Smells Like Teen Spirit

6 Trabalho de Biologia quase impossível


Notas iniciais
Esse capítulo ficou um pouco confuso, mas vai clarear no próximo. Enjoy.

- Não, nenhum professor – disse olhando para o senhor Smith que tinha uma sobrancelha arqueada. Não, eu não ia fazer um escândalo por sua causa Andrew, se você quer brincar, vamos brincar. Forcei um sorriso. O professor se afastou e eu abri meu caderno tirando uma folha, coloquei-a na capa rabiscada e olhei pra Andrew que me fitava.

- Bom, vamos começar. Qual sua idade? – ele continuou me encarando. Eu comecei a bater com a ponta da caneta no papel, impaciente. De repente Andrew se curvou sobre mim, com todo aquele tamanho aterrorizante e pegou o papel da minha mão amassando até formar uma bola. Em seguida arremessou na lixeira que ficava próxima a porta. Eu encarei a lixeira com incredulidade e raiva. Tudo bem, não preciso disso! Tirei outra folha do caderno, peguei meu celular e digitei “Andrew Dennis Biersack” na pesquisa. Depois de alguns segundos apareceu a biografia completa dele, virei o celular para que meu querido parceiro pudesse ver. Eu queria esfregar na cara dele que não precisava que me ajudasse em nada.

- Não preciso de você – sorri vitoriosa. Ele tirou o celular da minha mão e colocou em cima da mesa, com uma mão puxou minha cadeira pra mais perto dele, ficando com o rosto a centímetros do meu.

- O professor disse que ia checar a autenticidade das informações – ele falava baixo sarcástico – e eu sou Daniel Druzzian, transferido do Canadá. Se escrever qualquer coisa que eu não tenha dito, vai ganhar um zero bem redondo senhorita Lockwood – senti a pele do meu queixo esquentar com o hálito quente, a voz provocante me fez arrepiar os pelos da nuca. Ele tinha razão, ele era Daniel agora e não Andrew. Exalei. Segurei a caneta com mais firmeza entre os dedos, evitando que por eventualidade ela perfurasse a mão de certo alguém...

- Desembucha – falei sem retirar os olhos do papel.

- Achei que tinha dito que não precisava de mim – Andrew cruzou os braços sobre o peito e relaxou na cadeira. Suspirei, revirando os olhos e procurando por paciência.

- Isso vale nota, por favor coopere – falei asperamente.

- E o que eu ganho em troca? – o tom de malícia era explícito. Joguei o caderno em cima da mesa.

- Que tal eu não ir agora mesmo na frente dessa sala lotada e revelar sua identidade secreta? – disse triunfante.

- Vão te chamar de louca – Andrew deu de ombros.

- Aposto que não – retruquei.

- Quer pagar pra ver? – havia algo na expressão dele que tirou todas minhas esperanças. Se ele não foi reconhecido quando entrou, provavelmente não seria agora. Existem muitos fãs que se vestem iguais aos seus ídolos, ai que droga. Fiquei em silêncio, faltava alguns minutos para o término das aulas. Olhei novamente para ele que tinha uma cara divertida, claro, meu desespero pra ele era engraçado. Idiota. O sinal tocou fazendo meus tímpanos vibrarem. Andrew já ia se levantando quando puxei seu braço.

- Por favor, só algumas perguntas – eu tava engolindo meu orgulho por uma lista de características estúpidas de alguém mais estúpido ainda. Ele apoiou um joelho na cadeira e pegou minha folha e a caneta tão rápido que eu nem pude protestar. Ele dobrou o papel uma vez e me entregou. Em seguida se lançou em direção a porta.

Abri a folha e estava escrito “Me liga” com a caligrafia impecável. Minha vontade era de fazer ele engolir aquela folha, não vou te ligar! Amassei e joguei dentro da mochila. Marchei pelo pátio até o portão. Senti uma mão puxar meu braço, me virei com um cara furiosa.

- Ai que medo – falou Sidney piscando duas vezes. Matt estava atrás dele.

- Que houve pra você tá com essa cara de cachorro que não ganho osso? – falou.

- Andrew – rosnei e fui andando com passos pesados até a BMW.

- Cadê ele? – perguntou Matt olhando em volta.

- Tava na minha aula de biologia a cinco minutos atrás – respondi.

- opa, ele é o novo professor? Quando é o reforço? – disse Sidney com suas segundas intenções quase desenhadas no ar.

- Não, ele é o aluno novo! Daniel Druzzian – cuspi as palavras com raiva. Eu não estava olhando, mas quase podia ver Sidney abrindo a boca de surpresa.

- peraí ele tá com identidade falsa? OMG que babado! – falou quase dando pulinhos de euforia. Enfim chegamos até a bendita BMW, me joguei no banco traseiro.

- Que bom que você ficou animado, porque eu não – disse.

- Credo Mel, porque você odeia tanto o menino?

- PORQUE ELE ME IRRITA!!! – gritei. Levei as mãos até a cabeça massageando minhas temporas, que ódio que eu sinto dele. E mais ódio de mim por deixar que ele me leve a beira da loucura! Abri os olhos e vi Matt e Sid piscando e me encarando.

- Que foi? – perguntei.

- Entre tapas e beijos é ódio é desejo é sonho é ternura... – começaram a cantarolar com um sorriso besta, o carro se moveu e eu me joguei pra trás tampando os ouvidos.

Cheguei em casa ajeitando o suéter que ficou amassado dentro da mochila, meus pais não estavam em casa, que novidade. Fui pro quarto e tomei um banho demorado. Com meu camisetão do Bob esponja e um shorts preto eu desci até a cozinha. Sentei numa cadeira, um bloco de notas com uma caneta me lembrava do meu futuro zero em biologia.

- Que houve Mel? Parece preocupada – perguntou Marta sentando-se na cadeira a minha frente.

- É um trabalho que eu tenho que fazer e o meu “parceiro” – trinquei os dentes – não coopera.

- Já tentou falar com ele? – perguntou Marta tamborilando os dedos na mármore da mesa.

- Já, ele é idiota – bufei. Ela estreitou os olhos e me olhou com curiosidade.

- Eu conheço você senhorita – disse.

- O que quer dizer com isso? – pisquei duas vezes. Marta levantou e eu a acompanhei com os olhos, ela pegou o telefone e o estendeu para mim – ligue para ele.

- Não vou ligar! – fiquei ereta na cadeira empurrando o telefone com uma mão.

- Confie em mim – falou ela. Todas as vezes que Marta disse “confie em mim” ela estava certa. Pegou sua bolsa e se dirigiu até a porta.

- Ah, deixei um presente pra você debaixo do seu travesseiro chica, boa noite – falou mandando um beijo.

- Boa noite Marta – mandei outro beijo. Fiquei encarando o telefone jogado em cima da mesa. Eu podia inventar as informações se não me lembrasse da ameaça que o senhor Smith fizera, ou eu podia me humilhar novamente pro Andrew.

Peguei uma folha do bloco de notas e coloquei o que eu sabia do “Daniel”. Esperei um pouco, nada sabia nada. Com um rosnado soltei tudo em cima da mesa e busquei meu celular no quarto, procurando o número daquele infeliz. Voltei pra cozinha e disquei. Ele atendeu no quarto toque.

- Alô?

- Oi Andrew – disse balançando a caneta entre os dedos.

- Mel? – sua voz era surpresa.

- Eu mesma, a gente pode se encontrar?

- Hoje não vai dar, estou meio ocupado – ouvia várias vozes em volta, e barulho de música alta. Que amor, ele tava se divertindo enquanto eu me ferrava pra fazer uma trabalho.

- Onde você tá?

- Na casa de Pôquer perto da avenida. Não é o tipo de lugar que você esteje costumada – eu já ouvira falar desse lugar, lá só ia gente barra pesada. Eu nunca que colocaria meus pés lá enquanto tivesse juízo e amor pela vida.

- Certo, agente pode fazer a lista pelo telefone então. Eu já tenho algumas perguntas e... – a linha ficou muda. Encarei o celular com raiva. Desligou na minha cara, filho da mãe! Mas isso não vai ficar assim. Subi pro meu quarto e vesti o primeiro jeans que achei juntamente com uma blusa qualquer. Meti o pé na porta do quarto do Matt, ele tava tomando banho. Catei as chaves da BMW que estavam em cima da cama.

- Matt? – gritei do lado de fora da porta do banheiro.

- Sim?

- To pegando seu carro emprestado – disse e fui saindo. Não esperei resposta e peguei a folha que eu ia fazer o senhor Biersack engolir. A BMW do Matt não era tão difícil de dirigir quanto a Mercedes do Sidney. Mas mesmo assim, fui indo devagar, se eu batesse esse carro eu estaria lindamente fudida. Dirigi até a porra da casa de pôquer, estacionei na frente do prédio azul-marinho com portas de vidro fume. Entrei e o fedor abafado de cigarro invadiu minhas narinas, várias mesas estavam dispostas na meia luz e homens de todas as idades bebiam e jogavam cartas. Levei uma mão até o nariz afim de afastar a fumaça antes que ela entre no meu pulmão e eu morra intoxicada.

- Procurando alguém? – me perguntou um homem alto com uma bandeja. Ah claro, um cara de quase dois metros, branquelo, com um piercing no lábio inferior e cara de besta, você viu?

- Deixa que eu me viro – disse andando entre as mesas. Um porta no final da sala indicava um nivel inferior. Desci a escada e mais mesas, homens, cartas e bebidas. Apertei os olhos e no fundo percebi meu alvo no meio de várias fichas e cartas, marchei até ele. Várias cabeças se viraram para me olhar.

- Com licença – disse chegando por trás de Andrew que deu um pulo da cadeira me olhando com surpresa. Com uma mão empurrei cartas com fichas e tudo pro chão e sentei em cima da mesa cruzando as pernas na frente dele. Peguei um bloco de notas que estava lá e coloquei no meu colo para apoiar a humilde folha que eu trazia. O resto dos jogadores da mesa me olhava com raiva e descrença.

- O que faz aqui? – perguntou Andrew com cara de tacho. Abanei a folha pra ele e dei um sorriso maroto.

- Podemos? – falei. Ele sorriu ainda surpreso. Gesticulou para o resto dos homens saírem, com desgosto evidente eles obedeceram. Andrew continuou sentado me encarando. Olhei em volta e vi um cinzeira de cigarros, rabisquei “fuma cigarros, vai morrer de câncer no pulmão” na minha folhinha. Ele olhou por cima da minha mão.

- Vai morrer de câncer no pulmão? É pra ser uma profecia? – perguntou. Eu apenas sorri ironicamente.

- O que faz para se divertir? – perguntei. Andrew levantou as mãos e apontou para os lados revirando os olhos. Escrevi “joga pôquer a dinheiro, vai ficar pobre e viciado”. Ele repuxou os cantos da boca para um quase sorriso.

- Está atrapalhando o jogo Mel – falou ainda sorrindo. Olhei pra ele com uma expressão de “foda-se”.

- Com que palavra se descreveria?

- Gostoso – falou o ser narcisista. Escrevi “babaca” na minha folha. Andrew se levantou ficando a minha frente, apoiou os punhos na mesa, um de cada lado do meu corpo.

- Você me acha gostoso – afirmou. Eu não sabia se me afastava ou fazia cara de tédio. Preferi demonstrar maturidade utilizando a segunda opção.

- Não ponha palavras na minha boca – disse com a cara mais séria que eu podia fazer. Ele olhou pros lados, e depois voltou a olhar nos meus olhos. A íris negra contrastando com o cabelo. Me lembrei de escrever “usa lentes” na minha folha. Abaixei os olhos para escrever e ele segurou meu queixo com a mão. Eu não pude desviar o olhar.

- Eu quero por a minha boca na sua – disse malicioso.

- Pare de me provocar! – disse me livrando da sua mão e o fuzilando com os olhos. Andrew chegou mais perto, pendendo a cabeça para o lado, parecia me analisar de um ângulo diferente.

- Fale provocar denovo, sua boca fica tão provocante – o sorriso torto iluminou seu rosto.

- Chega – falei empurrando seu peito e me pondo de pé. Fui andando em direção a porta, saída fenomenal, claro se eu não tivesse o impulso de voltar. Andrew estava parado com uma mão na nuca e os olhos estreitos num meio sorriso. Funguei.

- Não gosto de você – apontei um dedo para ele e sai de dentro daquela chaminé gigante.

Notas finais
Reviews, Beijos, abraços, mordidas :3