Smells Like Teen Spirit

17 Onde existe um lado bom, existe um lado muito ruim


Notas iniciais
Oi minhas gatas! *-* Ja quero começar me desculpando pelo atraso dos capítulos, com tanto tema, curso, escola e tempo pros amigos fica difícil achar inspiração pra escrever. Mas cá estou eu com um capítulo novinho. Obrigado pelos reviews, sempre muito fofos.
Bom, eu já falei alguns capítulos atrás que eu mudei totalmente o enredo dessa fic, na verdade já era pra ter acabado. Mas como eu tenho surtos de criatividade e gosto de ficar mudando, não se assustem se eu acabar mudando a sinopse ok? Agora, sem mais enrolação, enjoy.

Melanie's POVS

Cheguei em casa e eram quase quatro horas da manhã. As mais de seis horas de recepção e conversas com os amigos do meu pai no restaurante Monte Carlo foram tediosas e insuportáveis. Fiquei pra lá e pra cá sorrindo falsamente para todos os engravatados, peruas e filhinhas anoréxicas de plantão, juntamente com Sidney ao meu lado, que estava tão concentrado em não dar chiliques que até parecia Hétero. Meu pai ficava me arrastando e me exibindo como se fosse um troféu embrulhado no tecido verde musgo que era meu vestido. Dei graças a Deus quando aquela recepção horrorosa acabou.

Entrei no quarto e tirei aquele treco verde de mim, toda a maquiagem e desprendi meu cabelo do coque. Tomei um banho rápido, coloquei meu pijama cinza e desci para buscar um copo de leite, afinal não consigo comer em festas, ou melhor, não consigo comer com pessoas estranhas me observando. Parece que tudo cai. Cai os talheres, cai o prato, cai a cadeira, cai a mesa, cai a casa...

Sentei no sofá, puxando meus pés para cima. Estava escuro, meus pais tinham ido dormir e a casa estava totalmente silenciosa, momento perfeito para por os pensamentos em ordem.

O dia começou perfeito com a patricinha mais vadia da escola ameaçando fuder minha reputação com um diário estúpido. Depois do ‘incidente’ eu quase matei o Sidney entre os períodos de História e Inglês, ele ficou horrorizado com a idéia de Eliana entrando em nossas casas e remexendo nas nossas coisas. Eu me pergunto como, COMO, ela entrou na minha casa com as portas e janelas todas trancadas? Eu não acreditava em bruxaria, mas depois dessa...

Bom, ficar se lamentando não leva a lugar nenhum, então o veredicto de que iríamos pagar na mesma moeda foi dado em frente a mesa de coquetéis exatamente às 01h53min. Tenho que pegar meu diário de volta, porque é tão claro quanto água que logo ele vai parar estampado em cópias pelas paredes da PUC. Talvez a única maneira de conseguir seja com chantagem, e o melhor lugar para puxar a ficha da Eliana é no histórico escolar. Não me imagino invadindo a sala de históricos sorrateiramente na calada da noite, ser pega é expulsão na hora. Sacudi a cabeça para me livrar do pensamento, pensar demais faz a gente desistir.

Por outro lado, eu podia simplesmente pedir pro Andrew pegar o diário de volta, já que eles são ‘amiguinhos íntimos’. Putz, o que eu to falando, ele é a pessoa que menos pode saber da existência dessa porcaria. Eu não tinha visto o Biersack hoje, por alguma razão isso me incomodava. Já estava acostumada com a fuça dele todo dia na aula, me estorvando, me irritando. A ausência disso era como um filme em que falta a cena principal, a melhor cena. Eu tava tentando ao máximo ignorar o que aconteceu ontem naquela cozinha, mas era impossível. Relembrando agora, era como me ver de fora, alguém exatamente igual a mim fazendo coisas que eu jamais faria. Tipo se agarrar com o vocalista do Black Veil Brides em cima da mesa da cozinha. Por sorte não aconteceu nada. Que droga Melanie! Eu tenho o vício de entender as pessoas, eu só não to conseguindo me entender muito bem agora, na verdade eu não to entendendo porra nenhuma do que eu to fazendo ultimamente. Eu tentei mudar, tentei ignorar, tentei tirar ele da minha vida, mas a ausência desse desgraçado me faz sentir mal.

Me levantei e subi as escadas, vamos dormir antes que eu me auto-enlouqueça. É, cair na real é uma merda mesmo.



Lá pelas quatro da tarde, eu peguei carona com Sidney até o restaurante Rixon’s, já que meus pais não paravam em casa e Marta teve que ir à uma reunião escolar da filha dela, ficar aqui com pensamentos idiotas não era lá a melhor opção para um sábado ensolarado. Eu senti o calor cozinhar meu rosto enquanto cruzávamos o estacionamento procurando uma vaga aberta, o lugar estava lotado.

Dentro do Rixon’s, pedimos batatas fritas e coca-cola diet e fomos nos sentar numa mesa próxima a janela.

- Não sei quanto a você, mas estou pronto para as férias, — disse Sid, empurrando seu óculos de sol para o alto de sua cabeça. — Mais dois meses de aula é mais do que eu posso agüentar. Precisamos é de uma distração. Precisamos de algo que tirará nossas mentes desse período sem fim de educação de qualidade estirado à nossa frente. Precisamos fazer compras. Londres, aqui vamos nós. A Luxus está tendo uma grande liquidação. Eu preciso de sapatos, eu preciso de jeans, e eu preciso de um perfume novo.

- Você acabou de comprar roupas novas. No valor de dois mil reais – lembrei-o. Sid não era do tipo que se preocupava com gastos, ele gastava mesmo e não tava nem aí.

- É, mas eu preciso de um namorado. E para conseguir um namorado, você tem que ficar bonito. Não dói ser cheiroso.

- Tem alguém em mente? – perguntei levando uma batata à boca.

- De fato, tenho sim – ele me passou um sorriso conspiratório.

- Só me prometa que não é o Arthur.

- Ele mesmo.

- Sidney... – comecei, mas ele me interrompeu.

- Por favor Mel! O cara é gostoso. Gostoso do tipo acima da média. Gostoso do tipo mais-gostoso-que-o-Sixx. — Ele fez uma pausa — Bem, talvez não tão gostoso assim. Ninguém é tão gostoso...

Eu abri a minha boca, mas Sid foi mais rápido.

- Uiii - falou — Eu conheço esse olhar.

- Porque você tem que desenterrar o maldito do Biersack?? Eu já estou bem fudida por culpa dele – rosnei. Os olhos dele se acenderam.

- Estou vendo onde isso vai dar — disse, assentindo sabiamente — Olha, porque você não deixa a vadia loira ler o diário na festa da escola? Assim vocês dois já se acertam, se beijam, se amam e tem seus sixxzinhos...

Eu parei com meu garfo na metade do caminho entre meu prato e a minha boca. — O QUÊ?!? — fiz a cara mais ameaçadora possível. Sidney arregalou os olhos.

- Ou não, péssima idéia! — disse balançando a cabeça e se inclinando pra trás.

- Podemos falar sobre algo ligeiramente mais urgente? — perguntei, achando que estava na hora de mudar de assunto antes que o nosso atual desse a Sidney idéias ainda mais loucas — Como o fato de que precisamos recuperar o diário?

- Porque me inclui na tentativa de furto?

- PORQUE FOI TU QUE ESCREVEU AQUELAS PORCARIAS, TAPADO!

- ok ok – ele abanou as mãos — voltando ao assunto, Eliana confirmou presença pelo face na boate Begins, próxima sexta-feira à noite.

- E eu com isso? – não é porque essa abestada fica me seguindo que eu devo começar a fazer isso com ela também.

- Dãar, é a melhor oportunidade pra recuperar seu diário – Sidney revirou os olhos e eu digeri as palavras dele por um momento.

- É o que eu to pensando?

Sid se inclinou para perto — Se você pensou em invadir a casa da vadia e pegar de volta, sim é isso mesmo – falou me dando um sorriso felino.

Terminamos nossa refeiçãozinha básica em silêncio, volta e meia Sidney assoviava ou soltava uma cantada para os garotos que passavam. Com tanta coisa na cabeça, tinha me esquecido totalmente que sexta-feira o pessoal do Grêmio estudantil passou nas salas avisando sobre a festa de arrecadação de fundos para a escola. Haviam duas no ano, na primeira eu não fui e essa seria a segunda em que eu também não iria. Não vejo graça em ficar parada no meio de um monte de adolescentes cheios de hormônios e vontade de reproduzir a espécie. Olhei pela janela e fiquei dividida entre descrença e vontade de me esconder debaixo da mesa quando vi o Jeep Commander do Andrew estacionado quatro vagas depois da Mercedes. Ah, é sacanagem né?

- Que foi Mel? Viu o Michael Jackson? – perguntou Sid inclinando a cabeçona pra ver melhor através do vidro. Me joguei sobre a mesa e o puxei para baixo.

- Shhhhhhhhhhhhhhh o Sixx tá aqui!!! – sibilei.

- E porque a gente tem que se esconder??

- Não quero ver ele – não depois do quase-beijo na cozinha da minha casa. Sidney estreitou os olhos nada feliz em ter que ficar debaixo da mesa igual um gato vira-lata. Ouvi barulho de saltos atrás de mim, e em seguida meu amigo fez uma expressão incrédula.

- Que nojooooooooooooooooo ela tá sem calcinhaa!!!

- Cala boca!!

- tá senhorita esperteza, o que a gente faz agora? Ficamos aqui pro resto da vida?

- Calma aí – o mais discretamente que pude, deslizei novamente para a cadeira e constatei que o Jeep não estava mais lá. Será que eu vi errado? Não. Posso ser atrapalhada, mas não sou louca, eu vi o carro do Andrew ali.

- tenho certeza que era ele – falei ainda fitando o vidro da janela.

- tem uma maneira de descobrir – começou Sid – OOO GARÇOOOOOOM!!! – berrou. Arregalei os olhos prestes a protestar quando um cara alto, loiro e de aparelho se aproximou da mesa.

- Pois não? – perguntou.

- Não viu um cara de dois metros, branquelo, de olhos azuis e um boné com estampa de exército? – Sidney possuía a cara mais inocente do mundo, como se fosse normal sair por aí perguntando sobre as pessoas.

- Ele conversou com o gerente e se mandou – respondeu o garoto com uma carranca na cara.

- Sobre o que? – Sid se ajeitou melhor na mesa, se interessando pelo assunto.

- Não sei e não é da sua conta – respondeu. Nossa que pataço. Ri discretamente quando percebi que Sidney já estava se levantando para bater boca com o garçom.

- Hoje não! – joguei uma nota de 20 em cima da mesa e puxei meu amigo pelo braço pra fora do Rixon’s.

Enquanto eu saía pela porta dei de cara com Matt.

- Matt! – falei mais surpresa do que assustada – o que está fazendo aqui?

- Eu? – ele tinha quase a mesma expressão que eu – eu vim, bom, eu vim... Desculpa Mel, to com pressa – falou se esquivando de mim e adentrando o Rixon’s. Observei o caminho que ele fez com descrença, o que de tão importante ele tinha pra fazer? E porque Andrew também esteve aqui? Porque esses dois parecem estar ligados com alguma coisa nada boa? Mordi o lábio com raiva, eu odeio ficar intrigada. Olhei pra Sidney que estava fazendo caretas para o garçom do lado de fora.

- Vamos logo.

Entramos no carro e seguimos pela avenida, depois de dez minutos estávamos nas ruas próximas do cemitério, do outro lado da cidade. Quando eu saía com Sidney, ficávamos dando voltas e voltas de carro por vários lugares, era relaxante. Recostei a testa no vidro gelado do carro, olhando as árvores passarem. Estava escurecendo, e uma densa camada de nuvens cobria o céu alaranjado, mesmo dentro do carro eu sentia frio. Apertei os olhos para uma sombra escura metros a minha frente, tá de brincadeira comigo!

- Jeep Commander Preto na reta! – anunciou Sidney, lendo meus pensamentos.

- Espera espera, segue ele! – me sobre saltei do banco do passageiro.

Estávamos três carros atrás, e ele continuava seguindo a estrada rumo ao lado leste da cidade. Meia hora depois, Andrew estacionou próximo a calçada e entrou numa rua estreita, cheia de prédios velhos. Fomos mais lentamente, dando tempo para que trancasse as portas e saísse andando. Estacionei duas vagas de distância. Fomos andando devagar, deixando-o que fosse bem na frente. De repente Andrew dobrou numa rua e quando chegamos lá tinha duas saídas.

- E agora? – perguntou Sidney olhando para os dois caminhos.

- Vai por ali e eu vou por aqui – disse rapidamente antes que perdêssemos o Biersack de vista. Segui solitária por um caminho deserto, os prédios vermelhos e esbranquiçados, cheios de rachaduras pareciam me engolir pelo beco. Apressei o passo e encontrei-o, ficando um quarteirão de distância. Meus pensamentos estavam confusos, porque diabos ele estava caminhando nesse fim de mundo? Acabei chegando a uma rua sem saída, onde ele só poderia ter entrado num dos prédios. Avaliei por um minuto, nenhum dos dois parecia ser habitado por alguém. Aliás, a cidade toda. Desde que entrei não percebi nenhum sinal de vida, nenhum carro, nenhuma pessoa, nenhuma loja funcionando. Olhei para o prédio verde e velho, onde uma porta de madeira em mal estado se movia como se alguém tivesse acabado de passar por ali. Achei.

Mirei aquele caminho e fui entrando, tomando cuidado para não fazer nenhum ruído. Lá dentro, uma recepção abandonada, portas fechadas, uma escada estreita, tudo caindo aos pedaços. Por ser um prédio antigo, não possuía nenhum elevador, apenas uns seis lances de escada, aproximadamente. Já estava escuro, fui tateando as paredes para não tropeçar em nada, o cheiro do pó acumulado fazia meu nariz coçar. Ouvi um barulho no andar de cima e subi pela escada, rezando para que não fizesse nenhum ruído. Fui me esgueirando pelas paredes mais três andares, uma gota de suor escorreu pela minha testa. Meu corpo todo estava em estado de alarme, pois eu não sabia o que poderia encontrar. No quinto andar, havia várias velharias espalhadas pelo caminho, pena que eu só fui ver isso depois de chutar uma maldita mini-estátua de metal do budda. Maldição! Os silenciosos passos cessaram, eu estava entre a escada, a janela e um quarto. Eu podia descer a escada, mas correria o risco de ser perseguida e capturada, ou eu podia entrar no quarto, mas estaria encurralada. Passos duros marchavam em minha direção. Não vendo outra escolha, eu me impulsionei sobre o parapeito da janela, e cai o mais silencioso possível para a escada de incêndio. Tentei puxar a janela em minha direção para fechá-la, mas estava emperrada. Eu me escondi, mas continuei espreitando o apartamento.

Uma sombra apareceu na parede do corredor, aproximando-se.

Eu estava com medo de ser descoberta, o pânico e o desespero reprimidos formando um nó na minha garganta. De repente os passos recuaram. Menos de um minuto depois, os mesmo passos duros desceram à escada, fazendo os degraus rangerem. Um estranho silêncio mais uma vez se instalou sobre o prédio.

Lentamente eu me levantei. Fiquei desse jeito um minuto, e quando eu estava certa que estava sozinha, eu entrei para dentro. Sentindo-me visível e vulnerável, eu caminhei pelo corredor. Eu precisava ir para algum lugar calmo, onde eu poderia entender através dos meus pensamentos. O que eu estava perdendo? Andrew obviamente entrou nesse prédio. Mas o que ele queria? Não tem nada aqui além de pó. Porque ele foi no Rixon’s mais cedo? E porque Matt apareceu em seguida, todo nervoso? Que diabos estava acontecendo afinal?

Eu estava prestes a descer a escada, catar o Sidney e me mandar desse projeto de cidade fantasma quando um barulho estranho penetrou meus pensamentos. Um relógio. O tic tac impossível de ser confundido com qualquer outra coisa, ecoando pelas paredes. Franzi a cara e procurei pelo som, realmente não me lembro de ter ouvido um relógio quando entrei. Ouvindo atentamente, eu segui o barulho abafado pelo corredor e constatei que vinha de um quarto, com a porta encostada. Entrei, e não havia nada além de uma cama, um bidê e um guarda-roupas. Com um alarme crescente, abri o guarda-roupas. Através de toda a confusão e desespero, eu entendia o que as varas de dinamite, fita adesiva, fios brancos, azuis e amarelos queriam dizer. E juntamente com elas um bilhete colado, escrito em vermelho ‘onde existe um lado bom, também existe um lado ruim.’

Não esperei entender aquela frase para me por para correr. Meus pés batiam ruidosamente nas escadas, tão rapidamente que eu tinha que segurar no corrimão para não cair. No fundo, eu mirei meu caminho para a rua e continuei correndo. Sacudindo a cabeça para trás uma vez, eu vi um estalo de luz, instantes antes do fogo preencher tudo, a partir das janelas do quinto andar do prédio. A fumaça subia no meio da noite. Os restos de tijolos e madeira caíram na rua.

O som distante de sirenes ecoava nos edifícios velhos, e eu alterei a corrida e fui em direção do próximo bloco, aflita por não chamar a atenção, mas muito perturbada para fugir da cena. Eu não sabia onde eu estava indo. Meu pulso estava alto, meus pensamentos confusos. Se eu tivesse ficado no prédio mais alguns minutos, eu estaria morta. Um tremendo soluço escapou. Eu limpei os meus olhos com as costas da minha mão para afastar as lágrimas. Em questão de segundos, o mundo tinha se transformado em um confuso labirinto, a verdade estava aqui e ali, deslocando para debaixo dos meus pés, desaparecendo quando eu tentei entendê-la.

Alguém esteve naquele prédio hoje, alguém tentou se livrar de alguém ou de alguma coisa. Mas a pergunta que me deixava decepcionada e assustada era: foi Andrew o responsável por isso?

Notas finais
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