Smells Like Teen Spirit
12 "É uma história sobre amor e vingança"
Notas iniciais
Segunda de manhã...
Chutei as cobertas assim que o despertador tocou anunciando mais um dia de aula. Fui no banheiro fazer minha higiene pessoal e evitar o espelho, sabendo que meus olhos estariam terríveis depois da crise de choro e auto-piedade do sábado de manhã. Tomei um banho de meia hora e sequei o cabelo ainda de toalha. Abri minha gaveta de calcinhas, constatando que só havia uma. Marta ficou louca e resolveu lavar todas?? Vesti a única que tinha e me enfiei dentro de qualquer roupa. Coloquei uma calça skinny preta, uma camiseta de flanela vermelha com mangas compridas e meu all star converse preto na mochila. Alisei os cabelos com a chapinha, coloquei os óculos e desci.
Meu pai e minha mãe não estavam. Viajaram cedo para São Paulo já me deixando de sobre aviso que sexta a noite eu teria que comparecer a um jantar no restaurante de um amigo da família que nem sei quem é. Marta estava voltando da lavanderia e Matt sentado tomando café. É, Matt estava o tempo todo dormindo em seu quarto no sábado. Quando eu o vi tive vontade de bater a cabeça dele no liquidificador, mas me contive. Ele me pediu mil desculpas e tudo, disse que pensou que eu tivesse ido embora pois não me viu na boate. Embora como? Voando? Mas eu ainda vou me vingar.
- Chica o que eu faço com aquela jaqueta de couro que está debaixo da sua cama? – perguntou Marta passando as mãos pelo avental. Jaqueta de couro...
- joga no lixo, queima, dá pro cachorro brincar – falei com desdém. Ela rolou os olhos.
- Vou guardar – desde que guarde bem longe de mim. Não preciso de nada que lembre aquela pessoa na minha casa.
- To vazando – disse saindo pela porta.
- Espera, vamos juntos – falou Matt terminando de tomar seu café.
- Não precisa, eu quero caminhar um pouco – fechei a porta e sai. O céu nublado como sempre pairava acima da cidade. Desci várias ruas e encontrei meu antigo banheiro-vestiário, onde troquei minha roupa e fiz minha maquiagem. Não sai pronta de casa porque não sou anta, tenho vizinhos muito fofoqueiros. Matei tempo na rua comendo Doritos e tomando minha querida Coca-cola. Minhas pernas doíam um pouco, eu desacostumei a andar até a escola. Podia ter ligado pro Sidney me buscar, mas não quero responder ao interrogatório tão cedo. Eu contei tudo por telefone, omitindo a parte que Andrew entrou no meu quarto e tudo que se seguiu depois, mas sei que meu amigo vai querer detalhes que só podem ser dados pessoalmente. Assim que minha mente começou a entrar no assunto ‘Biersack’ eu desviei para longe. Não, não vou mais pensar nele, eu me obrigo a ignorá-lo. Pelo menos hoje e amanhã não tem biologia, então não verei aquela criatura desprezível. Puxei a folha de horários da mochila só para confirmar que tenho dois períodos de literatura, dois de matemática e dois de história. Aproveitei para olhar o visor do celular, eram oito horas e eu me mandei para a PUC.
Passei pelos portões e fui direto para a parte mais sombria e distante do colégio, que ficava debaixo de muitas árvores. Sentei na grama fofa, observando alguns casais partirem dos beijos pro agarramento. Se a PUC tivesse um motel os alunos ficariam mais a vontade.
- Não fale nada. Só olhe para a minha cara e diga o que você vê. Qual é a primeira coisa que você nota? E Não minta – diz Sidney acima de mim, interrompendo meus pensamentos.
- Seus belos olhos castanhos – digo vendo os mesmo rolarem numa careta. Eu sabia do que ele estava falando, mas preferi não dizer. Sid senta do meu lado puxando um mini-espelho do bolso da calça, logo ele começa a inspecionar seu queixo.
- Você é uma mentirosa. Olha está bem AQUI – ele aponta para a espinha – como um farol brilhante e vermelho impossível de ser despercebido! Então nem finja que não está vendo – eu foco o seu queixo, mas é o esmalte rosa-pink fluorescente que realmente chama minha atenção.
- Desculpe, achei que você ia ficar muito traumatizado se eu disesse que estavam brotando tomates na sua cara – falei debochada – e a propósito, belas unhas – ri acompanhando o risinho afetado do Sid.
- Não acredito! Ontem mesmo antes de eu dormir meu rosto estava perfeito e eu acordo com ISSO! Olhe para ISSO! – ele dá um tapinha na cara, em seguida esbugalha os olhos como se tivesse lembrado que deixou a casa pegando fogo – foi macumba! SÓ PODE TER SIDO MACUMBA DA SUICIDE GIRL! – disse num gritinho afônico.
- Suicide girl? – repeti confusa.
- Twitter meu amor, vida social virtual, coisa que você não sabe o que é – respondeu Sid – ela jogou praga em mim! Vaquinha leiteira!
- Você está nervoso demais – digo estreitando os olhos enquanto ele enfia um adesivo escrito ‘bieber fever’ no queixo.
- exatamente – Sid confirma com a cabeça – porque sexta-feira eu tenho um jantar de família, e pra piorar a situação me aparece essa...essa... COISA DO SATANÁS – ele se joga para trás, se deitando na grama. Sidney vivia sozinho aqui em Porto Alegre, e seus pais, empresários, moravam nos Estados Unidos. Sendo assim eles não sabiam que o filho deles era homossexual, e eu acho que Sid não pretende contar nessa sexta, opa, esperaí...
- Sexta-feira? No Restaurante Monte Carlo? – arrisco. Ele me lança um olhar confuso.
- Desde quando você é vidente?
- Meus pais tem um jantar lá, e eu vou ter que ir também – digo. Sid pensa um pouco.
- Acho que nossos pais vão se encontrar – fala ele forçando um sorriso, mas sua expressão é rígida.
- Sid, meu pai não vai falar nada – falo realmente esperando que meu pai não ouse entrar em detalhes com o pai do Sidney.
- eu espero – murmura ele com os cantos da boca para baixo, os olhos tristes – sério, seria um desastre total – ele balança a cabeça e aperta os olhos. Eu fico em silêncio tempo o bastante para um ar carregado pairar sobre nós. Mudo de assunto rapidamente.
- Bom, e de qualquer forma, tu não usa tipo, uma tonelada de maquiagem? – Sid me dá um olhada.
- É. E daí? O que tu quer dizer com isso? É sexta feira, essa bolota de pus gigante nunca vai sair até lá.
- Tá eu sei – dou de ombros – mas você não pode usar maquiagem pra cobrir isso aí? – pergunto e ele faz uma cara feia.
- ah claro, muito melhor sair por aí com um treco gigante na cara só que cor da pele. Tu não tá vendo essa coisa? Não tem como disfarçar, tá fazendo sombra! – diz precipitando um chilique. Levanto as mãos no gesto ‘ok ok, não tá mais aqui quem falou’.
- E então, como estão as coisas com o Sixx? – pergunta depois de um tempo. Olhei para ele que agora estava deitado de lado com a cabeça sobre o braço e o adesivo na cara.
- A única coisa que você precisa saber é que ele é um idiota, nojento e repulsivo. Não quero mais falar nele – digo puxando as graminhas em volta com força – e tu? Já superou o caso ‘guilherme’? – desconverso rapidamente.
- Guilherme? – ele hesita – NÃO REPITA ESSE NOME! Nem pense em tocar nesse assunto Melanie Lockwood! – balança a cabeça me apontando um dedo. Ri abaixando a mão dele.
- Alguém anda infeliz no amor, e não aponta esse dedo na minha cara – digo. Em seguida o sinal para o início das aulas toca, eu me espreguiço e vejo Sidney com cara de tacho na grama.
- Anda moleza.
- Não vou pra aula com essa montanha na cara, me recusooooooo – diz ele manhoso. Engatinho até Sidney e puxo o adesivo do queixo dele ouvindo um ‘ai capeta!’ nada feliz.
- Que ridículo! Todo mundo tem espinhas, mas nem todo mundo tem as melhores notas em literatura. Vem. – me levanto o puxando e nos dirigimos para nossas respectivas salas. Literatura era mais um aula que eu assistia sozinha, sentada no fundão da sala, escondida e excluída. Mas isso nunca me impediu de ter a média mais alta da turma. Entrei na sala esperando ver a Senhorita Florenzo, uma velha baixinha com cabelos brancos e um óculos que pendia centímetros acima do nariz, pedindo silêncio para o bando de balbuínos malucos que se denominavam ‘turma’. De fato, ela estava fazendo isso, mas o que me chamou a atenção foi outra cena.
Para meu horror, Andrew estava debruçado sobre a mesa de Eliana. Sorrindo, fazendo piadinhas e flertando com ela. Em vez de hesitar em frente a porta, ou puxar ele pelos cabelos daquela mesa, eu simplesmente surpreendo-me entrando com tudo. Minha mesa ficava duas classes depois deles, me vi obrigada a passar por ali.
- Com licença – disse chutando a mochila rosa-pink com coraçõezinhos idiotas de Eliana que ficava quase no meio do corredor, atravancando meu caminho. Minha dignidade me faz levantar a cabeça e não encará-los por nada, mas sinto os olhos de Andrew e Eliana em mim. Em seguida começam a gargalhar ao mesmo tempo. Assim que joguei minha mochila na classe e ocupo minha cadeira, a senhorita Florenzo começa a bater com a régua na lousa.
- Todos em seus lugares! Quero ver todos em seus lugares!
Andrew se acomoda ao lado de Eliana e eu fico abandonada no meu canto sombrio, não que eu esperasse que ele viesse se sentar comigo. Coloco livro, caderno e caneta sobre a mesa e retiro meu Ipod do bolso colocando os fones. Idiota, Andrew Dennis Biersack é um idiota, retardado, desprezível e nojento. Não perdeu tempo em arrumar uma vadia pros joguinhos dele. Imbecíl. Vi a figura baixa da professora Florenzo se locomover pela sala e escrever alguma coisa na lousa.
O MORRO DOS VENTOS UIVANTES – um dos meus livros preferidos, foi escrito em letras maiúsculas e vermelhas. Ignorei os risinhos e flertes descarados da mesa logo a minha frente e prestei atenção na aula.
- Eu achei que nossas aulas estavam um pouco ‘tediosas’ – dizia a professora – então eu decidi fazer os trabalhos em forma de teatro – ela juntou as mãos em frente ao corpo lançando um sorriso esperançoso. Os alunos se entreolharam, mas foi alguém lá da frente que perguntou:
- Como assim?
- Vocês irão ler o livro, e em vez de fazer um trabalho escrito, eu vou escolher uma cena e vocês vão elaborar um pequena peça de teatro valendo nota. – explicou Florenzo. Ah, que ótimo. Não acho que a turma vá querer ver meus grandes dotes de atriz, bom, a maioria desse bando de idiotas nunca viu uma peça de teatro, então foda-se. Vários cochichos ecoavam pela sala. Eu queria que alguém levantasse e disesse NÃO, NADA DE REFORMAS NOS TRABALHOS ESCOLARES! QUEREMOS NOS FERRAR VIA PAPEL E NÃO TEATRAL! Mas ninguém o fez. Vendo a aceitação da idéia, a professora deu um sorriso triunfante, abanando as mãos para chamar atenção dos alunos.
- Então, para começarmos eu escolhi o livro ‘o morro dos ventos uivantes’ – apontou para a lousa – nada de grandes espetáculos turma, uma cena básica em dupla – falou ela ligeiramente lançando um olhar para meu assento vazio. Ela vai me colocar em dupla com alguém. E antes de eu terminar meu pensamento a professora estava apontando impaciente para meu lugar. Logo eu vi uma garota de óculos e cabelos negros com duas tranças pendendo de cada lado do ombro vir caminhando timidamente até o meu lado. Ela se sentou encarando sua mochila preta com uma caveira na frente. Analisei melhor, pele levemente bronzeada, maças do rosto bem definidas e vermelhas. Olhos verdes e tímidos. Essa garota não me é estranha.
- Oi – falei dando um sorriso amigável.
- Oi – respondeu ela ainda sem me olhar.
- Qual seu nome? – perguntei.
- Hanna – disse a garota.
- Prazer Hanna, me chamo Melanie. Pode me chamar de Mel – levantei a mão numa saudação informal. Hanna me olhou, pela primeira vez, com um sorriso desajeitado mostrando o aparelho, retribuiu a saudação.
Passei o primeiro período de Literatura conversando com minha nova parceira, que até é bem legal. Ela se chama Hanna Ayres, mora em Porto Alegre há 5 anos desde que se mudou de São Paulo. Tem 15 anos, toca bateria e guitarra, e tem um estilo bem parecido com o meu. Combinamos de ler o livro juntas na redenção quarta-feira e depois ver um filme no shopping. Já gostei dela porque me fez evitar e ignorar totalmente o Andrew e a vagabunda oxigenada dele se comendo na minha frente, enquanto conversávamos.
- Acho que já tiveram tempo suficiente para botar a conversa em dia – falou a senhorita Florenzo sentada em sua mesa – vejamos, o que podem me dizer sobre o livro que sugeri? – perguntou lançando um olhar para toda a turma que abaixaram as cabeças em sincronia absoluta. Ela suspirou.
- Hanna – disse. Minha parceira encostou a caneta no lábio inferior, procurando as palavras.
- É uma estória sobre amor não correspondido e vingança – falou ainda perdida em pensamentos — o patriarca da família Earnshaw resolve fazer uma viagem e traz um pequeno órfão, que dão o nome de Heathcliff. Toda a afeição que o pai logo demonstra pelo menino enciuma seu filho legítimo, Hindley, que acha que está perdendo a afeição do pai para o menino. Sua irmã, Catherine, se afeiçoa por Heathcliff – Hanna mantinha os olhos vagos, como se não estivesse ali e sim viajando entre as páginas do livro, no tempo, vendo as cenas.
- Quando o Sr. e a Sra. Earnshaw morrem – continuou — Hindley sujeita Heathcliff a várias humilhações. Este passa a ficar bruto e melancólico. Apesar do amor entre ele e Catherine, ela decide casar com Edgar Linton, por esse ter melhores condições de sustentá-la que Heathcliff. Ele parte do morro dos ventos uivantes e quando volta está rico e poderoso. Mas ao mesmo tempo sua frieza e sede de vingança o tornam uma pessoa cruel – Hanna balançou a cabeça, focando novamente a sala de aula. Se ajeitando melhor na cadeira ela acrescenta – é um amor proibido que deixa rastros de ira e paixão.
- Se olho para essas lajes, vejo nelas gravadas as suas feições! Em cada nuvem, em cada árvore, na escuridão da noite, refletida de dia em cada objeto, por toda a parte eu vejo a tua imagem! Nos rostos mais vulgares dos homens e mulheres, até as minhas feições me enganam com a semelhança. O mundo inteiro é uma terrível testemunha de que um dia ela realmente existiu, e eu a perdi para sempre – a voz suave e aveludada de Andrew ecoou pela sala, prendendo toda a atenção enquanto citava uma parte da história. Inconscientemente minha mente completou: Ele nunca saberá como eu o amo; e não é por ele ser bonito, mas por ser mais parecido comigo do que eu própria.
- Muito obrigada pela encenação Daniel, ou devo dizer, Hearthcliff – falou a professora Florenzo se curvando um pouco para frente para fazer uma saudação de época. Ele assentiu levemente. Em seguida, ela apontou o dedo impaciente para mim, pedindo uma continuação. Franzi a cara, suspirando.
- Este é um dos romances mais apaixonados que eu já li – disse, e era realmente verdade — O ambiente sombrio e tempestuoso nos transmite um senso de... – senti algo errado, algo se mexendo no meu corpo, algo vibrando – mistério – completei abaixando o tom de voz – a professora ainda me olhava, esperando mais. Mas eu estava ocupada, procurando de onde vinha a sensação estranha, era como um celular, mas só que era na... MINHA CALCINHA. Imediatamente tudo veio a tona: sábado, quarto, calcinhas, Andrew, calcinhas, Andrew. Olhei para o safado que estava com um sorriso debochado e um objeto preto disfarçado na mão esquerda, o controle. Senti outro choque, FILHO DA PUTA!
Andrew’s POVS
Minha vontade era de me dobrar de rir em cima da mesa. A Melanie não sabia se me matava, gemia ou dava atenção a professora. Os lábios curvados e cerrados bravamente diziam que ela preferia a segunda opção. A professora ainda a encarava, juntamente com o resto da turma. Melanie encheu os pulmões de ar.
- É um livro excelente – disse expirando com força. Aumentei para a frequência dois no controle. Ela cerrou os olhos mordendo os lábios. OMG, eu tava me divertindo demais!! Poderia virar uma série de televisão: orgasmos matinais, em lugares inusitados. Ou não...
- Emile Bronte, foi muito esperta em escrever uma história onde em vez de o amor construir, ele destrói – dizia ela se controlando. Os olhos arregalados e a expressão congelada. Devo admitir, a garota sabe resistir. Mas como eu sou uma pessoa muito boa, decidi acabar com isso. Aumentei logo para a frequência 5, ou que eu mesmo denomino ‘êxtase’. Agora o bicho vai pegar.
- INCRÍVEL! – gritou Melanie se levantando e espalmando a mesa com tudo. A garota ofegante, totalmente alucinada – É UM LIVRO INCRÍVEL, MARAVILHOSO, INDESCRITIVELMENTE BOM – berrava ela. Ui, orgasmos. O controle desligou na minha mão e eu enfiei no bolso sem ninguém notar. Melanie desabou na cadeira, respirando alto e com as bochechas muito coradas. Todos a encaravam, situação um pouco tensa demais. Quebrando o silêncio, a professora começou a bater palmas emocionada.
- Isso que é uma fã de literatura – dizia ela. Em seguida todos seguiram o mesmo gesto, inclusive eu. Melanie me lançou um olhar mortal e nessa hora eu soube que devia correr o mais longe possível ou iria sofrer a ‘ira do gnomo vermelho’. Senti algo deslizando pela minha coxa em direção a minha virilha, olhei para o meu lado e Eliana estava com um cara de cachorra me bulinando. Antes que eu pudesse perguntar QUE PORRA É ESSA? Percebi que com toda essa brincadeirinha, eu tinha ficado terrivelmente excitado. DESGRACERA. Meu estado era lamentável.
Para minha salvação, o sinal toca e eu saio quase voando pela porta. Banheiro, banheiro, banheiro, banheiro, banheiro, banheiro, banheiro, banheiro, banheiro, banheiro. Finalmente chego no bendito banheiro e tranco a porta. Mal tenho tempo de respirar e ouço a porta abrir. MAS QUE CARALHO! Me viro abruptamente para trás e dou de cara com a cara de tacho da Mel. Os olhos estreitos, e quase saindo faíscas.
- Como entrou aqui? – perguntei. Eu tranquei a porra da porta. Ela levantou a mão mostrando um molho de chaves.
- Você roubou as chaves? – imaginei Mel dando um golpe na cabeça do zelador e roubando as chaves. Cena épica.
- Não, eu tenho as cópias. Agora – seu tom assumiu um nivel ameaçador – que merda foi aquela, seu desgraçado?
- O quê? Sua performance orgasmática? – falei tirando sarro da cara dela. Sim, eu tenho tendências suicidas. Quando eu achei que ela fosse arrancar a pia do banheiro e bater com ela na minha cabeça, a garota simplesmente se aproximou de mim. Terrivelmente perto o bastante para eu sentir o cheiro do shampoo de morango. Vacilei por um momento, me pegando estranhamente... nervoso?
- Eu tenho pena de você Andrew, tenho nojo de você – falou olhando no fundo dos meus olhos. Seu tom era sério, e algo nele me fez sentir mal, me fez sentir raiva – o que você fez hoje, foi repugnante. Sua infantilidade assumiu um nível totalmente absurdo. Se soubesse o que eu sinto por você agora, desejaria não ser VOCÊ – cuspiu as palavras trincando os dentes. Eu estava prestes a pegar essa garota pelo braço e mostrar toda minha infantilidade interior quando a porta se abre novamente. TÃO DISTRIBUINDO CONVITES PRA FESTINHA PARTICULAR NO BANHEIRO FILHAS DAS PUTAS? Eliana estava parada na frente da porta entre aberta com olhos ameaçadores. Ela entrou e bateu a porta com força.
- O que essa vadia tá fazendo aqui? – perguntou apontando para Melanie que arqueou uma sobrancelha.
- a vadia tá indo embora, e vocês se merecem – disse saindo porta afora. Fiquei encarando aquela porta escura de banheiro por um momento. Não gostava de ver ela indo embora, é algo extremamente irracional, mas não posso controlar. Voltei os olhos para a loira furiosaa minha frente.
- ela entrou aqui sozinha – falei encarando Eliana.
- acho muito bom mesmo, não se esqueça que se eu pegar você com essa retardada, adeus PUC, e olá xilindró – ela riu maléficamente, me causando arrepios – quantos crimes você vai cometer até te pegarem, my dear Biersack? – Eliana estava sendo sarcástica. O que ela sempre faz quando está prestes a surtar de raiva. Eu só aturo essa garota porque ela sabe de coisas que podem me ferrar, e muito.
- vai pro inferno Eliana – vociferei. Não preciso dela me lembrando que eu estou sendo procurado pela polícia.
- ui tá bravinho é? – disse se aproximando de mim como uma gata. Deslizou as mãos pelos meus braços, abrindo o zíper da minha calça. Sabia o que ela iria fazer e não me importava. Sexo é sexo, qualquer vadia imunda serve.
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