Smells Like Teen Spirit
10 Minha calcinha do Batman!
Notas iniciais
Tchã rã, mais um capítulo. Não liguem se tiver algum erro, eu quis postar logo.
Estava escuro e meu corpo parecia ter o peso de uma pena, e era levado pelo vento. Eu não sentia nada, não via nada, não falava nada, não ouvia nada. Era um vácuo total. Será que o espaço era assim? Será que a morte era assim? Quando morremos ficamos confinados nessa eterna escuridão dormente para sempre?
“Mel! Mel! Mel acorda! Por favor Mel! Não faz isso comigo guria, abra os olhos!” dizia uma voz distante. Procurei a direção que ela vinha, mas parecia vir de todos os lados.“Aqui!” tentei gritar, mas as palavras ficaram presas na garganta. Parei de flutuar, e agora eu estava deitada, mas quase não conseguia me mover. “Mel! Abra os olhos! Me xinga, diz que eu sou um idiota, um imbecil, mas por favor acorda!” dessa vez a voz veio mais forte, era.. Andy?? Me concentrei em tentar ficar de pé, mas ainda estava escuro.“Mel!” segui a voz e dei de cara com uma barreira, um muro, uma.. porta? Corri as mãos pela superfície e o toque gelado e quase imperceptível de uma maçaneta me dizia que talvez fosse a saída. Girei-a e puxei com força. Uma luz, branca e morna me atingiu. Não era nada que eu já tivesse sentido, era como estar sendo banhada nos mais puros raios de sol numa cama dourada. A primeira coisa que senti foi o amargo em minha boca. Eu estava sentada em um lugar gelado, e alguém me segurava nos braços. Minha cabeça doía como se fosse explodir, gemi quando tentei me mover e senti a dor em meus braços e pernas.- Você voltou – murmurou a voz aliviada perto da minha orelha. Andrew? Eu queria perguntar, mas minha língua enrolou e eu não conseguia formas as palavras. Forcei meus olhos a se abrirem, estava tudo desfocado. Vi o relance dos olhos azuis aflitos me olhando, era ele. - eu preciso te tirar daqui, consegue ficar acordada? – me perguntou levantando um pouco a minha coluna para que eu me sentasse. Estávamos no chão do banheiro.- acho que... – não pude terminar a frase porque meus estômago se revirou e eu senti algo quente subindo pela minha garganta. Só deu tempo de eu me lançar de qualquer jeito e cair ajoelhada na frente do vaso sanitário pra despejar tudo que eu havia bebido. - o que você veio fazer aqui doida? — repreendia Andrew enquanto segurava meus cabelos para trás. Me virei de costas para o vaso sanitário, meu estômago estava limpo e minha cabeça explodindo. - Matt me trouxe — gemi fechando os olhos.- ah eu vi seu amiguinho irresponsável caminhando para a saída com uma vadia — disse sarcástico. Não acredito que o arrombado, filho da mãe, corno, desgraçado do Matt aprontou essa comigo, eu vou comer o fígado dele a milanesa! De repente me lembrei de algo mais importante.- Andy, que horas são? — perguntei me sobre-saltando. Abri os olhos para ver ele verificar o visor do celular.- São quase seis da manhã — falou com os lábios franzidos. A-I M-E-U D-E-U-S! Imaginei-me entrando em casa nesse estado lamentável, meus pais tomando café e o barraco que não ia ser. Pior seria se Andrew viesse me arrastando pra dentro, a casa ia abaixo. - eu preciso ir pra casa! sai escondida, meu pai vai me matar! — disse apressada, o pavor na minha cara devia ser claro demais pois ele arregalou os olhos.- vamos — Andrew me pegou no colo com tanta facilidade como se pegasse uma boneca de pano. Coloquei as mãos em volta do pescoço dele para me firmar e não ousei olhar para o chão, não que eu tivesse medo de altura, só não tinha certeza se meu estômago estava totalmente vazio e ficar balançando a quase dois metros do chão era meio perigoso. Atravessamos a boate que agora estava quase vazia, a não ser por alguns bebuns caídos pelo chão e os faxineiros varrendo por cima. Assim que saímos, o vento gelado da madrugada que ainda pairava no ar bateu no meu rosto, trazendo uma sensação aliviadora. Cheiro de orvalho, grama molhada e madeira impregnando o ambiente, mas era o aroma de hortelã e canela que estava mais forte. Pisquei os olhos e vi meu rosto curvado perto da clavícula do Andy. Ele tem um cheiro bom, pensei. - Você vai ficar bem? — me perguntou Andrew enquanto me ajeitava no banco do passageiro de seu Jeep Commander. Sua expressão era como se olhasse para uma moribunda, a boca numa linha rígida. O encarei por um momento. Ele estava ajoelhado entre a porta e o meu banco, uma calça de couro rasgada nos joelhos e uma camiseta branca de gola cortada. A pele pálida e os olhos, que estavam num azul claro, contrastando com a neblina da manhã. Levantei um pouco a mão e toquei sua bochecha de leve com a ponta dos dedos.- Você é lindo — murmurei. Ele franziu o cenho, segurando minha mão.- Acho que você bateu a cabeça quando caiu — falou com um sorriso tímido. Fechei meus olhos e ouvi quando a porta foi fechada e o carro foi ligado. Preferi não abri-los e tentar não me concentrar no balanço do automóvel. - como me achou? — falei a mim mesma que não iria fazer perguntas, mas foi meio que inútil. - os caras quiseram dar uma passada aqui, cheguei a tempo de ver você atracada com uma loira na pista — disse, seu tom dando de ombros. Imagens da garota passaram pela minha memória. Que caganeira, bebi ao ponto de me 'atracar' com outra garota. Isso aí Melanie, pra você aprender a não beber, e não confiar mais no safado do Matt. Sacudi a cabeça para me livrar da lembrança da loira e me arrependi, um ferroada aguda latejou dentro do meu cérebro.
- porque foi atrás de mim no banheiro? — perguntei num gemido. Andrew suspirou.- não é da minha natureza deixar uma garota totalmente alcoolizada vagando de sutiã por banheiros alheios — falou com sarcasmo. Sutiã? Abri os olhos e percebi que em vez do meu moletom eu estava usando uma jaqueta de couro. - Não achei sua blusa, e você estava congelando — ele deu de ombros. Um aperto de formou na minha garganta. Porque tinha que ser justamente ele? Porque não qualquer outra pessoa? Eu não queria que ele fosse legal comigo, eu o odiava e ele me odiava. Senti meus olhos começarem a arder. Eu estava fora de mim, mas não tanto ao ponto de enxotar meu orgulho e chorar na frente do Andrew. - obrigado — murmurei tão alto quanto o aperto na minha garganta deixou. A única coisa que me preocupava no momento era como eu iria voltar pra casa sem ser pega. Meus pais achavam que eu estava dormindo, se eu aparecesse em qualquer lugar que não fosse na minha cama, tava morta. Como seria conveniente um teletransportador agora, ou quem sabe uma máquina do tempo.- como pretende entrar, Einstein? — perguntou Andrew debochado, assim que estacionou quatro casas antes da minha. Tentei pensar, mas a única coisa que vinha da minha cabeça era uma dor filha da puta que não ajudava em nada.- eles não podem saber que eu saí, tenho que entrar pela janela — disse olhando pelo vidro. Estava meio escuro ainda, se eu desse sorte meus pais não teriam acordado ainda. Andrew riu.- você mal consegue se manter em pé, como vai subir a escada? — falou arqueando uma sobrancelha. Considerei a possibilidade de eu tentar subir, cair e me espatifar fazendo um estardalhaço no quintal de casa, meus pais saírem e me olharem como uma fugitiva. Mas arriscar era melhor do que ficar aqui sentada esperando eles constatarem que eu não estou na minha cama e fazerem uma algazarra. - é melhor do que não tentar nada — falei mais como um pensamento do que para ele. Andrew balançou a cabeça.- eu te ajudo — disse saindo do carro. EPA, perae.- você pretende ir comigo?? — digo o olhando nos olhos enquanto abre a minha porta. Ser pega sozinha deve ser menos grave do que ser pega com um garoto. - pra me certificar que você não vai cair e morrer enquanto tenta entrar — deixei ele me ajudar a sair do carro. Esperei até a tontura repentina passar e dei alguns passos, eu não estava cambaleando, mas as vezes os chão parecia tremer. Suspirei e continuei caminhando com Andrew logo atrás de mim. Como eu não sou tão anta pra passar bem na frente de casa, fui me escondendo entre os arbustos e contornei-a até a janela. Esperei um pouco para tentar identificar algum som de uma possível pessoa acordada, nada. Subi a escada devagar e o mais silenciosamente possível, com Andrew me apoiando. Eu poderia dar pulinhos de alegria quando consegui entrar no meu quarto, mas preferi não arriscar. Estava prestes a enfiar a cara na janela e dar um tchauzinho pro meu 'salva-vidas de uma noite' quando o vi parado atrás de mim com os braços cruzados. Nunca mais vou subestimar a velocidade que essa criatura sobe uma escada. Antes que eu pudesse dizer 'eu não morri, muito obrigado já pode sair do meu quarto' sons de passos no corredor embrulharam meus estômago. A julgar pelo pé pesado, era meu pai. Puta merda, fudeu geral! Olhei alarmada para Andrew que tinha os olhos arregalados.- E agora? — perguntou ele com a voz baixa. Sem pensar duas vezes joguei meus all star pela janela em seguida a fechando. Arrastei Andrew para que entrasse debaixo da cama e joguei a jaqueta junto com ele. Ouvi um 'ai caralho' nada feliz. Me enfiei debaixo do edredom dois segundos antes de meu pai entrar sorrateiramente pela porta do quarto. Ele ficou um tempo observando possíveis invasores, foi até o guarda-roupa e olhou de cima a baixo e depois dentro. Inspecionou o banheiro e quando estava se abaixando para olhar debaixo da cama, me obriguei a intervir.- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA — berrei tirando a cabeça de baixo do edredom. Fiz a cara mais assustada e desprevinida do mundo. Cara de quem não tem um roqueiro escondido debaixo da cama. Meu pai foi parar perto da porta com o susto. - O que foi??? — perguntou ele espantado. Respirei fundo, fingindo estar ofegante.- Você me assustou!! Pensei que fosse um ladrão, um bicho! — disse inocentemente. Ouvi passos apressados vindo em direção ao meu quarto. Minha mãe apareceu assustada na porta.- O que aconteceu? — perguntou ela ajeitando o hobbi.- Meu pai me assustou entrando no quarto — falei mais que depressa apontando para ele. Minha mãe o olhou com reprovação.- Richard deixe a menina em paz! — falou.- pensei ter ouvido barulhos aqui em cima — ele deu de ombros. Meu pai era o cão farejador em pessoa. Franzi a cara.- é sua imaginação — disse minha mãe — vamos deixe a Mel dormir — por fim ela arrastou meu pai nada convencido para fora do quarto e fechou a porta. Respirei aliviada. Segurei o rosto com as mãos, essa foi por pouco. Imagino a cara do meu pai se entrasse aqui e visse Andrew Dennis Biersack. Ia ser um festival de horrores e tiros por todo lado. Falando no Andrew, vi o ser se arrastando de debaixo da cama com uma cara nada feliz.- Porra, faz quanto tempo que você não limpa aqui em baixo hein? — perguntou se limpando. Revirei os olhos.- A Marta limpa todo dia quase — o encarei. Ele deu de ombros e enfiou a mão lá embaixo novamente.- e então porque isso tá aqui? — falou segurando um pedaço de pano com as mãos muito maliciosamente. Apertei os olhos e todo o sangue do meu corpo foi parar no meu rosto. ERA A MINHA CALCINHA DO BATMAN! Ele ficava sacudindo ela com um sorriso idiota na cara. Eu não sabia se dava uma de avestruz e enterrava a cara no meio das cobertas ou tentava tirar dele. O pensamento de que se Andrew tivesse uma calcinha minha em suas posses não seria nada bom me fez me atirar em cima dele. O maldito levantou do chão como se tivesse nitro na bunda. - Vem pegar, vem pegar — me provocava o senhor Biersack. Ele estava de costas para a cama, e eu sabia que a única maneira de pegar minha calcinha de volta era derrubando a escada ambulante de dois metros. Acabou que eu fui de encontro a ele o fazendo cair de costas na minha cama e eu por cima, com o movimento inesperado ele deixou cair minha querida calcinha no chão. Andrew ficou de quatro em cima da cama e eu montei nas costas dele para impedir que a pegasse denovo. Certo, ficou bem constrangedora essa cena, mas o que eu não faço pela minha calcinha do Batman?? - Tá me achando com cara de cavalo mulher? SAI DE CIMA PORRA — dizia ele entre risadas. Não pude evitar de rir também. De repente um barulho na maçaneta do quarto e a porta se abriu. Meu sangue congelou, e eu não conseguia respirar. Lascou de vez...
Notas finais
Aceito críticas, sugestões, beijos, abraços e mordidas :3
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