Notas iniciais
Boa leitura!

Langa passou a última semana pensando em como seria voltar para o Canadá. Agora, lá estava ele, em sua cidade natal, junto com Reki e seus amigos skatistas de Okinawa.

Faltavam três semanas para o Natal. Sim, eles pretendiam ficar no ocidente por, pelo menos, um mês. Era tempo suficiente para conhecer tudo o que aquela cidade tinha para oferecer. Mas ele nem sabia por onde começar.

A única coisa que Langa tinha certeza era de que queria comer poutine.

O azulado foi para a sua suíte e se sentou na cama. Ele pegou o celular e começou a analisar fotos de quando morava na cidade com seu pai.

Vendo as fotos e os vídeos, Langa sentiu saudade de ouvir a voz do pai. Sua risada fazia falta. Ele se lembrava de quando Oliver o abraçava após ele cair da sua prancha de snowboard e da sensação de sua barba contra a pele de criança do garoto. Lembrava do pai sendo o maior cavalheiro do mundo perto de sua mãe. Lembrava dele o ajudando com a lição de casa. Lembrava de seus conselhos.

Havia vários lugares que ele queria poder revisitar. Os parques onde caminhavam às vezes. Os restaurantes onde comiam poutine. Por um momento, ele quis até revisitar sua antiga escola. E, mais ainda, ele queria poder rever sua antiga casa.

Agora ele entendia porque sua mãe queria tanto voltar para o Canadá. Assim como ela, ele queria poder se sentir mais próximo do seu pai.

Ele cresceu nesses lugares. E Oliver sempre esteve ali com ele, em todos os momentos. Claro, não seria a mesma coisa visitar qualquer um desses lugares sem ele. Mas, de alguma forma, isso o deixaria mais próximo dele.


***


Enquanto os outros organizavam suas coisas, Reki ficava tentando decifrar o mapa da cidade, na esperança de encontrar uma pista de skate.

Para alguém que passou a vida toda no mesmo lugar, estar em uma cidade totalmente nova, em um país totalmente novo, em um continente totalmente novo, era assustador.

Mesmo estando com seus amigos e com Langa e Nanako, que conheciam aquela cidade como a palma das mãos, ele se sentia à deriva num oceano desconhecido.

Mas ele estava animado para conhecer a cidade. Só talvez paranoico demais para conseguir se permitir relaxar.

Ele observou que havia uma mala grande encostada no canto da sala. Curioso, ele a abriu e se deparou com algumas pranchas de snowboard.

O design delas era similar ao do skate que o ruivo projetou para Langa. Mas era estranho ver uma prancha tão grande, sem rodas e com fixadores para os pés. Isso o lembrou de quando Langa usava algo parecido em seu skate. E de quando ele prendeu os próprios pés com fita adesiva. Ele riu.

O vermelho sabia que o azulado tinha sentimentos conflitantes sobre o snowboard, assim como tinha sobre vir ao Canadá. Sua mãe deveria ter trazido as pranchas, mas provavelmente Langa ainda não tinha decidido se as usaria ou não.

Pensando bem, Langa praticava snowboard desde os dois anos de idade. Seu corpo e mente eram adaptados para se equilibrar sobre a prancha e executar manobras com ela. Foi por isso que ele conseguiu evoluir tão rápido no skate. Além disso, Cherry disse uma vez que tudo indicava que o pai dele deveria ter sido um mentor realmente talentoso.

Langa já era de longe o melhor skatista que Reki já viu na vida. Mas, então, isso tudo queria dizer que ele era ainda melhor no snowboard do que no skate? Isso ao menos era possível?

Ele foi desviado de seus pensamentos quando sentiu uma corrente de ar fria invadindo o local. Ele se deu conta de que a porta de vidro que dava para a sacada estava aberta.

Ele foi até a sacada. Era uma tarde agradável. O clima mais frio não parecia tão ruim afinal. Dava para ver a cidade toda de lá, quase como mais cedo, no avião. As casas. Os prédios. Até as pessoas.

Ele tirou uma foto da paisagem e enviou para sua mãe. Considerando o fuso-horário, ela deveria estar dormindo, mas imediatamente respondeu com emojis de beijo e coração. O ruivo já estava começando a ficar com saudade.

Reki pensou em como cada uma das pessoas que via, cada uma das casas e carros na rua, tinha uma história única. Era um lugar totalmente novo para ele, literalmente do outro lado do mundo. Será que foi desse jeito que Langa se sentiu quando chegou ao Japão?

Afinal, num mundo tão grande, quais eram as chances de dois garotos como eles, de dois lugares totalmente diferentes, se encontrarem e se tornarem tão próximos? Reki nunca saberia explicar isso.

De repente, o azulado se aproximou dele, lentamente. Ele apontou para o horizonte, além da cidade movimentada, onde estavam as montanhas, cobertas por neve.

— Aquelas são as montanhas onde eu praticava com o meu pai.

Reki oscilou o olhar entre Langa e as montanhas.

— Tá vendo aquela maior? — ele apontou para a maior montanha, bem no centro da paisagem — Aquela era a nossa favorita — ele abriu um sorriso nostálgico. — Tem parques próprios para praticar snowboard em outras montanhas pela cidade, mas o meu pai adorava aquela. Ele dizia que gostava de ter uma montanha só pra gente.

De repente, o sorriso dele desapareceu.

— Lá também foi onde a gente praticou pela última vez. E foi lá onde eu tentei praticar sozinho.

Um silêncio constrangedor pairou sobre eles. Reki queria falar alguma coisa, mas não sabia o quê.

Finalmente, Langa quebrou o silêncio.

— Todo mundo fica me perguntando sobre o snowboard. Eu sei que a minha mãe espera que eu pratique de novo.

Ele se debruçou sobre o guarda-corpo da sacada.

— Sabe, Reki, eu quero andar de snowboard. Eu quero muito. Eu daria qualquer coisa pra poder sentir aquilo de novo.

Ele colocou a mão sobre o peito, como costumava fazer quando seu coração estava acelerado.

— Quando eu competi contra o Adam no final do torneio e entrei naquele estado, a Zona, eu me senti exatamente do mesmo jeito que no dia em que eu pratiquei sem o meu pai. Vazio. Como se nada tivesse mais sentido. Eu só não quero que aconteça de novo. Até porque, de um jeito ou de outro, não vai ser a mesma coisa sem ele.

O japonês colocou a mão atrás da nuca, como fazia sempre que estava envergonhado.

— Pra mandar a real, eu meio que sei um pouco como você se sente. Sabia que eu quase larguei o skate uma vez?

O azulado entrou em estado de choque.

— Como assim?!

O vermelho ficou corado.

— Duas vezes, na verdade. Eu te contei sobre o meu antigo amigo que me ensinou a andar de skate, né?

— Sim. Mas você não costuma falar muito sobre isso.

— Pois é. Bom, ele era meu melhor amigo na época. Um dos únicos que eu já tive antes de conhecer você e a galera do S. Tá ligado, ele andava de skate. Eu achava isso maneiro demais. Mas, no começo, eu não queria aprender porque achava que eu não ia conseguir.

— Você? Não conseguir? — Langa riu.

— É, mano. Mas aí ele me convenceu e me ensinou. Cara, dar meu primeiro ollie foi tão foda! — a expressão dele mudou rapidamente de nostálgica para triste — Aí, você sabe. Ele se machucou feio e parou de andar de skate. Eu ainda queria continuar. Só que eu sabia que não ia ser a mesma coisa sem ele. Mas eu fui mesmo assim. E das primeiras vezes foi totalmente sem graça. Nem parecia que era skate. Mas, no fim, eu acabei conhecendo o S. Depois você. E tudo na minha vida ficou incrível depois disso.

Langa o encarava, pensativo.

— E quando foi a segunda vez?

— Bem… Foi na época do torneio do Adam, quando a gente brigou. Eu achei que, se eu não pudesse andar de skate com você, não valeria mais a pena andar sozinho ou com qualquer outra pessoa.

O azulado ficou sem palavras. Reki imediatamente ficou mais corado do que nunca.

— Mas não é disso que a gente tá falando! — Reki se apressou para mudar de assunto — Se liga mano, o negócio é o seguinte: Se você não quiser praticar snowboard, tá tudo bem. Aposto que tem muitas coisas incríveis que você pode fazer enquanto tá aqui. Mas, se você quiser, você não vai estar sozinho de novo. Eu vou te apoiar, sempre, não importa o que você faça. Eu vou estar com você até o infinito. Fechou?

Reki nunca havia sido tão sincero em toda a sua vida. Langa começou a rir, envergonhado.

— Entendido!

Eles fizeram o seu cumprimento de sempre, com o infinito no final. Reki sabia mesmo como tranquilizar o canadense.

Eles ficaram ali por um tempo, apenas observando as montanhas e aproveitando a companhia um do outro.

Até que Langa teve uma ideia.

— Aí, Reki, quer andar de skate?

Os olhos do ruivo brilharam. Aquele clássico sorriso energético surgiu em seu rosto, demonstrando a animação do garoto.

— Eu achei que você nunca fosse pedir!


***


O snowboard era algo que só pode ser praticado na neve. Não são todos os lugares do mundo em que isso era possível. E, mesmo no Canadá, nem sempre dá para praticar.

Mas o skate é diferente, sem limites. Dá para andar de skate a qualquer hora, em qualquer lugar e em qualquer situação. Como Reki havia ensinado, o skate é infinito.

Langa havia pensado nisso há algum tempo. A viagem toda se tratava de revisitar seu local de origem, com um novo ponto de vista. Unir o presente ao passado. E, depois de tudo o que aconteceu, não existia uma maneira melhor de ver aquela cidade sob uma nova perspectiva do que andando de skate nela. E era algo que Langa estava louco para tentar.

Os garotos combinaram de se encontrar com os outros mais tarde. Eles agarraram seus skates e saíram.

Assim que encontraram o asfalto, colocaram as rodas sobre o chão e subiram nas pranchas.

O céu estava com uma bela coloração rosada. As nuvens refletiam a luz laranja do sol poente. Mesmo ainda sendo dia, a lua já estava visível. Agora, as ruas estavam mais vazias. O som das rodas contra o asfalto era reconfortante.

Reki estava bem ao seu lado, sorrindo. Langa não pôde deixar de admirar como o ruivo sempre ficava radiante quando andava de skate. O céu rosado se encaixava perfeitamente na imagem que via, como se fosse o fundo de uma obra de arte, na qual o ruivo era o foco principal.

O azulado estava acostumado a observar a paisagem de Okinawa quando estava sobre seu skate. Mas, agora, a paisagem que via era a sua cidade natal. Ele reconhecia cada canto dela, não importava para qual lado olhasse. Tudo era tão familiar, tão nostálgico.

Ele sentia a adrenalina e a velocidade tomando conta do seu corpo. Mas aquela era uma sensação diferente. Normalmente, ele sentia o ar quente contra o seu corpo quando andava de skate. Mas, naquele momento, o vento que sentia bagunçando seus cabelos era gelado, algo que ele geralmente só sentia quando praticava snowboard.

Mas lá estava ele, andando de skate no Canadá. Assim como a lua e o sol estavam juntos no céu acima deles, o sentimento de andar de skate com Reki e a nostalgia de estar em sua terra natal tomavam conta, juntos, do coração de Langa.

Ele colocou a mão sobre o peito. Seu coração estava acelerado. Ele se sentia muito bem. E estava extremamente feliz.

Toda essa nostalgia lhe deu uma ideia.

— Ei, Reki! Eu quero te mostrar um lugar. Vem comigo!


***


Andando pelas ruas, Reki conseguia observar com ainda mais atenção a cidade e seus detalhes. Tinham vários enfeites de Natal espalhados por todos os lados. O ruivo achava lindo o modo como o sol era refletido nas janelas dos edifícios, como se cada uma delas tivesse seu próprio brilho. A cidade realmente era movimentada. Pessoas iam e vinham o tempo todo. E carros nas ruas também.

Ele se sentia como um barco à deriva no oceano. Era como um viajante em uma terra distante, o que, de certa forma, era verdade. Tudo era uma novidade para ele.

Entre uma manobra e outra, o japonês seguiu o canadense pelas ruas da cidade.

Ao longo que avançavam pelas ruas, a frequência com que viam prédios começou a diminuir e mais casas surgiam. Em certo momento, chegaram ao que parecia ser um bairro residencial, com casas em estilo americano.

Langa olhava de um lado para o outro, como se estivesse procurando algo. Quando encontrou, parou seu skate. Ele exibia um grande sorriso no rosto.

— Aquela era a minha casa.

Reki olhou para onde o azulado apontava. Era uma casa em um tom amarelo pastel, cercada por uma cerca branca. Tinham luzes piscantes de Natal em volta da porta e das janelas. O espaço do quintal era coberto por um gramado, com algumas árvores, que era cortado por um caminho que dava do portãozinho da cerca até a porta da casa.

— Parece um lugar legal pra morar — o ruivo notou, observando a casa.

— Era mesmo. Esse era um dos lugares que eu mais queria ver de novo. Quando a gente se mudou para Okinawa, a minha mãe vendeu a casa. No começo, a gente queria continuar com ela, por causa do carinho que a gente tinha. Mas, no fim, ela achou que vendendo seria mais fácil pra poder começar tudo de novo.

Se um lugar naquela cidade concentrava mais memórias do que qualquer outro, era aquela casa.

— Quando neva, isso tudo fica coberto. A gente costumava ficar brincando, montando bonecos e fazendo guerra de bolas de neve — ele riu. — Às vezes, o meu pai colocava os bonecos de neve em cima das nossas pranchas de snowboard e fingia que era a gente.

Reki riu. Ver Langa falando com tanto carinho daquilo que amava enchia seu coração de alegria.

O azulado se virou para o japonês.

— Sabe, eu aposto que o meu pai iria adorar conhecer o skate. E eu tenho certeza de que ele também iria adorar conhecer você.

O vermelho ficou corado.

— Aposto que eu também teria gostado de conhecer ele.

Os dois se sentaram na calçada e ficaram observando a casa. Eram apenas os dois, em silêncio. Reki ainda parecia um pouco perdido. Mas ele não precisava fazer muita coisa. O simples fato de estar ali, do seu lado, já fazia Langa se sentir extremamente grato.

O ar ficava cada vez mais gelado conforme a noite se aproximava. Langa estava acostumado com isso. Mas sentado ali, com o vermelho, ele sentiu algo que ainda não estava acostumado a sentir.

O ruivo parecia um ponto de calor, em meio ao frio. O azulado sentiu vontade de se aproximar. Suas mãos queriam poder encontrar as dele.

Ele apenas olhou para o japonês.

— Reki, muito obrigado por ter vindo comigo.

— Até a sua casa?

— Não. Para o Canadá. Não seria a mesma coisa sem você.

Aqueles olhos azuis encontravam diretamente os olhos âmbar do outro. A verdade é que ambos sentiam o calor um do outro e queriam se aproximar.

Langa queria poder dizer o quanto realmente era importante para ele ter o japonês na sua vida. E Reki só queria poder dizer o quanto queria continuar ao lado do canadense em todos os momentos, até o infinito.

Mas nenhum dos dois tinha coragem de ser sincero com seus sentimentos pelo outro.

Como sempre, Reki desviou o olhar, quebrando o contato visual.

— Por acaso — o ruivo tentou encontrar um assunto —, tem alguma pista de skate na cidade?

Langa ficou pensativo.

— Como eu não lembrei disso? Tem sim! Eu nunca fui lá, mas acho que eu sei onde é.

Ele se levantou e estendeu a mão para o vermelho se levantar também.

Mais uma vez, o azulado subiu em seu skate e guiou o caminho.


***


Agora, o sol brilhava vermelho, bem longe, no horizonte. A lua já estava bem acima deles. O frio aumentava a cada minuto, mas até mesmo o japonês estava começando a se acostumar com a sensação.

Finalmente, chegaram à pista de skate.

Ela era bem maior do que a que frequentavam em Okinawa, com rampas enormes e vários corrimãos. Os dois ficaram impressionados. Mesmo para quem já estava acostumado com algo como o S, aquilo era muito legal.

Haviam apenas algumas pessoas na pista. A luz avermelhada do pôr do sol a deixava extremamente bonita, como da primeira vez que Langa deu um ollie. O vento frio que balançava os seus cabelos dava uma sensação agradável.

Os olhos de Reki se depararam com algo que chamou sua atenção. Um grupo de crianças, mais ou menos da mesma idade que suas irmãzinhas, estava aprendendo a andar de skate. Elas riam e pareciam se divertir bastante. O ruivo sentiu uma alegria em seu interior que ele não soube explicar e não pôde deixar de sorrir.

— Cara, isso aqui é incrível!

— É incrível mesmo! Eu nem acredito que isso estava aqui esse tempo todo e eu nunca tinha imaginado!

— Bom, vai ver é porque até então você não tinha porque vir aqui, né? Mas, agora, você tem.

Reki tinha razão. A pista de skate era algo que ele nunca tinha dado importância antes. Mas, a encontrando de novo agora, ela parecia fantástica. Era muito louco pensar nisso.

O ruivo sorriu para o azulado e partiu em direção às rampas. Langa foi em seguida.

Eles ficaram ali, se divertindo, sem se importar com o tempo. Iam nas rampas, nos corrimãos, nos bowls e faziam tudo o que tinham direito de fazer. Testavam as mais diversas manobras. E riam, juntos.

O ar frio contrastava cada vez mais com o corpo quente de Langa. Ele sentia a adrenalina tomar conta de todo o seu corpo. Seu coração se mantinha acelerado.

A cada manobra que fazia, ele sentia sua velocidade aumentar. E, com ela, a sua emoção também aumentava. Mesmo sendo diferente, isso ainda era extremamente familiar.

Então, ele foi em direção a uma rampa, à toda a velocidade. E saltou.

Naquele momento, o garoto sentiu o tempo parar.

Ele estava no ar, mais alto do que qualquer um poderia alcançar. Ele via Reki lá embaixo, o observando com admiração. Lá em cima, ele se sentia leve e livre. Não havia nenhum peso nem nada que o prendesse. Ele era imparável.

Ele olhou para o horizonte, onde o sol finalmente terminava de se pôr. E lá estavam as montanhas, cobertas por neve.

Aquela sensação era extremamente familiar. E era justamente porque era assim que ele se sentia quando praticava snowboard com o pai.

Langa aterrissou. De repente, ele viu uma única partícula caindo lentamente do céu. Ele não conseguiu identificar a princípio. Mas, logo depois, outras começaram a cair. E ele percebeu que era…

— Neve! — ele gritou.

— O quê?!

— Neve! Olha! Tá nevando! Reki, olha!

Reki semicerrou os olhos para poder enxergar. Ele viu os pequenos flocos de neve caindo lentamente. Ele nunca tinha visto isso pessoalmente antes.

Langa estava com um enorme sorriso. Um lindo sorriso, que deixou Reki corado. O ruivo ficou feliz. Tudo o que ele queria era poder ver Langa sorrindo assim de novo.

— Você viu isso, Reki?

Ele riu da carinha de criança fofa que o azulado fazia.

— Eu vi sim, mano! Que demais!

O canadense suspirou, extremamente contente.

— Eu nunca achei que ia ver isso de novo…

Aquele tinha sido apenas o seu primeiro dia de volta ao Canadá. Mas ele todo foi uma grande lição. Uma lição de que as coisas mudam e ninguém nunca está preparado para essas mudanças. Muitas coisas acabam sendo deixadas para trás, enquanto muitas novas surgem.

Mas nem tudo precisa ser perdido. Algumas coisas nós ainda podemos carregar conosco. Somos nós que mantemos as memórias vivas.

Langa não conseguia parar de sorrir. Ele ficou parado, olhando para as montanhas e sorrindo, enquanto a neve continuava caindo.

— Eu já me decidi, Reki!

Ele se virou para o ruivo. Seus olhos e seu sorriso transpareciam a alegria mais genuína que o vermelho já tinha visto.

— Eu quero praticar snowboard de novo!

Notas finais
Obrigado por ler! Me conta nos comentários o que você achou!