Notas iniciais
Olá novamente! Em primeiro lugar queria agradecer pelos reviews, e a todos que estão acompanhando. E em segundo lugar peço desculpas pela demora do capítulo 7. Estive com alguns bloqueios de criatividade, mudei os acontecimentos desse capítulo várias vezes. E em terceiro lugar, eu coloquei links para vocês terem um idéia de como eu imagino os personagens.Bom, Enjoy ♥

Cheguei em casa com um quase-trabalho de biologia e minha dignidade lá em baixo. Matt estava sentado no sofá com olhos estreitos e ameaçadores. Me olhou da cabeça aos pés.

– Onde estava?

– Que te importa? – retruquei quase automaticamente.

– Me importa quando você pega o meu carro – ele apontou para o próprio peito – e sai por aí! – seu tom era furioso.

– Deixa de ser chato – joguei a chave pra ele e subi as escadas. Matt veio atrás guinchando os pés.

– Chato? Você podia ter morrido! Até onde eu sei você não sabe dirigir! – esbravejou abrindo os braços. Sério ele tava parecendo meu pai, é a convivência...

– E até onde você sabe? – me virei pra trás subitamente o encarando de braços cruzados — Lembranças de dez anos atrás e duas semanas comigo não são grande coisa – lancei um olhar irritado. A expressão dele esfriou.

– Tem razão, não são grande coisa mesmo – disse calmamente – mas da próxima vez que quiser sair correndo atrás do seu namoradinho, não pegue o meu carro – Matt passou por mim e se trancou no quarto. Arrastei as mãos pelo rosto, que droga! Fui pro meu quarto, tudo que eu queria agora era minha cama. Não era difícil de perceber que meu humor estava péssimo, só espero que uma boa noite de sono me faça melhorar. Me atirei na cama e puxei o edredom por cima. Liguei os fones no volume máximo e adormeci.

Eu estava há uns dez segundos agarrada ao meu travesseiro de olhos fechados. Uma parte de mim queria continuar ali imóvel em um sonho profundo, e a outra prometia repercusões se isso acontecesse. A parte que buscava o prazer ganhou e eu fui tragada novamente para o mundo dos sonhos, para um certo alguém. Ele estava sem camisa de costas para mim encarando o mar agitado de uma manhã nublada. Me aproximei por trás e ele se virou me recebendo com um sorriso matador, seus cabelos negros se agitavam na linha dos olhos.

– Oi – eu disse, ele me puxou com uma mão para um abraço. Eu podia sentir o vento abafado as minhas costas. O sol pairava preguiçosamente na linha que cortava o céu escuro e o mar, a areia nos meus pés descalços estava morna, quase gelada. Vi de reflexo os olhos azuis quando ele lançou a boca pelo meu pescoço suavemente, parando próximo a minha orelha.

Previsão do tempo...

Abri os olhos com essas palavras que vinham do andar de baixo. A previsão do tempo era anunciada exatamente antes dos últimos períodos, o que significava que...

Sai da cama chutando as cobertas, enfiei os pés no primeiro jeans que vi na minha frente e uma regata branca. Escovei os dentes enquanto vestia os tênis e penteava os cabelos. Peguei minha mochila e desci desesperada. Só pra deixar mais perfeito meu “começo” de dia, meu pai estava na sala assistindo televisão enquanto Marta servia o café. Os dois me olharam com cara de espanto.

– Porque ninguém me acordou??? – perguntei com a voz esganiçada.

– Eu tive que ir no mercado e Matt disse que você já tinha saído chica – falou Marta largando o bule na mesa. Matt, Matt, Matt, eu vou matar o Matt! Meu pai me olhava com cara de espanto que logo se transformou em irritação.

– Você e Matt tem andado bastante tempo juntos – disse ele voltando os olhos para a televisão. Eu mandaria ele pro inferno com o mau humor que eu to, mas apenas me limitei a responder.

– É mais ou menos isso

– Acho que deveria se concentrar mais nos estudos do que ficar de vadiagem por aí – e eu acho que você deveria cuidar da sua vida chata e me evitar por um tempinho. Servi um copo de café e misturei duas colheres de açúcar.

– Matt é responsável, você mesmo disse pai – falei dando um gole no meu café, estava amargo então desisti. Vi a expressão do meu pai congelar.

– A violência hoje em dia é gratuita – disse ele dando de ombros. Assenti falsamente, que seja.

– Estou indo, vou tentar pegar os últimos períodos – disse saindo pela porta.

– Tenha um... uma boa tarde menina – falou Marta pelas minhas costas, ouvi meu pai murmurar um “irresponsável” mas não tenho certeza.

Desci a rua quase correndo enquanto ajeitava um pouco melhor minhas roupas e meu cabelo. Não prestei atenção no que a previsão do tempo informava mas não me surpreenderia se chovesse hoje. O céu estava tingido de cinza, com nuvens feias e carregadas. O vento abafado jogava meu cabelo contra o meu rosto para pior meu estado miserável. Fui andando com passos largos pela calçada praticamente vazia. Quanto tempo daqui até a PUC? Uns 20 minutos? No meu ritmo eu diria uns 40. Senti o barulho de um carro se aproximando, virei a cabeça para encarar a alma viva que aparecera na rua e me deparo com um brilhante Jeep Commander preto. E dentro dele um belo par de olhos negros me encarava com um sorriso provocante. Andrew, puta que pariu.

– Acho que alguém não teve um dia muito bom — falou analisando minha mudança de aparência drástica.

– vai cagar — bufei e acelerei o passo. A última coisa que eu precisava nesse momento era do Sixx me estorvando, mas ele continuava me seguindo com o carro.

– entra aqui eu te levo — falava o ser ao meu lado. Definitivamente uma má idéia.

– da última vez que entrei num carro com você, terminei a noite bêbada.

– eu não abri a sua boca e enfiei sorvete de licor pela sua garganta — protestou Andrew estreitando os olhos. Tá não foi mas... mas...

– caminhar faz bem pra saúde — falei a primeira coisa aparentemente aceitável que me veio na cabeça. Ele suspirou pesadamente.

– nesse ritmo você vai chegar atrasada pra última aula — gesticulou para mim.

– Será porque ALGUÉM está me atrasando? — enfatizei com um riso. Andrew olhou para os lados e para trás.

– Quem?

– Você! Tapado! — falei entredentes. Por milésimos de segundos não esbarrei num senhor que passava ao meu lado. Enfim, civilização. Várias pessoas passeavam pelas calçadas e carros trovejavam suas buzinas pelas ruas. Olhei de esguelho para a vitrine da loja a minha frente, vestidos luxuosos enfeitavam os manequins perfeitos.

– anda Mel — disse a voz impaciente que me seguia. Ele ainda não desistiu?

– não vou a lugar nenhum com você — encarei-o por um momento fazendo questão de um olhar bem afiado.

– como é que é biscate vai entra nesse carro ou tá difícil??? — bufou Andrew num tom provocador. Parei abruptamente e lancei um olhar mortal pra ele. Ondas de fúria acumulada latejavam dentro de mim. Eu ouvi direito?? Ele me chamou de biscate??? ACABOU DE ASSINAR SUA SENTENÇA DE MORTE SENHOR BIERSACK! Marchei pela frente do carro que agora estava parado junto ao meio fio e abri a porta com força. Joguei a mochila pro banco de trás e me lancei em cima do motorista que estava com a expressão bem próxima ao espanto. Sem pensar duas vezes montei em cima dele estapeando seu peito com todas as forças que eu tinha.

– ESCUTA AQUI SEU PALMITO SECO, BISCATE É TUA MÃE!!!! — gritei enquanto Andrew tentava imobilizar minhas mãos — VOCÊ ACHA QUE PODE SAIR DE ALGUM BUEIRO CHEIO DE RATOS QUALQUER E ME XINGAR?? — eu sabia que estava totalmente fora de controle mas eu precisava por isso pra fora. Com brutalidade ele agarrou meus pulsos e me sacudiu — ME SOLTA! EU TE ODEIO!! — berrei mais alto.

– CALMA AÍ PIRRALHA E NÃO FALA DA MINHA MÃE NÃO!

– JÁ FALEI E TÁ FALADO! GOSTO NÃO É? FODA-SE! — nos encaramos por um momento, Andrew me fuzilava com os olhos. Imbecíl.

– Com licença? — falou uma voz autoritária ao lado da janela do motorista. Virei a cabeça pronta pra soltar um "que é caralho??" quando vi o policial fardada e com cara de poucos amigos. Engoli em seco.

– Algum problema moça? — me perguntou ele batendo com a ponta da caneta impaciente num bloquinho de papel. Um chachá pendia do lado esquerdo do seu peito, escrito "Jared". Nome bonito, pensei involuntariamente.

– Nenhum senhor policial! — Andrew foi se metendo no assunto — minha 'querida' namorada está tendo uma desagradável crise de ciúmes — falou entre dentes. Crise o caralho!

– eu não estou com ciúmes! — rosnei tentando dar uns tapas nele mas o infeliz ainda tava agarrando meus pulsos.

– o senhor sabe como são as mulheres — Andrew deu uma piscadela para o policial num tom conspiratório. O policial bufou e começou a rabiscar alguma coisa no bloquinho.

– Da próxima vez que quiserem lavar a roupa suja — falou jogando uma folha pela janela do carro — sugiro que não perturbem a paz alheia — o tom ameaçador tinha um "se não..." sub-entendido. Paz alheia? Notei várias cabeças inclinadas alguns metros atrás do policial. As pessoas cercaram o carro com olhos curiosos, peguei algumas frases incoerentes tipo "ela tá bêbada?" "ela ta com um revólver" "transando em lugar público"... Senti o sangue sendo drenado para meu rosto. Uma olhada de canto para Andrew e pude constatar que a situação dele era semelhante a minha.

O policial se afastou do carro e se mandou na sua moto 'super estilo' do departamento.

– Feliz? ganhei uma multa — falou Andrew puto da cara.

– devia ter ganhado um tiro no rabo, idiota — falei ríspidamente. Ele me lançou um olhar furioso, talvez estivesse pensando na melhor forma de torcer meu pescoço sem ninguém notar.

– vamo embora daqui — disse me jogando no banco do passageiro. Não protestei, afinal eu que não ia sair do carro com aquele monte de gente me encarando como se eu tivesse uma arma. O caminho até a PUC foi silencioso e tenso.

Andrew parou o carro em frente ao portão e eu desci segurando a porta. Ele ficou me encarando com olhos estreitos.

– Não vai pra aula não? — perguntei impaciente.

– Não, e larga a minha porta — respondeu secamente.

– Vida de vagabundo é um luxo — falei fechando a porta com tudo. O som foi alto e ecoou fazendo Andrew se sobresaltar. Ele olhou pra porta e olhou pra mim mais furioso ainda.

– ISSO! QUEBRA A MERDA DA PORTA! É SÓ O QUE TÁ FALTANDO — rosnou, eu fiz a cara mais inocente que podia.

– Escorregou da minha mão — disse. Virei as costas e passei pelo portão, ouvi o Jeep cantar pneu e se afastar. Cheguei faltando 30 minutos para os últimos períodos. Me dirigi para a lanchonete e de longe vi o cabelo castanho-bagunçado de Sidney numa mesa do canto. Fui até ele jogando minha mochila numa cadeira e sentando na outra, estendi os braços por cima da mesa e enfiei minha cabeça entre eles. Sid me acompanhou com os olhos.

– o que houve com você??? — perguntou arregalando os olhos.

– tanta coisa — murmurei com meu tom preguiçoso.

– resuma — Sid apoiou os cotovelos na mesa e o rosto nas mãos. Exalei profundamente e contei desde minha fuga para a casa de pôquer, até cinco minutos atrás. Sidney ouviu tudo sem falar uma palavra, por fim ele deu um gole no seu milkshake de morango e me fitou.

– você está apaixonada por ele — disse sério. Minha reação foi uma mistura de pavor, espanto e WTF???

– Sid já tá bêbado a essas horas?? — perguntei esperando que minha revolta pelo que ele acabara de afirmar ficasse explícita.

– HAHAHA pode negar o quanto quiser — falou dando de ombros.

– você ouviu bem o que eu falei? Eu ODEIO ele — espalmei as mãos na mesa.

– Aversão vira desejo, ódio vira amor — Sidney deu de ombros novamente. Suspirei. Quanto mais eu negasse mais ele ia afirmar. Fechei os olhos me concentrando nos sons ao redor. A lanchonete estava lotada, todas as mesas. Dentre as risadas mais espalhafatosas uma em particular se destacava, Eliana estava sentada na mesa central. Juntamente com o grupo de dança. Como a PUC não tinha um time de futebol, o grupo de dança era como se fosse as líderes de torcida dos colégios americanos. Sabe como é né? Peito, bunda, status e total falta de neurônios. Eliana me encarou e acenou a mão com um sorriso muito falso, eu estava prestes a retribuir como a educação manda mas a garota virou a palma da mão e me mostrou o dedo do meio. A mesa toda se virou para rir da minha cara. Virei o rosto, eu poderia ir lá e fazer ela engolir aquele dedo esquelético, mas minha cota de barracos já tava no limite diário. Mensal, talvez.

– vadias repugnantes — falou Sidney se sacudindo num calafrio. Eu estava de costas para a mesa, e Sid de frente. Então ele ficava com a 'bela' visão.

totalmente - fiz uma careta em concordância.

– guarde minhas palavras, essa Eliana vai causar muito problema — disse ele numa expressão séria.

– porque diz isso? — perguntei.

– A querida ali — Sid gesticulou quase imperceptivelmente para a mesa central — é sobrinha do diretor. Ela foi transferida da Califórnia onde estudou durante 12 anos — ele se inclinou um pouco sobre a mesa, assumindo um tom confidencial — tá na cara que ela é a protegida do diretor.

– eu nunca suspeitaria disso — murmurei ainda digerindo a informação. O Diretor Pascoal era uma pessoa reservada, formal e que prezava os bons costumes. Eliana não me parecia nada formal — mas porque ela veio pra cá depois de 12 anos? — a pergunta saiu quase como um pensamento.

– expulsão — Sidney me encarou avaliando minha expressão. Engoli em seco.

– certo, ela é uma vadia perigosa — afirmei.

– exatamente — Sid apontou o dedo para mim como reafirmação — mas o que fica martelando na minha cabeça é o motivo da expulsão. Tipo, o pai dela é um ricaço, tem poder e influência. Deve ter sido grave, BEM grave — senti minhas mãos começarem a suar, imaginei Eliana batendo com um tijolo na cabeça de uma colega por esbarrar nela.

– afinal, como você descobriu tudo isso? — perguntei. Eu conhecia os métodos de investigação do Sidney e nenhum deles era 'legal'.

– a secretária dele é minha amiga — deu de ombros.

– tá transando com a secretária? — eu o encarei incrédula.

– eu sou bi, mas depois dessa tua insinuação to pensando em virar gay de uma vez — ele pos a mão no peito se fazendo de ofendido — deixar uma baranga velha se aproveitar do meu lindo corpitcho por míseras informações é um insulto!

– retiro o que eu disse — levantei as mãos me fazendo de inocente. Sidney riu mostrando as covinhas do lado da boca.

– voltando ao assunto...

– ãh? que?

– FOCO MULHER! — ele bateu na mesa prendendo minha atenção — eu acho que devíamos procurar evidências — um sorriso conspiratório me dizia que algo ilegal estava se passando pela cabeça dele.

– sala de registros? — arrisquei.

– boa dedução — disse. Não pude deixar de sorrir. A idéia de invadir a sala de registros deveria ser varrida imediatamente da minha cabeça, mas eu até gostei da idéia. Além de dar uma olhada nos registros da Eliana, eu podia fuçar na ficha do Andrew e saber COMO ele entrou na escola.

– Mel — chamou Sidney — você disse que Andrew não viria pra escola hoje?

– Sim, deve tá vagabundeando por aí — bufei. Sid arqueou uma sobrancelha.

– Acho que ele mudou de idéia — falou com um breve aceno com a cabeça para minhas costas eu me virei. Sixx estava inclinado sobre a mesa de Eliana sorrindo maliciosamente enquanto lhe estendia uma rosa branca. Meu queixo caiu.

Notas finais
Beijos, mordidas, abraços... :3