada pelos médicos.-tentou para-la mas ela não deu ouvidos.
–Não preciso, pode ficar tranquilo china, te espero no jato dentro de meia hora.
...
Ela nem mesmo se deu o trabalho de trocar a roupa, ainda vestida com a roupa da festa, se deixou afundar no banco confortável do jato, e deixou que os pensamentos vagassem sem destino. Mas aquele nome, Kevin, soou como um som berrante e estridente na mente dela, arregalando os olhos e se endireitando na poltrona, ela pensou nele, na figura do homem, se perguntando se talvez não pudesse ter visto errado, se não fosse outra pessoa, mas porque se não fosse ele a pessoa havia corrido? Se perguntou apertando o braço acolchoado da poltrona.
Não, poderia ser Kevin, ela havia o matado, ela com as próprias mãos. Ainda tinha em mente a lembrança do corpo do homem caído no chão, sem vida. Não podia ser ele!
Não era! Tentando convencer a si mesma, respirou fundo, mas algo dizia que ela estava completamente enganada.
...
Já na base, ela caminhava apressada, queria sair da base o mais rápido possível, pensou em dormir no lugar, mas não conseguiria, precisava da cama dela da casa e ver Bob, estava com saudades do cachorro.
No estacionamento, parou ao lado do carro da Shield que estava usando e abriu a porta, não entrou, esperou Clint se aproximar já que o mesmo a chamava.
–Sim mano.-jogando a bolsa no banco do carona, voltou a observar o mesmo que tinha o olhar preocupado.-Não, tá bom? Já fui examinada e estou ótima, e a única coisa que preciso agora e da minha cama e do meu cachorro que estou morrendo de saudades.
–Rozz disse que você parecia perturbada com algo, o que aconteceu?
–Aquele chines, filho da mãe. Ele não consegue manter a boca fechada?-irritada cruzou os braços, soltando o ar com força.
–Que eu lembre, ele é um coreano.-o arqueiro falou com um sorriso cínico enfiando as mãos dentro do bolsos da calça.
–Vá a merda, Clint.-dando um tapa no ombro do irmão, ela voltou logo a cruzar os braços o encarando.
–Ei, calma ai, porque está tão irritada?-levantando as mãos em defesa deu um passo para trás .
–Desculpa.-soltando o ar frustrada, passou as mãos sobre os cabelos os jogando para trás.-É apenas estresse, sabe? Acho que já não estou acostumada a levar pancadas na cabeça, acho que tiros são menos doloridos.-falou divertida encostando na porta do carro, que havia sido fechada novamente.
–É tiros são menos doloridos e práticos. Acha que seu cérebro saiu do lugar?-dando uma leve batida na cabeça dela, se defendeu assim que a mesma lhe deu um soco no braço, com força, mas não deixando de rir.-Gosto de te ver assim.
–Com o cérebro fora do lugar?-indagou fazendo um boco confuso.
–Acha que temos que leva-la para o médico? Será que tem como por novamente no lugar ou você está sentenciada a morte?-fazendo um bico assim como ela, fingiu pensar e se desviou mais uma vez do soco que ela lhe daria.-Será que agressividade em excesso é dos sintomas?
–Sintomas? Não seria trauma?
–Tudo bem, isso não faz mais sentido.-ainda sorrindo caminhou até ela a abraçando forte e logo em seguida beijando a testa da irmã de forma carinhosa e cheia de cuidados, ele sentia saudades dela e havia ficado preocupado assim que ela saiu na missão.-Então, o que foi que aconteceu realmente.
–Vi Kevin.-falou o abraçando com força, sentindo os pelos do braço se eriçarem.
–Aquele que...
–Sim.
–Mas você... Ele não morreu?-intrigado com o assunto, observou com preocupação com a irmã, sabia que ela ficava perturbada com o assunto. Rozz não tinha mentido ao falar que ela não estava bem no voo de volta.-Quando isso aconteceu?
–Foi enquanto eu caminhava na Rússia, eu comprei um skate velho de um pirralho e depois de dar uma pequena volta eu o vi, ele sorria, Clint, sorria doentiamente, igual a quando...-os olhos brilhavam pela vinda das lágrimas, Clint a abraçou novamente enquanto ela enterrava o rosto no peito dele.
–Não precisa lembrar disso agora, não precisa lembrar mais. Isso foi apenas...
–Não, não foi, eu não me enganei, Clint, eu o vi e ele sorria que nem um doente como fazia quando me estuprava.-desabou em lágrimas.-Eu o matei e ele não pode está vivo, não pode, eu vi eu deixei o corpo dele no galpão, naquele maldito galpão.-se soltando dos braços do irmão, caminhou inquieta de um lado para o outro.
–Não era ele, Andressa, você apenas ficou impressionada, deve ter sido alguém parecido.-tentou convencê la, mas ela estava irredutível.
–Então porque quando eu o segui ele correu? Correu, mas não como alguém que fugia, mas sim como quando você arma para levar uma pessoa... Quando você arma para levar o assassino para a melhor armadilha que você inventou?
–Isso não faz o minimo sentido.
–Por que não?-gritou o encarando, ela estava cansada de toda aquela confusão, daquela falta de paz, ela queria apenas que as coisas fossem boas por completo pelo menos uma vez.
–Se isso for realmente verdade, porque Rachel fez isso? Porque tentou me matar dizendo que você havia matado Kevin?-Ele parou e a encarou caminhar de um lado para o outro, nervosa. Caminhou até ela e a agarrou com mais força quando ela tentou se soltar dos braços dele.-Calma.-sussurrou para ela que apenas chorava silenciosamente.
–Era ele, Clint. Eu sei o que vi.
–Sei que viu, mas você tem que ter em mente que poderia ser... um pequeno estresse por voltar nas missões depois dos meses que ficou fora.
–Sonhei com ele à alguns dias atrás.-confessou cansada.-Não te contei porque não queria te preocupar.
–E o que acontecia no sonho?-sentiu quando os ombros dela se enrijeceram e ela pressionou o rosto com mais força sobre o peito dele.
–Ele dizia que não havia morrido, que eu não tinha o matado.-fazia muito tempo em que eu não pensava em Kevin, e sonhar com isso agora, anos depois de matar supostamente ele, não faz sentido.
–Tenho certeza de que você apenas achou ter o visto ele na Rússia por conta deste sonho, e sobre ter o sonho... é difícil de entender, nosso inconsciente é confuso e até mesmo sem sentido as vezes, nos faz pensar sem que nos percebemos em coisas que queremos apagar de nós.
–Okay, acho que você está se consultando demais com Catherine, está falando como um psiquiatra formado no ramo a anos.
–Andressa.-falou em tom sério, a repreendendo.
–Tudo bem, desculpa, sei que você está preocupado.-secando o rosto com as costas das mão ela deu um pequeno sorriso, dando um ultimo beijo no irmão.-Vou para a casa descansar um pouco.
–Não quer que eu te leve?
–Não, não mesmo. Estou bem, sério.-riu enquanto abria a porta do carro e via a cara de Clint descrente.-Não fique preocupado.-pediu lançando um ultimo beijo para ele, enquanto manobrava o carro para sair do estacionamento da Shield.
Voltando a caminhar novamente para dentro da base, Clint ficou pensando na irmã, como ela fingia está bem de uma hora para outra apenas para não deixar ele preocupado, mas isso não adiantava em nada, a preocupação não diminuía, era totalmente o oposto, ficava mais viva e ele não conseguia ficar em paz. Sabia que ela estava voltando a piorar, assim como fora antes de ela terminar com Tony, antes de toda aquela tragédia acontecer, quando ela escondia de todos que era estuprada pelo pai dele e que havia matado o mesmo.
O arqueiro tinha medo dela se tornar aquela pessoa novamente, medo mais ainda dela ir embora e deixar ele, assim como fez depois da perda da bebê.
...
Ela chegou a pensar em ir para o apartamento, mas ela precisava respirar, ficar livre, passou direto pela a rua do próprio apartamento e foi adiante na estrada, enquanto se distanciava do centro da cidade.
As primeiras gotas de chuva naquele dia começavam a despencar do céu, finas como uma poeira gélida. Trancou o carro e se pôs a subir, fazia muito tempo que ela não ia naquele lugar, a ultima havia sido junto de Tony, mas ela não estava ali pelas lembranças, estava ali porque queria respirar livre, pensar e por os pensamentos no lugar. Se é que fosse possível. Deixando um sorriso escapar ela finalmente chegou no refúgio, o lugar era o mesmo, mas se deu conta de que não havia motivos para o lugar mudar. Jogando a bolsa de lado, se sentou no chão de barro vermelho.
Os ventos junto da chuva fraca a atingiam mas ela nem ligava, observando a cidade distante deixou os pensamentos vagarem, sem sentido.
...
2 Dias Depois.
Não fazia mais de três horas de que havia chegado de uma missão com Rozz, mas ela havia feito uma promessa a Annabely, havia falado com a menina ao telefone a dois dias atrás e a prometera de que iria fazer uma visita a ela.
Agora não tinha volta, se vestindo as pressas depois do banho quase caiu no chão pela perna presa na calça.
–Mas que inferno.-gritou fechando o botão do jeans e calçando os saltos, penteou os cabelos com pressa e desceu.
Pegou a bolsa rapidamente e chamou Bob, minutos depois ela já dirigia em direção a casa da doutora e Bruce.
Quando estacionou o carro em frente a grande e bela casa, ouviu os gritos de Annabely, chamar pelo nome dela, saindo do carro sorrindo radiante, deixou que Bob descesse e pegou a menina no colo a abraçando com força assim que ela pulou praticamente nos braços da morena.
–Andressa.-segurando o pescoço da morena com força, encheu o rosto da mesma de beijos, cheios de saudades, assim como Andressa fez com a menina.-Estava com saudades.
–Também Bely, mas aconteceu muitas coisas que me impossibilitaram de ver você.-falou pondo a menina no chão e dando a mão a ela assim que a mesma a puxou para entrar.
Sorriu assim que viu Catherine na frente da casa esperando as mesmas. A doutora estava linda, a barriga de quatro meses estava coberta pelo belo vestido azul marinho com mangas de renda, os cabelos soltos de forma jovial.
–Você está tão linda, Cath.-Andressa abraçou a doutora que retribuiu o abraço com força, matando a saudade da morena. Desde que Andressa voltara da "morte".
–Você também está linda, Andressa.-Catherine disse com a voz doce.-Venha, vamos entrar.
Depois de Brincar um pouco com Annabely, Andressa deixou ela brincar com Bob, no quintal, enquanto conversava com Catherine. Contou a doutora sobre ela e Thor, do envolvimento de incio e que agora estavam juntos e como estava feliz.
Ouviu de Catherine que ela tinha medo as vezes de perder o bebê, já que a gravidez corria risco, mas que estava feliz com toda a novidade, contou que Annabely estava radiante com a chegada de um irmão.
–Sim, ela não para de falar que quer logo o bebê do lado de fora da minha barriga.-Catherine dizia sorrindo assim como Andressa.
–Talvez isso a ajude um pouco não é mesmo? Ela ainda tem as lembranças bem... frescas na mente.
–Sim, isso me preocupa.-dando um gole generoso no chá que bebia, Catherine observou pela janela a menina rolar na grama junto de Bob.
–Algo mais está lhe preocupando, doutora.-Andressa falou dando um pequeno sorriso logo se juntando a Catherine, observando Annabely e Bob que agora lambia o rosto da menina que apenas ria.
–Sim.-Andressa a observou passar a mão sobre a barriga, e lembrou quando ela fazia o mesmo, respirando fundo, observou Catherine caminhar até a sala e se sentar o mais confortável possível no sofá.-A algumas semanas atrás eu notei um carro em frente a minha casa.
Andressa se manteve calada, apenas ouvindo a doutora. Da Janela da sala, observava a menina correr de Bob, deu um pequeno sorriso e voltou a olhar para Catherine que novamente acariciava a barriga, parecendo sentir algum desconforto.
–Você está bem, Catherine?-caminhando até o lado da doutora e a viu assentir.
–Está sim, é que eu hoje exagerei um pouco, deveria ficar mais de repouso.
–Tem certeza?-preocupada, Andressa segurou a mão da mulher que apenas assentiu mais uma vez.
–Tenho, não se preocupe. Como estava dizendo, percebi que um carro passava todos os dias aqui em frente, não me preocupei, pensei que fosse de um vizinho da frente. Até que um dia eu vi Annabely conversando com alguém dentro do carro.
–O quê?
–Ela estava perto da porta do carro, com doces na mão e sorrindo para quem estivesse dentro do carro. Seja quem for, acelerou o carro e foi embora assim que me viu se aproximar, isso tem me deixado assustada e preocupada, as vezes Any aparece com doces que eu não dei para ela e a ainda vejo o carro passando pela rua.
–Quem acha que pode ser?
–Não faço ideia, perguntei a ela quem era, mas ela me respondeu apenas que era um moço bom e bonito.-Catherine respondeu enquanto respirava fundo.-Será que pode olhar um pouco Bely? Bruce chegara logo.-se levantando com a ajuda de Andressa e deu um pequeno sorriso para a mesma assim que viu a face dela cheia de preocupação.-Está tudo bem.-tentou acalmar a morena.
–Não acho que esteja. Tem certeza de que está bem?-perguntou minutos depois.
–Sim, só preciso me deitar um pouco, descansar, como disse exagerei demais hoje.
–Tudo bem, eu te ajudo.-Caminhou com a doutora até o quarto que eles havia adaptado no comodo de baixo da casa para ela não ter de subir as escadas. Andressa não saiu do lado da doutora até que ela adormeceu e Bruce chegou da base. Depois de deixar o casal a sós no quarto, Andressa foi até o quintal, aonde Annabely agora estava sentada chorando e recebendo lambidas de conforto de Bob.-Bely.-chamou a menina que se encolheu abraçando o próprio corpo-Por que está chorando?-sentando ao lado da menina, Andressa a puxou para o colo aonde a mesma deitou a cabeça no ombro dela.-O que foi?
–Mamãe está doente, é o bebê dentro dela não é? Ele está fazendo ela morrer.-com a voz engasgada, falou. Andressa afagou o cabelo da menina enquanto sentia o pequeno e indefeso corpo dela tremer, com medo de perder Cath.
–Não, Catherine não está morrendo, e o bebê não está fazendo mal a ela. Ela vai ficar bem, não precisa se preocupar. Intendeu?
–Intendi.-com a voz ainda chorosa Annabely assentiu olhando para Andressa.
–Agora, Bely, quero que me responda uma coisa.-ajeitando os cabelos da menina, os jogando para frente e logo secando o rostinho molhado dela.-Quem é o moço bonito que te dá doces e conversa com você?
–Ele disse que é seu amigo, disse que ama você Andressa.
–O quê?-confusa observou os olhos de Annabely, verdes iguais ao dela.-Quem é esse homem, Bely?
–Ele disse que o nome dele era Kevin.
–O quê?perguntou no mesmo instante, havia pensado que não tinha escutado direito.-Qual o nome, Bely?
–Kevin.-repetindo o nome, Annabely esfregou os olhos olhando inocente para Andressa.
–Tem certeza de que esse era o nome? De que o nome era Kevin?-não querendo acreditar perguntou.
–Tenho, ele disse que é seu amigo.
–Não.-colocando Bely de lado levantou com fúria e medo, o que Kevin poderia querer com Annabely?
–Olhe, Bely. Se esse homem aparecer novamente...
–Ele não é seu amigo?
–Não, não é meu amigo, ele é muito ruim. Se ele aparecer aqui novamente, não fale com ele, e por Deus, não chegue perto do carro dele. Entendeu?-séria, encarou os olhos que pareciam assustados de Annabely, viu a menina assentir de cabeça baixa, acuada.-Você não fez nada errado, Bely, não se sinta mal por isso, não tinha como você saber.-se sentou ao lado da menina que a abraçou com força.
–Ele disse que voltaria logo.
–Não, não vai voltar.-com os pensamentos distantes, Andressa observou as árvores que haviam sobre o condomínio, como balançavam pelo vento frio da noite.
Com os pensamentos mais confusos do que antes, a morena se despediu de Annabely e Bruce, já que Catherine ainda dormia, voltou para o apartamento ainda relembrando do que havia acontecido na Rússia, a imagem de Kevin correndo dela.
Ele apenas queria mostrar que estava vivo, ela agora entendia, mas não entendia o porque dele se aproximar de Annabely. Pensou em comentar com Bruce e Catherine a respeito do homem, mas nçao teve coragem, a doutora estava passando por uma gravidez difícil, não podia ter fortes emoções, e Bruce também, ela não sabia se ele seria capaz de se controlar a fúria.
Quando abriu a porta do apartamento, o som dos risos a atingiram em cheio, Bob abandonou o posto ao lado dela e correu mais adentro do apartamento sumindo lá. Respirando o ar com força, ela fechou a porta lentamente e se encaminhou a sala, aonde encontrou Thor, Clint, Marie, Carolina e Jason, que conversavam animados algo sobre um filme que ainda passava na TV.
–Gente.-deu um pequeno sorriso, observou os rostos alegres e no canto da sala Thor, que acariciava Bob, com a expressão preocupada. Mas não parou ali, caminhou para a cozinha, precisava de um copo d'água. Se serviu do líquido e sentiu quando ele entrou na cozinha.-Não o chamei.-quando se deu conta que a voz sou rude demais, virou ficando de frente para ele.-Desculpe.-sussurrou abaixando a cabeça deixando o copo de lado.
–O que aconteceu?-caminhou até ficar de frente a ela e se surpreendeu quando ela o abraçou o apertando.-O que aconteceu?-repetiu a pergunta enquanto acariciava com carinho a cabeça dela. Não imaginava que a encontraria daquela maneira, tão... abalada.
–Kevin não está morto.-disse depois de longos minutos.
Mais minutos se arrastaram até que Clint entrou animado na cozinha.
–Ei, porque não se juntam a nós.-pegando mais cervejas na geladeira, ele parou assim que viu a imagem de Thor e Andressa abraçado, sabia que algo não estava certo.-O que aconteceu?
–Kevin não morreu.-Andressa respondeu a pergunta levantando o rosto e encarando o irmão.
–Andressa, já disse que...
–Annabely me contou.
–O quê?-o arqueiro indagou perturbado.
–Fui hoje fazer uma visita a Cath e Anie, depois brincar com ela um pouco, deixei com que ela e Bob se divertissem, fiquei conversando com Cath depois sobre bastante coisas, e ela acabou dizendo que estava preocupada com um carro que passava frequentemente em frente a casa dela e de Bruce.-voltou a pegar o copo sobre a pia e bebeu um longo gole, em seguida sentou sobre uma banqueta observando o irmão e o deus.-E disse que Bely, as vezes aparecia com doces e conversava com quem estava dentro do carro. Depois que Bruce chegou da base deixei ele e Cath sozinhos pois ela estava sentindo dores por causa da grávidez, estava cansada e dormiu. Depois sai para ver Bely, perguntei a ela sobre quem era o homem dentro do carro e ela disse que ele se chamava Kevin e que ele havia dito que era meu amigo.-O silêncio se prolongou pela cozinha durante vários minutos, Clint caminhou ao lado da mesma e sentou na banqueta vazia.-Só não entendo porque ele está atrás da Annabely.
–Suas histórias, aparência.-Thor disse pensativo olhando pela janela da cozinha o céu negro, as estrelas que brilhavam.
–Faz realmente sentido, pois Annabely é parecida demais com você quando era menor, a cor dos olhos, o cabelos, o tom da pele.
–O que quer dizer com isso?-Andressa perguntou.-O que acha que ele pode fazer a ela?
–Não sei, mas não acho que ele vá fazer alguma coisa, acho que ele queria apenas era mostrar que estava vivo a você e agora que conseguiu deixa-rá Anie em paz.-Clint deduziu, para ele, aquilo tinha lógica, mas não para Andressa, e nem mesmo para Thor, mas o deus resolveu ficar quieto.
–Não faz sentido algum.-Andressa disse frustrada.-Então por qual motivo ele ficava rondando a casa de Cath?
–Como disse, era apenas para mostrar que estava vivo. Bely não está correndo riscos, não deve se preocupar com isso. Kevin não é tão doente ao ponto de fazer mal a ela.
–Você não viveu com ele.-a morena disse distante, a expressão no rosto dela havia dor.
–Não, não vivi.-Clint afirmou triste.
–Então não sabe do que ele é capaz. Não me diga que ele não é capaz de fazer mal a Annabely quando eu sei que ele é. Ele me estuprava Clint, me estuprava e dizia que me amava, como um doente, como um maldito doente.-sem dar chances do irmão falar qualquer coisa.
–Acho que ela não irá querer falar com você.-o loiro segurou o arqueiro quando ele ia atrás da morena.-Não agora. Dê um tempo para ela, quem sabe amanhã.
–Acha que posso está errado?-Clint perguntou passando as mãos sobre o cabelo caminhando pela cozinha.
–Acho.-o deus falou e viu o arqueiro assentir.
–Tudo bem, também tenho essa sensação.-dando um sorriso sem graça deu um leve tapa nas costas do deus, como dois amigos.-Você pode ir ver se ela está bem?
–Não sairei daqui, ela vai ficar bem.
–Tudo bem. Obrigado, Thor, acho melhor ir para o meu apartamento e amnhã bem cedo volto para conversar com ela.
Thor concordou e se retirou a cozinha, subiu rapidamente para o segundo andar e entrou no quarto da morena, avistou a silhueta dela de frente a sacada.
–Também concorda com a teoria...
–Eu concordo com você.-viu quando ela virou de frente a ele e logo entrou para o quarto, abraçada ao próprio corpo.-Mas também com Clint. Acho que ele queria mostrar para você que estava vivo.
–E..
–E, também concordo com você por pensar que ele quer fazer algum mal a Annabely, só não acho que seja agora.
–Quando acha que pode ser?-perguntou alto deixando visível a irritação.-Desculpa, desculpa. Estou tão irritada e frustrada com tudo isso, me sinto prepotente.-caminhou parando diante dele e puxando a blusa que ele usava, fazendo ele se aproximar.-Preciso acabar com isso Thor, não aguento mais ser atormentada pelo meu passado.-aproximou o rosto do dele e o beijou com delicadeza.-Desculpe por agir assim.
–Não tem que se desculpar.-a segurando pela nuca, selou novamente o lábios dos dois.
–Sei que tenho e é por isso que estou pedindo desculpas.-acariciando os braços do loiro, beijou o pescoço dele.-Estava com saudades de você.-confessou sorrindo assim junto dele.
–Também senti saudades.-sentiu o toque dela pelo corpo, acariciando o peito os braços. Levando as mãos até a bainha da blusa que ele vestia, Andressa a tirou do corpo dele rapidamente, caminharam desajeitados até a cama e lá terminaram de se despir. Fizeram amor, trocando caricias e juras.
...
Foram acordados horas depois, quando já se passava das três da madrugada, por alguém que tocava a campainha impacientemente, se pondo de pé ainda sonolenta, Andressa vestiu a camisa de Thor que estava jogada pelo quarto, assim como a calcinha. Saiu do quarto deixando o deus procurando o resto da roupas.
Desceu as escadas com cuidado, pela vista ainda embaçada pelo sono interrompido.
–Já vai, droga. MAS QUE INFERNO!-berrou impaciente, mas nem isso não foi capaz de parar quem tocasse a campainha. Prestes a abrir a porta, ela sentiu o corpo se enrijecer com a ideia de que quem poderia está do outro lado fosse Kevin.
Olhou pelo olho mágico e não acreditou na imagem que via, na pessoa que via.
Exitou durante alguns segundos mas logo abriu a porta.
–Andressa. Andressa.-assim que a morena abriu a porta a pessoa a abraçou com desespero.
Andressa achava que estava sonhando, incrédula com o que via. A pessoa completamente machucada, surrada e... Grávida.
–Rachel?
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