Smells Like Teen Spirit

11 Minha calcinha do Batman! Parte II


Notas iniciais
Oi Oi Oi suas fofas. Estou muito feliz pelos reviews, e sem querer ser chata, quero pedir para as leitoras-fantasmas se manifestarem por favor. A opinião de vocês é o que importa aqui. Enjoy.

Parada do lado de fora da porta, Marta estava com os olhos arregalados e as mãos no peito.

- Mi Dios santo! Chica! – falava ela controlando a voz. Imediatamente eu fiquei de pé, a uns seis passos dela. Marta fechou a porta do quarto me lançando um olhar apavorado.

- Não é o que parece! – disse balançando as mãos. Não é o que parece... o que deveria parecer um casal de quatro em cima da cama e uma calcinha no chão? Ela olhou de mim para Andrew, que agora estava sentado na cama com cara de cachorro que foi pego revirando a lata de lixo. Marta suspirou.

- Ninã – começou num tom calmo – seus pais estão na casa da vizinha – fazendo o que na casa da vizinha as seis da manhã? — e VOCÊ não deveria trazer seu namorado para... brincar a essa hora – seu tom era repreendedor. ÃH? O QUE? BRINCAR? Me encolhi sentindo meu corpo formigar de vergonha.

- Eu sei que vocês são adolescentes, seus hormônios estão transpirando pela pele gritando por atividade sexual... – desandou a falar, eu a transmutar minha cara num tomate e Andrew a rir feito gazela.

- Marta, Marta! – tentei interromper o sermão vergonhoso sem sucesso. Considerei a possibilidade de chutar o Sixx pela janela e dizer que ela estava vendo coisas.

- Talvez você ache que eu estou um pouco velha pra entender essas coisas, mas eu ainda lembro de como é ter sua idade. Eu entrei no quarto e me deparo com você subindo em cima do seu namorado, chica é ao contrário... – arregalei os olhos escondendo minha cara rosa-pink em minhas mãos. Que livros Marta andava lendo? Talvez um bom exemplar de Como lidar com uma adolescente desequilibrada em tempos desequilibrados juntamente com Você encontrou sua filha no quarto com o Andy Sixx?? (O que fazer a respeito!) Por falar na praga do Biersack, ele estava rolando na cama com um travesseiro na cara para abafar as risadas, INFELIZ, SE DIVERTINDO AS MINHAS CUSTAS!

De repente ela parou de falar, fitando Andrew.

- Não é o Andy Sixx? – perguntou gesticulando para ele. Não, magina é um boneco inflável idiota e insuportável idêntico ao original. Fiz que sim com a cabeça. Marta continuou encarando o ser em cima da cama, abriu a boca como se para falar algo e depois a fechou, pressionando um dedo nos lábios. Parecia tentar compreender a situação onde a pergunta principal era COMO O VOCALISTA DO BLACK VEIL BRIDES VEIO PARAR NA MINHA CAMA?

- Entendo – murmurou ela para si mesma. O que? Peraí deixa eu ver se entendi: Marta fez uma algazarra sobre hormônios e atividade sexual e só porque é o Andy Sixx ela não fala mais nada? Bom, pelo menos não pode ficar pior que isso.

- Quer um cafezinho querido? – perguntou ela para Andrew esbanjando um sorriso. QUE TRAIRAGEM É ESSA??? — Mel, eu sabia que você estava apaixonada por ele, mas porque não me contou que se acertaram? Fico tão feliz por você chica – Marta juntou as mãos, sua voz tilintando de alegria, e eu pelo contrário, parei de respirar na sentença “apaixonada por ele”. Não me atrevi a encarar o Biersack, mas sentia seus olhos fervendo em mim com a pergunta explícita: COMO É QUE É???

Eu estava tão apavorada que podia cair dura no chão. Eu apaixonada por Andrew Dennis Biersack? É muita humilhação em poucas horas. DEUS MANDE UMA SALVAÇÃO, MANDE UM MILAGRE, MANDE UM MÍSSIL DIRETO NA MINHA CABEÇA!

- MARTA! – berrou o Fred Flinstone paraguaio de codenome pai, lá do primeiro andar.

- Tenho que ir...

- Vou junto, buscar um café – interrompi com o máximo de controle e dignidade que eu consegui manter. Catei uma blusa que estava no chão e puxei Marta pelo braço pra fora do quarto.

Andrew’s POVS

Eu estava sentado na cama encarando – e sendo encarado – por um quadro de peixinhos cor de rosa da parede. Aliás, o quarto inteiro tinha tons de rosa, lilás e branco. Típico quarto ‘fofura dos sonhos’, só faltou um daqueles pôneis felizes que você penteia os cabelos e faz trança.

A Melanie arrastou a mexicana metida a psicóloga pra fora do quarto de um jeito que eu achei que ela fosse jogar a mulher escada abaixo, apesar de TOTALMENTE INCONVENIENTE, eu gostei dela. Ainda mais depois que ela disse que a ‘Mel estava apaixonada por mim’, certo, ela pode ter exagerado como minha mãe fazia com qualquer amiga que eu tivesse, mas se ela disse é porque a Melanie fala de mim e isso já é um começo.

Desde que encontrei essa pirralha na rua fiquei cismado. Como pode uma fã minha não ficar de joelhos por mim? Isso está errado, muito errado. Por isso decidi que eu VOU fazer essa garotinha egocêntrica admitir que me ama, e quando eu decido uma coisa, mermão, eu não desisto. No começo eu enfiei os pés pelas mãos, e mesmo com Jake dizendo que eu estou ‘obcecado’ e mandando eu me fuder com meu ego gigantesco, não to nem aí. Nos meus 20 aninhos de vida, não existiu uma garota que resistiu a Andrew Dennis Biersack, e Melanie Lockwood NÃO SERÁ DIFERENTE.

- Será que ela tá afogando a Marta na privada? Que demora... – resmunguei comigo mesmo. Como eu odeio ficar trancado! Levantei e comecei a caminhar de um lado para o outro.

Um sol fraco de final de outubro enviava alguns raios de luz pela janela. Daqui a três meses acabam minhas férias e eu volto pra Califórnia gravar o álbum. Deveríamos estar revendo o projeto mas é impossível criar algo decente quando sua mente está obcecada por outra coisa, pior quando essa ‘coisa’ tem nome, sobrenome e endereço. Em duas semanas eu fiz duas coisas que jurei nunca mais fazer: me matricular numa escola — como eu já me formei, quero distância de professores – e correr atrás de uma garota, geralmente elas correm atrás de mim.

E pra terminar de fuder com tudo, ainda tenho a vadia da Eliana me chantageando. Eu acho que ela não entendeu o ‘passa fora’ de dois anos atrás. Não sei onde eu tava com a cabeça quando namorei essa garota, pelo amor de Deus. E pra minha desgraça ela é a ex-carrapato, não desgruda e fica me seguindo. Acontece que esta galinha depenada, descobriu meu paradeiro escolar e ameaçou fazer um fiasco se eu não ficar com ela. Como é de meu extremo interesse permanecer na PUC pelas próximas semanas, não posso reclamar. Só sei que to me ferrando pra caralho, desde uma identidade falsa até desenbolsar vinte mil reais pra aquele professor filho da puta não dar com a língua nos dentes, fora as horas extras de babá-de-pinguça, não acho que essa garota valha tanto esforço... Inerte em meus pensamentos, vislumbrei a calcinha do Batman atirada no chão.

- Que que eu to dizendo, é claro que vale o esforço – catei a peça do chão e fitei. Como será que ela fica vestida nisso? Imagens nada apropriadas para menores encheram minha mente. Sacudi a cabeça e guardei a calcinha no bolso da calça, essa vai pra minha coleção. Quê? Eu não fico por aí furtando calcinhas não, mas essa é diferente, É UMA CALCINHA DO BATMAN, e eu tenho direito sobre ela porque...porque... porque sou mais velho e conheço o Batman muito antes dela!!! É MINHA!

Em cima da cômoda tinha um notebook jogado de qualquer jeito. Já que eu to aqui sem nada pra fazer... Me esparramei na cama com o notebook no colo, demorou uns dois minutos pra ligar. Várias pastas de várias bandas preenchiam a desktop. Beatles, Ramones, Legião Urbana, Angra, Sepultura, Raimundos, Rammstein, Black Veil Brides, The Pretty Reckless, Scorpions, System of a Down, Asking Alexandria... Fucei mais um pouco, mas para minha tristeza não tinha nada de interessante. Nada de pornografia, fotos obscenas, diários secretos, histórico de msn comprometedor, nada.

Desisti de procurar evidências no notebook e parti para o quarto. Onde uma garota de 16 anos esconderia algo que ninguém deve suspeitar que exista? Pensei um pouco. Guarda-roupa.

Abri as duas portas espelhadas do móvel e várias roupas estavam perfeitamente organizadas por ordem de cor e tamanho em cabides. Arqueei uma sobrancelha. Melanie, você não me engana. Puxei os cabides para os lados revelando um fundo falso, é tão óbvio eu mesmo fazia isso para esconder minhas playboys. Fitei as roupas pretas, all stars, saias de couro, meias arrastão, CDS de rock e blusas de flanela, agora sim, ISSO tem a cara dela. Num canto tinha um monte de revistas e pôsteres com a cara do Ben Bruce estampadas.

AAAAAAAAAAAAAAA eu aposto que ela não vai amar esse rato tocador de guitarra quando eu contar que ele usa máscara facial de abacate pra dormir! Tá, ele não usa – eu acho – mas a Melanie não tem como comprovar isso. Revirei os olhos para os pôsteres e uma caixa logo abaixo deles me chamou atenção. Imediatamente tirei ela pra fora e me sentei no chão. O que poderia ter numa caixa velha de madeira dessas? Fotos antigas? Diários? Livros?

- CAMISINHA? CHICOTE? LINGERIE? VIBRADOR? – arregalei os olhos para o conteúdo ali dentro. Santa Merda, ela tá pensando em abrir uma sexshop??? Reparei que todas tinham um cartão colado, tirei um deles e estava escrito ‘Pra minha vadiazinha preferida, xoxo: Sidney’.

Ah então tá explicado. Presentes nada comportados da amiguinha, ou melhor, amiguinho. E todos eles estavam intactos, com etiqueta e tudo. Uma peça preta parecia reluzir dentro da caixa. Puxei pra fora e me deparo com...

- UMA CALCINHA VIBRATÓRIA COM CONTROLE? – Puta que pariu mil vezes. Assim como o resto das coisas, estava nova em folha. Tinha pedras brilhantes formando um coelhinho da playboy atrás, imagina ela usando isso... De repente uma idéia brilhante me ocorreu. Guardei tudo devidamente em seu lugar, exceto a calcinha vibratória. Puxei a primeira gaveta do guarda-roupa e várias calcinhas e sutiãs encheram minha visão. Meus olhos brilharam como se tivesse ouro na minha frente. Calcinhas de ursinhos, coraçãozinhos, estrelinhas, beijinhos, renda... FOCO ANDREW! FOCO! NÃO DEIXE AS CALCINHAS VENCEREM VOCÊ! Respirei fundo e coloquei meu plano em prática. HAHAHA Se prepare Melanie Lockwood, você vai ter uma surpresa nada agradável, mas vai gostar.

Melanie’s POVS

Expliquei para Marta que Andrew não é meu namorado, não eu não estou transando com ele e não, meus pais nem sonham que tem um garoto no meu quarto. Não senti necessidade de falar sobre a quase overdose, desmaio no banheiro e o desaparecimento repentino do Matt. E por falar nele, preciso bolar alguma coisa pra me vingar. Um pessoa normal apenas faria um escândalo e distribuiria alguns tiros, mas como eu não sou normal, vou pensar em algo pra ele lamentar por ter nascido. Depois de tomar um café com meu pai super-protetor e autoritário, decidi subir pra ver se meu quarto ainda estava inteiro, não confio no senso de habitação do Sixx.

Assim que passei pela porta, dou de cara com o Andrew esparramado em cima da minha cama lendo ‘o morro dos ventos uivantes’. Ele desvia os olhos do livro e sorri, parecendo um anjo. Estreito os olhos para o quarto, nada quebrado, nada sumiu, nada pegando fogo, mas mesmo assim parece ter algo errado.

- Que foi? – perguntou ele seguindo meu olhar.

- O que você fez? – coloquei uma mão na cintura, o encarando. Andrew franziu a cara numa expressão confusa.

- Como assim?

- tenho certeza que você me pregou alguma peça, fale logo, eu vou descobrir mesmo – falei revirando os olhos.

- Porque a idéia de que eu fiquei comportadinho e lendo ‘o morro dos ventos uivantes’ é difícil de acreditar? – ele deu de ombros com uma expressão suave.

- Porque você não é ‘comportadinho’ – revidei com desdém. Caminhei em direção a cama ficando de frente para Andrew, que levantou a cabeça para me olhar no rosto. Tirei o livro das mãos dele – e desde quando você lê? – joguei o livro em cima do edredom.

- Sua falta de fé em mim magoa – murmurou amargamente – e eu gosto de ler, saberia se perguntasse — ele apoiou o queixo nas mãos, emburrado. Comecei a sentir uma pontada de remorso. Tá, talvez ele realmente tivesse se comportado direitinho.

- desculpa Andrew – disse esperando que o remorso passasse. Ele virou a cara pra mim, levantando as sobrancelhas.

- não desculpo – falou.

- criança – bufei me levantando.

- olha a meio metro falando – retrucou Andrew. Me virei o fuzilando com os olhos, falar da minha altura não é uma maneira muito eficaz de sair de uma conversa inteiro.

- melhor ter meio metro do que ser um poste – rebati num rosnado.

- idiota.

- chato.

- covarde.

- covarde? – repeti – porque covarde? – perguntei num tom ligeiramente mais hostil.

- você sabe do que eu to falando – afirmou Andrew se levantando da cama. Lentamente veio caminhando em minha direção, os olhos penetrantes. Minha reação foi recuar alguns passos.

- não, eu não sei – disse cruzando os braços em frente ao corpo. Ele deu um sorriso cínico. Meus músculos ficaram tensos, como uma presa quando é encurralada pelo caçador.

- vou te mostrar – falou com a voz suavemente disfarçada. E em meio segundo disparou pra frente. Não tive tempo de reagir quando Andrew me pegou pelo braço e me prensou contra a porta. As mãos apertando meus pulsos acima da minha cabeça, e o resto do corpo imobilizando o meu. Tentei me soltar e me contorcer inutilmente, ele era bem mais forte que eu.

- Me solta! – disse trincando os dentes.

- grite – ordenou ele com a voz baixa, ameaçadora. Os olhos desafiadores. Andrew sabia que eu não podia gritar por causa do meu pai – grite! – ordenou novamente me prensando com mais força. Minha garganta se fechou, reprimindo qualquer som que pudesse sair. Meu rosto esquentou e eu fechei os olhos para reprimir qualquer lágrima que estivesse prestes a escorrer. Porque ele estava fazendo isso? Ele não conhecia minha vida, meu pai, ele não ME conhecia. Não sabia as consequencias do que estava me pedindo. Cerrei os lábios quando gotas quentes começaram a correr por minhas bochechas. Pronto Andrew, você conseguiu me fazer chorar. Está feliz?

O aperto nos meus pulsos cessou mas eu continuei imóvel e de olhos fechados. Ele continuava no mesmo lugar, eu conseguia sentir sua presença, sua respiração, o calor que emanava de seu corpo. Com os dedos ele retirou algumas lágrimas do meu rosto.

- Você vive numa bolha, e tem medo de sair dela – afirmou calmamente. O toque era tão suave e delicado como se estivesse com medo de tocar em mim, as pontas dos dedos percorreram minhas bochechas traçando uma linha até minha clavícula, onde se afastaram deixando um rastro de calor.

- Mel... – sussurrou muito perto da minha orelha. Eu me afastei bruscamente ficando de costas para Andrew, segurando meus cotovelos.

- Vá embora. Meu pai esta lendo e minha mãe na casa de uma amiga, ninguém vai te ver – consegui falar com a voz vacilando um pouco.

Fiquei mais um minuto em silêncio antes de me virar para trás e constatar que ele não estava mais lá, a janela aberta e as cortinas esvoaçando com o vento da manhã. Desabei no chão me curvando no formato de bola, ergui um muro em minha mente colocando Andrew Dennis Biersack do outro lado dele. Talvez ele tenha razão, sou mesmo uma covarde, sempre fui. Sou uma covarde para enfrentar meu pai, uma covarde para assumir quem realmente sou, e uma covarde para expulsá-lo da minha vida. E é isso que eu vou ser para sempre. Existe uma barreira invisível que repele Andy, e outra barreira que o atrai, e eu estou bem no meio delas. Porque aquilo que te faz bem é aquilo que te faz mais mal? Lágrimas queimaram no fundo dos meus olhos. Eu tinha frustração e raiva demais se batendo dentro de mim para sentir qualquer outra coisa, mas eu suspeitei que daqui a cinco minutos, por uma estranha razão, eu sentiria falta dele.

Notas finais
Aceito críticas, sugestões, beijos, abraços, mordidas e reviews dos fantasminhas :3