Smoke and Fire
18 Capítulo 17 - Do not fail again.
Notas iniciais
Capítulo 17.
“Agulha e linha. Preciso te tirar da minha cabeça.
Agulha e linha. Vou acabar morto” — Shawn Mendes.
Por: Bubblegum.
Do Not Fail Again.
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“– Me desculpe. Eu te amo, mas não posso ficar. – Disse a menina com voz chorosa.
Seus olhos sempre alegres agora estavam tristes. Olhei fixamente em seus olhos, procurando aquele amor que ela dizia que sentia. Ele estava ali, mas outro sentimento o ofuscava.
— Vou me lembrar de você. Vou contar aos meus futuros filhos sobre você e nunca vou deixar de acreditar em você. – Afirmou levantando a mão até o meu rosto, tocando-o.
Ela sorriu triste enquanto eu continuei sério. Minha mandíbula doía de tanto força-la para segurar o choro. Eu detestava chorar.
— Adeus Peter Pan. – Se despediu, depositando um “dedal” em meus lábios.
Senti meu coração despedaçar e no momento em que ela se virou, eu soube que não a veria mais. Porém o pior foi sentir que ela tinha levado meu coração junto como se ele fosse uma bela lembrança.
Cai de joelhos, sentindo meu corpo acabado e junto também senti a dor agonizante do enorme corte em meu peito”.
Abri os olhos atordoado. Suspirei e me sentei, sentindo um forte latejar em meu peito. Analisei o local vendo aquela maldita cicatriz. Passei a mão sentindo um choque percorrer meu corpo.
Me levantei e coloquei a blusa de cores escuras, calçando as botas longas em seguida.
“Você morre sozinho e sem amor.” – Relembrei as palavras de Hook. Grunhi de raiva, chutando a parede de madeira da cabana.
— Já estou cansado disso! Essa droga acaba comigo! – Gritei para o nada.
Peguei a adaga em cima de uma pequena mesinha e abri a portinha no chão, passando pela mesma em seguida. Caminhei em direção ao acampamento enquanto tentava ignorar as lembranças passadas que insistem em me perturbar.
[...]
Entrei na clareira e percebi um certo alvoroço. Os meninos cochichavam uns com os outros e quando eu passava eles rapidamente se calavam.
Semicerrei os olhos e fui até Félix. O loiro logo me notou.
— O que aconteceu? – Perguntei mal humorado.
Ele hesitou em responder. Levantei uma sobrancelha.
— Kethelyn não passou a noite na cabana e ainda não apareceu. – Respondeu sem mais delongas. Félix sabe que eu odeio enrolações.
— Hum. – Resmunguei.
— Pan, você fez algo? – Perguntou, me olhando desconfiado.
— Não. – Falei. – De fato eu não fiz nada.
— Uhum. – Ele resmungou. Revirei os olhos, caminhando para a floresta.
Dei alguns passos e logo senti uma presença forte perto de mim. Suspirei, virando para trás e encarando aquela criatura flutuante.
— O que aconteceu com Kethelyn? – Perguntei. Sei que a sombra sabe de algo.
— Fugiu. – Respondeu curto. Não disse?
— Para onde? – Perguntei. A sombra se aproximou mais de mim.
— Jolly Roger. – Respondeu. Resmunguei e voltei a andar, sabendo que ela me seguiria. – O que vai fazer? – Indagou.
— O de sempre. – Dei de ombros.
Senti como se minhas pernas tivessem sido congeladas. Minha sombra pairou a minha frente.
— Não. Você não vai fazer o de sempre. – Afirmou.
Soltei uma risada incrédula.
— E por que não? – Indaguei.
— Você sabe bem o porquê. – Respondeu. – Você já falhou uma vez, não falhe novamente.— Falou indo embora.
Observei aquela criatura flutuante e escuro sair do meu campo de visão. Fechei as mãos em punho sentindo uma raiva crescer em meu peito.
Caminhei até um arvore alta e voei, me sentando em seu galho mais alto. Olhei a paisagem de várias árvores preenchendo o espaço da floresta. Olhei para o céu, vendo que haviam várias nuvens meio escuras amontoadas umas em cima das outras.
Soltei o ar com força. “Que grande droga!” – Pensei.
[...]
— Kethelyn fugiu. – Félix me informou assim que pisei no acampamento.
— É, eu sei. – Respondi atravessando a clareira.
— Você vai busca-la? – Perguntou me seguindo.
— Não. Pretendo deixa-la morrer nas mãos de Hook. – Disse sentindo uma coisa estranha em meu peito ao pensar nela morta.
— O que?! – Félix exclamou. Virei para o loiro, entediado. – Como assim? Pensei que quem a mataria seria você. – Apontou para mim.
— Era meu plano, mas não vale a pena. – Falei friamente.
Félix riu sarcástico.
— Não vale a pena ou você não quer matá-la? – Perguntou. Cessei meus passos e me virei para ele.
— E por que eu não iria querer matá-la? – Félix recuou um pouco, ponderando o que iria dizer.
— Talvez porque você a ama. – Ele disse. Gargalhei.
— Peter Pan não ama ninguém. – Afirmei. Félix me olhou como se não acreditasse.
Ele ficou em silêncio. Félix abriu a boca para falar algo, mas foi interrompido:
— Pan! – Escutei alguém me gritar.
Fitei a mata, vendo Patrick sair por ela carregando uma besta consigo.
— O que fez com ela?! – Gritou vindo até mim.
— Com quem? – Me fingi de idiota.
— Kethelyn! Onde ela está? – Tornou a perguntar.
Pus as mãos nos bolsos da calça e olhei dentro deles.
— Aqui ela não está. – Falei franzindo os lábios.
Patrick respirou fundo, me fulminando com o olhar.
— Graças a Deus que não. – Falou revirando os olhos. – Onde ela está?
— Por que quer saber? – Indaguei quase perdendo a paciência.
— Porque ela é a minha única amiga! Estou preocupado com ela. – Ele respondeu irritado.
— Ah, é? Que lindo! – Falei lhe dando as costas.
Segui pela floresta na esperança de ficar em paz, mas o miserável me seguiu.
— Hey! – Chamou. – Aff! – Bufou ao ver que eu não lhe daria atenção. – Olha cara, eu sei que você não me suporta. Tudo bem! Eu também te acho um insuportável total, uma anta, mas eu preciso saber onde ela está! – Afirmou. Revirei os olhos irritado.
— Jolly Roger. – Respondi. – Pode me deixar em paz agora? – Perguntei caminhando mais rápido.
— Não! – Falou. Eu vou atravessar a minha faca na garganta desse cara!
Continuei meu caminho até algum lugar, tentando fugir de Patrick.
— Ela está com Hook e você não vai fazer nada? – Indagou indignado.
— Por que eu faria alguma coisa? – Perguntei desinteressado.
— Sem joguinhos Pan! – Censurou. – Cara dá para parar de andar?!
Bufei diminuindo o ritmo de meus passos e me virei para ele. Como eu quero fuzilar esse cara.
— Não, mas se você me deixar em paz... – Fiz uma pausa sem terminar minha fala.
Patrick bufou. Ele segurou a besta com as duas mãos e apontou para mim. Soltei uma risada irônica.
— O que foi? Vai atirar em mim? – Provoquei. – Porque se não foi, vai ser uma honra para mim te atravessar com uma flecha. – Falei.
Patrick ignorou o que eu disse e atirou a flecha contra mim. Pensei rápido e segurei a mesma antes que atravessasse meu peito. Ofeguei abrindo um sorriso de lado. Tenho certeza que devo estar com cara de psicopata.
— Você definitivamente quer que eu estore seu crânio, não é? Acredite vou adorar fazer isso. – Falei ameaçador.
— É recíproco! Eu também adoraria estourar o seu crânio, mas te matar agora não vai ser a minha melhor escolha. – Continuou: — É sério Pan, o que vai fazer?
— Por que eu preciso fazer alguma coisa? – Perguntei irritado. Patrick esfregou as têmporas.
— Pan, Hook é um pirata e piratas não são confiáveis. – Começou: — Hook te odeia e Kethelyn está com ele. Sabe-se lá o que ele fez com ela. Precisamos salva-la. – Afirmou.
— Sai do meu pé chulé! – Falei.
— Olha Pan, eu estou à disposição para ir salva-la. Estou apenas esperando a sua ordem. – Patrick disse.
— Hum. – Resmunguei.
— Porém, depois que a salvarmos. – Falou com convicção de que isso aconteceria. – Eu quero que você realize um desejo meu.
Segurei a vontade de rir e levantei uma sobrancelha. Fitei o garoto, que me olhava sério.
— Eu tenho cara de fada madrinha? – Debochei.
— Pior que tem. – Retrucou com provocação.
Fechei a cara.
— O que você quer? – Perguntei.
[...]
Passei o resto do meu dia enfurnado em minha cabana, jogado na cama.
Eu não queria admitir, mas minha vontade era de ir atrás de Kethelyn. Eu não parava de pensar nela. Logo quando a vi, eu soube que ela era problema. Meu problema.
No inicio tudo o que eu queria era por meu plano em prática. Queria faze-la se apaixonar por mim e depois arrancar seu coração, mas parece que meu plano se virou contra mim! É como dizem: O feitiço se virou contra o feiticeiro.
Escutei batidas na porta e cogitei a ideia de fingir que eu não escutei nada.
— Pan, posso entrar? – Félix perguntou do lado de fora. Preferi ignorar. – Pan. – Chamou. Grunhi e manipulei a portinha com magia, fazendo a mesma se abrir.
Félix entrou e me analisou.
— Cara, você tá parecendo uma múmia. – Falou. Outro que quer perder a vida.
— O que você quer? – Perguntei mal humorado. Ele suspirou.
— Nada, só quero te perguntar: qual é seu plano? – Perguntou.
Me levantei irritado e sem pensar, usei minha magia. Levantei meu braço direito e joguei Félix contra a parede, o prensando na mesma. O baque do corpo do garoto ecoou e eu tenho certeza que quem está do lado de fora escutou o barulho.
— Por que eu tenho que fazer alguma coisa?! Ela foi para o navio porque quis, se Hook tiver feito algo com ela que se dane! – Exclamei ainda prensando o loiro na parede do outro lado do quarto.
Félix me encarou fazendo uma careta, provavelmente sentindo dor. Suspirei, descendo meu braço, parando com minha magia. Félix se recuperou, tossindo um pouco e me encarou.
— Sei que vai atrás dela, Pan. Só quero te dizer uma coisa: — Fez uma pausa abrindo a portinha e passando por ela, mas antes de descer, parou e me olhou. – Você já falhou uma vez, não falhe novamente.
Félix foi embora e me deixou com um sentimento de déjà vu.
Suspirei pesado. Não sei o que fazer.
Revirei os olhos e me joguei novamente na cama de folhas. Tampei meus olhos com o braço e suspirei, pensando nos atos de Hook. Eu imaginei que ele está tramando algo. Hook não aprece na ilha para “procurar por comida”. E o seu estranho interesse em Kethelyn deixou isso bem claro para mim.
A ultima vez que lutei contra ele, foi quando Wendy estava em Neverland. O maldito fez o mesmo que fez com Kethelyn. Ele a enganou e eu colaborei já que nunca fui uma pessoa simples de se lidar. Lembro bem como foi. Lembro o desejo de me matar estampado em seus olhos, cada palavra e ainda carrego comigo uma maldita cicatriz de recordação. No final, ele não conseguiu o que queria e como eu infelizmente não consegui mata-lo, o bani da ilha e minha ordem é que ele não se aproxime da mesma em nenhuma circunstância.
Da ultima vez a intenção de Hook era me matar e agora não é diferente. Antes ele usou Wendy e agora está usando a Keth para fazer com que eu lute contra ele. Por que ele quer tanto me matar? Simples, se Hook me matar ele consegue a sua liberdade e pode fazer o que bem entender em Neverland.
É, eu tenho que admitir que ele é esperto... Mas não o bastante.
[...]
“– Vá salva-la. – Ordenou flutuando em minha frente.
— Por que? – Perguntei.
— Porque você quer salva-la. – Respondeu com sua voz sombria.
Encarei aquela coisa escura e de olhos brilhantes. Minha sombra é sem duvida aterrorizante.
— Você é um garoto, um covarde que se esconde! – Me afrontou. Trinquei minha mandíbula com força. – Você é fraco!
— Eu não sou fraco! – Berrei.
— Prove. – Rebateu.
— Eu vou ir atrás dela e acabar com Hook de vez! – Declarei sentindo a raiva aumentar.
— Claro que vai. – Afirmou. – Porém, você não vão ficar com ela. – Falou. Franzi o cenho. – Logo depois que trouxer ela a salvo para a ilha, você vai manda-la de volta ao mundo dela”.
Abri os olhos encarando o teto feito de folhas. Suspirei e me levantei. Sai da cabana e fui até o acampamento. Logo que cheguei, os meninos me olharam esperando que dissesse algo.
— Peguem suas armas. – Ordenei os vendo correr, fazendo o que mandei.
Encarei Patrick – que foi o primeiro a parar a minha frente, esperando a próxima ordem – e falei:
— Jolly Roger não está longe. Ele partiu noite passada. Nós vamos ir até lá e acabar com a raça daqueles piratas fedorentos. – Declarei com ódio presente em minha voz, os meninos exclamaram agitados.
Saímos da clareira, entrando na floresta rumo à praia.
[...]
— É o seguinte: vocês vão de barco e irão esperar meu sinal para atacar. – Falei apontando para os meninos. Eles concordaram. – Patrick, Félix. – Chamei. – Vocês vão procurar por Kethelyn.
— Ok. E você? – Félix perguntou.
— Eu vou ir voando. – Respondi com um sorriso na ponta dos lábios.
— Super justo. – Patrick reclamou revirando os olhos. Ignorei.
— Ah, só mais uma coisa: — Fiz uma pausa, vendo todos me olharem atentamente. – Matem quantos piratas quiserem, mas aquele bacalhau é meu.
Não esperei que respondessem e sai voando até o navio pirata. Senti o vento bater violentamente em meu rosto e zumbir em meu ouvido.
“Dessa vez é o Hook ou eu.” – Pensei me aproximando cada vez mais do navio.
[...]
Continua...
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