Smoke and Fire
20 Capítulo 19 - Even in your wildest dreams.
Notas iniciais
Capítulo 19.
“Diga que irá me ver de novo, mesmo que seja em seus sonhos mais loucos” — Taylor Swift.
Por: Bubblegum.
Even in your wildest dreams.
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Depois de toda aquela confusão, nós voltamos para Neverland. Félix juntamente com os outros levaram Patrick para que alguém pudesse cuidar de seus ferimentos, e eu fui com Peter para a sua cabana e permaneci lá cuidando do loiro.
Peter continuava desacordado e isso me preocupava.
Observei o loiro. Peter estava mais pálido que o normal, mas felizmente ele parecia estar bem melhor do que quando ainda estávamos no navio de Hook. Desviei meu olhar para o chão e peguei a camisa de Peter. Fitei o estado em que a mesma se encontrava: rasgada e manchada de sangue. Suspirei.
Ouvi um resmungo e olhei para o lado, vendo o loiro abrir seus olhos verdes e me encarar. Sorri um tanto aliviada.
— Kethelyn. – Ele murmurou me olhando.
Me senti meio desconfortável com o seu olhar. Bem, isso já era normal, mas algo me diz que meu estado físico é deplorável. Não quero nem imaginar como eu estou.
— Oi. – Falei acariciando seu rosto. Peter passou a língua sobre os lábios e se sentou na cama.
— Ahrg, — Grunhiu provavelmente sentindo a dor dos ferimentos em seu tórax e peito.
— Não force muito. – Falei. Peter me olhou intensamente e depois de um curto tempo, falou:
— Me desculpe. – Falou sincero. Seu olhar apreensivo e um tanto triste.
Eu fiquei quieta e segurei a vontade de chorar.
— Por que foi me buscar? – Perguntei com a voz falha. – Por que se arriscou por mim? – Ele demorou a responder.
— Acho que já é óbvio. – Ele disse.
Peter se levantou e procurou por sua blusa. A entreguei e ele a vestiu mesmo ela estando daquele jeito e calçou as botas longas e pesadas.
— Aonde você vai? – Perguntei ao vê-lo caminhar até a porta.
— Vou ver Patrick. Algo me diz que preciso ajuda-lo. – Falou abrindo a portinha e descendo. – Você vem?
Assenti e me levantei. Desci da cabana junto com Peter e nós fomos até onde Patrick estava. Cruzamos o acampamento, vendo os meninos comendo em silêncio.
— Pan. – Félix disse assim que nos viu.
Peter o olhou e não disse nada. O loiro apenas caminhou até uma cabana a nossa frente e entrou. Tentei ir atrás dele, mas Félix segurou meu braço me impedindo.
— É melhor ficar aqui até ele voltar. – Falou me soltando. – Vem, vamos comer alguma coisa. – Félix passou seu braço por cima do meu ombro e eu achei o ato meio estranho vindo dele, mas fiquei quieta.
Nós nos sentamos na companhia dos meninos perdidos e comemos o resto da comida. Estava um clima tenso e eu queria que aquilo acabasse. Tudo bem, não estamos em um bom momento e todos sofreram por minha causa, mas eu não suporto ver todos eles com essa expressão vazia.
Tomei coragem e puxei assunto. Por sorte, aos poucos, os meninos iam conversando uns com os outros e aquela atmosfera tensa evaporou parcialmente.
[...]
— Patrick quer falar com você. – Peter me informou saindo da cabana.
— Ok. – Me levantei e fui até lá.
Entrei e encontrei o moreno deitado sobre a cama. Ele estava acordado e parecia bem.
— Já é a segunda vez que você vem me ver porque eu fui ferido. – Ele riu. Sempre tão descontraído, admiro isso nele.
— Oi, como você está? – Perguntei me sentando ao seu lado.
— Bem. Peter me curou dos ferimentos. – Respondeu se sentando. – Mas você está péssima. – Ele sorriu.
— Não quero nem imaginar como eu estou. – Falei, revirando os olhos e abaixando o olhar.
Passei a brincar com a ponta de minha blusa – que estava rasgada de preferência. Eu sentia o olhar de Patrick sobre mim e isso não me incomodava.
— Kethelyn. – Ele chamou.
O olhei e vi o moreno levantar sua mão e segurar meu rosto, acariciando com o dedão a minha bochecha. Patrick se aproximou e eu franzi o cenho. O moreno beijou minha bochecha e me puxou para um abraço em seguida. Fiquei surpresa na hora, mas retribuí.
— Vou sentir sua falta. – Ele falou do nada.
— Como assim? – Perguntei. Ele não respondeu.
— Estou engolindo seu cabelo. – Ele mudou de assunto, rindo e quebrando o clima estranho.
Patrick me soltou, tirando um fio do meu cabelo de sua boca. Ele sorriu de uma forma... Calorosa, talvez? Sorri junto a ele.
— Estou feliz por você estar bem. – Falei olhando em seus olhos cinzas.
— Igualmente. – Ele colocou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha. – Baixinha. – Bagunçou meu cabelo.
Soltei uma gargalhada e fiz o mesmo nele, bagunçando ainda mais – se possível – seu cabelo castanho escuro.
[...]
O dia passou rápido e já tinha anoitecido em Neverland.
Não sei o porquê exatamente, mas os meninos perdidos estavam alegres. Eles continuavam com suas danças estranhas, mas hoje a música estava mais alegre e menos sombria.
Parecia estar tudo mais calmo, mesmo ontem ter sido um dia de caos. Parecia estar tudo em ordem.
Sorri de lado observando os meninos e desviei o olhar, procurando por Peter e não o encontrei. Nem ele, nem Patrick estavam no acampamento. Suspirei e abaixei a cabeça. Fitei meus braços e percebi as várias manchas roxas no mesmo. Pressionei meu pulso sentindo a dor do músculo magoado.
— Hey! – Dei um pulo ao escutar a voz de Peter ao pé do meu ouvido. Olhei para trás o encarando. – Vem comigo. – Sussurrou estendo a mão.
Resolvi não questionar e ergui minha mão, segurando a dele. Me levantei e Peter caminhou ao meu lado indo para a floresta.
Olhei para nossas mãos e me senti feliz. Elas pareciam ser o encache perfeito uma da outra. Às vezes eu penso que Peter é a peça que faltava para que meu quebra cabeça ficasse completo. E talvez ele realmente seja a peça que estava faltando.
— Eu nunca te trouxe aqui, mas pensei que talvez você fosse gostar da paisagem. – Ele disse enquanto subíamos um pequeno morro.
— E onde estamos indo? – Perguntei. Peter parou e eu percebi que estávamos de frente para um grande penhasco.
— Você vai ver. – Falou colocando uma mão em meu ombro e a outra em meus olhos, cobrindo minha visão.
Senti um puxão na boca do estomago e percebi que estávamos em outro lugar. Peter tinha nos tele transportado. Ele retirou sua mão de meus olhos e eu pisquei olhando ao redor.
Abri a boca admirada com a paisagem. Nós estávamos no topo do penhasco e a visão da lua e de todo o mar era perfeita. Era como se a lua e o mar se beijassem e as estrelas testemunhassem o amor deles. Tá admito: isso foi meio (muito) brega.
Meu cabelo foi jogado para trás devido ao vento e uma sensação de paz me preencheu. Senti o olhar de Peter em mim e me virei para ele. Peter possuía um sorriso de lado e estava próximo a mim. Sorri para ele e me aproximei, colocando as mãos em seu peito. Suspirei e ele envolveu minha cintura com as mãos.
— Tinha razão: eu adorei a paisagem. – Eu disse.
Peter beijou o topo de minha cabeça e ficamos abraçados por um tempo.
— Queria marcar esse momento. – Comentei me virando e observando aquela linda vista.
O loiro respirou fundo e encostou seu queixo em minha cabeça, abraçando minha cintura.
— Kethelyn. – Chamou.
— Hum? – Resmunguei.
— Pode me prometer uma coisa? – Ele perguntou. Franzi o cenho, ficando de frente para ele novamente.
— o que seria? – Perguntei.
Peter me olhou com seus olhos verdes esmeralda. Me senti hipnotizada.
— Me prometa que me verá de novo e se lembrará de mim, mesmo que seja em seus sonhos mais loucos. – Ele falou.
— Eu prometo. – Afirmei. Ele colou sua testa na minha. – Peter. – Chamei.
— O que? – Respirei fundo, sentindo meu coração acelerar.
— Eu acho que te amo. – Falei hesitando.
Peter ficou quieto e me beijou calmamente. Arrepiei ao sentir suas mãos deslizarem pelas minhas costas. Levei minhas mãos até sua nuca, acariciando suavemente.
O momento me pareceu perfeito, só existia eu e ele. Peter era a única coisa que me importava e eu não conseguia raciocinar mais nada.
Lentamente ele cessou o beijo e tudo o que vi foi seus olhos cravados nos meus e encontrei ali um olhar de despedida.
Abri a boca para falar alguma coisa, mas minha visão embaçou e tudo escureceu. Senti meu corpo ficar mole e acredito que Peter me segurou. Depois disso não vi mais nada além de escuridão.
[...]
Continua...
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