So Far Away
24 Esperança.
Notas iniciais
1 Dia Depois.
SHIELD. BASE SECRETA (NY) 14:30 da tarde.
Eles esperavam o jato, esperavam que quando aquela nave chegasse a morena chegasse também e que aquilo não passasse de uma piada ridícula de que ela havia sido morta por um tiro que Hill disparara a mando de Fury.
Mas Marie sentia o coração apertado assim como sentiu no dia em que havia visto Andressa pela ultima vez, quando ela disse que se algo lhe acontece-se era para Marie cuidar e nem magoar o irmão. Ela não pode deixar de imaginar como o arqueiro estaria, havia falado com ele apenas uma vez desde os três dias em que eles estavam na Turquia, ele havia dito que Carolina e Jason haviam ido embora depois que voltaram para o hotel e que também entendia já que ele tinha vontade de fazer o mesmo. Respirou com força o ar e expirou tentado se livrar da dor no peito que sentia, mas foi em vão.
Ao lado de Marie estava Natasha e Steve, o capitão tinha as mãos presas atrás das costas e pensava meio distante como as coisas seriam. Ele era talvez o único que havia aceitado o fato, pôs para ele, soldados davam a vida para manter seus "superiores" e amigos bem. Já Natasha sabia que aquilo não passava de um mal entendido, e assim como Marie tinha as esperanças postas naquele avião.
Bruce também estava lá, no canto, observando os amigos, e pensando que ela não havia morrido, já que o corpo ainda não havia sido localizado pelas equipes dá shield, mas sabia também, que ela poderia está no fundo do mar, fria e morta. Não havia contado a Catherine, pois dentro dele ainda houvesse um pouco de esperança, essa que todos dizem que deve ser a ultima a se deixar de acreditar, ou nem mesmo deixar de acreditar.
...
Desde quando havia entrado naquele avião ele não havia se movido, continuou na mesma posição assim como Rozz, Hill andava de uma lado para o outro, chorando, se sentindo culpada por ter disparado. Ela estava sem mira, não deveria ter arriscado o tiro, agora ela havia matado um ótima agente, tinha sangue inocente manchando as mão dela.
Clint pode ver a base próxima, virou a cabeça e colocou os óculos escuros, não precisou prender o cinto de segurança pois já estava preso desde que eles haviam decolado, foi rápido e ele nem mesmo sentiu, quando se deu conta o avião já havia pousado e Hill já estava lá fora, andando apressadamente para a base, talvez em busca de... solidão, era essa forma que ela se sentia menos culpada, quando estava sozinha.
...
O avião pousou e todos sentiram como se a esperança fosse lançada mais uma vez em seus corações, como se quando aquela porta fosse aberta ela sairia de lá com aquela entrada triunfante, com os jeans surrados e os óculos no estilo aviador. O batom vermelho e os lindos cabelos esvoaçando com o vento enquanto se equilibrava de forma majestosa nos saltos-altos. Mas quando a porta se abriu a figura era de uma mulher completamente triste, Hill parecia um fantasma, os cabelos castanhos escuros lhe tampavam grande perto do rosto, mas mesmo assim era possível ver os olhos azuis inchados e vermelhos assim como a ponta do nariz, ela desceu as escadas com rapidez e andou até entrar na base, de cabeça baixa.
Marie correu até o avião, deu de cara com Rozz enquanto descia as escadas.
–Rozz, Rozz, aonde ela está?-perguntou impaciente mas o homem continuou calado e depois de alguns segundos fez negativo com a cabeça.-Não! Ela está lá dentro não está? Diga, Rozz.-gritou com o mesmo.
–Não está.-a voz era fraca e cansada, enquanto ele terminava de descer as escadas.
–Não, não, é mentira.-disse para si mesma enquanto terminava de subir, quando chegou no avião, os olhos vagaram a procura dela, do cabelo escuro, do sorriso encantador que ela tando adorava ver, da voz dela embargada pelo riso, mas nada, viu apenas a figura desolada ao fundo do avião, a cabeça baixa e os olhos cobertos pelos óculos escuros até ele os descobrir.-Clint.-ele a olhou pesadamente, os olhos estavam cansados e inchados e repletos de olheiras.-Diz que é mentira.-ele sustentou o olhar durante alguns segundos e logo encarou a janela do avião. Lá fora viu alguns pássaros voarem em grupo.Viu Rozz sentado no meio da pista e em frente ao grande portão da base estavam Steve, Natasha, Bruce e Fury.-Clint.-o grito de Marie o despertou.-Diz que é mentira, diz que ela vai voltar.- o arqueiro continuou em silêncio e apenas fez negativo com a cabeça.-Não, não.-Marie repetiu a palavra inconformada.-Ela não pode ter morrido, NÃO.-gritou nos braços do arqueiro que levantou e a acolheu nos braços.
Juntos, choraram por horas.
...
Fury permanecia de pé olhando o avião. O dia estava um dos piores, a base não parecia a mesma, os corredores permaneciam em silêncio constante. Pelo canto do único olho, viu um agente se aproximar.
–Senhor, precisamos remover o avião para que um jato que está a caminho possa pousar.-Informou ao homem de sobretudo negro.
–Mande pousar em outra pista.-nem mesmo olhou o homem a sua frente, apenas deixou o olhar vagar e viu Rozz se levantar. O agente Coreano pegou a mala com força do chão e a jogou sobre os ombros.
–Senhor, mas está é a pista de pouso principal.-o agente insistiu.
–Qual a droga da parte que é para pousar em outra pista que você não entendeu, James?-Fury disse seco, e dessa vez olhando o agente ruivo de olhos azuis a sua frente e se perguntando porque ainda mantinha aquele homem ali, já que o mesmo não era de tanta serventia agora para a Shield, desde que ele sofrera um acidente e havia começado a mancar.
–Desculpe senhor.-James deu de ombros e saiu em silêncio.
–Agente, Rozz.-chamou o mesmo que parou ao lado dele olhando para dentro da base.
–Senhor.-a voz soou baixa e com tom de choro, choro esse que estava sendo preso na garganta.
O diretor protelou durante alguns minutos, queria perguntar como que havia acontecido, como que Clint estava, mas decidiu por não fazer, já que ele sabia a resposta.
–Sairá em férias de três meses para cumprir sua fisioterapia.-Continuou a olhar para frente mas viu Rozz rir como se não acreditasse no que tinha escutado.
"Então era isso, depois que se vê uma das mais incríveis agentes morrer cumprindo o seu dever, você me manda sair em fisioterapia?" Rozz pensou, mas apenas disse:
–Sim senhor.-e saiu em passos pesados e rápidos.
Fury permaneceu, sentiu o vento gélido do dia nublado tocar a face, segurou as mãos atrás das costas com mais força. Natasha, Bruce e Steve não estavam mais lá.
–Tudo o que não precisamos agora é perder mais um agente.-olhou uma ultima vez o avião pousado na pista, o céu e voltou a entrar na base com a cabeça baixa.
...
–Ainda não consigo acreditar completamente.-Steve disse sentando ao lado da ruiva e de frente para Bruce no refeitório da base. Ele já havia aceitado o fato, mas assim que viu o avião, achou que fosse possível, Andressa, sair de dentro dele, sorrindo e acenando exageradamente para eles e depois de abraça-los dizer que aquilo tudo não passava de um pequeno engado.
Em cima da mesa havia três copos com café que nem mesmo havia sido tocado por nenhum deles.
Natasha passou a mão sobre os cabelos ruivos que estavam lisos, deu um soco na mesa chamando a atenção de quem estava a sua volta e levantou.
–Ela não morreu!-disse decidida.
–Você tem que aceit...
–Aceitar o fato? Eu estou aceitando e o fato é que ela não morreu!-decidida saiu do refeitório deixando os dois homens.
–Ela só precisa de um tempo.-Bruce colocou a mão sobre o ombro do loiro que assentiu brevemente enquanto ainda olhava pela porta que Natasha havia saído.-Ela e todos nós.
O Doutor deixou o capitão sozinho no refeitório. Como ele mesmo havia dito, todos eles precisavam de um tempo, mas ele só queria encontrar Catherine. E foi isso que fez, não permaneceu por mais nenhum instante, foi para a casa, chegando lá foi até a cozinha de onde as vozes animadas eram ouvidas.
Parou atrás da porta entreaberta, viu Catherine ao lado de Annabely que estava sentada em cima dos balcão da pia com as mãos cheias de confeitos e um saco de gotas de chocolate.
–Agora você vai por as gotas de chocolate no bolo.-Cath explicou a pequena menina. Annabely enfiou a mão dentro do saco de gotas de chocolate e despejou com cuidado as mesmas pela massa do bolo ainda crua.
–Mamãe, está afundando.-a voz era repleta de encanto e os lindos olhos verdes brilhavam observando as gotas afundarem na massa com fascínio.
–É assim mesmo. Agora vamos por no forno.-Levou a tabuleiro até o forno aquecido e o deixou lá. Se virou para Baly que comia algumas gotas sorrindo.-Você, já para o banho e mais tarde confeitaremos o bolo para Bruce, ele irá adorar.-a menina assentiu animada e deixou os confeitos em cima do balcão, assim como as gotas de chocolate que até poucos segundos estava comendo. deu um pulo caindo de joelhos no chão.
–Ai meu Deus, Bely.-Cath disse preocupada olhando a menina que sorria sapeca enquanto se levantava.-Machucou?
–Não.-respondeu enquanto terminava de se levantar com mais um pulo.
–Banho, agora sua porquinha.
–Não sou.-cruzou os braços encarando Cath, que a encarou inconformada.
–Não é? Não é?-a voz da mulher era baixa e tinha um tom divertido.-Você é uma porquinha sim, uma porquinha que não gosta de banho.-avançou sobre a pequena que caiu sentada, mas que logo se contorcia no chão pelas cócegas que Catherine lhe fazia.
A doutora nunca soubera que era boa em cócegas, até aquele momento, assim como ensinamentos de boas maneiras, explicando o que é certo e errado e em contar histórias para crianças dormi, mas no que tudo indicava, ela estava se saindo bem, e adorando ser mãe, mesmo sabendo o quão difícil era.
Esse era um dois motivos do termino e um relacionamento anterior da doutora. O noivo na época queria casar e ter filhos, Catherine não, ela queria se dedicar a carreira e não pensava em ter filhos.
–Agora repita comigo "Eu sou uma porquinha e irei tomar banho."-a gargalhada de Bely era viva, sem dor, apenas alegria.
–Não direi.-respondeu tentando se livrar das mãos de Cath.
–Não dirá?
–Não!
–Então não irei parar, só pararei depois que disser.- Catherine não parou, estava ajoelhada no chão da cozinha enquanto Bely estava deitada se debatendo e gargalhando.
–Mamãe para, está bem, eu falo.
–Irá mesmo?-viu Annabely assentir.
–Irei tomar banho.-
–Não, você tem de dizer tudo!
–Mas eu não sou uma porquinha.-levantou olhando a doutora.
–É sim, uma porquinha teimosa.-voltou a fazer cócegas na menina que ria caída no chão, mais uma vez.
–Tudo bem, eu digo. "Eu sou uma porquinha e irei tomar banho".
–Viu só como foi fácil?-levantou Annabely que ria sapeca.-Já pro banho, anda.-deu um beijo na testa da menina e recebeu outro.
Bruce riu assim que sentiu Annabely bater contra as penas dele.
–Ei mocinha, cuidado por onde anda.-pegou a mesma no colo que o beijou na bochecha e logo subiu correndo.
–Bruce, chegou cedo doutor?-Catherine largou o que estava fazendo e andou de forma sensual até ele que riu, assim que ela enroscou os braços finos sobre o pescoço dele.-Desde quando estava ouvindo minha conversar com Bely?- perguntou dando um pequeno beijo nele.
–Desde quando ela encheu o bolo com gotas de chocolate.
–Esse tempo todo? Não pode ouvir minhas conversas com, Bely. São apenas para garotas.-Bruce deu um pequeno sorriso e andou até a mesa.
–Desde quando é garota, moça?
–Desde sempre, sou também uma menininha, uma bebê e uma super mulher.-Sentou no colo dele sorrindo, ele também sorria, mas parecia distante, os olhos estava tristes.-O que aconteceu?
–Andressa.
–O que aconteceu? Ela está tendo pesadelos ainda?-Catherine encarou Bruce, esperando dele uma resposta, mas ele parecia não conseguir dizer.-Em, meu amor, o que aconteceu com ela?-não conseguiu não se preocupar assim que viu Bruce negar com a cabeça.-Ela está bem, não está?-sentia a aflição crescer dentro dela dela assim que viu Bruce negar mais uma vez, o coração bateu com tamanha força que ela sentiu uma dor insuportável dentro do peito e um frio enjoativo na barriga.
–Foi em uma missão a dois dias atrás, não havíamos achado que fosse verdade.-deitou a cabeça sobre o colo de Catherine que o abraçou com força.-A verdade é que não queremos acreditar, cada um de nós temos surtado com o maldito silêncio que fica aquela base a cada dia mais.
–Bruce.-o chamou parecendo perdida, o olhar vagava pela cozinha à procura de algo que na mente dela nunca conseguiu encontrar.-Como... Como, Clint está?
–Não sei, não consegui falar com ele desde quando chegou na base, apenas Marie falou com ele. Quando vim embora eles ainda estavam no avião, ele nem mesmo desceu. Sabe que só nos demos conta de que era verdade quando o avião pousou e Rozz desceu dele e sentou na pista inconformada, meio perdido, na pista.
–Mamãe, acabei.-Bely apareceu correndo empolgada pela cozinha.-O que aconteceu, está chorando?
–Não, não, estou bem meu amor.-abaixou até a mesma e beijou a testa dela que deu mais um pequeno sorriso.-Por que não vai desenhar, um desenho lindo e colorido?
–Posso desenhar a Andressa?-Catherine riu e assentiu.-Quando vou ver ela de novo?
–Irá demorar um pouquinho.
–Então como farei para entregar o desenho a ela?-apoiou as mãos na cintura enquanto batia os pés e contorcia os pequenos lábios em um bico enquanto ficava a pensar. Até que deu um salto juntando as mãos rindo parecendo ter tido a melhor ideia do mundo.-Bruce,, pode entregar para ela? Você vê ela todo dia, não é mesmo?
–Tentarei, Bely.- ele respondeu com o nó que se formava na garganta, mas se forçou a dá um sorriso triste.
–Agora vá. Faça seu melhor desenho, mocinha porquinha.-eles todos gargalharam enquanto Bely voltava correndo para o quarto aonde havia folhar e vários lápis de cor e canetinhas. A doutora fechou a porta da cozinha para sala, para ter certeza de que a pequena não ouvisse nada, voltou até Bruce que estava sentado agora em uma banqueta e tinha os cotovelos apoiados no balcão e segurava a cabeça com força.
–Como aconteceu?-Ela tinha consciencia mais do que todos de que espremendo ele de perguntas não o ajudaria a relaxar, entretanto ela precisava saber como tudo havia acontecido. Andou até a geladeira e pegou o vinho que já estava aberto pois eles haviam bebido na noite passada durante o jantar e depois dele na cama.
Serviu uma taça para ele, e para ela, se sentou ao lado do mesmo e esperou até que ele começasse a contar pacientemente. Acabou por perceber que tinha as mãos e as pernas tremulas. Não estava acostumada a perder pessoas tão queridas, quando se deu conta lágrimas já escorriam dos olhos.
–Hill está abalada e se culpando, mesmo a ordem sendo de Fury para disparar. Jason e Carolina sumiram na Turquia, ou foram para outro lugar.
–E Thor?
–Não tenho noticias dele desde três ou quatro dias atrás.
–Será que ele já sabe?
–Talvez, e talvez seja por isso que não apareceu e também por aquela tempestade de ontem a noite.
–Isso tudo parece tão irreal. Parece até mesmo que vamos encontrar ela mais tarde nos esperando para passear com Bely e que daqui a algumas semana vamos nos reunir para a ceia de natal. Mas a verdade é que será apenas mais um ano novo triste.-O silêncio tomou conta de toda a casa, inclusive deles.
...
Ele caminhava sorrindo, era engraçado ver como os humanos eram todos tolos e até mesmo agentes secretos durões se deixavam levar pelo simples sentimento de perda. Cantarolava animado uma música que havia escutado um humano ouvindo, mas precisamente, Tony Stark. As batidas o acompanhavam em cada passo, os dedos estalavam e a cabeça também acompanhava o ritmo viciante.
Andou até aonde sabia que não teria ninguém, era um lugar longe, afastado de todos, afastado do centro da base, era escuro e ele podia observar o céu de Midgard, o céu negro que as vezes ficava repleto de pontos brilhantes que chamavam de estrelas, ele chamava de pontos brilhantes pois fazia mais sentido.
Chegando lá, não conseguiu negar a figura encolhida no escuro, parecia chorar.
–Quem está ai?-não parou de caminhar enquanto se aproximava lentamente.
–Loki.-a voz soou abafada mas mesmo assim ele foi capaz de notar o tom de desagrado. Quando a viu levantar conseguiu perceber quem era assim que uma pequena e fraca luz que lhe atingiu o rosto.
–Agente, Hill.-ele não conseguiu conter um pequeno sorriso.
–Do que está rindo? Quer saber? O que está fazendo aqui?-perguntou seca.
–O que eu estou fazendo aqui? É onde sempre fico, mas você agente, Hill, o que faz aqui e ainda por cima... chorando.-ele se aproximou tanto dela que pode sentir o calor e o cheiro dela, um cheiro envolvente e maduro como de futas frescas.
–Não estava chorando!
–Não é o que aparenta agente, Hill.-encarou os olhos azuis marejados.
–Não sabe nada sobre mim!-deu um empurrão no mesmo o fazendo sair da frente dela.
–Não, não sei.-disse observando a morena de olhos azuis marejados sumir assim que entrou em um dos corredores silenciosos e desertos da base. Mas estranhamente ele queria saber mais sobre ela, sobre quem aquela agente com olhos tão tristes e distante era.
...
Ele ainda não havia voltado para a casa, ainda perambulava pela cidade com o carro sem conseguir aceitar o fato de que ela havia morrido.
Quando se deu conta, estava dirigindo em direção ao refúgio, parou o carro e nem mesmo fez questão de trancar, apenas subiu.
Quando enfim chegou no topo aonde ela o levara , da vez que ele fora atrás dela e das vezes que ele ia sozinho em busca de capturar um pouco dela depois que ela havia ido embora, porque ele acabou com ela. Caiu de joelhos no barro duro, não sentiu a dor da pancada, o coração doía muito mais, ele se sentia em pedaços. Inspirou o ar congelante com força sentindo o pulmão congelar, expirou com a boca enquanto olhava mais uma vez a cidade, as lágrimas quentes escorrendo pela face fria e vermelha, e aquela angustia, aquele maldito sentimento de culpa que se ele não a tivesse traído, eles estariam juntos com a filha que ela esperava dele.
Socou o chão, socou até não sentir mais nada, até as mãos sangrarem, gritou como um louco tentando de alguma forma traze-la de volta, tentando se livrar da dor da perda que ele se recusava a acreditar. Sentou de forma desajeitada no chão recuperando o folego, ficou calado e completamente imóvel durante horas.
Levantou em completo silêncio e voltou para a torre. Ao sair do elevador deu de cara com Pepper, ela falava ao telefone, mas assim que o viu desligou o aparelho andando até ele.
–Tony, o que aconteceu? Você está bem?-ele se manteve calado, em completo silêncio observando a face da ruiva.-Tony...
–Aonde está Howard?-perguntou com a voz baixa.
–Já está dormindo, por algum acaso já viu as horas? São duas e meia da madrugada, aonde você estava? Está todo sujo, suas mãos estão machucadas, o que aconteceu?-Voltou a perguntar mas mesmo assim não obteve resposta.-Está voltando não é? As coisas como eram antes, você chegando tarde em casa, me culpando por tudo isso. É por causa dela não é, Tony?-berrou com o mesmo.
Ele se virou e andou em direção a ela, o olhou com ódio e Pepper recuou em passo com medo dele, ele nunca a tinha olhando daquela forma.
–Não ouse falar dela, não ouse, Pepper!
–Por que, por que não posso falar dela?
–Porque ela morreu. Está satisfeita agora? Ela morreu.-Tony riu assim que viu a face da ruiva de espanto, a boca escancarada e os olhos arregalados incrédulos.
–O quê?
–Ela morre, Pepper.
–Como, como isso aconteceu? Como... À meu Deus, Tony.-andou até o mesmo que estava com o rosto colado nas enormes janelas de vidro. Tocou o ombro dele tentando dar conforto, mas ele se retesou.
–Se eu não a tivesse traído, nós estaríamos juntos com a nossa filha.-disse desolado derramando mais lágrimas sentindo os olhos queimarem.
a ruiva se afastou ao poucos, sentiu como se uma faca fosse cravada no peito dela ao ouvir as palavras de Tony, segurou as lágrimas até entrar no elevador, desabou em lágrimas, nunca havia se sentido tão humilhada na vida. Quando o elevador enfim chegou ao andar dos quartos foi até Howard que dormia tranquilamente, fechou a porta novamente e dessa vez andou até o quarto dela e de Tony, no banheiro pegou o Kit de primeiros socorros, deixou o mesmo sobre a cama e voltou a descer, dessa vez o encontrou sentado no sofá com um copo cheio até a metade com conhaque, tinha os olhos fechados e a roupa suja de barro.
–Tony.-o chamou enquanto andava até ele.-Vamos subir, preciso fazer um curativo, estão está tão machucado.-Olhava as mãos do mesmo que sangrava. Viu o olhar dele, já tinha o peito preparado para a dor de mais palavras que ele iria falar e a destruiria ainda mais, mas ele não o fez, apenas pôs o copo com a bebida no chão e andou até o elevador, ela o seguiu e assim que as portas se fecharam ele a abraçou enterrando o rosto no pescoço dela a apertando contra o corpo dele. Sentiu o corpo dele tremer e logo o pescoço molhado pelas lágrimas dele, mesmo o elevador tendo chegado ao andar escolhido, eles ficaram lá dentro, fazendo daquilo uma capsula que apenas ela podia ver as fraquezas dele.
...
Ajoelhada de frente para ele, ela limpava os ferimentos, ele parecia não sentir dor, mas ela sabia que doía.
–Tony, como que isso aconteceu?-talvez perguntar não fosse uma boa ideia, uma vez que ela podia ver o quanto ele estava mal, mas ela precisava saber.
–Uma missão na Turquia, depois de ter conseguido salvar praticamente a Shield. Rachel estava lá, Andressa começou a persegui-la. Rachel acertou ela uma vez mas Andressa não parou, correram até um precipício, ela estava perdendo, estava machucada, Hill estava desesperada. Eu estava na sala junto de Fury e alguns agentes.-Fechou os olhos respirando fundo enquanto Pepper enfaixava as mãos dele, uma de cada vez.-Hill disse, disse que precisava atirar, disse a Fury e ele mandou ela dá o tiro, ela disse que não podia pois estava sem mira, mas mesmo assim ele mandou "Tenta o tiro".-imitou a tom de voz do homem.-ele mandou atira, ele mandou dá a droga do tiro.-se calou.
–Acho que precisa dormir.-o olhou com compaixão para ele enquanto guardava novamente as coisas que havia usado e levava novamente o Kit para o banheiro. Quando voltou novamente ao quarto, Tony ainda estava sentado na mesma posição.-Tony, vá dormir.
–Desculpa.
–Está tudo bem.
–Sei que não está.
–Está, está sim, agora durma.-disse enquanto caminhava até a porta.
–Não vai deitar?
–Olharei Howard e já voltarei.-explicou dando um meio sorriso enquanto saia do quarto, o ouviu dizer.
–Eu te amo, Pepper.
–Eu também te amo, Tony.-disse porque era verdade e sabia também que era verdade da parte dele.
Olhou Howard mais uma vez, cobriu o pequeno bebê e olhou por mais alguns minutos, beijou a cabeça do mesmo e voltou até o quarto, aonde Tony já estava deitado. Se juntou a ele e sentiu as mãos enfaixadas a abraçar até adormecerem.
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