Smoke and Fire
8 Capítulo 7 - Follow your heart.
Notas iniciais
Capítulo 7.
“Você tem uma luz jovem, liberte-a.” — Lauren Aquilina.
Por: Bubblegum.
Follow your heart.
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Estava começando a escurecer quando decidi me levantar e voltar para o acampamento.
Para mim voltar seria fácil, mas não é nem um pouco fácil.
Querem saber como eu me encontro no momento? Sim? Bem, eu me encontro cercada de árvores e insetos, no meio do nada! É isso ai! Eu estou perdida.
Agora sim eu entendo o que Peter quis dizer com: “Se vire para voltar para o acampamento”.
Suspirei pela milésima vez e continuei a caminhada. Já deve ter uns 40 minutos que eu ando, ando e ando, e acabo no mesmo lugar. É serio! Parece que quanto mais eu quero sair dessa floresta sinistra, mais ela me confunde, me fazendo permanecer nela.
Finalmente tomei uma decisão: eu vou parar de andar, me sentar e ficar aqui esperando alguém dar a minha falta!
Péssima decisão.
Já está escurecendo e logo isso aqui vai ficar um perfeito breu. Mas como eu sou uma criatura extremamente teimosa, eu vou me sentar porque estou cansada.
Devo ter ficado poucos minutos sentada e para o meu azar a floresta escureceu mais ainda.
Olhei em volta e não consegui enxergar quase nada, e isso me deu um desespero terrível.
Tudo o que fiz foi abraçar minhas pernas e chorar. O que mais eu poderia fazer? Eu estou abalada e confusa.
Me sinto desesperada por não estar entendendo nada. E o pior é que eu não tenho as respostas para nenhuma das minhas perguntas. E acredite, isso é mais desesperador do que imagina.
Meu peito doeu, e um soluço escapou entre meus lábios. As lágrimas escorriam, encharcado meu rosto sem piedade.
— Kethelyn. – Ouvi um sussurro me chamar.
“Ah, agora eu estou num filme de terror!” – pensei, ignorando seja lá quem me chamou.
— Kethelyn. – Chamou mais uma vez.
— O que foi?! – Gritei, irritada.
Um barulho de galhos se quebrando ecoou e eu me encolhi assustada. No meio de uns arbustos, uma figura feminina surgiu. Seu corpo emanava uma luz amarela, e ela não era muito alta.
Quase soltei um grito quando a criatura se aproximou e eu pude ver o que era, ou melhor, quem era.
— Professora Tinker! – Exclamei, com os olhos arregalados.
— Olá, querida. – Cumprimentou. – O que aconteceu com você? Por que esta machucada? – Perguntou, preocupada.
— O que faz aqui? – Indaguei.
— O que faço aqui? Eu moro aqui. – Respondeu, como se fosse algo obvio. Meu queixo caiu.
— O que?! Como assim mora aqui?– Indaguei. Tinker sorriu.
— Fique calma, vou responder todas as suas perguntas. – Disse, esboçando um sorriso calmo. – Venha comigo, vamos limpar isso primeiro.– Falou, apontando para meu joelho e estendendo sua mão.
[...]
— Aqui, sente-se. – Indicou com a mão uma cadeira de madeira, com uma almofada de flor lilás.
Tinker me levou para uma espécie de cabana. Era meio afastada da floresta em que estávamos e o lugar parecia ser cercado por algum tipo de escudo ou magia diferente dos de mais lugares.
Ela se sentou em uma cadeira à minha frente e começou a limpar o machucado. Tremi quando ela passou um paninho branco e molhado em cima do corte.
— Então, por que me trouxe aqui professora Tinker? – Perguntei, fazendo uma careta de dor.
— Primeiramente me chame de Tinkerbell, ou apenas Tinker. – Respondeu. Assenti. – Ah, querida... – Ela suspirou pensado.
Um silêncio agonizante pairou no ar.
— E então? – Perguntei, ansiosa.
— Bem, vou começar do início. – Disse, fazendo um curativo em meu joelho. – Quando te vi pela primeira vez, eu tive certeza que tinha encontrado a pessoa certa. Você tem essa carinha de menina inocente e em seu coração, você carrega um desejo de ser livre. Você queria provar o que é ser livre, mas não queria a liberdade que suas amigas tinham para te oferecer. Você queria algo diferente. – Tinker disse. Franzi o cenho, confusa, enquanto ela continuava: — E eu ouvi seu desejo e como para ter uma prova de que era você a pessoa certa, eu passei aquele trabalho. Escrevi repetidos contos em vários papeizinhos, mas em apenas um escrevi Peter Pan. E foi você quem o pegou. Você é a escolhida. – Ela disse.
— Como assim você ouviu meu desejo? E o que isso tem haver? O que quer dizer?– Perguntei. Tinker se levantou, guardando os curativos que sobraram.
— Quero dizer que você é a escolhida. Apenas você é a salvação de Peter. – Respondeu, me encarando.
— Como é que é?! – Gritei. – Salvação de Peter, pessoa certa... Aonde você quer chegar?! O que esta dizendo?! — Me levantei procurando pela porta e indo em direção a ela. – Eu vou embora!
— Não fuja Kethelyn! – Ela disse me fazendo parar e fita-la. – Sei que esta confusa, que sente saudades de sua casa e que quer encontrar o caminho de volta. – Afirmou, continuando: — Mas você também quer ser livre. Você acreditou e está em Neverland. Você pode ser livre e pode salvar Peter.
Eu não respondi nada. Eu não conseguia – e nem queria – acreditar no que ela dizia. Queria ir embora, mas meus pés se recusaram a se mover.
Engoli em seco, vendo Tinker suspirar e se aproximar de mim.
— Peter esta perdido dentro de si mesmo e preciso que você o salve de sua própria mente.– Falou. – Olhe, vou te contar uma coisa: — Fez uma pausa e eu parei para escuta-la. – Peter é e sempre será o primeiro garoto perdido. – Tinker abaixou seu olhar, antes firme, para o chão. – Ele era um menino dossel, e brincalhão. – Ela sorriu e pude perceber a tristeza tomando conta de sua voz. – Peter era a vida e alegria desse lugar. Sempre voando por ai e tocando sua flauta. Mas ele era sozinho. A única companhia que ele tinha era o homem da lua. E então certo dia Peter recebeu uma visita, e ele ficou encantado com ela. – Tinker suspirou e eu resolvi voltar a me sentar. – Peter teve seu coração quebrado e as cicatrizes permanecem lá até hoje.
Eu pisquei, sentindo um nó na garganta. Uma súbita vontade de chorar me invadiu, mas fiquei firme.
— Agora, Peter não é mais tão alegre e se tornou uma "pessoa ruim". Mas isso é porque ele se sente sozinho e sem amor. – Tinker fez uma pausa e se aproximou de mim. Se abaixou na minha frente e segurou minhas mãos. – Preciso que tire ele dessa escuridão. Preciso que mostre a ele que o amor não é algo ruim e que ninguém vai deixa-lo só novamente.
Eu a olhei, vendo seu olhar suplicante. Suspirei pesado desviando meu olhar para o lado.
— E por que você não pode fazer isso?
— Porque Peter não confia em mim. Não mais. – Falou e sua voz saiu falha.
Pensei por uns segundos ficando quieta.
— Como vou fazer isso? Pensei que eu só tinha que ser livre e não salvar alguém de seus sentimentos. – Falei.
— Peter só pode ser salvo com uma coisa: amor. – Ela afirmou se distanciando. – E isso você tem. Você quer ser livre, e liberdade é o que Peter tem.
— Mas eu não o amo! – Exclamei dizendo o obvio. Tinker sorriu.
— Acredite, você o ama mais do que pensa. E ele a ama também.
— O que?! Nós nos detestamos! – Gritei.
— Se Peter te detestasse, ele já a teria matado logo quando te viu. E não foi isso que ele fez, foi? Pelo contrario, ele não quer de nenhum jeito te deixar ir embora. – Rebateu me olhando novamente. – Você consegue.
— Não, eu não consigo. – Neguei. Tinker fechou os olhos, abrindo-os em seguida.
— Sei que parece ser um peso maior do que você pode aguentar, mas eu sei que você sabe que tudo o que eu disse é verdade. Sabe que consegue. – Afirmou. Eu me virei andando pela casa, passando as mãos pelo rosto.
— Tinker, eu...
— Apenas acredite em si mesma. Você tem uma luz jovem se ascendendo em seu coração. Apenas liberte-a e veja que você é bem mais forte do que pensa. – Ela disse.
Parei de andar a encarando. Eu não sei se posso fazer isso. Parece que esta tudo ainda mais confuso. E na verdade está.
Fechei meus olhos e senti algo crescer em meu peito. Um sentimento forte se alastrou pelo meu corpo e tomei minha decisão.
— Amor, não é? Tudo bem. Como faço para voltar ao acampamento? – Perguntei. Tinker sorriu parecendo estar aliviada e um pouco alegre.
— O caminho vai se abrir para você. Agora sua mente está clara. – Assenti caminhando até a porta, mas antes de sair perguntei:
— E o que eu faço quando estiver frente a frente com Peter? – Tinker sorriu calmamente.
— Siga seu coração.
[...]
Continua...
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