Smoke and Fire
19 Capítulo 18 - This chaos around me.
Notas iniciais
Capítulo 18.
“Posso estourar e agir rápido, mas você não vai me ver desmoronar porque eu tenho um coração de elástico” — Sia.
Por: Bubblegum.
This chãos around me.
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Pisquei os olhos, recuperando a memória. Olhei ao redor tentando enxergar alguma coisa, mas minha visão estava completamente embaçada.
Arfei sentindo minha garganta queimar completamente seca. Passei a língua sobre os lábios os sentindo ressecados. Tentei me mover, mas na primeira tentativa senti uma dor agonizante em minhas coxas e braços.
Olhei atentamente, agora finalmente enxergando um palmo a minha frente. Percebi que estava amarrada a uma cadeira. Uma corda grossa estava enrolada em minhas coxas, me prendendo ao assento da cadeira, e meus braços estavam atrás do encosto, igualmente amarrados, assim como meus pulsos.
— O que aconteceu? – Perguntei baixinho a mim mesma.
Sacudi meu corpo, tentando me soltar, mas tudo o que consegui foi uma ardência na pele e um forte latejar na nuca. Grunhi com a dor de cabeça e senti meu estomago revirar. Segurei a vontade de vomitar e analisei o lugar em que estava. Era como um porão: escuro e empoeirado, cheio de bugigangas e sacolas amontoadas.
Resolvi ficar amarrada durante uns minutos, dando tempo para que meu corpo agisse conforme eu desejo.
O silêncio predominou e eu admito ter me perdido em meus pensamentos. O ar estava pesado, com uma atmosfera carregada e isso me embriagou mais ainda e gradativamente fechei os olhos. Estava quase dormindo novamente, mas algo me interrompeu.
Escutei vozes do lado de fora e uns arranhões na parede de madeira. Tentei prestar atenção e após alguns cochichos, a porta do lugar onde estava foi arrombada.
Me sobressaltei e senti meu corpo gelar. Esperei para ver quem era e fiquei surpresa quando Félix e Patrick passaram pela porta. Sem demora Patrick correu até mim.
— Baixinha, o que fizeram com você? – Ele perguntou parecendo estar atordoado. E estava.
— Vamos logo com isso cara, temos que ser rápidos. – Avisou Félix, começando a desamarrar meus braços. Patrick assentiu, fazendo o mesmo com minhas pernas.
— Consegue andar? – Félix perguntou. Assenti.
Me levantei e senti minhas pernas dormentes. Dei alguns passos em direção à porta com os dois meninos ao meu lado. Já estava na metade do caminho quando minhas pernas enfraqueceram e eu caí de joelhos no chão.
— Kethelyn! – Félix exclamou me segurando pelo braço esquerdo.
— Vai na frente e me cobre. Vou pegar ela no colo. – Informou Patrick, segurando-me em seus braços.
Abri a boca para falar, mas a voz não veio.
— Ela deve estar morrendo de sede. – Observou Félix. O loiro pegou uma garrafa e me entregou.
Peguei a mesma, bebendo a água. Um alívio tomou conta do meu corpo e a ardência em minha garganta parou prontamente.
— O que estão fazendo aqui? – Perguntei com uma voz esganiçada.
— A gente veio te salvar, relaxa. – Patrick respondeu calmo e confiante.
— Vamos! – Félix falou correndo para fora do porão.
Patrick correu tendo cuidado para não me machucar e nós saímos.
— Patrick, eu posso andar. – Falei. – Me sinto melhor agora.
— Não, você está fraca. – Ele rebateu de forma séria.
Félix parou, se escondendo atrás da parede para ver se estava tudo limpo. Ele gesticulou e nós corremos até a escada enferrujada que levava ao convés.
— Pode subir? – Félix perguntou. Assenti, descendo do colo de Patrick. – Eu vou na frente. Venha logo depois de mim Kethelyn. – Mandou. Concordei.
O loiro subiu os degraus e eu fui atrás dele com Patrick depois de mim. Félix empurrou a portinha de madeira para cima e nós saímos para o convés do navio pirata.
Abri a boca supressa e assustada. O convés estava um caos.
Haviam muitos piratas lutando contra uma boa quantidade de meninos perdidos. Fiquei horrorizada com a quantidade de sangue no chão. Coloquei as mãos na boca, segurando um grito agudo e sentindo náuseas.
Dei um pulo ao perceber um pirata vir até mim para me matar. Arregalei os olhos e Félix entrou na minha frente, iniciando uma luta com o pirata.
— Vem! – Patrick gritou me segurando pelo braço e correndo comigo, me fazendo tropeçar pelo caminho.
Senti meu cabelo ser puxado para trás e gritei alto, grunhindo de dor.
— Olha só, a ratinha fugiu. – Ouvi a voz de Hook próxima ao meu ouvido.
— Solta ela! – A voz de Peter ecoou e eu o vi pairando no ar acima de nós.
Hook me soltou, me jogando no chão e partindo para cima de Peter. O loiro desviava de seus ataques com agilidade e confundia o pirata com sua magia.
Novamente fui puxada, mas dessa vez foi por Patrick. O moreno me sentou em um lugar afastado, entre algumas coisas e disse:
— Fique aqui e tome cuidado. – Ele se virou, entrando no meio da batalha entre os meninos e os piratas.
Me escondi atrás de um barril e permaneci ali. Procurei por Peter com os olhos e vi o loiro lutar violentamente contra Hook. A sede nos olhos dos dois era tão grande que me fez tremer da cabeça aos pés.
Não sei como, foi muito rápido, a situação mudou parecia que agora os piratas estavam por cima da luta. Os meninos começaram a perder e vários deles caíram no chão feridos, sangrando.
Me desesperei e não aguentei. Procurei por alguma coisa que me servisse de arma e estranhamente – ou por sorte – encontrei um arco e flecha escondidos num cantinho ao meu lado. Sem demora, peguei os dois e os posicionei.
— Está na hora de ser forte Kethelyn. – Murmurei para mim mesma enquanto buscava ser mais corajosa.
Mirei num alvo e respirei fundo, atirando em seguida. A flecha cortou de leve meu dedo e eu foquei no fio de sangue escorrendo em minha pele.
Um grunhido de dor foi ouvido. Levantei meus olhos, fitando a cena de um pirata que teve suas costas perfurada pela minha flecha. Ele caiu no chão, aparentemente morto.
Me senti um mostro por ter feito isso, mas não pude evitar ficar parada sem fazer nada contra aqueles que querem machucar quem eu gosto.
Um baque foi escutado e desviei meu olhar, vendo Peter bater contra o mastro principal. O loiro grunhiu de dor, colocando a mão sobre o tórax. Peter caiu contra o chão do convés. O baque de seu corpo ecoou, fazendo todos pararem de lutar uns contra os outros e observar a cena.
Hook se aproximou do loiro. Peter tentou se levantar, mas Hook o empurrou com o pé. Peter se afastou, rastejando pelo chão e se levantou cambaleando.
Arfei ao ver o rasgo em sua blusa ensanguentada. Sua mão pressionada contra a parte lateral de seu tórax. Vi Hook levantar sua espada e cortar o ar com ela. Peter grunhiu mais uma vez e agora seu peito sangrava. Hook o tinha cortado violentamente.
— Peter! – Gritei correndo até ele desesperada, mas um pirata me segurou assim que me aproximei.
Me debati, tentando me soltar, mas minha tentativa foi em vão.
Hook puxou Peter pelo cabelo, fazendo-o se levantar.
— Eu já disse, não disse Pan? – Ele falou colocando uma espada no pescoço de Peter. – Você morre sozinho e sem amor. – Completou o pirata.
Peter me olhou. Por um segundo eu só pude enxergar ele. Por um segundo só existia ele. E ele precisava de mim. Peter sorriu minimamente para mim antes de ser jogado contra o chão.
— Não! – Gritei batendo minha cabeça na do pirata maldito que me segurava e corri até Peter, segurando-o em meus braços antes que ele atingisse o chão.
Um forte latejar percorreu minhas pernas, em especial no meu tornozelo direito e eu cai com tudo no chão, segurando o loiro.
— Peter! Peter! – Chamei apavorada. Segurei seu rosto com uma mão. Peter me olhou com um olhar fundo e apagado.
Ouvi uma risada de escarnio e levantei meu olhar encontrando com o do pirata a nossa frente.
— Que lindo! – Debochou. – Eu sempre tive vontade de estourar a cabeça de vocês dois. – Hook falou apontando uma arma para nós.
E então tudo foi em câmera lenta. Hook disparou a arma e eu fechei os olhos, esperando pela dor ou a escuridão, mas nada veio. Ouvi alguém gritar “não” e depois vi Patrick cair ao meu lado grunhindo de dor.
Me desesperei. Patrick levou um tiro!
Hook atacou novamente, vindo com sua espada e agora foi Félix quem interferiu. O loiro travou uma luta com Hook, tentando defender a mim e Peter.
— Peter! – Ele chamou recebendo um corte em seu braço.
Patrick se contorceu ao meu lado enquanto os outros viam a cena assustados.
Minha visão embraçou e as lágrimas vieram com força, encharcando meu rosto. Me encontrei perdida, completamente perdida.
Senti algo tocar meu rosto e voltei a olhar para Peter. O loiro me olhou com seus olhos verdes e se levantou. Peter pegou uma das inúmeras espadas jogadas pelo chão e falou:
— Vamos, pare Hook. É eu quem você quer, não ele. – Falou se referindo a Félix. O pirata parou com suas investidas e as voltou para Peter.
— Dessa vez sou eu ou você, Peter Pan! – Falou o pirata.
— Concordo. – Peter respondeu.
Os olhei atentamente. Peter parecia mais forte agora. Ele investia rapidamente contra Hook e seus passos pareciam ser calculados. Peter virou totalmente o jogo e cortou o ar, sua espada indo direto para o pescoço de Hook.
— Peter! – Gritei tentando impedi-lo. Automaticamente o loiro parou seu ataque, faltando poucos milímetros para a sua espada atravessar o pescoço do pirata.
Hook riu e Peter aproveitou e voou, porém Hook agarrou seu pé. Mesmo assim Peter voou para fora do barco com Hook pendurado em seu pé direito.
— Dessa vez é você Hook. – Peter falou. Ele jogou algo no mar e Hook escorregou, caindo.
Corri até a outra extremidade, vendo as águas do mar se abrirem numa espécie de portal e Hook cair dentro dele.
— Rápido, segurem as pernas dele! – Escutei Félix ordenar aos meninos e eles juntos pegaram Patrick, saindo do barco.
Encarei Peter que ainda voava. O loiro desceu, pisando no chão e ofegando de cansaço e pelas feridas em seu corpo. Corri até ele para abraça-lo, mas antes de eu chegar nele, Peter caiu no chão desmaiado.
[...]
Continua...
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