Notas iniciais
Estou eu novamente aqui! É minha criatividade voltou, yeah! kakakaka Bom, tenho uma má notícia para vocês: eu vou viajar essa semana e não sei quando volto DD:
Isso significa um tempo sem postagens.

Ela segurou a rosa pelo cabo com um sorriso felino nos lábios e moveu a boca para dizer alguma coisa que eu não poderia ouvir do outro lado da lanchonete.

Cretino. Virei a cara e alinhei os ombros. Sidney estava com os olhos grudados as minhas costas.

- para de olhar – rosnei cutucando a mão dele sobre a mesa.

- é difícil, meus olhos vêem o que eu acho que estou vendo? – me perguntou ele ainda sem desviar o olhar.

- se é mesmo o Andrew em volta da Eliana igual cachorro no cio? Sim é ele – falei com sarcasmo. Coloquei minha mochila no colo, um obstáculo caso meu ‘eu violento’ assumisse o controle e fosse na maldita mesa dar uns tabefes em alguém.

- caso lhe interesse, ele sentou e passou a mão pelos ombros dela. Estão conversando, calorosamente eu diria – senti meu sangue começar a esquentar. Não que eu me importasse com quem o Sixx fica ou deixa de ficar, mas a coisa andou um pouco rápido demais. Ele me disse que não viria a aula hoje, mas era mentira, foi comprar uma rosa pra vadia dele.

- ela mordeu o queixo dele – falou Sidney.

- não precisa narrar! – falei entre dentes. Ele me analisou por um momento, piscando.

- e depois diz que não gosta dele... – um sorriso triunfante relampejou em seus lábios. Estreitei os olhos o fuzilando. O Sinal estridente que marcava o início dos últimos períodos soou. Catei minha mochila e saltei da cadeira, Sidney veio atrás de mim. Olhei por entre a multidão, mantendo os olhos bem distantes do ‘casalzinho feliz’.

- Sid, cadê o Matt hein? – perguntei. Não havia visto ele na lanchonete, nem quando cheguei.

- não vi ele, acho que não veio pra aula hoje – Sidney deu de ombros.

- não veio? Que bonito da parte dele – bufei. Espero que a desculpa pra me fazer perder várias aulas e me estressar com o Sixx seja muito boa, caso contrário teremos um funeral para bolar. Afastei Matt da minha mente, preciso estar calma para encarar essa aula de biologia. Dobrei um corredor e avistei o matadouro, ou melhor dizendo, a sala. Vários alunos enrolavam do lado de fora, Sidney ainda me seguia.

- pensei que a aula de história fosse a dois corredores atrás – disse gesticulando o polegar para trás. Sidney deu um sorriso travesso.

- troquei meus períodos, quero assistir o show – ele piscou. Revirei os olhos. Pelo menos eu não estaria sozinha. Entrei na sala e me empoleirei na minha cadeira, Andrew ainda não tinha chegado. Busquei Sidney com os olhos e o vi sentado numa mesa do fundo, junto com uma garota de óculos e aparelho. Ele acenou para mim e mandou um beijo.

Plantei os cotovelos na mesa e tentei não encarar a porta. Foi inútil, dois minutos depois Eliana atravessou agarrada no braço do Sixx, um sorriso estampado na cara. O professor entrou logo atrás ordenando que todos se sentassem. Eliana fez a gentileza de trazer Andrew até o lugar dele.

- eu volto pra te buscar Dan – falou dando um beijo demorado na bochecha do “Dan”. Senti meu estomago se revirar. Ele ocupou seu lugar e eu fitei a lousa decidida a ignora-lo.

- turma, os trabalhos por favor – anunciou o senhor Smith. Peguei minha mochila tateando a mão entre os cadernos a procura de uma folha solta. Meus olhos se arregalaram a medida de que eu não encontrava nada. Ah não! Eu não passei por tudo aquilo pra levar um zero! Enfiei a cara dentro da mochila, é não tinha nada. Senti minha garganta se fechando, ontem quando eu cheguei da casa de pôquer eu joguei a folha por cima da mesa. Já devia tá até no lixo. Fechei os olhos me sentindo extremamente cansada, porque eu levantei da cama hoje?

- Melanie, o trabalho – dizia o professor com a mão estendida sobre mim. Eu o encarei tentando formular qualquer desculpa rapidamente.

- Aqui – falou Andrew entregando duas folhas ao senhor Smith. Eu o olhei confusa, com cara de “ah?” – Mel esqueceu o trabalho no meu carro – acrescentou. O professor passou os olhos dele pra mim com uma expressão que dizia “é isso mesmo ou ele fez seu trabalho?”

- é exatamente o que eu ia lhe falar, estava procurando meu trabalho e não achei. Porque tinha esquecido no carro do Daniel – disse o mais convincente possível. O Senhor Smith assentiu e foi recolher os outros trabalhos.

- cadê meu ‘obrigado’ ? – perguntou Sixx com um sorriso conspiratório.

- porque fez meu trabalho? – rebati.

- sua lista estava um tanto ‘negativa’ – ele fez uma careta – dei uma ajudinha mais positiva – sua cara era de criança que acaba de fazer travessura. Ai meu Deus... abri a boca imaginando as barbaridades que não deviam estar naquela folha.

- o que você escreveu? – exigi.

- quando ele te devolver você lê – Andrew passou o braço pelas costas da minha cadeira chegando mais perto. Sua mão estendida por cima da minha mochila. Eu acho que ele não estava ciente de como nossa posição estava íntima, e se estava, pouco se lixava pra isso. Estávamos a dois palmos de distância. Isso não era bom. Senti minhas mãos começarem a suar, mas eu não iria limpa-las agora, não com o Sixx olhando.

- eu te deixo nervosa Mel? – murmurou num tom perigosamente baixo e provocante.

- você me deixar nervosa? Se toca – para minha desgraça eu senti minha voz tremer, isso só acontecia quando eu mentia. Andrew abriu a boca para falar alguma coisa, mas desistiu. Seus dedos desceram pelo meu braço provocando um arrepio e pararam na palma da minha mão.

- porque está suando então? – perguntou com um sorriso selvagem. O professor andava de um lado para outro da sala, estava falando alguma coisa, mas como eu estava submersa na minha conversinha particular, não ouvi uma palavra. Trinquei os dentes.

- para de fungar no meu cangote sua namorada tá vendo – rosnei tendo o cuidado para não alterar a voz. Sua expressão ficou tensa.

- ela não é minha namorada – falou ele devagar, como se medisse cada palavra.

- ah não, claro que não – rebati com desdém.

- Melanie diga três qualidades em um possível parceiro? – latiu o senhor Smith parado na frente da minha mesa. Eu não entendia a parte do ‘possível parceiro’, me perdi mesmo foi em ‘três qualidades’.

- pode repetir a pergunta?

- diga três qualidades em um possível parceiro – repetiu ele. Olhei de canto para Andrew que estava atirado na cadeira com as pernas estendidas para o meu lado. Puxei o ar sonoramente.

- nunca parei pra pensar nisso – disse.

- pense agora – insistiu o professor.

- não pode perguntar pra outra pessoa primeiro? – ele se virou para Andrew balançando a mão impaciente.

- Você, Daniel.

- Inteligente, atraente e submissa – falou prontamente, me encarando. O professor se deu ao trabalho de escrever as palavras no quadro.

- submissa? – repetiu o senhor Smith confuso. Andrew assentiu esbarrando o joelho contra o meu, num gesto dirigido exclusivamente a mim. Ele repetiu a palavra submissa, sem fazer som. Não sei o que ele quis dizer com isso, e nem quero descobrir.

- o que isso tem haver com biologia? – perguntou Sidney num tom tedioso lá do fundo da sala. O professor se virou para encara-lo.

- desde o início dos tempos os machos se sentem atraídos pelas fêmeas mais bonitas e jovens. Para a continuação da espécie não faz sentido acasalar com uma mulher doente e velha que não vai poder cuidar da prole mais tarde. Já as mulheres procuram um homem capaz de protege-las juntamente com a cria. As raízes dos nossos antepassados estão mais presentes em nós do que pensamos. Porque não nos apresenta sua pequena lista senhor Andrade? – Sidney deu um sorriso e levantou a mão.

- Lindo, rico e perigoso – a cada qualidade ele levantava um dedo.

- perigoso? – perguntou o senhor Smith.

- quem não gosta de um Bad boy? – Sid deu de ombros.

- homens perigosos é um sinônimo pra homem forte. Ou melhor dizendo, a garota se sente protegida na companhia do mesmo – ele apontou um dedo para Sidney – herança de nossos antepassados – um sorriso triunfante.

- isso não é muito justo – protestou Eliana.

- não é questão de justiça e sim da natureza humana – ele se virou abruptamente para Andrew – Daniel, você está numa festa cheia de garotas. Loiras, morenas, ruivas de todos os estilos e tamanhos. Você acha uma que se encaixa na sua lista: inteligente, atraente e submissa. Como faz para mostrar a ela que está interessado?

- eu a escolho – falou Andrew calmamente – vou falar com ela.

- correto. Mas eis a questão – ele olhou para a turma e dirigiu os olhos para o Sixx novamente, apontando o indicador – como sabe que ela está interessada? – perguntou desafiador.

- ela me encara? Move o corpo na minha direção? Mexe no cabelo e desvia o olhar? Como a Melanie está fazendo bem agora? – a gargalhada tomou conta da sala. Deixei minhas mãos caírem no colo, incrédula – está no papo – acrescentou Andrew com um sorriso dirigido a mim. O professor batia palmas entre gargalhadas.

- isso! isso! Viram turma? É a natureza em ação! – exclamava o senhor Smith. Tomara que a natureza em ação leve seu carro numa enchente!

- você morde o lábio tentando se conter, gosta da atenção, mas não sabe como lidar com ela. Passa a mão na pele de seu braço afim de desviar a atenção de seu rosto para seu corpo. Ambos muito atraentes – continuou ele em suas observações biológicas. Espalmei as mãos na mesa e levantei a cabeça com o pouco de dignidade que me restava.

- Isso é ridículo! – esbravejei.

- quando vamos começar a falar sobre sexo? – a voz de Eliana veio do fundo da sala.

- esse não será seu tema de casa hoje senhorita Stanfour – falou o professor animado. O Sinal para o fim das aulas soou, graças a Deus.

- Nos vemos amanhã, parceira – Andrew piscou e se lançou porta afora. Segundos depois Eliana foi atrás dele. Joguei minha mochila e levantei encontrando o olhar de Sidney.

- Mel, aquilo foi muito tenso. O professor praticamente botou você e o Andrew pelados, na horizontal, fazendo aquilo e...

- NÃO PRECISA ME LEMBRAR DISSO ! – lati, limpando as mãos na calça jeans. Ele colocou as mãos para frente como quem diz “tudo bem” – pode ir indo, tenho que falar com o professor – falei suspirando.

- te encontro em cinco minutos no portão – disse dando um tapinha no meu ombro. Fui até a mesa do senhor Smith que corrigia alguma coisa. Coloquei as mãos sob as pastas dele me apoiando.

- Professor eu quero que me troque de lugar – exigi educadamente. Ele tirou os olhos das folhas e me olhou com curiosidade.

- qual é o motivo? – perguntou.

- Daniel está me constrangendo – Andrew Dennis Biersack está com uma identidade falsa e me constrangendo!!!

- Melanie – ele falou calmamente como se falasse com uma criança – se você tem problemas com timidez, sugiro que supere – timidez?? Timidez?? Porra timidez é uma coisa, ser usada como fêmea-cobaia é outra!

- não é timidez, eu realmente estou constrangida. Tenho medo que isso vá afetar meu desempenho na matéria. Não podia me deixar sentar com qualquer outro aluno? – recorri tentando argumentar. O professor largou a caneta e me olhou mais sério.

- claro que sim – não tive tempo de agradecer quando ele emendou – quando repetir, pode sentar com qualquer outro aluno ano que vem – o tom de voz me dizia que não teria uma revogação.

- Não entendo por que faz questão de que eu me sente com ele! – exclamei.

- tenho meus motivos – um brilho furtivo em seu olhar deixava a palavra ‘SUBORNO’ pairando no ar. Eu não podia afirmar com certeza, mas era a única explicação. Mordi o lábio com raiva e fui marchando em direção a porta.

- Melanie – chamou o senhor Smith, me virei esperançosa.

- deixou cair – ele apontou para o chão, onde jazia uma Tulipa vermelha.

- não é minha – falei com uma careta. Eu me lembraria se estivesse com uma tulipa vermelha na minha mochila.

- estava dependurada no bolso da sua mochila, eu vi quando caiu – disse o professor assentindo. Ainda sem saber de onde saiu aquela flor, juntei do chão e sai da sala.

Do outro lado do portão, avistei Sidney debruçado com as mãos no capô da Mercedes.

- más notícias: não consegui que o senhor Smith me trocasse de lugar – anunciei amargamente.

- não lute contra o destino Mel. Eu vou ser a madrinha do seu casamento – falou Sid entre pulinhos – já vou avisando que irei com meu shortinho de lantejoulas cinza e meia arrastão hein.

-claro,eumsaltovermelho15centímetros–acrescenteimejuntandoabrincadeira.Elecomeçouarireeuoacompanhei.Duranteodiainteiro,oupartedele,foiaprimeiravezqueeurideverdade.SóvocêheinSidney.Seusolhosforamparaminhasmãos,euaindaseguravaatulipa.

- Aceitando galanteios do velho Smith – disse, seu tom incitando malícia.

- Ai que nojo Sidney – revirei os olhos – não sei quem me deu, ou se alguém me deu. Apareceu na minha mochila – fitei a flor que murchara um pouco, mas mesmo assim continuava bonita.

- Meeel – chamou ele, com um gritinho baixo no “ee”. Segui seus olhos e vi Andrew para a porta de seu Jeep Commander reluzente. Ele me olhava com uma expressão divertida. Os cantos da boca se viraram para cima num sorriso diferente que combinava com os olhos tímidos, não pude deixar de sorrir de volta. Ele sorria como alguém que pede desculpas. Desviei os olhos e entrei no Mercedes. A noite caía, assim como o vento gelado. Os finos raios de sol morriam no horizonte, e a tulipa vermelha morria em minhas mãos pálidas. Um contraste bonito.

Notas finais
E então?