Smells Like Teen Spirit

13 E eu pensando porque eu fui te encontrar?


Notas iniciais
Olá Olá ^-^
Esse capítulo era pra ser maior, mas como eu vou viajar (sim, finalmente a viagem vai sair) sexta-feira, quis deixar um capítulo novo de presente pra vocês.
A música do final é 'Abril - Noite'.
Enjoy Baby.

Melanie’s POVS

Depois do meu confronto nada amigável com Andrew dentro do banheiro, eu bati a porta e deixei ele e Eliana lá. Me recuso a imaginar nas coisas nojentas que eles devem estar fazendo neste exato momento. Enfiei a maldita calcinha vibratória dentro do vaso sanitário feminino e puxei a descarga, sorte minha que Hanna anda com calcinhas reservas na mochila. Contei toda a história para ela (que deveria estar boiando totalmente), desde que conheci o ser denominado Andrew até a cena de minutos atrás, e decidimos ir para a lanchonete. A última coisa que eu queria agora era ver o Sixx na minha frente, mas ao mesmo tempo eu queria mostrar pra ele que suas atitudes infantis não me afetavam. E qual a melhor maneira de fazer isso? Aparecer rindo em público, e ele que se foda. Com a maldita lanchonete lotada, demorei quase 20 minutos para pedir um suco de uva natural. Sentei na mesa dos excluídos, que agora tinha uma nova integrante – Hanna – e vi Sidney imerso em seu Blackberry.

- realmente não precisaríamos ler o livro ‘o morro dos ventos uivantes’ denovo, eu sei de cor – começou Hanna desembrulhando um cupcake de baunilha.

- Mas mesmo assim eu quero ir na redenção – disse me lembrando do vento calmo e aconchegante. Um lugar mágico.

- eu também vou – se meteu Sidney sem tirar os olhos do aparelho – aquele lugar é conhecido como o paraíso dos emos gostosos – eu e Hanna reviramos os olhos. De repente ela abaixa a cabeça e suspira levemente.

- O que foi? – Sid levanta a cabeça enquanto ela aponta para minhas costas, com os lábios torcidos e os olhos desanimados, onde todos seguimos seu dedo até onde Andrew está conversando e rindo com Eliana e o resto da ‘elite’ na mesa central. Sidney franzi a cara.

- Quer ir embora? – me pergunta.

- Nem pensar – digo balançando a cabeça. Dou mais um gole no meu suco de uva quando ouço um:

- E aí personas – a voz de Matt veio por trás de mim, e imediatamente ele assumiu um assento ao meu lado, jogando a mochila em cima da mesa. Na mão uma Coca-diet. Não tinha o visto desde que saí de casa, provavelmente chegou agora.

- Vejam quem apareceu! Posso saber o milagre de dar o ar da graça para esses humildes mortais? – pergunta Sid totalmente sarcástico. Matt inclina o braço em direção a ele, gentilmente tirando a franja de cima de seus olhos. Um gesto tão íntimo que Sidney cora, ficando rosa-pink.

- do que você está falando? – diz olhando fixamente para ele.

- a... tu não aparece mais na escola – resmunga se afastando de Matt.

- Eu ando meio ocupado – Matt dá de ombros. É eu sei bem com o quê. De repente ele vira o rosto para o meu lado, e acena. Demorei alguns segundos para perceber que não era para mim e sim para uma das garotas da elite. Até tu, Brutus meu filho?

- Até você?? – pergunta Hanna, falando pela primeira vez depois que Matt chegou.

- Eu o quê? – pergunta ele confuso.

- Você sabe, a mesa da Elite. Onde a peituda te acenou – eu disse gesticulando de leve.

- O sistema de castas do almoço – explica Sidney, colocando de lado seu Blackberry – é igual em todas as escolas. Todos se dividem em panelinhas para manter os outros de fora. Não dá pra evitar, é assim e pronto. E aquelas pessoas ali são o oposto de nós – ele aponta para sí mesmo – também conhecidos como, Os Intocáveis.

- besteira! – diz Matt, debruçando os cotovelos na mesa e abrindo sua coca-diet.

- não importa o que você acha, continua sendo um fato – Sidney dá de ombros, lançando um olhar de tédio para a mesa central. Segui seus olhos e vi Andrew e Eliana no meio dos populares, rindo e fazendo gestos engraçados. Ela com várias rosas brancas espalhadas pela mesa. Quem sabe ele não monta uma cama de rosas brancas em cima daquela mesa de uma vez? Desviei os olhos.

- Sid ficou tão preocupado com você que até desencanou da espinha – diz Hanna se inclinando para tocar minha mão de leve.

- Obrigado por lembrar – Sidney faz uma cara feia e procurou a pereba com o dedo como se esperasse que ela tivesse sumido. Quando a encontrou, ali, jazindo no mesmo lugar, soltou um gemido choramingando baixinho.

- porque ‘preocupado’? O que aconteceu com a Mel? – perguntou Matt totalmente avulso no assunto.

- Sixx – resmungou Hanna. Ele suspirou pesadamente, abrindo a boca como se fosse falar algo e em seguida fechou. E também, eu não queria a opinião dele. Não queria a opinião de ninguém. O que aconteceu hoje foi tipo, a gota d’água. Eu não sei o que pensar, e muito menos o que falar, o Andrew que eu estou vendo agora – sentado naquela mesa, totalmente arrogante – não é o mesmo que me tirou daquele banheiro de boate, não é o mesmo que invadiu meu quarto noites atrás. Ele se mostrou a pessoa falsa que eu jamais pensei que pudesse ser.

- Tive uma idéia, que tal um passeio quarta-feira? – disse Matt animado.

- Vamos pra redenção na quarta-feira – falei rejeitando a idéia de acabar desmaiada em outro banheiro.

- que tal na quinta então? Vamos Mel, vou ser responsável, prometo – ele levantou a mão dando um meio sorriso. Não tive tempo de responder porque Sidney me interrompeu.

- Vamos! Aonde é a festa?

- Ah não! Não vou numa festa com o Sidney – sacudi a cabeça, assumindo um tom bem sério.

- Porque? – perguntou ele piscando.

- Dois minutos de boate e tu já tá atracado com um macho num canto, e depois aja saco pra te aguentar suspirando a semana toda – sorri maléficamente.

- que absurdo! – negou ele se fazendo de ofendido. Um riso se estendeu pela mesa.

- porque não vamos ao parque de diversões que inaugurou hoje? – sugeriu Hanna.

- O Arcanjo? – perguntou Matt surpreso.

- esse mesmo – confirmou ela.

- pode ser pode ser – se meteu Sidney com a cara enfiada no Blackberry novamente.

- fechado então – confirmei virando meu copo de suco enquanto dava uma olhada rápida para a mesa central. Encontrei os olhos de Andrew estreitos e ameaçadores. Idiota.

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Com o trabalho de literatura escrito, só pra garantir, tínhamos o resto da tarde livre para passear pela redenção. Ontem, o dia foi mais light, já que Andrew não apareceu pra nenhuma aula e hoje eu fiz questão de assistir só os períodos da manhã, já que minha mãe me fez ir até o shopping com ela pra trazer um lindo vestido verde de uma manga só. Segundo ela eu fiquei um ‘tchu tchu’ nessa roupa. Meus pais não falavam de outra coisa a não ser esse baile, jantar, festa, recepção no Monte Carlo. Neste exato momento eu estava saindo da Mercedes do Sidney com meu All star sujo e minha camiseta do Asking Alexandria. Atrás de mim Hanna caminhava animada com os lacinhos preto das suas tranças balançando. Depois de por o alarme no carro, Sid logo se juntou a nós, a gravata de seda com caveirinhas combinava com a calça skinny. Nos sentamos em círculo perto do lago, onde ficamos conversando e olhando o movimento. Várias crianças brincavam por ali, casais apaixonados trocavam beijos e carícias. Algumas pessoas formaram uma roda para ouvir dois caras tocar violão. Eu aproveitava o vento quase aveludado e frio que passava pelo meu rosto, bagunçando meu cabelo. Sidney passava cantadas bem descaradas nos garotos que atravessavam nosso caminho e Hanna ria da cara dele.

- Meu deus Sid, deixa de ser tão gay! – debochava ela entre risos.

- Não sou gay, sou bi – corrigiu ele sem tirar os olhos dos garotos. A cara dele era como um cachorro quando via vários bifes andando pra lá e pra cá.

- é a mesma coisa – ela rolou os olhos, com tédio.

- É A MESMA COISA O CARALHO E... – Sid fez uma cara feia que logo desmanchou pra sorrir de orelha a orelha quando um cara todo tatuado vinha em nossa direção. Logo reconheci a figura que minutos antes estavam tocando violão para um bando de garotas eufóricas. A expressão de Hanna endureceu, ficando tensa.

- Olá – disse o estranho. Ele não era muito alto, o cabelo preto com o corte moicano pro lado pendendo acima dos olhos azuis vítreos. A boca repuxada para um sorriso convidativo. Na mão ele segurava um violão preto, que combinava com a calça skinny e a camiseta do Nirvana cortada.

- E aí – dissemos eu e Sidney (muito animadinho) juntos.

- A Hanna nem apresenta os amigos – falou ele olhando para minha amiga que parecia nervosa – ah propósito meu nome é Arthur, Arthur Ayres – acrescentou rapidamente sem desmanchar o sorriso. Ayres?? Eu e Sidney olhamos para Hanna confusos.

- Arthur é meu irmão por parte de pai – falou ela num fôlego só.

- tá, agora que os irmãozinhos já se reecontraram, os amiguinhos se conheceram, dá pra dá um espaço aí? Tá calor no sol, se vocês não perceberam – disse o outro cara, alto e magricelo que estava atrás do Arthur. Logo foi se sentando e se auto-convidando para pegar MINHA lata de coca-cola.

- e quem é o folgado? – perguntei sibilando para o ser com a camiseta azul-marinho cortada que estava terminando com meu refrigerante.

- meu PIOR amigo, William – disse Arthur apontando para o amigo que me acenou sarcásticamente.

- vocês tavam tocando violão agora pouco né? – perguntou Sid com um brilho encrenqueiro no olhar. Arthur assentiu com a cabeça e William fez cara feia.

- toca um música pra mim????? – Sid fez cara de cachorro perdido em dia de chuva. Os olhinhos brilhando. Ai ai ai...

O tatuado se sentou do lado de Sidney, que estava de pernas cruzadas com o queixo apoiado nas mãos, virado para ele. Pegou o violão no colo, tocando algumas cordas. Hanna tinha os olhos apertados encarando Sidney, deve ser o tipo de irmã ciumenta que não gosta do amigo gay dando em cima do irmão. Vejamos... teremos problemas. Vendo essa situação como uma caça, Sid é o leão, Hanna é a raposa e Arthur é o veado (sem referências). O Leão não vai desistir tão fácil, mas se a raposa for esperta o bastante pode evitar que o veado seja pego. Certo, esssa explicação ficou horrível, o que eu quero dizer é que Sidney já pegou até cara hétero, se ele quiser, o Arthur tá no papo. Os primeiros acordes do violão me tiraram de meus pensamentos imersos.

Caiu a noite tão depressa, e eu ali parado esperando a música parar.

É uma noite dessas, e eu pensando porque eu fui te encontrar.

Flores atiradas na calçada um adeus tão frio e mais nada, seja como for...

Se hoje eu não te tenho mais, ter tudo não me satisfaz.

E se eu não fui bom nisso, se eu não soube te fazer feliz, você foi um vício...

Levou a minha paz.

Eu não sabia se era Hanna ou Sidney que tinham os olhos mais brilhantes e grudados em Arthur. Ele cantava bem, tão bem que começava a atrair vários olhares. William apenas boiava encarando a latinha (MINHA LATINHA) de coca, que nem faço questão de recuperar.

E no final da festa, teu olho verde não mentia mais, não.

E o que me resta? É ir embora, ir embora!

Uma história muito mal contada, página virada, aonde foi que eu encontei você?

Abracei meus joelhos e fechei os olhos, sentindo uma pontada de semelhança naquela letra com a minha vida. E mesmo tentando bloquear as imagens daquela infeliz noite de outubro, elas foram jogadas na minha cara, como bombas. Porque eu fui te encontrar Andrew?

Se hoje eu não te tenho mais, ter tudo não me satisfaz!

E se eu não fui bom nisso, se eu nao soube te fazer feliz;

Voce foi um vício...

Se hoje eu não te tenho mais!

Ter tudo nao me satisfaz!

E se eu não fui bom nisso, se eu não soube te fazer feliz...

Você foi um vício...

Você é um vício, inegavelmente você é um vício. Meu pior vício, o mais cruel, o mais intenso. Por mais que eu diga que não, por mais que eu minta pra mim mesma, essa é a verdade. Mas eu nunca vou admitir pra esse ser que me despreza que eu o amo. Jamais.

Levou a minha paz...

Notas finais
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