Andou até o quarto ao lado do seu.

Caso Lucy precisasse de algo, ele logo estaria ali para ajudar.

Abriu a porta e se deparou com o quarto de hóspedes de seu castelo: uma cama, duas portas, uma que levava a banheiro e outra ao lugar onde guardavam as roupas, tudo branco e detalhes em creme.

A primeira coisa a se fazer seria providenciar uma penteadeira para Lucy. Ela tinha uma no seu antigo quarto e provavelmente iria querer uma ali também.

Analisou em silêncio cada detalhe deste quarto, comparando-o com o quarto de Lucy.

Talvez ela gostasse de uma prateleira de livros, e mais alguns travesseiros.

"Eu não sou realmente muito bom para pensar em coisas femininas...". – Suspirou, intrigado.

E não é como se soubesse tanto sobre Lucy como sua mãe insinuara.

Tentou pensar nas coisas das quais descobriu que Lucy gostava.

"Bom... Nos dias que passei com ela, vi ela gostar de chá, desenhos, escrever poemas, rosas, branco...".

Poderia colocar rosas brancas em um vaso em seu quarto, em cima de um criado mudo ao lado da cama. Tomaria chá com ela todo dia, já que tinha percebido que a Princesa não gostava realmente da presença de criados.

Estava tão nervoso em relação ao casamento, agora, que não conseguia escolher em o que pensar.

Chamou uma das empregadas que passavam pelo corredor e disse para entregar o bilhete para sua mãe, nele dizia que precisava de um criado-mudo, vasos com rosas brancas, uma penteadeira e qualquer detalhe que a mãe soubesse sobre mulheres que se encaixassem no gosto de Lucy: discreto, simples, branco e rosas.

Agradeceu com a voz baixa e voltou ao seu quarto, que já estava arrumado, graças aos empregados.

Deitou-se na cama e tirou os sapatos com os pés, colocando os braços cruzados atrás da cabeça. A vida dele iria mudar completamente, ele não sabia dizer exatamente o que estava sentindo.

Era confuso sentir tudo aquilo.

Ainda mais que... Estava apaixonado.

Era uma sensação estranha quando você admite a si mesmo: estou apaixonado.

Odiava o fato que queria abraçar aquela garota e não soltar mais. Sentir o perfume doce dela, e olhar em seus olhos verdes, gentis.

Se apaixonou em tão pouco tempo! Sentia-se um idiota completo. Mas era isso que a paixão fazia, transformava as pessoas em tolos completos.

Não iria dormir com a garota de cabelos negros todos os dias... mas em sua lua de mel, acordaria próximo a ela pelo menos por alguns dias, e esse pensamento o agradava.

Lucy, por outro lado, provavelmente estaria triste pela mudança?

Queria perguntar para ela, mas só a veria no casamento, agora.

Sorriu apenas com a ideia de vê-la em um vestido de noiva.

Aquela garota seria inteiramente dele, afinal.

Ah, passaria o resto de sua vida com ela.

Poderia observá-la todos os dias. Iria trabalhar com ela.

Ouvir sua voz.

Sentou-se na cama, apoiando as mãos e olhando pela janela.

O mesmo sentimento de peso o incomodava.

E se... ela nunca o amasse?

Odiaria ver a expressão de tristeza no rosto de Lucy por tanto tempo.

E se... Ela se apaixonasse por outro alguém?

Ela só o enxergaria como uma corrente.

E se ela ficasse cansada de Meguri, algum dia... nunca poderia deixá-lo. Porque iriam estar acorrentados para sempre, por aquelas alianças.

Merda. Ela raramente sorria, e só de imaginar estas situações, Meguri conseguia sentir dores de cabeça.

Queria ver o sorriso dela mais vezes, mas se fosse o motivo de infelicidade dela, isso seria impossível.

Deitou de lado dessa vez, tentando pensar em qualquer coisa que não fosse o que estava acontecendo a sua volta.

Acabou adormecendo pensando na maneira bonita como ela ria, quando a fez cócegas.

Lucy apoiou os cotovelos na mesa do jardim, não estava tomando chá e nem olhando para as plantas. Estava pensativa.

Dentro de dois dias, o lugar que viveu a vida inteira deixaria de ser sua casa.

Não sabia muito bem sobre o que esperar.

Suspirou e debruçou-se na mesa.

Não veria mais o quarto de seu irmão quando caminhasse pelo corredor... e quando olhasse para o jardim, não veria o lugar onde ele sempre estavam juntos.

Apesar disso, esperava que morar em um lugar novo fosse bom.

Quer dizer, veria a mãe com pouco frequência e teria de se acostumar com um ambiente novo ao seu redor.

Mas...

Talvez conhecesse novas pessoas e conseguisse arranjar motivos para sorrir mais.

Suspirou de forma pesada e encarou o vazio em silêncio.

Partindo para seu pequeno mundo particular, em meio ao sono repentino. Dormiu tranquilamente por horas.

Claro, até no outro dia ser acordada pela mãe, em seu quarto, provavelmente tinha sido carregada.

Faltava um dia para seu casamento.

O último dia livre pelo castelo, e o dia que teria que arrumar todas as suas coisas.

Colocar seus lindos vestidos em malas, assim como seus sapatos.

A Princesa não tinha nenhum rancor ou raiva, e sequer um sentimento certo sobre viver com Meguri.

Ele era um homem, e Lucy conseguia sentir um pequeno medo, mas, depois do que ele fez... Conseguia sentir-se protegida.

Suspirou.

A ideia de um dia ter que governar ao lado dele... Fazia a cabeça da garota girar e sentir certa insegurança, mesmo que o Rei sempre tivesse que dar o primeiro passo.

Enquanto se mantinha como princesa, seus deveres eram estudar e aprender, mesmo que fosse estudar como governar um reino.

Agora, como rainha, teria de pôr todo aprendizado em prática. Era tamanha responsabilidade ter todo um país sob controle.

Apesar disso, não se sentia despreparada, estudara e aprendera para aquilo por anos, só... Ansiosa.

Olhou para o lado.

"...Rainha Lucy não soa adorável".

Riu baixinho, com os próprios pensamentos. Ela era assim, ria de coisas bobas.

Sentou-se em sua cama, com as mãos nos joelhos e olhou pela janela. Sentiria falta daquela vista e do vento frio da manhã.

Levantou-se e repetiu o processo de todas as manhãs, tomando banho, se trocando e arrumando os cabelos.

Agora iria arrumar as malas.

Os baús que levariam suas coisas estavam ali, perto da cama, abertos, esperando para serem preenchidos.

Suspirou de forma pesada e passou a mexer em seu closet.

Não queria que os criados fizessem este trabalho para ela, mas estava se sentindo preguiçosa naquela manhã.

Manteve os pés descalços e estava com seu vestido mais leve, suas pernas ficavam expostas até os joelhos, achava sua pele demasiado pálida, mas não odiava isso.

Primeiramente, tirou os vestidos do closet e Colocou-se em cima da cama, para dobrá-los na ordem do menos usado para mais usado. Bem, ela só queria uma ordem para dobrá-los, já que eram muitos.

Deixou os vestidos para depois, decidiu começar pelos sapatos, seria bem mais fácil, não precisavam ser dobrados.

Começou colocando os sapatos num baú só, separando-os por cor. Não levaria todos ou todos os vestidos, já que tinha certeza de que seria espaço gasto à toa.

Escolheu os favoritos e que ainda serviam, e deixou de lado os baixos também.

Depois disso, dirigiu-se até as gavetas de sua penteadeira, tinha jóias em demasia. Algumas com pedras preciosas que em tempos como aquele, poderiam pagar um feudo.

Mas não as usava com frequência, as vezes esquecia, as vezes não estava afim.

Colocou as caixas das jóias em um dos baús e dirigiu-se até o criado mudo. Suspirando. Uma sessão de memórias viria.

Álbuns de foto, pertences que Sean deu pra ela e até mesmo, desenhos, cartas, pequenas coisas com as quais mantinha um valor sentimental.

No mesmo baú que colocara as joias, guardou as lembranças.

Sorriu ao ver algumas delas, outras lhe deram um aperto de saudade no peito.

Ver fotos dela com seu irmão sempre faziam isso. Mas ela ficava tão feliz ao vê-las!

Olhou em volta, aliviada, já tinha feito quase todas suas malas. Só teria que procurar pertences seus que estariam em diferentes cômodos. Como seus cadernos na biblioteca e... Espada de esgrima, na sala de armas.

Talvez algum de seus remédios na ala hospitalar.

Em algumas horas, terminou de arrumar tudo.

Não havia mais nada para arrumar, e agora só lhe restava ir almoçar, já que nem café da manhã tomara e agora já não era mais meio-dia, mesmo que não chegasse a ser meio de tarde.

Ela passou o resto do dia sem sapatos e essa foi sensação mais agradável, provavelmente.